domingo, 18 de março de 2007
sexta-feira, 16 de março de 2007
Dossiê MTV (vale a pena ler)
Essas são as considerações finais de uma pesquisa que a MTV fez em 2005. Há outras duas versões de 1999 e 2000, e essas considerações que estão aqui embaixo fazem uma comparação de alguns pontos pra mostrar tendências. É impressionante como muitas coisas batem e fazem muito sentido de serem como estão sendo. Estou publicando isso aqui porque achei interessante e seria legal que nós conhecêssemos como anda nosso mundo jovem. Adoro esses levantamentos de tendências. É um exercício que mistura matemática com sensibilidade, e olha que isso é possível. akakakaka Bem vindos a um pedaço do Dossiê MTV 2005. Que fique claro que eu não estou usando ele para fins comerciais. Isso pode dar cadeia.,., akakaka. Leiam, é grande, mas é muito foda...
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Em 1999, apontamos o encontro de duas ondas de gerações (pais & filhos) que estavam numericamente “crescidas” e iniciavam uma “competição” por aparência jovem, por mercado de trabalho, por guarda-roupas parecidos.
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Essa tendência acentuou-se fortemente e as duas gerações ficaram ainda mais próximas. Temos fatos novos e importantes: a questão da idealização da juventude, a mudança de identidade do mundo adulto, os movimentos nostálgicos em relação à infância e, na relação familiar, a transformação dos pais em amigos.
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A juventude virou valor máximo, obsessivamente preservado por quem naturalmente a tem e arduamente perseguido por quem está biologicamente distanciando-se dela.
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E o movimento que acentuou esse encontro vem das duas direções. Tanto adultos como adolescentes praticam comportamentos que não são considerados típicos do “seu” momento
de vida: “quarentões, cinqüentões…” vão a shows e baladas, ficam, planejam seus primeiros filhos, enquanto jovens fazem cirurgia plástica e têm experiências sexuais cada vez mais cedo.
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Paralelamente, os reflexos de extrema valorização da juventude mesclam e antecipam as clássicas “passagens” do crescimento:
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- Crianças em torno de 10 anos começam a comemorar aniversários em salões de beleza.
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- Meninas de 17 anos comentam: “eu tive mais infância que as crianças de hoje” ou “já me
sinto velha para as baladas”.
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A identidade do mundo adulto está mudando, está perdendo contornos diante dos olhos de jovens que vêem pais e mães, estressados pelo trabalho, serem mais felizes quando se comportam como jovens.
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É difícil desejar crescer quando o crescimento significa apenas enfrentar barreiras, porque prevalece a sensação de que a parte boa do mundo adulto, os jovens já conquistaram: liberdade, vida sexual, os de maior poder aquisitivo estão protegidos pela família etc.
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Os pais estão tão mais próximos, tão pertencentes ao universo jovem, que passaram a conduzir a relação com os filhos pela dimensão da amizade.
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As relações familiares que já não apontavam conflitos em 1999, caminharam na intensificação desse estreitamento da relação, e agora pais chegam a partilhar confidências sobre sexo, drogas, freqüentam as mesmas festas, ou dividem os mesmos amigos.
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E os papéis de pai e mãe são, muitas vezes, desprezados, em favor da figura do amigo jovem que contracena exatamente no mesmo palco.
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Os filhos já evidenciam certo desconforto com a ausência da porção pai e o excesso do lado amigo.
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Do indivíduo valorizado, da individualidade respeitada, evoluiu-se para o individualismo, que já estava presente em 1999 e que hoje está significativamente mais expressivo.
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Ele foi crescendo no ambiente doméstico, com a consolidação dos espaços privados dentro de casa e com o desencontro de horários e interesses entre familiares ocupados com suas próprias vidas.
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A tecnologia, claro, é também a grande contribuinte dos mundos cada vez mais particulares. A TV, o rádio, os equipamentos de som, o telefone, evoluíram do uso compartilhado para o individual, mas, como lembra Denise Schittine em seu livro “Blog: comunicação e escrita íntima na internet”, o computador já foi concebido para uso individual.
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A internet de alta velocidade aumentou a oferta de serviços de entretenimento voltados para o indivíduo.
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O individualismo manifestou-se também nos relacionamentos afetivos, onde o jovem procura proteger seu espaço como indivíduo: melhor ficar que namorar. E o próprio ficar já está derivando seu sentido para algo ainda mais superficial, onde sentimentos, ainda que momentâneos, já chegam a estar totalmente ausentes. As relações com algum tipo de responsabilidade emocional ou compromisso - ainda que reduzido - são postergadas.
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É o individualismo, alimentado em casa, preservado nas relações pessoais, manifesto na moda cada vez mais customizada, cada vez mais superposta por uma infinidade de leituras.
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O mundo da rua não é, decididamente, foco de interesse do jovem. O índice de entrevistados que participam ou participaram de algum tipo de movimento social caiu expressivamente em relação a 1999.
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A sucessão de fatos novos e mudanças está causando um fenômeno incontestável: a sensação de que o futuro se torna presente, na mesma velocidade - absurda - com que o presente se torna passado.
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As ferramentas e possibilidades trazidas pela tecnologia, assim como o consentimento familiar e social para novos comportamentos em relação ao outro e a si mesmo, trouxeram novas formas de viver, de comunicar-se e um novo tempo para vivê-las.
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O “right now” do mundo jovem globalizado é o mesmo imediatismo que circunda e caracteriza o comportamento do jovem brasileiro, que se reconhece como geração impaciente, com pressa.
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A comunicação intensificou-se, ganhou nova roupagem. A internet, que em 1999 era ainda uma promessa de alterações no comportamento, realmente mudou muita coisa. Já é acessada pela maioria da amostra, e tornou cotidiana a comunicação através da rede.
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A internet superou os questionamentos sobre ser responsável pelo isolamento dos jovens, passando a ser um dos seus meios de comunicação preferidos e passando também a intensificar essa comunicação.
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A internet conectou diferenças, possibilitou aproximações improváveis, criou alternativas de comunicação mais seguras e mais rápidas. Abrigou novos códigos de linguagem. Os celulares já são absolutamente expressivos e também criaram um novo universo de comunicação em torno deles.
