terça-feira, 31 de maio de 2016

Professorado

Na doutrina de ensinar, não se diz o que se sente, mas se aprende a sentir o que precisa ser dito. Devemos ir além da imediata sinceridade. Devemos ir de encontro a maestria! E acredito que a persona do professor pode mesmo melhorar a pessoa por detrás deste papel!
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No frio de alguns anos atrás!

No frio, eu tenho um constante cigarro acesso dentro de mim, ainda que nem sempre o tenha entre os dedos.
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Sinto-me na constante gestão de um embrião de fogo que se me aquece por perpétuo moto em continuidade.

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É um arrastado acalorado que se incuba dentro de meu ânimo quieto, o recanto silente humano que se dormita em meus regaços aconchegantes.
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Sinto uma renovada chama que chama ao recolhimento de meus intentos, ao calar de minhas margens, uma queda profunda ao que resta de côncavo dentro de minhas entranhas.
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No frio, faço a gestação, sem gesto e sem movimento, de coisas tão minhas, de coisas tão deliciosamente interiores, soprando aqui no peito uma chama inalcançável e inócua que nestes momentos tanto mais me alimenta.
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Sinto a temperatura na pele e sorrio sem mexer os lábios, sem contrair os olhos, mantendo-me impávido sorridente, neste ambiente aquietado que a madrugada por muito me seduz.
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A janela eu não toco, mas também não me faço sensível  à necessidade de gestos que me lancem ao mundo exterior.
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Todos os gestos são antes imaginários que reais!
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Meus movimentos são apenas minúsculas pulsações que esboçam intenções de transformação que não se fazem necessárias.

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A palpitação acalorada de minhas interioridades quer antes que o ar ao meu redor não as sinta, mas as pressinta enquanto quase não feitura de mim.
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Pretendo intrigar a  atmosfera de minha casa não revelando que estou vivo. Sou uma teatralização da não vida, uma estátua de sal milenar, esperando, submersa em si. 
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Tudo é uma espécie de vergonha escolhida que, melindrosamente, escoa dentro de minhas formas como uma sombra sem nome, inteira em seu estado no agora do verbo.
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Tudo dentro de minha casa está em sua inércia primordial, como antes de todas as coisas.

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Estamos antes da explosão das mãos de Deus!
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Somos enormidades anônimas encaixadas para se aquecerem mutuamente e, assim, o absoluto silêncio é apenas quebrado pelos dedos que teimam em prosseguirem com a digitação, apesar de eu mesmo quase negá-la.
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Mas não nego!
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Vendados

São muitas as respostas absolutas para nosso nível de questionamento.
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Somos seres que desconhecemos tanto, temos tanto a ilusão de que sabemos, tanto procuramos significados onde reina o acaso e, ao mesmo tempo, tanto fechamos os olhos para os pontos em que verdades de vasta grandeza se nos mostram.
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Partindo do ponto em que estamos, múltiplos caminhos explicativos se proliferam em diversas direções, traçando profundas possibilidades de verdades ascendentes que nos iluminariam se tivéssemos a inquietude de procurá-las. 
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Mas quantas ignorâncias carregamos e desconhecemos!
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Quantos entendimentos falsos nos sustentam por anos a fio!
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São muitas as respostas absolutas que chegam até nosso nível de questionamento, mas nossos olhos são demasiadamente estreitos frente a tão vasta luz que nos rodeia.

Mosaico Macaco

Aqueles que são capazes de encontrar um porquê profundo para seus próprios sentimentos são privilegiados.
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Quantos de nós não somos capazes disso e passamos uma vida inteira de sofrimentos sem explicações que nos bastem?
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Quantos se calam por calar?
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Quantos se calam por cansaço, por resignação pura, sem motivos, mas também sem vontade?
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E aquele que encontra seus motivos profundos de vida, não estaria sendo enganado por si mesmo?
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Talvez o segredo esteja em fazer da vida seu próprio depositório constante de pequenos significados, de pequenos momentos e grandes amizades que, ao final, construirão o mosaico maior de uma história cuja beleza escapou das mãos e do entendimento pleno de seu artista criador.
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Novamente a Mente

A estrutura da mente se constrói do sentir ao pensar, da pulsão profunda à interpretação consciente, do não verbal ao verbal; e isto está mais do que dito pela neurofisiologia e pela psicanálise.
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Aquilo que pensamos, muitas vezes, é aquilo que lembramos de pensar ao sentirmos o que às vezes pouco entendemos.
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O controle do raciocínio está em renovar o que se sente, mas, para renovar o que se sente, por vezes, é necessário raciocínio.
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Eis aí um clássico nó de nós mesmos.
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E, ao fundo de tudo isso, está o cérebro como uma grande usina geradora do humano, inserido numa cosmologia maior do que ele mesmo.
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O excesso de mente é um caminho para a perdição dela mesma.
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Ela é inserida nas coisas e não dominante de todas as coisas internas possíveis.
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Infeliz daquele que se utiliza somente dela.
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Inominável Dúvida

