quarta-feira, 30 de março de 2016

Enquanto somos jovens (Filme) – Resenhas 2015

Um casal na crise da meia idade se vê encantado pela visão de mundo e pelas experiências de um casal de jovens.
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Um filme com relances de comédia, outros mais densos.
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Reflexões que se cambiam sem muita lógica e a lenta descobertas dos defeitos deste novo universo que, à primeira vista, tanto os pareceu perfeito.
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Um interessante retrato de mais uma espécie de conflito do mundo contemporâneo!
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FICHA TÉCNICA:
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Direção: Noah Baumbach
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Roteiro: Noah Baumbach
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Elenco: Adam Driver, Adam Horovitz, Amanda Seyfried, Annie Baker, Ben Stiller, Bonnie Kaufman, Deborah Eisenberg, Dree Hemingway, Hector Otero, Maria Dizzia, Matthew Maher, Matthew Shear, Naomi Watts, Peter Yarrow, Quincy Tyler Bernstine
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Produção: Eli Bush, Lila Yacoub, Noah Baumbach, Scott Rudin
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Fotografia: Sam Levy
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Montador: Jennifer Lame
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Eugene Onegin (Ópera) – Resenhas 2015

Ópera russa em três atos, com um total de seis cenas.
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Uma corajosa e bonita montagem do Theatro Municipal.
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Intrigas de amor, uma mulher rejeitada que torna a encontrar o homem que a desprezou.
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Um amor sentido e jamais vivido!
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FICHA TÉCNICA:
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Orquestra Sinfônica Municipal de São Paulo
Coro Lírico Municipal de São Paulo
Jacques Delacôte – Direção musical e regência
Eduardo Strausser – Regente assistente
Marco Gandini – Direção cênica
Italo Grassi, Maria Rossi Franchi e Andrea Tocchio – Cenografia
Lorenzo Merlino – Figurinos
Caetano Vilela – Iluminação
Manuel Paruccini – Coreografia
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Eugene Onegin - Andrei Bondarenko & Kostantin Shushakov
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Tatyana - Svetlana Aksenova & Talia Or
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Lensky - Fernando Portari & Medet Chotabaev
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Olga - Alisa Kolosova & Ana Lucia Benedetti
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Príncipe Gremin - Vitalij Kowaljow & Saulo Javan
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Filipevna - Larissa Diadkova & Lidia Schäffer
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Madame Larina - Alejandra Malvino & Keila De Moraes
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Triquet - Miguel Geraldi
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Zaretsky - Sergio Righini
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Capitão - Rogério Nunes
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Capataz - Renato Tenreiro
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Tchaikovsky

sábado, 19 de março de 2016

Fraseado Noturno (Post 1550)

É tamanha a verdade que tantos já disseram, mas, ainda assim, fez-se tão incomunicável à maioria das pessoas.
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E, apesar de sentir, não sei como exemplificar, de maneira simples, a sabedoria absoluta e incorrigível do subconsciente que nos assalta momento a momento.
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sexta-feira, 18 de março de 2016

11 ANOS DE BLOG

 

 

 

 

 

 
 

 

 

 

 

Miss Julie (Filme) – Resenhas 2015

Uma impressionante atuação da atriz Jessica Chatain.
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Numa pequena cidade, Julie, uma mulher desvairada, filha de um aristocrata da região, instiga o criado de seu pai, interpretado pelo ator Colin Farrell, a cair em suas seduções lançando-se inescrupulosamente nos braços dele.
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Como se não bastasse a postura baixa de Julie, o contexto se agrava ainda mais pelo fato da mulher de John morar na mesma casa em que os dois praticam o adultério.
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Longas cenas de ciúmes, enfrentamento psicológico e também silêncio por parte da esposa de John se desenrolam ao longa de toda a trama.
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Torno a frisar que a interpretação da atriz Jessica Chastain é impressionante!
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Achei os diálogos e a montagem bastante bem feitos, mas a atuação dela é o ponto alto do filme!
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São avassaladoras a cenas em que ela se lança para cima do criado, se arrebenta em fortes escândalos, cenas de lágrimas e gritos, modificações instantâneas do humor do personagem, olhares expressivos que tanto dizem mesmo antes dos diálogos serem traçados.
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Com belíssima direção da veterana, e famosa esposa de Ingmar Bergman, Liv Ullman, este é um filme com poucos atores e locações simples que consegue extrair uma tremenda força da arte cinematográfica em sua expressão mais crua a minimalista!
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Ficha Técnica:
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Título original: Miss Julie
Direção: Liv Ullmann
Roteiro: August Strindberg, Liv Ullmann
Produção: Oliver Dungey, Teun Hilte, Synnøve Hørsdal
Fotografia: Mikhail Krichman
Edição: Michal Leszczylowski
Gênero: Drama
País: Noruega/Reino Unido
Ano: 2014
Duração: 129 minutos
Classificação: A verificar
Elenco: Jessica Chastain, Colin Farrell, Samantha Morton
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Poranduba (Ópera) – Resenhas 2015

