quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

Praia do Futuro (Filme) - Resenhas 2014

 
Fui esperando uma coisa e acabei encontrando outra que não me agradou tanto!
 
Pensei num filme mais vivo do que o que presenciei. Achei que encontraria atores brasileiros mais atuantes, realizando um trabalho de alcance internacional, mas a estética fria, a trama meio parada me decepcionaram.
 
Achei que seria um filme com elementos mais diversos, mais vida, mais expressividade, com qualidades maiores, algo mais elaborado, fazendo jus ao trabalho multicultural.
 
Não senti nem o espírito brasileiro, nem o espírito alemão, que também conheço! E além do mais, o entrosamento entre os dois protagonistas estava longe de transmitir alguma verdade!
 
Senti falta de peso, falta de acontecimentos, falta de profundidade, falta de fala, falta de atuação, falta de qualidade, falta de montagem, falta de ritmo, falta de um porquê para fazer este filme.
 
Não gostei do que vi!
 
 
FICHA TÉCNICA (Bem Bolada!)
 
Gênero: Drama
Direção: Karim Ainouz
Roteiro: Felipe Bragança, Karim Ainouz
Elenco: Christoph Zrenner, Clemens Schick, Demick Lopes, Emily Cox, Fred Lima, Ingo Naujoks, Jean Philippe Kodjo Adabra, Jesuíta Barbosa, Maj. Barreto, Marcus Davis Andrade Braga, Natascha Paulick, Sabine Timoteo, Savio Ygor Ramos, Sophie Charlotte, Thomas Aquino, Wagner Moura, Yannik Burwiek
Produção: Geórgia Costa Araújo, Hank Levine
Fotografia: Ali Olay Gözkaya
Montador: Isabela Monteiro de Castro
Título Original: Praia do Futuro
Duração: 1h 30min
Ano de lançamento: 2014
Classificação etária: 14 Anos
 
 

 

O Rei Leão (Musical) - Resenhas 2014

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Que lindo ver saindo das telas para o palco algumas das cenas mais marcantes da infância da geração da qual faço parte.
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Que vozes lindas, que temas lindos, que montagem feliz. Uma trama profunda e muito bem tecida, unida aos elementos africanos que tanto têm força em si!
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Só poderia dar certo como deu e continua dando ao longo de tantos e tantos anos e montagens pelas quais a obra já passou e permanece.
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O Rei Leão é a animação feita à mão de maior sucesso da história, segundo a Wikipédia.
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Já o musical estreou em 1997 na Broadway e continua em cartaz, desde então, lá e em tantos outros lugares.
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No Brasil teve a temporada diversas vezes prorrogada e só não continuou em cartaz porque, como nos falou um funcionário, o Teatro Renault não renova contrato por mais de dois anos com qualquer montagem que esteja lá. Sendo assim, o espetáculo estaria migrando para o México.
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Emocionei-me já logo no primeiro grito da música “Circle of Life” e a emoção só aumentou conforme foram surgindo os animais, os filhotes, os elefantes, as girafas, os Gnus e outros tantos.
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Foi ótimo! Saímos anestesiados e contando quantas vezes tínhamos chorado ao longo do espetáculo!
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As soluções cênicas para os acontecidos na animação são muito bem boladas! E as músicas adicionais são lindas e acompanham as belezas das canções da animação.
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Mas a surpresa maior, para mim, foi a música que o Mufasa canta para o Simba e que não faz parte do vídeo clássico da Disney.
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Essa música acontece após o Simba, em seu ímpeto desbravador e infantil, ter desrespeitado os ensinamentos de seu pai. Por esta atitude, ele corre risco de vida, mas Mufasa vai em seu auxílio e o salva.
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Após este episódio, ele o perdoa e vai além cantando que as coisas da natureza e de Deus estão dentro dele.
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Não me contive e tive que ir atrás da música.
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Que profundidade, que força tem esse tema!

