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Um livro bastante pessoal.
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DIVAGAÇÃO
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Debruçada no passado
eu fico,
diluída no presente
eu vou
desaparecendo na neblina...
oscilante, feminina.
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Deixo marcas de um tempo real,
sem a condição intemporal,
que me agita e não define:
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O que sou, o que fui,
o que deprime?
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Um sutil relato de coisas coletadas no dia-a-dia: poesias feitas para parentes, versos que relembram amigos distantes no tempo, coisas queridas, frutos de algum acaso da rotina.
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Um mural poético de uma escritora que, quando na época da escrita desta obra, já tinha um tempo razoável de vida, de modo que, mesmo sendo mais recorrentes alguns motivos poéticos, mais caros à autora, como o amor e a saudade, vemos aqui, também abarcados, outras temáticas menos recorrentes, que auxiliaram no esgueirar deste painel de pontuais momentos de pausa artística.
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AMOR
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Você
Não me guarda,
Mas se guardasse,
Decerto que não seria
Em papéis, nem em lembranças
Limitadas.
Porque talvez
Eu ficasse além de tudo,
Nas profundezas
Pouco reveladas.
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Uma respeitável coletânea de inspirações, divagações rimadas, versos de palavreado simples, claro, fácil de entender, mas muito fortes, se declamados.
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Uma espécie de trova em potencial, calada, esperando o momento de reverberar no ouvido uno de seus leitores, convidando-os a lançá-los aos outros.
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Mas há também outros poemas mais intimistas, que pedem silêncio e resguardo, restando após sua leitura, uma espécie de sopro sem definição, como é o caso dos que falam de tristezas vividas, decepções, ou mesmo da morte. Como é o caso deste que segue:
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TRANSIÇÃO
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Se a vida
fosse vida,
e se o mundo
fosse meu,
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Se o tempo
fosse o espaço,
e esse espaço
fosse eu,
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Se a hora
fosse agora,
e o momento
fosse adeus.
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De todos os livros da Benita que já li, este, com certeza, está entre os melhores!!!
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