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Poranduba, segundo o dicionário, significa narrativa de fato histórico.
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E, neste caso, trata-se de uma obra embasada por um conjunto de lendas indígenas que têm no Fogo o elemento que as une.
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Uma ópera moderna que estreou no ano de 2007 em Manaus no Festival Amazonas de Ópera e que teve sua primeira montagem em São Paulo no Theatro São Pedro em 2015.
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Poderia ter sido um espetáculo surpreendentemente diferente de tudo que já vi, mas acredito que tenha sido um dos momentos de arte que menos me agradou no ano passado!
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A ópera “Um homem só”, já resenhada neste blog, conseguiu explorar um pouco melhor a linguagem e o universo lírico, chegando assim, num resultado mais agradável.
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Poranduba não!
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Misturar linguagem indígena com orquestra e vozes líricas é um processo um tanto arriscado. Colocar elementos de universos tão distintos, tentar fazer disso uma espécie de narrativa, torcendo o conjunto para caber no palco de um teatro clássico pode ser uma grande furada. E assim foi!
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A obra soou, na grande maioria do tempo, como uma miscelânea desencaixada de vertentes, uma estranha apresentação presunçosa de elementos folclóricos das raízes amazônicas.
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“O Guarani” de Carlos Gomes também trouxe o universo indígena para os palcos dos teatros líricos, mas foi uma obra escrita em Italiano que, na verdade, não passa de mais uma belíssima estória de amor, uma linda ópera romântica.
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Ou seja, Carlos Gomes caminhou por trilhas artísticas seguras já exploradas por tantos e tantos que vieram antes dele. O diferencial dO Guarani esteve simplesmente no par romântico formado por uma mulher branca e um índio brasileiro.
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Além da mistura de folclore indígena com ópera, o lírico em português é algo difícil de engolir. Mesmo “Um homem só” do Guarnieri soou um tanto estranha!
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Não sei como é para os italianos ouvirem ópera na língua deles, ou para os alemães tomarem contato com ópera no seu idioma de origem, ou mesmo para os franceses que possuem obras na língua nativa.  Talvez tenham se acostumado com o passar dos anos ou talvez a estrutura profunda desses idiomas se adapte melhor ao formato do canto narrativo presente na ópera.
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Para mim, ópera em Português é algo realmente muito estranho! As montagens ditas nesta resenha, e que têm a nossa querida língua de Camões como o idioma base, soam, na grande maioria do tempo, como desajeitadas declamações empoladas que se arrastam ao longo dos longos minutos que insistem em perdurar.
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Não consigo concluir muito sobre isso, mas, em geral, o Português possui uma qualquer coisa que dificulta sua musicalização. Pode-se notar este preciosismo idiomático também na música popular quando se compara com a linguagem usada pelos compositores de língua inglesa, por exemplo.
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Enfim, realmente esta é uma diferenciação sobre a qual me é difícil conseguir tirar alguma conclusão definitiva!
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Sei que, se é necessário tomar bastante cuidado ao se escrever letras populares em Português, o cuidado deve ser ainda maior no momento de formular longas estrofes de caráter poético-narrativo que irão servir de linha condutora para uma obra de extensa duração.
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Sinto que a libretista não encontrou seu caminho adequado! O linguajar soou bastante estranho, ainda mais quando colocado como estória cantada por vozes liricamente empostadas.
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Um todo que soou extremamente descabido diante do contexto explorado pela obra.
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Além disso, não achei uma boa montagem. Alguns figurinos estavam bastante malfeitos e algumas vozes deixaram a desejar.
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Ao final, as palmas demonstraram educadamente a amornada receptividade da plateia! 
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Ficha Técnica:
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Direção musical e regência - André Dos Santos
Direção cênica - Caio Zaccariotto Ferreira e Roberto Rebaudengo
Direção de arte, cenografia e iluminação - Atelier Marko Brajovic e Roberto Rebaudengo
Figurino e visagismo -Teka Brajovic
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Elenco:
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Poranduba - Leonardo Neiva - barítono
Saracura - Roseane Soares - soprano
Kanassa - Eduardo Fujita - barítono
Iacy - Aline Lobão - mezzo-soprano
Ceucy - Gabriella Pace - soprano
Jurupari - Eric Herrero - tenor
A Mãe - Céline Imbert - mezzo-soprano
O Pai - Eduardo Amir- barítono
Coreografia e performance- Eduardo Fukushima
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Coral Infantojuvenil da Escola de Música de São Paulo - Regência Regina Kinjo
Coral Lírico Paulista -Regência Nibaldo Araneda
Orquestra do Theatro São Pedro
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quarta-feira, 9 de março de 2016

