terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Manifesto do Partido Comunista – Marx e Engels


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É interessante notar como, por mais que se trate de um livro que se pretendia científico, um livro que procurava traçar com força as bases lógicas para o desenvolvimento de uma teoria da revolução prática, ainda assim, o Manifesto soa, após tanto tempo (foi escrito em 1848), como um documento ingênuo, utópico, poético, agradável às lágrimas e aos nós que nos formam na garganta ao depararmos como uma espécie de “Manual para construção do Eldorado”.
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É a poética da revolução que, infelizmente, não chegou a se concretizar além das bocas, pois, ao sair, deve ter-se enroscado em algum fio de barba esquerdóide!
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É apenas, novamente, a força da poesia, desta vez com disfarces realistas, tomando as mentes e corações daqueles que entraram em contato com as prosas dos cientistas sociais de outrora.
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Estes cientistas são os grandes responsáveis por suas auto-ilusões adocicadas pela esperança de ciência, as chamadas: soft science, as ciências humanas ou, mais precisamente, as ciências sociais. São estes os condenados às chamas da auto-culpa por terem desmedido as teorias na busca de legiões que almejassem uma pseudo-verdade, em verdade, forjada por eles.
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São eles os culpados por tentarem a gênese de um novo querer. Um novo querer que, na verdade, é tão antigo quando qualquer outra forma de egoísmo, pois foi, em prática, nada além disso. O comunismo tornou-se uma nova forma de egoísmo, porém, desta vez, um pouco mais maquilado por uma casca de boa intenção e disfarçado com uma espécie de peruca científica. Deve ser culpa de Newton!
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Os cientistas sociais quiseram querer por outros, mas esqueceram que cada um somente pode querer por si, sendo impossível inventar a querência na alma alheia. Desta forma, estes cientistas fizeram exatamente aquilo que tanto condenavam: traçaram, de cima para baixo, uma nova catequização das massas, só que, desta vez, revestida de “Revolução do proletariado”.
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Era mais uma vez, a boa e velha lógica do fluxo de idéias que sempre esteve condenado à educação e que, por sua vez, sempre esteve condenada ao CAPITAL, em menor ou maior intensidade, nacionalmente ou internacionalmente. É interessante pensar que teorias sociológicas nascem no bojo dos conflitos, mas, surpreendentemente, a África não possui uma forte tradição de cientistas sociais de renome internacional ainda que, hoje, seja ela um dos epicentros da miséria humana.
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Era simplesmente a boa e velha Europa, o bom e velho Estados Unidos da América produzindo aquele material do qual sua Social Democracia tão bem iria se nutrir para reforçar a legitimidade do futuro egoísmo nacionalista, amenizado, como nunca, por gotas de filantropia comunal.
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Como devemos, enfim, considerar o valor de uma teoria? No indivíduo criador, ou no indivíduo criador presente de um meio formador?!
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A dialética que por tantos e tantos anos inebriou os corações e insuflou, como ainda insufla, os egos em ditames perniciosos, sublimes vociferadores de suas posições políticas, no fundo, tocante somente a si; é a mesma dialética que tornou possível as tantas e tantas décadas de utopias que, ainda hoje, sustentam-se nos becos e guetos herméticos onde esquerdistas divagadores embatem-se com aqueles iguais em pensamento e em atitude, ou melhor, em não atitude. Isso ainda se dá porque é extremamente confortável a verborragia socialista quando esta possui olhos e ouvidos receptivos e concordantes. É sobre este conforto, no fundo extremamente pessoal e individualista, que ainda descansa o discurso das esquerdas radicais.
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É uma pena!
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O comunismo falhou e falha simplesmente pelo fato do ser-humano tender a pensar primeiro em si, para depois pensar no próximo. Há uma lei biológica de sobrevivência e competitividade anterior à consciência propriamente humana. É a seleção natural! O que preferes fazer com a comida que te sobra, guardar para enfrentar com mais facilidade possíveis desavenças futuras, ou dividir com teu próximo, desconfiando de que, talvez ele não faria o mesmo por você, caso estivesse no seu lugar?!
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O ser-humano é interno, é uno, sua voz interior tende a ressoar mais alto para si, do que o discurso do alheio. “E sabe do que mais, eu sou como um tambor que ressoa mais dentro dele, que da pessoa”. A outra pessoa nunca é a primeira, talvez por isso a chamemos de próximo, ou seja, aquele que não é o primeiro. O pensamento vinga em qualquer silêncio constante, e a fala, passível de julgamento social, sempre vem depois, sempre é posterior e nem sempre é tão presente.
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Além de todas essas características inalienáveis do indivíduo, o regime estatal está submetido ao mesmo egoísmo intrínseco, e por vezes velado, que reside em todo homem, por ele ser regido, em suma, por homens. Seria muita ignorância acreditar que estes senhores do estado seriam impolutos, donos de uma galhardia fidalguesta redundante e incorruptível para com aqueles que, em verdade, detêm menos poder.
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Ainda que o poder seja inalienável das massas, o tempo é o senhor da verdade, dos movimentos físicos e, sendo assim, dos sociais, estando, portanto, sub-julgada a ele, a organização de uma revolução que deveria vir de seres excluídos da máquina política. Estes precisariam construir, no seio de uma máquina maior, aquela engrenagem que tentaria derrubá-la.
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Mas todo movimento humano, como já dito, está sob a lógica do tempo, e o tempo corre em igualdade. É como se, povo e governo tivessem que correr por 30 segundos aé um objetivo em comum, só que um está treinado, saí na frente e, muitas vezes, está melhor alimentado e descansado que o outro.
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Um velho político sabe dançar ao som do batuque dos panelaços!
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É uma questão de evolução de almas! Simplesmente, neste estágio não estamos, em nossa maioria, preparados para tão grandes gestos de altruísmo.
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5 comentários:

