Não sei porque todos os domingos são sempre iguais, o dia começa numa hora inóspita, vem devagar enquanto durmo e vai se arrastando escada abaixo no silêncio da casa vazia e escura até chegar na cozinha, lá ele prepara o leite, as bolachas, a ressaca vai sendo repensada, digerida com o passar das manteigas e tudo vai indo em silêncio pelas horas desse dia-solidão, daí o dia se dirige até a TV mais próxima e lá fica entrando em vários lugares do sábado, vai perambulando pelos cômodos quietos, as luzes, as ruas, os programas de TV que me fazem rir sem gosto profundo de riso, então o dia vai mancando até o quintal pra lavar umas roupas, rever outras ainda meio úmidas, as plantas fazendo fotossíntese com ruído, o oxigênio sai doendo pelos poros, a lagartixa saúda o olhar numa carreira de medo, tenho dó das lagartixas, o dia também e ele me acompanha por todas as suas horas, os passarinhos que não são sabiás, mas ainda sim são lindos, cantam um pouquinho em cada canto, aqui e ali, tentando esquivar-se do concreto, e as minhas montanhas de domingo claro estão bem longe daqui, desse complexo industrial com resquícios de gente, o dia vem e vai como outros tantos, mas bem que poderia ser um pouco mais gostoso, com umas risadas em conjunto, ou uma companhia pra amanhecer bem, o quarto passou o dia inteiro fechado esperando o retorno, mas a cama não teria sentido redundando-se após ter sido horizontal por outras horas, e assim o sol vai indo devagar pra outro lugar e o dia encasula-se dentro do peito fazendo doer um pouco mais esse dia sem uma palavra dita, tudo em silêncio, um silêncio que não condiz com a efervescência de dentro, mas não me importo, ainda tenho as músicas que ouço agora, o dia as ouve também, ele está aqui em meu entorno, circundando-me, sou preso deste dia, dessa cabeça, dessa realidade, dessas lagartixas, os olhos não vão tão além, não buscam coisas afastadas, eles se resignam no entorno do dia circular, ciclos de 24 horas, horas quietas por aqui que se aproximam do fim para assim terminar mais uma vez em inércia de pensamento o corrente dia de domingo. Um dia que passou quase em branco. Boa noite...
domingo, 15 de abril de 2007
Diário do Domingo - 16/4/2007
Não sei porque todos os domingos são sempre iguais, o dia começa numa hora inóspita, vem devagar enquanto durmo e vai se arrastando escada abaixo no silêncio da casa vazia e escura até chegar na cozinha, lá ele prepara o leite, as bolachas, a ressaca vai sendo repensada, digerida com o passar das manteigas e tudo vai indo em silêncio pelas horas desse dia-solidão, daí o dia se dirige até a TV mais próxima e lá fica entrando em vários lugares do sábado, vai perambulando pelos cômodos quietos, as luzes, as ruas, os programas de TV que me fazem rir sem gosto profundo de riso, então o dia vai mancando até o quintal pra lavar umas roupas, rever outras ainda meio úmidas, as plantas fazendo fotossíntese com ruído, o oxigênio sai doendo pelos poros, a lagartixa saúda o olhar numa carreira de medo, tenho dó das lagartixas, o dia também e ele me acompanha por todas as suas horas, os passarinhos que não são sabiás, mas ainda sim são lindos, cantam um pouquinho em cada canto, aqui e ali, tentando esquivar-se do concreto, e as minhas montanhas de domingo claro estão bem longe daqui, desse complexo industrial com resquícios de gente, o dia vem e vai como outros tantos, mas bem que poderia ser um pouco mais gostoso, com umas risadas em conjunto, ou uma companhia pra amanhecer bem, o quarto passou o dia inteiro fechado esperando o retorno, mas a cama não teria sentido redundando-se após ter sido horizontal por outras horas, e assim o sol vai indo devagar pra outro lugar e o dia encasula-se dentro do peito fazendo doer um pouco mais esse dia sem uma palavra dita, tudo em silêncio, um silêncio que não condiz com a efervescência de dentro, mas não me importo, ainda tenho as músicas que ouço agora, o dia as ouve também, ele está aqui em meu entorno, circundando-me, sou preso deste dia, dessa cabeça, dessa realidade, dessas lagartixas, os olhos não vão tão além, não buscam coisas afastadas, eles se resignam no entorno do dia circular, ciclos de 24 horas, horas quietas por aqui que se aproximam do fim para assim terminar mais uma vez em inércia de pensamento o corrente dia de domingo. Um dia que passou quase em branco. Boa noite...
quinta-feira, 12 de abril de 2007
Escravidão voluntária
Não, não sei se é um lapso de força infinita
ou um suspiro pré-morte.
Não sei se é um grito da exultante vida
ou um choro esquecido da sorte.
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Não sei se seria o teu olhar
ou outro qualquer bastaria
para também me deixar resignado e feliz num canto da noite,
enquanto dúvidas me assombrariam
levando embora minhas certezas de respirar para viver
ou resignar derradeiro
por não ter porque novamente aspirar atmosferas
já que teu corpo seria um solidificado de encantos.
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Sua dúvida no olhar invade as lacunas da minha matéria.
Seu colapso de loucura me inibe pequeno para adestrar-te.
Tamanha selvageria divina não seria digna das mediocridades
vindas desse objeto inanimado no mundo,
vivente somente em ti, excluso da vida
pacato, imundo.
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Sou escravidão voluntária.
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Minha felicidade é reflexo do teu sorriso.
Teu choro é meio maior desespero.
Tua dor é martírio sereno que observo
angustiando retirar-te tuas agulhas
pra transbordar alívio em tua face.
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Tu és opostos-doces.
Contrários que variam entre o amor e o vício,
o princípio e o encerramento
de qualquer verbo conjugado em mim.
Tu és estrada, caminho que arrasto
maravilhando em tuas escórias,
exultante em teus percalços.
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Descalço-me em brasas
para taper-te o chão.
Desnudo-me de olhar
para mantar-te...
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Em vão.
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Não me diga, apenas sei.
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Sou voluntária escravidão.
terça-feira, 10 de abril de 2007
segunda-feira, 9 de abril de 2007
Postagem de poesia já pronta
Esse texto foi feito em duas etapas. A primeira, que está em azul e tem o título de PIFO, foi feita no dia 4/9/06 às 20:15 numa aula da ESPM. A segunda, que está em vermelho e tem o título de RITO, foi feita no dia 15/3/07 às 21:45 numa aula da FFLCH.