Sobre cartas & Desejos infinitos (Peça) – Resenhas 2015

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Peça que ficou em cartaz no espaço Armazém Cultural, aqui em São Paulo.
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Um inteligente texto de Ana Luiza Garcia dirigido por Kleber Montanheiro, livremente baseado no famoso best-seller juvenil: “As Vantagens de Ser Invisível” escrito por Stephen Chbosky.
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Na peça, o universo do jovem atual encontra-se ricamente representado em suas várias faces.
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Os encontros amorosos, as descobertas sexuais, a vontade de ser aceito, de integrar-se numa turma, de descobrir seu próprio espaço.
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A influência das passagens vividas na infância, a desenvoltura social de alguns, a agonia silenciosa de outros.
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Achei uma boa montagem que trabalhou bem com diversos tipos de recursos sonoros e visuais!
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O cenário também somou bastante ao conjunto e a significação das manchas coloridas nos corpos foi um caminho estético e significativo bastante interessante!
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O Clã (Filme) – Resenhas 2015

 
Filme baseado numa história real.
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Integrantes de uma família, aparentemente comum, realizam assassinatos na Argentina nos anos de 1980 e se tornam uma das gangues mais famosas desse país.
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Conhecidos como os Puccio, o grupo vive numa casa trivial, levando uma rotina absolutamente acima de qualquer suspeita.
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O patriarca Arquímedes, incrivelmente interpretado por Guillermo Francella, é o chefe da pequena organização e planeja suas ações com extrema frieza.
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A interpretação de Francella é tão fabulosa que, mesmo antes de qualquer coisa acontecer, dentro de seu silêncio e contenção, o ator consegue transmitir, apenas com o olhar, uma iminência de erro e perigo, nos avisando que alguma coisa ruim pode acontecer a qualquer momento.
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Além do personagem Arquímedes, seus dois filhos, Daniel e Alejandro, juntamente com Rodolfo Franco, Roberto Oscar Díaz e Guillermo Fernández Laborde, executam os assassinatos. O intuito da gangue é extorquir suas vítimas.
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Tudo vai transcorrendo conforme o planejado até que, como era de se esperar, numa das tentativas, algo sai errado!
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Achei uma obra muito bem dirigida e foi interessante notar a constante disparidade entre o dia-a-dia regrado e organizado da família, e as barbaridades cometidas por alguns de seus integrantes.
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Por vezes, sentia-se mesmo a sensação de que as duas realidades não se conectavam, o que causava uma espécie de estranhamento silencioso no ar. E foi interessante notar que este estranhamento nem sempre esteve demonstrado nos personagens. Em boa parte da primeira metade do filme, pelo que posso me lembrar, a rotina dos integrantes é totalmente normal, como se simplesmente nada de diferente estivesse acontecendo.
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Com o passar dos crimes, alguns descontroles começam a via à tona. Assim, discussões, revoltas, dramas, desesperos e outras consequências começam a aparecer, enfraquecendo a organização.
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O fim é chocante!
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Mais uma bela obra do cinema argentino!
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FICHA TÉCNICA:
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País: Argentina
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Ano: 2015
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Duração: 106 min
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Direção: Pablo Trapero
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Produção: Hugo Sigman, Pedro Almodóvar, Agustín Almodóvar
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Elenco:
Guillermo Francella - Arquímedes Puccio
Peter Lanzani - Alejandro Puccio
Lili Popovich - Epifanía Puccio
Gastón Cocchiarale - Maguila Puccio
Giselle Motta - Silvia Puccio
Franco Masini - Guillermo Puccio
Antonia Bengoechea - Adriana Puccio
Stefanía Koessl - Mónica
Fernando Miró - Anibal Gordon
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Idioma: Espanhol
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Fuente Ovejuna (Livro) – Resenhas 2015

