sexta-feira, 29 de abril de 2016

0 - Enfim, Balanço Geral de 2015

Queria dizer que, tendo em vista a quantidade de coisas que ando vendo e o pouco tempo que tenho para registrá-las aqui no blog, à partir de 2016 não vou mais me obrigar a escrever resenhas sobre tudo que tomo contato ao longo do ano. Escreverei aqui somente sobre aquilo que me marcar de alguma maneira.
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Além disso, o tempo me fez balancear melhor o valor a ser dado para este endereço virtual e para este tipo de postagem!
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Outra coisa, algumas datas colocadas ao lado de cada título estão meio aproximadas, mas, a maioria está certa! Adquiri o hábito de colocar o dia em que fui ver a peça, ou o filme, ou o dia em que acabei de ler o livro.
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Gostei de fazer as marcações de data pois dão um panorama de mais ou menos que fase do ano em que eu fiz tal coisa. Se foi no inverno, no verão, nas férias, no primeiro semestre ou no segundo; coisas do tipo.
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Alguns livros terminaram próximos ou por serem pequenos ou por eu estar lendo mais de um ao mesmo tempo.
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Enfim, 2015 foi um ano bom e ainda sinto saudades dele, mesmo já estando tão longe!
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Cinemas:
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1. Ida – 12/01
2. Dois dias, uma noite – 11/02
3. Cássia Éler – 27/02
4. Birdman – 05/03
5. A teoria de tudo – 08/03
6. O sal da terra – 01/04
7. As maravilhas – 23/04
8. Mad Max Estrada da Fúria – 26/05
9. Miss Julie – 02/06
10. Enquanto somos jovens – 26/06
11. O último poema do Rinoceronte – 07/07
12. Divertida Mente – 18/07
13. Jurassic World – 22/07
14. Uma nova amiga – 29/07
15. Jimmy`s Hall – 17/08
16. O último Cine Drive-In – 26/08
17. Que horas ela volta? – 31/08
18. Homem Irracional – 22/09
19. De cabeça erguida – 29/09
20. O Clube – 05/10
21. Lulu, nua e crua – 14/10
22. A Travessia – 16/10
23. Música, amigos e festa – 21/10
24. Ponte dos Espiões – 04/11
25. 007 – Spectre – 18/11
26. Chatô, o rei do Brasil – 04/12
27. O Clã – 11/12
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Livros:
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1. Pra seguir minha jornada - 12/01
2. Sonetos do Bocage – 13/01
3. Os protocolos dos sábios de Sião – 10/02
4. Em alguma parte alguma – 23/02
5. O homem dos 40 escudos – 08/03
6. Brasil, coração do mundo, pátria do Evangelho – 20/03
7. Em uma noite sem luar – 25/03
8. Ninguém escreve ao coronel – 26/03
9. O remorso de Baltazar Serapião – 24/04
10. A razão de Deus – 14/05
11. Sociedade Excitada, Filosofia da Sensação – 10/06
12. O pequeno príncipe – 11/06
13. Conversas entre escritores – 20/06
14. Religião dos Espíritos – 01/07
15. O livro da filosofia – 19/07
16. O inspetor geral – 27/07
17. A paixão segundo G.H – 28/07
18. A vida de Galileu – 29/07
19. Lírica de Camões – 01/09
20. Contos Completos da Virgínia Woolf  – 09/09
21. Moby Dick – 22/10
22. Fuente Ovejuna – 29/12
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Teatros:
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1. Ópera do Malandro – 08/02
2. Sobre cartas e desejos infinitos – 01/08
3. 1915 – 25/10
4. Urinal, o musical – 26/10
5. O Impostor Geral – 14/12
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Shows:
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1. Milton Nascimento (Festival Espetacular) – 31/01
2. Gonzaguinha, 70 anos (Vale do Anhangabaú) – 21/04
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Óperas:
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1. O amor dos três reis – 27/03
2. Um homem só – 25/04
3. Ainadamar – 25/04
4. Poranduba – 30/04
5. Eugene Onegin – 02/06
6. Thais – 02/08
7. Bodas no Monastério – 28/08
8. Manon Lescaut – 01/09
9. Lohengrin – 15/10
10. O Homem dos Crocodilos – 25/11
11. Édipo Rei – 25/11
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Dança:
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1. Anatomia da Melancolia
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1 - Thais (Ópera) – Resenhas 2015

