quarta-feira, 16 de julho de 2014

110) Nem sei


Eu não quero nunca mais amar por aí
Vagando passo a passo pela noite a dentro
Já bastam as andanças da procura insana
Um caminho infinito rumo ao que eu nem sei

Eu não quero nunca mais um melodrama vivo
A realidade basta de um poema meu
A corrida contra o tempo é algo irrelevante
Deixe que a vida passe por você

Eu olho, eu ando
Mas o tempo não pode parar
Eu vivo, eu penso
Mas a corrida, mas o corpo, mas o vento
Um instante, um momento
A explosão de um rebento
A construção de tudo dentro
De um ser que eu acento
Não se acha, não consegue achar

Eu canto, eu grito
Mas a cidade se transforma em mar
Eu toco, eu pinto
Mas a tela, o esboço, o alimento
Na carência do meu centro
Um protocolo que inocento
Esse crer no que é alento
Condenando o movimento
Se estatiza ao se isolar

Eu já nem sei o que te dizer
A poesia foge da memória fugaz
Os versos nos meus ombros não pertencem a você
A neblina dessa noite já vem nos separar

Não estou apaixonado, muito menos pra poeta
A secura do real não me deixa mais amar
Perdoe os meus modos e a vivência que me veta
A ânima de meu ser não consegue se libertar

Ao formato do que toco
Ao calor que me rodeia
Um processo de influências que um dia me cedeu
Ao meu eu que me provoco
Ao caminho em lua cheia
Um conjunto de vivências que surgia e que sorveu

Eu não quero nunca mais correr por aí
Correndo como um louco rumo ao amanhã
Já bastam as andanças da procura insana
Às vezes o melhor é saber esperar

Eu não quero nunca mais um melodrama vivo
O fatalismo besta de um ser que não crê
A simplicidade voa solta pelo vento
Deixe que a vida passe por você

Eu olho, eu ando
Mas a cidade não pode parar
Eu vivo, eu penso
Mas a corrida, mas o corpo e o alimento
O instante de um momento
Da carência do meu centro
A construção de tudo dentro
Condenando o movimento
Se estatiza, não consegue achar

Eu canto, eu grito
Mas o tempo se transforma em mar
Eu toco, eu pinto
Mas a tela, o esboço e o vento
A explosão de um rebento
Esse crer no que é alento
De um ser que eu acento
Um protocolo que inocento
Não se acha ao se isolar

Eu já nem sei o que te dizer
Eu já nem sei o que te dizer
Eu já nem sei o que te dizer
Eu já nem sei...

SOLO

Eu olho, eu ando
Eu vivo, eu penso
Eu canto, eu grito
Eu toco, eu pinto

Eu já nem sei o que te dizer
Eu já nem sei o que te dizer
Eu já nem sei o que te dizer
Eu já nem sei...

Eu já nem sei...
Eu já nem sei...
Eu já nem sei...
Eu já nem sei...

Nem sei...
Nem sei...
Nem sei se sei...
Não sei...

Começo 21/11/2002 – Indo para Hamburgo
Fim: 25/11/2002 – Em Neuss – 21:19
(Este escrito foi feito para ser uma música)

111) (Sem título)


Sabe quando dá vontade de fazer rimas bonitas
Mas não tem o que ou quem, algo ou onde se rimar
São nessas horas que me bate um vazio sem fronteiras
Um negócio meio infindo, algo vago de explicar

Vem e vão temas e versos por caminhos espaciais
Vão e vêm sons e links em horários casuais
Passa e fica (pacifica) a sensação de que algo será perdido
Passa e fica a sensação de um dever que não foi cumprido

Não existe, não se sente a obrigação no momento agora
No agora, no presente, algo flui, algo vigora
Direções, frases e linhas, tudo vem em forma vida
Redações, frases e milhas, todo o zen tem sua saída

Eu voo
Eu vago
Eu fugo
Eu vou
Em voo
Eu solto
Viajo
Eu tranze
(1ª p.s afirmativo imperativo)
Sem imperação
A velocidade
A reciprocidade
Não necessidade
Profundidade
Ciência para própria demência
Imaginário
Imaginaéreo
No ar
Na terra
Na era
Na pupila
Rondando a minha cabeça

