segunda-feira, 27 de julho de 2015

A PAIXÃO SEGUNDO C.L.

 
"Escuta sem susto e sem sofrimento: o neutro do Deus é tão grande e vital que eu, não aguentando a célula do Deus, eu a tinha humanizado. Sei que é horrivelmente perigoso descobrir agora que o Deus tem a força do impessoal - porque sei, oh eu sei! que é como se isso significasse a destruição do pedido."
 
A PAIXÃO SEGUNDO G.H. - Clarice Lispector 
 

quarta-feira, 8 de julho de 2015

A NASCENTE DO PENSAR

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O ritmo da mente irrequieta dirigível
O ir e vir de uma qualquer coisa sensível
O estado da tentativa rítmica que vier
No instante de uma intuição qualquer
A nascente de um pensar mais profundo
Que se nos pega e nos entrega noutro mundo
Gerando o sentir de um compasso intuitivo
Na semente pensante do regaço primitivo
Aquilo que rege o ritmo do pensamento
Que mexe no inócuo do próprio sentimento
Açabarcando o compasso do ser num instante
Gerando errático libelo improvisado lancinante
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Algo que transcende a pessoal intenção
No quando transcendemos a menor razão
Nos brotando surpreendente raciocínio
Em formato transversal ascendente apolínio
Transfigurando impensável vocabulário
Adiante do conhecimento voluntário
Para além da simples ordem dialética
Ou qualquer linha restritiva estética
E, por tantas vezes, nem mesmo sabemos
O como, o quando e o porquê podemos
Mas devemos, por podermos sentir
Sem, no entanto, nos deixar demais exaurir
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Seria nosso o que criamos perante
Levando além, elevando-nos adiante?
Uma intencionalidade às avessas
Aquilo que levamos enquanto se nos arremessa
Fazendo-nos sentirmos o pulsar da mente
O primórdio do momento tão crescente
Que num repente se faz desnudo total
Na tradução tão dura da energia literal
E que traz de um lugar a tantos comum
O tanto específico deste ignóbil algum
Pois todos nós temos nosso único lugar
Onde podemos descer nossa lágrima nuclear
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Intenso uníssono que de muitos se aflora
Assim é a poética que, em mim, se faz agora
De linhas correntes que mui se multiplicam
Em tentativas, sem volta, que então duplicam
Descrevendo o que não cabe em palavra
Mas existe no sentido sentido que lavra
Pois cada ser pode deixar-se trabalhar
E assim, pelo suor, mais transpassar
O estado senil da vil razão mediana
Medíocre e viscosa membrana cotidiana
Que creio um dia se livrar-me dela em mim
Suplantando o contrassenso do final sem fim
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Sei que o deixar de estar no ser vazio nenhum
É muito mais possível no todo íntimo de cada um
Pois palpamos apenas um átomo da externalidade
A enésima partícula da incognoscível realidade
E não sabemos como se descreve o campo profundo
Do vasto rincão dos mil e um mundos de mundos
Mas temos, ainda assim, a leveza da estável certeza
Se sentirmos a instância da crescente destreza
Emanada neste tão sutil literário ensandecer
Feito de palavras advindas de outro meu ser
E nunca quero eu sozinho as palavras traçar
Posto que muitos escreveram comigo “A Nascente do Pensar”
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terça-feira, 7 de julho de 2015

A Razão de Deus (Livro)

 
 