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As mulheres passaram a usufruir de comportamentos que antes eram exclusividade dos homens, abrindo assim mais espaço para a experimentação.
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No campo da sexualidade, enquanto alguns já lamentam os excessos, outros ponderam que o processo de experimentação é natural e vital para a felicidade em escolhas mais definitivas, outros simplesmente comemoram a possibilidade real e consolidada de viver intensamente a liberdade de experiências sem compromisso.
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É tempo de experimentações maximizadas para a sexualidade sem fronteiras de sexo, sem juízos de valor, sem culpas.
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Assim como é tempo, também, de ficar e sonhar com o namoro, ou declarar que, no fundo, é um pouco chato quando tudo sempre resulta em nada.
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A vaidade, que já vinha correndo em paralelo crescente com a tendência de valorização da juventude, atinge hoje uma expressividade muito maior.
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E, aqui, se as mulheres mantêm-se fortemente engajadas em moldar e conquistar o ideal de beleza, malhando em academias ou fazendo lipoaspirações, mantendo a pele imaculada ou tatuando-se etc., o fato realmente novo é o comportamento dos homens que, definitivamente, nunca mais serão os mesmos.
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A vaidade masculina assumida e valorizada está trazendo não apenas novos comportamentos, mas novos valores.
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Além de homens que fazem limpeza de pele, tingem os cabelos, cuidam das unhas, temos a iminência do espaço para um homem de perfil mais sensível, mais cuidado.
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A vida privada virou pública, é partilhada na rede, chegou à TV, às revistas; a mídia tornou desconhecidos, ilustres, assim como fez de ilustres, desconhecidos.
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Celebridades muitas vezes se perdem rapidamente, porque o conceito de celebridade se perdeu. As celebridades de essência estão ficando mais distantes. As referências são outras.
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As drogas estão mais próximas.
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Configuraram-se como um universo complexo, que, justamente pela proximidade, não permite mais um raciocínio simplista ou unilateral para sua avaliação e julgamento.
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É mais fácil reconhecer as drogas por seu poder de status ou moda, do que mapeá-las por similaridade nos efeitos colaterais.
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De 1999 para cá ocorreram mudanças fundamentais no universo jovem.
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Temos o retrato de uma geração que está em obras, vivendo em um momento no qual o mundo está em obras.
quinta-feira, 8 de março de 2007
A "conclusão" mais loka de hoje e etc
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Uma música das boas sobre vocês e para vocês, cantada por Elis.
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Parabéns!!!!!!!!
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Essa Mulher (Elis Regina)
Composição: Joyce/A.Terra
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De manhã cedo essa senhora se conforma
Bota a mesa, tira o pó, Lava a roupa, seca os olhos
Ah, como essa santa não se esquece
De pedir pelas mulheresPelos filhos, pelo pão
Depois sorri, meio sem graça
E abraça aquele homem, aquele mundo
Que a faz assim, feliz!!!
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De tardezinha essas menina se namora
Se enfeita se decora, Sabe tudo, não faz mal
Ah, como essa coisa é tão bonita
Ser cantora, ser artista
Isso tudo é muito bom
E chora tanto de prazer e de agonia
De algum dia qualquer dia
Entender de ser feliz!!!
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De madrugada essa mulher faz tanto estrago
Tira a roupa, faz a cama, Vira a mesa, seca o bar
Ah, como essa louca se esquece
Quanto os homens enlouquece
Nessa boca, nesse chão
Depois parece que acha graça
E agradece ao destino aquilo tudo
Que a faz tão infeliz!!!
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Essa menina, essa mulher, essa senhora
Em que esbarro toda hora
No espelho casual
É feita de sombra e tanta luz
De tanta lama e tanta cruz
Que acha tudo natural...
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segunda-feira, 5 de março de 2007
Poema MCCCLXIV
Se me envolves com teus encantos
Sinto-me perdido em tamanho frescor de adultério.
Se me ofereces a face
Te desejo um tapa de carícia individual,
Pois é dando que se recebe
E é perdoando que se é perdoado.
És culpada por ser facilmente amável,
Mas te perdôo do fundo do meu coração,
Por isso testo tua tolerância
Te causando ânsia em me detestar
Quando só te resta querer.
Faço isso pelo teu bem.
Cativo teu ódio na prisão da dependência
Para que eleves teu espírito
No perdão compulsivo.
Sou teu santo e martírio.
Teu purgatório enfim.
Local de preparação,
Uma chance derradeira,
Sou teu companheiro terreno
Uma cruz cicatrizante,
Mentecapta de equilíbrio.
Deves o bem e o mal a mim,
Deves amor, romance exclusivo
Enquanto deleito-me de multidões.
Repito que faço isso pelo teu bem.
Irás para o paraíso,
Já eu,
Dormirei nos braços do fogo.
Dou minha vida,
Pelo teu eterno bem viver.
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sábado, 3 de março de 2007
dI-gestão-Id (i de identificação)
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digressão,
regressão,
regresso,
resgate,
progresso,
processo,
combate,
embate,
me bate,
restinga,
restolhos,
piolhos,
fiapos,
farrapos,
trapos,
calados,
colantes,
colágeno,
gentio,
gentil,
gentileza,
beleza,
bondade,
bonança,
aliança,
aliado,
vidrado,
viagem,
vantagem,
vida,
ida,
id,
I (eu).
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dI-gest(aç)ão
quarta-feira, 28 de fevereiro de 2007
Segunda leitura
Queria novamente achar uma frase que me resumisse.
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Queria encontrar no mundo uma imagem que me encerrasse num zero conclusivo e deliciosamente repetitivo.
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Sem sobrar nem faltar nada.
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Claro que não seria possível um elemento que representasse todos os meu eus. Pelo menos disso estou ciente. Digo apenas que eu queria encontrar uma imagem que fixasse a sensação ou que gerasse uma completa empatia momentânea em mim. Um achado de encaixe que calasse os desânimos a partir do momento que fosse postado em postas.