Loucura
Louca estrutura
Sábia louca estrutura
Sábia idade da loucura
Sábia idade de fazer loucuras
Sábia idade de fazer ritmadas loucuras
Pequenas loucuras
Loucuritas
Loucuronitas
Loucuras bonitas
Sábio bando, sábia idade de fazer ritmas loucuras bonitas
Sábie bando à idade de fazer ritmas (uras ras as) bonitas

Sabe quando dá vontade de fazer rimas bonitas

Sabe quando dá vontade de fazer rimas bonitas
Mas não tem o que ou quem, algo ou onde se rimar
São nessas horas que me vem um vazio sem fronteiras
Um negócio, há carência, algo novo pra explicar

E vem, ao menos, transborda...
Um bem de Vênus, transporta...
O Co-de-senos, a porta?!

Um são de sonhos, não diga!
Um pão de punhos, intriga?
Um cão de cunhos, me liga...

O mato e o mito, histórias...
O gato e o grito, memórias...
O rato e o rito, retórica.

Apenas retórica vazia...

19/12/2002 – Neuss – Alemanha

112) Jana (Última poesia do intercâmbio)


Momentos são momentos
Assim como lágrimas as são
Lugares são ocasiões
Sentimentos são fatos
Do choro da mulher
Que se entrega ao seu braço e voz
Dos beijos de carinho
Dos contatos quase intrapessoais
Das luzes de um abajur de cabeceira
A iluminar os olhos brilhantes
Os úmidos olhos de carinho e saudade.
É saudade
Uma pré-saudade
Uma ligação, um som, uma insegurança:
O amanhã?!
O amanhã vem pra separar
Um futuro, um sinônimo de dois
De dois mundos distantes
E que nessa distância entra muito mais
Que espaço e tempo
Entra fatos que enrolam
Fatos do quase fatalismo da vida
Algo de uma extrema dramatização, real
O que eu ainda posso dizer?!
O que eu ainda quero sentir?!
Do fundo do azul dos olhos de alguém
Eu tiro perguntas e frases
Do fundo das pupilas
Do coração que pulsa
Eu tiro a inspiração e a análise
A profundidade de um momento.
De um ser que chora, tiro eu!
Do fundo da minha garganta
Tirei a melodia
A melodia que levou ao fato
Do fato ao momento
Do momento ao ato
Do ato ao psíquico
Do psíquico...
Tiro o agora!


04/01/2003 – 0:26 a.m - Kotzting – Alemanha

113) Dialoguismus (Última poesia do 2° Caderno)


Conversas à noite, rios
Caudalosidade
Fluência

Pessoas em trocas, fios
Reciprocidade
(In)fluência

No olhar, no riso
Num livre encaminhar de palavras
Ideias
Gestos
Um protesto, uma revolta
Volta-se, se condensa
E pensa e aprimora
Num agora, num momento
Em seres sem acento, sem o centro
Sem um fixo
É crítico
Mas não critico

Há tolerância entre pensares
Pois apesar dos pesares
Temos todos: vez e lugares
Ares e olhares
Entre pensares, há tolerância
Ânsia de substância
Um querer de sustento
Dentro
Bem dentro
Aflora vento
Sem veto de florada
Fluorescentes
Em crescentes quereres que creem

Filosofias
Às vezes filos sem vias
Que vias?
Que trias?
Que tríades?
São só Odes que são
Vão no vão, no meio
Em religião, no escanteio
Em deformação, no candeeiro
Tão que me são
Tal que me veio
Na descamação
Na porta de um seio
Em flor que no chão
Em canto-canteiro
Em rimas ou não
Em rimas de cheiro

Em rimas pra viveiros
São rimas pra videiras
Em rimas como essas
São fluxos de conversas
Num símilo
Com versos
Conversos
Consensos
Concisos
Condiços
Com círculos
Sem cálculos
Compactos
Reflexos
Reflixos
Genéricos
Multi-plásmicos
Pásmicos
Dinâmicos
Dinásticos
Ginásticos
Mentálicos
Supéricos

Num momento, num agora
Algo flui, algo vigora
Quem chega, se senta
Se não senta, só entra!
É livre, é forte
É sem compromisso
Um apresentar
Um trocar
Um crescer
Talvez um nascer
Um (re)nascer
São assuntos, todos juntos num bolo
Um mexido dinamizado
Onde tudo está
Onde tudo se dá