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O segundo texto é espelhado criticamente no primeiro, possuindo uma ordem inversa, que não foi feita somente com a inversão de frases. Ou seja, foi espelhado criticamente. rsss. Lá vai:
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Nota-se agora uma invalidez de palavras
Um excessivo de análises sem base
Um sublimado de egos em desavença
Uma reentrança de personalidades
Que se debatem na arena da banalidade
Perdendo-se acima ou abaixo
Da tolerância ideal conquistável
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Nota-se agora um esquivo esquisito
Um olhar sem rumo fixo
Uma boca que não digo
Um amor que não repito
Um total que só êxito
Uma cama leito vivo
Que em noite exausto, pifo.
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II
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Sonam-burlando-me as vozes velam
Em velas cheias de luz e de lástima
Escorrem desistentes de me socorrer.
Só-correndo a outros campos posso enfim
Renovar os vivos tempos deste que
Desde sempre, sabe-se só em mim.
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II
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Desde sempre sabe-se só em mim
Este que renova agora os vivos tempos
Já que enfim pude correr a outros campos.
Socorrem-me desistentes de escorrer
Em lástimas velas luminosas
As vozes luminosas que desvelam, em paz, o amanhecer.
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I
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Hoje em noite exausto salvo
Vivo lento neste calmo
Pouco exito no percalço
Repetente em bom sabor
Bem dizendo o vivo ardor
Fixando o olhar de amor
Já que bem esquivo do passado.
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Incontáveis ideais me conquistam
Estando eu abaixo ou acima do que aceito
Pois a arena da banalidade é onipresente
E personalidades se entrelaçam aqui feito gente
Contendo ou não egos bons de natural rebuliço
Que balbuciam suas análises excessivas
Feitas de palavras ainda inválidas, porém novamente dignas e notáveis.
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domingo, 8 de abril de 2007
Páscoa 2007
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Páscoa 2006 (só pra recordar)
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3 dias, 300 anos ou mais, horas muito longas de sonhos acordados, esperanças confusas, pensamentos que variavam em segundos, sensações desconhecidas, colinas e mais colinas de tropeços e mato abaixo pedra acima, e eu fui fondo naqueles turbilhos de mantras inventados no improviso da certeza absoluta, ladainhas orações enladeiradas que rolavam muito e eu n`eu. Havia abraços de morça – forca muita força, choros como sempre presentes, falações e “devaneios tolos a me torturar”. Eu continuava fundo fondo indo desbravando alguns caminhos e atropelando tantas coisas que nem sei mais. Muitos dos atropelamentos germinavam atalhos e mais labirintos a serem mapeados, muitos dos rodamoinhos continham o diabo no meio dele como disse tantas vezes João (Guimarães Rosa) no meio das veredas. Acho que veredas existiam dentro e fora de todos os lugares que passei. O grande sertão é interno como o mestre também já disse. O grande sertão é quase onipresente, mas sempre existente, no fundo do mais fundo que ninguém chega existe toda a raiz do mal e do bem ou do bem o do mal e o medo beira o pânico. Rança toco pra ver mais fundo, cavulca cavalgadura em montes aos montes pra ver se estabelece toda e qualquer forma de moradia sadia dentro da escravidão da ferramenta de outrem. Sensibilize-se rapaz, mas não muito porque sensibilidade em demasia gera pinel, painel de exorbidades noite afora, rio abaixo, morro acima, gruta a dentro, poço ao fundo, céu ao léu. (Eu me forço a escrever porque se eu for esperar a hora que eu concorde com tudo que estou pensado e escrevendo pra poder escrever acho que eu não vou fazer nada por algum período de tempo). Também não queria ser medíocre e ficar no meio – termo – mau – gosto aguado esperando brotar água de pedra que secou propositalmente pra poder ir além almejando sonhos de seriedade.
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Eu conheço as pessoas da sala de jantar, algumas mais e outras vezes tantas elas sempre voltam pra me fazer sentar a mesa e encarar olhares escuros, mas um deles não tem rosto. Um deles apenas tem uma mancha de sombra na face e ele fica no lado oposto da mesa da Távola - tábua redonda dos banquetes de porcos pros porcos. Mas as pessoas da sala de jantar ainda estão senzala de sonhar, elas aparecem meio que em tentativas de comunicação de pânico, aos poucos eu sempre lembro delas, alguns velhos outros menos, mas todos e cada são muitos. Parece que a vida habita os corpos na forma mais limiar que existe. Uma forma muito mais limiar que essa que existe em nós, nas entrelinhas das palpitações do coração. Essas pessoas são ocupadas em nascer e nunca mais morrer. De pão e circo e arte elas vivem, mas por enquanto sobrevivem. E discussões absurdas fazem parte do corpo calado calejado e latejante dessas. Mas aquele sem rosto e oposto continua mudo na imensidão das palavras em cadeia. A sala de jantar fica no fim do corredor sem fim depois que todas as possibilidades de escuridão se apagaram no breu sem referências.
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300 anos. Cada cantoria dizia tanto que não seria possível lembrar nem se a memória ainda existisse. 300 anos e muito mais ainda. Mas só 3 dias, quem diria que tão pouco que pouco foi, poderia gerar tanto mesmo que esse tanto não seja quase nada.
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Não consigo mais escrever.
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Então:
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Louva – a – Deus O Cavaleiro
Em Guardanapos de Papel
Banhados dO Rouxinol
Que canta pela Janela para o Mundo,
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Mas
E Agora, Rapaz?
Todos nós ainda estamos recém Levantados do Chão
E Os Tambores de Minas já estão a soar.
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Páscoa 2007
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Enfim a nova!!!
