quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

Derradeira Insurreição (FN)


Varandeiro sem Fim (FN)


Espelho Cardinal (FN)


Lavrando Luz (FN)


Gentil Concepção (FN)


Crepúsculo Brasil (FN)


Carrossel de Asas (FN)




Pose Poeira (FN) - Post 1515


Sentido Duplo (FN)


Restinga de Sol (FN)


Re-Criação (FN)


Observante-me (FN)


Olhos de Mar (FN)


Pássaro de Areia (FN)


Jovem Senhora (FN)


Sérios Pescadores (FN)


quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

Exercício: 120 minutos de escrita – O Menino

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Decidido estive, ao menos naquele fim de tarde de uma sexta-feira na qual me desfiz das últimas coisas que me prendiam ali. Fechei o resto do quarto pequeno e arredio que se desfazia aos poucos no lento desaguar dos últimos dias de dezembro e saí recolhendo algumas pistas do acaso que acreditei que me pudessem dar alguma resposta sobre o rumo que deveria tomar.
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A porta fechada, a mala arriada sobre o passeio e a vontade de reestabelecer alguma juventude que ficara estancada em algum ponto incerto de meus anos. Minha cabeça pesava um pouco por conta das festas de encerramento que aconteceram nos últimos dias. Do outro lado da rua estreita, alguns olhares me indagavam, sem som, sobre o que eu estaria fazendo saindo daquela maneira, sem avisar a ninguém sobre onde estaria indo.
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O sol daquela tarde de um recém inaugurado verão dourava um pouco as paredes do sobrado e, pelo tumulto das nuvens que avolumavam perto do sopé da serra, parecia que logo a chuva cairia novamente, mesmo após tantos dias de aguaceiro. E assim, brincando de ir adiante, intuí que rapidamente estivesse um pouco mais decidido a respeito de onde deveria ir. O movimento me traria a resposta de como seria feita a mudança.
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Alguns rostos possíveis começaram a aparecer por entre as lembranças: um casal de tios que moravam na primeira cidade após a divisa de estados, uma prima que há pouco havia trocado de casa e me convidara para passar uns tempos com ela, um amigo de infância que havia me chamado para trabalhar num negócio de arrumação de casas. Não possuía nada muito além disso. Sobrava a vontade de transpassar o ano novo respirando alguma coisa nova, uma nova possibilidade, um novo emprego, novas pessoas.
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A rotina de onde estava não agradava em nada minhas vontades de infância. Um descompasso profundo gritara por vários anos dentro de mim antes que eu tomasse a decisão de lagar tudo para manter alguns sonhos ainda vivos. Eram sonhos velhos, mas que insistiam em permear meu dia-a-dia naquele emprego que o destino se encarregou de me arranjar.
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Quatro esquinas depois, notei que um pequeno menino seguia a distância, procurando disfarçar seus olhares e intenções com sua pipa, como se o objeto o impusesse tais caminhos. Era criança bem pequena, mas tinha um jeito interessante de tentar velar seus reais interesses. Os olhos ligeiros, os passos miúdos, pés descalços, as roupas sujas e um constante repuxar da linha que guiava o objeto bailarino. Sorrisos também lhe escapavam sem controle naquele momento íntimo de diversão que só a ele pertencia.
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Achei leve seu semblante e, naquele momento de conflito, servia-me de alento pensar nas possíveis coisas bonitas que poderiam estar passando em sua cabeça. Moldei-me um pouco por aquilo que imaginei ele estar pensando. Na cabeça daquele garoto seria eu algo um tanto melhor do que realmente era. Por mínimo pensamento a meu respeito que pudesse estar passando dentro de sua mente, ainda assim, um homem mais bem resolvido deveria estar concretamente elaborado dentro dele. O que não acontecia aqui dentro de mim.
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Seguia-me como quem corre atrás de um trem que não pode perder. Uma ânsia de contato, um aparente interesse puro de conversar coisas triviais, traçar meia dúzia de palavras, pedir que eu amarrasse seu tênis, se ele o tivesse. Corridas e estancadas que foram aos poucos tirando-me de minhas atribulações, lançando-me naquele pequeno universo particular dentro do qual o pequeno caminhante se fazia a pessoa mais feliz do mundo.
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Bastava um pedaço pequeno do mundo e o mundo estava inteiro, repleto de possibilidades fantásticas que poderiam ser exploradas sem medo de sofrer, sem receio de que as coisas pudessem dar errado. Um constante câmbio de infinitudes que se esgueiravam por entre os paralelepípedos e as esquinas antigas. Qualquer novo movimento era apenas um relapso de possibilidade que ele deixava escoar sem dor por entre o tempo que lhe deixava intocado.
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Imensidões possíveis estavam ávidas por serem compostas dentro daquele pequeno ser humano. As casas grandes delineavam intrigantes labirintos, os muros convidativos não se faziam acanhados em serem transpostos, as árvores eram castelos naturais nos quais ele podia morar para sempre no instante repentino enquanto ali ele estivesse. Aqueles traçados que dançavam na palma de sua mão, eram os caminhos mais possíveis de serem imaginados; e a riqueza da esperança era a riqueza da esperança justamente por não se definir assim. A não definição verbal das coisas deixava as coisas em sua totalidade, ou seja, habitantes de seus espaços e de seus tempos, apropriadas das possibilidades que lhes cabiam.
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Não havia para ele o mistério por detrás dos elementos, pois para ele não existia o alheio dos elementos em si. Os elementos lhe eram compreensíveis enquanto elementos que não necessitavam de compreensão. E as coisas eram as coisas nelas mesmas. O mistério para ele não era nada. O mistério nem mesmo lhe tocava, não o angustiava, não lhe fazia sentido, pois o mistério não era mistério naquele tanto de tudo que lhe pertencia. O que ele tinha lhe era suficiente sanar os horizontes tangidos por seus olhos.
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E assim, nesse tomado completo que sua figura delineou dentro de mim, seus pensamentos foram aos poucos se cruzando com os meus por meio dos olhares que iam surgindo. Aos poucos, sua figura me era tão própria que podia jurar saber as minimalidades que lhe surgiam a cada nova revolta que a pipa traçava nos ares. Sabia já seu nome, sua idade, em que colégio estudava, onde morava, quantos irmãos tinha. Sabia, por exemplo, que aquela pipa havia sido feita por seu pai que entregou outra igual a seu irmão gêmeo que não estava andando na rua naquele momento pois tinha machucado o pé no dia anterior.
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Eram transparentes suas formas e o dourado do sol crepuscular traduzia sua alma tão intensamente que ele mesmo se desfazia de seu contorno em meio ao embebido luminoso que por aquelas ruas caminhava junto comigo. Um convite de futuro, uma nova volta que se iniciava em torno do sol. O sol sempre renovado a cada manhã que me enchia o peito de coragem quando se deixava transpassar por entre as formas daquele pequeno menino que brincava com sua pipa enquanto me seguia como a um trem que não podia perder.
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E foi assim, nesse levado inteiriço que sua coragem crescente conseguiu, constantemente elevar e suster um pouco mais sua vivacidade que foi se forcando em mim. Gradualmente ele foi deixando sua pipa de lado, descendo volta-a-volta o objeto enquanto se aproximava um pouco mais. E, na intenção de não o inibir, mantive meus passos na direção que achava melhor os dar. Na verdade, não me interessava mais o que iria fazer naquele dia, naquele início de mudança que se esvaia por entre as árvores secas que restavam em volta do campo de futebol do bairro. Interessava-me agora tomar contato com aquele interessante pedaço de gente genuinamente me fazia tão bem.
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Após alguns segundos de intensas ponderações, resolvi parar e aguardar a reação daquele intrépido acompanhante que, já naquele momento, parecia me quase um velho conhecido, mas que em pouco tempo nunca mais seria visto por mim. Desacelerei os passos vagarosamente como se estivesse lidando com um pequeno ente arisco que, a qualquer momento, se esvairia por entre as esquinas e eu não conseguiria obter algum contato real.
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Qual não foi minha surpresa quando, a despeito do que esperava acontecer, o menino acabou de recolher a pipa e veio lentamente em minha direção. Seus passos continuavam miúdos, mas, naquele instante, era como se ele deslizasse acima das pedras e chegasse sem convite, numa delicadeza exasperante, para perto de mim. E foi então que percebi que, ao contrário do que imaginava, quem ditava o ritmo de aproximação não era eu, mas o garoto em toda sua sabedoria de movimentos. Ele é que, durante todo o percurso, procurou não me assustar.
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Muito mais importante tinha ido ele para o ritmo de meus passos do que eu para os dele e, apesar do susto da conclusão, permaneci imóvel tremulante esperando o momento em que meu guia chegaria até meu encontro. E assim aconteceu.
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Sem dizer palavra, fatídico naquela réstia de ano, num átomo dourado de crepúsculo vindouro, ele estendeu-me sua pipa, olhou bem fundo nos meus olhos e simplesmente sorriu. Ficou assim por alguns instantes numa calma de passarinho por sobre os galhos e então novamente, após tantos anos, senti um mergulho de eternidade inundando meu peito.
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Naquele momento, toda as possibilidades de alvorada me pareceram reais. O tempo de um passado distante adiantou-se diante de mim e eu o podia tocar novamente. Os sonhos desabaram de dentro do sorriso daquele menino que me estendia sua pipa num ato altruísta, entregando-me aquele que deveria ser um de seus poucos brinquedos. Um ano inteiramente novo parecia estar sendo firmado naquele exato instante. Novamente senti-me seguro, homem detentor do controle de uma sensação que, mesmo ao toque de meus pensamentos, permaneceria ainda mais profundo dentro de minhas veias, alimentando algumas certezas extintas.
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Após tal mínimo relance de eternidade, ele, vagarosamente, recuou sua cabeça, fechou seus lábios, virou-se e saiu andando pela direção de onde viera. Simples, perfeito, exato e eternamente marcado dentro de mim. Meu ano novo havia se inaugurado naquele exato instante. Soube ali que havia tomado a decisão correta e que o caminho ainda me traria outras belas surpresas.
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Ergui os olhos e intuitivamente saí correndo atrás da criança quando ele virou a esquina. Chegando lá, espiando desconfiado na quebrada do muro, certifiquei me daquilo que desconfiava: o menino não estava mais ali. 
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O Livro da Filosofia (Livro) – Resenhas 2015