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Há uma contração entre minhas sobrancelhas, uma inconclusão que pesa nos meus olhos e me impede de os abrir. Sei da impressão negativa que assim passo, mas é desta maneira que passo aquilo que passo por passar o que passo, passo a passo, ou seja, Wagner Passos. Não tem outra conclusão. Eu Passos por caminhar sem foco.
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Gostaria de evitar as frases longas, mas não me permitem, sou apenas objeto dos criptográficos de outrem.
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Por que frases não resumem se é essa sua função? Frases são feitas para resumir facetas de mundos internos, assim creio. Mas se não encontramos a frase capaz do feito, isso significa que a frase não existe ou o mundo interno está tão quasímodo que modo frasal algum o redime de seu labirinto?
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Perguntas são imperativas e fazem todo olhar se curvar. Hiperatividade de questões. Roer de unhas. Quarto vazio. E um mantra vindo da ventoinha do computador. Nada tão expressivo assim. Vivo eu nessas paredes coloradas de adornos contemporâneos. Quanta insignificância, meu deus. Servem apenas para eu ganhar espaço na horizontal em extinção, enquanto perco tempo na vertical espiralada que se multiplica num bailar de dedos que assim dançam na esperança de abrir outras dimensões.
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Pobre dos meus. Não acredito na liberdade deles. Vou aprisioná-los até a morte da carne. Serão escravos do meu não-querer disfarçado de timidez. Aliás, o meu não-querer já é um disfarce que, pra variar, não quero saber do que. Só sei que assim é.
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Um sangue que se limpa por promessa pode revelar os escombros que restaram de outros tempos. Escombros cansados, mais ou menos mortos, mas necessário para a tradução literária re-avidante.
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Evito neologismos, mas há momentos em que simplesmente sou negativo de mim.
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Palavras de salvação.
quarta-feira, 7 de fevereiro de 2007
domingo, 4 de fevereiro de 2007
Músicas cantadas a ca (postagem 200)
Dos gardenias para ti
Dos gardenias para ti
A tu lado vivirán y se hablarán
Pero si un atardecer
sábado, 20 de janeiro de 2007
POSTAGEM 199
en la pampa y en el mar
Cada cual con sus trabajos
con los recuerdos detras
segunda-feira, 8 de janeiro de 2007
Benita Carneiro e eu - xik demais - rsssss
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quinta-feira, 28 de dezembro de 2006
Desenlace cárcere
Por favor, quem não for muito chegado, por favor não leia esse texto. Quer um conselho,?! Desencana dele, ele é chato demais.
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Sim, as praias desertas do meu amor continuarão talvez infinitamente esperando por nós dois. Teus olhos nos meus, meus olhos nos teus, os sonhos cultivados, as vontades que minguam dia a dia me fazem esquecer de mim toda vez que me lembro de ti. Mas essas vontades minguadas me fazem um mal tão grande que você nem saberia sentir. Cada vez que me desfaço de um querer pelo nosso bem, me desfaço das minhas coisas que me fazem mais felizes, talvez também por isso fui tão triste e ainda sou um pouco como talvez sempre serei. A tristeza tomou raiz, desfez minha sanidade mais firme e há meses corro atrás dela pelas praias imaginárias que nunca estive mais que recrio e por isso são tão reais. Mas essas praias são longe demais do socialmente bem quisto. Sou escudo, reflexo esquivante dos olhares, esquerdo, escasso, esquisito em mim, na natureza que me recriou em meses atrás e que fez tão bem o mal trabalho que já não consigo mais me querer como antes. Nesse fim de ano, todos os escritos que não vieram à vida desabam sobre meus dedos, pobres dedos que tanto falam por mim, mais uma vez. Sou calado apesar da fala e do canto intenso. Sou menino complicado que criou vidas durante anos a fio na esperança de consertar está que me deram e que tanto me desagrada. Se olho no espelho, meus olhos sentem vergonha dos meus olhos e logo olho pra pia respingada de confusões dos diversos dias corridos em que prefiro não ter tempo pra mim pois isso seria o fim da pequena firmeza que construí através de sessões de cinema, banhos demorados e análise. A música canta leve nos meus ouvidos, uma voz feminina suave canta junto a um cello e um piano. O meu piano que não sou sempre que seria, pois não quero sempre que posso e não posso sempre que quero. Acho que desencontros seria uma palavra boa. Desencontro da inspiração com a coragem de manifestar, desencontro da música com a voz, desencontro de olhares. Ahhh meu Deus os olhares. Como me perturbam esses olhares que me secam e creio, me julgam como eu a todos eles. Como cheguei até esse ponto? Não sei, só sei que aqui estou e não conseguirei sair tão facilmente. Mas de um fato posso me gabar; é impressionante a minha capacidade de crer em Deus e ter esperança, pois mesmo quando me deito na cama depois de um dia inteiro de desencontros, ainda encontro fé pra acreditar que no dia seguinte tudo pode mudar. Geralmente não muda muito, mas isso não me impede de sonhar. Me descobri mais frágil, ansioso, infantil e mais intenso ainda do que já era. Mas a intensidade do presente ultrapassa minha capacidade de digestão e controle de certas ocasiões e por isso me perco tanto entre todos que me rodeiam. Me sinto tão bem quando estou lendo. O livro não me encara, ele não me olha, ele me convida a me olhar, se não quero não faço, se quero faço e pronto. Mas os olhares me fizeram tão minguante que não me entendia mais dentro dos antigos padrões de mim que tanto me orgulhavam. Rapaz que era lúcido, alegre, criativo, engraçado, animado. Sinto dizer que já não sou. Me esforço com todas as forças para voltar a ser, mas os olhares (ahhhh meu Deus do céu, os olhares) esses são o mar da perdição da consciência e tranqüilidade. O mundo me invade e eu não gosto disso. Prefiro que meus pedaços andem por aí, enquanto eu ficaria só com os meus mais internos pertences. Mas como não seria assim como sou, se desde quando tenho referências do meu interior eu era assim, praticamente um amontoado de remédios para ludibriar os defeitos causados por sei lá que razão e assim cresci em meio a mim e todos essas substâncias que encasulavam minha consciência e enfeitavam meu dia a dia de uma tranqüilidade quase engessada. Havia nuvens no meu pensar. Nuvens de tempestade, não eram nuvens brancas, eram brumas densas e frias. Nem sei como era capaz de tantas emoções e pensamentos. Tenho pena de mim dos tempos idos, é isso que sinto, uma pena por ter tido isso, ter sido assim. Mas não gosto de pensar onde estaria hoje caso não fossem esses fatores. Não sei. Todo fim de ano, fim de ciclo, é quando tudo está no ar e é também por essas toneladas de coisas enclausuradas pelos olhares (ahhh os olhares meu Deus) que me descrevo (desfaço, desvelo em negativo) tudo que me faz mais denso, tão denso quanto não gostaria de ser. Mas sou escravo do meu círculo solitário e nele ainda hei de ficar por uns tempos. O fim de ano, um ano ímpar, tão conturbado, tão intenso, intensidade de perdição, o fim dele me desfaz de um pouco de mim, do muito que não quero ser, mas temo que também dos poucos que me orgulham. Não sei. Não sei como tantas vezes mais não saberei e por enquanto assim continuará até o dia em que meus olhos se levantarem e enfim eles olharão longe e enfrentarão as observações mudas dos outros tantos olhares que perambulam pelas ruas e estabelecimentos humanos. Humanos são olhos ambulantes, enquanto os meus lambem o chão da negação em busca de um sermão que liberte de vez a conversão interna eterna que me tornei. Sinto muito, por mim e pelos meus conhecidos, mas não sou mais o que era. Sou desenlace cárcere e por isso agora dormirei de insônia.
