quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

Chico Xavier. A vida. A obra. As polêmicas (Livro)

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Um livro bem escrito, lançado sob o selo da Super Interessante!
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E, em concordância com o nome da revista, este também é uma publicação para a qual se pode atribuir este adjetivo.
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O todo se divide em três partes, que são:
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----- 1 “Vida e Obra de Chico Xavier” -----
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Esta primeira parte faz uma passagem geral sobre aspectos importantes da infância e da carreira mediúnica do mineiro, como: o fato dele ouvir vozes, conversar com a própria mãe após seu falecimento, os primeiros passos no desenvolvimento da mediunidade, chegando até a explosão do “Parnaso de além-túmulo” e a famosa entrevista no Pinga Fogo que, provavelmente seja a maior audiência da história da TV Brasileira.
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Esta entrevista do Pinga Fogo deve ter sido um dos momentos mais grandiosos da história espiritual do Brasil. Ao ler a narrativa sobre este episódio, fiquei imaginando os milhões de brasileiros em frente aos aparelhos de TV, madrugada adentro, observando aquela revolução de opiniões proferidas por Chico que falava dos mais diversos temas sob o prisma espiritualista numa nação marcadamente católica.
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A entrevista estava prevista para durar muito menos do que durou, mas, a quantidade de ligações para a sede da emissora e a quantidade de pessoas na porta do local de gravações foi tanta que os diretores foram prolongando constantemente o programa. Chico foi conquistando todos os presentes e também os jornalistas que, se no início tinham o objetivo de desmascará-lo, logo mudaram o tom das perguntas e passaram a colaborar com a figura branda, simpática e sábia que se desvelava diante deles.
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Se não me engano, a porcentagem de televisores sintonizados no canal chegou a 80%, sendo que os outros 20% estavam desligados, ou seja, Chico conseguiu praticamente 100 pontos de audiência num programa em decadência, ao longo de horas de explicações sobre temas delicados tratados por um viés desconhecido do grande público brasileiro que, mesmo assim, o prestigiou até as 3 horas da manhã de uma terça-feira comum.
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Acho impressionante este episódio do Pinga Fogo!
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Para mim, trata-se de um dos maiores acontecimentos da história do Espiritismo mundial!
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Foi a coroação de um extenso trabalho feito por Chico que, por ter sido atacado outras vezes pela mídia, permaneceu recluso em sua terra, perseverando em seu trabalho de psicografia de livros e cartas ao longo de décadas e décadas.
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O Pinga Fogo representou a volta triunfal, desta vez com mais idade e experiência, de um grande médium que retornava para o centro das atenções de maneira definitiva, inabalável e para nunca mais sair!
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Queria ter vivido este momento!
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----- 2 “O Renascimento Místico” -----
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Esta parte, que achei “menos interessante”, com o perdão do trocadilho, faz uma extensa regressão pelos séculos XVIII, XIX e início do século XX para mostrar a efervescência mística vivida na Europa nestas épocas.
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Era como se o plano espiritual estivesse instigando a humanidade moderna para novas verdades que precisavam ser ditas e estabelecidas nas sociedades vindouras.
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As mesas giratórias, os paranormais que podiam levitar, os jogos de adivinhação, as materializações de espíritos, o Espiritualismo e o Espiritismo, os magos modernos, a redescoberta da Alquimia, Allan Kardec e a documentação das diretrizes que se podia extrair de todos estes novos acontecimentos históricos, o espiritismo no continente americano, o encontro da doutrina Kardecista com o terreno fértil do povo brasileiro que naturalmente se mostra (ou pelo menos se mostrava) aberto a assuntos deste tipo, os fundadores do Espiritismo nas terras tropicais, a importantíssima figura do doutor Bezerra de Menezes e a chegada do avatar maior do espiritismo, um semeador capaz de fazer jus a fertilidade espiritual presente nas terras brasileiras: Francisco Cândido Xavier.
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Enfim, esta segunda parte tem uma digressão uma pouco extensa demais, afinal, acredito que os leitores comprem o livro para lerem sobre a vida de Chico e não para passarem os olhos pelas 65 páginas desta parte.
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Ela possui passagens interessantes, mas poderia ser mais sucinta!
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----- 3 “Polêmico e Pop” -----
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A terceira e última parte trata da vida de Chico quando este já se estabeleceu como um médium conhecido.
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Fala sobre as celebridades que iam até ele para tomarem conselho, as entrevistas concedidas aos canais de TV, a campanha para que ele recebesse o Nobel da Paz, a homenagem feita pela TV Globo que levou grandes artistas a cantarem em seu nome, o fato de algumas de suas cartas psicografadas terem servido de prova para que juízes absolvessem alguns acusados, Chico como uma espécie de conselheiro para assuntos polêmicos, as psicografias do fim de sua carreira, o envelhecimento, os problemas de saúde, seus últimos dias e seu desencarne tranquilo.
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Me emocionei nesta hora!
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----- Outras Considerações -----
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É interessante o tom ao mesmo tempo questionador e tolerante conseguido pelos autores Alexandre de Santi e André Schröder que foram capazes de encontrar um ponto entre o seria um crente espírita e um ateu intolerante.
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Os autores parecem ter se posicionado realmente como jornalistas sérios, o que seria de se esperar de todos os profissionais desta área, mas que, como bem sabemos, não é bem a realidade geral.
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Alexandre e André não soam implicantes com os fatos espirituais, mas, ao mesmo tempo, conseguem levantar hipóteses válidas e falam sem receio das passagens mais delicadas vividas por Chico, como o caso da médium que materializava espíritos e que depois mostrou-se apenas uma mistificadora que havia perdido seus poderes paranormais.
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É lindo perceber como Chico reúne em sua vida todas os elementos de um grande acontecimento humano-espiritual: foi fortemente atacado por pessoas próximas e distantes; sofreu com dissidentes do espiritismo que, mesmo depois de terem sido acolhidos por ele, seguiram outros caminhos; enfrentou sabatinas com repórteres que queriam testar seus poderes e desmascará-lo; além de outras tantas passagens onde podemos perceber um Chico enraizado em sua causa, não hesitando mesmo nos momentos das escolhas mais delicadas.
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Ainda dentro das provações sofridas, para mim, o episódio mais triste é o do próprio sobrinho que, depois de se mostrar um exímio médium, de ser considerado o sucessor do tio e de ter psicografado o que dizem ser um romance épico do próprio Camões, acusa Chico de charlatanismo e tenta levantar possíveis falhas de sua conduta, tudo visando o dinheiro que um jornalista prometeu lhe pagar. Algo profundamente lamentável!
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Como toda ação tem sua consequência, este sobrinho acabou seus dias num sanatório, esquecido e doente!
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Já Chico permaneceu firme em seu trabalho espírita e superou todos os percalços do trajeto, fazendo do Brasil a maior nação espírita do mundo.
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----- Finalmentes! -----
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Para mim, Chico foi um dos maiores médiuns da humanidade. Ele encarnou numa época em que tudo era muito mais documentado e cada erro poderia ser irreversível. Além disso, Chico trouxe como missão o crescimento de uma religião vanguardista numa nação pertencente à periferia do mundo e isso é de uma grandeza impressionante!
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Chico foi uma revolução, uma pedra angular na história espiritual da humanidade por não simplesmente vir fazer prosperar aquilo que já estava fundado, mas por ter mesmo que fundar uma nova proposta, estabelecer verdades até então não ditas por outras pessoas.
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Chico foi a maior revolução espiritual do século XX!
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O Cavalo de Turim (Livro)