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Thais foi simplesmente o espetáculo mais lindo que assisti no ano de 2015!
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Ópera magnificamente montada no Theatro Municipal de São Paulo entre o final de Julho e o começo de Agosto do ano passado.
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E que felicidade ter conseguido ir justamente na última récita, quando todo aquele colosso estava se despedindo do mais importante palco paulistano!
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A ópera narra a estória de Thais, uma sacerdotisa grega (se não estou enganado) que vive uma vida de gozo e espiritualidade, desfrutando dos prazeres do corpo em comunhão com as pulsações do espírito.
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Sua fama é tanta que um alto funcionário da Igreja Romana é encarregado de inseri-la no Catolicismo, alegando que toda aquela ritualística seguida por ela seria algo profano, não verdadeiro e que poderia levá-la a perdição.
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Thais aceita o convite e refaz sua vida, mudando sua morada para poder melhor seguir os preceitos ditos cristãos.
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Então, tem-se uma longa transformação nos dois personagens centrais que vão se encaminhando para o extraordinário canto da cena final!
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Thaís, deitada no alto do palco canta suas glórias cristãs, as tantas magníficas belezas que a esperavam, os céus que se abriam diante de seus olhos.
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Enquanto isso, o funcionário católico amargura sua humanidade, terrivelmente dilacerado de amores pela ex-sacerdotisa, vivendo o martírio do celibato que o impede de seguir seu coração.
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Ela flutuando em direção a Deus e ele amordaçado ao chão e ao amor irrealizado!
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Ele fora vítima de sua própria fé, enquanto Thais havia conseguido realizar seu processo de conversão, entregando-se sublimemente ao caminho pregado por Cristo.
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Ele, ao converter tamanha beleza espiritual feminina, criara para si seu Carma mais dolorido.
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Ao retirar dos domínios pagãos tamanha espiritualidade, Athanaël criara sua maldição mais doce, seu martírio mais humano, sua dor mais sublime.
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Athanaël fundara seu remorso mais angustiante, pois, seu amor pelo divino fora abalado justamente por aquela que ele convertera à sua doutrina religiosa, alegando ser esta algo superior.
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Uma conjunção de aspectos humanos e divinos entrelaçados numa teia de significados extremamente profundos que transcendem o acontecimento artístico que se desenrolou naquele espaço!
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E que voz tinha a soprano!
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Além dos elementos musicais, é necessário falar também dos aspectos estéticos que deram ainda mais beleza a esse lindo enredo.
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O cenário estava fenomenal, todo feito em branco, sendo que as luzes iam dando as mudanças de cor ao longo de toda encenação.
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Os figurinos estavam lindíssimos e os movimentos cênicos dos corpos davam a impressão de um longa e constante passagem de tempo. Os personagens entravam do fundo do palco e iam saindo vagarosamente em direção à direita do espectador ou àquilo que seria a esquerda dos que estavam no palco.
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Muito dos acontecimentos sutis da cena se deram por um lento e contínuo movimento de caminhada vagarosa e solene que se balanceava com tudo aquilo que estava acontecendo no centro da cena.
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E que poder tiveram aquelas grandes figuras andando constantemente por longos minutos ou até horas.
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Um arraste elegante de elementos e informações teatrais que pareciam querer extrapolar as margens do palco do Municipal, dando a impressão de que aqueles que por ali passavam continuariam sua jornada, andando eternamente além das paredes daquele Palácio, do Theatro, indo a algum lugar equidistante de todas as coisas que ali estavam acontecendo, riscando um horizonte longínquo que talvez pudesse indicar a saída de toda trama que ali estava sendo desenhada.
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A transcendência do espaço por um simples, lento, mas constante caminhar!
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As danças também estavam muito bonitas! O Balé da Cidade de São Paulo possui um conjunto de bailarinos de altíssima qualidade!
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Após toda essa beleza, fiquei ainda mais impressionado com todo aquele acontecimento artístico quando soube que apenas um homem fora o responsável por toda parte visual.
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E o gênio por trás de todo esse esplendor é o italiano Stefano Poda que assinou não só a Direção cênica, a Cenografia e os Figurinos como também o Desenho de luz e, para arrebatar, a própria Coreografia. Ou seja, este artista responde, excetuando a música, por toda a grande beleza que aconteceu naquele palco!
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Fiquei abismado!
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Essa montagem foi feita por Poda para ser encenada, primeiramente, no Teatro Regio de Turim, em sua pátria. Sua qualidade é tanta que ela foi eleita como uma das 20 melhores montagens em todo Mundo dos últimos 20 anos. Isso de acordo com a renomada BBC Music Magazine.
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Ou seja, é algo que se consegue ver apenas algumas poucas vezes na vida!
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O significado das esculturas, o sagrado e o profano, os deuses alados e os corpos nus, as figuras místicas de diferentes frentes religiosas que passaram pelo palco, tudo pertenceu àquele tipo de arte que nos leva às mais altas esferas!
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FICHA TÉCNICA:
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THAÏS - Jules Massenet



Orquestra Sinfônica Municipal de São Paulo
Coro Lírico Municipal de São Paulo
Balé da Cidade de São Paulo
Alain Guingal – Direção musical e Regência
Gabriel Rhein-Schirato – Regente assistente
Stefano Poda – Direção cênica, Cenografia, Figurinos, Desenho de luz e Coreografia
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ELENCO:
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Thaïs:
Ermonela Jaho
Sara Rossi Daldoss
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Athanaël:
Lado Ataneli
André Heyboer
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Nicias:
Jean–François Borras
Luc Robert
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Palémon:
Károly Szemerédy
Saulo Javan
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Crobyle - Carla Cottini
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Myrtale - Malena Dayen
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Albine - Ana Lucia Benedetti
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Charmeuse - Lina Mendes
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Um servo - Eduardo Trindade
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Stefano Poda

2 - De cabeça erguida (Filme) – Resenhas 2015

Um filme extremamente impactante com inúmeras cenas muito fortes que parecem nunca acabar. Passagens e mais passagens de embates entre forças diversas contra a força central de movimentação do filme: um jovem de periferia.
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A película narra a estória de um garoto com sérios problemas de adaptação às regras sociais e, numa rápida introdução, são mostradas cenas da infância do personagem, contextualizando um pouco o porquê de ele apresentar certos tipos de comportamento.
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Logo é dado um salto temporal para a fase da adolescência e, então, tem-se início um longo processo de tentativa de reeducação do protagonista.
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Como é impressionante a atuação geral dos atores, mas principalmente a do iniciante Rod Paradot no papel principal: Malony! Eu, particularmente, fiquei ainda mais abismado com sua qualidade dramática quando soube ser este seu primeiro trabalho como ator.
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Catherine Deneuve também estava muito bem como a imponente juíza Florence Baque da vara de menores que cuidava do caso de Malony. São bastante comoventes sua elegância e sua ponderação procurando uma postura justa que, por vezes, seguia uma linha mais severa, enquanto em outras procurava abrandar-se, acreditando na melhora do garoto.
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Também achei magnífica a capacidade que o roteiro e a direção tiveram de trazer uma veracidade extremada a tudo que se passou em tela. O processo narrado no filme pareceu-me bastante próximo do que seria, na vida real, um difícil tratamento de reeducação de menores infratores.
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Altos e baixos diversos, conversas complexas, o desgaste dos personagens que estavam em torno do garoto, o contraponto pouco saudável da mãe desequilibrada que criara o filho daquela maneira.
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O amor do menino pela figura materna presente nos momentos em que vinha à tona o lado mais singelo do protagonista, mostrando sua face mais infantil que ainda habitava dentro apesar de toda revolta e agressividade demonstradas.
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A carência que o tutor Yann (Benoît Magimel) procurava suprir no contato com o garoto, pois ele mesmo não havia tido um filho.
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A intensa discussão em que o garoto joga esse fato na sua cara e ele se revolta, pois estava desgastado e não conseguia reverter os quadros de agressividade que o protagonista apresentava apesar de ser esforço sincero para ajudá-lo.
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Enfim, um amplo universo de humanidades naturais que os franceses tanto são bons em levar para as telas dos cinemas.
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FICHA TÉCNICA:
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Gênero: Drama
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Direção: Emmanuelle Bercot
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Roteiro: Emmanuelle Bercot, Marcia Romano
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Elenco: Anne Suarez, Aurore Broutin, Benoit Magimel, Catherine Deneuve, Catherine Salée, Christophe Meynet, Diane Rouxel, Elisabeth Mazev, Enzo Trouillet, Lucie Parchemal, Ludovic Berthillot, Marie Piémontèse, Martin Loizillon, Michel Masiero, Rod Paradot, Sara Forestier
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Produção: Denis Pineau-Valencienne, François Kraus
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Fotografia: Guillaume Schiffman
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Montador: Julien Leloup
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quarta-feira, 27 de abril de 2016

