quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

O Sal da Terra (Filme Documentário)

 
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Documentário sobre a vida de um dos maiores fotógrafos do mundo, o mineiro, natural de Aimorés, Sebastião Salgado.
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Sebastião Salgado é a própria personificação do que é um fotógrafo. Uma figura discreta e por isso com uma ampla permeabilidade de meios. Um olhar agudo, uma postura reflexiva, atenta, sensível e desperta para poder imortalizar o milionésimo do momento significativo que, sem sua intervenção, cairia no limbo inválido onde se alojam a enorme maioria dos acontecimentos deste planeta. 
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Neste misto de discrição e intensa absorção, viaja junto com ele o gesto artístico capaz de catapultar a célula momentânea ordinária, pincelando-a entre tantos acasos, lançando sua instantaneidade no universo das grandes histórias retratadas.
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Foi isso o que me passou a figura de Sebastião Salgado, um ser capaz de trazer esses elementos em sua corporeidade, em seus gestos, em seus passos, em sua fala, em seu semblante, na maneira como ele se movimenta junto dos nativos, no percorrer das paisagens dentro da natureza selvagem ou no que há de selvagem na natureza humana.
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O documentário dirigido por seu filho Juliano Ribeiro Salgado e pelo renomado diretor Win Wenders traça sua trajetória desde a infância, seu lugar de nascimento, suas primeiras influências e o crescimento do espírito fotógrafo dentro dele.
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A película também trata das dificuldades do distanciamento enfrentadas pela sua mulher Lélia Deluiz Wanick, além da ausência do pai sentida pelo diretor Juliano.
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Achei interessante o ritmo como foram colocados os trabalhos realizados por Sebastião. Pareceu-me bastante orgânica a maneira como cada novo projeto foi aparecendo e amadurecendo enquanto ideia a ser perseguida pelo artista.
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E esta rítmica de criação de labutação se mantém por muitas obras, num crescente, até que, após retratar as migrações causadas pelas guerras civis no continente africano, Sebastião, exaurido, resolve retornar a sua cidade e a encontra totalmente degradada, ressecada, empobrecida. Ou seja, o homem que ajudou a retratar tantos confins do planeta Terra, quando retorna a sua terra natal, nota que ela também precisava de seu olhar, de sua atenção.
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Então, ele e sua esposa resolvem fundar o Instituto Terra, um projeto que visava, a princípio, reflorestar o sítio de seu pai, procurando fazer renascer a flora, a fauna e as nascentes de água que ali haviam.
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Este projeto ganhou força e hoje em dia é referência em recuperação de áreas degradas, além de ter a função de distribuir mudas de espécies nativas para outros pontos de reflorestamento espalhados pelo Brasil e, talvez também fora do território nacional.
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Entendo que tenha havido uma natural intenção romanesca na construção cronológica de uma vida que não necessariamente tenha acontecido da maneira como foi retratada, mas, isso não diminui a beleza do trabalho artístico do fotógrafo e nem do trabalho artístico sobre o trabalho artístico do fotógrafo.
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Achei lindo, profundo, significativo! Uma tremenda viagem pelo universo vital deste homem que fez e ainda faz história, levado o nome do Brasil além de nossas fronteiras, perambulando pelos cantos do mundo, elevando assim as minimalidades das periferias que, pelo poder transformador da arte, chegam até o centro das coisas.
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Sei que alguns criticam a postura passiva do observador que por vezes pode ter o intuito de se beneficiar do sofrimento, do caos, dos erros, da pobreza, das mazelas, mas penso também que cada um possui sua função dentro deste complexo sistema contemporâneo que se apresenta sempre em tão grande desequilíbrio.
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Para mim, o simples retrato da história já é um passo importante para que consigamos, quem sabe um dia, não mais repeti-la em seus desvarios, mas reafirmá-la em seus caminhos mais iluminados.
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FICHA TÉCNICA:
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Gênero: Documentário
Direção: Juliano Ribeiro Salgado, Win Wenders
Roteiro: Camille Delafon, David Rosier
Elenco: Hugo Barbier, Jacques Barthélémy, Juliano Ribeiro Salgado, Lélia Wanick Salgado, Sebastião Salgado, Wim Wenders
Produção: David Rosier
Fotografia: Hugo Barbier, Juliano Ribeiro Salgado
Montador: Maxine Goedicke, Rob Myers
Trilha Sonora: Laurent Petitgand
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O Amor dos Três Reis (Ópera)

 
Ópera do compositor Italo Montemezzi com libreto de Sem Benelli que estreou no La Scala, na cidade de Milão em 1913. Alcançou grande sucesso nos Estados Unidos até ter seus ciclos de apresentações interrompidos pela Segunda Grande Guerra.
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Fiora é o tal “amor dos três reis”.
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São eles:
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Archibaldo, o monarca velho e cego;
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Avito, seu esposo legítimo;
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E Manfredo, o amante que chega para movimentar a trama.
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A apresentação, com o intuito de não perder a força característica dessa obra, foi encenada sem interrupções. Os arranjos são bastante fortes e as cenas intensas, explorando bem as tramas sentimentais que enovelam os personagens principais.
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O cenário criado para essa versão era minimalista e, segundo seu criador, foi assim concebido para privilegiar os cantores.
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Lembro-me especialmente da figura do Rei Cego, Archibaldo, interpretado pelo baixo Sávio Sperandio. A figura de cabelos enormes, somada à voz grave e à postura de palco do artista davam a força necessária para este personagem ser o elemento cênico mais impactante do espetáculo.
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Achei uma ópera direta, bem composta, rápida, intensa, que exigiu bastante dos instrumentistas, além de possuir uma distribuição onde cada personagem possuía seu peso e sua função bem definidos e equilibrados na trama.
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FICHA TÉCNICA:
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Dias: 18, 20, 25 e 27 de março, às 20h;
Dias 22 e 29 de março, às 17h.
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O AMOR DOS TRÊS REIS
De Italo Montemezzi com libreto de Sem Benelli
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Direção musical e regência Luiz Fernando Malheiro
Regência André Dos Santos (25 MAR)
Direção cênica | cenógrafo| figurinista| desenho de luz Sergio Vela
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Elenco:
Fiora | Daniella Carvalho | soprano
Avito | Michael Hendrick (18, 20, 22 MAR) | tenor
Juremir Vieira (25, 27, 29 MAR)
Manfredo | Leonardo Neiva | barítono
Archibaldo | Sávio Sperandio | baixo
Flaminio | Matheus Pompeu | tenor
Aia | Debora Dibi* | soprano
Coral Lírico Paulista
Orquestra do Theatro São Pedro
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terça-feira, 1 de dezembro de 2015