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Umas das muitas centenas de peças teatrais compostas pelo dramaturgo espanhol Lope de Vega.
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Escrita em 1613, mas só publica da cinco anos depois, em 1618, Fuente Ovejuna é o caso de mais uma obra fictícia na qual a união faz a força.
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A estória de uma cidade que se une e vence o estado, superando a lei pela força de seus indivíduos indignados que não abrem mão de defender uma inverdade, mesmo sendo absurda.
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E eles assim a defendem pois, para o grupo, essa postura lhes pareceu a mais legítima expressão de um sentimento, a única maneira capaz de fazê-los transpassar o absurdo da crueldade desenfreada na qual viviam!
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E eles conseguem vencer!
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Uma cidade que mata enquanto cidade em legítima defesa!
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Achei um texto rápido, fluído, direto e simples mesmo se tratando de uma obra em verso escrito há mais de 400 anos atrás.
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Aliás, seu autor conseguiu grande destaque na Espanha daquela época justamente por levar o teatro ao povo de maneira acessível.
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A dramaturgia em seu formato primordial!
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Homem Irracional (Filme) – Resenhas 2015

A tempero inesgotável de Woody Allen.
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É interessante a fragilidade das palavras, a maleabilidade dos argumentos, o inebriamento causado pela rasa razão, a plasticidade podre da vã filosofia, as influências cambiáveis sob as quais os humanos podem ser colocados e deslocados ao sabor de algo que alguns creem ser absoluto e insuperável, a egolatria de pseudo-intelectuais, a banalidade de algumas certezas. Esse filme ri, principalmente, disso!
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FICHA TÉCNICA:
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Gênero: Drama
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Direção: Woody Allen
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Roteiro: Woody Allen
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Elenco: Allie Marshall, Ben Rosenfield, David Aaron Baker, David Pittu, Emma Stone, Ethan Phillips, J.P. Valenti, Jamie Blackley, Joaquin Phoenix, Julie Ann Dawson, Meredith Hagner, Nancy Ellen Shore, Pamela Figueiredo Wilcox, Parker Posey, Susan Pourfar
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Produção: Edward Walson, Letty Aronson, Stephen Tenenbaum
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Fotografia: Darius Khondji
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Montador: Alisa Lepselter
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A Travessia (Filme) – Resenhas 2015

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Conta a história real da trajetória artística de Philippe Petit que ficou famoso por fazer a travessia clandestina entre as torres gêmeas em 7 de agosto de 1974.
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Agradou-me muito o roteiro, a trilha sonora que conduzia com precisão os climas necessários para o prosseguimento da trama, a maneira como as cenas foram montadas, a leveza geral da narrativa, o caráter circense do filme.
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Mesmo os problemas enfrentados pelo protagonista ganharam uma leitura relativamente leve e despojada: clownesca.
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Ainda assim, a obra conseguiu ganhar densidade em determinadas situações, transmitindo bem a trajetória de superação.
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Esteve presente o peso do retrato de uma crença capaz de levar a pessoa a realizar feitos extraordinários e impensados. A perseverança de um homem, o ensaio, o cálculo e o planejamento que o levaram a desbravar as fronteiras do possível.
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Além disso, o ator Joseph Gordon-Levitt realmente personificou todo o clima do filme.
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Indiscutivelmente um ator escolhido a dedo para emprestar sua face a todo o universo aberto nesta obra.
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Um filme feito com muita maestria e maturidade!
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FICHA TÉCNICA:

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Gênero: Drama
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Direção: Robert Zemeckis
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Roteiro: Christopher Browne, Robert Zemeckis
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Elenco: Adam Bernett, Ben Kingsley, Ben Schwartz, Benedict Samuel, César Domboy, Charlotte Le Bon, Christina Kelly, Clément Sibony, Daniel Harroch, Inka Malovic, James Badge Dale, Jason Blicker, Jason Deline, Jean-Robert Bourdage, Joel Rinzler, Joseph Gordon-Levitt, Karl Graboshas, Karl Werleman, Kwasi Songui, Larry Day, Mark Camacho, Melantha Blackthorne, Mizinga Mwinga, Sergio Di Zio, Soleyman Pierini, Steve Valentine, Trevor Botkin, Yanik Ethier
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Produção: Jack Rapke, Robert Zemeckis, Steve Starkey, Tom Rothman
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sábado, 5 de março de 2016