3 - A Paixão segundo G.H. (Livro) – Resenhas 2015

A linda Clarice em mais uma de suas profundas viagens metafísico-obsessivas que tanto nos sugam para dentro dos múltiplos universos propostos por ela.
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Um buraco-negro literário que nos restitui a luz!
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Cintilâncias vocálicas que se sobrepõem, se alimentam, se sustentam, mas, ao mesmo tempo, não se sustentam, se perpetuam, se necessitam, se encaminham.
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Se tentam, se tateiam!
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Construções literárias que se apaziguam temporariamente e mais se multiplicam e se entrelaçam por entre os vãos silábicos de uma escrita universal.
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Processo intrínseco, pessoal, intransponível e inexplicável que, no fundo, nunca conforta para poder mais adiante querer adiantar-se e, assim, transpor o medíocre mundo das fisicalidades.
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Esse sim, te teria sido mortal, não fosse sua arte!
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Abismos de indagações, pensamentos que remoem os dendritos, axônios, a angustia e a busca de tudo que pôde caber em seu Lispector.
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É a liberdade, a mulher, o humano, a barata, o Rio de Janeiro, o apartamento solitário e sempre a mudança de alguma coisa que leva a uma hiperverborragia focada.
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Foi também a filosofia de classe social,
a patroa abastada, a mulher contemporânea de seu tempo.
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Clarice sempre foi contemporânea!
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Sua língua presa era mero aspecto superficial de fragilidade.
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Sua força verbal nunca a desviou de seu caminho.
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Pelo contrário...
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Tenho a impressão de que alguma coisa muito mais lá dentro do que suas palavras a segurou por toda sua vida.
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Parece-me, por vezes, que a escritora, voluntariamente, se manteve neste estado de angústia controlada e produtiva para que nela pudesse se consumir artisticamente ao longo de toda sua vida.
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Não creio que Clarice tenha sido um ser infeliz!
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Foi inquieta e filosófica, mas não vazia, não frustrada em sua arte.
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Ela soube de sua importância!
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Todo seu dedilhar mais profundo formou o eterno monólogo interno, alimento mais tenaz de sua alma.
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E foi assim que a suntuosa escritora fez da arte um diário de pulsações pensantes e sensíveis,
mergulhando constantemente numa próxima obra que não deixava de ser apenas a continuidade do mesmo e surpreendente conjunto vital de conclusões catárticas.
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A misteriosa bruxa, mais uma vez, foi tocante!
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4 - o remorso de baltazar serapião (livro) - Resenhas 2015

primeiro livro que li do moderno e aclamado escritor valter hugo mãe.
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escrita radical que mistura termos antigos, palavras novas, o culto e o popular juntos, as tramas densas e o ritmo narrativo que tanto já tinha ouvido falar bem.
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livro onde parecem estar misturados a pontuação de josé saramago com alguma linguagem que lembra as inovações de joão guimarães rosa.
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uma miscelânea de influências rearranjadas por valter!
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lembrou-me também um pouco a animalização humana feita pelos naturalistas, o que aproxima o livro também do emblemático vidas secas de graciliano ramos.
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trata-se de uma estória enraizada num universo bastante interiorano, um tanto afastado, dolorido, fechado, desconfiado.
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baltazar serapião é homem do mato que comete uma sucessão de atrocidades e essas barbáries vão desajustando sua vida, levando-o ao isolamento, gerando a peste, a praga, a dor dele e a de outros que o circundam.
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atrocidades que o levam ao remorso!
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livro rápido de se ler, que atrai o leitor, levando-nos sempre pela mão por meio de alguns trechos um pouco mais herméticos e outros mais abertos.
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gostei!
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lerei outros títulos desse mesmo autor!
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5 - Bodas no Monastério (Ópera) – Resenhas 2015

Um espetáculo delicioso, leve, cômico, cheio de trapalhadas e armações de alguns personagens.
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Tudo em nome do amor!
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Coisa do tipo: o pai que quer casar a filha com um rico, mas ela gosta do pobre.

E outras do tipo: uma mulher que quer justamente o rico que a protagonista não quer.
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Trata-se de uma ópera com essas e outras confusões que levemente e, apenas temporariamente, impedem o amor.
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Essa foi a primeira encenação desse espetáculo em solo brasileiro.
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Ela foi composta por Serguei Prokofiev com libreto de Mendelson-Prokofieva, estreando na Rússia em 1946.
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O homem com o charuto na boca na foto logo abaixo estava impagável no papel!
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FICHA TÉCNICA:
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De Serguei Prokofiev (1891-1953)
Libreto de M. Mendelson-Prokofieva
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Direção musical e regência André Dos Santos
Direção cênica Bruno Berger-Gorski
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ELENCO:
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A Duenna - Lidia Schäffer - contralto
Mendoza - Sávio Sperandio - baixo
Don Jerome - Giovanni Tristacci - tenor
Don Ferdinando - Johnny França - barítono
Louisa - Laura Duarte - soprano
Don Antonio - Anibal Mancini - tenor
Clara D’Almanza - Marly Montoni - mezzo-soprano
Don Carlos - Erick Souza - barítono
Padre Elustaf - Mar Oliveira - tenor
Padre Augustin - Eduardo Fujita - barítono
Padre Chartreuse e 2ª Máscara - Gustavo Lassen - baixo
Padre Benedictine e 3ª Máscara - Gustavo Müller- baixo
Lauretta - Rachel Alonso- soprano
Rosina - Débora Dibi - soprano
Lopez e 1ª Máscara - Daniel Umbelino - tenor
Pablo e 1º Noviço - Edilson Junior - tenor
Pedro e 2º Noviço - Dayvisson Santos - tenor
Miguel- Marcello Mesquita - barítono
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Companhia de Dança
Coral Lírico Paulista
Orquestra do Theatro São Pedro
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6 - Manon Lescaut (Ópera) – Resenhas 2015