Ninguém escreve ao coronel (Livro)

 
Desde de o inesquecível “100 Anos de Solidão”, nunca mais havia lido nada do Prêmio Nobel de literatura Gabriel Garcia Marques.
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Um dia, passando pela rua, corri os olhos pelos livros que um senhor vendia perto da Praça da República, escolhi alguns e, dentre eles, este.
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Há tempos que tinha a intenção de conhecer alguma coisa nova deste autor que tanto ajudou a chamar os olhos do mundo para este nosso subcontinente que é tão ricamente coroado de novas energias.
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Como dizem as orelhas do exemplar, este livro, escrito em Paris quando Gabo tinha somente 29 anos, é sua segunda obra e, portanto, anterior aos seus mais conhecidos romances, como: “100 anos...” e “O amor nos tempos do cólera”
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Trata-se de um livro curto, gostoso de se ler, direto, sem exageros, mas que não deixa de transmitir as assinaturas estilísticas características de seu autor.
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É uma obra criada por um Gabriel que sofria as dores de estar longe de sua terra natal. Um homem que estava vendo a situação de sua sofrida Colômbia sobre uma ótica influenciada pela realidade da metrópole europeia, o que, com certeza, agravava sua tristeza.
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Um Coronel, sua mulher asmática, o galo de seu filho falecido, o marasmo de uma cidade pequena e a rotina de esperar, toda sexta, pela chegada da carta que traria a notícia sobre a tão esperada aposentadoria do oficial.
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Um tempo sem esperança, um dia-a-dia que nada traz. A paciência, a frustração, o fim da vida de um homem que servira a sua pátria, mas que não encontrou reciprocidade em seu respeito e devoção.
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Resta-lhe, então e, por que não, comer merda!
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Em uma noite sem luar (Livro)

Achei esse livro próximo da porta da FESPSP. Estava encaixado num suporte para quem quisesse pegá-lo. Tratava-se de mais uma daquelas ações de desapego que muito se espalham por tantos ambientes descolados de hoje em dia.
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Estanquei súbito atraído pela estética orientalista da imagem.
Sim, foi a estética da capa que me chamou a atenção e, seria vã a tentativa de negar que, em verdade, nela estava o elemento a me chamar para o conteúdo: a imagem da Cidade Proibida.
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Negar que várias vezes julgamos os livros, num primeiro momento, pela capa, é demagogia. Julgamos diversas vezes livros por suas capas posto que o atrativo do olhar se adianta a ponderação da acalmada observação.
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Li rapidamente o verso e levei o exemplar comigo na esperança de que a sorte me fizesse encontrar uma literatura diferente das que andava lendo. Além disso, o texto dizia que seu escritor, Dai Sijie, é “o aclamado autor de Balzac e a Costureirinha chinesa”, um livro bastante famoso.
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Mas as surpresas não foram tão boas!
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Achei o livro arrastado, com pouca ação e excessiva minúcia na descrição das coisas. Por um tempo foi interessante sentir a estética literária de bases orientais, uma maneira especial de descrever os detalhes que, até então, eu nunca havia tomado contato na arte escrita. Mas isso se desgastou ao longo das 248 páginas.
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A narrativa desenha a estória de uma jovem francesa que se muda para a China a trabalho e também por admirar a cultura daquele país. Lá, ela conhece Tumchooq, um vendedor de legumes cujo pai, um francês, passou a vida inteira a procura da metade de um pergaminho.
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Este pergaminho, de acordo com as lendas locais, teria sido escrito pelo próprio Buda, Sidarta Gautama, numa língua desconhecida. Após passar por diversas mãos, o objeto foi entregue ao imperador Puyi que, quando estava partindo para seu exílio forçado, após ser preso pelo governo de Mao Tsé-Tung, rasga o texto no meio e o joga fora.
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Resta então, apenas uma das metades que diz: “Em uma noite sem luar, um viajante solitário avança no meio da escuridão por uma longa trilha que se confunde com a montanha, e a montanha com o céu...”.
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Enfim, o mote é interessante, mas achei o autor meio perdido na complexidade do universo ficcional de sua própria obra.
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Há diversas páginas sobre o imperador Puyi que sofria de desequilíbrio mental, sua solidão, suas bizarrices, suas manias, suas pinturas. Outras partes descrevem a protagonista e seu par amoroso. Outras falam do pai de Tumchooq que fora preso pelo regime.
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Ou seja, os elementos são muitos e a força atrativa da narrativa não nos chama constantemente para plano ficcional que se desenrola longamente pelas páginas.
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Também achei que Dai Sijie construiu pouca sinergia entre o casal romântico. Não saberia dizer se esta contenção amorosa não teria sido uma escolha consciente, do próprio autor, numa tentativa de retratar o que seria a reprimida realidade amorosa dos casais enamorados na China de 1979.
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Sendo uma opção consciente ou não, fato é que não me agradou.
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Cheguei ao fim com a impressão de que havia passado quase ileso pela obra!
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Uma pena!!!
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domingo, 29 de novembro de 2015

ÁRVORE DE NATAL DA CONSOLAÇÃO

 
EM SÃO PAULO
UM MUNDO
PARA TODOS?
 