Diego Marmo disse...

Wagnito! Perfeito esse seu post, muito bom!

Nunca li o manifesto, mas concordo em gênero, número e grau, inclusive com a passagem que vc escreveu:

"O comunismo falhou e falha simplesmente pelo fato do ser-humano tender a pensar primeiro em si, para depois pensar no próximo. Há uma lei biológica de sobrevivência e competitividade anterior à consciência propriamente humana. É a seleção natural! O que preferes fazer com a comida que te sobra, guardar para enfrentar com mais facilidade possíveis desavenças futuras, ou dividir com teu próximo, desconfiando de que, talvez ele não faria o mesmo por você, caso estivesse no seu lugar?!"

Para mim essa é a resposta para muito do nosso comportamento, ou melhor, para muitos dos nossos sofrimentos enquanto parte de uma sociedade que esmaga a essencia humana em nome de paradigmas sociais impostos única e exclusivamente para definir poderes na seleção natural!

Show!

Pacas, disse...

O manifesto é um clássico da política, se não leu é melhor nem concordar nem discordar com nada.

A crítica do movimento social baseada na natureza egoísta, é velha, vem de Hobbes (1558-1679) "o homem é o lobo do homem".
Nem precisaria dizer que Hobbes não se baseou em nenhum estudo, apenas observações pessoais.

O homem não é egoista nem filantropo, pois são comportamentos aprendidos, ou seja, ele se forma a partir de seu meio. Egoísmo e instinto defensivo são coisas diferentes que o autor do post parece não diferenciar.

A questão aqui é o que se trata o socialismo. E concerteza ele não é uma perspectiva sobre a psicologia das pessoas ou um novo cristianismo buscando mudar seu comportamento.

O socialismo é uma teoria revolucionária em que a partir da organização dos própios operários e proletários, as classes dominadas ou expropriadas, eles então possam tomar os meios de produção, retidos históricamente pela classe dominante, a burguesia. Os meios de produção são por onde se produz toda riqueza existente, desde de um chinelo a um ipod; são também por onde o trabalhador ou operário é explorado.