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Um lindo sol surgindo por entre as chuvas, ilumina de renovação o meu fim de páscoa boa. Depois de 40 dias de muitas provações, um sacrifício triplo de não fumar, não beber e não cortar a barba, um pós-carnaval infernal de insônia pela falta da nicotina, umas semanas de perna quebrada que exigiam de mim boas forças de vontade pra todas as tarefas mais banais, depois de tantas coisas que nem sei mais, vejo me banhado do sol amarelo que reflete educadamente pelo meu quarto, de paredes limpas de alegria de por do sol de sacrifício bom de música animada de coisas todas de mais em mais. Um ritmado de batidas que me embalam e rebatem contra os cantos desse quarto lavrado no branco esculpido retirado do fundo de tudo que estabelecia-se como maduro por entre as gretas porcas, mas que agora cantam o amarelo do sol, o perfume das boas coisas, a leveza do renascer, a majestade de coisas tão imperceptíveis para o mim de hoje que nunca, ainda que por pena, não será mais o passado, não há mais condições, nem o que fora há um ano, nem o que era a mais tempos de outrem, sei lá. Não me importa, que me importa, quem se importa, agora digo que não, talvez daqui há minutos sim, mas agora não. Achou que homem pode ser tudo, menos simples, simples é meio difícil. É meio simples demais. Simplicidade é achável, mas nunca condição intrínseca a nós. Hoje quando tirei quase 50 dias de barba não me reconheci, juro por Deus. Parecia que ia tirando um pedaço do meu rosto conforme ia fazendo a barba. Desfazendo da face pra fazer outra por detrás, esculpindo como esculpi meu quarto num processo de calefação. As paredes escorrendo e caindo por água abaixo, meus pedaços se desfazendo restando um olhar obscuro encantado, indagativo, inquieto que me olhava por destras do espelho embaçado. O quarto se desfez em muito mais, espaços, caveiras filtros dos sonhos indo embora enquanto soava “Manuel, o audaz” na minha cachola, alma livre, corpo livre e tudo ia escorrendo pelo carpete com gritando o sangue de quem é arrancado na hora necessária. Como não haveria de ser assim. Foram alguns dias de lapidação química pra chegar até essa hora. Músicas presentes que agraciam o espaço, que soam em milhões de freqüências, dizendo-me coisas ocultas que ainda devem dormir, mas um dia serão bradadas bravas por serem óbvias, mas que se resignam muito bem no aconchego dos glóbulos e das pituitárias. Bradando os bárbaros, eles se rebelam contra si mesmos, calando os sábios eles geram a incongruência do interior em chamas, carente, que sai pra comer terra e barro na caminhada do caminho que se faz em presença do caminhante. Alguns me disseram coisas lindas, é lindo ouvir coisas de outros melhores que nós, nós faz tão pouco e é muito bom ser pouco, mas ser inteiro, magnificamente grande naquele vão livre reservado pra nós. Minhas instâncias se desmoronam num misto de música e cara estranha do espelho. Desligo a tela do computador só pra ver se me reconheço, mas ainda não me vi em mim. Estranho, algumas horas sem barba e nem por isso estou comigo, face a face. Estou com uma cara de muito novo. É impressionante como sou outro. Não por dentro, por dentro menos. Mas por fora, meus olhos não acreditam no que vêem. Quantas instâncias fariam um instante? Há coisas que unitárias ou infinitas fazem algumas outras únicas que se passam por vez, esse é a vida. Escrever por imprecisão é como gritar até ficar rouco e ainda sim prosseguir adiante sem dó, mas a voz se refaz quantas vezes forem necessárias até o impulso dormir aconchegante no fundo do que não é facilmente tocável. Multiplicidades, palavras com sonoridades e outras tantas conjunções que se entrelaçam nessa Páscoa. Eu sabia que não haveria de falhar, não haveria de ser diferente. O mundo desabrocharia, pelo menos o meu mundo desabrocharia mais um pouquinho. Não me engano por pouco, é xik ser assim hoje em dia, lúcido e tenaz. Mas não é por isso que digo isso, digo porque realmente é fortalescente e neologístico o que digo agora. A páscoa condizente com tudo está aí, soando nos grotões das entranhas mesmo urbanas, ainda que menos pulsante, mas ainda humanas e encruzilhantes entre as formas de estar por aqui. Formas dos meios ditos que dizem tanto que nem seria necessário ser outro alguém, talvez nem eu, mas com certeza óbvio. Só restava mirar e ver hermano. Rapsódia diária da sarcástica urbanidade desde florescente entardecer amarelado blasé como tantos outros que se desmistifica da caraça engomada e me refaz num total sem capas de unhas ou pensamentos inacabados. As capas esvoaçam na direção da música que ouço no memento. Acordes maiores sucessivos que crescem um após o outro vão embalando palavras que já quiseram engomar num englobo do globo, mas agora estão se festilizando num escampado de possibilidades onde a escrita não é pensamento nunca ainda que sempre. A escrita é simplesmente uns dedos que se mexem. Assim seja. Ave Páscoa. Amém.
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Não consigo mais escrever.
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Então:
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Oh, Louva – a – Deus cavaleiro, sempre.
Seja em Guardanapos de Papel
Seja no canto dO Rouxinol
Que canta para a Janela pelo Mundo.
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Mas,
Agora sim né, Rapaz!!!
Todos nós prosseguimos ainda que arrastantes
Pois estamos apenas recém Levantados do Chão
Como não seria assim!?!?!?
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Mas, pense bem,
Veja pelo lado bom,
Os Tambores de Minas ainda estão a soar.
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Uma curiosidade: esses escritinhos do fim dos dois anos são feitos encima de nomes de músicas do CD tambores de Minas do Milton Nascimento.
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Boa Páscoa pra todos...
terça-feira, 3 de abril de 2007
A vós, meus avós!!!
“Há homens (e mulheres) que lutam um dia e são bons
Há outros que lutam um ano e são melhores
Há aqueles que lutam muitos anos e são muito bons
Mas há os que lutam toda a vida
E esses são os imprescindíveis.”
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Berthold Brecht.
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I
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Há homens e mulheres que se gabam por terem ricos salários
Há outros que se gabam por terem grandes propriedades
Há aqueles que se gabam por serem belos
Mas há os que transmitem ensinamentos com apenas um beijo
E esses são os imprescindíveis.
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Há homens e mulheres que buscam fama e sucesso
Há outros que buscam serem reconhecidos como inteligentes intelectuais
Há aqueles que buscam muita cultura universal
Mas há os que se resignam conscientemente aos preceitos de Deus
E esses são os imprescindíveis.
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Há homens e mulheres que produzem obras de arte magníficas
Há outros que produzem construções duradouras
Há aqueles que produzem planilhas com cálculos gigantescos
Mas há os que alimentam dia-a-dia o mesmo lindo amor
E esses são os imprescindíveis.
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Há homens e mulheres que almejam serem chefes
Há outros que almejam manter sua moral intacta
Há aqueles que almejam o primeiro lugar da vida
Mas há os que se tornam alicerces de famílias inteiras
E esses são os imprescindíveis.
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Há homens e mulheres que planejam férias no exterior
Há outros que planejam uma aposentadoria farta
Há aqueles que planejam curtir a vida intensamente
Mas há os que fazem da própria vida sua maior obra
E esses são os imprescindíveis.
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Há homens e mulheres que constroem empresas internacionais
Há outros que constroem uma legião de fãs
Há aqueles que constroem estradas longínquas
Mas há os que semeiam a sabedoria das ações
E esses são os imprescindíveis.