 

CaleidosCopo

sexta-feira, 6 de novembro de 2015

32 e algumas

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O que se espera em cada passagem da vida?
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A razão construída pelo pensamento?
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Não, acho que isso é a pequenez de quem idolatra o tempo!
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A emoção intraduzível, ainda que sutilmente controlável?
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Sim, isso me parece agora ser o ponto!
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Acho que sim!
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Ao menos me parece ser assim agora!
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Amanhã pensarei da mesma forma?!
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Isso ele mesmo me dirá!
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Talvez a emoção indizível de agora
me possa
após tantos anos
datar o findar
de minha enormidade

hiper-pensativa
que tanto me perturbou
em silêncio
sem que eu soubesse
o que ela queria de mim.
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Fronteira

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O rebento de um ventre
A fronteira de um número
Ou mais um único lívido segundo
Na realização de uma respiração
Que nunca mais voltará
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Eu não tenho
Mais
Agora
Medo de minha idade
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32 anos e 3 minutos
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Se é mais um dígito
E algo menos que digito
Neste meu descaso literário 
Pouco agora me importa
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Desejo a mim próprio
Um brando respiro
Futuro de cada amanhã
E isso é a verdadeira poesia
Do ano que vira
Sempre em cada manhã
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Se desfaleço
Ou se permaneço
Mais a mim
É que atual pertenço
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Assim penso agora
E assim é melhor
Pois a idade da vida reconstrói
Mais do que as palavras escritas
Aquilo que o esquecimento
Desfez por sabedoria
No ato da recriação
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No momento
Da reencarnação
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E ela exige 
Mais vida
Do que teoria
Mais prática
Do que arte
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Sutil 32

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Talvez a sensação sentida no dia do nascimento não seja simplesmente a euforia de uma data marcada pelo calendário e celebrada pelos tantos inumeráveis, muitos inomináveis e alguns irreconhecíveis amigos das redes sociais.
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Talvez a sensação sentida no dia do nascimento seja a energia emanada para nós, pela alegria de nossos guardiões superiores, ao lembrarem de nossas almas encarnando para uma nova vida que eles tanto acreditaram, ainda que, nós mesmos, por vezes, esqueçamos de tamanha esperança depositada em nossos seres.

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Um ato de relembrança anual!
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sábado, 31 de outubro de 2015

O Beco dos Gatos (24/10/2015)

Às vezes se passa
uma vida inteira na Arte
esperando gerar
um momento como este.
 
Mas aí está!
 
 

sexta-feira, 23 de outubro de 2015

Miragem dos Sons

 
passarinhos
cantando
dentro
do
Media
Player!


Brasil, Coração do Mundo, Pátria do Evangelho (Livro)

Um dentre os mais de 400 livros psicografados por Chico Xavier.
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Tinha interesse em ler este título desde quando conversei com uma colega de faculdade, há quase 10 anos atrás. Conversamos a respeito das revelações nele contidas, colocações que diziam respeito a função espiritual do Brasil como o berço de uma nova civilização, a pátria de um novo povo que daria origem a um novo tempo no planeta Terra.
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O Brasil tem papel vital na formação de uma realidade mais tolerante, uma era onde será possível o convívio pacífico entre as religiões e o nascimento de um povo naturalmente mais espiritualizado, coisas que, em determinada medida, já estamos realizando.
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De autoria do espírito do escritor Humberto de Campos, “Brasil, Coração do Mundo, Pátria do Evangelho” faz, em linguagem bem elaborada e, até mesmo, grandiloquente, uma longa regressão temporal até os primórdios de formação de Portugal em 1139. O livro trata da escolha, por parte do plano espiritual, dessa nação, de coração simples, para ser o berço que daria início à fundação de uma nova civilização.
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O livro também trata do século XV quando, segundo o autor, o avatar Cristo resolveu fazer uma de suas visitas periódicas aos planos mais próximos do planeta Terra. Nessa época, abrandavam-se as cruzadas medievais, colocando fim a uma longa época de escuridão atravessada pela espécie humana. A partir desse ponto, como atesta a própria história, inicia-se um processo de amplificação da Ocidentalidade com a redescoberta das terras do continente americano, além dos subsequentes avanços das ciências e das tecnologias.
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Após esse ponto, a obra deixa registrada uma série de colocações a respeito da formação da raça brasileira: o Brasil como o CORAÇÃO DO MUNDO; as funções dos primeiros navegantes; a colaboração dos escravos como um povo de coração simples e de importância vital para a formação da Pátria do Evangelho; as invasões que puseram em cheque a unidade brasileira, como foi o caso da dominação Holandesa do Recife e o modo como elas foram vencidas; os movimentos de expansão territorial realizado pelos Bandeirantes, ampliando a atuação da Pátria do Evangelho; as ameaças internas que visavam separar partes do país; a importância do Marques de Pombal e dos Jesuítas na intensificação da unidade nacional; a Inconfidência Mineira e seu mártir Joaquim Jose da Silva Xavier que, segundo consta no livro, foi a reencarnação de um inquisidor que aceitou a missão de se tornar um símbolo da independência brasileira como forma de suplantar os desmandos cometidos por ele em outra encarnação; a importância da Revolução Francesa e a vinda da família real para o Brasil; a Independência de Portugal; o fracasso do reinado de Dom Pedro I; as melhorias de Dom Pedro II, uma alma de grande importância e dedicação para com a figura de Cristo; Bezerra de Menezes e o início do movimento espírita nas terras do Novo Mundo; a Abolição da Escravatura; a consequente queda da Monarquia e o jubilo espiritual pela Proclamação da República Brasileira; a fundação da Federação Espírita Brasileira e o fortalecimento do Espiritismo; e, por último, a PÁTRIA DO EVANGELHO. Neste ponto, encerra o livro integrando sutilmente a figura do próprio Chico Xavier, e de outros médiuns vivos na época, na formação de nossa nação.
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Achei a leitura interessante e bastante reveladora. Aspectos intrigantes da jornada de nossa nação recebem aclaramento por meio das palavras trazidas ao mundo pelo nosso maior médium e “Maior Brasileiro de Todos os Tempos”.
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Numa observação mais minuciosa, o livro deixa claro, numa prova de humildade dos espíritos, a falibilidade do Plano Espiritual. Ou seja, não apenas as missões que deram certo são retratadas, mas as erradas também ganham certas citações, sem, no entanto, ter grande destaque.
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Uma leitura fluida que nos chama a atenção constantemente pela linguagem bem colocada e não simplória, assim como pelas intrigantes passagens relatadas que nos ajudam a visualizar melhor a grandeza de nossa nação. E é interessante notar como nosso Brasil ainda continua sendo especial apesar dos grandes atrasos advindos da busca inescrupulosa pelo dinheiro e pelo poder.
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quinta-feira, 22 de outubro de 2015

O Homem dos 40 Escudos (Livro)

