segunda-feira, 26 de setembro de 2016

Post 1616

Às vezes fico impressionado por acreditar sentir que a mente é mais profunda que o dito subconsciente ou o inconsciente, mais moldável por influências externas do que aquilo que prega a psicanálise, a psicologia ou outras formas de ciência do ramo.
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É como se caminhássemos por possibilidades que não abrimos por nós mesmos, possibilidades múltiplas que não detemos, nem mesmo parcialmente. Participamos como protagonistas de um roteiro que não escrevemos como elaboradores principais.
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É impressionante as mudanças que uma boa oração é capaz de efetuar nos nossos pensamentos. Por vezes, em apenas um breve sono, acordamos totalmente diferentes, como se uma estrutura basal tivesse sido modificada e, junto com ela, nossas conclusões maduras, certezas absolutas e pensamentos correntes.
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Acredito que exista, sim, algum ponto mais profundo que transcende aquilo que está dentro de nós, mas que, nós não o tocamos de forma direta, nem mesmo por meio dos métodos auto-expressivos desenvolvidos por alguns gênios do fim do século XIX e início do século XX.
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Talvez sejamos, no fundo, apenas animais pseudo-racionais semi-domados, e assim seguimos, mais ou menos, os horizontes que os estados superiores se nos determinam sutilmente.
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Algumas teorias não me bastam, mas acho que sou um quase Junguiano!

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terça-feira, 13 de setembro de 2016

Transcendente Saudade!

Quantas
e
quantas
belíssimas
almas
existiram
por
sem
ter
nenhum
memorial
que
as
vangloriassem
além
das
mentes
e
dos
corações
daqueles
que
as
sucederam?!
 
 
Pois
será
assim
que
ainda
melhor
sucederemos!

domingo, 4 de setembro de 2016

um poema para expurgar

a iminência do apocalipse
sensações de escuridão
o fim do mundo mora dentro de mim
e pulsa silenciosamente
encharcando de medo
todos os entremeios de qualquer dia frio
de qualquer dia em que fico sozinho
esgueirando-se como um nada
por todas as voltas que dou em casa
para todas as coisas que olho
em tudo o que penso
dentro e fora de mim
na hiper-intensidade da solidão
e mesmo quando não penso em nada
ele está anterior ao pensamento
está lá como um irracional silencioso
uma qualquer coisa sem sentido
requerendo que eu
constantemente
me lembre dele
e relembre a mim mesmo
que nada deste medo é verdade
que nada disso vai acontecer
que tudo deve continuar assim
os carros nas ruas
os homens na vida
as montanhas na minha terra
minha casa e minha família
meus poemas tão guardados
minhas músicas de cantos
meu piano que transborda
meus livros carregados
meus cadernos antigos
meus amigos de sempre
e tudo perseverará
mais ou menos
nos mesmos lugares
e por isso
como é desgastante
ter que sempre recordar o lógico
e sempre mais uma vez
e ainda de novo e de novo
pois
ao mínimo descuido
secretamente
dentro de mim
a sensação do fim das coisas
retornará sempre discreta
mas constante e imperativa
imperativa em sua forma silente
mas reticente como o tempo
reticente como um mantra
reticente como uma lembrança
reticente como os oceanos
um moto-contínuo anti-cotidiano
esmagando o correr da vida
aquela lembrança sem perdão
aquele buraco que não se completa
aquele lugar envolto de coisas
que te impedem de chegar até ela
um quase trauma secular
que faz tudo se escurecer
tudo ficar envolto pela ameaça
a velha ameaça de que tudo pode acabar
a qualquer momento
sem explicação
sem controle
em qualquer lugar
sem justificativa
ainda que seja feitiço-refeito
um poema para expurgar