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Finjo uma dor que deveras sinto que finjo.
quinta-feira, 21 de dezembro de 2006
Nosso mar
(Milton Nascimento e Leila Diniz)
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Tom: Cm
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Int.: Cm4/7
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Cm4/7
Brigam Espanha e Holanda
Bb/F Fm5+
Pelos direitos do mar
Cm4/7
O mar é das gaivotas
Bb/F Fm5+
Que nele sabem voar
C#7+ Eb7+ F/C
Brigam Espanha e Holanda
C#7+ Cm4/7
Pelos direitos do mar
C#7+ Eb/G
Brigam Espanha e Holanda
C#7+
Por que não sabem que o mar
C#7+
Por que não sabem que o mar
Bbm Gm5-/7
Por que não sabem que o mar
C#7+ Fm7
É de quem sabe amar
quarta-feira, 20 de dezembro de 2006
segunda-feira, 18 de dezembro de 2006
sexta-feira, 15 de dezembro de 2006
segunda-feira, 11 de dezembro de 2006
Benção às avessas
Os papéis ao longo da vida se revezam. A representatividade de uma pessoa muda. Mas a representação não. Quem cuida, quem é cuidado, quem ouve ou quem fale, quem dá conselhos, quem é aconselhado, tudo isso muda, e é bom mesmo que as coisas mudem, porque assim sentimos vento, oscilação, transformação, movimento e vida. As relações humanas mudam, deus muda dentro de nós, coisas passam, outras chegam, vão embora, sonhos viram realidade, outros definham, florescem novamente. Ciclos de ciclos de ciclos num ciclo maior de uma roda gigante num canto pequeno da criação de um criador. Muita coisa muda, e eu achava, por isso, que a única coisa na vida que era constante era a inconstância, mas existem mais coisas constantes. Seus pais são uma delas. Seus pais serão sempre seus pais, e é bom que seja assim, pois assim temos tempo para nos reciclarmos dentro de um elo inquebrantável. Somos eles em carne e osso, a representação uma de dois seres. E o físico permanece, mas o conjugado entre pais e filhos é uma transferência sem fim. Isso poderia ser dito em qualquer dia, mas hoje é o dia de uma pessoa sem igual (rssss), sim, como não, é aniversário da minha mãe. É impressionante a capacidade que meus pais têm de fazer nós na minha garganta.,., rssss.,.,
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Minha mãe, eu te desejo toda a transformação e energia de uma mulher de 50 anos. Yung disse que depois dos 50 a mulher é só prazer, que assim seja. Expanda-se e recicle-se sempre como você sempre fez. Vá sempre adiante, nunca perca essa sede de coisas novas, viagens, desafios e busca de si. Sempre Heleni, é por isso sempre mais.
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Um beijo, Feliz Aniversário e que Deus te abençoe da mesma maneira que você desejou tantas vezes que ele o fizesse comigo.
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Do seu filho, Wagner.,.,.,
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quinta-feira, 7 de dezembro de 2006
DÓ, RÉ, MI, FÁ, SOL, LÁ, SI, DÓ, DÓ, SI, LÁ, SOL, FÁ, MI, RÉ, DÓ
Dos corpos caídos
Ressona uma esperança
Minguada, porém nossa,
Fácil de se sentir. Por isso,
Soltemos nossos olhos
Lá longe no horizonte. E novamente seremos
Simplesmente nós,
Docemente ternos.
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Do belo horizonte aos pés
Silhuetas de mundo
Lacrimejam-se dis-
Solvendo em vão. Vitimizam-se.
Fazem questão de fazerem falta
Mimam-nos para cativar. Mas
Rejeitemos as regalias restritivas
Doravante.
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Domando-nos poderemos
Recusar os mimos de outrem
Miraremos objetivos conjuntos
Facilitando a caminhada de
Sol a sol
Lá pras bandas do bem.
Sim, pros lados do bem
Dormita nossos laços.
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Do jeito que estamos
Similar a um caranguejo
Labutaremos mesmo de lado
Solavancos levaremos
Frágeis somos, minguados
Minguantes jamais, ou não mais
Ré é impossível de conseguir
Dói as juntas dos caranguejos.
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Dobrando mais um ano (2006)
Resta-nos em nós
Milhões de fiapos
Farrapos de vozes
Solfejos de notas
Lamuriosas sonatas
Sinos de Belém
Docemente ternos.
