quarta-feira, 22 de abril de 2015

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sexta-feira, 17 de abril de 2015

Enfim, Balanço Geral de 2014 - Post 1414

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Um ano corrido, de novidades, de limpar certas lacunas e endireitar ainda mais os caminhos.
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Um ano em que fui pouco ao cinema e também li bem menos que o habitual. Em compensação fui a três óperas e vi um show de um compositor que admiro desde de muito pequeno!
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O musical o Rei Leão também foi uma beleza a parte.
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Dos filmes, os mais marcantes foram:
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 - “Entre nós” por remeter a minha adolescência.
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 - “Mesmo se nada der certo” pela honestidade da obra e pela qualidade das músicas escolhidas.
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Dos livros, o melhor foi Juca Pirama, pela força narrativa da poética contida na obra.
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O Balé da Cidade de São Paulo de Maio também ficou marcado na memória.
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Enfim, tão tarde quanto nunca foi, consegui terminar as resenhas.
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E já tendo mais dezessete a serem feitas sobre esses quase quatro primeiros meses de 2015.
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Vamos seguindo!!!
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Filmes
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1. Anos felizes
2. Entre nós
3. Heli
4. Homens, mulheres e filhos
5. Mesmo se nada der certo
6. O passado
7. Philomena
8. Praia do Futuro
9. Relatos Selvagens
10. Rio, eu te amo
11. Sobrevivi ao Holocausto
12. X-men - Dias de um futuro passado
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Livros
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1. Ansiedade Como enfrentar o mal do século
2. Filho de Itanhandu
3. I Juca Pirama - Os Timbiras
4. Nova Antologia do Conto Russo
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Peças e Musicais
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1. O Rei Leão
2. La Mamma
3. Noite de Reis (Unidos do Carnaval)
4. Odisséia
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Coral
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1. Coral Paulistano (Theatro Municipal)
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Dança
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1. Balé da Cidade de São Paulo (Maio)
2. Balé da Cidade de São Paulo (Agosto)
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Óperas
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1. Carmem
2. Ifigênia em Tauris
3. Salomé
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Shows
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1. Yanni
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Exposições
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1. Augusto dos Anjos (Casa das Rosas)
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Anos Felizes (Filme) – Resenhas 2014

 
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Um filme bem italiano!
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Extremamente lado B. No Brasil foi visto por apenas 3.870 pessoas, segundo o Cineclik.
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Um artista se sente cada vez mais atraído por suas modelos e consuma seus desejos.
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Sua esposa, até então fiel, começa a cogitar algumas experiências extra conjugais.
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Os filhos do casal se veem inseridos nestes conflitos.
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Tudo bastante intenso, bastante exagerado, italiano.
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O ciúme, o amor, o ódio, as brigas, as conciliações.
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É interessante como os filmes italianos, em geral, transparecem uma honestidade na concepção, uma limpidez nos atores, uma verdade nas atitudes, nos sorrisos, nas lágrimas, nas vozes.
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Aquele elemento direto e impactante da cultura do país.
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A grandiloquência, a profundidade escancarada, a vontade de viver tanto as muitas coisas da vida e do mundo, das relações humanas. A catarse dos sentidos.
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A Itália possui muito desses elementos.
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A Itália é o berço de grandes solistas e compositores de ópera, terra de tantos teatros conhecidos, a Commedia Dell`Arte, diretores e atores de cinema de renome mundial, os gênios do Renascimento e suas obras impactantes.
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Um país marcado na história ocidental!
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Itália que já foi o centro da civilização na época do império Romano e que continuou sendo um forte ponto de comércio e cultura ao longo da Idade Média e do Renascimento.
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A Itália não é uma terra de fracos e tampouco assim seriam seus filmes!
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Deliciosa obra!
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FICHA TÉCNICA
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Gênero: Drama
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Direção: Daniele Luchetti
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Roteiro: Caterina Venturini, Daniele Luchetti, Sandro Petraglia, Stefano Rulli
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Elenco: Angelique Cavallari, Benedetta Buccellato, Ivan Castiglione, Kim Rossi Stuart, Martina Gedeck, Micaela Ramazzotti, Niccolò Calvagna, Pia Engleberth, Samuel Garofalo, Sylvia De Fanti
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Produção: Giovanni Stabilini, Marco Chimenz, Riccardo Tozzi
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Fotografia: Claudio Collepiccolo
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Montador: Mirco Garrone
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Trilha Sonora: Franco Piersanti
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Ansiedade, como enfrentar o mal do século – Resenhas 2014

