quarta-feira, 31 de agosto de 2016

POEMA PARA AGOSTO DE 2016

O Agosto infinito chegou ao fim
E todas as coisas respiram um misto de alívio e de dor
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Na memória
Ainda cicatriza o desenho dos dias
A lágrima pela criança que se foi
A lágrima pela explosão artística e esportiva
A lágrima pela decisão pessoal que ainda dói
As mãos trêmulas por aquilo que ainda vem
E a exaustão de sentir os pés pesados
Arrastando no gosto amargo do chão
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O Agosto infinito chegou ao fim...
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No ar
O semblante da glória e da vergonha
Se mesclam a um único e mesmo suor nacional
Vindo de emoções tão distintas
E de horas tão sublimes e tortuosas
Que me parece que pouca poeira restou assentada
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O chão está limpo
Mas o ar está carregado!
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Tudo agora é em latência
E se digladiam nos céus
A beleza e o horror
Traçando os limites de um novo país
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A nação dorme exausta
A nação não dorme mais
A nação não dormirá nunca mais
A nação é sem volta
E
A Pátria do Evangelho
Fez-se novamente o Coração do Mundo
Riscando mais um traço
No desenho vasto de sua humana missão
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Nossa nação que se abriu
Em lancinantes espetáculos
De dança, choro e grito
Ainda reverbera a proposta marginal
De uma promessa que nunca se realiza
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O Agosto infinito chegou ao fim...
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O Brasil não é mais o mesmo
O Brasil quebrou cascas de dentro para fora
E agora
O oceano vem banhar um novo litoral
Rasgado de rios que nascem num novo chão
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Mas...
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Não sei porquê
Ainda permanece a estranha sensação
De que não mudamos tanto assim
E de que ainda muita semeadura
Minguará antes de se tornar vida
Murchando sem poder encantar
O olhar que as espera
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Após um mês que valeu por tantos ciclos
Rasga-se uma página do calendário
Uma descartável convenção social
Que leva embora sulcada em si
Rasuras diversas de nunca se esquecer
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Mas ainda assim prefiro crer que
Neste momento de tamanho tropicalismo
Lançaremos nossos corpos renovados
Em direção a uma alvorada mais possível
Pulsões de um futuro que nascerá
Vindouro de qualquer canto
Onde almas foram tocadas
Onde almas foram despertadas
Pelos tantos diferentes campos humanos
Que fervilharam entre nós
Neste mês sem margens
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O Agosto infinito chegou ao fim...
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Será?!


Sincrônico II

No domingo, dia 25, estava eu sentado num bar quando parou um carro no semáforo e dentro dele estava o Agnaldo Rayol.
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Levei um susto, olhei fixamente e ele me acenou com a cabeça.
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Até aí tudo bem, já que encontrar pessoas famosas pela rua não é algo tão incomum assim.
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Mas, qual não foi minha surpresa quando, o cara da mesa do lado vira e diz que ele também se chama Agnaldo Rayol e que é primo do cantor que acabara de passar.
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Fiquei meio incrédulo, mas ele se defendeu dizendo vários nomes de familiares, qual seria seu grau do parentesco com o tenor e etc...
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Seria mais um exemplo de Sincronicidade?!
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Intrigante!
 
 

terça-feira, 30 de agosto de 2016

A la Voltaire...

Hoje, descendo a Augusta, acompanhei uma manifestação Pró-Dilma que caminhava em direção ao centro da cidade.
 
Vi policiais sendo filmados por manifestantes e se sentindo incomodados, vi manifestantes sendo filmados por policiais e se sentindo constrangidos.
 
A tensão mútua no campo onde tanta coisa pode vir à tona para, só assim, ser vista, analisada e resolvida!
 
No fundo, o mais interessante era o fato de todos estarem ali.
 
Acredito que, na política, ninguém precisa ser perfeito.
 