 
Neste livro, Voltaire, revoltado com as novas decisões tomadas pelos ministros parisienses de taxar ainda mais os produtores rurais em benefício da burguesia industrial urbana, resolve criar um personagem que representaria o francês de classe média, utilizando-o como metáfora da própria sociedade francesa da época.
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Este homem dos 40 escudos, a meu ver, seria uma peça humana a ser moldada, este foi o conceito criativo por detrás da obra. E esse homem deveria ser reconstruído de forma a ampliar sua visão de mundo, fornecendo a ele o conhecimento, a sabedoria, além de novas ideias que pudessem torná-lo alguém melhor, alguém com opiniões mais fortes, alguém que pudesse se defender das armadilhas da política econômica praticada na época.
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Pelo menos é assim que me lembro desse livro: uma espécie de manual de formação humana.
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A meu ver, foi um trabalho um tanto presunçoso de seu autor que, por meio de algumas situações hipotéticas, pretendeu recriar uma alma. Senti que Voltaire teve levemente essa pretensão, ainda que ela estivesse circunscrita no universo literário. A meu ver, o escritor julgou que, nesta obra, estaria sintetizada uma maneira capaz de formar seres humanos melhores!
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Como ponto inicial da narrativa, o autor, hipoteticamente, divide todo o dinheiro da nação francesa pela quantidade de habitantes daquele país e chega a uma suposta quantia de 40 escudos.
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A partir daí, o autor vai redesenhando as linhas do destino de seu personagem, colocando-o defronte a outros personagens hipotéticos da época, como é o caso do Geômetra. É mesmo uma espécie de manual de reformulação do homem mediano por meio da educação e das ideias iluministas defendidas na França de 1700.
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No entanto, Voltaire vai além disso.
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O tal “Homem dos 40 escudos” também serviu a seu autor como ponto de partida para se discutir a política de seu tempo, o excesso de impostos pagos pela população, o gritante acúmulo de riqueza, além de outros assuntos concernentes ao século XVIII europeu. Um passeio filosófico dotado de fina ironia, como é característico de François Marie Arouet.
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Além desses dois aspectos já pontuados, o livro possui também passagens mais diretas nas quais são atacadas autoridades da época, médicos e integrantes da Igreja Católica. Dessa maneira, o autor espalha sua crítica sobre os vários aspectos que influenciariam este espaço no qual seu personagem estaria inserido.
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Um texto ágil, simples, direto, inventivo e dotado de um engajamento literário de fácil entendimento. Prova disso foram as 10 edições da obra que saíram somente em seu ano de lançamento.
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Voltaire, como poucos, soube trabalhar com o espírito de seu tempo e de seu espaço!
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A Teoria de Tudo (Filme)

A narrativa de uma história real e extraordinária, feita de maneira sensível, posicionando a procura científica de Stephen Hawking em paralelo com sua figura humana. As trivialidades do cotidiano, os sonhos do jovem gênio, os sorrisos trocados em segredo, coisas comuns a tantos e tantos seres-humanos. Em grande parte, trata-se de um filme sobre o amor e sobre aquele velho ditado que diz que: atrás de um grande homem, sempre há uma grande mulher.
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É comovente a luta do casal na construção de uma história tão linda, de tantas superações, de tantos desafios, de tantos obstáculos aparecidos ao longo do tempo. Dificuldades que foram surgindo em tarefas que, por vezes, podem ser banais para tantos por aí e que muitos de nós nunca teremos que enfrentar.
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Dificuldade para subir e descer escada, dificuldade ao tentar comer e mastigar, dificuldade de articular as palavras de maneira correta. Em paralelo, aparece a dificuldade de ter, ao seu lado, um homem inábil ao trabalho físico, a dificuldade de criar filhos sem a presença da força masculina.
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É especialmente lindo observar a força nascente na companheira de um homem progressivamente debilitado, bem como é lindo pensar que este mesmo homem estava predestinado a revolucionar a visão de todas as coisas físicas do Universo; um homem responsável por um novo salto qualitativo na história das ciências vislumbradas por esta humanidade que, agora, aqui está.
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Fiquei extasiado e emocionado grande parte do filme.
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As partes em que ele tem as inspirações sobre as teorias que iriam ser elaboradas, a luta contra as crescentes limitações físicas que dificultavam ainda mais a já árdua tarefa de construção do conhecimento científico. O desespero do desbravador que poderia não conseguir realizar tudo aquilo sua cabeça estava intuindo, ou pior, o desespero de uma alma que poderia vir a se tornar incomunicável sem, no entanto, ter dito tudo o que ele sabia ser verdade.
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A angústia pessoal de poder se tornar um poço de conhecimento estagnado, um acúmulo de novidades fadadas ao túmulo. Descobertas caladas que poderiam se definhar no poço silencioso de uma mente aprisionada num corpo físico inválido e fadado a uma morte rápida, segundo previsões médicas retratadas na obra. 
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Imagino quantas vezes esses pensamentos podem ter passado na cabeça fértil do gênio e o quanto isso pode ter servido de estímulo para que ele criasse ainda mais, lutasse ainda mais, descobrisse ainda mais, ampliasse ainda mais as fronteiras do conhecimento já produzido na face da Terra.
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Seres como Stephen Hawking não aparecem todo dia, nem todo ano, nem toda década e, quiçá, apareça um ou outro a cada século, quando muito!
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E é interessante pensar que este cientista nasceu no mesmo dia em que se completava o aniversário de 300 anos de morte de Galileu Galilei e que, além disso, ele ocupa, em Cambridge, a cadeira que foi de Isaac Newton.
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Alguns chamariam isso de simples coincidência. Eu prefiro acreditar em alguma espécie de planejamento sutil que vai nos guiando ao longo desta enorme jornada.
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A vida de Stephen Hawking já é fenomenal, por si só!
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A moldura artística, a poética visual, as interpretações dos atores só ajudaram a realçar aquilo que já está repleto de magia e luminosidade!
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FICHA TÉCNICA
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Gênero: Drama
Direção: James Marsh
Roteiro: Anthony McCarten
Elenco: Adam Godley, Charlie Cox, Charlotte Hope, David Thewlis, Eddie Redmayne, Emily Watson, Enzo Cilenti, Felicity Jones, Harry Lloyd, John Neville, Maxine Peake, Richard Cunningham, Tom Prior
Produção: Anthony McCarten, Eric Fellner, Tim Bevan
Fotografia: Benoît Delhomme
Montador: Jinx Godfrey
Trilha Sonora: Jóhann Jóhannsson
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segunda-feira, 19 de outubro de 2015

sábado, 17 de outubro de 2015

Velocímetro

Muito do controle do Ser está no descontrole cuidado do Ser.
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A intensa vigilância pode se tornar uma máquina de somatizações e autocorreções que pode nos aprisionar.
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E não há prisão maior que aquela que nós mesmos nos colocamos.
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Saber se conter e saber se soltar são faces complementares e necessárias de uma mesma sabedoria!
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Novos tempos. Velhos corações afetados