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Lembro-me de uma ópera em que as coisas começam bem, mas que vão sendo totalmente destruídas ao longo da encenação, terminando num imenso deserto onde um casal se esvai vagarosamente, escoando vertiginosamente para o esquecimento, a desesperança, a perdição, a derrota e a morte.
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Mas antes, tem-se um início com belíssimas passagens de musicalidade exultante, vibrante, onde todos estão felizes, se encontrando, amando, muito sorrindo, vivendo, festejando coisas diversas num ambiente de confraternização e humanidade, de vida e vivacidade, de cortejo de damas e cantorias que exaltam belezas de coisas várias.
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Até que alguns acontecimentos vão, tristemente, corrompendo todo esse primeiro universo festivo e jovial.
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Os elementos se quebram, se desfazem, se erram, se denigrem, se subjugam, se mediocrizam desmazeladamente e, empobrecendo-se, perdem brilho, deixam de vibrar beleza, positivismo e ânimo.
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Desfalecem então, em tortuosos destinos, os antepassados vigores que vão sucumbindo, exaurindo as maravilhas presentes e extensamente sonorizadas num primeiro momento cênico mas que já, nesse ponto do acontecimento, longe se localizam, esquecidas pelos redemoinhos da vida fictícia deste enredo fruto de momento LITERÁRIO criador primeiro, e não OPERÍSTICO, pois, ao contrário do que seria natural de se imaginar, o primórdio da criação se fizera em objeto livro de escritor outrem e não no intensamente revisado libreto formulado para a grandiosa composição do mestre Giacomo Puccini.
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E tudo se encaminha para as dores, soterrados rumores, vistas nuveadas, lágrimas corrediças, descontrole de emoções e enfraquecimento de palpitações que lentamente se paralisam e, mesmo que em algum beijo alguma esperança possa ser transmitida, infelizmente, esta é sofrivelmente demasiadamente pouco suficiente, pois a boca encontra-se exaurida pela falta de um simples gole d`água.
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FICHA TÉCNICA:
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Manon Lescaut de Giacomo Puccini
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Orquestra Sinfônica Municipal de São Paulo
Coro Lírico Municipal de São Paulo
John Neschling – Direção musical e regência (29, 30/8, 1,  5, 8 e 10/9)
Cesare Lievi – Direção cênica
Michelangelo Mazza – Regente assistente (dias 3 e 6/9)
Juan Guillermo Nova – Cenografia
Marina Luxardo – Figurinos
Cesare Agoni – Desenho de luz
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ELENCO:
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Manon Lescaut
Maria José Siri (dias 29/8, 1, 5, 8 e 10/9)
Adriane Queiroz (dias 30/8, 3 e 6/9)
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Des Grieux
Marcello Giordani (dias 29/8, 1, 5, 8 e 10/9)
Martin Muehle (dias 30/8, 3 e 6/9)
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Lescaut - Paulo Szot
Edmondo - Valentino Buzza
Geronte - Saulo Javan
Um acendedor de lampiões - Walter Fawcett 
Professor de dança - Matheus Pompeu
Um músico - Malena Dayen
Um taberneiro - Leonardo Pace

7 - Lohengrin (Ópera) – Resenhas 2015

Ópera estreada em 1850 na Alemanha e que teve como diretor, nada mais, nada menos que Franz Liszt.
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Que época gloriosa para a música clássica essa em que Liszt regia uma obra composta por Richard Wagner. Dois gênios de primeira grandeza somando seus talentos em um único trabalho!
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Mas essa montagem do Municipal estava, ao menos esteticamente, bastante pesada.
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Lembro-me que o fundo do palco era todo coberto por peças de roupas em tecidos escuros, o que dava uma moldura grotesca para tudo que acontecia em cena. Estruturas duras, meio feias, sem poesia, querendo vender uma proposta que não me convenceu.
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Em determinado momento desceu um cubo com penas representando o que seria o famoso cisne presente nessa obra. O cubo também me pareceu bastante estranho, num arranjo estético um pouco mau acabado. As penas coladas no cubo estavam tortas, escassas, mal colocadas e pareciam mesmo que haviam sido coladas ali de qualquer jeito. 
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Um conjunto de elementos metafóricos de extremo mau gosto.
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Os figurinos até não estavam tão estranhos quanto o cenário, mas não conseguiram vencer o conjunto grotesco formado pelo que estava envolvendo toda a encenação.
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Cenário da montagem brasileira (2015)
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Em contraposição a todos os elementos visuais, a parte musical estava esplêndida!
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As óperas de Richard Wagner possuem uma grandiosidade e uma riqueza musical impressionantes! Tudo soa feito para impactar, engolir o ouvinte, catapultando o espectador para dentro do universo ficcional presente no palco.
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Acredito que nenhum tema seja simples, despretensioso, corriqueiro. Todas as ideias musicais foram levadas ao seu máximo. As orquestrações eram grandiosas, intrincadas, com resgates do tema em diversas partes e com roupagens variadas, enormes crescentes e climas sonoros que constantemente soavam envolventes e de difícil decifração de suas harmonias.  
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Contendo três atos, a estória se passa no início século X, numa região onde hoje se encontra a Bélgica. O herdeiro do trono, um rapaz menor de idade, desaparece misteriosamente e o Regente temporário acusa sua irmã de tê-lo assassinado. Nisso chega um cavaleiro que se dispõe a ajudar a princesa a provar sua inocência com a condição de que ela nunca pergunte sua identidade.
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No segundo ato, o Regente, já destronado, e sua esposa vagam sem rumo pelas terras, pois tiveram suas intenções golpistas reveladas, provavelmente, pelo cavaleiro misterioso. Pelo que me lembro, isso não é encenado, mas fica subentendido, como se, entre o Primeiro e o Segundo ato um período de tempo tivesse decorrido, sendo suas consequências reveladas indiretamente pelo rumo tomado pelos personagens. Também ainda nesse ato, a princesa e o cavaleiro se casam.
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No Terceiro Ato, outras ações se passam e a princesa é envenenada. Estando para morrer, ela quebra a promessa feita para seu marido e pergunta sua verdadeira identidade. Assim, quase nos momentos finais da ópera, com a revelação da identidade do protagonista, se dá o que provavelmente seja a passagem mais significativa do espetáculo.
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Foi notável o profissionalismo da encenação!
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Uma composição de primeira grandeza, cantores de enorme qualidade vocal e teatral, orquestra impecável. Um espetáculo que me deixou fortemente a impressão de ter sido feito por pessoas que grande gabarito! Ópera em terras brasileiras, mas que poderia entrar em qualquer casa de espetáculo do mundo que estaria muito bem colocada.
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Realmente só o cenário é que deixou bastante a desejar!
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FICHA TÉCNICA:
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Música e Libreto: Richard Wagner
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Orquestra Sinfônica Municipal de São Paulo
Coro Lírico Municipal de São Paulo
John Neschling – Direção musical e regência (dias 8, 11, 15, 17 e 20/10)
Eduardo Strausser – Regente assistente (dias 10, 13 e 18/10)
Henning Brockhaus – Direção cênica
Valentina Escobar – Assistência de Direção cênica e Coreografia
Yannis Kounellis – Cenógrafo
Patricia Toffolutti – Figurinista
Guido Levi – Desenho de luz
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ELENCO:
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Tomislav Muzek (dias 8, 11, 15, 17 e 20/10)
Viktor Antipenko (dias 10, 13 e 18/10)
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Elsa von Brabant
Marion Ammann (dias 8, 11, 15, 17 e 20/10)
Nathalie Bergeron (dias 10, 13 e 18/10)
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Friedrich von Telramund
Tómas Tómasson (dias 8, 11, 15 e 17/10)
Johmi Steinberg (dias 10, 13, 18 e 20/10)
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Ortrud
Marianne Cornetti (dias 8, 11, 15, 17 e 20/10)
Johanna Rusanen-Kartano (dias 10, 13 e 18/10)
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Heinrich der Vogler
Luiz–Ottavio Faria
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Heerrufer
Carlos Eduardo Marcos
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Die vier Edlen
Miguel Geraldi
Walter Fawcett
Sebastião Teixeira
Leonardo Pace
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Vier Edelknaben
Elaine Caserh
Elaine Moraes
Keila de Morais
Lídia Schäffer
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Cenário de uma montagem russa (1999)