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Nietzsche, um dos maiores filósofos de todos os tempos, no auge de sua carreira, teve um colapso mental quando viu um cavalo sendo açoitado por seu dono.
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Num repente de heroísmo, valentia e generosidade, o filósofo se abraça ao animal a fim de protege-lo. Depois desta passagem, ele cai em completo silencio e, após alguns dias, profere suas últimas palavras, dizendo:
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 - "Mãe, eu sou um idiota"!!!
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Neste filme o diretor se propõe a retratar o que teria acontecido com o próprio cavalo após ter sido abraçado por Nietzsche!
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Apoiado neste interessantíssimo argumento, ou mesmo se aproveitando dele, o diretor faz um dos filmes mais chatos e parados que já vi em toda minha vida!
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A narrativa é insuportavelmente parada.
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Chega mesmo a ser um desrespeito com o espectador fazer um filme com esta proposta.
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Entendo a intenção de mostrar a mediocridade sendo soberana na grande maioria dos acontecimentos, bem como na vida dos homens que neste planeta vivem, mas, abusar deste fato simplesmente por ter um ponto de partida extraordinariamente emblemático, me parece uma postura mais medíocre que o próprio cotidiano do trabalhador e de sua filha demonstrado nas quase DUAS HORAS E MEIA de filme.
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Horrível! Estaria de bom tom se fosse um curta metragem...
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As qualidades se resumem aos aspectos técnicos do cenário, fotografia, figurino e locação, mas estes pontos não fazem valer a pena tomar contato com obra tão insuportável!
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Ficha Técnica:
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Gênero: Drama
Direção: Béla Tarr
Roteiro: Béla Tarr, László Krasznahorkai
Elenco: Erika Bók, János Derzsi, Mihály Kormos, Ricsi
Produção: Gábor Téni
Fotografia: Fred Kelemen
Trilha Sonora: Mihály Vig
Duração: 146 min.
Ano: 2011
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Tratado sobre a Tolerância (Livro)