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Há homens e mulheres que querem dar a última palavra
Há outros que querem sexo cotidiano
Há aqueles que querem a comida mais cara do cardápio
Mas há os que fazem das marcas um manifesto de respeito
E esses são os imprescindíveis.
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II
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Como não haver céu se eles um dia se irão daqui?!
Como não haver Deus se eles rezam?!
Como não haver amor se eles são?!
Por isso eu digo que
Há os que se tornam comprovações do eterno
E esses são os imprescindíveis.
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segunda-feira, 2 de abril de 2007
sábado, 31 de março de 2007
Capítulo 1... (enfim continuação)
Vocês se lembram desse post. Ele foi feito e postado no dia 24 de outubro de 2005. Para refrescar a memória eu to colocando ele aqui de novo. Ele exige um mergulho duplo.
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“- Sim respeitável público, dentro de instantes teremos aqui no palco o nosso querido Zacarias dos Trapalhões. É, vocês podem não acreditar, mas é verdade mesmo. Ele nos disse numa seção espírita que iria baixar em carne e osso aqui neste nosso planeta Terra e que ainda iria aparecer aqui com certeza, sem falta à meia-noite e já são 23 horas e 45 minutos. Vocês podem não acreditar, mas é a pura verdade. Nós aqui do circo Silver & CIA cumprimos o que prometemos. Sou dono deste circo, sou honesto e posso dizer que nenhum palhaço aqui nesta casa de Deus é ladrão de mulher.
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Nisso levanta uma mulher com uma criança em cada braço e diz:
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- Quem disse que nenhum palhaço aqui é ladrão de mulher. Quem você acha que é o pai dessas crianças que eu carrego nos braços. Hein, responde?
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O dono do circo fingia que não estava escutando e ficava olhando pra cara da mulher com uma cara de “fala mais alto” misturada com “quem essa parideira pensa que é”.
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A mulher que era decidida. Pegou as outras sete criancinhas que estavam perto dela e foi adentrando o picadeiro enfrentando alguns funcionários que queriam detê-la e enquanto falava muito alto pra todos ouvirem:
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- Quem disse que nenhum palhaço aqui é ladrão de mulher. Quem você acha que é o pai dessas crianças que eu carrego nos braços. Hein, responde?
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O dono do circo resmungou ao microfone debochando da mulher:
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- Meu Deus, estou tendo um Dejavi de som, ou melhor, eu acho que eu tô tendo um dejaOUvi.
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Mas o povo não achou muita graça não, já que a mulher estava muito brava e via-se na cara dela que ela não estava brincando.
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- Quem disse que nenhum palhaço aqui é ladrão de mulher. Quem você acha que é o pai dessas crianças que eu carrego nos braços. Hein, responde?
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No que a moça repetiu a mesma frase com a mesma entonação, tudo sonoramente idêntico, as pessoas começaram a reparar que havia alguma coisa errada no ar. Parecia que a mulher só sabia falar aquilo. Era como um gravador que se rebobinava automaticamente pra logo em seguida se repetir como se tudo naquele lugar tivesse retornado ao momento que aquela mulher tinha aberto a boca pela primeira vez.
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- Quem disse que nenhum palhaço aqui é ladrão de mulher. Quem você acha que é o pai dessas crianças que eu carrego nos braços. Hein, responde?
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Todos olharam para o dono do circo que já havia parado de fazer piadas e em cada rosto ele enxergou um pedido de resposta. A platéia parecia que apostava na resposta como única maneira de libertar aquele espetáculo de tempo em rodopios. E novamente.
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- Quem disse que nenhum palhaço aqui é ladrão de mulher. Quem você acha que é o pai dessas crianças que eu carrego nos braços. Hein, responde?
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As 7 crianças que não estavam no colo da mulher e que eram justamente as que já sabiam falar disseram:
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- Olá pailhaço...
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Silêncio...
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- Olá pailhaço...
.
Silêncio.
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- Quem disse que nenhum palhaço aqui é ladrão de mulher. Quem você acha que é o pai dessas crianças que eu carrego nos braços. Hein, responde?
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A mulher e as crianças começaram a se mover como máquinas. Os bebês de colo caíram do colo e iniciaram um arrasto desesperador pela serragem do chão. Todos tremiam muito e não havia mais o que se fazer. O pânico baixou em toda a platéia e em todos os funcionários daquele circo. Todos tentavam se mover, mas nada saia do lugar. Era como num sonho quando se quer correr, mas não se sai do lugar.
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Os bichos dormiam sossegados após seu trabalho diário de fingir inferioridade.
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As crianças tremendo se espalhavam tremendamente e começavam a se aproximar do público, outras delas se aproximavam dos funcionários que se debatiam contra o ar tentando alcançar algum gancho aéreo pra encaixar os dedos que mais pareciam minhocas tentando entrar em terra seca.
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O Dono do Circo...
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O dono do Circo não sabia o que fazer quando os bebês agarraram seus calcanhares e começaram a babar na sua roupa de linho. Ele não podia mexer seu corpo só sua cabeça o obedecia, como as dos outros presentes. Ele chorou... Os bebês não tinham pupila mas seus olhinhos emanavam uma piedade descomunal.
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Ele chorou.
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O mundo não se movia mais.
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E um segredo seria revelado pela mãe das 9 crianças.”
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Daí depois como complemento eu disse:
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“Ia postar sobre um lugar que eu fui no domingo mas acabei fazendo esse texto. Escrevi ele porque não agüentava mais escrever viagens em primeira pessoa ou coisas mais ou menos pessoais em terceira pessoa ou textos sem compromisso nenhum. Comecei essa história também sem compromisso, mas conforme foi indo eu resolvi levar mais a sério e dar uma unidade pra ela. Só tem esse (entre aspas) capítulo (entre aspas) pronto. Não tenho nem noção do que vai vir, e espero conseguir continuar ou pelo menos lembrar e ter a disciplina de continuar. Escrevi um texto muito nada a ver pra colocar no dia do meu aniversário, mas vou colocar assim mesmo. Falou...”
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O Davi comentou assim nesse post:
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“Wagner, um lembrete pra vc. Naum se ativa a curiosidade de um curioso sem sacia-la depois! Qual é esse bendito segredo?????? Por facor, naum va me deixar a vr navios!!!!
Brincadeira!!!!!!
Legal o txto, mas ve se termina hien!!!!
Falow!
Davi!”