terça-feira, 26 de abril de 2016

8 - Édipo Rei (Ópera) – Resenhas 2015

Ópera de Igor Stravinsky encenada no Theatro São Pedro.
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O conto original, vindo dos Gregos, é amplamente conhecido e utilizado como base para criações nas mais diferentes vertentes da expressão artística.
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Prova de sua profundidade e força inspiradora é que outros dois compositores já se dispuseram a tratar desse mesmo tema pelo formato Ópera: George Enescu e Wolfgang Rihm.
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Mas, foi pelas mãos de Igor Stravinsky, sob o título de “Édipo Rei: Uma Ópera-oratório" que o mito ganhou sua versão mais famosa.
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Feita de música com extrema dramaticidade e complexidade, esta obra, pelo que pude perceber, exige bastante dos instrumentistas por suas intrincadas harmonias e desenhos melódicos ricos que também instigam nós ouvintes a prestar mais atenção em toda beleza que paira no ar.
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É uma peça rápida, com pouco mais de 1 hora de duração e, pelo li, já foi encenada outras vezes no Brasil também em formato de Concerto.
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Como não poderia deixar de ser, o cenário era bastante moderno, contrastando, no entanto, com figurinos clássicos, a moda da Grécia Antiga.
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A língua usada na Ópera é o latim. Isso se deve ao fato de, Stravinsky, visando um projeto artístico ainda mais requintado pediu, após o libreto de Jean Cocteau estar pronto, que Jean Danielou o traduzisse para esta língua amplamente usada no Mundo Clássico.
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Ou seja, um pouco da sonoridade da composição caminha em paralelo com o ritmo linguístico de Missas e Cânticos antigos feitos por compositores do Barroco e do Classicismo que anteciparam Stravinsky em alguns séculos.
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Não é uma música extremamente bonita e tocante, mas é intrigante e profundamente respeitável!
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FICHA TÉCNICA:
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Édipo Rei de Igor Stravinsky
Libreto de Jean Cocteau
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Elenco:
Paulo Mandarino - tenor - O Édipo
Eliane Coelho - soprano - Jocasta
Homero Velho -barítono - Creonte
Gustavo Lassen - baixo - Tiresias
Hélenes Lopes - tenor - Le berger (o pastor)
André Rabello - barítono - Le messager (o mensageiro)
Arrigo Barnabé - Le speaker (o mensageiro)
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Direção musical e regência: Luiz Fernando Malheiro
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Regência (25/11 – dia em que estive lá): André Dos Santos
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Direção cênica e iluminação: Caetano Vilela
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Direção criativa e cenografia: Roni Hirsch
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Figurinista: Cássio Brasil
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Visagista: Eliseu Cabral
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Stravinsky


9 - O Homem dos Crocodilos (Ópera) – Resenhas 2015

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O próprio Arrigo Barnabé esteve em cena como o narrador geral do acontecimento artístico composto por ele mesmo.
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Nessa obra, feita nos anos de 1990, quando o autor passava por uma crise criativa, e estreada em 2001, Arrigo imaginou um enredo em que um homem sofre de “Pianofobia”, acreditando, dentro de sua paranoia, que seu instrumento poderia engoli-lo, como se fosse um “Piano Crocodilo”.
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A obra e, especialmente essa montagem, possuía partes declamadas, outras de sonoridade extremamente complexa, partes mais amenas, como foi o caso da Bossa Nova que se desenrolou no meio da apresentação.
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Houve também uma parte em que o acontecimento artístico saiu do palco e migrou para uma espécie de revista em quadrinhos que todos os ouvintes haviam recebido na entrada do teatro.
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Esse adendo foi extremamente interessante!
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O palco era uma sala de análise que se misturava com outros planos lúdicos, como se tudo estivesse no dentro-fora de uma alma. E foi nesse cenário meio-Clínica-meio-Subconsciente que o personagem principal procurou tratar desse seu medo em relação a seu Instrumento.
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Ao longo do desenrolar musical, personagens emblemáticos em sua vida circularam pelo espaço, como: sua mãe, seu pai e outras figuras nucleares na formação de sua personalidade, trazendo para a cena uma profunda metáfora daquilo que Arrigo Barnabé, provavelmente, acreditou que estava dentro dele, impedindo-o de continuar sua carreira criativa.
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Achei uma experiência bastante diferente e, apesar de não ser o meu tipo favorito de arte, vivenciar espetáculos com elementos inovadores e experimentais é sempre bom!
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FICHA TÉCNICA:
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O Homem dos Crocodilos de Arrigo Barnabé
Libreto de Alberto Muñoz
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Elenco:
Sandro Christopher - barítono -Hector
Denise de Freitas - mezzo-soprano - Celine
Keyla de Moraes - mezzo-soprano -Von Fernut, psicanalista
Thiago Pinheiro – tenor - Antonio da Ponte
Arrigo Barnabé - Narrador e 3º piano
Ana Amélia - Narradora
Carlos Careqa - Ator
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Orquestra Crocodila:
Luiz Amato, violino
Raiff Dantas, violoncelo
Montanha, clarinete
Fabio Gouveia, guitarra
Karin Fernandes, 2º piano
Heri Brandino, percussão
Rubens Oliveira, percussão
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Direção musical e regência: Paulo Braga,
Direção de imagem gráfica: Luis Gê
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sexta-feira, 22 de abril de 2016

Tema do Amanhã

A
música
é
mais
uma
linda
tentativa
de
ordenação
do
maravilhoso
caos
vibratório
da
criação
divina
!