O Pequeno Príncipe (Livro) – Resenhas 2015

Um livro que dispensa apresentações!
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Quero dizer apenas que frases dele me encontraram, me provocaram e me tocaram intrigantemente em diversas passagens de minha vida!
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E tomar contato com esta obra que já havia tomado contato comigo foi muito interessante!
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Chegar até aquilo que antes me chegou, procurar aquilo que já havia me procurado!
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Foi como simplesmente ir de encontro a um momento que sempre existiu e que apenas estava esperando a hora de ser vivido!
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Impressionou-me a quantidade de frases significativas contidas num trecho relativamente curto!
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Frases famosas encadeadas de maneira tão magnífica que parecem terem sido nascidas para estarem eternamente juntas!
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E que metáfora poderosa construída por Antoine de Saint-Exupéry!
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A importância da coletividade, da entrega, do apresso, da experimentação da vida, das viagens internas e externas, as múltiplas verdades relativas com as quais temos que lidar dentro e fora de nós!
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O sentimento que é capaz de transcender idades, espécies e planetas!
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O amor!
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Uma quase brincadeira literária que foi capaz de marcar para sempre a literatura mundial!
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Simples, profundo e atemporal!
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O livro infantil em sua forma perfeita!
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Anatomia da Melancolia (Dança) – Resenhas 2015



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Espetáculo solo da dançarina e coreografa
Nathalia Catharina baseado no livro de mesmo nome escrito por Robert Burton em 1621.
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Anatomia da Melancolia é fruto de uma pesquisa de mestrado que visa investigar o corpo como objeto capaz de expressar um mal-estar social e interno. Este mal-estar seria causado por uma espécie de solidão gerada pela perda das experiências coletivas.
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Um universo sonoro se abre logo no início do espetáculo por meio do áudio arrastado da música “What a wonderful world” cantada por Louis Armstrong. A bela letra dessa obra se contrasta com o ritmo lento e o tom grave da versão.
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A música parece não ter fim e o ambiente metalizado e frio vão nos colocando em contato com o contexto melancólico de uma personagem que aos poucos começa a se manifestar, apesar de já estar, desde o início, entre nós.
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Assim, por meio de uma coreografia de movimentos instáveis e agônicos, o corpo melancólico vai se mostrando em toda sua expressividade ao longo do espetáculo.
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Sobressalto e amedrontamento, ímpeto e instabilidade, vontade e inconclusão, a tentativa e a não-direção se misturam todo o tempo ao longo da performance.
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Fiquei impressionado com a capacidade de transmitir, sem palavras, apenas por meio de gestos, um sentimento tão profundo e complexo como é a melancolia. Nunca imaginei que este tipo de interioridade pudesse ser expressado, tão nitidamente, num espetáculo performático.
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Nunca imaginei que a melancolia tivesse um corpo!
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Entendo que a performance tem a capacidade de trazer à cena uma infinidade de nuances da alma e do mundo, mas a intensidade e a precisão com que isso foi trazido neste solo me impressionaram.
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FICHA TÉCNICA:
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Direção e performance: Nathalia Catharina
Concepção e pesquisa: Ivan Delmanto e Nathalia Catharina
Dramaturgia e orientação: Ivan Delmanto
Colaboração artística (etapa 1): Carolina Mendonça, Gabriela Tarcha e Maria Clara Ferrer.
Colaboração artística (etapa 2): Carolina Bianchi
Palestrantes Convidados: Christian Dunker e Luciana Chaui Berlinck
Cenografia: Anna Turra e Tatiana Tatit
Trilha sonora original: Dan Nakagawa
Iluminação: Fabricio Licursi
Figurino: Leandro Benites
Piano (áudio): Marcia Regina Monteiro Alves
Sonografia: Murilo Chevalier
Fotos: Daniel Athayde
Vídeo: Lucas Barreto
Apoio: ProAC; Universidade Anhembi Morumbi.