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Dobrados e trinados
Sinfonias de peixes
Lagostas aquáticas
Soltas palavras
Fabulosas linguagens
Miragens de imagens onde
Ressonam a esperança
Dos corpos caídos.
quinta-feira, 30 de novembro de 2006
quarta-feira, 29 de novembro de 2006
Pasárgada
Este post não tem esse nome. Tem o seu nome. Mas novamente digo: prefiro a intensidade do não dito, às falhas do explícito. Segue o texto que me refaz.
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Como começar a colocar pra fora algo que ainda não está digerido? Como dizer um até mais ver, sendo que se ver era um instinto, quase um reflexo. Beijar era um reflexo, sorrir era um reflexo, gostar de estar era um reflexo, quase tudo era um reflexo. Reflexo por ser parte das emoções, mas também reflexo por ser conseqüência de uma escolha, um encaminhamento que não queria restrições. Já não podia mais me restringir. Meus olhos tinham perdido demais a inocência pra poder gostar de alguma coisa, aliás, nem de mim eu gostava, que dirá de outros. Mas escolhi a inocência pra poder me permitir a paixão e assim foi, como ainda é. Começou numa conversa, num beijo implorado depois de um tempo de olhares e timidez. Você caiu de cabeça, eu respirei e mergulhei convicto. Apesar da intensidade, eu me sabia ali. Não estou dizendo que você não sabia sobre você, sei apenas que eu escolhi o mergulho. E assim foi. Outubro passou parado numa nuvem de uma noite eterna e enfim, chegou doce novembro pra nos conduzir. E assim fomos entre tantos encontros lindos e despedidas demoradas. Entre tantas horas sem demora, noites de sorrisos e brincadeiras. Me sentia simplesmente ali quando estava aí. 15 dias onde eu consegui, finalmente, viver sem restrições, após meses de eternos poréns "isso" e "aquilo". Após a subida de agosto e setembro, veio enfim um primeiro patamar de cores e luzes estroboscópicas das baladas onde não havia ninguém a não ser nós. Pude respirar melhor, nos ajudávamos a respirar. Uma multidão de pessoas perambulando pra lá e pra cá, e nós em algumas cervejas, 5 para ser exato, muitos cigarros, e multidões de beijos. Os lugares estavam cheios do interior que eu havia criado. Do interior onde você morava. Os lugares estavam cheios de você. A presença continuada apesar da distância. A lembrança do beijo que me encaminhava em busca de outros. As visões do teu sono ao meu lado, que me faziam sonhar de novo. Teus olhos fechados, e a cara em meio ao travesseiro. Depois íamos acordando devagar, com carinhos de aurora, ouvíamos musica, deitávamos no sofá, dormíamos de novo. Passavam sorrisos, piadas, dizeres, ambições, sonhos de crescimento, sonhos de simplicidade, sonhos de paz interna, dizeres que faziam coisas brotarem do estômago e iam subindo até a garganta pra se abrirem num sorriso. A tua declaração e o meu consentimento no não dito que restava em meio à intensidade. 15 dias de doce novembro em que eu fui me embora pra Pasárgada. Tantas pessoas vão pra lá pra ficarem sozinhas e eu encontrei numa companhia o meu caminho pra Pasárgada, a Pasárgada que eu não encontrei nas horas de imensa tristeza. Mas deita aqui no meio peito só mais uma vez pra gente desfazer o nosso nó juntos. Não?! Mas, por que não? Já estás de saída e eu ainda sonho com o momento daquela chegada naquele dia em que alguma coisa me dizia, que se eu fosse lá, algo mudaria. Evitei aquele local por algum tempo, mas aquele dia fui e naquele dia estava lá você. Naquele dia nasceu uma semente de nós, e hoje hiberna o nosso conjuntivo. Tornou-se um aposto explicativo, semi-conclusivo ao telefone. Restou a promessa de companhia, a quinzena em Pasárgada, as músicas de Elis, Bethânia, Adriana, Milton, Chico, Celine Dion. Rssss. Mas restamos nós também acima de tudo. Eu creio no poder das palavras escritas, por isso tento fazer deste escrito o meu aposto conclusivo, para que o seu deixe de ser um semi como eu disse acima. E te conheço, boto fé em você. Eu me conheço e por isso sei onde parar e por onde ir. Mas e essa dor de coisa arrancada que está aqui dentro agora? Vai passar. Tudo passa. Me resta teus olhos, um cabisbaixo de olhares, o sorriso na lembrança daquilo que foi bom. Escolhi a inocência. Sinceramente escolhi para poder de novo me apaixonar. Fui fomos, agora paramos em primeira pessoa do plural com alguma coisa em singular, que é melhor ficar em segredo. (Você sabe...) Tinha pensado em muito mais coisas pra falar aqui. Suas virtudes, as nossas paragens, mas as coisas me fogem da memória. O que resta agora é a dor da coisa arrancada de repente, quando ainda estava germinando sossegada. Uma semente tão bela, tão bem cuidada, tão sensata. Mas passa. Digo e repito, pois sei que me persuado assim. Não vou te persuadir. Sabes do amadurecimento que por vezes acontece em meio à inocência. Novamente a inocência. Logo após nossa conversa, a primeira música que me veio à cabeça, foi justamente uma que marcou uma outra paixão que se foi e ela é mais ou menos assim: “São enfim os ciclos que passam mesmo que em memória parados estejam/ São faces que se festejam/ De forma plena em plena arena de circos vivos/ Passam anos, cores e perigos/ E que de suas histórias gratificantes glórias/ Sobrou marcado no corpo e na memória/ O tão singelo e senil final/ Pois nada que vive tem plena honra de ser imortal”. Insisto em dizer do fim, pois me refiro especificamente a isso que passou. Admiro nossa coragem, tanto no chegar quanto no sair, mas a porta está aberta e que venham as baladas pra gente fluir noite adentro, vida afora. Você marcou um ciclo, ou o começo de um ainda maior. Fez história na minha história. Arranco agora de mim a dor da companhia arrancada. Acredito no convencimento que este escrito me gera. Não acreditaria em outras épocas, mas hoje sim. Obrigado por ter me ajudado na reconquista da minha inocência. Teus olhos foram fundamentais. Mergulhamos reciprocamente num misto de azul-verde-castanho, e isso me basta. Fiquemos bem, pois estaremos em nós. Mas antes do fim, queria deixar outra música que me comove mais ainda que a citada acima e que eu já cantei ela uma vez pra você. Ela é do Milton e diz assim:
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Se um dia a gente se encontrar
e eu confessar
que vi um filme tantas vezes
para desvendar os olhos teus.