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Quantos novos e diferentes heróis e vilões das novelas retratam nossa própria visão mais ampla de uma realidade atual cada vez mais complexa?
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Vilões que são mocinhos para aqueles que lhe são próximos. Mocinhos com faces de vilania quando observados mais de perto.
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Ou mesmo vilões traumatizados, vilões injustiçados, vilões humanizados pelos autores, vilões que trazem alguma justificativa para amenizar seus comportamentos, um motivo para não serem tão bons assim.
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Seria esse o reflexo de um processo de atualização e ampliação da moral humana?
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Um processo de transmutação da consciência em relação a natural falibilidade do homem encarnado? Um processo que levaria à construção de uma nova tolerância calcada no entendimento de que cada alma é um universo a ser antes interpretado do que julgado sem conhecimento de causa.
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Isso tudo seria a reinterpretação do bem e do mal, a proposição de um ser largamente mais complexo, com mais nuances a serem observadas e sentidas, com mais verdades internas dignas de serem ouvidas, dignas de ganharem voz e vez na consciência dos outros.
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A verdade que, ainda que não impoluta, ainda que não ilesa de erros e equívocos, possui sua lógica própria, sua razão individual que a vida cuidou de construir, ainda que por meio da destruição.
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Tudo isso estaria muito bem se fosse a verdade profunda por detrás deste fenômeno observado nas novelas, séries e minisséries atuais. Mas...
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Seria esse processo fruto de um neo altruísmo pós-moderno?
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Ou seria esse sentimento coletivo de revalorização apenas uma outra forma de egoísmo velado que estaria gritando de uma nova maneira, por todos os lados, em todos os cantos?
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O egoísmo que agora é defendido por todas as bocas, o mesmo egoísmo que valida os vandalismos arruaceiros camuflados de protestos democráticos que tomam as ruas das cidades. O egoísmo que quer reinterpretar e subverter os valores a seu bel prazer.
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Seria isso?
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Seria está mudança interpretativa apenas o egoísmo que está querendo se fazer ouvir mas que, no entanto, não tem a mínima vontade de escutar aquilo que o próximo tem a dizer? A soberba que quer errar ou acertar sem compromisso com seus atos.
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Ou mesmo o pedantismo que se acha no direito de estar errado!
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A egolatria que gera afeição pelo vilão!
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Seria isso que está por detrás desse fenômeno de remoldagem dos papéis icônicos de bem e mal?
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Seria tudo isso apenas a prepotência que não quer mudar de ideia e nem ser julgada e que, por isso, prefere deturpar a noção de certo e errado, afeiçoando-se pela vilania por outros motivos que não sejam a tolerância supracitada?
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A presunção afeiçoando-se pelo obscuro numa tentativa de enviesar a própria consciência, tentando deturpar a moral e assim se permitir também estar errada, como os vilões que se safam, os vilões que têm motivos para serem como são.
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Seria um processo de ampliação da capacidade interpretativa do ser-humano tolerante, ou apenas uma nova leitura coletiva que visa permitir a prepotência e a vaidade, permitir o erro em conjunto para que ninguém possa apontar a falha alheia?
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A subversão da ética, a perversão da moral!
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Um processo que traz uma nova permissão para o erro, justificativas para a inveja, amalgamas para a culpa, uma recente admiração da canalhice, a subvalorização dos acertos alheios ou a hipertrofia das próprias glórias de pouco valor.
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Esta reinterpretação tende a moldar o mundo a sua própria vontade, minimizando o autoesforço de melhoria, diminuindo a dor ao máximo, construindo milhares de ilhas solitárias de prazer, milhões de vácuos hedonistas que vegetam em movimento pelas baladas, pelas empresas, pelas casas, pelas redes sociais.
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Vácuos personais vagando pelo tão valorizado liberalismo, cambeteando pela tão esperada e deturpada Nova Era.
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Mas...
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Questionando um pouco mais profundamente, seria este um fenômeno realmente novo? Ou seria tudo isso fruto das novas mídias que conseguiram dar vazão a uma voz e a uma lógica que por séculos ficaram aprisionadas na periferia do Capitalismo, do Cristianismo e do Eurocentrismo?
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Seria o egoísmo e o narcisismo contemporâneos que estão redesenhando funções longamente estabelecidas ao longo da história ou é simplesmente o mundo que está começando a se conhecer mais amplamente?
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Acho que é um pouco de tudo isso e mais um pouco!
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quarta-feira, 14 de outubro de 2015

Provocações

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O frio é ótimo para a literatura burguesa que retrata os pobres, mas péssimo para os verdadeiros flagelados da esfera real.
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É apenas a pompa literária se beneficiando do apelo inescrutável das figuras que sofrem, a verborragia que se apoia nas almas que pouco desafiam a soberania dos egos vencedores.
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É certo que o frio já estimulou a introspecção criativa redigida, mas, muito mais ele deve ter dado vida às caóticas obsessões, aos pensamentos atordoantes que se silenciavam no limiar da boca daqueles tantos que, não tendo como reagir, varavam as noites tentando significar o caos inalienável que os abarcava.
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Me pego pensando, por vezes, nos tantos livros tão mais intensos que foram escritos apenas dentro das cabeças e corações que procuravam se resguardar por sob algumas cobertas esparsas.
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E sim, a maioria da literatura romanesca ou socialesca não passa de uma versificação distante de uma realidade que, na verdade, só pertence profundamente aos seres humanos que pouco têm espaço e vez, ainda que reunidos em grupos amórficos, receptáculo de milhões.
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Grupos milhões que, mesmo próximos, parecem estar tão distantes, impertencíveis a determinados círculos sociais nos quais eles se tornam, na verdade, muito mais fonte gerativa de insossa compaixão, do que foco atrativo de movimentação resolutiva.
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Assim, fazem-se somente figuras atrativas para os olhares analíticos e as estéticas verbais estéreis. Nada mais.
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O homem e uma de suas tantas formas de pecar!
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Compassiva Dolor