Sócrates
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Uma deliciosa e didática obra sobre a história do pensamento filosófico escrita de maneira direta, séria, bem colocada, inteligente e com sutis toques de humor.
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Conhecimento decupado que ajuda a entender o espírito da Filosofia, o intrigante universo das percepções humanas e os diversos caminhos investigativos adotados pelas brilhantes mentes que habitaram este planeta ao longo dos milênios de História.
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Oito especialistas participaram da escrita desta obra que me acompanhou por diversos dias no ano de 2015.
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São eles:
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Will Buckingham
Douglas Burnham
Clive Hill
Peter J. King
John Marenbon
Marcus Weeks
Richard Osborne
Stephanie Chilman
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Trata-se de um livro que se propõe a pincelar informações pontuais constituintes de uma riquíssima e longeva área do conhecimento humano, exigindo, portanto, uma longa e pacienciosa leitura. No entanto, as páginas possuem formas claras de organizar o que é dito e a atrativa linguagem dá conta de ser precisa e sucinta, mesmo na tradução de construções filosóficas que necessitariam de vastos parágrafos para serem estabelecidas.
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A obra também é fartamente composta por ilustrações bastante esclarecedoras que ajudam no entendimento de alguns conceitos filosóficos que, por vezes, podem ser extremamente complexos, como é o caso de algumas ideias tecidas por filósofos mais próximos dos dias atuais.
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O “Livro da Filosofia” ajudou-me bastante na montagem de um painel geral sobre esta área do conhecimento que sempre muito me encantou, mas que, a despeito da extensa procura, não havia ainda encontrado exemplar que me ajudasse a tecer uma visão, ainda que superficial, sobre este longo processo de interpretação da verdade ou da construção das verdades que nos constituem a medida que nós as constituímos.
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Possui mais de 350 páginas que dividem os filósofos em Seis grandes períodos de tempo listados e subdivididos abaixo:
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O Mundo Antigo