sexta-feira, 4 de março de 2016

Chatô, o rei do brasil (Filme) – Resenhas 2015


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Após décadas de gravações iniciadas e paralisadas, controvérsias, suspeitas de utilização ilícita do dinheiro, finalmente foi lançado o filme de Guilherme Fontes.
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Uma obra famosa pelo seu fracasso, antes mesmo de ter estreado!
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Baseado na biografia escrita por Fernando Morais, o filme conta a história do que talvez tenha sido o primeiro magnata das comunicações em terras tupiniquins.
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É um filme interessante, com sequências bem filmadas, cenários e figurinos bem construídos, além de toda a riqueza de acontecimentos da tresloucada vida de Assis Chateaubriand.
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Depois de assistir, fiquei me questionando se Chatô teria sido tão caipira e bronco como o filme mostra. Acho difícil acreditar nisso, afinal, sua sagacidade e visão a frente de seus negócios não deixam dúvidas quanto a sua inteligência e sua perspicácia administrativa na condução dos rumos da mídia brasileira na primeira metade do século XX.
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Mas, a inteligência pode se manifestar especificamente em alguns pontos, deixando outros a desejar.
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E não sei se foi influência do processo de produção, mas achei a obra um pouco mal-acabada, mal montada.
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Tive a impressão de que o roteiro não foi filmado por inteiro e algumas cenas ficaram inacabadas. Ao menos, o ritmo narrativo me pareceu oscilar em alguns trechos da obra, acelerando e desacelerando sem um motivo inteligível.
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Não tenho opinião fechada sobre isso e teria que assistir novamente para tirar uma conclusão mais fechadas, mas realmente fiquei com essa impressão.
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Uma obra interessante não só pela arte final, mas também pela marca histórica de talvez ter sido o filme brasileiro com maior tempo de produção.
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FICHA TÉCNICA:
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Gênero: Drama
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Direção: Guilherme Fontes
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Roteiro: Fernando Morais, Guilherme Fontes
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Elenco: Andréa Beltrão, Eliane Giardini, Gabriel Braga Nunes, Guilherme Fontes, José Lewgoy, Leandra Leal, Letícia Sabatella, Luis Antônio Pilar, Marco Ricca, Marcos Oliveira, Nathália França, Paulo Betti, Ricardo Blat, Walmor Chagas, Zezé Polessa
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Produção: Guilherme Fontes
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Fotografia: José Roberto Eliezer
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Montador: Felipe Lacerda
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Urinal, o musical (Peça) – Resenhas 2015

Urinal mostra uma proposta fictícia que se assemelha a realidade vivida pela cidade de São Paulo e por tantos outros lugares do Brasil no ano de 2015.
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A obra conta a estória de uma cidade, estado, país, ou coisa que o valha, onde uma longa crise hídrica fez com que os banheiros particulares se tornassem algo extremamente dispendioso.
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Sendo assim, todas as necessidades fisiológicas básicas passaram a ser feitas em banheiros públicos que estavam sob o controle de uma grande corporação a “Companhia da Boa Urina”.
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Como era de se esperar, nem todos podiam pagar pela utilização das dependências sanitárias e com isso, aqueles que tentavam burlar a lei, quando pegos, eram levados para uma espécie de colônia penal chamada Urinal.
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Trata-se de uma satiriza inteligente sobre aspectos da sociedade presentes em vários tempos da história, mas especialmente na São Paulo de 2015.
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Achei as músicas bastante vibrantes, bem elaboradas, bem arranjadas. Longas letras narrativas foram bem interpretadas pelos atores/cantores.
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O som estava bem equalizado e a equipe bem ensaiada tanto na parte da música quando na da interpretação.
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O espaço do Núcleo Experimental, mesmo sendo bastante apertado, foi amplamente utilizado para dar vida a este projeto.
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Entradas e saídas diversas davam uma boa mobilidade aos que estavam presentes no palco.
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Já a mini-orquestra ficou fixa no fundo, iluminada por uma luz discreta.
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Um caso romântico, no estilo “a dama e o vagabundo”, se desenrola permeando toda a trama.
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Um espetáculo irretocável! A grande arte colocada num espaço secundário da grande e árida São Paulo de 2015!
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FICHA TÉCNICA:.
Elenco:
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Adriana Alencar
Arthur Berges
Bia Bologna
Bruna Guerin
Caio Salay
Fabio Redkowicz
Gerson Steves
Jonathan Faria
Luciana Ramanzini
Marcella Piccin
Nábia Vilella
Pier Marchi
Roney Facchini
Thiago Carreira
Tony Germano
Zé Henrique de Paula
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Regente: Fernanda Maia
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Músicos:
Abner Paul e Rafael Lourenço (bateria)
Clara Bastos e Pedro Macedo (contrabaixo)
Flávio Rubens e Marco Rochael (clarineta, clarone, sax)
Rafa Miranda (piano)
Valdemar Santos Nevada e Evandro Bezerra (trombone)
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Tradução e direção: Zé Henrique de Paula
Direção Musical: Fernanda Maia
Versões em português: Fernanda Maia e Zé Henrique de Paula
Supervisão das versões: Claudio Botelho
Cenografia e figurinos: Zé Henrique de Paula
Iluminação: Fran Barros
Preparação de atores: Inês Aranha
Preparação vocal: Fernanda Maia
Coreografia: Gabriel Malo e Inês Aranha
Projeto sonoro: Raul Teixeira
Assistência de direção musical: Rafa Miranda
Assistência de cenografia: Bruno Anselmo
Assistência de figurinos: Cy Teixeira
Arte gráfica e vídeos: Herbert Bianchi
Coordenação de produção: Claudia Miranda
Produção executiva: Louise Bonassi
Assistência de produção: Mariana Mello
Fotos: Ronaldo Gutierrez
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Realização: Núcleo Experimental
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007 contra Spectre (Filme) - Resenhas 2015

