sábado, 31 de outubro de 2015

O Beco dos Gatos (24/10/2015)

Às vezes se passa
uma vida inteira na Arte
esperando gerar
um momento como este.
 
Mas aí está!
 
 

sexta-feira, 23 de outubro de 2015

Miragem dos Sons

 
passarinhos
cantando
dentro
do
Media
Player!


Brasil, Coração do Mundo, Pátria do Evangelho (Livro)

Um dentre os mais de 400 livros psicografados por Chico Xavier.
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Tinha interesse em ler este título desde quando conversei com uma colega de faculdade, há quase 10 anos atrás. Conversamos a respeito das revelações nele contidas, colocações que diziam respeito a função espiritual do Brasil como o berço de uma nova civilização, a pátria de um novo povo que daria origem a um novo tempo no planeta Terra.
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O Brasil tem papel vital na formação de uma realidade mais tolerante, uma era onde será possível o convívio pacífico entre as religiões e o nascimento de um povo naturalmente mais espiritualizado, coisas que, em determinada medida, já estamos realizando.
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De autoria do espírito do escritor Humberto de Campos, “Brasil, Coração do Mundo, Pátria do Evangelho” faz, em linguagem bem elaborada e, até mesmo, grandiloquente, uma longa regressão temporal até os primórdios de formação de Portugal em 1139. O livro trata da escolha, por parte do plano espiritual, dessa nação, de coração simples, para ser o berço que daria início à fundação de uma nova civilização.
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O livro também trata do século XV quando, segundo o autor, o avatar Cristo resolveu fazer uma de suas visitas periódicas aos planos mais próximos do planeta Terra. Nessa época, abrandavam-se as cruzadas medievais, colocando fim a uma longa época de escuridão atravessada pela espécie humana. A partir desse ponto, como atesta a própria história, inicia-se um processo de amplificação da Ocidentalidade com a redescoberta das terras do continente americano, além dos subsequentes avanços das ciências e das tecnologias.
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Após esse ponto, a obra deixa registrada uma série de colocações a respeito da formação da raça brasileira: o Brasil como o CORAÇÃO DO MUNDO; as funções dos primeiros navegantes; a colaboração dos escravos como um povo de coração simples e de importância vital para a formação da Pátria do Evangelho; as invasões que puseram em cheque a unidade brasileira, como foi o caso da dominação Holandesa do Recife e o modo como elas foram vencidas; os movimentos de expansão territorial realizado pelos Bandeirantes, ampliando a atuação da Pátria do Evangelho; as ameaças internas que visavam separar partes do país; a importância do Marques de Pombal e dos Jesuítas na intensificação da unidade nacional; a Inconfidência Mineira e seu mártir Joaquim Jose da Silva Xavier que, segundo consta no livro, foi a reencarnação de um inquisidor que aceitou a missão de se tornar um símbolo da independência brasileira como forma de suplantar os desmandos cometidos por ele em outra encarnação; a importância da Revolução Francesa e a vinda da família real para o Brasil; a Independência de Portugal; o fracasso do reinado de Dom Pedro I; as melhorias de Dom Pedro II, uma alma de grande importância e dedicação para com a figura de Cristo; Bezerra de Menezes e o início do movimento espírita nas terras do Novo Mundo; a Abolição da Escravatura; a consequente queda da Monarquia e o jubilo espiritual pela Proclamação da República Brasileira; a fundação da Federação Espírita Brasileira e o fortalecimento do Espiritismo; e, por último, a PÁTRIA DO EVANGELHO. Neste ponto, encerra o livro integrando sutilmente a figura do próprio Chico Xavier, e de outros médiuns vivos na época, na formação de nossa nação.
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Achei a leitura interessante e bastante reveladora. Aspectos intrigantes da jornada de nossa nação recebem aclaramento por meio das palavras trazidas ao mundo pelo nosso maior médium e “Maior Brasileiro de Todos os Tempos”.
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Numa observação mais minuciosa, o livro deixa claro, numa prova de humildade dos espíritos, a falibilidade do Plano Espiritual. Ou seja, não apenas as missões que deram certo são retratadas, mas as erradas também ganham certas citações, sem, no entanto, ter grande destaque.
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Uma leitura fluida que nos chama a atenção constantemente pela linguagem bem colocada e não simplória, assim como pelas intrigantes passagens relatadas que nos ajudam a visualizar melhor a grandeza de nossa nação. E é interessante notar como nosso Brasil ainda continua sendo especial apesar dos grandes atrasos advindos da busca inescrupulosa pelo dinheiro e pelo poder.
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quinta-feira, 22 de outubro de 2015