(700 a.c a 250 d.c – 950 anos)
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Composto por 17 filósofos principais, são eles:
Tales de Mileto, Lao-Tsé, Pitágoras, Sidarta Gautama, Confúcio, Heráclito, Parmênides, Protágoras, Mozi, Demócrito, Leucipo, Sócrates, Platão, Aristóteles, Epicuro, Diógenes de Sinope, Zenão de Cítio.
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Sidarta Gautama
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Os autores optaram por não colocar Jesus Cristo, pois, ao contrário de Buda que apresentou suas descobertas como uma filosofia, Cristo colocou suas palavras como fundadoras de uma religião a ser seguida e não simplesmente como uma forma de pensamento.
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A contraposição entre Platão e Aristóteles é o marco fundacional da Filosofia do Ocidente. No encontro destas duas personalidades está contida a base principal que definiria as duas linhas primordiais a serem exploradas pelos próximos 2000 anos: o Platonismo e o Aristotelismo.
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É surpreendente como a sabedoria do acaso consegue, por vezes, realizar extraordinários encontros de inteligências complementares num pequeno espaço/tempo. Isso nos leva mesmo a crer que a humanidade possa estar sendo regida por uma sutil força que, apesar do caos reinante na maioria das situações, ainda consegue vivificar seu longo planejamento.
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Num passado distante, dois homens fundamentais se encontram, debatem, descobrem e registram ideias contrapostas que serviriam de embasamento para as discussões que viriam a ser estabelecidas ao longo dos tantos e tantos anos que se sucederiam a este maravilhoso arranjo que colocou Platão e Aristóteles juntos numa antiguidade intocável.
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Platão defendia que “o conhecimento na terra são sombras” de uma realidade maior sobre a qual pouco conhecemos. Já Aristóteles dizia que “A verdade está no mundo a nossa volta” e que é pela observação desse mundo físico que poderíamos descobrir as grandes verdades.
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Platão e Aristóteles
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Especificamente sobre Aristóteles, é interessante dizer que ele foi tão visionário e perseguidor desta verdade residente no mundo físico que chegou mesmo a iniciar uma extensa catalogação das espécies de seres vivos, o que iria antecipar, em mais de 2000 anos aquilo que Darwin completaria em sua magistral obra: A Origem das Espécies. A respeito do filósofo, Darwin chegou a declarar: “Lineu e Cuvier têm sido meus dois deuses, embora de maneiras bem diferentes, mas são meros alunos diante do velho Aristóteles”.
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Retornando a contraposição entre filósofos iniciada anteriormente, no fundo, parece-me que nenhum dos dois esteve errado em sua conceituação filosófica. Na minha opinião, talvez Platão estivesse mais profundamente certo, no entanto, muito mais proveitoso para as ciências foi a crença aristotélica que estimulou a investigação voltada ao mundo tangível disposto a nossa volta.
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Neste painel seminal, o mais importante, realmente, não foi estabelecer quem era o detentor da verdade. O fundamental dessas duas colocações é justamente a contraposição complementar que existe entre elas, uma oposição intrigante que se estabelece somente com a existência das duas, estabelecendo um princípio profundo, capaz de abarcar uma infinidade de mentes e descobertas que ainda estavam por vir. Isso sim foi fantástico e absolutamente verdadeiro enquanto história!
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Continuando o passeio pelos nomes supracitados, ainda nesta época antiga, estão colocadas, além deste ponto anterior, outras tantas pedras fundacionais da humanidade que viria a se complexificar após estes primórdios.
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Lao-Tsé
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Lao-Tsé, Sidarta Gautama e Confúcio também fazem parte deste período, fundando as profundezas de linhas que viriam a ser algumas das mais influentes formas de pensamento espiritualista de todos os tempos. E, observando essas construções conceituais estabelecidas por estes três grandes nomes, é interessante notar como, em muitas filosofias orientalistas, a figura de Deus torna-se dispensável, ao contrário dos fundamentos ocidentais. O Taoísmo, o Budismo e o Confucionismo não se preocupam em definir como seria a figura divina. Para estas correntes, é mais necessário ao homem ter uma boa conduta e um profundo autoconhecimento, do que necessariamente ter uma ideia formatada de algo que possa se aproximar da realidade do elemento criador de todas as coisas. Algo por muito tempo impensável aos nossos anseios ocidentalistas por explicações que conseguissem preencher as lacunas misteriosas do mundo a nossa volta.
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Confúcio
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Também é necessário falar de Pitágoras que foi magistral na combinação entre ciência e religião. Dizem que o filósofo teve suas primeiras noções de geometria durante uma viagem ao místico e científico Egito Antigo, assim como Tales de Mileto fundador da escola onde ele provavelmente iria estudar. Pitágoras buscava um pensamento bastante exato (“A razão é imortal, todo o resto é mortal”) e conseguiu dar prosseguimento a diversas descobertas, a meu ver, de natureza cientifico-intuitivas sobre a matemática, a acústica (“Há geometria no som das cordas, há música no espaçamento das esferas”), o número como sendo o regente de todas as coisas, além de lançar as bases do que é considerado o pensamento dedutivo.
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Pitágoras
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Além de toda essa relevância científica, Pitágoras também foi o fundador de uma comunidade científica regida por regras de conduta, dieta rígida e que tinha nele uma espécie de messias, procurando ler o universo a sua volta como dotado de uma ordem intrínseca. O filósofo, inclusive, acreditava em reencarnação, na transmigração das almas e dizia que nosso objetivo de vida seria conseguir a libertação desse ciclo de reencarnações no qual ainda estamos subjugados.  
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Enfim, é extremamente intrigante e impressionante a magnitude das almas que reencarnaram nessas épocas fundacionais da História Humana. É por esta conjunção de beleza e distanciamento temporal que vários destes personagens atingiram mesmo o status de seres quase mitológicos.
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Alguns outros surpreendentes conceitos desenvolvidos pelos filósofos desta época:
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- Tudo é composto de água – Tales de Mileto (624 a 546 a.c)
- Tudo é fluxo – Heráclito (535 a 475 a.c)
- Tudo é uno – Parmênides (515 a 445 a.c)
- O homem é a medida de todas as coisas – Pratágoras (490 a 420 a.c)
- Nada existe, exceto átomos e espaço vazio – Demócrito (460 a 371 a.c) e Leucipo (Início do século V a.c)
- A vida irrefletida não vale a pena ser vivida - Sócrates (469 a 399 a.c)
- A morte não é nada para nós – Epicuro (341 a 270 a.c)
- Tem mais quem se satisfaz com mínimo – Diógenes de Sínope (404 a 323 a.c)
- O objetivo da vida é viver de acordo com a natureza – Zenão de Cítio (332 a 265 a.c)
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O Mundo Medieval
(250 a 1500 – 1250 anos)
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Composto por 10 filósofos, são eles:
Santo Agostinho, Boécio, Avicena, Santo Ancelmo, Averróis, Moisés Maimônides, Jalal ad-Din Muhammad Rumi, São Tomás de Aquino, Nicolau de Cusa e Erasmo de Roterdã.
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É interessante pensar que nos 350 anos anteriores pertencentes ao Mundo Antigo, a humanidade teve mais nomes de destaque no campo filosófico do que nos 1250 anos posteriores que abarcam a sombria Idade Média.
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Neste livro, apesar do Mundo Antigo ter sido estabelecido de 700 antes de Cristo até 250 depois de Yeshua ben Joseph, os filósofos listados abarcam um período mais restrito que vai do nascimento de Tales de Mileto em 624 a.c até a morte de Zenão de Cítio em 265 a.c, ou seja, somente 359 anos de história. Do Mundo Antigo para o Mundo Medieval parece ter havido um recolhimento da humanidade ocidental, diminuindo sua pulsação criativa.
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Santo Agostinho
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Também foi interessante notar como o Catolicismo estreitou o leque de assuntos tratados pelos filósofos e como o conhecimento produzido na Antiguidade chegou até os dias de hoje não pelos Cristãos, mas pelos Muçulmanos que captaram diversas obras e as traduziram para suas línguas antes destes mesmo escritos retornarem à Europa no Renascimento.
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Se não fosse pelos Muçulmanos, provavelmente o conhecimento humano estaria um tanto mais atrasado nos dias de hoje.
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A Renascença e a Idade da Razão
(1500 a 1750 – 250 anos)
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Composto por 10 filósofos, são eles:
Nicolau Maquiavel, Michel de Montaigne, Francis Bacon, Thomas Hobbes, René Descartes, Blaise Pascal, Bento de Espinosa, John Locke, Gottfried Leibniz, George Barkeley.
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Nesta época, nota-se o reavivamento do pensamento ocidental, um novo despertar científico e filosófico que se alimentaria da Antiguidade para lançar as novas bases do que seria extensamente desenvolvido nos séculos que se seguiriam.
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Nicolau Maquiavel
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- Maquiavel e sua maneira prática de observar as coisas, desnudando a hipocrisia.
- Hobbes e seu olhar desencantado sobre o mundo a sua volta.
- Descartes e o estímulo da dúvida sobre todas as coisas.
- Locke e a experienciação como construtora mais profunda do ser humano.