E se a gente se falar
contar as coisas que viveu
o que esperamos do amanhã
será que pode acontecer?
Pois, paralelo ao personagem,
eu quis saber mesmo é de ti.
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Queria que fosses feliz
uma água calma a inundar
a sua margem de carinho
um peito aberto a quem chegar.
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Como o teu nome, diferente
Uma paisagem nos induz
Uma paisagem de inocência
Mas que se sabe e que conduz.
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Conduz agora este momento
O pensamento e os olhos meus
brilhando de emoção e grato
alguém que só te conheceu
num filme que viu tantas vezes.
Este poema aconteceu.
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terça-feira, 28 de novembro de 2006
Oração para a reconquista da sanidade
E assim ele estará no meio de nós
Corações ao alto e avante
Cavaleiros sem casa e quase sem cabeça
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Assim se inicia iniciamos nosso rito de sanidade
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Mas como acalmar tudo que me rodeia
Como calar a voz para falar com deus?
Como num mundo de muitos ditos
Poderei eu ficar quieto sem me desesperar?
Ouvir tanto, ter que falar tanto
E sempre saber calar-me para ver as sutilezas?
.
Num mundo digital, como poderei eu
Desligar-me das milhões de páginas?
Pedir um indício
E ver uma borboleta pousar do meu lado
Bem no ato do desafio
Como hoje aconteceu?
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E como saber onde mora a verdade na força que me vem
Toda vez que eu penso na companhia do que tudo sabe?
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Como saber sobre algo que mora em energias?
Que se diz sem dizer?
Que se afirma no renegado?
Que se presencia na ausência?
Que se ama e se odeia num misto de humanidades divinas
Num misto de fraquezas que constroem fortalezas
Erguem edifícios, mas preferem morar nas borboletas?
Que são invocadas pelos corais
Mas canta no desafinar humilde do sem jeito?
Que ilumina o mundo
Mas prefere a sombra dos viadutos?
Que tem imagens adoradas por multidões
Mas que chegam de manso nas horas de solidão?
Que jorram sangue por ele
Mas que habita também com tanta intensidade
As travessias de uma criança sem religião?
Que dizem estar nos templos
Mas que só fica sossegado quando está dentro do coração tranqüilo?
DEUS???
Muitas interrogações
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As criações craniais são submersas do mundo
Não chegam aos outros
Inofensivas aos olhos invasores
Mas mortais aos que me olham de dentro pra fora
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Rogo a liberdade do momento em que aquietam-se meus ânimos
Em que aquietam-se nossas ansiedades
Nossos dizeres internos
Nossas razões tão próprias tão verdadeiras e sensatas
Mas tão frágeis e manipuláveis por substâncias humanas
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As percepções são falhas por isso têm a humildade
De aceitarem serem chamadas de percepções
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As percepções não cabem no mundo
Mas um mundo pode ser contido numa percepção
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Por isso rogo a liberdade do esclarecimento da fé
Que fortalece a parte superior do crânio
Que dissipa as anoções de realidade
Que me fizeram tão mal.
Perderam se todas no ato de me perderem dentro de mim
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Fomos ao fundo
Um inebriante túnel de escuridões
Que nem sei onde éramos naquelas eras de dormência
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Perdi a todos, pois perdi-me
Por isso rogo a certeza medida da fé
Que se permite crer sem desavenças
.
Rogo a transparência da vida
A longevidade das parcerias
A mansidão do que não acaba amanhã
Rogo pelo esclarecimento
De mim a mim
Que nada é pra agora
São infinitas as possibilidades de caminhos
São tantos os caminhos que abrem em alimento para a alma sã
Como diz uma música minha que mora no meu caderno velho
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Rogo pelos planos bons
Mas rogo antes disso
Pela tranqüilidade que pode me levar certeiro
A qualquer um dos planos construídos
E homeopaticamente conquistados em meio a ela
.
A ansiedade mata
A tristeza desespera
A dor escava o corpo
Mas fortalece a alma e pode até libertar
A tristeza não
A tristeza prende-se nela mesma
Não há saídas imediatas
Os desafios pequenos viram impossíveis
Mesmo que sejam os mais fáceis
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Por isso os céus cobrem tudo
Você já olhou pro céu hoje?
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Ele sempre está lá
Mas não olhamos
Não vemos
Não nos vemos
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O manto azul está em redoma sobre os filhos
Por isso realce as felicidades
Desfoque-se do passado obscuro
As lembranças trazem realidades que podem se restaurar malignamente
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Por isso realce
A oração do realce do que é do bem
Ferramentas temos todos
Feitios feitiços benignos
O mágico liberta-nos
Fica no limiar do palco
Ou na casca da aura
O que dá na mesma
.
Rogo santa cabeça
Que se expanda em reconquistas
Agora que tegretol não é mais necessário
Saio e prefiro acreditar na certeza inteira
Sem tantos malefícios da sensatez exagerada
Deixe-me inebriar-me de bom grado
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Mais frágil, porém mais firme
Menos novela e mais movimento
Olhos abertos ainda que com alguns graus a mais
Por isso venha o que vier
Faço das palavras um rito de fortalecimento
Faço deste escrito uma profissão de fé
Preciso de mim muito mais do que sempre e acho que enfim posso ter
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Aleluia, amém.
segunda-feira, 27 de novembro de 2006
O mundo
I
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O mundo é imagético
Todos somos muito mais voz que ouvido
Mais lágrimas que abraços
Mais laços que nós
E isso é muito mais que nós (escritor – leitor)
É gênero – geral – genético – genital
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Animal máquina que expele
Pela pele que não é mais (ex-pele)
São poros abertos de enjôo zôo
Zoológico dos infernos
Jaulas impostas e outras tantas escolhidas
Já não mais colhidas (ex-colhidas)
São recolhidas, recatadas, recatantes em:
Inércia... re – cativa.