 
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Não sou muito ligado a livros de autoajuda, mas resolvi comprar esse, já que estávamos fazendo um espetáculo dentro de uma livraria.
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Achei que, do muito prometido, nem tudo foi cumprido. O autor disse que apresentaria técnicas para enfrentar o que ele chamou de “Síndrome do Pensamento Acelerado” e senti que pouco foi dito de fato.
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Acredito que o Augusto Cury assim o fez por colocar o livro como porta de entrada para outros cursos e palestras que ele ministra, mas, mesmo assim, minhas expectativas não foram sanadas.
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Pensei muito na meditação e em como as sabedorias milenares já nos mostram ferramentas verdadeiras para o relaxamento e o apaziguamento da mente. Achei que o livro poderia ter tratado também desse viés e não só ter ficado nos tais caminhos que o próprio autor encontrou por meio de seus estudos científicos e coisas do tipo.
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Achei que ele poderia ter mencionado mais a meditação, não como prática dotada de algum fundo espiritualista, mas simplesmente como exercício de auto reconhecimento.
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A meditação até poderia servir de porta de entrada para as outras técnicas que Augusto Cury apresenta em suas outras obras e ensinamentos, mas, realmente senti uma intenção de assegurar o conhecimento e não entrega-lo de imediato.
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E talvez seja mesmo esta a intenção do escritor!
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Uma opção válida!
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Bale da Cidade de São Paulo (Agosto) – Resenhas 2014

 
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Cacti de Alexander Ekman (Estreia Nacional) – Um ritual moderno dos homens onde os vários elementos se mesclam: a dança, a música, a voz. Em determinado momento a orquestra sessa e se inicia uma série de falas entre dois bailarinos. Bem diferente, árido!
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Antiche Danze de Mauro Bigonzetti (Estreia Mundial) – A tradição e a ruptura. Figurinos mesclando a estética renascentista e as atualidades. Movimentação firme e seca, música dos séculos anteriores, uma mescla de elementos oposto, complementando-se nesta antítese de coisas que podem se juntar por meio da arte!
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Na verdade gostei mais da apresentação de Maio de 2014. Essa talvez tenha sido a vez em que eu menos gostei do que foi apresentado pelo Balé da Cidade de São Paulo.
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Bale da Cidade de São Paulo (Maio) – Resenhas 2014