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Que maravilha de composição bem arranjada, falando das coisas da natureza e das hierarquias espirituais que nos guardam a todos nós, homens, animais, plantas, seres vivos e seres silentes que vibram cada qual em sua ordem e grandeza, fundindo-se no funcionamento de todas as belezas possíveis de existir! As belezas do Criador!
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Segue o vídeo: 
 

 

Relatos Selvagens (Filme) - Resenhas 2014

Um pouco o espírito de filmes do Quentin Tarantino.
 
A loucura da violência arrebentada nas telas, colocada ao máximo, ao sem limite, ao além de qualquer limite que se queira tentar, uma tentativa de alcance do desprezo total por qualquer civilidade, um risco desmedido por se arriscar sem freios, sem medos, sem nada, uma barbárie infestada de cotidiano, o aniquilamento de qualquer relance de polidez, o aprofundamento visceral dos instintos mais insanos, o escracho total, a total infestação dos nervos por qualquer coisa que se queira fazer visceralmente naquele momento, a exploração do lado animal do homem, nosso lado mais arisco, nosso lado mais primitivo, mais primeiro, mais verdadeiro, mais baixo, mais básico, mais nosso, mais visceral, mais carne e osso, mais socos e vinganças, o humano desumanizado, ou demasiado humano, o humano implodido pelo Niilismo das situações sociais, pela simples vontade de se fazer o que se quer naquele momento, sem se importar com as consequências, sem se importar com o que vai ou não resultar, ou ainda sabendo dos desastres que estão por vir, mas que mesmo assim se opta por encará-los, deixando que o caos se instaure, se faça sentir, se faça nos encharcar das tantas coisas ordinárias que por aí existem, mas que não se quer mais suportar, e se escolhe corroborar com a languidez da ordem, da moral e dos costumes, esquartejar o que nunca fez sentido, esquadrinhar o caos com as mais belas linhas do nojo, as mais belas curvas do desespero, os mais belos quadros da selvageria.
 
Seis episódios que repassam nossos pontos mínimos e/ou máximos, pela lente de um belo humor-negro latino-americano.
 
Nunca tinha visto um filme assim feito aqui por estes nossos lados de mundo! Achei inovador, criativo, corajoso!
 
Ficha Técnica:
Gênero: Comédia
Direção: Damián Szifron
Roteiro: Damián Szifron
Elenco: Darío Grandinetti, Diego Gentile, Diego Velázquez, Erica Rivas, Julieta Zylberberg, Leonardo Sbaraglia, Liliana Ackerman, María Marull, María Onetto, Mónica Villa, Nancy Dupláa, Oscar Martínez, Osmar Núñez, Ricardo Darín, Ricardo Truppel, Rita Cortese
Produção: Agustín Almodóvar, Esther García, Hugo Sigman, Matías Mosteirín, Pedro Almodóvar
Fotografia: Javier Julia
Montador: Damián Szifron, Pablo Barbieri Carrera
 
 

Rio, eu te amo (Filme) - Resenhas 2014

Da coleção de filmes “Cidades do Amor”, uma série já retratou Nova York e Paris.
 
 
 Agora foi a vez do Rio.
 
10 episódios passados na cidade maravilhosa, dirigidos por nomes famosos do cinema nacional e internacional.
 
Gostei de alguns. Já outros foram bem fracos!
 
 
 - Listagem:
 
Dona Fulana, por Andrucha Waddington - Fernanda Montenegro e Eduardo Sterblitch protagonizam uma estória rápida, gostosa e despretensiosa.
 
La Fortuna, por Paolo Sorrentino – Um tanto horrenda, mas engraçada.
 
A Musa, por Fernando Meirelles e Cesar Charlone – Não gostei! Achei muita loucura pra pouco resultado.
 
Acho que Estou Apaixonado, por Stephan Elliott – Interessante e bem humorada. O fim é um tanto inusitado.
 
Quando Não Há Mais Amor, por John Turturro – Achei ruim. Um pouco inexpressivo.
 
Texas, por Guillermo Arriaga – Um dos melhores! Impactante, bem construído. Passa o recado de maneira forte e comovente!
 