10 - O Clube (Filme) – Resenha 2015



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Um grupo de sacerdotes, todos com passados sóbrios, são alojados numa casa afastada localizada numa pequena cidade na costa do Chile.
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O local isolado, o vento constante, as ruas paradas, a falta de movimentação de pessoas, as estradas sem calçamento. Tudo conta, tudo se faz presente.
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Um entorno que muito ajuda a dar o tempero específico desta obra!
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Mônica, a única mulher do grupo, é responsável por cuidar de todos e manter uma aparente ordem.
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Mas os sacerdotes têm suas vidas modificadas quando da chegada de um novo habitante.
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Após esse novato fixar morada, um homem aparece em frente ao retiro e começa a dizer em altos brados as barbáries praticadas por este velho novo habitante, dando detalhes da relação pedófila que existiu entre ambos.
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Segue-se então um tiro e uma posterior consequente investigação por parte de um membro da igreja que chega até o local com intenções difusas.
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Um filme que denuncia um pouco das obscuridades praticadas pelos sacerdotes católicos também no Chile.
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Um clima de exclusão, de vergonha. Os semblantes apagados dos personagens, uma falsa aquietação.
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Olhares arrependidos, esquecidos, bocas de poucas palavras, de muito silêncio e a impressão de que muito não é dito, de que muito não é vivificado.
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Paira no ar a noção de que diversos desejos estão sendo ali reprimidos, de que ideias estão sendo acobertadas, de que ações podem estar sendo realizadas na calada da noite, no arredio das quebradas.
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Um universo sorumbático colocado dentro de uns cômodos esquisitos de uma casa esquecida de um entorno vazio de uma cidade perdida em um país periférico.
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FICHA TÉCNICA:
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Gênero: Drama
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Direção: Pablo Larraín
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Roteiro: Daniel Villalobos, Guillermo Calderón, Pablo Larraín
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Elenco: Alejandro Goic, Alejandro Sieveking, Alfredo Castro, Antonia Zegers, Catalina Pulido, Diego Muñoz, Erto Pantoja, Francisco Reyes, Gonzalo Valenzuela, Jaime Vadell, José Soza, Marcelo Alonso, Paola Lattus, Roberto Farías
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Produção: Juan de Dios Larraín, Pablo Larraín
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Fotografia: Carlos Cabezas
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Montador: Sebastián Sepúlveda
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Jimmy`s Hall (Filme) – Resenhas 2015

O caso se passa na cidade de Leitrim, interior da Irlanda, no ano de 1932.
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Tudo começa quando o personagem interpretado por Barry Ward, Jimmy Gralton, resolve retornar a sua cidade de origem depois de estar 10 anos em Nova York por vontade própria.
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Jimmy foi para os Estados Unidos após sofrer perseguições dos líderes locais por ser comunista e defender o livre debate e circulação de ideias.
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Sua intenção, ao retornar a sua cidade de origem, é justamente levar uma vida comum, sem grandes problemas, resgatando a tranquilidade perdida em sua agitada vida na Big Apple.
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Qual não foi sua surpresa quando os jovens locais e seus velhos amigos, sabendo de seu retorno, se animam em modificar a vida do local, pedindo que Jimmy reabra seu antigo salão onde a população podia ter aulas gratuitas, bem como participar de festas animadas.
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E é assim que Jimmy, inesperadamente, se converte numa espécie de lendária liderança perdida que retornava após tantos anos.
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O protagonista vê seus planos de vida calma irem por água abaixo já que, novamente, as autoridades locais se colocam contra ele, inclusive Sheridan, o pároco do local, interpretado por Jim Norton.
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E é encima deste mote que caminha a obra.
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Achei interessante a maneira como foi montada a trama, os conflitos e a impossibilidade de resgate de um passado ideal que jamais voltaria. Afinal, como diz a boa e velha frase de Einstein: “a mente que se abre a uma nova ideia jamais volta ao seu tamanho original”!
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E foi assim que aconteceu!
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FICHA TÉCNICA:
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Data de lançamento: 6 de agosto de 2015  (1h:49min)
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Direção: Ken Loach
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Roteiro: Ken Loach, Paul Laverty
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Produtores: Rebecca O'Brien
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Gêneros: Drama, Histórico
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Nacionalidades:  Reino unido,  França,  Irlanda
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Elenco:
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Barry Ward como James Gralton
Simone Kirby como Oonagh
Aisling Franciosi como Marie
Andrew Scott como Father Seamus
Brian F. O'Byrne como O'Keefe
Denise Gough como Tess
Francis Magee como Mossy
Jim Norton como Father Sheridan
Karl Geary como Seán
Martin Lucey como Dezzie
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Uma nova amiga (Filme) – Resenhas 2015

Com a morte de sua melhor amiga, uma mulher descobre a face oculta do marido da falecida.
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E é a partir desse ponto que a trama explora a sexualidade em suas diferentes formas de expressão, os cruzamentos possíveis do desejo, a traição, a transgressão de barreiras colocadas pela sociedade, a experimentação do prazer.
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Os múltiplos que podem habitar tantos de nós, a vestimenta como forma de expressar o interior do ser-humano. Aquilo que se cala dentro de ada um e aquilo que se faz ouvir em horas escolhidas.
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Também as interações sociais que são capazes de fazer aflorar aspectos ocultos de nossas mentes, o masculino e o feminino como categorias permeáveis por tantas forças que, por vezes, se intercambiam de maneiras inimagináveis.
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Achei que os atores estão muito bem e, apesar do tema um tanto inusitado, a naturalidade das atuações e das situações dão um toque bastante tranquilo para toda a obra!
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FICHA TÉCNICA:
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Gênero: Drama
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Direção: François Ozon
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Roteiro: François Ozon
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Elenco: Alex Fondja, Anaïs Demoustier, Anita Gillier, Anna Monedière, Aurore Clément, Bruno Pérard, Claudine Chatel, Isild Le Besco, Jean-Claude Bolle-Reddat, Jonathan Louis, Mayline Dubois, Pierre Fabiani, Raphaël Personnaz, Romain Duris, Zita Hanrot
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Produção: Eric Altmayer, Nicolas Altmayer
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Fotografia: Pascal Marti
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Montador: Laure Gardette
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O último Cine Drive-In (Filme) – Resenhas 2015