Num momento
No ambiente
No quente
No frio
No calor do contato verbal
Ideal, de ideias
Sem perfeição
Com ou sem afeição
É aquilo
Nada a mais
Nada a menos que mais
Talvez só teorias
Talvez já praticadas
Praticaticidade
Rápida
Rica
Sem “me explica”

Uma janela que se abre
Um sol que se fez
Frestas
Um calor que invade o local
É o ar que transborda de dentro do oral
É o mais fundo de um respirar
São mundos do florescer, o desabrochar
A polinização

Uma polinização idealizatória (não utópica) de retro canais do intelecto-neural-psíquico-ser de um sido

Particípio causado pelo não passivo de ideias, uma não aceitação por partes dos lados do todo

São fluxos e aspirações

Desejos e turbilhões de massas propulsoras e cientifico-religiosas de todo um complexo que vigora devido ao refinamento superlativo do discurso em questão

A indagação do por que e da essência de tudo isso é algo inadiável

E em uma simplificada e realizadora reação, tudo se resume em fatos básicos

Como sempre
Com tudo
Como um verso
Com um verso
Com converso
Com conversa!

Com-versemos!

Com conversas a noite, cios
Pessoas em trocas, fios

Pessoas à noite, fios
Conversa em trocas, cios (ciclos)

O bem estar de um ser social
A procura do novo

Que anseia pela conversa do próximo
Que em conflito te põe

Que te dualiza!

Gosto de trocas que me dividem!

30/01/2003 – 3:46 a.m – 19 anos – Itanhandu - MG

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A partir deste ponto, as poesias não foram passadas a limpo. Estes dois primeiros cadernos são os únicos preenchidos com poemas revisados.

Outros escritos estão somente nos originais, em outros dois locais (cadernos 3 e 4). Algumas coisas deles foram digitadas e colocadas aqui no blog, mas, a grande maioria, está como como e onde foi criada.

Talvez, mais pra frente, eu resolva iniciar esta outra empreitada que, a meu ver, vai dar ainda mais trabalho.

quinta-feira, 3 de julho de 2014

Homeopatia da Quietude

Machuquei minha garganta 
há uns dias atrás. 

Hoje resolvi 
tomar um remédio 
chamado 
SILÊNCIO. 

Que gosto bom ele tem!!!



segunda-feira, 30 de junho de 2014

Post 1234


A magia não tem fim.

Nem nunca é simples. Por mais sutil que possa ser.

Todo aquele que faz magia é um átomo do todo que o alimenta para o bem como para o mal.

Toda magia está subjugada à lógica infinita da sabedoria suprema. 

Por isso, toda magia, a longo prazo, tem sua resultante precisa, independente de sua complexidade.

E todos os grandes líderes e médiuns sabiam disso.

Bem como todos os pequenos médiuns têm que saber disso!

Pense no mais sutil conhecimento que pensas ser absoluto dentro de ti...

Isso ainda é um relapso da mágica possível. Só um átomo irrisório dentro da criação...

Nada põe Deus em cheque! 

ABSOLUTAMENTE NADA!

Nada supera a magia do amor. O amor e o amor profundo por todas as coias!

NADA!

ABSOLUTAMENTE NADA!

domingo, 29 de junho de 2014

O Corpo em Grupo


Dentro das mais cotidianas e possíveis migalhas de sabedoria do corpo...

Dentro daquilo que é mais concreto de se praticar no dia-a-dia... Ainda que pouco!

Mas mesmo assim, ainda digo que, talvez o CAMINHAR DESCALÇO seja o mais belo canal de expressão da profundidade da matéria corporal!


Grupo Corpo

Um pouco!


Quando puderes ser pela sabedoria do sentimento consciente pleno que se chega ao peito e ao plexo, seja inteiro!

Caso não seja possível, sinta somente o mínimo, mas o mínimo do bem, pois assim será o máximo do que querem de cada ser no momento presente de seu estágio de ser um lapso irrisório e belo do Supremo!

E assim é para todos os seres, em todos os momentos que nos cabem à consciência, pedaços de uma eterna quase perfeição!

sábado, 28 de junho de 2014

Pela Madrugada



dança 

é 


sabedoria 

do 

corpo 

berrando!




segunda-feira, 2 de junho de 2014