E acho que não preciso me estender mais.

Anônimo disse...

Olá Pacas!

Em primeiro lugar que eu li o livro sim! Toda resenha que coloco aqui no blog é porque li a obra inteira!

E minha opinião não mudou lendo seu comentário! Acho que tocamos em pontos diferentes. Muitas das coisas que você colocou não eram necessárias, como, por exemplo, me explicar o que é o socialismo. Mas gostei principalmente deste parágrafo que me fez pensar:

"O homem não é egoísta nem filantropo, pois são comportamentos aprendidos, ou seja, ele se forma a partir de seu meio. Egoísmo e instinto defensivo são coisas diferentes que o autor do post parece não diferenciar."

Ao contrário do que você disse, eu diferencio egoísmo e instinto, sim! Mas também os coloco juntos, ou melhor, um permeando o outro dentro de determinadas situações! E sinto lhe dizer que esta característica humana não será quebrada por tratados políticos.

Muito menos hoje em dia, quando sabemos, por experiências práticas, que o socialismo "mais possível" vem sim, naturalmente, de um ciclo que acaba desembocando nele, como é o caso das nações mais desenvolvidas, e não como um caminho que leva a uma igualdade.

Este projeto é falido! E vai a falência justamente porque o instinto e o egoísmo se permeiam. Não são a mesma coisa, mas por vezes caminham lado a lado.

E se Hobbes parecia estar equivocado há tantos séculos atrás, acho que nós de hoje em dia temos provas suficientes p dizer que o homem é, sim, o lobo do homem.

Além disso, o socialismo deixa de lado um fato super essencial para a história da humanidade: a competitividade do ser.

Se o mundo fosse socialista, não estaríamos nem perto de nosso estado de desenvolvimento da ciência e da tecnologia.

Estaríamos mais avançados em outros pontos? Acredito que sim, mas muito pouco! Todo país socialista, depois de abrir suas portas, se mostrou uma fachada de filantropia mascarando um mar de atraso em diversos âmbitos do exercício humano.

Não que eu concorde com o fato de levarmos mais em consideração nossas carências do que a dos outros, mas é que isso é dificílimo de quebrar no ser humano. Não é por isso que devemos desistir, mas enfim, há maneiras mais brandas e mais possíveis de se conseguir melhorar a vida dos outros que não uma teoria política que fracassou tantas vezes e ainda vem fracassando.

Acho que no fundo você defende o Socialismo Teórico e não o prático. É inquestionável que na prática ele não funciona. Acho a teoria belíssima! Mas a prática não consegue deslanchar porque somos instintivos e egoístas! E estas coisas se permeiam sem que tenhamos conta destes movimentos!

Wagner.

Pacas, disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Pacas, disse...

A diferença central dos nossos argumentos está em como é tratado o movimento social. Você parece acreditar em uma psicologia inerente ao homem que o impede a certo tipo de organização. Eu já defendo que a psicologia individual não importa quando a objetivo aqui é a classe dominada tomar o poder, não se trata de ser egoísta ou bom mas de como os dominados podem se organizar, não como religião mas como força motora, força marginal independente, para expropriarem os expropriadores, tomarem para si os meios produtivos.

Todos podem ser egoistas e individualistas mas isso não interfere, pois os que fazem a revolução são justamente "os que não têm nada a perder", além de que a distribuição através de uma economia social não se dá por bondade mas sim porque os própios necessitados são os que governam.

Quero finalizar dizendo que o meio impera na resolução individual de ser egoísta ou não. O exemplo claro são os capitalistas que no mercado se matam, mas como classe dominante e detentoras (mesmo que disfarçadamente) do Estado se fazem obrigadas a financiar e amparar a máquina institucional. Mesmo ora sendo egoístas, se unem quando é do seu interesse. Posso terminar afirmando que o egoísmo e a filantropia coexistem como respostas a situações específicas pelo homem.

Wagner, eu sei q vc leu, eu tava falando do Diego. Flws