O Vampiro do Rio, por Im Sang Soo – Engraçado e bizarro! A cena da dança do Tonico Pereira é fabulosa!
 
Pas de Deux, por Carlos Saldanha – Lindo! O misto de diálogo, dança e animação criam um universo singelo e bastante artístico.
 
O Milagre, por Nadine Labaki – Uma graça! O menino é um show à parte!
 
Inútil Paisagem, por José Padilha – Gosto muito do Wagner Moura, mas esse episódio é uma porcaria! Jogado demais, sem peso. Soa até meio desrespeitoso com quem vai assistir.
 
 
Ficha Técnica:
 
Gênero: Drama
 
Direção: Andrucha Waddington, Carlos Saldanha, Fernando Meirelles, Guillermo Arriaga, Im Sang-soo, John Turturro, José Padilha, Nadine Labaki, Paolo Sorrentino, Stephan Elliott, Vicente Amorim
 
Roteiro: Andrucha Waddington, Carlos Saldanha, Fellipe Barbosa, Im Sang-soo, John Turturro, Nadine Labaki

Elenco: Basil Hoffman, Bebel Gilberto, Bruna Linzmeyer, Cláudia Abreu, Débora Nascimento, Eduardo Sterblitch, Emily Mortimer, Fernanda Montenegro, Harvey Keitel, Jason Isaacs, John Turturro, Land Vieira, Laura Neiva, Marcelo Serrado, Márcio Garcia, Michel Melamed, Nadine Labaki, Regina Casé, Roberta Rodrigues, Rodrigo Santoro, Ryan Kwanten, Stepan Nercessian, Tonico Pereira, Vanessa Paradis, Wagner Moura
 
Produção: Emmanuel Benbihy, Valéria Amorim


Sobrevivi ao Holocausto (Filme) - Resenhas 2014





O filme mostra a força do perdão e da integridade de um homem que tanto sofreu, que superou e que manteve sua beleza, sua sanidade, sua hombridade. A película coloca em contato a sabedoria de alguém mais vivido e a contrapõe ao espírito do jovem atual (ou de qualquer tempo moderno) que ainda se sente indignação frente a coisas imutáveis e distantes de seu tempo e de seu espaço.
 
Um documentário delicado, honesto, bem organizado, câmeras abertas, diálogos abertos, locais de muita história, o velho e a jovem juntos caminhando e resgatando os horrores de um dos episódios mais vergonhosos para o espírito humano.
 
O senhor protagonista, Julio Gartner, mora aqui em São Paulo numa rua próxima daqui de casa. Pude notar isso no final do documentário quando aparecem todos seus filhos e netos no apartamento que ele mora há tantos anos.
 
Um senhor simpático, brando, culto, sabedor de alguns idiomas, como pode ser notado ao longo das conversas, dotado de uma maneira tão humana no expressar de suas palavras. Uma figura cativante e muito comovente! Só ele já valeria a ida ao cinema!
 

Mais dados do Filme:
 
Resumo: Julio Gartner é testemunha ocular do Holocausto. Sua história pessoal, entre 1939 e 1945, confunde-se com o maior crime já cometido pela humanidade, o assassinato de seis milhões de judeus de forma planejada e industrial. O documentário acompanha este sobrevivente do Holocausto, que mostra pessoalmente o que viveu antes, durante e depois da tragédia. Durante mais de três semanas, a equipe filmou os locais onde tudo aconteceu. Sempre acompanha- dos de Julio Gartner e de Marina Kagan, uma brasileira tão jovem quanto o Julio que viu o fim da guerra, recém libertado dos campos de trabalhos forçados. Marina estabelece o encontro do passado com o presente. (Fonte: www.exibidor.com.br )
 

FICHA TÉCNICA (Bem Bolada!)

Gênero: Documentário
Direção: Caio Cobra, Marcio Pitliuk
Roteiro: Márcio Pitliuk
Produção: João Pedro Albuquerque
Elenco: Julio Gartner, Marina Kagan
Duração: 90 min.
Ano: 2014
País: Brasil
Cor: Colorido
Estreia: 21/08/2014 (Brasil)
Classificação: 12 anos

 

X-Men: Dias de um Futuro Esquecido (Filme) - Resenhas 2014

 
X-men é a única série de filmes que acompanho todos os lançamentos.
 