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Daí eu me senti intimidado a terminá-lo. Ele está no meu desktop desde o dia 23 de abril de 2006, e como eu tô querendo esvaziar ele, resolvi escrever esse tal segredo que a mãe ficou de revelar. Segue o texto. Espero não desapontar depois de tanto tempo. rssss
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E a mãe enfim, depois de 522 dias paralisada esperando o momento exato de contar o segredo, resolveu pronunciar as palavras. Os filhos mais novos não engatinhavam mais, e alguns dos mais velhos já iam para detrás da lona do circo para se masturbarem. O mundo estava paralisado há 522 dias. Já era 31 de março de 2007 e desde de 24 de outubro de 2005 que nada passava. Todos os verbos tinham se tornado gerúndio. A terra era uma fotografia em 3D. Uma maquete gigantesca com marionetes extremamente expressivas feitas de carne congelada em temperatura ambiente.
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As pessoas do circo estavam morrendo por atrofia muscular já que não podiam se mover, mas nenhuma delas sentia necessidades biológicas. O pensamento humano só funcionava debaixo daquela lona. Eram pessoas escolhidas para estarem ali.
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Fora daquele espaço, o resto da humanidade nem vivia, pois não havia tempo. O tempo havia parado a matemática, que parou a química, que parou a micro-física, que parou a biologia, que parou a física, que parou as línguas, que parou a psiquiatria avançada, que parou a psicologia, que parou a sexologia, que parou a agronomia, que parou a metalurgia, que parou a engenharia, que parou a administração, que parou o marketing, que parou a economia, que parou a antropologia moderna, que parou a sociologia contemporânea, que parou a filosofia eterna, que parou o direito, que parou a política, que parou as instituições, que parou o poder, que parou a religiosidade, que parou a fé, que parou o mundo enfim.
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A mãe, movendo silenciosamente a boca, fez as pessoas sob a lona despertarem do torpor. Todas a olharam implorantemente assustadas porque sabiam que estavam ali esperando há muito tempo, mas não faziam nem idéia de quanto tempo se constituía essa espera. A mãe olhou em volta. Sentia que a necessidade dela dizer alguma coisa estava quase concreta e começava a ocupar espaço no lugar. Era uma experiência metafísica, e era justamente isso que ela queria.
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A necessidade de palavras pediu licença, e começou a invadir os pedaços daquele circo. O tempo de espera anterior foi capaz de acumular-se com tanta intensidade que ultrapassou a barreira da intenção e se tornou fato. As pessoas não viam, mas sentiam. Começavam a serem esmagadas.
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A mãe, por saber disso, cada vez mais dava a entender que iria falar alguma coisa, mas sempre no final se calava. Enchia os pulmões de ar, inclinava o corpo levemente para frente, abria mais os olhos até que murchava um pouco e aquietava-se novamente.
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Fez isso umas 3 vezes e o ar se adensava impressionantemente a cada ciclo de intenção de dizer. As pessoas estavam a ponto de serem implodidas de tanto silêncio. E então ela disse depois de 522 dias:
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- Vocês notam?
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Não houve respostas. As pessoas mal respiravam. Havia só um gemido geral que sonorizava a asfixia por excesso. Ela repetiu com um pouco mais de veemência:
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- Vocês notam? Vocês notam a vontade impregnada no ar? A carência sentada entre vocês? Vocês percebem a força física dos teus desejos? Vocês estão compreendendo que grande parte do que existe no mundo e fruto de seus impulsos internos?
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As pessoas não diziam nada, mas começavam a ter a impressão de que estavam começando a entender. Tudo bem no começo como se pode perceber.
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Houve uma pausa.
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- O mundo é de cada - a primeira frase afirmativa do ano retirou 300 joules de pressão do local – o mundo mora dentro. E nós moramos dentro de um outro mundo de fora. Mas isso não significa que dentro e fora sejam independentes um do outro.
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Conforme a mulher falava mais e mais, uma ventania estonteante começou a sair do centro do circo para fora da lona estufando o tecido. E a mãe começou a bradar alto com os cabelos bailantes dizendo que aquele vento era a presença física da carência de palavras que ela havia gerado nas pessoas e que por isso se tornou realidade ao redor daquele picadeiro.
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- Vocês são criadores de realidades. Eu nunca existi. Vocês me fizeram aqui dentro desse circo. Vocês vieram ao circo na busca de sonhos esclarecedores. Esse é o lugar onde eles se concretizam e por isso eu me fiz aqui. Eu sou um acumulado de vontades e segurei vocês aqui todo esse tempo porque só assim vocês me ouviriam e seriam partes integrantes dessa verdade que se tornaria irrefutável. Eu sabia que assim seria feito.
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O vento nesse momento estava arrebentando as estrutura, mas as pessoas ainda ouviam perfeitamente a mulher falando com eloqüência. Aos poucos alguns músculos de alguns indivíduos começaram a se mover. Os animais estavam se despertando do sono e tranqüilamente olhavam com sabedoria aquele espetáculo aeromodelista.
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- Minhas nove crianças são filhas desse homem sim. Mas este homem não é este homem. Ele é apenas um corpo físico que serviu de veículo. Quem está dentro dele é que vale por milhões.
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Neste momento o homem desmaiou no chão como se seus ouvidos tivessem acabado de ouvir um chamado de forças e a musculatura simplesmente se desmontou depois de perder seu tônus primitivo.
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- Minhas nove crianças se dissiparão pelo 8 pontos caldeais e colaterais da terra e a nona estará plantada no centro do planeta esperando a hora da ruptura. Assim será feito. Assim já é.
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Com este derradeiro verbo a mulher fez as crianças saírem voando pelos ares enquanto a menorzinha, e única menina, penetrou violentamente a terra como um prato grosso de ferro caindo num caldeirão de feijão.
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As pessoas se mexiam em suas cadeiras admiradas, mas em momento algum sentiam medo. Um instintivo entendimento começou a tomar conta dos ouvintes.
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- Não há o que ser feito. Tudo será veicular. Não há erro, pois tudo será indutivo de outrem.
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Após estas palavras a mulher começou a desaparecer enquanto repetia e repetia.
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- Não há o que ser feito. Tudo será veicular. Não há erro, pois tudo será indutivo de outrem. Não há o que ser feito. Tudo será veicular. Não há erro, pois tudo será indutivo de outrem. Não há o que ser feito. Tudo será veicular. Não há erro, pois tudo será indutivo de outrem.
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E sua voz foi se esvaindo longe e longe como se estivesse sendo levada pelos ventos que começavam a se enfraquecer.