A política é o campo onde é mais permitido a ponderação passional.
 
O estritamente racional cabe mais a Filosofia.
 
Política é, em essência, o ser-humano tentando ser humano, sendo errado ou sendo correto.
 
Sempre foi assim e, por algum tempo, assim será!
 
O amadurecimento político de uma sociedade é penoso e longo.
 
O que não podemos é deixar de dizer, deixar de tentar, deixar de manifestar.
 
A política é o campo da tentativa, o campo do embate, não o campo da perfeição.
 
E acredito que será deste cenário que já vivemos, há alguns anos, que sairão nossos futuros homens de estado, homens de opinião formada, homens de construção e de paz!
 
"Posso não concordar com nenhuma das palavras que você disser, mas defenderei até a morte o direito de você dizê-las..."
 

sexta-feira, 26 de agosto de 2016

Carnavália mais possível...

 
 
Seria
o
Carnaval
uma
espécie
de
Hinduísmo
pós-moderno?!
 
 

sábado, 20 de agosto de 2016

Palavras pequenas... Sentidos inenarráveis!!!

É claro que não somos máquinas exatas geradoras de sentimentos e sensações, e é por isso mesmo que uma das coisas mais complexas para uma alma é sentir o sentido que supera o erro, a falha, a raiva, o desamor!
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A razão descortina, mas a correta sensação escancara!
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Não somos exatos no sentimento e muito menos na razão. O novo caminho capaz de invalidar o passado é algo inédito até que, quase sem querer, chegamos a experienciá-lo dentro de nossos corpos, de nossos espíritos.
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Quando uma nova sensação se faz vislumbrada, quando uma nova sensação se faz vibrada no corpo, sentida em sentido compreendido, eis o primeiro grande passo para a superação rumo a algo mais elevado.
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E isso é de uma complexidade tremenda, pois a venerada razão se explica muito mais facilmente que a profunda e modificadora sensação.

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Um dos pontos mais cruciais do mistério está em saber sentir o mistério na pequenina face dele que se entrega à revelação naquele átomo de segundo.
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Uma centelha de instante que cabe, somente a nós mesmos, sabermos aproveitá-lo!
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sábado, 13 de agosto de 2016

Sincrônico

Ontem, 12 de Agosto, ocorreu-me uma passagem muito interessante daquilo que Jung definiu como Sincronicidade...
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Estava eu na lavanderia de minha casa quando comecei a pensar em uma das alunas do colégio que dou aula, por conta da conversa que tive, há alguns meses, com a professora de matemática na qual elogiamos muito essa estudante.
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Quando saio da lavanderia e passo pela sala, qual não foi minha surpresa quando me deparei com uma atleta dos jogos olímpicos prestes a fazer um salto e que um de seus nomes era exatamente o mesmo desta aluna: CATHERINE.
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Um nome um tanto incomum, ao menos para nós brasileiros, mas que, mesmo assim, ali estava uma alcunha igual à da aluna que eu havia pensado fazia apenas alguns segundos.
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Nesse exato momento, lembrei-me do conceito defendido pelo psicanalista e senti que estava vivendo um exemplo desse intrigante fenômeno que tange nosso dia-a-dia de uma maneira tão sutil que, por vezes, ou não o percebemos, ou o confundimos com a simples coincidência errática!
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Acredito ter experienciado um exemplo de sincronia legítima!
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quinta-feira, 4 de agosto de 2016

Ouvindo, ocorreu-me isto!

Quantas passagens ditas mágicas e sobrenaturais dos relatos religiosos não são apenas metáforas humanizadas, assim relatadas, para poderem melhor equivaler à grandiosidade do trabalho espiritual que nelas resultou e que, talvez, somente de maneira mitológica, poderiam ser melhor representadas enquanto momento de sublime beleza da história da humanidade?!
 
 
  P.s: E talvez isso fosse, simplesmente, o que era necessário em um tempo passado!!!