O Homem dos 40 Escudos (Livro)

 
Neste livro, Voltaire, revoltado com as novas decisões tomadas pelos ministros parisienses de taxar ainda mais os produtores rurais em benefício da burguesia industrial urbana, resolve criar um personagem que representaria o francês de classe média, utilizando-o como metáfora da própria sociedade francesa da época.
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Este homem dos 40 escudos, a meu ver, seria uma peça humana a ser moldada, este foi o conceito criativo por detrás da obra. E esse homem deveria ser reconstruído de forma a ampliar sua visão de mundo, fornecendo a ele o conhecimento, a sabedoria, além de novas ideias que pudessem torná-lo alguém melhor, alguém com opiniões mais fortes, alguém que pudesse se defender das armadilhas da política econômica praticada na época.
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Pelo menos é assim que me lembro desse livro: uma espécie de manual de formação humana.
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A meu ver, foi um trabalho um tanto presunçoso de seu autor que, por meio de algumas situações hipotéticas, pretendeu recriar uma alma. Senti que Voltaire teve levemente essa pretensão, ainda que ela estivesse circunscrita no universo literário. A meu ver, o escritor julgou que, nesta obra, estaria sintetizada uma maneira capaz de formar seres humanos melhores!
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Como ponto inicial da narrativa, o autor, hipoteticamente, divide todo o dinheiro da nação francesa pela quantidade de habitantes daquele país e chega a uma suposta quantia de 40 escudos.
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A partir daí, o autor vai redesenhando as linhas do destino de seu personagem, colocando-o defronte a outros personagens hipotéticos da época, como é o caso do Geômetra. É mesmo uma espécie de manual de reformulação do homem mediano por meio da educação e das ideias iluministas defendidas na França de 1700.
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No entanto, Voltaire vai além disso.
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O tal “Homem dos 40 escudos” também serviu a seu autor como ponto de partida para se discutir a política de seu tempo, o excesso de impostos pagos pela população, o gritante acúmulo de riqueza, além de outros assuntos concernentes ao século XVIII europeu. Um passeio filosófico dotado de fina ironia, como é característico de François Marie Arouet.
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Além desses dois aspectos já pontuados, o livro possui também passagens mais diretas nas quais são atacadas autoridades da época, médicos e integrantes da Igreja Católica. Dessa maneira, o autor espalha sua crítica sobre os vários aspectos que influenciariam este espaço no qual seu personagem estaria inserido.
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Um texto ágil, simples, direto, inventivo e dotado de um engajamento literário de fácil entendimento. Prova disso foram as 10 edições da obra que saíram somente em seu ano de lançamento.
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Voltaire, como poucos, soube trabalhar com o espírito de seu tempo e de seu espaço!
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A Teoria de Tudo (Filme)

