sábado, 23 de maio de 2015

Meditus

 
A boa leitura é uma espécie de
meditação homeopática.
 

Pra Lavra

A palavra é a compartimentalização da energia, a colocação de partículas de Deus em cápsulas dotadas de significação. E isso é necessário para tornar possível a digestão interna da verdade universal, o processamento do conhecimento e da sabedoria total, a qual todos estamos fadados a alcançar.

Ditadura Consentida

O processo de construção e de afirmação do ser humano atual se dá pela exageração dos opostos. Ou é mais permitido ser mano, ou é mais permitido ser piriguete.
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Há pouco espaço para a delicadeza e para a arte de ser sutil, de ser gentil.
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O exagero, a violência como autoafirmação, a prepotência permitida e estimulada pela ostentação, as coisas proibidas e sem sentido profundo, são estes os desvalores que imperam e quase ditatorialmente se proliferam por diversas partes da sociedade atual.
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E os poucos que criticam essas posturas podem ainda ser vistos como caretas e fora de moda, desligados da atualidade, desnecessários e desencaixados.
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Acredito que, na verdade, a realidade de um futuro distante não vai permitir senão a negação disso que agora se torna espalhado. O futuro trará outros comportamentos melhores, outras visões mais vastas, outros homens e mulheres de mais maturidade, com aspectos mais interessantes a serem valorizados.
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Será mesmo?!
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Momento Instante

Quando chove, todos nós deveríamos respeitar, deveríamos nos aquietar.
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Deveríamos nos calar para sentir o silêncio profundo que emana do barulho pequeno da chuva. Um ruído minimalista como um mantra contínuo que se perpetua pelo tempo e que tanta falta nos faz, ainda que não sejamos capazes de perceber sua ausência na volúpia cotidiana.
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As partículas que molham o chão, podem molhar indiretamente a alma que sabe sentir. As gotas molham as ruas e adensam o momento, intensificam os ares, precipitam o que vem de tão alto e que passa se deixando estar.
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As gotas podem regar os traços da vida dos muitos de nós que sentimos sede. Deveríamos nos permitir melhor brotar nossas interioridades, deveríamos deixar nossas almas florescerem diferentes pelo simples sentir da chuva que cai.
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A chuva é um convite a parada, um convite a desacelerar, uma possível passagem para um passado mais contínuo, menos disperso. O fluxo do passado que tantos de nós perdemos, desvinculando memórias, desvinculando pessoas, atropelando o que passou na velocidade do presente.
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A chuva, se bem sentida, pode nos remeter ao oposto de tudo isso. Pode nos recolocar em nós mesmos, por mínimos instantes que duram tanto.
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“Sempre que chove
Tudo faz tanto tempo...”
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Mario Quintana
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terça-feira, 19 de maio de 2015

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Quem muito julga, pouco ama.


Vá dizer...

O amor é uma capacidade
caprichosa que precisa de terreno
bonito para se enraizar. Não que
ele não possa sobreviver as
dificuldades da terra do
cotidiano, mas é que as
delicadezas diárias
podem fazer seus
frutos serem
muito mais
saborosos
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Naturalidade

A natureza é a mais perfeita manifestação física de Deus, em qualquer lugar do Universo físico que ela se manifeste.
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A manifestação pura, dura, real, com leis escancaradas, irredutíveis, inquestionáveis, perpétuas.
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Ela é a construção exata, excluída de caprichos, de leis verbais, de privilégios, de contratos firmados pelas partes envolvidas.
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Exclui-se dela os tratados religiosos, as orações inebriantes, as palavras verborrágicas, os pecados, mas também a necessidade arrependimento e a culpa.
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Ela é a prostração final, basilar e fundamental que nega a necessidade do sofrimento servindo de catarse para qualquer coisa.
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Ou de qualquer coisa servindo de catarse para o além.
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Ela nega a necessidade de procura de significados, de conclusões, de eras, de inteligência superior. Nós é que por ela tentamos superar nossos desânimos.
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É a realidade crua, independente da fé no controle racional de um ser maior, onisciente, onipresente ou onipotente. Ela é, por si só, onisciente, onipresente e onipotente.
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Transcendente de nada em si mesma!
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Ela nos mostra a dura complexidade de não haver um sentido dirigido e controlável, um porquê profundo e consciente de si.
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Não há uma razão ulterior de existência, um engendramento delicado de um possível brilhante castelo de cartas divina.
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E, em certa instância, apesar de crermos no contrário, não estamos muito além de sua realidade aqui descrita.
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Apesar de nos colocarmos dentro do nicho exclusivista dos animais supostamente racionais, nossas fabulações espirituais podem parecer, aos olhos de Deus, meras adaptações de um outro sentido supremo que guia, sob as mesmas regras, os homens e as amebas.
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Pareceres sobre o Amor