A dor que se dói pelo outro é sempre uma dor mais clara, mais ampla, menos solitária, pois ela traz em si um sentido de compaixão, e isso, por si só, já ajuda a abrandá-la.

terça-feira, 6 de outubro de 2015

Birdman ou A Inesperada Virtude da Ignorância (Filme) (Resenha 300)

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Conta a estória de um ator que fez sucesso como o super-herói Birdman, em tempos passados, e que vê este personagem o perseguindo em meio a seu fracasso profissional atual. Seria uma espécie de fantasma do sucesso personificado em um ente fictício que ele mesmo deu vida. Esta paranoia tem início quando o protagonista tenta montar um texto famoso da Broadway e o processo todo o leva a desenvolver certas psicoses. Vozes o atormentam, ele acredita ter poderes que pertenciam a Birdman e coisas do tipo.
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O filme é fabuloso! Talvez um ponto entre o experimentalismo radical e o que seria um filme Hollywoodiano ganhador de um Oscar na década de 90. Há nele algo de uma maturidade experimental que não quis chegar a exageros, que não quis chocar demais, que não quis extrapolar os limites, nem tampouco se conter dentro da zona de conforto habitada por muitas das grandes montagens da indústria cinematográfica americana.
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Aliás, talvez este filme visasse mesmo um Oscar nessa nossa década de 10 do terceiro milênio. Talvez, seus criadores tenham mesmo se direcionado pelo que parece ser a nova forma de avaliar e premiar os filmes, um novo caminho valorizado que vem sendo indicado pelas premiações que a academia de Los Angeles conferiu nos últimos anos.
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Grande parte da trama se passa dentro de um teatro, nas coxias, nos corredores apertados deste espaço artístico. Com isso, todo o filme parece ser feito sem cortes, havendo mesmo longas sequências em que não é possível notar algum ponto de interrupção nas filmagens. É incrível, pois isso se torna um chamariz a mais durante o contato com a obra. Eu, depois que percebi essa característica, fiquei tentando sacar quais momentos poderiam ter sido usados para fazer os cortes e, realmente, em algumas partes, passavam-se longos minutos antes de se perceber algum momento onde pudesse ser feita uma pausa. 
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Os atores estão muito bem e as atuações vão muito de encontro às interpretações mais contidas dos filmes europeus. Os personagens estão colocados a margem do sucesso, possuem uma espécie de resignação vinda da maturidade pós-moderna, um olhar desnudo perante a realidade da vida contemporânea. É a própria decadência usada como elo entre o espectador e o ator. Semblantes caídos, propostas pouco efusivas, energia morna, intensidade naquilo que não é dito.
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Achei fabulosas as sequencias de ensaio da peça que se passa dentro do próprio filme. É quando o ator torna um ator atuando numa dupla ficção, um universo paralelo dentro de um universo paralelo. Essas sequencias são muito bem feitas e me chamaram a atenção pela forma como o ator sai do personagem primeiro para, notadamente, entrar no personagem do personagem.
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A trilha sonora minimalista também ajuda a construir o clima experimental da película por meio de um eterno solo jazzístico de bateria. Num determinado ponto, o próprio baterista aparece de passagem em um canto dos corredores do teatro, reforçando o clima mágico, como se ele estivesse ali o tempo inteiro tocando próximo dos locais onde as cenas foram filmadas.
E a tal “Inesperada Virtude da Ignorância” se concretiza na própria cena final, quando, sem nos mostrar diretamente o ocorrido, imaginamos a superação e a magia virtuosa da ignorância pelo semblante da filha do personagem principal, quando esta olha pela janela e...
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FICHA TÉCNICA
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Gênero: Drama
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Direção: Alejandro González Iñárritu
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Roteiro: Alejandro González Iñárritu, Alexander Dinelaris, Armando Bo, Nicolás Giacobone
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Elenco: Akira Ito, Amy Ryan, Andrea Riseborough, Brent Bateman, Clark Middleton, Damian Young, David Fierro, Donna Lynne Champlin, Edward Norton, Emma Stone, Hudson Flynn., Jamahl Garrison-Lowe, Jeremy Shamos, Joel Marsh Garland, Katherine O'Sullivan, Keenan Shimizu, Kenny Chin, Lindsay Duncan, Merritt Wever, Michael Keaton, Michael Siberry, Naomi Watts, Natalie Gold, Paula Pell, Warren Kelly, William Youmans, Zach Galifianakis
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Produção: Alejandro González Iñárritu, Arnon Milchan, James W. Skotchdopole, John Lesher
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Fotografia: Emmanuel Lubezki
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terça-feira, 29 de setembro de 2015

Bisturi Bucal (Os Olhos da Boca)

Para a carne, a acuidade da boca é maior que a dos olhos.
 
É interessante notar a capacidade inata que a boca tem de separar a carne da cartilagem, por exemplo.
 
E isso, por vezes, é tão mais exato que os próprios olhos tentando identificar a cartilagem em meio a um frango desfiado no prato.

Geometria Divina

Era
impressionante
notar
quantas
formas
perfeitas
nasciam
do
simples
acaso.
 