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A Era da Revolução
(1750 a 1900 – 150 anos)
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Composto por 19 filósofos, são eles:
Voltaire, David Hume, Jean-Jacques Rousseau, Adam Smith, Immanuel Kant, Edmund Burke, Jeremy Bentham, Mary Wollstonecraft, Johann Gottlieb Fichte, Friedrich Schlegel, Georg Hegel, Arthur Schopenhauer, Ludwig Andreas Feuerbach, John Stuart Mill, Soren Kierkegaard, Karl Marx, Henry David Thoreau, Charles Sanders Peirce, William James.
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Jean-Jacques Rousseau
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Uma Era fundamental para o que viríamos a pensar e a crer nos anos que se seguiriam.
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- Voltaire e sua vida além de sua época.
- Rousseau e sua genialidade na observação do desenvolvimento social.
- Adam Smith e sua leitura científica de uma economia em construção.
- Kant e seu delicado arranjo entre o conhecimento humano e as coisas como elas são em si mesmas.
- Hegel e o homem como espírito subjulgado às verdades da época em que vive.
- Schopenhauer e a noção de que somos limitados em nossas observações e em nossas vontades, nos restando nossos limites como sendo os limites do mundo.
- Kierkegaard e a liberdade inalienável a nos causar angústia.
- Marx e a poderosa construção filosófica, científica e política que iria redefinir, por séculos, a história da humanidade, do Oriente ao Ocidente.
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Diversos grandes nomes acumulados num tempo relativamente curto da história!
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Karl Marx
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O Mundo Moderno
(1900 a 1950 – 50 anos)
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Composto por 32 filósofos, são eles:
Friedrich Nietzsche, Ahad Ha`am, Ferdinand de Saussure, Edmund Husserl, Henri Bergson, John Dewey, George Santayana, Miguel de Unamuno, William do Bois, Bertrand Russel, Max Scheler, Karl Jaspers, José Ortega y Gasset, Hajime Tanabe, Ludwig Wittgenstein, Martin Heidegger, Tetsuro Watsuji, Rudolf Carnap, Walter Benjamin, Herbet Marcuse, Hans-Georg Gadamer, Karl Popper, Theodor Adorno, Jean-Paul Sartre, Hannah Arendt, Emmanuel Levinas, Maurice Merleau-Ponty, Simone de Beauvoir, Willard van Orman Quine, Isaiah Berlin, Arne Naess, Albert Camus.
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Nietzsche, apesar de estar temporalmente na divisão anterior, foi aqui colocado como figura inaugural do Mundo Moderno da Filosofia. Vou tratar mais extensamente dele, mesmo além do que foi descrito no livro em questão, por ser uma figura que me toca sobremaneira.
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Construtor de uma crítica ácida a diversos aspectos do ser humano, este filósofo magistral foi responsável por estabelecer alguns passos ainda além das tantas verdades elaboradas nos milênios que o antecederam.
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Nietzsche foi tão genial que Freud chegou a declarar a seguinte frase: “O grau de introspecção alcançado por Nietzsche nunca foi atingido por ninguém”.
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Sua vida não deve ter sido muito feliz, mas sua obra foi e ainda é estupenda! Sua importância é tão grande que alguns dizem ter sido ele a reencarnação de Aristóteles.
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Será?! Acho que não!