Ou quase todos!
 
Só não fui ver o filme Wolverine – Origens, e não fui porque não gosto muito do personagem.
 
Fora esta série, acompanho pouca coisa em sequência.
 
Star Wars só vi o episódio 1.
 
Acompanhei os três filmes do Senhor dos Anéis, mas não vi nenhum da sequência dos Hobbits.
 
Vi a primeira trilogia do Homem Aranha inteira com o Tobey Maguire, mas da segunda só vi o primeiro.
 
Acho que vi apenas um filme do Super-Man que saiu há pouco tempo.
 
Jogos Vorazes, Jogos Mortais, Pânico e similares não vi nenhum.
 
Harry Poter nunca vi. Toy Store só vi o primeiro no cinema, há muitos anos atrás.
 
Batman assisti os dois últimos da trilogia do Christopher Nolan, mas já tinha perdido o primeiro.
 
Matrix vi os dois primeiros no cinema e o terceiro só quando passou na TV. O segundo me desanimou um pouco.
 
Fora outras tantas sequências que nunca vi, nem ouvi falar na minha vida.
 
Mas voltando ao X-Men...
 
É interessante notar a constante crescente dos filmes. Efeitos especiais cada vez mais elaborados, complexidade de tramas em curva ascendente, expressividade dos conflitos sempre em ascensão.  
 
Lembro-me quando vi o primeiro de todos e achei ótimo! Se fosse vê-lo hoje, depois de tudo o que já assisti, provavelmente acharia um filme bastante fraco.
 
A dificuldade dos conflitos, a multiplicidade do tempo que se divide, o aumento do poder dos mutantes e da tecnologia dos humanos num conflito que possui uma solução, mas que esta está distante num tempo em que não mais há soluções, tudo isso tecendo a teia de uma das criações em quadrinhos mais aclamadas e bem elaboradas da história.
 
Faço questão de ver sempre que lançam e vou continuar seguindo!
 
 
FICHA TÉCNICA
 
Gênero: Ação
 
Direção: Bryan Singer
 
Roteiro: Matthew Vaughn, Simon Kinberg
 
Elenco: Adan Canto, Alexander Felici, Andreas Apergis, Anna Paquin, Bingbing Fan, Booboo Stewart, Daniel Cudmore, Ellen Page, Evan Jonigkeit, Evan Peters, Gregg Lowe, Halle Berry, Hugh Jackman, Ian McKellen, Jaa Smith-Johnson, James McAvoy, Jan Gerste, Josh Helman, Lee Villeneuve, Lucas Till, Mark Camacho, Massimo Cannistraro, Michael Fassbender, Nicholas Hoult, Omar Sy, Patrick Stewart, Peter Dinklage, Robert Montcalm, Shawn Ashmore
 
Produção: Bryan Singer, Lauren Shuler-Donner, Richard Donner, Simon Kinberg
 
 

Yanni (Show) - Resenhas 2014

 
O Yanni talvez seja o responsável pela trilha sonora que mais acompanhou as viagens de carro que fiz na vida. Já foram quilômetros e quilômetros ouvindo suas composições, muitos assobios acompanhando os solos, além de muitas lágrimas de beleza que já rolaram pela expressividade de sua capacidade criativa e do resultado sonoro que se manifesta por meio dos grandes músicos que o ajudam a dar vida a suas ideias.
 
Descobrimos ele por acaso e, desde então, sempre estamos escutando e repetindo seus temas diversas vezes, mesmo tendo apenas dois álbuns no carro. Não importa! Os temas são extremamente bem compostos e por isso a repetição dificilmente cansa. São gostosos, banhados de uma complexidade sonora agradável, longe de ser banal, mas também distante de ser exageradamente rebuscada.
 