 
 

O Verbo Amor

AMOR é um verbo da segunda conjugação ou, mais detalhadamente, AMOR é a forma infinitiva de um verbo da segunda conjugação.
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AMOR define, em si, um processo em construção.
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AMOR indica ação, estado e fenômeno da natureza numa só forma verbal invariável.
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Talvez AMOR seja o mais completo verbo dentre todos os verbos, pois contém, nele mesmo, a clássica trindade que define o que vem a ser esta classe de palavras.
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AMOR é movimento, pois AMOR não conjugado não deve ser assim chamado. Será apenas uma espécie de frustração elevada, um simples apego ou até mesmo paixão.
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Pois AMOR é verbo que se conjuga sentindo-se e se sentindo com o próximo, perpassando-perpassado pelo próximo.
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Palavra-verbo que pressupõe o movimento dentro de sua definição mais profunda. A definição real que vai além do dicionário!
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Enfim, assim como existe o verbo andar, correr, sentir e transpor. Desta maneira, e por que não, também existe o verbo AMOR.
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Eu amor
Tu amor
Ele amor
Nós amor
Vós amor
Eles amor
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quarta-feira, 23 de setembro de 2015

Rancho das Goiabeiras (Passa Quatro - MG)

Vitrola Mineira (09/08/2015)

 
Meu primeiro canto musical ficava perto dessa vitrola.
 
Foi nela que ouvi as primeiras músicas por vontade própria.
 
Foi perto dela que fingia tocar Piano no cercado de madeira quando tinha cinco ou seis anos.
 
E, depois de 25 anos, fiz o aparelho funcionar de novo, no Dia dos Pais desse ano.
 
Ouvir as músicas depois de duas décadas e meia e ainda poder apreciar, em vinil, outras tantas que agora fazem parte do meu repertório, foi muito bom!

Véu da Alvorada (6 a.m)

Asfalto SP

sabedoria das ruas (praça Monteiro Lobato)




sábado, 19 de setembro de 2015

Aos amigos de fé!

Mas,
Por que continuamos
Senão pelo indizível?
Senão pelo não racional?
Senão pela fé?
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Nunca continuamos,
Profundamente engajados na vida,
Senão pela fé em algo.
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A fé é um etéreo ponto sem local,
Mas ela não se encontra fora do ser.
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A fé flutua por sobre os poréns cotidianos,
Mas ela não é irracional.
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No entanto,
Também não se pode dizer
Que seja simplesmente emocional.
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Não!
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Ela não é nem uma coisa e nem outra.
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A fé é SENSÍVEL!
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A fé é algo entre a razão e a emoção,
Algo entre o mental e o corporal.
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Ela nos pega nas ideias,
Mas também na pele.
Ela nos lança ao ar,
Mas também nos firma no solo.
Por ela abrimos o sorriso,
Mas também a lágrima.
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A verdadeira fé madura e testada
Se adapta às muitas sensações vitais
Do cosmo que habita dentro de cada um.
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A fé é o vazio menos desvairado a clamar,
A fé é o nada, o zênite negativo que,
Em nós mesmos,
Faz transcender.
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A verdadeira fé não se quebra,
Não se desfaz,
Não se abala, porque,
Por mais difícil que seja,
Ela é o nome que se dá
À própria possibilidade mais inabalável.
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Ela é a proposta que suplanta o ordinário.
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A fé é o próprio caminho ao incomensurável.
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A fé é o início da consumação transcendente
Dentro do próprio ser
Que caminha na face da Terra densa.
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O ser que levanta em toda manhã,
O ser que refaz seus trajetos,
O ser que vai e vem,
O ser que sente e ressente.
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A fé também está no ser
Que ressente seus vazios,
Mas que, por meio dela,
Também pressente
A possibilidade concreta de ser,
Em si,
Algum dia,
Simplesmente infinito.
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E fim!
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P.S: talvez essa tenha sido a única coisa bonita que consegui escrever na minha vida depois de ter tomado umas. Tudo bem que eu ajeitei depois, mas, a grande maioria das frases e ideias foram escritas numa madrugada, depois de umas cervejas. Ao contrário de outras tentativas que simplesmente são descartadas, essa me animou bastante a terminar. Não acho uma baita poesia, mas também não achei algo descartável.
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Milton Nascimento (Show)


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Um show do Milton que, para mim, foi diferente. O show, em si, foi apenas o pano de fundo para momentos gostosos!
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Não me lembro exatamente a data que aconteceu, mas foi no parque de exposições de Pedralva, num festival chamado de “Espetacular” em homenagem a uma galera daquela cidade que, sempre quando estavam nos shows dele, gritavam esta palavra e isso foi se tornando uma marca.
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Assim, Milton, um dia, ouvindo novamente o grito, cobrou o grupo perguntando quando eles iriam levá-lo para sua cidade.
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Todo esse processo deu neste show que, após ter sido adiado por motivos de saúde, acabou acontecendo, mesmo com o Milton um tanto debilitado.
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Num dia em que a previsão avisou que teria chuva, o céu se abriu e o entardecer foi muito bonito, como algumas fotos desse blog atestam.
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E que clima delicioso!
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Levamos meu primo Bruno junto e o show foi apenas um ponto de encontro para fazer festa, beber, conversar, cantar e rever pessoas que há tempos eu não encontrava.
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Mais uma vez Milton Nascimento realizando sua missão agregadora de pessoas.
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O magnetismo transcendente de um artista que, sem esforço, e sem muito alarde, arrasta um público fiel por onde quer que vá!
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Um dia delicioso, uma noite ótima e uma madrugada de muita cantoria, já de volta, nas ruas de Itanhandu.
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Cássia (Documentário)