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Friedrich Nietzsche
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Obras de Nietzsche organizada pelos anos em que foram escritas:
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1872 - O Nascimento da Tragédia no Espírito da Música
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1873 - A Filosofia na Idade Trágica dos Gregos
1873 - Sobre a verdade e a mentira em sentido extramoral
1873 - David Strauss, o Confessor e o Escritor. Dos Usos e Desvantagens da História
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1874 - Para a Vida
1874 - Schopenhauer como Educador
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1876 - Richard Wagner em Bayreuth
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1881 - Aurora, Reflexões sobre Preconceitos Morais
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1882 - A Gaia Ciência, traduzida também com Alegre Sabedoria, ou Ciência Gaiata
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1883-85 - Assim Falou Zaratustra, um Livro para Todos e para Ninguém
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1886 - Humano, Demasiado Humano, um Livro para Espíritos Livres (a versão final saiu nesse ano)
1886 - Além do Bem e do Mal, Prelúdio a uma Filosofia do Futuro
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1887 - Genealogia da Moral, uma Polêmica
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1888 - O Crepúsculo dos Ídolos, ou como Filosofar com o Martelo
1888 - O Caso Wagner, um Problema para Músicos
1888 - O Anticristo - Praga contra o Cristianismo
1888 - Ecce Homo, de como a gente se torna o que a gente é
1888 - Nietzsche contra Wagner
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Em Ecco Homo, Nietzsche faz uma releitura de suas obras passadas e chega a proferir em tom premonitório, embebido até as últimas consequências em sua megalomania apocalíptica:
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"Conheço minha sina. Um dia, meu nome será ligado à lembrança de algo tremendo — de uma crise como jamais houve sobre a Terra, da mais profunda colisão de consciências, de uma decisão conjurada contra tudo o que até então foi acreditado, santificado, requerido. (...) Tenho um medo pavoroso de que um dia me declarem santo: perceberão que público este livro antes, ele deve evitar que se cometam abusos comigo. (...) Pois quando a verdade sair em luta contra a mentira de milênios, teremos comoções, um espasmo de terremoto, um deslocamento de montes e vales como jamais foi sonhado. A noção de política estará então completamente dissolvida em uma guerra de espíritos, todas as formações de poder da velha sociedade terão explodido pelos ares — todas se baseiam inteiramente na mentira: haverá guerras como ainda não houve sobre a Terra."
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Depois do exaustivo e cabalístico ano de 1888, Nietzsche sucumbiu num colapso mental e nunca mais voltou a produzir.
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Mas, em tal ponto da vida, já havia deixado as bases para o que seria uma reformulação de tantas e tantas coisas que, ainda nos dias de hoje, se fazem pertencentes ao futuro.
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Além do gigante Nietzsche, temos outros que o sucederam em tempo e em influência:
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Jean-Paul Sartre
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- Saussure e as bases da belíssima e delicada Semiótica.
- Unamuno e sua Filosofia espiritualista atualizando a interpretação do sofrimento na construção do ser humano.
- William du Bois e a filosofia se debruçando, talvez pela primeira vez, sobre a segregação racial.
- Russel e a ressignificação do trabalho na vida do homem.
- Wittgenstein e a linguagem como estrutura sobre a qual se constrói o mundo.
- Heidegger e a necessidade da Filosofia se voltar para o próprio homem.
- Walter Benjamin e a valorização do amor incondicional como lupa capaz de nos revelar verdadeiramente o ser humano.
- Adorno e o valor da inteligência, em conjunto com a emoção, no direcionamento de nossa conduta.
- Sartre e a necessidade de se criar um propósito para a existência, pois ela não possui um que lhe seja inextricável.
- Simone de Beauvoir e as bases filosóficas para feminismo vindouro.
- Albert Camus e o desapego à necessidade de significação da vida.
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Simone de Beauvoir
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Filosofia Contemporânea
(1950 até os dias atuais – 66 anos)
 