A narrativa de uma história real e extraordinária, feita de maneira sensível, posicionando a procura científica de Stephen Hawking em paralelo com sua figura humana. As trivialidades do cotidiano, os sonhos do jovem gênio, os sorrisos trocados em segredo, coisas comuns a tantos e tantos seres-humanos. Em grande parte, trata-se de um filme sobre o amor e sobre aquele velho ditado que diz que: atrás de um grande homem, sempre há uma grande mulher.
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É comovente a luta do casal na construção de uma história tão linda, de tantas superações, de tantos desafios, de tantos obstáculos aparecidos ao longo do tempo. Dificuldades que foram surgindo em tarefas que, por vezes, podem ser banais para tantos por aí e que muitos de nós nunca teremos que enfrentar.
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Dificuldade para subir e descer escada, dificuldade ao tentar comer e mastigar, dificuldade de articular as palavras de maneira correta. Em paralelo, aparece a dificuldade de ter, ao seu lado, um homem inábil ao trabalho físico, a dificuldade de criar filhos sem a presença da força masculina.
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É especialmente lindo observar a força nascente na companheira de um homem progressivamente debilitado, bem como é lindo pensar que este mesmo homem estava predestinado a revolucionar a visão de todas as coisas físicas do Universo; um homem responsável por um novo salto qualitativo na história das ciências vislumbradas por esta humanidade que, agora, aqui está.
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Fiquei extasiado e emocionado grande parte do filme.
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As partes em que ele tem as inspirações sobre as teorias que iriam ser elaboradas, a luta contra as crescentes limitações físicas que dificultavam ainda mais a já árdua tarefa de construção do conhecimento científico. O desespero do desbravador que poderia não conseguir realizar tudo aquilo sua cabeça estava intuindo, ou pior, o desespero de uma alma que poderia vir a se tornar incomunicável sem, no entanto, ter dito tudo o que ele sabia ser verdade.
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A angústia pessoal de poder se tornar um poço de conhecimento estagnado, um acúmulo de novidades fadadas ao túmulo. Descobertas caladas que poderiam se definhar no poço silencioso de uma mente aprisionada num corpo físico inválido e fadado a uma morte rápida, segundo previsões médicas retratadas na obra. 
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Imagino quantas vezes esses pensamentos podem ter passado na cabeça fértil do gênio e o quanto isso pode ter servido de estímulo para que ele criasse ainda mais, lutasse ainda mais, descobrisse ainda mais, ampliasse ainda mais as fronteiras do conhecimento já produzido na face da Terra.
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Seres como Stephen Hawking não aparecem todo dia, nem todo ano, nem toda década e, quiçá, apareça um ou outro a cada século, quando muito!
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E é interessante pensar que este cientista nasceu no mesmo dia em que se completava o aniversário de 300 anos de morte de Galileu Galilei e que, além disso, ele ocupa, em Cambridge, a cadeira que foi de Isaac Newton.
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Alguns chamariam isso de simples coincidência. Eu prefiro acreditar em alguma espécie de planejamento sutil que vai nos guiando ao longo desta enorme jornada.
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A vida de Stephen Hawking já é fenomenal, por si só!
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A moldura artística, a poética visual, as interpretações dos atores só ajudaram a realçar aquilo que já está repleto de magia e luminosidade!
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FICHA TÉCNICA
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Gênero: Drama
Direção: James Marsh
Roteiro: Anthony McCarten
Elenco: Adam Godley, Charlie Cox, Charlotte Hope, David Thewlis, Eddie Redmayne, Emily Watson, Enzo Cilenti, Felicity Jones, Harry Lloyd, John Neville, Maxine Peake, Richard Cunningham, Tom Prior
Produção: Anthony McCarten, Eric Fellner, Tim Bevan
Fotografia: Benoît Delhomme
Montador: Jinx Godfrey
Trilha Sonora: Jóhann Jóhannsson
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sábado, 17 de outubro de 2015

Velocímetro

Muito do controle do Ser está no descontrole cuidado do Ser.
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A intensa vigilância pode se tornar uma máquina de somatizações e autocorreções que pode nos aprisionar.
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E não há prisão maior que aquela que nós mesmos nos colocamos.
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Saber se conter e saber se soltar são faces complementares e necessárias de uma mesma sabedoria!
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Novos tempos. Velhos corações afetados