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O Balé da Cidade de São Paulo é sempre impressionante! Às vezes mais, às vezes menos, mas sempre é impactante e convidativo.
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É interessante a capacidade que a dança tem de nos chamar, de dizer mensagens sem falar nada, de transcender o sentido das coisas justamente pelo viés mais orgânico que temos: o corpo, o movimento dos músculos, o bailar dos ossos, o balanço das vísceras, a intenção silenciosa que perpassa os contornos de nossos veículos físicos.
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A dança parece realmente que vai moldando uma energia muito forte no palco, uma amplidão narrativa absurda, entremeada de significados ocultos que, por vezes, não sabemos realmente se são as interpretações queridas pelo criador, mas que, na verdade pouco importa. Pouco importa se estamos entendendo exatamente cada detalhe, ou mesmo pouco importa se cada detalhe é dotado de significação, pois o criante realmente pode ter feito aquilo para que nenhum significado fechado se concretizasse e para que tudo ficasse no limiar da dança das interpretações sutis.
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Mas, em cada dança, se capta uma ordem ampla e esta ordem amplificada é tecida e alimentada por uma série de pequenos elementos significativos que vão preenchendo o ideário geral, dando-lhe um começo, um meio e, por vezes, um não fim. Centelhas centenas bastante diluídas numa série de movimentos plásticos e teatrais que vão nos levando ao longo do caminho imaginário imaginado.
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Nesta apresentação de Maio de 2014, foram apresentadas três danças:
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Uneven (Desigual) do coreógrafo Cayetano Soto – Palco em desnível e o conflitante desequilíbrio da vida no qual todos estamos imersos! Homens e mulheres contemporâneos se cruzam e interagem secamente neste solo instável das grandes cidades pós-modernas.
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bandOneón do coreógrafo Luis Arrieta, dedicada a Tiago – Coreografia que usa o concerto para Bandonéon de Astor Piazzolla como base para o desenvolvimento de uma obra extremamente forte e masculina. Dez dançarinos homens se digladiam no palco, se rebatendo, se evitando, se aproximando, querendo, não querendo. Um lamento de amor inalcançado, e, nas palavras do próprio criador: “Herança recebida habita-me; a imagem do que poderia eu ter sido”.
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O Balcão de Amor de Itzik Galili – Uma dança mais leve, passos mais ritmados e o mambo levando a mexer os muitos que no palco estavam. Uma declaração de beleza a juventude passada, uma tentativa de fazer dançar as lembranças tênues que se nos envolvem ao nos depararmos com o que fôramos há tempos.
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Carmen (Ópera) – Resenhas 2014

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Carmen talvez seja a ópera mais famosa que existe!
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Tentei encontrar ingressos, mas essas montagens grandes enchem a casa muito rápido. Mesmo assim, resolvi saltar do ônibus perto do Municipal e ir tentar uma entrada encima da hora... Consegui!
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Uma obra super extensa, super intensa, super intrincada, cheia de conflitos, de temas fortes, uma ópera que retratou uma mulher forte numa época em que as mulheres eram colocadas em segundo plano na sociedade.
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Era o ano de 1875 quando Bizet ousou e estreou, em Paris, esta obra que trazia um nome feminino em seu título. Mas o autor foi ainda além, pois, esta mulher retratada não era realmente uma heroína, mas uma mulher diferente e igual a tantas outras... Tratava-se de uma cigana, forte, dominadora, que tinha todos os homens aos seus pés e que não tinha medo de viver a vida, gozar do amor, dos prazeres do corpo, das noites, das bebidas.
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Nessa montagem, Carmem foi interpretada lindamente pela Mezzo-Soprano Rinat Shalam. O elenco era numeroso. Houve várias cenas onde o cenário se modificava, abria espaços, fechava outros, muitos cantores em cena, passagens de dueto e coro, pessoas encenando cantos nas ruas, nos bares, textos fortes e marcantes, músicas de exaltação...
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Foi uma das melhores óperas que já vi! De longa duração, mas os novos temas que surgiam nos chamavam novamente a acompanhar a trama e novamente nos encaminhava para um novo momento de cantos intensos, duelos e assim por diante.
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Três horas e meia de música, fora os 45 minutos dos dois intervalos, mas valeu demais!
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Há certos clássicos que não me permito deixar de conhecê-los!!!
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Carmem foi um deles!
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Coral Paulistano no Theatro Municipal – Resenhas 2014

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O Coral Paulistano talvez seja o grupo vocal mais famoso do Estado de São Paulo e um dos mais famosos do Brasil. Sempre tive vontade de ver e, quando tive oportunidade, fui!
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Foram acompanhados pela Orquestra Experimental de Repertório regida pelo maestro Martinho Lutero Galati de Oliveira.
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Cantaram obras de José Maurício Nunes Garcia, Schubert, Mozart e Dom Pedro I.
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Que Dom Pedro I era compositor eu já sabia, afinal, foi ele quem compôs o Hino da Independência. Mas, eu não sabia que ele tinha ido além e havia composto obras clássicas como este Credo apresentado pelo coral.
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Aliás, uma obra muito bonita, gostosa de ouvir!
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De Nunes Garcia apresentaram “Motetos para Coro e Orquestra”.
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De Schubert foi cantada uma Missa em Sol menor.
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E, para encerrar, apresentaram “Laudate Dominum” de Mozart.
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Uma apresentação muito bonita! Um coral muito bem ensaiado, boas músicas. Gosto demais desse tipo de programa!
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sexta-feira, 10 de abril de 2015