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Do economista José Carlos de Assis, dono de um vasto conhecimento sobre Religião, Ciência, Economia, História da Humanidade e outros vários assuntos que, segundo ele, foram sendo absorvidos ao longo de muitos e muitos anos de leituras guiadas por motivos pessoais.
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Achei interessante que o Prefácio, escrito pelo físico, matemático, ateu e membro da Academia Brasileira de Filosofia, Francisco Antônio Doria, parece mesmo discordar do próprio autor quando se fecha com a seguinte frase:
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...“a hipótese que ele expõe do Criador natural, simultaneamente determinístico e probabilístico, portanto quântico, se não convence, certamente convida à reflexão”.
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Achei honesto e corajoso colocar, na abertura de um livro, a opinião de uma autoridade científica que vai contra a crença mais profunda do próprio escritor da obra: a de que Deus existe, ainda que de outras formas! Neste cenário divergente, como poderia existir umA Razão de Deus se Ele não existe?!
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É como ter, na abertura de um livro sobre E.T`s, uma opinião dizendo: é interessante o que vocês vão ler, mas saibam que não me convenceu e que continuo achando que eles não existem!
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Enfim...
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Ao longo das páginas o autor vai destrinchando uma maneira de interpretar os acontecimentos da História de um jeito mais amplo, não culpando o Criador pelas tragédias históricas dos caminhos trilhados por nós. O autor se preocupa em mostrar como nós humanos, dotados de livre-arbítrio, caminhamos por estradas tortuosas e como, às vezes, pode surgir algo novo e melhor de algum período de grandes tragédias.
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Ele nega a existência de um Deus pessoa, exato, controlador de todas as coisas, que fica sentado esperando a criação se destrinchar livremente. Também é negada a ideia de uma realidade totalmente estabelecida, um Criador que pode ser facilmente determinado em suas leis profundas por uma Física imutável, de partículas bem estabelecidas, que podem ter seus locais calculados e suas velocidades previstas.
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Como diria Stephen Hawking, em adaptação a frase de Einstein: “Deus ÀS VEZES joga dados”.
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O autor vai dizer justamente que, se Deus joga ou não joga dados, isso não prova nem reprova sua existência. O autor defende um Deus em comprovação, um Deus que vai sendo descoberto ao longo dos milênios de desenvolvimento das Ciências. 
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É um meio termo entre Ciência e Religião, uma defesa de Deus mostrando sua necessidade, defendendo a ideia de um Deus localizado além de onde já chegamos em nossas comprovações laboratoriais, mas também inseridos nas descobertas já existentes. Afinal, não é porque a ciência explica coisas que as coisas comprovadas já não sejam pedaços do Criador.
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O autor nega fortemente o paradigma que coloca o “Todo Poderoso” e as Ciências como mutuamente excludentes, esta posição que acredita estar expulsando gradativamente a ilusão de Deus, quando, na verdade, apenas lança novas luzes sobre a mesma base. 
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E é por meio de referências aos limites já alcançados pelas disciplinas científicas do mundo contemporâneo e pela explanação de conceitos vanguardistas aos quais os cientistas já chegaram que José Carlos de Assis vai traçando seu divino painel divino. Ele defende um Deus que deixa pistas de suas leis inseridas nesta criação da qual fazemos parte e que pode ser explicado por algo que seria a razão Dele mesmo: “A razão de Deus”.
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Além disso, ele traça um novo cenário econômico que acredita ser mais plausível para nós humanos e que surgirá de uma crise profunda do Neoliberalismo, gerando uma nova época de cooperação. A competição dará lugar ao conjunto, lançando as bases para uma Economia mais homogênea e menos excludente.  
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Achei também interessante a parte que fala sobre a História das Religiões.
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A complexa Teogonia e Cosmogonia dos Hindus, que determina camadas altíssimas de Deuses que se multiplicam em milhões.
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As novas diretrizes traçadas pelo Budismo que surgiu mais como um caminho filosófico do que uma religião propriamente dita.
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As criações Gregas de Deuses imperfeitos e dotados de caprichos, vaidades e virtudes.
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O Politeísmo e o temporário Monoteísmo dos Egípcios.
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E como esta milenar civilização africana influenciou o Monoteísmo Judaico que, influenciando Jesus Cristo, se espalhou por todo o Ocidente, determinando a crença de bilhões e bilhões de pessoas.
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E, se não estou enganado, o autor defende que justamente essa Cosmogonia simplista de Adão e Eva, defendida na literatura Judaico-Cristã, pode ter ajudado a impulsionar o desenvolvimento filosófico e científico que aconteceu no Ocidente por tantos séculos, antes de ser levado de volta ao Oriente nos tempos mais atuais.
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Seria como se, com seus conceitos mais elaborados de como teria sido o início do Universo e do Homem, as religiões orientais conseguissem acalmar melhor os corações e as mentes dos pensadores das regiões abarcadas por energias Orientalistas. E esta calma advinda de concepções mais profundas teria sido menos produtiva para as ciências.
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Desta maneira, o oposto também seria verdadeiro.
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Essa visão abriria as portas para a interpretação do que seria uma menor elaboração proposital da doutrina Judaico-Cristã, fato que teria levado, segundo o autor, a um maior desenvolvimento científico.
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Seria por estes sábios e pacientes caminhos que os braços de Deus vai escrevendo certos por nossas linhas tortas?!   
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Por fim, longe de ser um livro de Catequese Panteísta, seu escritor não se importa em defender uma ou outra linha de fé, apesar de deixar clara suas inclinações.
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O miolo da obra está dividido em 11 capítulos, que são:
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A criação do Homem
A criação de Deus
A criação da Religião
A criação do Bem o do Mal
A criação do Estado
A criação da Filosofia
A criação da Ética
A criação da Ciência
A criação do Valor
A razão da Criação
O enigma da Paranormalidade
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Não sou de querer reler livros. Acho que devemos caminhar por cada um deles da melhor maneira possível, absorvendo aquilo que conseguimos no instante em que recebemos. Mas este me pareceu tão rico em referências que cogito seriamente em refazer a leitura mais para a frente.
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Ainda acho o título um pouco presunçoso, mas, provavelmente se trate de uma bem intencionada jogada de Marketing e, senso assim, acho válida!
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sábado, 4 de julho de 2015