Extensa arqueologia do saber tecida por François Marie Arouet, nome verdadeiro de Voltaire.
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Voltaire, com sua verve política e antirreligiosa, se revolta contra a execução de Jean Calas, protestante injustamente acusado de assassinar seu filho que, à época, havia se convertido ao catolicismo.
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A população e a justiça se decidem pela condenação de Jean apesar da família clamar pela inocência do patriarca, alegando que o rapaz havia praticado o suicídio o que, posteriormente, foi comprovado.
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Diante desta tremenda injustiça e dos constantes conflitos entre as religiões que ocorreram na França naquelas épocas, Voltaire inicia uma das mais bem-sucedidas campanhas político-sociais da história, conseguindo fazer a justiça e a população voltar atrás, modificando toda a opinião pública que opta por absolver a família.
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E é neste acontecimento todo que o ilustre francês escreve seu “Tratado sobre a Tolerância”.
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O livro trata de defender a tese de que as religiões nunca pregaram a violência, a intolerância, a revolta e que, além de não pregar estas posturas, elas, em diversas épocas da história, serviram mesmo de instrumento controlador e apaziguador das massas.
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Por meio de registros documentais, Voltaire comprova o absurdo vivido pelos franceses naquela época que, ao contrário de tantos povos anteriores, estavam fazendo da religião um alimento para o conflito, para o desrespeito, para a condenação de seus semelhantes.
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Foi interessante notar a quantidade de fatos levantados pelo filósofo, além de ser hilário ver como uma personalidade marcadamente conhecida por ser contra as religiões foi capaz de levantar tantos fatos e falar tão extensamente sobre uma área humana contra a qual ele foi um combatente convicto.
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Steve Jobs (Filme)