Filme brasileiro gostoso de se ver e diferente do que se costuma apresentar nas obras feitas por aqui.
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Conta, como conta o título, o entorno humano do último cinema a céu aberto, localizado em Brasília, no Planalto Central.
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O personagem de Breno Nina se vê obrigado a voltar a sua cidade de origem, a capital federal, para que sua mãe possa realizar um tratamento de saúde.
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Nesse momento, ele reencontra com seu pai, interpretado por Othon Bastos, que insiste em manter aberto o tal "Último Cine-Drive In".
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E é desse encontro que surge toda a trama e os movimentos que levam a estória adiante.
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Os elementos humanos em choque e complementação, as dificuldades de manter o negócio aberto, a decadência de coisas que estão à margem da sociedade são exemplos de elementos presentes nessa película.
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Há também a tentativa de manter a tradição de uma família, enfim, a força e a fraqueza que a arte pode nos causar.
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É o cinema falando sobre ele mesmo numa obra honesta, direta e com ares de baixo orçamento.
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Um conto bem colocado e que culmina em belas cenas banhadas da sensação de se estar vendo a Sétima Arte com toques legítimos de sincera beleza!
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FICHA TÉCNICA:
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BRASIL, 2014
PRODUÇÃO:  Pavirada Filmes, Ligocki Entretenimento e Chroma Comunicação
ELENCO PRINCIPAL: Breno Nina, Othon Bastos, Rita Assemany, Chico Sant’anna, Fernanda Rocha, André Deca, Rosanna Viegas, Vinícius Ferreira
PARTICIPAÇÃO ESPECIAL: Mounir Maasri e Zécarlos Machado
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Roteiro: Iberê Carvalho e Zepedro Gollo
Direção: Iberê Carvalho
Produção Executiva: Carol Barboza
Direção de Produção: Pablo Peixoto
Direção de Fotografia: André Carvalheira
Direção de Arte: Maíra Carvalho
Som Direto: Marcos Manna
Supervisão de Som: Miriam Bidermam e Ricardo Reis (Effects Filmes)
Preparação de Elenco: Amanda Gabriel
Figurino: Juliana Ramos
Montagem: J. Procópio e Iberê Carvalho
Trilha Sonora: Sascha Kratzer, Zepedro Gollo e Bruno Berê
Finalização: O2 Filmes
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Vida de Galileu (Livro) – Resenhas 2015


Galileu Galilei
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Um texto clássico do mestre Bertolt Brecht.
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Uma história que precisava ser encenada, um espaço literário e dramatúrgico que necessitava ser preenchido, e o mestre, com muita pesquisa e coragem, realizou esta missão de maneira exemplar!
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Brecht aproveitou a emblemática figura de Galileu Galilei, o homem que afrontou a Igreja Católica em nome da ciência, para pincelar passagens importantes do decorrer de sua vida e, assim, levantar aspectos humanos que nos façam refletir sobre nossas próprias existências e sobre o que cada um de nós deve ou não enfrentar em suas caminhadas.
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Ideias atemporais que circundam a humanidade e que, mais uma vez, se encontram trabalhadas por mais um grande autor de teatro.
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Galileu jovem, Galileu adulto, Galileu velho.
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Constantemente Galileu e seu poderoso verbo!
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As palavras de Brecht vão delineando um personagem acima de todos os outros, uma alma de tanto espírito, sabedoria e poder argumentativo que nada, ao longo de suas passagens, o retira de si.
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Sabe sempre ele, dentro deste específico universo ficcional, responder com maestria aos desafios que vão sendo propostos no decorrer da trama e que historicamente coincidem com aquilo que o real Galileu transpassou em sua vida.
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Tem-se constantemente a sensação de se estar lendo um texto teatral de primeira grandeza, como assim o é.
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A inteligência das colocações, a ironia permeável que circunda os dizeres do protagonista, o estilo Brecht de dizer o Homem são de uma germanidade artística facilmente notável, claramente sensível, visivelmente latente.
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Um revelador novo posicionamento dramático, um teatro emblemático localizado entre os clássicos e os contemporâneos.
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É assim que vejo Brecht.
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Um sábio transformador teatral, uma pedra angular equidistante do que se fazia antes e do que se veio a fazer depois. E, não sei por que, mas, seu texto e sua figura bastante me intrigam.
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Em geral, não tenho tanta propriedade para falar sobre a História Teatral, mas, o que sinto, sinto assim!
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É também interessante notar que, mesmo transbordando inteligência, o texto jamais se torna hermético e sua fluidez é tremenda, sempre nos convidando a ir adiante por uma força respeitável e madura.
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Sem dúvida um texto importantíssimo na história do Teatro Moderno, frequentemente citado como uma das grandes obras da literatura mundial!
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Bertolt Brecht
 

quinta-feira, 21 de abril de 2016

Essencialmente Livre

Não acredito ser possível controlar profundamente uma alma senão negando-lhe a Educação ou oferecendo-lhe a Droga. Excluindo-se estas duas formas, as profundezas incalculáveis de todo e qualquer ser não se submetem, por longos períodos, aos diversos e obscuros elementos deturpadores do Espírito Humano.
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O Impostor Geral (Teatro) – Resenhas 2015