Entre Nós – Resenhas 2014

 
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É interessante o mote deste filme:
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Sete amigos, dois ou três deles com pretensão a escritor, decidem escrever e enterrar cartas para eles mesmos. Essas mensagens deveriam ser lidas dez anos depois. No entanto, algo sai errado e um acidente tira a vida de um deles. Este acontecimento os afasta. No entanto, o compromisso estava selado e o encontro marcado para dez anos depois deveria acontecer.
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O filme retrata justamente este ponto de recolocação dos personagens. O que mudou dentro de cada um, a energia do momento de se botar em cheque perante o próprio passado, as situações ressentidas, o rumo que cada qual tomou, o status daqueles considerados vencedores, a vergonha daqueles que se colocam como perdedores, as antigas paixões, além de alguns segredos que haviam sido enterrados naquela caixa e que mudariam novamente o rumo de suas já longínquas amizades.
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Passado numa chácara na serra da Mantiqueira, próximo a Campos do Jordão, este filme lembrou-me bastante a época de infância, o inverno nas montanhas, os sonhos de escrever, os amigos também longínquos, a tal “Sociedade dos Poetas Vivos” que montamos certa vez, numa noite vazia, em frente ao CRI (Clube Literário e Recreativo de Itanhandu).
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Enfim, particularidades a parte, a película é de sensibilidade extrema e possui grande valor pelo seu resultado artístico. No entanto, acho que se trata de um filme ainda mais relevante por não cair em assuntos comuns ao cinema brasileiro, como a marginalidade e a violência, bem como por passar bem longe da falta de assunto das tantas comédias estreladas pelos novos nomes da badala cena Stand-up.
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Um filme bem realizado, profundo, provavelmente de baixo orçamento, bem escrito, bem interpretado e bem dirigido!
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Ficha Técnica
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Gênero: Drama
Direção: Paulo Morelli
Roteiro: Paulo Morelli
Elenco: Caio Blat, Carolina Dieckmann, Júlio Andrade, Lee Taylor, Maria Ribeiro, Martha Nowill, Paulo Vilhena
Produção: Diane Maia, Paulo Morelli
Fotografia: Gustavo Hadba
Montador: Lucas Gonzaga
Trilha Sonora: Beto Villares
Duração: 101 min.
Ano: 2013
País: Brasil
Cor: Colorido
Estreia: 27/03/2014 (Brasil)
Distribuidora: Downtown Filmes / O2 Play / Paris Filmes
Estúdio: O2 Filmes
Classificação: 14 anos
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quinta-feira, 9 de abril de 2015

Exposição Augusto dos Anjos – Resenhas 2014

 
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Gosto muito de Augusto dos Anjos e, tendo que esperar uma hora para um evento próximo da Casa das Rosas, fui ver a exposição sobre este autor que tão forte disse em tão pouco espaço e tempo.
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Seus versos são de uma musicalidade tremenda, um requinte de linguajar mesmo quando, por tantas vezes, trata de assuntos esdrúxulos.
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Aliás este era o título da montagem:
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Esdrúxulo! 100 anos da morte de Augusto dos Anjos
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Me encanta suas perturbações humanas, o temor às coisas obscuras junto do fascínio que elas exerciam sobre ele. Augusto dos Anjos era capaz de construir cenários cadavéricos que transcendem pela beleza e nos inebriam pelo ritmo narrativo.
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Inclusive, pelo que me recordo de ter lido lá, sua forma de escrita era extremamente baseada na escuta. Seus poemas eram exaustivamente lidos em voz alta e, por esta técnica, o autor os lapidava intensamente até chegar àquilo que lhe soava perfeito.
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Publicou pouco, mas marcou um estilo único na poética brasileira, uma forma impactante, presente e bastante atual. Sua linguagem situa-se, a meu ver, num ponto muito interessante de intersecção de elementos eruditos e populares, um apelo honesto que alcança tantos de tantas latitudes culturais e o mantêm como um dos poetas mais lembrados da história da nossa literatura.
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Filho de Itanhandu – Resenhas 2014