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Quantos novos e diferentes heróis e vilões das novelas retratam nossa própria visão mais ampla de uma realidade atual cada vez mais complexa?
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Vilões que são mocinhos para aqueles que lhe são próximos. Mocinhos com faces de vilania quando observados mais de perto.
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Ou mesmo vilões traumatizados, vilões injustiçados, vilões humanizados pelos autores, vilões que trazem alguma justificativa para amenizar seus comportamentos, um motivo para não serem tão bons assim.
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Seria esse o reflexo de um processo de atualização e ampliação da moral humana?
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Um processo de transmutação da consciência em relação a natural falibilidade do homem encarnado? Um processo que levaria à construção de uma nova tolerância calcada no entendimento de que cada alma é um universo a ser antes interpretado do que julgado sem conhecimento de causa.
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Isso tudo seria a reinterpretação do bem e do mal, a proposição de um ser largamente mais complexo, com mais nuances a serem observadas e sentidas, com mais verdades internas dignas de serem ouvidas, dignas de ganharem voz e vez na consciência dos outros.
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A verdade que, ainda que não impoluta, ainda que não ilesa de erros e equívocos, possui sua lógica própria, sua razão individual que a vida cuidou de construir, ainda que por meio da destruição.
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Tudo isso estaria muito bem se fosse a verdade profunda por detrás deste fenômeno observado nas novelas, séries e minisséries atuais. Mas...
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Seria esse processo fruto de um neo altruísmo pós-moderno?
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Ou seria esse sentimento coletivo de revalorização apenas uma outra forma de egoísmo velado que estaria gritando de uma nova maneira, por todos os lados, em todos os cantos?
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O egoísmo que agora é defendido por todas as bocas, o mesmo egoísmo que valida os vandalismos arruaceiros camuflados de protestos democráticos que tomam as ruas das cidades. O egoísmo que quer reinterpretar e subverter os valores a seu bel prazer.
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Seria isso?
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Seria está mudança interpretativa apenas o egoísmo que está querendo se fazer ouvir mas que, no entanto, não tem a mínima vontade de escutar aquilo que o próximo tem a dizer? A soberba que quer errar ou acertar sem compromisso com seus atos.
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Ou mesmo o pedantismo que se acha no direito de estar errado!
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A egolatria que gera afeição pelo vilão!
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Seria isso que está por detrás desse fenômeno de remoldagem dos papéis icônicos de bem e mal?
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Seria tudo isso apenas a prepotência que não quer mudar de ideia e nem ser julgada e que, por isso, prefere deturpar a noção de certo e errado, afeiçoando-se pela vilania por outros motivos que não sejam a tolerância supracitada?
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A presunção afeiçoando-se pelo obscuro numa tentativa de enviesar a própria consciência, tentando deturpar a moral e assim se permitir também estar errada, como os vilões que se safam, os vilões que têm motivos para serem como são.
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Seria um processo de ampliação da capacidade interpretativa do ser-humano tolerante, ou apenas uma nova leitura coletiva que visa permitir a prepotência e a vaidade, permitir o erro em conjunto para que ninguém possa apontar a falha alheia?
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A subversão da ética, a perversão da moral!
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Um processo que traz uma nova permissão para o erro, justificativas para a inveja, amalgamas para a culpa, uma recente admiração da canalhice, a subvalorização dos acertos alheios ou a hipertrofia das próprias glórias de pouco valor.
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Esta reinterpretação tende a moldar o mundo a sua própria vontade, minimizando o autoesforço de melhoria, diminuindo a dor ao máximo, construindo milhares de ilhas solitárias de prazer, milhões de vácuos hedonistas que vegetam em movimento pelas baladas, pelas empresas, pelas casas, pelas redes sociais.
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Vácuos personais vagando pelo tão valorizado liberalismo, cambeteando pela tão esperada e deturpada Nova Era.
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Mas...
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Questionando um pouco mais profundamente, seria este um fenômeno realmente novo? Ou seria tudo isso fruto das novas mídias que conseguiram dar vazão a uma voz e a uma lógica que por séculos ficaram aprisionadas na periferia do Capitalismo, do Cristianismo e do Eurocentrismo?
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Seria o egoísmo e o narcisismo contemporâneos que estão redesenhando funções longamente estabelecidas ao longo da história ou é simplesmente o mundo que está começando a se conhecer mais amplamente?
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Acho que é um pouco de tudo isso e mais um pouco!
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quarta-feira, 14 de outubro de 2015

Provocações

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O frio é ótimo para a literatura burguesa que retrata os pobres, mas péssimo para os verdadeiros flagelados da esfera real.
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É apenas a pompa literária se beneficiando do apelo inescrutável das figuras que sofrem, a verborragia que se apoia nas almas que pouco desafiam a soberania dos egos vencedores.
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É certo que o frio já estimulou a introspecção criativa redigida, mas, muito mais ele deve ter dado vida às caóticas obsessões, aos pensamentos atordoantes que se silenciavam no limiar da boca daqueles tantos que, não tendo como reagir, varavam as noites tentando significar o caos inalienável que os abarcava.
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Me pego pensando, por vezes, nos tantos livros tão mais intensos que foram escritos apenas dentro das cabeças e corações que procuravam se resguardar por sob algumas cobertas esparsas.
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E sim, a maioria da literatura romanesca ou socialesca não passa de uma versificação distante de uma realidade que, na verdade, só pertence profundamente aos seres humanos que pouco têm espaço e vez, ainda que reunidos em grupos amórficos, receptáculo de milhões.
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Grupos milhões que, mesmo próximos, parecem estar tão distantes, impertencíveis a determinados círculos sociais nos quais eles se tornam, na verdade, muito mais fonte gerativa de insossa compaixão, do que foco atrativo de movimentação resolutiva.
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Assim, fazem-se somente figuras atrativas para os olhares analíticos e as estéticas verbais estéreis. Nada mais.
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O homem e uma de suas tantas formas de pecar!
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Compassiva Dolor

A dor que se dói pelo outro é sempre uma dor mais clara, mais ampla, menos solitária, pois ela traz em si um sentido de compaixão, e isso, por si só, já ajuda a abrandá-la.