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II
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Mira miragens de meus irmãos - eus
Mira miragem o umbigo que sou
Mira viagens dos sonhos inconclusos
Que saem felizes
Mas caem em deslizes
Do ser que não interage - excluso.
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Mira viagens as voltas sem rumo
Mira coragens o covarde senhor
Vira viragens infecto – contagiosas
As bactérias mimosas, mamam nos seios
Aceios, receios, re – seios recíprocos
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Te passo alimento, me passas rancor
Te passo rebento, não sabes quem sou
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O alimento elemento doativo donativo
Adoecente adolescente minguante
Cantante menor de melodias lunares
A Terra mundo muda muda (voz – não)
Cansativa da persistência
Desistente da veemência
Freios estridentes ex – tridente de deuses
Gastos ainda que pedra dura.
III
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Renascer do que resta, restolhos, retratos, fiapos
De forças das morças noturnas
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O mundo dormente mente fortaleza
Respira neblinas, soletra poemas do silêncio
Amâncio amado, amado alado
A aurora te enamora, e devagar vigora
Agora rogando recados celestiais
Rasgando o Netuno noturno fundo
Da morte à vida recíproca da morte.
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Corte de horizonte deitável delirante
Abre o sorriso luminoso numa glória
Que sorri e sorri cada vez
Engole de luzes o mundo mudo
Pois o escaldante ri – ris
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Mas sua e re – soa os sonhos
Encharcam os olhares
E se derrete – me em pó de esperança.
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Wagner Passos de Sousa Pinto
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Não sei a data (primeiro semestre de 2006 – na faculdade)
sexta-feira, 24 de novembro de 2006
POSTAGEM 186
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1 + 2 + 87 + 49 + rjbd = 1.349.852
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W p k s 135 x (2423)² = §
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(légios) – nov = 000,001
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Calendário Escárnio & CIA
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23 $ @ yahoo.com.br
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Macro bióticos desfeitos
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Sentidos% se e somente se V£ diferente de 2,5
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123456789 / 987654321 = XXXXXXXX
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123456789 / 123456789 = 987654321
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quinta-feira, 23 de novembro de 2006
Que tal arriscar um poema agora? Quase 6 da tarde!!!
Acho que vou escrever sobre o sol que brilha lá fora.
Talvez não.
Melhor escrever sobre o que passa aqui dentro
Muito mais intenso
Ou..
Muito mais horrendo
Se morrendo em morte menor.
Muito mais ascendente
Se crescente em escala maior.
Muito mais sentido
Se ouvido em tom diminuto.
Porém menos diminutivo
Se constitutivo de cada minuto.
Muito mais que morrendo
Se muito mais que assim seja.
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Pois é,
Morrer por atrofia de banalidades
Morrer por ser sufocado pela força própria
Morrer porque só assim havemos e principalmente
Haverei de viver disse alguém.
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Também:
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Um dia Santo Agostinho disse que só sabe dizer não
Aquele que se constitui de permissivas humanidades.
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Outro dia um mendigo disse que só sabe comer
Aquele que se dá ao luxo de não enojar a própria merda.
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Mais outro dia aí disse um avô qualquer que só reclina as costas
Aqueles que têm olhos frágeis.
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Mês passado uma girafa disse que do pó do céu
Nascerá um algodão automático que será capaz de coçar além do seu rabinho.
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Um dia desses a flor disse que as vitrines
São bebedouros às avessas.
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Em algum lugar do passado o futuro do pretérito disse
Que não se deixaria rebaixar a presente. Virou condição eterna sem existir.
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No futuro certeiro a possibilidade brincou e bradou dizendo
Que vinde a mim as criancinhas.
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E mais um etc de dizeres.
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Faça o seu você também. Tire palavras da boca dos outros. E jure que não foi você que disse.
quinta-feira, 16 de novembro de 2006
Poema cíclico-finito
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Havia...
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Um piano
ali
parado
calado
no canto da sala
no canto da casa
no canto da vida
no canto do mundo
no resto do sonho
no mudo do pranto
na hora da morte
no leito da vida
nos braços do céu
nas preces de deus
no alvo do amar.
.
E então...
.
Umas notas
ali
plácidas
cantantes
no canto da voz
no eco do ventre
no som do sonar
na valsa da noite
no espaço do mar
no fundo do abismo
na casca do olhar
no suspiro da mágoa
no choro do parto
que ecoa do quarto
da criança do lar.
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O convite e...
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Agora o piano
ali
parado
cantante
na hora do treino
no som do luar
na tarde faceira
nas horas ligeiras
da dama a cantar
no poema mineiro
em montanha azulada
de aura amada
tão perto do céu
reluzente em véu
mas tão longe do mar
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Vem a brisa...
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E as notas
ali
plácidas
caladas
no mudo da sala
no mudo da casa
no mudo da vida
no mudo do mundo
no resto do sonho
no grito do pranto
no leito da morte
no ventre da vida
nos braços de outro
nas preces dos teus
no barco além mar.
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Não houve...
.
E o piano,
Que pede teus sons
Que chora no canto
Que nega teus toques
Nas teclas vibrantes
Que seca os olhos
Que queima mais um
Que sai pra balada
Que volta amanhã
Que corre na chuva
Que peca no beijo
Que vive em duplas
Que dorme aí
Que bebe e sorri
Que tantas as coisas
Que tantas nos somos
Que tantos nos eram
Que pouco propomos
Que muito sonhamos
Que nada nos fomos
Que mais poderíamos
Que outros quiseram
Que outros já não
Que eu vou me embora
Que está em boa hora
De curtir solidão...
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Mas e o piano???
Onde está o piano???
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ali
parado
calado
no canto da sala
no canto da casa
no canto da vida
no canto do mundo
no resto do sonho
no mudo do pranto
na hora da morte
no leito da vida
nos braços do céu
nas preces de deus
no alvo do amar.
.
Mas e então...
O que vem???
.
Umas notas
ali
plácidas
cantantes
no canto
no eco
no som
na valsa
no espaço
no fundo
na casca
no suspiro
no choro
que ecoa
da criança
.