 
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Um livro de um parente meu, Henrique Pinto, que nasceu dentro da casa da minha avó materna: Cândida Passos de Sousa. Inclusive tem até uma foto da fachada no livro, só que me parece terem errado na figura, pois a casa do retrato é da minha bisavó.
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61 textos que preenchem as 118 páginas com opiniões sobre o mundo atual, histórias dos tempos passados, a fé e a espiritualidade, as memórias guardadas e a ânsia de um homem em deixar sua história marcada em tudo aquilo de especial que ela tem para si próprio.
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Uma pequena reunião literária que pretende transformar as coisas cotidianas em orações perpetuadas de um espirito que tanto sofreu; e talvez por isso, todos os seus discursos terminem com: Amém!
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Um livro de passagem!
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Heli – Resenhas 2014

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Um garoto, pretendendo fugir do lugar onde vive para poder se casar com sua namorada, comete um crime dos piores: rouba droga de policiais.
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Por investigação, chegam até o material que se encontra na caixa d´água da casa de sua namorada e os Homens da Lei fazem aquilo que já era esperado...
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Então se inicia uma série de cenas muito violentas que retratam um pouco da realidade presente em alguns rincões do interior mexicano.
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Heli escancara uma realidade sem piedade, nua, estampada nas telas sem meios termos, sem poupar o espectador, transbordando a baixeza dos que não se questionam com mais profundidade, dos que não querer bem, dos que testam os poderes instituídos de maneira escura, deturpada.
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Subversão sem moral verdadeira, tentando transtornar a errada moral instituída sem a construção de outra com maior valia, sem doutrina humana, sem colocação correta, pretendendo somente o próprio berro, sem, no entanto, tentar escutar o berro daqueles que berram como ecos de seus berros.
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Pessoas sem escrúpulos que impõem suas vontades, negando as liberdades dos que os circundam, de perto ou de longe, estreitando ainda mais os caminhos que poderiam ser de muitos, que poderiam abarcar mais passos, os diversos progressos dos que querem poder tentar e que, em certa instância, tentam, em paralelo, sair das mesmas periferias e chegar ao centro instituído à custa de tantos.
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A violência em sua forma mais cruel, a violência em todas as suas formas, contra crianças, contra jovens inocentes, contra jovens não inocentes, mas carregados de motivos que, ainda que errados, os balizaram por um bem não individual, a crueldade espalhada sem fronteiras e mesmo a auto-crueldade cometida contra bandidos e policiais.
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A ausência de lei, a falta de escrúpulos, de consideração, a negação de vínculos afetivos, o contraste do interior silencioso, dos lugares de pouca gente, frente ao muito que a pouca gente daquele lugar é capaz de fazer de errado, lugares lotados, incrustados encrustando as pessoas daquilo que elas mesmas são capazes de fazer quando não se fazer realmente.
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FICHA TÉCNICA
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Gênero: Drama
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Direção: Amat Escalante
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Roteiro: Amat Escalante, Ayhan Ergürsel, Gabriel Reyes, Zümrüt Çavusoglu
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Elenco: Agustín Salazar Hernández, Andrea Vergara, Armando Espitia, Felix Alberto Pegueros Herrera, Gabriel Reyes, Jaime Osvaldo Chía Palacios, Juan Eduardo Palacios, Juan Pablo Nieves Dominguez, Kenny Johnston, Laura Saldaña Quintero, Linda González, Ramón Álvarez, Reina Torres
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Produção: Amat Escalante, Carlos Reygadas, Nicolás Celis
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Fotografia: Lorenzo Hagerman
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Montador: Natalia Lopez
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Homens, Mulheres e Filhos – Resenhas 2014