O Portal (Post 1441)

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Prefiro sentir uma espécie de mágica por detrás das palavras. Sentir a ritualística da energia me induzindo ao longo das linhas e das páginas, sem que eu possa emergir da trama magnética que me inebria. E assim, prossigo-me impelido ao universo ficcional, enclausurado voluntariamente dentro do volume intenso das palavras vivas que congestionam, as quatro da manhã, minha sala supostamente silenciosa.
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Adoro sentir que não fui eu a ir de encontro ao livro, mas o livro que se fez encontrar comigo, levando-me até ele. Um ente que circunda os ares por meio de notícias que se ouve e não se esquece, ou pessoas que se referem a obra e esta referência te parece sedutora, ou mesmo a capa exposta na livraria que clama por especial atenção em meio a tantas outras.
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Impressões inevitáveis que demarcam os limites de um destino que acaba me levando até o objeto livro, e então, devo eu prostrar-me a leitura constatando, enfim, que estou defronte a um velho conhecido.
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Assim foi, primeiramente, com “100 anos de solidão”.
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Assim foi com “Grande Sertão: Veredas”.
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Assim foi com “Perto do Coração Selvagem”.
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Assim foi com “Doutor Fausto”.
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Assim foi com a biografia do Paulo Coelho “O Mago”.
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Assim foi com o livro de histórias do Clube da Esquina “Os sonhos não envelhecem”.
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E assim agora está sendo com “A Montanha Mágica”.
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Preciso aprender que espécie de ultrarrealismo é esse capaz de saltar das folhas e nos abocanhar de encontro a narrativa. Qual é a força que faz um livro falar de maneira especial, ainda que sua capa esteja fechada?
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Seria magia?!
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sexta-feira, 3 de julho de 2015

O temp(l)o do ser

 
Diante da natureza do mundo de hoje,
após o desencarne de cada um de nós,
 chegaremos no plano espiritual,
fortalecidos ou cansados,
extasiados ou frustrados,
iludidos ou realizados
?
 
Eu não sei dizer!