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Nesse momento o circo virou um rodamoinho que foi se intensificando enquanto as pessoas foram ejetadas para longínquas partes do globo. E o local simplesmente não é mais um local. Enfim, fim.
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Lembro me dessa história que acabei de contar como estivesse acabado de vivê-la. Estou com uma dor no corpo como se estivesse caído do alto. Um misto de ficções.
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Juro por deus que me sopraram o começo dessa história no dia 23 de outubro de 2005 e me lembro de uma voz me dizendo para escrevê-la aqui no meu blog. Fiz isso sem entender. Me lembro bem desse dia como se fosse antes de ontem. Hoje, 31 de março de 2007, sinto como se estivesse voltado ao meu lugar.
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Em minha memória resta apenas esse acontecimento da mulher no circo que acabei de contar. Me parece uma espécie de sonho e eu, não sei porquê, senti que a minha missão era escrevê-la aqui nesse blog até o fim. Não sei direito, mas ela está na minha cabeça como uma espécie de sonho real. Apenas sentei e a escrevi
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Agora que voltei, vi que meu blog está cheio de posts novos. Do nada me veio à memória a notícia que o Lula se reelegeu, que o Brasil não ganhou a copa do mundo e que o BBB6 teve a participação de um cara de Passa Quatro. Que coisa estranha. Tenho fotos que não tirei e poesias que não escrevi. Registros meus em lugares que não estive. Sinto como se eu tivesse passado 522 dias fora vivendo nesse mundo, só que ele estava parado e havia um pedaço de mim em outro lugar. Minha consciência talvez estivesse sei lá aonde.
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Realmente me parecia que esse mundo estava parado, mas ele não estava, afinal hoje é dia 31 de março de 2007. Meu deus, o que que aconteceu comigo? Uma estória que começou sem pretensões, tomou conta da minha realidade, alterou meu destino e agora me vejo de volta a uma nova realidade de um mundo que eu julgava estar parado, quando na verdade ele se modificou em seu ritmo usual.
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Não sei o que dizer. Meu quarto tem uns enfeites que não coloquei. Meu pé tem um inchado que não sei porquê. Que mundo é esse que vivo hoje? Já ouvi dizer de histórias que ultrapassam a realidade, mas essa foi demais.
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Enfim, acho que vou terminar por aqui. Comecei a fazer esse texto para me promover e acabei me envolvendo demais com ele e parece que nem vivo mais. E desculpe por não ter aparecido no circo como prometeu meu o personagem criado por mim mesmo. Estava na platéia o tempo inteiro pronto para aparecer, mas fiquei com vergonha de me apresentar, afinal eu sou tímido, né gente!!!
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Assinado: Zacarias.
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akakaka, espero que assim eu tenha fechado de maneira inusitada todos os tópicos levantados pelo texto feito há 522 dias atrás. Afinal, num circo onde o Zacarias promete aparecer, podem acontecer coisas das mais diversas, inclusive mulheres mágicas, crianças mensageiras e ventanias que se desfazem em lugar algum para depois se mostrarem que em verdade foram todas inventadas pelo próprio Zacarias que foi abduzido pela própria história e se sentiu assustado e agora diz estar morto, mas depois se desculpa por não ter cumprido a promessa que seu próprio personagem fez dentro da história que ele mesmo criou, ou seja, ele se sentiu intimidado por um objeto hipotético fruto de sua própria imaginação.
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Por essas e outras que eu disse que essa história exigia um mergulho duplo. E se a gente ir mais além, pode-se dizer que em 24 de outubro de 2005 eu fui o próprio Zacarias quando iniciei essa história, já que naquele dia eu era o criador-narrador direto da trama que depois de 522 dias se tornou criatura envolvida na criação.
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Enfim, uma doideira feia como há muito tempo eu não fazia.
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Escrever assim cansa, viu. Dá pra fazer um paralelo entre a história, esses 522 dias da minha vida e os ditos da mulher personagem que eu não escrevi por acaso, mas vai ficar quadrado e chato demais se eu ficar explicitando o significado, e eu não quero isso. Prefiro parar por aqui.
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Falou.
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quinta-feira, 29 de março de 2007
A "conclusão" mais sã de hoje e sem etc
Pra fazer um paralelo com o post do dia das mulheres (8 de março), batizei esse assim. E a conclusão de hoje foi:
Como é bonito isso, não... Merece até umas exclamações.
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A classe média é o amalgama da sociedade!!!!!!!!!!!!!!
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Rssssss
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Rssssss
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- Então pára, PORRA.
- Tá certo, já vou parar. Mas antes só uma coisa...
- Hummm, diga...
- Sua frase foi tão brava, não... Merece até umas exclamações.
- Já disse pra parar, PORRA!!!!!!!!!!!!!!
- Aí estão elas. Parabéns, você as colocou por sua conta.
- Ahhh, seu filho da PPPPP!!!!!!!!!!!!!! (14 exclamações)
- akakakaka, de novo.
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14 exclamações amalgamantes para vocês. E boa noite!!!!!!!!!!!!!!
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p.s: O que que a classe média é mesmo??????????????
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14 interrogações inquietantes para vocês. E bom dia. (4:30 a.m)
segunda-feira, 26 de março de 2007
2 mineiros (um pelo outro)
domingo, 18 de março de 2007
sexta-feira, 16 de março de 2007
Dossiê MTV (vale a pena ler)
Essas são as considerações finais de uma pesquisa que a MTV fez em 2005. Há outras duas versões de 1999 e 2000, e essas considerações que estão aqui embaixo fazem uma comparação de alguns pontos pra mostrar tendências. É impressionante como muitas coisas batem e fazem muito sentido de serem como estão sendo. Estou publicando isso aqui porque achei interessante e seria legal que nós conhecêssemos como anda nosso mundo jovem. Adoro esses levantamentos de tendências. É um exercício que mistura matemática com sensibilidade, e olha que isso é possível. akakakaka Bem vindos a um pedaço do Dossiê MTV 2005. Que fique claro que eu não estou usando ele para fins comerciais. Isso pode dar cadeia.,., akakaka. Leiam, é grande, mas é muito foda...
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Em 1999, apontamos o encontro de duas ondas de gerações (pais & filhos) que estavam numericamente “crescidas” e iniciavam uma “competição” por aparência jovem, por mercado de trabalho, por guarda-roupas parecidos.
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Essa tendência acentuou-se fortemente e as duas gerações ficaram ainda mais próximas. Temos fatos novos e importantes: a questão da idealização da juventude, a mudança de identidade do mundo adulto, os movimentos nostálgicos em relação à infância e, na relação familiar, a transformação dos pais em amigos.