 
Não acompanho sempre a franquia 007, mas, como Skyfall tinha sido uma bela obra, resolvi seguir adiante e ir ver o novo filme contra Spectre.
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Confesso que não achei o filme ruim.
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Li pessoas criticando e dizendo que esse havia sido abaixo do anterior, o que concordo, mas, nem por isso, deixou de ser um filme legal de se ver.
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Para mim, Skyfall foi mais impactante pela trilha sonora, por toda significação do agente retornando ao local de origem, pela morte de um personagem importante e pela beleza estética das cenas.
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Mas Spectre também teve sequências bastante fortes, muita ação, cenas lindas, investigações complexas passando por vários lugares do mundo, carros quebrados, explosões, muita tecnologia.
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Achei a figura física do vilão um pouco fraca e isso realmente me pareceu um ponto negativo do filme, mas nada que interferisse demais na minha avaliação.
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Gostei, mas não necessariamente veria tudo de novo!
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FICHA TÉCNICA:
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Gênero: Ação
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Direção: Sam Mendes
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Roteiro: John Logan, Neal Purvis, Robert Wade
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Elenco: Adriana Paz, Alessandro Cremona, Andrew Scott, Ben Whishaw, Brigitte Millar, Christoph Waltz, Daniel Craig, Dave Bautista, Detlef Bothe, Erick Hayden, Ian Bonar, Jesper Christensen, Léa Seydoux, Monica Bellucci, Naomie Harris, Peppe Lanzetta, Ralph Fiennes, Rory Kinnear, Stephanie Sigman, Tenoch Huerta
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Produção: Barbara Broccoli, Michael G. Wilson
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Fotografia: Hoyte Van Hoytema
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Montador: Lee Smith
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1915 (Peça) – Resenhas 2015

Espetáculo do Grupo de teatro ARCA.
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A equipe trabalhou junto com o CNA-Brasil (Conselho Nacional Armênio).
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A peça leva este título pois o fato rememorado por ela, o assassinato de 1 milhão e meio de Armênios, ocorreu justamente neste ano.
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Sendo assim, em 2015 completou-se o centenário deste que foi considerado o primeiro genocídio do século XX.
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A peça toda se passa com todos os atores sempre em cena, a maioria do tempo sentados, de frente para o público, sem trocar muitos olhares entre si.
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A força cênica se concentra bastante na palavra.
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Achei o grupo de atores muito bons, mas acredito que o conjunto poderia ter sido melhor dirigido.
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Entendi a proposta, mas o tema me pareceu forte o bastante para merecer mais ação, maiores gesticulações, ainda que se tratassem de homens e principalmente mulheres reprimidas.
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Na minha opinião, se se tratava de pôr no palco um grito artístico que visava denunciar esta enorme injustiça ocorrida no século passado e desconhecida por tantos de nós, acho que a opção de encenação não fez jus a intenção de seus idealizadores.
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Uma peça forte mas que se encerrou com a sensação de que ainda não havia começado direito!
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Lulu, Nua e Crua (Filme) – Resenhas 2015