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Não acredito que o amor aconteça de maneira automática. Pra mim, isso é paixão, não é amor. Não acredito num amor que comece por nada, um amor sem motivo. Não acredito num amor que se inicie sem ter por base alguma secreta razão que seja, ou uma silenciosa motivação que possa ainda explicar, ao ser que ama, de quais lugares vem esta fonte que alimenta o amor.
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Também não acredito que o amor seja totalmente desconhecido por alguma pessoa. Todo ser guarda uma capacidade amorosa dentro de si. Isso não significa que esta capacidade vá se transformar em amor. Isso também não significa que qualquer pessoa vá ter consciência de que aquilo que ela está sentindo é o Amor.
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Mas acho mesmo que todas as pessoas têm a capacidade de amar. No entanto, esta capacidade se manifesta fraca em algum; ignorante de sua totalidade, porém verdadeira em alguns outros; madura e sublime em alguns felizes; e, em tantas pessoas, bastante esquecida e dormente por toda uma vida. 
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E o próprio amor pode ter enganado muitos de nós por muitas vezes, pois possui diversas intensidades e várias formas de adaptação. O amor pode se combinar com uma série de outros sentimentos que podem ajudá-lo ou atrapalhá-lo. O amor pode se combinar com a amizade, por exemplo; ou o amor pode se combinar com a obsessão. O amor pode se combinar com tantas formas boas e ruins de sentimentos, mas, mesmo assim, não acredito que deixe ser amor. O amor engana por sua capacidade de significação, de se conjugar com aquilo que não o merece. O amor também pode ser perigoso.
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O amor também pode ser silencioso, mas ele sempre se fará ouvir em algum momento. Logo no início, ou depois de muitos e muitos anos. Não acredito num amor que permaneça ignorante de si por toda uma vida. Se a juventude é cheia de ruídos, a velhice tende a nos lavar os ouvidos da alma, ainda que os do corpo possam estar menos aguçados.
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Mas o amor nunca foi profundamente ignorante, e acredito que muito menos será de agora para frente. A humanidade amadurece e o homem, sua peça fundamental, também amadurecerá nela. O homem sentirá novas formas de sabedoria, e o amor é uma das mais belas sementes de sabedoria, ainda que cercada de destemperos inválidos.
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Estamos num processo de ampliação da consciência coletiva, mas, como todo movimento, ele não é unidirecional. Estamos num misto de aproximação e afastamento, coletividade e individualização, extravagância e resguardo. E o resultado de tudo, tende a ser positivo. E que assim seja.
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O amor é a condição intrínseca da alma humana em sua expansão e penso que podemos estar nos tornando, cada dia mais, conscientes das belezas da vida e do espírito.
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Se somos menos ignorantes em relação a algumas coisas do que nossos belos antepassados, temos que ser mais sacados, e fazer nascer uma beleza maior do que aquela que a relativa ignorância do passado fez florescer naqueles que nos antecederam.
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De agora para frente, eu reconheço o amor como uma transformação consciente do ser-mediano em ser-amante, ainda que isso possa demorar muito tempo.
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Haverá cada vez menos a ignorância do amor por exigência, do amor por arranjo, do amor por vergonha, por resignação dolorida. Um sentimento que crescia sem que déssemos seus nomes corretos ou sem que tivéssemos a consciência de que ele também podia e pode ser alimentado diretamente em seu cerne energético.
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Este é o ponto fundamental deste texto. Agora consegui encontrá-lo.
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Quero crer que o amor, de agora para frente, será mais livre e mais consciente. Não que este tipo de amor já não exista pelos cantos dos amores já existentes, mas é que, talvez, seja necessário dizer de uma nova forma de amor que se sabe enquanto amor em construção consciente do sentir amor.
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segunda-feira, 18 de maio de 2015

Ouvindo “Mantra” do Nando Reis (Há um bom tempo atrás)