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Um título sem rodeios para um filme direto em suas construções.
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Esta obra propõe e consegue mostrar parta da (des)realidade que muitos de nós vivemos hoje em dia com a hiper-conectividade virtual.
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Muitas são as consequências possíveis desta espécie de obrigatoriedade da felicidade, uma auto-realização que não precisa ser necessariamente vivida, bastando muito vezes que seja simplesmente mostrada, exibida e curtida pelo máximo possível de pessoas.
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O filme impressiona pois consegue colocar em tela pessoas normais em suas aparências, mas que guardam, no silêncio de suas almas, distúrbios diversos que, neste caso, ganham vazão por meio da Internet.
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Estaríamos meio desvairados ou simplesmente estamos numa época em que podemos experimentar mais nossos desvios de conduta?
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Não sei!
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Acho que existe um pouco das duas coisas neste mar de novidades que, em tão pouco tempo (20 anos!), nos encharcou de ferramentas que invadiram os mais variados pontos de nosso cotidiano.
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Não quero aqui descrever os casos retratados na película mas, pra terminar, gostaria de tratar de um em especial.
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É a trama envolvendo dois jovens, um garoto e uma moça que, possuindo uma relação profundamente mais saudável com a Rede e com eles mesmos, foram prejudicados por aqueles que os rodeavam. Um caso de amor real, jovial e até inocente que brota do meio dos doentios retratos como uma espécie de esperança de individualidade e comunhão que ainda pode existir neste semi-caos no qual estamos imergidos.
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P.s: O que significa essa Ficha Técnica classificando o filme como "comédia"?!
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FICHA TÉCNICA
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Gênero: Comédia (Só que não)
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Direção: Jason Reitman
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Roteiro: Chad Kultgen, Erin Cressida Wilson, Jason Reitman
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Elenco: Adam Sandler, Ansel Elgort, Candace Lantz, Christina Burdette, Cody Boling, Colby Arps, Craig Nigh, Dan Gozhansky, David Denman, David Jahn, Dean Norris, Dennis Haysbert, Elena Kampouris, Emma Thompson, Helen Estabrook, Irene White, J.K. Simmons, Jake McDermott, Jaren Lewison, Jason Douglas, Jeff Witzke, Jennifer Garner, Jillian Nicole Jackson, Jon Michael Davis, Judy Greer, Kaitlyn Dever, Kaleb King, Karen Smith, Katherine C. Hughes, Kathrine Herzer, Kelly O'Malley, Luci Christian, Olivia Crocicchia, Phil LaMarr, Richard Dillard, Rosemarie DeWitt, Shane Lynch, Timothée Chalamet, Tina Parker, Tori Black, Travis Tope, Will Peltz.
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I Juca Pirama Os Timbiras – Resenhas 2014