Roteiro inteligente, ágil, mostrando de perto um líder carismático, genial, porém extremamente egoísta, megalomaníaco e arrogante.
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Amado por milhares e odiado por muitos daqueles que o conheceram mais de perto, é interessante ver Steve Jobs pelo enfoque dado a ele nos momentos que antecedem suas famosas palestras.
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Achei uma escolha interessante situar todo o filme nestas diversas passagens paralelas!
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A tensão dos instantes que precedem suas grandes aparições para o mundo consegue servir de motivo suficiente para trazer à tona tudo o que poderia permanecer dormente em outras ocasiões de sua vida.
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Isso funciona enquanto ficção e foi uma ótima sacada dos elaboradores!
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Este enfoque específico, a maneira forte e caótica como estas horas são representadas, os desdobramentos de personalidade que os roteiristas conseguiram trazer à tona ao longo dos longos diálogos travados e a agilidade com que estes momentos são retratados fazem deste um filme vibrante e extremamente envolvente.
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Não sei se Steve Jobs foi necessariamente da maneira como está colocado, mas a ficção tangente à realidade funciona muito bem nesta obra!
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P.s: Kate Winslet é sempre fenomenal!!!
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Ficha Técnica:
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Gênero: Biografia
Direção: Danny Boyle
Roteiro: Aaron Sorkin
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Elenco: Adam Shapiro, Alice Aoki, Jackie Dallas, Jeff Daniels, John Ortiz, Kate Winslet, Katherine Waterston, Makenzie Moss, Michael Fassbender, Michael Stuhlbarg, Perla Haney-Jardine, Ripley Sobo, Sarah Snook, Seth Rogen, Vanessa Ross
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Produção: Christian Colson, Danny Boyle, Guymon Casady, Mark Gordon, Scott Rudin
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Fotografia: Alwin H. Kuchler
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Montador: Elliot Graham

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Certo agora, errado antes (Filme)

Muito chato! Dormi no meio e não me lembro do que se trata!
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Aliás, um filme com esse título, eu não deveria nem ter ido assistir.
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Mas pelo menos o cochilo na sala de cinema foi muito bom!
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Ficha Técnica:
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Gênero: Drama
Direção: Hong Sang-soo
Roteiro: Hong Sang-soo
Elenco: Jaeyoung Jung, Minhee Kim
Produção: Hong Sang-soo
Fotografia: Park Hongyeol
Montador: Hahm Sungwon
Duração: 121 min.
Ano: 2015

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Spotlight: Segredos Revelados (Filme)

Achei um filme sincero. As atuações são diretas e tocantes pela maneira simples e sem afetações que elas nos chegam.
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Uma equipe engajada em desmascarar um esquema de pedofilia na cidade de Boston descobre que este crime está muito mais enraizado na Igreja Católica do que se imaginava.
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Os membros envolvidos se sentem tocados pelo drama dos que sofreram este tipo de abuso quando crianças e isso os dá forças para trazer à tona tudo aquilo que estava escondido.
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Baseado em fatos reais, o filme é bastante narrativo e factual, deixando pouco espaço para divagações e humanidades que não estejam focadas no objeto central da trama.
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Mesmo assim, achei que a parte sentimental dos personagens deveria ter sido melhor explorada, deveria ter estado mais presente, já que era isso que os lançava na busca por desvendar e desmascarar os crimes.
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Acredito que isso humanizaria o conjunto sem perder a força da objetividade demonstrada em outros pontos da trama.
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Tudo pode ter sido apenas uma opção narrativa dos roteiristas e do diretor, mas, por vezes, a obra soou-me um pouco fria demais, excessivamente documental, sem ser, no entanto, um documentário propriamente dito.
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Independentemente de qualquer crítica, é uma grande película. Inclusive, não por acaso, foi a vencedora da principal categoria do Oscar em 2016: o de melhor filme!
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Ficha Técnica:
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Gênero: Suspense
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Direção: Thomas McCarthy
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Roteiro: Josh Singer, Thomas McCarthy
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Elenco: Billy Crudup, Brian Chamberlain, Brian d'Arcy James, Doug Murray, Duane Murray, Elena Wohl, Gene Amoroso, Jamey Sheridan, John Slattery, Liev Schreiber, Mark Ruffalo, Michael Cyril Creighton, Michael Keaton, Neal Huff, Paul Guilfoyle, Rachel McAdams, Robert B. Kennedy, Sharon McFarlane, Stanley Tucci
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Produção: Blye Pagon Faust, Michael Sugar, Nicole Rocklin, Steve Golin
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Fotografia: Masanobu Takayanagi
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Montador: Tom McArdle
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sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

Palavras pra quê?!