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Há quanto tempo atrás nossos iguais iniciaram seus passos por sobre a capa orgânica deste planeta? Há quantas eras astrológicas os homens humanos fixaram neste planeta a consciência de suas almas em combustão de esperança?
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Quando a roda da carruagem do agora começou a ser girada? Quando nossos antepassados começaram a ter suas caras próprias, suas construções de milhões, sua identidade cultural, seus cânticos, seus cantos de estar e permanecer? Há quantas voltas atrás começamos este ISTO que hoje estamos inseridos?
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Quando vibrou a primeira alma nos corpos tão similares a estes que agora ocupamos?
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Isso eu não saberia dizer, mas muitos já disseram coisas sobre as possíveis origens deste profundo caldeirão de almas que agora, neste momento, habita os mais diversos recantos desta grande massa vital!
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No entanto, apesar de não conseguir dizer quando tudo isso começou, sinto que toda beleza já estava manifestada nos primórdios momentos de iniciação desta grande jornada. Tudo o que há de mais perfeito, todas as respostas, as conclusões finais de tudo que ainda estava por vir e se manifestar, tudo isso já estava latente nas belezas basilares reveladas pelas diversas religiões milenarmente fundamentadas, ou mesmo nos mistérios sabedores que se escondem pelo temporário despreparo de nós que aqui estamos.
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E, em minha opinião, elementos deste tipo se multiplicam mais amplamente na construção do Hinduísmo, em sua belíssima teogonia, na figura do sublime Krishna e nas milhões de representações coloridas e multifacetadas que habitam o gigantesco panteão da mais antiga das religiões ainda amplamente em exercício neste planeta.
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Krishna e os princípios por ele aqui vivificados foram capazes de trazer e fundamentar, com extraordinário encanto, alegria e simplicidade, tudo o que nos guia nas várias faces do divino. A beleza da música, da dança totalmente desprovida de parâmetros enclausurados, a manifestação da constante mudança colocada no ato de simplesmente fazer mover o corpo em toda sua possibilidade. A leveza da felicidade como ponto final e inescapável de todo ser, a solução para os sofrimentos como o caminho único a que todos nós podemos chegar se tivermos paciência, resignação e humildade.
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E como é ainda mais lindo, perfeito e simples a magia do movimento corporal por meio da dança quando desprovida de intenções mentais!
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A dança pela dança, o movimento pelo movimento e a não intenção pela intenção de tudo que for mais perfeito que nós. A extinção de qualquer movimento previamente significado verbalmente pelo pensamento. A sabedoria silenciosa do corpo que nos arrebata se soubermos deixar só ela nos dizer.
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É o encanto da perfeição que vibra pequenina e absoluta na combinação dos sons diversos e dos movimentos múltiplos. Sons que ecoam no ar e dentro das almas que se deixam tocar e o movimento que vem de dentro e se alimenta de sua própria continuação.
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É a música servindo de base e estímulo ao corpo que quer se fazer vivo, transpassando em si um fluxo qualquer de ir adiante, uma vibração que se deixa realizar. Um tanto de intenção artística que faz as formas corpóreas se metamorfosearem, livres dentro de nossas prisões temporárias, num lampejo de divindade.
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E nessas horas, não há tempo e nem espaço. O não lugar de qualquer lugar nos abraça, o transpassar do lugar, do espaço e do tempo se faz dentro de nós. Qualquer lugar pode ser usado, qualquer canto se amplia no ato da dança. A dança sem amarras, sem controles, mas sapiente de sua própria beleza em si, fazendo do movimento uma grande possibilidade de superação de todo sofrimento, de todo mal, de toda dor. O sentir primeiro da perfeição final.
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Este é um exemplo do bem que dá prazer, do bem que faz sentido, do Hedonismo do bem e que nos envolve de felicidade e resiliência, não dando margens ao acaso descuidoso do mal. Coisas boas que fazem bem, coisas sensíveis que nos fazem transbordar e deixar a sensação vibrar deliciosamente em nossos corpos, como adrenalina, como êxtase, como consciência corporal, como possibilidade de vida, como sensação de existência, como forma de exercício primeiro de nossa condição física.
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E a dança pode ser tudo isso: o mínimo humano que se faz experimentar em suas formas, ou mesmo a múltipla manifestação metafórica e metamórfica dos inúmeros seres divinos que transcendem a formatação humanóide que tanto impera e reduz as possibilidades de expressão da energia que nos rege vinda do mundo dos espíritos.
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Todo bom homem, quando dança, é meio Deus!
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terça-feira, 12 de maio de 2015

Limpeza (Escrito em 02/06/2014)