Sei, sei... Mas???
.
Mas agora o piano
ali
parado
cantante
na hora
no som
na tarde
nas horas
da dama
no poema
em montanha
de aura
tão perto
reluzente
mas tão...
.
Vem a brisa...
Eu sei, eu sei, e daí??? As notas, cadê???
.
E as notas
ali
plácidas
caladas
no mudo
no mudo
no mudo
no mudo
no resto
no grito
no leito
no ventre
nos braços
nas preces
no barco
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Não houve... Que pena!!!
Fiquei triste por você!!!
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E o piano,
Que pede
Que chora
Que nega
Nas teclas
Que seca
Que queima
Que sai
Que volta
Que corre
Que peca
Que vive
Que dorme
Que bebe
Que tantas
Que tantas
Que tantos
Que pouco
Que muito
Que nada
Que mais
Que outros
Que outros
Que eu vou
Que está
De curtir
.
Mas e o piano???
Onde está o piano???
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Responde...
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Responde...
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Hummmm!!!!
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Fim...
sexta-feira, 10 de novembro de 2006
Uma postagem importante...
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- Olá, você sabia que "ESSE É O CANTO EM QUE A HORA E A VEZ DO CANTO SE FEZ"?
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- É você quem está dizendo. E se está dizendo é porque deve ser, afinal, você é o dono do blog.
- Até aí, dono por dono, você também é dono desse blog, esqueceu?
- Não, não esqueci. Mas eu só queria entender uma coisa...
- Ahhh, pode dizer.
- Afinal, esse é o canto em que se fez a hora e a vez do canto, ou será que esse é o canto em que o canto fez a hora e a vez?
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- Pra ser sincero nem eu sei. Só sei que "ESSE É O CANTO EM QUE A HORA E A VEZ DO CANTO SE FEZ".
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- Tá cerrrto!!! Deixemos assim... Até mais ver, rapaz.
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- Até mais!!!
Diário de Bugrinha (Excertos)
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22.1
O nome de um passarinho que vive no cisco é joão¬ninguém. Ele parece com Bernardo.
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23.2
Lagartixas têm odor verde.
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2.3
Formiga é um ser tão pequeno que não agüenta nem neblina. Bernardo me ensinou: Para infantilizar formigas é só pingar um pouquinho de água no coração delas. Achei fácil.
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23.2
Quem ama exerce Deus — a mãe disse. Uma açucena me ama. Uma açucena exerce Deus?
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2.3
Eu queria crescer pra passarinho...
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5.3
A voz de meu avô arfa. Estava com um livro debaixo dos olhos. Vô! o livro está de cabeça pra baixo. Estou deslendo.
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5.6
O frio se encolheu nos passarinhos. Ó noite congelada de jacintos! Eu estou transida de pétalas.
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7.8
O pai trouxe do campo um filhote de urubu. Ele é branco e já fede.
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12.8
As garças descem nos brejos que nem brisas. Todas as manhãs.
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10.9
Um sapo feneceu 3 borboletas de uma vez atrás de casa. Ele fazia uma estultícia?
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13.9
A mãe bateu no Mano Preto. Falou que eu não apanhava porque não dei motivo. Subi no pico do telhado para dar motivo. Aqui de cima do telhado a lua prateava. A mãe disse que aquilo não era motivo.
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19.9
Uma égua iniciava meu irmão. O pai ralhou com ele. Meu irmão foi entrando para inseto até desaparecer. Ficou dentro do mato até amanhã.
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1.1
O Bernardo fala com pedra, fala com nada, fala com árvore. As plantas querem o corpo dele para crescer por sobre. Passarinho já faz poleiro na sua cabeça.
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2.2
A mãe disse que Bernardo é bocó. Uma pessoa sem pensa.
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5.2
Sem chuvas, já reparei, as andorinhas perdem o poder de voar livres.
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29.2
Hoje o Lara morreu picado de cobra. Fizeram seu caixão de costaneiras. Meu avô encostou no caixão. Ué, eu que morri e quem está no caixão é o Lara! Meu avô enxergava mal.
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2.1.1926
Catre-Velho é um ser confortável para moscas. Ele nem espanta algumas.
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12.1
Choveu de noite até encostar em mim. O rio deve estar mais gordo. Escutei um perfume de sol nas águas.
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1.3
As árvores me começam.
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1.4
Uma violeta me pensou. Me encostei no azul de sua tarde.
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10.4
Os patos prolongam meu olhar... Quando passam levando a tarde para longe eu acompanho...
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21.4
Pensar que a gente cessa é íngreme. Minha alegria ficou sem voz.
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22.4
Hoje completei 10 anos. Fabriquei um brinquedo com palavras. Minha mãe gostou. É assim:
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De noite o silêncio estica os lírios.
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Extraído do "Livro Sobre Nada" (Arte de Infantilizar Formigas), Editora Record - Rio de Janeiro, 1996, pág. 29.
quinta-feira, 9 de novembro de 2006
O Livro sobre Nada - Manoel de Barros
• Tudo que não invento é falso.
• Há muitas maneiras sérias de não dizer nada, mas só a poesia é verdadeira.
• Não pode haver ausência de boca nas palavras: nenhuma fique desamparada do ser que a revelou.
• É mais fácil fazer da tolice um regalo do que da sensatez.
• Sempre que desejo contar alguma coisa, não faço nada; mas se não desejo contar nada, faço poesia.
• Melhor jeito que achei para me conhecer foi fazendo o contrário.
• A inércia é o meu ato principal.
• Há histórias tão verdadeiras que às vezes parece que são inventadas.
• O artista é um erro da natureza. Beethoven foi um erro perfeito.
• A terapia literária consiste em desarrumar a linguagem a ponto que ela expresse nossos mais fundos desejos.
• Quero a palavra que sirva na boca dos passarinhos.
• Por pudor sou impuro.
• Não preciso do fim para chegar.
• De tudo haveria de ficar para nós um sentimento longínquo de coisa esquecida na terra - Como um lápis numa península.
• Do lugar onde estou já fui embora.