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Composto por 20 filósofos, são eles: Roland Barthes, Mary Midgley, Thomas Kuhn, John Rawls, Richard Wollheim, Paul Feyerabend, Jean-François Lyotard, Frantz Fanon, Michel Foucault, Noam Chomsky, Jürgen Habermas, Jacques Derrida, Richard Rorty, Luce Irigaray, Edward Said, Hélène Cixous, Julia Kristeva, Henry Odera Oruka, Peter Singer, Slavoj Žižek.
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Michel Foucault
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E assim chegamos até nossos dias, vencendo os destroços filosóficos que nos restam após tantos e tantos anos de exercício filosófico levado a cabo pelas múltiplas mentes que se entrelaçaram e se conversaram por meio das ideias a respeito de tudo aquilo sobre o qual é possível se refletir.
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- Foucault e seu extenso trabalho de levantamento arqueológico do conhecimento, formando tratados inquestionáveis a respeito do Homem, da Sociedade, da Política e da Filosofia.
- Chomsky e a possibilidade de escolhermos o conforto da ignorância.
- Habermas e a necessidade social de questionamento das estruturas e tradições que formam a própria sociedade.
- Derrida e a angustiosa e infinita construção textual que tangeria todas as coisas.
- Peter Singer e a bonita noção de que os animais são iguais a nós no sofrimento, colocando a dor como um amplo parâmetro balizador das ações que influenciam os seres vivos.
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Após esta extensa viagem por tantos e tantos nomes, o livro entra em suas últimas quatro partes que são: Outros Pensadores, Glossário, Índice e Agradecimentos.
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Na parte denominada de “Outros Pensadores” estão listados 59 nomes de filósofos pertencentes a todos os períodos já listados e que aqui foram considerados de importância mediana dentro do contexto da época em que viveram, não entrando no corpo principal do livro, mas também não ficando excluídos desta obra, estando, portanto posicionados nesta parte final.
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São eles: Anaximandro, Anaxímenes de Mileto, Anaxágoras, Empédocles, Zenão de Eleia, Pirro, Plotino, Wang Bi, Jâmblico, Hipátia de Alexandria, Proclo de Lício, João Filopono, Al-Kindi, Johannes Scotus Eriugena, Al-Farabi, Al-Ghazali, Pedro Abelardo, Robert Grosseteste, Ibn Bajja, Ramon Llull, Meister Eckhart, John Duns Scotus, Guilherme de Ockham, Nicolau de Autrecourt, Moisés de Narbonne, Giovanni Pico della Mirandola, Francisco de Vitoria, Francisco Suárez, Bernard Mandeville, Julien Offray de la Mettrie, Nicolas de Condorcet, Joseph de Maistre, Freidrich Schelling, Auguste Comte, Ralph Waldo Emerson, Henry Sidgwick, Franz Brentano, Gottlob Frege, Alfred North Whitehead, Nishida Kitaro, Ernst Cassirer, Gaston Bachelard, Ernst Bloch, Gilbert Ryle, Michael Oakeshott, Ayn Rand, John Langshaw Austin, Donald Davidson, Louis Althusser, Edgar Morin, René Girard, Gilles Deleuze, Niklas Luhmann, Michel Serres, Daniel Dennett, Marcel Gauchet, Martha Nussbaum, Isabelle Stengers.
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E por último, ao menos nesta minha listagem, o corajoso Giordano Bruno, homem a frente de seu tempo e que, não sei por quê, não foi colocado no corpo principal do texto. 
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Pelo mesmo motivo de Nietzsche, tratarei desta figura um pouco mais extensamente do que foi tratada no livro.
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Giordano (1548 a 1600), segundo a Wikipédia, foi acusado dos seguintes crimes pela Inquisição Romana:
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1) Sustentar opiniões contrárias à fé católica e contestar seus ministros.
2) Sustentar opiniões contrárias à fé católica sobre a Trindade, a divindade de Cristo e a encarnação.
3) Sustentar opiniões contrárias à fé católica sobre Jesus como Cristo.
4) Sustentar opiniões contrárias à fé católica sobre a virgindade de Maria, mãe de Jesus.
5) Sustentar opiniões contrárias à fé católica tanto sobre a Transubstanciação quanto a Missa.
6) Reivindicar a existência de uma pluralidade de mundos e suas eternidades.
7) Acreditar em metempsicose e na transmigração da alma humana em brutos.
8) Envolvimento com magia e adivinhação.
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Alma hilozoísta (defendia que tudo possuía vida), panpsiquista (acreditava que tudo tem uma natureza psíquica, uma alma), mística, científica, defensora de uma proposta que enxergava o Universo como um conjunto infinito composto por diversos planetas habitados, o que seria uma antecipação das ideias de Galileu.
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Giordano foi um incessante crítico da realidade vigente na época de sua existência, enfrentando as instituições, mudando constantemente de país por conta das perseguições da Igreja Católica. No entanto, a despeito das atribulações da vida, nunca deixou de sonhar, elaborar e defender sua rica e inovadora concepção universal.
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Giordano era defensor de uma concepção cosmológica que propunha a ideia de um Universo aberto, em constante mudança, não contentor de uma sistemática eterna e inalterável, ao contrário do que defendia o Catolicismo.
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Provocativo, moderno, Bruno foi tão destemido que, mesmo diante da leitura de sua sentença, ainda lançou desafios aos executores que, por fim, tiveram que amarrar um pedaço de madeira em sua boca a fim de calá-lo.
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Um belo exemplo da maravilha catártica advinda da certeza plena perante os desvios e dificuldade da vida. Uma força capaz de nos levar adiante, mesmo nos momentos em que ameaçam nosso bem maior.
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Giordano Bruno
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Frases atribuídas a Giordano:
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"Nós declaramos esse espaço infinito, dado que não há qualquer razão, conveniência, possibilidade, sentido ou natureza que lhe trace um limite."
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"A Terra e os astros (...), como eles dispensam vida e alimento às coisas, restituindo toda matéria que emprestam, são eles próprios dotados de vida, em uma medida bem maior ainda; e sendo vivos, é de maneira voluntária, ordenada e natural, segundo um princípio intrínseco, que eles se movem em direção às coisas e aos espaços que lhes convêm”.
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"Sim, uma coisa, por minúscula que seja, encerra em si uma parte de substância espiritual, a qual, se encontra o sujeito [suporte] adequado, torna-se planta, animal (...); porque o espírito se encontra em todas as coisas, e não há mínimo corpúsculo que não o contenha em certa medida e que não seja por ele animado."
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"E o que se pode dizer de cada parcela do grande Todo, átomo, mônada, pode se dizer do universo como totalidade. O mundo abriga em seu coração a Alma do mundo".
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"O mundo é infinito porque Deus é infinito. Como acreditar que Deus, ser infinito, possa ter se limitado a si mesmo criando um mundo fechado e limitado?"
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"Não é fora de nós que devemos procurar a divindade, pois que ela está do nosso lado, ou melhor, em nosso foro interior, mais intimamente em nós do que estamos em nós mesmos."
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Eis aí um apanhado geral deste que talvez tenha sido o livro mais importante que li no ano de 2015.
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E, para fazer jus a essa importância, eis a que talvez seja a maior resenha já escrita neste blog.
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quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