Uma senhora francesa de meia idade resolve quebrar um pouco sua rotina de mãe de família e sai viajando por alguns dias sem dar satisfação aos seus familiares.
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Nesse caminho, ela encontra pessoas diferentes que a fazem repensar sobre ela mesma.
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Uma pequena redescoberta do mundo e do mundo dentro de si mesma.
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Um filme delicado sobre estas sutis experimentações de um personagem sem grandes assombros vívidos em sua existência.
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Silêncios, timidez, um leve toque de ousadia. A vontade de investigar o novo, se permitir desatar alguns nós, deitar em qualquer canto, se apaixonar.
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Opostos aparentes que coabitam o interior de Lulu ao longo das cenas.
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Uma delícia de filme, mas não figura entre as melhores versões desta espécie clássica de roteiro!
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FICHA TÉCNICA:
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Gênero: Comédia
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Direção: Sólveig Anspach
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Roteiro: Jean-Luc Gaget, Sólveig Anspach
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Elenco: Annick Tarot, Bertrand Ducher, Bouli Lanners, Claude Gensac, Corinne Masiero, Emerick Guezou, Etienne Davodeau, Karin Viard, Marie Payen, Nina Meurisse, Pascal Demolon, Philippe Rebbot, Solène Rigot, Thomas Blanchard, Vincent Londez
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Produção: Caroline Roussel, Jean Labadie
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Fotografia: Isabelle Razavet
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Montador: Xavier Sirven
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AINADAMAR (Ópera) – Resenhas 2015

 
Ópera contemporânea do compositor Osvaldo Golijov estreada em 2003.
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Conta a história de Federico García Lorca e sua amada Margarita Xirgu.
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Achei uma obra muito bonita! Tão bonita que todas as músicas pareciam ser um encerramento apoteótico.
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Tudo soava grandioso, passional, intenso, cheio de gritos e uma densidade constante.
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Diversas técnicas vocais foram usadas: tanto o lírico quanto o popular.
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A poética de Lorca também estava presente, sua luta pelo despertar da sociedade, seu amor por Margarida.
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Achei muito lindo!
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Uma história de amor, poesia, ópera e flamenco no melhor estilo espanhol!
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FICHA TÉCNICA:
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Compositor: Osvaldo Golijov
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Idioma: Língua castelhana
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Libretista: David Henry Hwang
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Prêmio: Grammy Award: Melhor Composição Clássica Contemporânea
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Orquestra Sinfônica Municipal de São Paulo
Coro Lírico Municipal de São Paulo
Rodolfo Fischer – Direção musical e regência
Eduardo Strausser – Regente assistente
Caetano Vilela – Concepção, encenação e iluminação
Nicolàs Boni – Cenografia
Olintho Malaquias – Figurinos
Marco Berriel – Coreografia
Wagner Antônio - Iluminador adjunto
Maristane Dresch – Estagiária de direção cênica
Pâmola Cidrack – Estagiária de iluminação
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Elenco:
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Margarita Xirgu
Marisú Pavón
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Federico García Lorca
Luigi Schifano
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Nuria
Camila Titinger
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Ruiz Alonso
Alfredo Tejada
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Niña 1
Carla Cottini
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Niña 2
Monique Corado
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José Tripaldi
Rodrigo Esteves
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Maestro
Rubens Medina
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Torero
Miguel Geraldi
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Lorca – Ator
Jarbas Homem de Mello
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Jurassic World (Filme) – Resenhas 2015

 
Uma das maiores bilheterias de todos os tempos do cinema mundial.
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E não há muito como errar fazendo uma obra como esta.
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Basta seguir algumas fórmulas aprimoradas ao longo das décadas da franquia em questão.
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Um roteiro recheado de ação, efeitos especiais de ponta, animais fictícios cada vez mais gigantescos, lutas entre os animais, correria, perseguição, grunhidos, algumas crianças servindo como arquétipos que facilitam a abertura do espectador, fabulosas tecnologias futurísticas, tudo junto e misturado.
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Ou seja, mais do mesmo universo característico do Spielberg.
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É isso!
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Um baita filme de ficção científica que fez jus ao histórico de sucessos da aclamada franquia criada no início dos anos 90.
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FICHA TÉCNICA:
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Gênero: Aventura
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Direção: Colin Trevorrow
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Roteiro: Colin Trevorrow, Derek Connolly
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Elenco: Andy Buckley, BD Wong, Brian Tee, Bryce Dallas Howard, Chloe Perrin, Chris Pratt, Divine Prince Ty Emmecca, Eddie J. Fernandez, Gary Weeks, Irrfan Khan, Jake Johnson, Judy Greer, Katie McGrath, Lauren Lapkus, Matthew Cardarople, Nick Robinson, Omar Sy, Ty Simpkins, Vincent D'Onofrio
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Produção: Frank Marshall, Patrick Crowley, Thomas Tull
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Fotografia: John Schwartzman
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Montador: Kevin Stitt
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