Quantas coisas bonitas morrem no pensamento?
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Quantas gratidões minguam na alma, às vezes, não por covardia, mas por não haver como dizer?
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Quantas palavras se apagam da memória imediata por não poderem conviver com a dureza do dia-a-dia?
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Como quantas pessoas gostariam de dizer de seus sentimentos bonitos para outras, mas não encontram momentos para se expressar?
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Não que não sintam, nem que não tenham coragem, mas, simplesmente, os momentos da vida não nos permitem falar, pois devemos manter nossas durezas respeitáveis na convivência social e, assim, não nos permitimos ser mais humanos.
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Haveria um fluxo daquilo que não é dito, porém, sentido entre essas pessoas?
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Ou tudo que se é, está apenas no fisicalizável, no audível, no dizível, na colocação da voz?
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Eu acredito que existam trocas mais etéreas!
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No entanto, qual é a clareza dessa troca? Quantas pessoas dominam o reconhecimento dos pequenos sinais intercambiáveis entre as pessoas?
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O que não se diz, pode ser sentido? Acho que sim! Mas o quanto isto é claro?
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E o quanto do que pensamos estar trocando não é apenas uma ilusão de conclusão solitária que se pensa ser real?
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E, ainda além disso, penso, às vezes, se o que não nos dizemos pela palavra, mas por outros meios mais sutis, poderá, algum dia, saciar a alma que queria ter se declarado?
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Como se chama a sensação que resta quando pensamos ter transmitido um sentimento, mas não sabemos bem ao certo se a pessoa capitou o que deixamos subentendido?
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Inominável Dúvida!

Venha a nós! Vamos a vós!

Tudo o que você faz ou, simplesmente pensa, tem uma resultante exata; uma resposta do universo que pode demorar mas que, com certeza, um dia, chegará até você.
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No entanto, dependendo do momento, a própria conclusão sensível daquilo que se pensou pode vir imediatamente após o ato de pensar.
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Ou seja, quando estamos mais despertos, podemos sentir, logo após o pensamento, algum sentimento resultante daquilo que imaginamos.
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Há momentos em que estamos assim e
saber reconhece-los é essencial para nosso aprimoramento!
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É como se algo em nós estivesse em conexão com esferas mais sutis da energia e a troca se dá com mais intensidade, com mais precisão, com mais rapidez.
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E então tocamos de leve a face da Verdade!
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Nesses momentos, devemos nos ater, com cuidado e observância, aos caminhos apontados por estes fluxos sensíveis que se nos fazem maiores!
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Momentos como estes são ótimos para nos reinterpretarmos, recolocando-nos coisas que temos guardadas dentro de nossas almas.
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sexta-feira, 27 de maio de 2016

O Avesso do Avesso

 
Como é vergonhoso e dolorido, para mim, o processo de recuperar a fé após alguns dias desafiando-a, negando-a, blasfemando-a, maldizendo-a...

sábado, 14 de maio de 2016

Prefácio Musical Futuro

Sabe o que vai acontecer daqui a 100 anos?
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As pessoas continuaram a ouvir Beatles, Pink Floyd, Legião e também Milton Nascimento, na intensidade e momento oportuno de cada um.
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Assim também somos nós, hoje, com Bach, Mozart, Beethoven e além tempo.
Vivemos, sem saber, o que ainda chamarão de Época Clássica da Música Popular.
E, paralelo aos contemporâneos dos clássicos, estamos participando, sem saber, de um processo marcante eterno do que virá!
Que sorte a deles poder vivenciá-los em vida!
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E que sorte a nossa poder sentir, também em vida, o que vivificará, continuamente, o futuro da música vindoura do povo!
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A Feminina Voz do Cantor 
Milton Nascimento
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P.S: Por quanto tempo durará o link desse vídeo?!
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P.S: E por quanto tempo durará essa música?!

sexta-feira, 6 de maio de 2016

Dia-a-Diá-logo

 - Quanta sapiência existe na formação da genética das vozes, na prenunciação, delineação e posterior realização dos timbres que tanto nos encantam!
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- Mas seria a voz fruto do acaso talento ou do exercício cotidiano?
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- Acho que nenhum dos dois se faz somente em si! O engendramento é anterior a isso, e a complementação é cíclica!
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- Mas o que viria antes, o cantar bonito para se gostar de cantar ou o gostar de cantar para se cantar com beleza?
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- Acredito que seja algo duplo que se alimenta.
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- Ah sim, acho que faz sentido! Um conjunto de coisas sem tempo que se fazem fazer realidade.
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 - Com certeza! É a beleza do canto estimulando o gosto e o gosto fazendo brotar, mais e mais, a sublime beleza!
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Cotianesco!

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Ando reparando no meu cotidiano recente e acho que estou mais percebendo as sutilezas do caminho que não nos pertencem; as sutilezas do dentro e do que tanto nos escapa além das fronteiras do corpo.
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E são justamente nesses pontos que mais se faz a influência das inteligências superiores.
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Os pontos sutis que a tudo perpassam!
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Os entremeios que não percebemos de imediato!
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E como me impressiona o quão falho podem ser o humano e o acaso!
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