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A juventude virou valor máximo, obsessivamente preservado por quem naturalmente a tem e arduamente perseguido por quem está biologicamente distanciando-se dela.
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E o movimento que acentuou esse encontro vem das duas direções. Tanto adultos como adolescentes praticam comportamentos que não são considerados típicos do “seu” momento
de vida: “quarentões, cinqüentões…” vão a shows e baladas, ficam, planejam seus primeiros filhos, enquanto jovens fazem cirurgia plástica e têm experiências sexuais cada vez mais cedo.
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Paralelamente, os reflexos de extrema valorização da juventude mesclam e antecipam as clássicas “passagens” do crescimento:
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- Crianças em torno de 10 anos começam a comemorar aniversários em salões de beleza.
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- Meninas de 17 anos comentam: “eu tive mais infância que as crianças de hoje” ou “já me
sinto velha para as baladas”.
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A identidade do mundo adulto está mudando, está perdendo contornos diante dos olhos de jovens que vêem pais e mães, estressados pelo trabalho, serem mais felizes quando se comportam como jovens.
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É difícil desejar crescer quando o crescimento significa apenas enfrentar barreiras, porque prevalece a sensação de que a parte boa do mundo adulto, os jovens já conquistaram: liberdade, vida sexual, os de maior poder aquisitivo estão protegidos pela família etc.
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Os pais estão tão mais próximos, tão pertencentes ao universo jovem, que passaram a conduzir a relação com os filhos pela dimensão da amizade.
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As relações familiares que já não apontavam conflitos em 1999, caminharam na intensificação desse estreitamento da relação, e agora pais chegam a partilhar confidências sobre sexo, drogas, freqüentam as mesmas festas, ou dividem os mesmos amigos.
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E os papéis de pai e mãe são, muitas vezes, desprezados, em favor da figura do amigo jovem que contracena exatamente no mesmo palco.
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Os filhos já evidenciam certo desconforto com a ausência da porção pai e o excesso do lado amigo.
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Do indivíduo valorizado, da individualidade respeitada, evoluiu-se para o individualismo, que já estava presente em 1999 e que hoje está significativamente mais expressivo.
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Ele foi crescendo no ambiente doméstico, com a consolidação dos espaços privados dentro de casa e com o desencontro de horários e interesses entre familiares ocupados com suas próprias vidas.
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A tecnologia, claro, é também a grande contribuinte dos mundos cada vez mais particulares. A TV, o rádio, os equipamentos de som, o telefone, evoluíram do uso compartilhado para o individual, mas, como lembra Denise Schittine em seu livro “Blog: comunicação e escrita íntima na internet”, o computador já foi concebido para uso individual.
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A internet de alta velocidade aumentou a oferta de serviços de entretenimento voltados para o indivíduo.
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O individualismo manifestou-se também nos relacionamentos afetivos, onde o jovem procura proteger seu espaço como indivíduo: melhor ficar que namorar. E o próprio ficar já está derivando seu sentido para algo ainda mais superficial, onde sentimentos, ainda que momentâneos, já chegam a estar totalmente ausentes. As relações com algum tipo de responsabilidade emocional ou compromisso - ainda que reduzido - são postergadas.
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É o individualismo, alimentado em casa, preservado nas relações pessoais, manifesto na moda cada vez mais customizada, cada vez mais superposta por uma infinidade de leituras.
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O mundo da rua não é, decididamente, foco de interesse do jovem. O índice de entrevistados que participam ou participaram de algum tipo de movimento social caiu expressivamente em relação a 1999.
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A sucessão de fatos novos e mudanças está causando um fenômeno incontestável: a sensação de que o futuro se torna presente, na mesma velocidade - absurda - com que o presente se torna passado.
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As ferramentas e possibilidades trazidas pela tecnologia, assim como o consentimento familiar e social para novos comportamentos em relação ao outro e a si mesmo, trouxeram novas formas de viver, de comunicar-se e um novo tempo para vivê-las.
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O “right now” do mundo jovem globalizado é o mesmo imediatismo que circunda e caracteriza o comportamento do jovem brasileiro, que se reconhece como geração impaciente, com pressa.
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A comunicação intensificou-se, ganhou nova roupagem. A internet, que em 1999 era ainda uma promessa de alterações no comportamento, realmente mudou muita coisa. Já é acessada pela maioria da amostra, e tornou cotidiana a comunicação através da rede.
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A internet superou os questionamentos sobre ser responsável pelo isolamento dos jovens, passando a ser um dos seus meios de comunicação preferidos e passando também a intensificar essa comunicação.
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A internet conectou diferenças, possibilitou aproximações improváveis, criou alternativas de comunicação mais seguras e mais rápidas. Abrigou novos códigos de linguagem. Os celulares já são absolutamente expressivos e também criaram um novo universo de comunicação em torno deles.
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As mulheres passaram a usufruir de comportamentos que antes eram exclusividade dos homens, abrindo assim mais espaço para a experimentação.
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No campo da sexualidade, enquanto alguns já lamentam os excessos, outros ponderam que o processo de experimentação é natural e vital para a felicidade em escolhas mais definitivas, outros simplesmente comemoram a possibilidade real e consolidada de viver intensamente a liberdade de experiências sem compromisso.
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É tempo de experimentações maximizadas para a sexualidade sem fronteiras de sexo, sem juízos de valor, sem culpas.
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Assim como é tempo, também, de ficar e sonhar com o namoro, ou declarar que, no fundo, é um pouco chato quando tudo sempre resulta em nada.
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A vaidade, que já vinha correndo em paralelo crescente com a tendência de valorização da juventude, atinge hoje uma expressividade muito maior.
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E, aqui, se as mulheres mantêm-se fortemente engajadas em moldar e conquistar o ideal de beleza, malhando em academias ou fazendo lipoaspirações, mantendo a pele imaculada ou tatuando-se etc., o fato realmente novo é o comportamento dos homens que, definitivamente, nunca mais serão os mesmos.
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A vaidade masculina assumida e valorizada está trazendo não apenas novos comportamentos, mas novos valores.
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Além de homens que fazem limpeza de pele, tingem os cabelos, cuidam das unhas, temos a iminência do espaço para um homem de perfil mais sensível, mais cuidado.
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A vida privada virou pública, é partilhada na rede, chegou à TV, às revistas; a mídia tornou desconhecidos, ilustres, assim como fez de ilustres, desconhecidos.
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Celebridades muitas vezes se perdem rapidamente, porque o conceito de celebridade se perdeu. As celebridades de essência estão ficando mais distantes. As referências são outras.