Ao contrário do que disse o querido poeta, palavras não são erros!
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Palavras são tentativas de decupar os infindos caminhos de significados que Deus se nos permite!
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Palavras são cápsulas de significados que se agrupam ou se desjuntam de acordo com nossas tentativas de entendimento ao longo desta errática procura por algo tão amplo que não caberia nelas mesmas!
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Palavras são procuras! 
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Muitas das palavras são equívocos temporários, mas não necessariamente erros!
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Há que se palavrear nesta tão longa busca!
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segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

Estação Carandiru (Livro)

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Best-seller do doutor Dráuzio Varella que narra a realidade de um dos mais famosos presídios brasileiros: o extinto Carandiru!
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O médico recebe a incumbência de realizar um trabalho de alta complexidade: prevenir a expansão da AIDS entre a população carcerária.
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E é a partir deste desafio, tendo em mente esta missão que o protagonista persevera em seu trabalho, transformando um fato, que muitos gostariam de esconder, numa pérola literária capaz de lançar novas luzes sobre seres humanos que viviam à margem da sociedade, ainda que localizados no meio da maior metrópole brasileira.
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É o poder de transformação do trabalho e da arte!
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E isto chamou muita atenção, tanto é que me lembro de o livro ficar, por várias e várias semanas, na lista dos mais vendidos!
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Acredito inclusive que este livro abriu as portas de uma tendência que seria depois explorada pelo cinema nacional e por outros tipos de arte: o modismo de colocar no centro o que está à margem trazendo para os holofotes os marginalizados.
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Voltando ao objeto da resenha, achei a obra bem escrita, toda dividida em pequenas histórias que trazem até o leitor figuras variadas, boas, ruins ou polêmicas que habitavam aquele universo à parte.
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É interessante, rápido de ler, possui uma linguagem direta e sem rodeios.
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Além disso, me foi inevitável atribuir ao discurso a impressão que tenho do próprio Dráuzio, hoje figura famosa na TV brasileira.
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Li o livro sentindo as palavras como sendo um relato honesto de um médico exercendo sua profissão por vocação, trabalhando com sinceridade e tendo como retorno a entrega de mentes e corações tão plurais, formados em cantos tão diversos do Brasil, em camadas sociais tão diferentes das que a maioria dos leitores desta obra pertencem.
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Acho mesmo que a franqueza do escritor foi a grande chave capaz de destravar as alavancas mais duras que existiam dentro daquele cárcere, ou seja, não as alavancas físicas, mas as emocionais.
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Somente uma personalidade de grande credibilidade, como me parece ser o Dráuzio Varella seria capaz de ganhar a confiança de figuras tão desconfiadas como imagino que deviam ser os presos que lá moravam.
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O final é comovente e, como não poderia deixar de ser, li-o rodando mentalmente a música Haiti do Caetano e do Gil.
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“E quando ouvir o silêncio sorridente de São Paulo 
diante da chacina...
111 presos indefesos, 
mas presos são quase todos pretos
Ou quase pretos, 
ou quase brancos quase pretos de tão pobres
E pobres são como podres 
e todos sabem como se tratam os pretos”
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Carol (Filme)


Um delicado retrato do universo lésbico do meio do século passado.
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É lindamente sutil e femininamente arrojada a maneira como as duas mulheres vão se aproximando.
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A elegância no olhar de uma, a meiguice na recepção da outra e a mútua busca por uma identidade!
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Uma identificação!
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O se lançar com coragem e certeza a uma ousada empreitada sentimental que poderia mudar para sempre a vida dos envolvidos.
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Diálogos inteligentes, palavras bem escolhidas, o cigarro, a delícia e o mistério de quem tem algo a esconder.
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Toques mutuamente surpreendentes, ótimas atuações contidas e verdadeiras.
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O minimalismo e o requinte em doses deliciosas!
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A personagem principal se mostra constantemente intrigante, maduramente sedutora, forte, porém dotada de relances de fragilidade que por vezes escapam em frases pontuais ou lágrimas corriqueiras.
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Enredo enovelado de sutis quebras apresentando pontuais conflitos que se resolvem de maneira convincente.
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Tanto elementos se passam num ritmo agradável e bem equilibrado que fizeram restar em mim a sensação de ser “Carol” um filme altamente envolvente!

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