Ir ao seu show e ver sendo executadas ao vivo as notas que tantas e tantas vezes ouvi, vi e tentei vive-las, por meio dos sons e dos vídeos, foi uma emoção longamente esperada!

quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

Cara Nova

 
Uma cara nova pro Blog.
 
Com a coluna do texto mais larga, eu consigo deixar as fotos maiores.
 
Isso as valoriza!

quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

quinta-feira, 16 de outubro de 2014

Registrando a Limpo


É interessante pensar que, após dois, ou três, ou quatro, ou até mesmo cinco anos de ostracismo involuntário; que perduraram pelos anos de 2006, 2007, 2008, 2009 e 2010; no início de 2011, quem me trouxe de novo a atualidade da cultura POP, que tanto gosto de saber e sentir, foi um pequeno menino que tinha apenas nove anos na época: meu aluno João.

Nestes ditos cinco anos de vaga vida, passei por dias e espaços sem ter noção exata do que acontecia no mundo, morei numa Kit-net onde só pegava um canal de TV e vivi, constantemente, sem respiro ou validez, não só pela falta de informação, mas pela falta de degustação da própria realidade diária. Eu estava totalmente desligado e não sabia por onde, nem como suprir esta minha necessidade de pertencimento.

E foi em 2011, após começar a dar aula para este que, na época era só um menino, que voltei a ter noção de coisas corriqueiras do momento, das notícias, de quem estava acontecendo no instante, das novas músicas, dos sucessos, dos programas, o que ouvir, o que ver, onde procurar saber, quais eram os comportamentos, que novo artista me agradava, o que estava sendo respirado, como algumas tribos se comportavam, coisas instantâneas; e também coisas mais próprias e individuais, o que eu aprovava, o que eu não gostava, onde eu queria ir, como eu queria ser, onde era possível estar, o que emanava do momento e assim, novamente, eu senti o frescor de ser atual, o sabor de estar acontecendo em conjunto com a atualidade.

Às vezes precisamos que estendam alguma ponta para que possamos reiniciar o desembaraço de um novelo estancado há tantos anos. Um novelo que envolvia o interno e o externo, num misto de frustrações que me embaçava a visão e me retirava os passos por qualquer calçada que eu tentasse caminhar.

Resolvi escrever esse texto por se tratar novamente de uma simples e pequena criança. Foi mais um momento em que a energia da criança esteve presente na minha vida abrindo espaços e trazendo renovação. Esta foi uma época muito boa, que muito me fez renascer: o primeiro semestre de 2011 e suas continuidades. Tenho saudades desse tempo!

Dia-a-dia um novo vídeo, um novo artista, uma nova música, um novo sucesso, um site de atualidades, as mais vendidas do ITunes, um novo Remix, uma nova informação sobre algo que ainda seria lançado, os eventos para promover os novos álbuns, as trilhas dos filmes mais vistos, o temas dos novos super heróis, as novas músicas da Adele, o DVD no Royal Albert House, a belíssima Skyfall, o lado B da Amy Winehouse, o que havia de bom e de ruim nos lançamentos da Rihanna, Kate Perry, Nicki Minaj, Ke$ha e outras e outros (mas isso eu mesmo concluía dentro da quantidade de músicas que surgiam), as loucuras da Lady Gaga na mídia e as várias boas músicas do álbum Born this Way, os resultados da premiação da MTV, da Billboard, da Rolling Stones, as apresentações feitas nas premiações, o som diferente da Florence + The Machine, LMFAO, um clipe qualquer no canal VEVO, um vídeo novo do Cifraclub, a lista dos mais ouvidos do Vagalume e um universo inteiro que se abriu de maneira tão espontânea.

Sou e serei sempre grato pela naturalidade recíproca do aprendizado. Eu levando a teoria e ele vindo com a prática. A Teoria da Música e a Prática do POP da década de 10 deste nosso século tão ensandecido por obsessivas experimentações vazias.