Ponte dos Espiões (Filme) – Resenhas 2015

Mais uma belíssima parceria entre Tom Hanks e Steven Spielberg
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Conta a história real de um advogado que, na época da Guerra Fria, recebe a incumbência de defender nos tribunais americanos um espião da KGB (Komitet Gosudarstvennoi Bezopasnosti), órgão russo que rivalizava com a CIA.
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Achei um belíssimo filme, com atuações fantásticas, cenografia impecável, uma ótima caracterização de época e um roteiro bastante intrigante e comovente.
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A dupla Tom Hanks (o advogado) e Mark Rylance (o espião preso) fizeram um trabalho espetacular, demonstrando a humanidade presente nos dois lados de um conflito que aterrorizou o mundo por muitos anos.
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Um filme que retrata a nobreza do caráter de seres colocados em lados diferentes de uma mesma não-guerra, a sutil amizade que nasce entre eles, a maneira complementar como cada um defendeu os próprios valores, mantendo a lealdade àquilo que cada lado acreditava ser o correto.
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Um filme de grande maturidade e precisão. Fiquei muito comovido pelo que assisti!
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FICHA TÉCNICA
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Gênero: Drama
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Direção: Steven Spielberg
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Roteiro: Ethan Coen, Joel Coen, Matt Charman
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Elenco: Alan Alda, Amy Ryan, Austin Stowell, Billy Magnussen, Domenick Lombardozzi, Eve Hewson, Jonathan Walker, Joshua Harto, Mark Rylance, Marko Caka, Michael Gaston, Mike Houston, Noah Schnapp, Peter McRobbie, Sebastian Koch, Stephen Kunken, Tom Hanks
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Produção: Kristie Macosko Krieger, Marc Platt, Steven Spielberg
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Fotografia: Janusz Kaminski
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Montador: Michael Kahn
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Contos Completos (Livro) – Resenhas 2015

Livro contendo todos os 46 contos da escritora inglesa Virginia Woolf, o que me pareceu, num primeiro momento, algo espetacular!
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Mas, para ser sincero, não gostei da obra!
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Achei que muitos dos contos são bastante desinteressantes. Os assuntos abordados não me chamaram a atenção e o universo da escritora não tocou de maneira alguma.
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A linguagem, na maioria do tempo, era um tanto complexa, trazendo uma forma pouco cativante de contar as coisas e, assim, acabei completando a leitura somente por obrigação, já que não gosto de deixar livros pela metade.
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Na verdade, este livro me deixou um tanto incomodado, pois não sabia se o que estava lendo era estranho ou se o estranho estava sendo eu por não conseguir acompanhar o que era dito.
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Na minha humilde opinião, a autora possuía uma forma de pensar um tanto quanto desencaixada, fora de compasso, diversa, desordenada, pouco tocante, mas, ainda agora, resta-me a dúvida de que talvez essa minha impressão se deveu mesmo a minha incapacidade de acompanhar o raciocínio dela.
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Não sei.
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Seria necessário que eu novamente me debruçasse sobre a obra para poder chegar a uma conclusão mais certeira sobre esse ponto.
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No entanto, pensando agora sobre outras coisas que já li, não acredito que seja somente o caso de eu não acompanhar o raciocínio, já que Clarice Lispector, que muitos diziam ter um estilo semelhante ao da autora em questão, sempre me faz total sentido, chama-me a atenção e consigo acompanhar, palavra por palavra, o que ela está dizendo.
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Enfim...
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Sei que é difícil traçar comentários negativos a respeito de uma personalidade tão respeitada no cenário da literatura mundial, mas fiquei extremamente decepcionado com o que li.
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Conto por conto, tive diversas decepções, o que alimentou, constantemente, minha impressão negativa sobre a autora e sua arte.
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Acredito que Virgínia transparecia seu desencaixe mental em sua literatura.
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Em muitas passagens, as frases pareciam estar se equilibrando numa linha tênue entre a razão e a loucura, entre uma percepção literária sensível e um descabido ilógico onde a maioria dos leitores não pode chegar.
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Grande parte do texto causou estranheza e eu, por várias vezes, me peguei perguntando se ela tinha noção desse destempero que emanava das palavras que ela escreveu em grande quantidade ao longo de sua vida.
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Que Virgínia padecia de males psiquiátricos isso todos sabemos, afinal, sua vida foi extremamente sofrida, o que acabou levando a escritora a um ato de desespero, covardia perante a vida e coragem perante a morte que foi o suicídio nos moldes em que ela o executou.
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Seus contos estão organizados em ordem cronológica e pensei que, ao longo do exercício literário, ela iria se tornar mais atrativa aos meus olhos, o que não aconteceu, infelizmente.
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Meu santo literário não bateu com o dela!
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Religião dos Espíritos (Livro) – Resenhas 2015