terça-feira, 6 de outubro de 2015

Birdman ou A Inesperada Virtude da Ignorância (Filme) (Resenha 300)

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Conta a estória de um ator que fez sucesso como o super-herói Birdman, em tempos passados, e que vê este personagem o perseguindo em meio a seu fracasso profissional atual. Seria uma espécie de fantasma do sucesso personificado em um ente fictício que ele mesmo deu vida. Esta paranoia tem início quando o protagonista tenta montar um texto famoso da Broadway e o processo todo o leva a desenvolver certas psicoses. Vozes o atormentam, ele acredita ter poderes que pertenciam a Birdman e coisas do tipo.
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O filme é fabuloso! Talvez um ponto entre o experimentalismo radical e o que seria um filme Hollywoodiano ganhador de um Oscar na década de 90. Há nele algo de uma maturidade experimental que não quis chegar a exageros, que não quis chocar demais, que não quis extrapolar os limites, nem tampouco se conter dentro da zona de conforto habitada por muitas das grandes montagens da indústria cinematográfica americana.
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Aliás, talvez este filme visasse mesmo um Oscar nessa nossa década de 10 do terceiro milênio. Talvez, seus criadores tenham mesmo se direcionado pelo que parece ser a nova forma de avaliar e premiar os filmes, um novo caminho valorizado que vem sendo indicado pelas premiações que a academia de Los Angeles conferiu nos últimos anos.
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Grande parte da trama se passa dentro de um teatro, nas coxias, nos corredores apertados deste espaço artístico. Com isso, todo o filme parece ser feito sem cortes, havendo mesmo longas sequências em que não é possível notar algum ponto de interrupção nas filmagens. É incrível, pois isso se torna um chamariz a mais durante o contato com a obra. Eu, depois que percebi essa característica, fiquei tentando sacar quais momentos poderiam ter sido usados para fazer os cortes e, realmente, em algumas partes, passavam-se longos minutos antes de se perceber algum momento onde pudesse ser feita uma pausa. 
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Os atores estão muito bem e as atuações vão muito de encontro às interpretações mais contidas dos filmes europeus. Os personagens estão colocados a margem do sucesso, possuem uma espécie de resignação vinda da maturidade pós-moderna, um olhar desnudo perante a realidade da vida contemporânea. É a própria decadência usada como elo entre o espectador e o ator. Semblantes caídos, propostas pouco efusivas, energia morna, intensidade naquilo que não é dito.
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Achei fabulosas as sequencias de ensaio da peça que se passa dentro do próprio filme. É quando o ator torna um ator atuando numa dupla ficção, um universo paralelo dentro de um universo paralelo. Essas sequencias são muito bem feitas e me chamaram a atenção pela forma como o ator sai do personagem primeiro para, notadamente, entrar no personagem do personagem.
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A trilha sonora minimalista também ajuda a construir o clima experimental da película por meio de um eterno solo jazzístico de bateria. Num determinado ponto, o próprio baterista aparece de passagem em um canto dos corredores do teatro, reforçando o clima mágico, como se ele estivesse ali o tempo inteiro tocando próximo dos locais onde as cenas foram filmadas.
E a tal “Inesperada Virtude da Ignorância” se concretiza na própria cena final, quando, sem nos mostrar diretamente o ocorrido, imaginamos a superação e a magia virtuosa da ignorância pelo semblante da filha do personagem principal, quando esta olha pela janela e...
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FICHA TÉCNICA
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Gênero: Drama
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Direção: Alejandro González Iñárritu
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Roteiro: Alejandro González Iñárritu, Alexander Dinelaris, Armando Bo, Nicolás Giacobone
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Elenco: Akira Ito, Amy Ryan, Andrea Riseborough, Brent Bateman, Clark Middleton, Damian Young, David Fierro, Donna Lynne Champlin, Edward Norton, Emma Stone, Hudson Flynn., Jamahl Garrison-Lowe, Jeremy Shamos, Joel Marsh Garland, Katherine O'Sullivan, Keenan Shimizu, Kenny Chin, Lindsay Duncan, Merritt Wever, Michael Keaton, Michael Siberry, Naomi Watts, Natalie Gold, Paula Pell, Warren Kelly, William Youmans, Zach Galifianakis
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Produção: Alejandro González Iñárritu, Arnon Milchan, James W. Skotchdopole, John Lesher
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Fotografia: Emmanuel Lubezki
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