Foi bom viver aquilo e ainda é bom estar em exercício de atualidade!



sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Livro: Para Benita

Prefácio

Por mais que tente se superar, a Literatura sempre será a mais frustrada de todas as artes, já que Deus transcende o verbal. Não conheço arte mais dura que a Literatura. Mesmo as esculturas em mármore trazem, com mais facilidade, a leveza da aura da forma lapidada que, por meio da palavra escrita, não se atinge com tanto silêncio e perfeição.
É mais acessível a expressão profunda por meio da Dança, por exemplo. A Dança deixa fluir todo o caminho da sabedoria corporal que, por ela, vem à vida com mais força. Também a Música e seus contornos melódicos podem tecer, com mais facilidade, sensações que nos lançam a lugares que desconhecemos.
Uma criança, antes de escrever algo com o intuito de expressar “qualquer-coisa” que habite dentro dela, com muita certeza, já se utilizou de outras artes para isso. Antes de escrever, já dançou por vontade própria, já cantarolou porque sentiu vontade, já pintou qualquer relance de arte abstrata, ou mesmo já teatralizou alguma coisa para convencer alguém. Qualquer arte se fluidifica e nos é mais natural que esta que sai estritamente por meio de vocábulos mumificados.
Nossa base de trabalho é o significante mais duro dos seres humanos: a palavra; o verbo que foi o princípio e será o fim de todo erro. E, nesse meio, erram infinitos poetas trabalhando solitários para tecerem algum painel que possa nos retirar desta posição de sub-produto daquela que é o mais maravilhoso segmento de expressão do espírito humano: A ARTE!
E, talvez por esta densidade, a palavra seja a mais basilar ferramenta da Psicanálise. Seu peso significante é a massa pela qual nossa parte mais imperfeita se molda na vida. Somos aglomerados de palavras que, por raras vezes, transcendem o verbalhesco e se nos lança a esferas mais sutis de humanidade.
As palavras ainda nos são inalienáveis, no entanto, toda palavra é quase nada. Toda frase é mínima, todo parágrafo é medíocre, todo texto é falho e, todo livro, um simples relapso irrisório de algo inexplicável.
A somatória do texto é uma construção de migalhas que, por vezes, mesmo somadas, ainda não fluem, não coexistem ou não se tornam eternas. Não fazem valer, não tocam ninguém além do escritor, se tornam esquecidas, se fazem supérfluas, se colocam ao esquecimento, se confundem com qualquer coisa, passam simplesmente como perda de tempo de um ser que tentou fazer-se além da morte num cômico ato de arrogância.
Porém, o que nos leva a escrever está além da razão, além do entendimento. A escrita é o entendimento em processamento. Todo poeta é um fracassado, iludido em si, até que se prove o contrário. Mas, qual a importância disso?! O esmiuçar sofrível das coisas sem lugar, a tradução inexprimível das memórias do Universo, o desembaraçar inconcluso da rede esfarrapada que nos prende, a transpiração voluntária dos processos primários desta infinita caminhada de cegos, essas coisas fazem todo sentido para as insanas almas dos seres que escrevem.
Escrever é quase um processo sádico que preferimos prosseguir como um átomo desesperado de auto-indulgência.
Tentar quebrar o desvão insígnico do vácuo que nos lota de ecos do além, vencer a trêmula existência de nossos corpos inoperantes que teimam em não nos obedecer, erguer os olhos para além das montanhas e metrópoles e respirar o canto do mundo que mais nos pertence: o canto das folhas, das canetas, das máquinas de escrever ou de suas modernas versões, tudo isso somos nós, Benita!
Lutar corpo a corpo com nossos destinos de perdedores, arrancar do silêncio nosso grito mais belo, e ainda fazer isso constantemente. Sim, constantemente se colocar a prova, pois, a cada velho texto superado, um novo desafio maior se forma. E então, como que por não ter mais nada tão imperfeito a se fazer na vida, novamente nos arriscamos a tentar quebrar as correntes dos intocáveis tesouros de Deus e iniciar uma nova jornada que nos ocupará por horas, dias, meses ou anos sem, no entanto, sabermos se tanto trabalho terá valido a pena para nos salvar do mistério sem fim!
Boa leitura, minha amiga!

Wagner Passos