Um delicioso espetáculo que tive o privilégio de participar de sua montagem.
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Uma
corajosa companhia de teatro , o Núcleo Sem Querer de Tentativas Teatrais, formada por pessoas dispostas a compartilhar seus espaços e importâncias, o que é raro no meio artístico em geral, bem como, especificamente, no meio teatral.
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Foram diversos finais de semanas levando minhas criações, observando as criações dos envolvidos e ensaiando os vários atores que integrariam o corpo teatral deste espetáculo!
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E, no final, tudo se concretizou!
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Uma peça de bastante folego, de bastante energia, num cenário alternativo, com muita movimentação cênica, formação de coro, piadas inteligentes que atingiam desde as crianças até os adultos que foram nos prestigiar!
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Nuances cômicas, trapalhadas hilárias, denuncia social, a soberba das autoridades, o sofrimento do povo e, principalmente, ao final, na última grande cena, a arte como fator de transformação capaz de realizar o despertar daqueles que se deixaram envolver por ela.
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Além de tudo isso, presenciar suas criações sendo executadas no palco pelos seus companheiros de labuta é uma sensação maravilhosa!
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Vivenciar a realização final de trechos e ir relembrando a jornada desde o momento em que eles foram criados é muito gostoso!
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E fazer um longo processo de resgate da memória...
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Relembrar das horas em que se tinha apenas uma simples ideia vaga do que poderia ser composto e, por conseguinte, fazer isso se tornar uma melodia minimamente cantada para, enfim, poder passar para o posterior registro das palavras e das cifras no papel.
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Recordar dos recortes de gravações que necessitavam ser intensamente ouvidos para serem reunidos na memória e, só então, passar para as primeiras gravações inteiras, quando os passarinhos daqui de casa faziam questão de marcar presença no áudio.
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Reviver a expectativa de recepção dos que iriam realizar a criação, o primeiro impacto, a tentativa de vender a ideia, as críticas positivas e negativas, notar a entrega de seus iguais, a compra de uma proposta que nascera solitária e o amadurecimento da música nas memórias.
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E, enfim, seguir pelo aprimoramento das execuções, das afinações, das instrumentações e assim por diante, chegando até o momento do desague nos olhos e ouvidos da plateia, os tantos sorrisos e lágrimas gerados.
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É fenomenal presenciar tais emoções por um material que nascera, às vezes, na calada da noite ou na vaguidão de uma tarde ociosa e sentir a concretização da transpiração, a realização de uma missão.
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Isso tudo não tem preço!
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Foi muito bom participar desse processo, passar horas e horas, às vezes, até alguns dias seguidos imerso numa espécie de obsessão criativa que se iniciara em meados de Abril e que tanto se aprofundou no mês de Julho de 2015, quando terminei de compor tudo o que era necessário para a realização do espetáculo!
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Que viagem e que delícia prestigiar o resultado final de tudo isso!
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Uma montagem artística independente, feita sem grandes recursos, mas com muita coragem e vontade de realização!
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Uma peça gostosa e honesta no seu resultado!
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Sem dúvida, uma das coisas mais importantes que aconteceu comigo em 2015!
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FICHA TÉCNICA DO ESPETÁCULO:
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Direção Geral: Juliano Barone
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Direção Musical: Wagner Passos
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Direção de Elenco: Daniela Biancardi
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Orientação de Dramaturgia: Solange Dias
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Treinamento em Acrobacias: Angélica Salom
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Coreografia: Nathália Neme
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Cenário, Figurino, Iluminação e Maquiagem: Kleber Montanheiro
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Assistente de Cenário e Figurino: Victoria Moliterno
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Fotografia, Vídeo e Design: Victor Iemini
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Produção Geral: Débora David, Jessica Rodrigues
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Elenco: Alexandre Paes Leme, Felipe Pipo Belloni, Juliane Arguello, Marcus Veríssimo, Monique Fraraccio e Priscilla Dieminger
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Músicos: Ananda Yumi, Gabriel Ferrara e Pedro Augusto Monteiro
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Elenco De Apoio: Amanda Bargas, Carolina Batista, César Panuto, Juliana Stuchi, Mariana Mascarin e Marcelo Mascarin
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Realização: Núcleo Sem Querer de Tentativas Teatrais.
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O Inspetor Geral (Livro) – Resenhas 2015

Peça de teatro escrita por Nikolai Gogol e publicada em 1836 na Rússia pré-revolução.
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Conta a estória de uma aldeia, no interior desse país, que está para receber a visita do Inspetor do Governo Central.
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O problema é que os órgãos públicos, os hospitais, as escolas e outros locais da cidade não funcionam bem.
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Segue-se, então, uma série de cenas em que as autoridades procuram dar um jeito na confusão presente, a fim de não serem punidas pelo agente da capital.
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Neste meio todo, um desconhecido se faz passar pelo tal Inspetor Geral no intuito de ser mais bem tratado e conseguir regalias das autoridades locais.
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E, por sinal, seu feito tem bastante êxito!
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Uma passagem ainda extremamente atual, universal e atemporal como são também atemporais a malandragem, a corrupção, a mentira e a própria comédia humana, remédio melhor para os absurdos que constantemente nos assaltam e continuaram a nos incomodar pelos muitos séculos vindouros!
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Um texto delicioso, rápido, bem amarrado!
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Uma trama bem desenhada que nos chama a atenção pelo traçado dos diálogos, pelos emblemáticos personagens presentes na criação e pelos arranjos de cena conseguidos pelo autor!
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Gogol em toda sua maravilha!
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Também tenho que dizer que este texto foi extremamente importante para mim no ano de 2015, pois serviu de base para a peça de teatro “O Impostor Geral”.
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Neste trabalho, fui, mais uma vez, Diretor Musical, sendo este o mais longo processo de composição para teatro que já realizei até hoje.
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Foi com base nele que compus e/ou arranjei uma dezena de temas que ajudaram a embelezar o espetáculo realizado de Outubro a Dezembro de 2015 e que continua em cartaz atualmente até o dia 8 de Maio.
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Nicolai Gogol


O Último Poema do Rinoceronte (Filme) - Resenhas 2015

O escritor iraniano Sahel, interpretado por Behrouz Vossoughi, é preso na insurgência do radicalismo islâmico ocorrido no final da década de 70. Sua família é informada de que ele havia morrido, e assim, sua belíssima esposa Mina, interpretada por Monica Bellucci, acaba se casando com um motorista que a desejava deveras e que, provavelmente, tenha articulado a prisão de seu marido como forma de vingança.
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Após 30 anos de reclusão, o escritor volta de seu martírio e deseja se reaproximar de sua família que vive agora na Turquia. O grande problema é que todos acreditam que ele está morto e, portanto, sua reapresentação se torna ainda mais delicada.
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É interessante notar os costumes do povo do Oriente Médio: a presença de uma postura mais arcaica em alguns personagens lado-a-lado com a renovação presente nos jovens e que, também naquele pedaço do mundo, têm suas tentativas de quebra com o status estabelecido, suas sutis transgressões comportamentais.
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Também é interessante notar o claro retrocesso trazido pela Revolução Islâmica, como, por exemplo, a diminuição da liberdade feminina. Mulheres que antes se vestiam de maneira menos recatada, mais ocidentalizada, após anos de regime, tornaram-se figuras mais reprimidas, cabisbaixas, escondidas e, aparentemente, menos felizes.
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FICHA TÉCNICA:
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Data de lançamento 25 de junho de 2015 (1h 28min)
Direção: Bahman Ghobadi 
Elenco: Behrouz Vossoughi, Monica Bellucci, Yılmaz Erdoğan, entre outros.
Gênero: Drama
Nacionalidades:  Irã, Iraque, Turquia
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