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Livro clássico da nossa literatura, composto pelos dois grandes poemas que dão título a obra, além de outros oito agregados, dentre eles o famoso “Canção do Exílio”.
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Juca Pirama
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Juca Pirama é um título tirado da língua Tupi e designa alguém que vai morrer. O poema é de uma força narrativa impressionante, não sendo difícil entender o que cada parte está dizendo. O todo segue de maneira bastante fluida e a tal feita do índio vai se desenrolando por meio de imagens e diálogos fortes, retratando povos de grande nobreza e valentia nos sertões primeiros do Brasil.
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Juca Pirama é um índio que foi capturado pelos Timbiras, uma tribo antropófaga. Ele, pensando em seu pai cego e dependente, pede clemência perante a morte. O chefe da tribo aceita seu pedido pois não quer se sujar com sangue de um homem covarde. Juca Pirama retorna, mas, seu pai, sentindo o cheiro das tintas de sacrifício que o cobria, menospreza seu rebento dizendo que este chorou em presença da morte, por isso não pode ser fruto de seu sangue.
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Os dois, então, retornam ao solo Timbira e Juca Pirama, em ato de grande valentia, enfrenta toda a tribo que o descartara da morte iniciando, então, uma batalha sanguenta. Ao ver provada a força do protagonista, o chefe dos Timbiras resolve encerrar a luta para evitar mais sacrifícios humanos.
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O poema possui 484 versos divididos em 10 cantos.
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Os Timbiras
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À época do lançamento deste poema, havia no Brasil a intenção de se criar em terras nossas algo que pudesse ser considerado “Os Lusíadas” brasileiro. Alguns poetas se colocaram nesta empreitada, dentre eles Gonçalves Dias.
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O autor chegou mesmo a anunciar sua empreitada dez anos antes do lançamento que aconteceria em 1857 na Alemanha.
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A divisão geral da obra se dá da seguinte maneira:
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Total de 2034 versos livres.
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A Introdução possui 60 versos.
Canto I possui 391 versos.
Canto II possui 452 versos.
Canto III possui 609 versos.
Canto IV possui 522 versos.
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Eu, particularmente prefiro o “Juca Pirama”, acho-o mais direto e mais bonito, mas este também é de uma riqueza vocabular e de um rigor formal maior que o primeiro. Juca Pirama varia o número de silabas métricas entre as partes, já os Timbiras é inteiramente decassílabo.
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Dizem que Gonçalves Dias chegou a escrever não só quatro cantos, como se conhece, mas seis. Alguns falam em até doze cantos, enquanto outros declararam que o escritor pretendia escrever mesmo dezesseis cantos no total.
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No entanto, coincidência ou não, o autor também sofreu um naufrágio, como Camões, mas, ao contrário do maior expoente poético de nossa língua, Gonçalves Dias não conseguiu salvar suas criações, perdendo não só partes de “Os Timbiras” como também outros escritos e traduções que trazia consigo.
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Outros Poemas
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Esta última parte possui poemas mais curtos, mas de equivalente beleza escritos pelo autor.
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São eles:
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Canção do exílio
O canto guerreiro
O canto piaga
Ainda uma vez – adeus!
Se se morre de amor!
Canção do tamoio (Natalícia)
Olhos verdes
Leito de folhas verdes
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Poema pra Calma

Por muito mais que um calado acalanto,
Este meu peito quer se deleitar do encanto
De velhos versos que no passado ficou,
Mas que agora voltaram e ao peito pulsou.
 
Em novas rimas me quero encontrar
Sentindo sutil o recanto e o lugar
Cedendo aconchego aos muitos sabores,
Vivíveis sentidos dos versos em cores.
 
Não quero a reles convicta arrogância
Desta imprópria e tão baixia ignorância
Que os meus olhos manchados cegaram
Num tempo impróprio que longe ficaram.
 
No silêncio perpétuo da noite eu lanço
O medíocre sentido que agora alcanço,
Pois o erro profundo da pouca valia
Não pode ser dado a tão fina harmonia.
 
Não pode ser dado à arte dos versos
Pequena valia que a faça parar,
Reles poeta me fiz, eu confesso,
Pois pouca vontade me veio alcançar.
 
Mas vontade nenhuma possui o direito
De arrancar o embate das letras ao peito,
Poeta nenhum é senhor das palavras
Que a ele o lapidam se posto às lavras.
 
E poeta algum é soberano do ato
Que flui interno de outros nascido;
Descendo dos céus o vento que acato
Me faço mais gente, mais homem cumprido.
 
Destino de verso é ser bem composto
De modo diverso, falado, bem posto,
Empostado galhardo, rimado ou branco,
Nenhum dos mim se me faz se entanco.
 
Contínuo menino é necessário que se seja,
Voltando ao início que tanto se fez por peleja:
Em noites dos treze pequeno em meu quarto,
Ou em anos dezoito que ao verso foi farto.
 
Mas bloqueio mui doloso me fez mais duvidar
Se ainda hoje, ao verso, me podia eu ancorar,
E o poema prostrado se fez assim necessário
Como prova de calma ao meu ser ordinário.
 
Por muito mais que um calado acalanto,
Este meu peito quer se deleitar do encanto
De velhos versos que no passado ficou,
Mas que agora voltaram e assim me falou.