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Hoje fiz uma superlimpeza física nos armários e caixas daqui de casa, além de uma limpeza virtual nos arquivos e pastas do meu computador. Fuçando daqui e dali, acabei chegando numa planilha com as listas de meus alunos de piano, ano após ano.
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Como bem me lembro, comecei a dar aulas deste instrumento no ano de 2009. Ao voltar do Carnaval em Passa Quatro, comecei a formular melhor a ideia que tive antes do feriado: a de dar aulas de piano. Essa me pareceu ser a melhor saída para alguém que já estava há mais de um ano e meio fora da faculdade, perdera todo contato com os colegas de classe, e não conseguia encontrar maneiras de se colocar dentro de alguma empresa.
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Fui pesquisar e vi que o Carnaval daquele ano aconteceu de 20 a 24 de Fevereiro. Provavelmente na primeira ou segunda semana de Março foi quando comecei a pensar melhor sobre o assunto e fiz um primeiro esboço de cartaz. Depois disso, saí procurando espaços aqui na região em que pudesse colocar a propaganda.
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Lembro que entrei em vários lugares: xerox, livrarias, sebos, cabeleireiros, até bares. Entrei inclusive na faculdade da PUC que fica na Consolação e no Mackenzie. No Mackenzie não havia muitos prédios em que era permitido colocar cartazes. Descobri que a unidade com mais locais para pregar anúncios era o prédio de Direito.
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Como foi difícil tomar coragem. Fiquei horas zanzando pelos andares, disfarçando, entrando nos banheiros, esperando o prédio ficar vazio e colocando os cartazes quando os alunos não estavam olhando, pois temia que alguém pudesse me dedurar aos seguranças que ficavam no primeiro andar.
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Mas, enfim, com muito esforço, consegui...
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Passando alguns dias, alguns alunos dessa universidade começaram a me ligar. E foi por meio de sua irmã Mariana, que a Luciana, minha primeira aluna, pegou meu contato. A Mariana estudava Direito no Mack e, como sua irmã havia ganhado um piano novo, resolveu levar meu número para a caçula.
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Lembro-me até hoje. Naquele início de quaresma, eu completamente sem emprego, sem perspectiva do que fazer, vivendo um dos anos mais pesados energeticamente, sentindo um peso tremendo, peguei dois ônibus para ir até um lugar meio distante na Zona Leste.
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Tenho nítido na minha cabeça o momento em que bati na porta, ela foi aberta e eu tive que começar a fazer algo totalmente novo, naquele apartamento em algum lugar distante da minha casa. Mas, graças eu fui muito bem recebido, elas me davam almoço e lanches, e me fez muito bem conviver com pessoas novas, paulistanos diferentes de tantos que eu já havia conhecido em outros tempos, em outros meios. Pessoas mais sinceras, mais simples, mais verdadeiras. Pessoas melhores!
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De lá pra cá, muitos alunos já passaram pelas minhas aulas particulares. Mas, sempre restará, em todo caminho, a lembrança do primeiro passo, a primeira aula, o primeiro momento, a primeira aluna: Luciana.
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Lista meio desatualizada:
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  1. Amanda
  2. Ana
  3. Bruno
  4. Chrys
  5. Daisy
  6. Daniela
  7. Dulcinéia
  8. Enzo
  9. Érika
  10. Eurani
  11. Fernando
  12. Gema
  13. Guta
  14. Henrique
  15. Igor
  16. Iris
  17. Jane
  18. João Henrique
  19. João Manuel
  20. Juliana
  21. Larissa
  22. Ligia
  23. Luciana
  24. Luiz
  25. Mara
  26. Marcos
  27. Mariana
  28. Natacha
  29. Paula
  30. Rafael
  31. Regina
  32. Rodrigo
  33. Ronaldo
  34. Sérgio
  35. Sílvio
  36. Tarso
  37. Tatiana
  38. Vera
  39. Vitor
  40. Walter
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De como mudar

É impressionante a capacidade do Plano Espiritual de trabalhar, por vezes, especificamente, aquilo que nos angustia, sem interferir em outros aspectos de nós. É certo que precisamos dar abertura, pela humildade, pelo pedido, pela prece e, com o reconhecimento do ponto central, chegar até o problema, para que a mudança aconteça mais efetivamente.
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Mas, por exemplo, eu tinha uma visão muito pessimista em relação as coisas, uma interpretação pesada sobre os entendimentos da vida e, depois de pedir, reconhecer minha incapacidade e abrir espaço para o trabalho, isso foi fluindo e modificando dentro de mim, de maneira meio mágica.
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Algo que eu tive durante anos e anos e sabia o quanto me fazia mal e me atrasava em relação a vida, no momento correto, no pedido correto, no reconhecimento correto, me foi dada a melhoria precisa, pontual daquela pequena instância da mente da minha alma em meu espírito.
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O detalhe que no magma da energia plural e fluida foi capaz de ser mudado cirurgicamente, sem que outras estruturas significativas que margeavam este pessimismo fossem alteradas em suas/ minhas formas de sermos.
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Isso é magia profunda e boa. Isso é um pedaço de Deus!
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É verdade que ainda sempre devo prestar atenção para que não retorne a fundos de descrença absolutas que durem alguns minutos e que se me arrasam apocalipticamente.
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Mas, mais que isso, melhorei, sim, melhorando melhor!
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Além Lar

 

Pontilhismo

 
 





 
 

Tantas vezes por Aqui (Catedral da Sé)

 



Em algum lugar do Passado

 

Chão de Estrelas

 
 

MAGMA

"COMO UM BRILHANTE
QUE PARTINDO A LUZ
EXPLODE EM SETE CORES"