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Livro escrito por Emmanuel e psicografado por Chico Xavier.
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Trata-se de um conjunto de 91 textos (mais o Prefácio) enviados ao longo das diversas sessões espíritas acontecidas no ano de 1959 (De 5 de Janeiro a 21 de Dezembro).
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O livro aborda diversos temas espiritualistas procurando esclarecer algumas dúvidas naturais que os encarnados pudessem ter a respeito da nova doutrina religiosa em formação nas terras brasileiras, além de abordar temas cotidianos sobre os quais o Espiritismo ajudou a lançar novas luzes, opiniões e explicações, adequando o Cristianismo à recente modernidade.
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Achei muito bem escrito, direto, nunca, no entanto, caindo numa simplicidade banal. A linguagem é bem parecida com a de outros livros psicografados que já li e acredito que esta colocação característica de algumas obras espíritas visava mesmo estimular os leitores a conhecerem a Língua Portuguesa mais a fundo, a fim de poderem desfrutar dos conhecimentos trazidos ao mundo pela literatura espírita, bem como por outras frentes literárias existentes.
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Segue um exemplo:
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Mensageiros divinos
(Reunião pública de 18/5/59)
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Questão nº 501
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Ser-nos-á sempre fácil discernir a presença dos mensageiros divinos ao nosso lado, pela rota do bem a que nos induzam.
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Ainda mesmo que tragam consigo o fulgor solar da Vida Celeste, sabem acomodar-se ao nosso singelo degrau nas lides da evolução, ensinando-nos o caminho da Esfera Superior. E ainda mesmo se alteiem a culminâncias sublimes na ciência do Universo, ocultam a própria grandeza para guiar-nos no justo aproveitamento das possibilidades em nossas mãos.
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(Continua)
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Um livro de vasta tiragem, famoso e fundamental para a ampliação da doutrina espírita no Brasil e, por que não, no Mundo.
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Abaixo encontra-se a lista dos títulos.
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Religião dos Espíritos
1 – Se tiveres amor
2 – Aborto delituoso
3 – Tentação e remédio
4 – Memória além-túmulo
5 – Beneficência esquecida
6 – Alienação mental
7 – Ao redor do dinheiro
8 – Cadinho
9 – Mais
10 – Examina a própria aflição
11 – Pureza
12 – Sobras
13 – Dizes-te
14 – Censura
15 – Renascimento
16 – Mediunidade e dever
17 – Jesus e humildade
18 – Herança
19 – Corrigir
20 – Carrasco
21 – Obterás
22 – Ante falsos profetas
23 – Sofrimento e eutanásia
24 – Reencarnação
25 – Muito e pouco
26 – Na Terra e no Além
27 – Palavra aos espíritas
28 – Desce elevando
29 – Versão prática
30 – Orientação espírita
31 – Veneno
32 – O obreiro do Senhor
33 – Oração e provação
34 – Responsabilidade e destino
35 – Mensageiros divinos
36 – O homem inteligente
37 – O Guia real
38 – Perseguidos
39 – Amanhã
40 – Servir a Deus
41 – O caminho da paz
42 – Nós mesmos
43 – Examinadores
44 – Na grande barreira
45 – Esquecimento e reencarnação
46 – Trabalha servindo
47 – Contradição
48 – Suicídio
49 – O homem bom
50 – Pena de morte
51 – Felicidade e dever
52 – A mulher ante o Cristo
53 – Sexo e amor
54 – Jovens
55 – Sonâmbulos
56 – Ante o Além
57 – Fenômeno mediúnico
58 – Ante os que partiram
59 – Fenômeno magnético
60 – Estranho delito
61 – Doenças escolhidas
62 – Ao sol do amor
63 – Na grande transição
64 – Meditemos
65 – Reencarnação e progresso
66 – Abençoa
67 – Materialistas
68 – Materialismo
69 – Diante das tentações
70 – Na hora da crise
71 – Justiça e amor
72 – Essas outras crianças
73 – Amigos
74 – Campanha na campanha
75 – Em plena prova
76 – Jesus e atualidade
77 – Oração no dia dos mortos
78 – Pluralidade dos mundos habitados
79 – Abnegação
80 – Doutrina Espírita
81 – Professores diferentes
82 – O outro
83 – Se deseja
84 – Cada hora
85 – No grande minuto
86 – Dominar e falar
87 – Contigo
88 – O teste
89 – Simpatia
90 – Louvor do Natal
91 – Tempo e serviço
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