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As drogas estão mais próximas.
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Configuraram-se como um universo complexo, que, justamente pela proximidade, não permite mais um raciocínio simplista ou unilateral para sua avaliação e julgamento.
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É mais fácil reconhecer as drogas por seu poder de status ou moda, do que mapeá-las por similaridade nos efeitos colaterais.
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De 1999 para cá ocorreram mudanças fundamentais no universo jovem.
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Temos o retrato de uma geração que está em obras, vivendo em um momento no qual o mundo está em obras.
quinta-feira, 8 de março de 2007
A "conclusão" mais loka de hoje e etc
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Uma música das boas sobre vocês e para vocês, cantada por Elis.
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Parabéns!!!!!!!!
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Essa Mulher (Elis Regina)
Composição: Joyce/A.Terra
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De manhã cedo essa senhora se conforma
Bota a mesa, tira o pó, Lava a roupa, seca os olhos
Ah, como essa santa não se esquece
De pedir pelas mulheresPelos filhos, pelo pão
Depois sorri, meio sem graça
E abraça aquele homem, aquele mundo
Que a faz assim, feliz!!!
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De tardezinha essas menina se namora
Se enfeita se decora, Sabe tudo, não faz mal
Ah, como essa coisa é tão bonita
Ser cantora, ser artista
Isso tudo é muito bom
E chora tanto de prazer e de agonia
De algum dia qualquer dia
Entender de ser feliz!!!
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De madrugada essa mulher faz tanto estrago
Tira a roupa, faz a cama, Vira a mesa, seca o bar
Ah, como essa louca se esquece
Quanto os homens enlouquece
Nessa boca, nesse chão
Depois parece que acha graça
E agradece ao destino aquilo tudo
Que a faz tão infeliz!!!
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Essa menina, essa mulher, essa senhora
Em que esbarro toda hora
No espelho casual
É feita de sombra e tanta luz
De tanta lama e tanta cruz
Que acha tudo natural...
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segunda-feira, 5 de março de 2007
Poema MCCCLXIV
Se me envolves com teus encantos
Sinto-me perdido em tamanho frescor de adultério.
Se me ofereces a face
Te desejo um tapa de carícia individual,
Pois é dando que se recebe
E é perdoando que se é perdoado.
És culpada por ser facilmente amável,
Mas te perdôo do fundo do meu coração,
Por isso testo tua tolerância
Te causando ânsia em me detestar
Quando só te resta querer.
Faço isso pelo teu bem.
Cativo teu ódio na prisão da dependência
Para que eleves teu espírito
No perdão compulsivo.
Sou teu santo e martírio.
Teu purgatório enfim.
Local de preparação,
Uma chance derradeira,
Sou teu companheiro terreno
Uma cruz cicatrizante,
Mentecapta de equilíbrio.
Deves o bem e o mal a mim,
Deves amor, romance exclusivo
Enquanto deleito-me de multidões.
Repito que faço isso pelo teu bem.
Irás para o paraíso,
Já eu,
Dormirei nos braços do fogo.
Dou minha vida,
Pelo teu eterno bem viver.
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sábado, 3 de março de 2007
dI-gestão-Id (i de identificação)
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digressão,
regressão,
regresso,
resgate,
progresso,
processo,
combate,
embate,
me bate,
restinga,
restolhos,
piolhos,
fiapos,
farrapos,
trapos,
calados,
colantes,
colágeno,
gentio,
gentil,
gentileza,
beleza,
bondade,
bonança,
aliança,
aliado,
vidrado,
viagem,
vantagem,
vida,
ida,
id,
I (eu).
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dI-gest(aç)ão
quarta-feira, 28 de fevereiro de 2007
Segunda leitura
Queria novamente achar uma frase que me resumisse.
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Queria encontrar no mundo uma imagem que me encerrasse num zero conclusivo e deliciosamente repetitivo.
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Sem sobrar nem faltar nada.
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Claro que não seria possível um elemento que representasse todos os meu eus. Pelo menos disso estou ciente. Digo apenas que eu queria encontrar uma imagem que fixasse a sensação ou que gerasse uma completa empatia momentânea em mim. Um achado de encaixe que calasse os desânimos a partir do momento que fosse postado em postas.
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Há uma contração entre minhas sobrancelhas, uma inconclusão que pesa nos meus olhos e me impede de os abrir. Sei da impressão negativa que assim passo, mas é desta maneira que passo aquilo que passo por passar o que passo, passo a passo, ou seja, Wagner Passos. Não tem outra conclusão. Eu Passos por caminhar sem foco.
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Gostaria de evitar as frases longas, mas não me permitem, sou apenas objeto dos criptográficos de outrem.
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Por que frases não resumem se é essa sua função? Frases são feitas para resumir facetas de mundos internos, assim creio. Mas se não encontramos a frase capaz do feito, isso significa que a frase não existe ou o mundo interno está tão quasímodo que modo frasal algum o redime de seu labirinto?
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Perguntas são imperativas e fazem todo olhar se curvar. Hiperatividade de questões. Roer de unhas. Quarto vazio. E um mantra vindo da ventoinha do computador. Nada tão expressivo assim. Vivo eu nessas paredes coloradas de adornos contemporâneos. Quanta insignificância, meu deus. Servem apenas para eu ganhar espaço na horizontal em extinção, enquanto perco tempo na vertical espiralada que se multiplica num bailar de dedos que assim dançam na esperança de abrir outras dimensões.
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Pobre dos meus. Não acredito na liberdade deles. Vou aprisioná-los até a morte da carne. Serão escravos do meu não-querer disfarçado de timidez. Aliás, o meu não-querer já é um disfarce que, pra variar, não quero saber do que. Só sei que assim é.
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Um sangue que se limpa por promessa pode revelar os escombros que restaram de outros tempos. Escombros cansados, mais ou menos mortos, mas necessário para a tradução literária re-avidante.
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Evito neologismos, mas há momentos em que simplesmente sou negativo de mim.
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Palavras de salvação.
quarta-feira, 7 de fevereiro de 2007
domingo, 4 de fevereiro de 2007
Músicas cantadas a ca (postagem 200)
Dos gardenias para ti
Dos gardenias para ti
A tu lado vivirán y se hablarán
Pero si un atardecer
sábado, 20 de janeiro de 2007
POSTAGEM 199
en la pampa y en el mar
Cada cual con sus trabajos
con los recuerdos detras
segunda-feira, 8 de janeiro de 2007
Benita Carneiro e eu - xik demais - rsssss
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