Cássia Rejane Eller foi e ainda é uma das figuras de maior carisma do rock nacional.
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Uma mulher extremamente bonita, sensual e dotada de um brilho único. Ela é daqueles artistas que nasceram com a estrela e que estavam predestinados ao sucesso, a serem reconhecidos e aclamados pelo público.
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E assim aconteceu, cumprindo o objetivo para o qual ela estava predestinada.
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Se Rita Lee é a rainha do rock nacional, Cássia é a segunda mulher da corte.
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Tímida, até mesmo um pouco arredia, mas também dotada de doçuras, Cássia foi uma rajada musical que iniciou pequena, foi crescendo, crescendo, estourou em todo país, continuou num crescente de sucesso e intensidade subversiva, até que, no seu auge, quando todo o país estava cantando com ela, desde sambas até rock`s pesados, ela parte, provavelmente por uma estafa física tremenda que implodiu sua força e capacidade de superação e reinvenção.
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O documentário é organizado de forma cronológica.
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Inicia-se contando sobre os primeiros anos de vida, sua relação com os pais que, não por acaso, formam a combinação clássica da vida de muitas lésbicas: uma mãe adorável e um pai escroto; as primeiras descobertas musicais, a personalidade forte e a postura retraída.
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Assim vai sendo dito sobre sua trajetória itinerante, os anos em que morou em muitas cidades pelo país, sua ida para Brasília e o encontro com o meio musical daquela cidade onde estavam Zélia Duncan e, principalmente, Osvaldo Montenegro que já realizava bonitas montagens de teatro musical nos palcos da capital federal.
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Assim Cássia foi se descobrindo, meio como atriz, meio como cantora.
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A estética do documentário é muito bem desenhada e lindamente casada com a parte musical, composta, obviamente, pelas músicas que a própria artista gravou.
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Seus anos iniciais de rebeldia, a ansiedade das gravações, a mudança súbita na formação de sua banda, a quebra total na sua vida com a chegada de seu filho Francisco, a intensa agenda de shows, a verdade por detrás do famoso show do Rock in Rio; a preparação, os bastidores e o estouro do acústico MTV, sua morte, a briga na justiça pela guarda do filho e a decisão inédita da justiça de manter o garoto com sua parceira, um fato que veio mesmo para coroar a trajetória de beleza subversiva que ela tanto personificou.
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Fiquei emocionado!
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FICHA TÉCNICA:
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Gênero: Documentário
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Direção: Paulo Henrique Fontenelle
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Roteiro: Paulo Henrique Fontenelle
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Produção: Iafa Britz
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Fotografia: Vinícius Brum
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Montador: Paulo Henrique Fontenelle
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Trilha Sonora: Cássia Eller
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Duração: 120 min.
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Ano: 2014
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Dois dias, uma noite (Filme)

Uma extraordinária atuação da francesa Marion Cotillard, colocando um personagem de maneira crua, limpa, direta, numa interpretação honesta, clara e, por isso, muito comovente!
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O filme conta a estória de uma mulher que é demitida após uma votação em que seus colegas de trabalho devem decidir entre ela e um bônus individual para cada um dos funcionários da empresa. Assim, como seria de se esperar, ela acaba sendo colocada para fora.
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Há, então, a possibilidade de uma nova votação após o final de semana. Dessa maneira, lutando contra sua recém superada depressão, ela parte numa jornada de dois dias e uma noite a fim de convencer seus colegas a mudarem de ideia, voltarem atrás e abrirem mão do benefício para que ela possa voltar ao serviço.
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Uma série de aspectos humanos são retratados ao longo das tentativas e isso vai formando um painel muito contundente de como realmente situações assim se desenrolam na vida real.
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Esta sagacidade dos roteiristas e diretores Jean-Pierre Dardenne e Luc Dardenne de colocar no papel, e posteriormente na tela, as diferentes reações humanas, ou melhor, as múltiplas formas que o acaso é capaz de tomar quando se pede a pessoas que abram mão de algum benefício próprio para, numa atitude altruísta, ajudarem alguém que está com depressão, é extremamente interessante.
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Uma mulher fragilizada que parte numa peregrinação com resultados que independem dela mesma, indo ao encontro daqueles que já se decidiram contra ela. Ou seja, é como se ela tivesse que modificar a mentalidade daqueles seus colegas que, em certa medida, a traíram pois, sabiam de seu problema, mas, mesmo assim, jogaram contra, para estarem a favor dos próprios interesses.
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Um grande filme e, a protagonista, merecidamente, ganhou prêmios na Europa, além de ter sido indicada ao Oscar de melhor atriz, o que, em se tratando de um filme belga, é um feito ainda maior do que o de uma atriz que, tendo atuado numa película americana, fosse indicada ao mesmo prêmio.
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FICHA TÉCNICA:
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Gênero: Drama
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Direção: Jean-Pierre Dardenne, Luc Dardenne
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Roteiro: Jean-Pierre Dardenne, Luc Dardenne
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Elenco: Alain Eloy, Anette Niro, Batiste Sornin, Catherine Salée, Christelle Delbrouck, Fabienne Sciascia, Fabrizio Rongione, Hassaba Halibi, Hicham Slaoui, Lara Persain, Marion Cotillard, Myriem Akeddiou, Philippe Jeusette, Pili Groyne, Rania Mellouli, Safia Gollas, Simon Caudry, Soufiane Jilal, Timur Magomedgadzhiev, Yohan Zimmer
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Produção: Denis Freyd, Jean-Pierre Dardenne, Luc Dardenne
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Fotografia: Alain Marcoen
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Montador: Marie-Hélène Dozo
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Ópera do Malandro (Teatro)

 
Espetáculo que ficou em cartaz, por um longo período aqui em São Paulo, perto do metrô Marechal Deodoro.
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A obra, de autoria de Chico Buarque, foi encenada pela Cia da Revista, com direção de Kleber Montanheiro.
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Alguns integrantes do elenco:
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 - Gerson Steves como Duran, o cafetão que gerencia uma equipe de prostitutas que trabalham na Lapa carioca do início do século passado.
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 - Heloísa Maria que faz sua esposa, e ex-prostituta, Vitória.
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 - Erica Montanheiro como Terezinha, a filha do casal que vive uma vida completamente diferente da realidade que a cerca, mas que vai se apaixonar, por ironia do destino, justamente por um homem fora da lei.
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 - Bruna Longo como Fichinha, uma mulher interiorana e sem estudo que vem para a cidade tentar a vida e acaba se tornando prostituta, enganada pelo falso glamour da profissão.
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 - Kleber Montanheiro como a que talvez seja a travesti mais famosa do teatro brasileiro, Geni.
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 - Adriano Merlini e Mateus Monteiro respectivamente como Chaves e Phillip Morris, capangas que integram o bando do Max.
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 - O protagonista, o próprio malandro, Max Overseas foi interpretado pelos atores Bruno Perillo (sextas e sábados) e Flavio Tolezani (domingos e segundas) que se revezavam na interpretação.
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Mais detalhes sobre a obra são desnecessários já que se trata de um dos musicais brasileiros de maior sucesso da história.
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16 canções foram encenadas de maneira muito bem ensaiada e muito bem coreografada por esta que talvez seja a maior equipe de teatro da cidade de São Paulo a fazer espetáculos musicais com baixo orçamento.
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O cuidado com os detalhes e a ocupação dos múltiplos espaços do teatro vão fazendo o espectador se sentir imergido no universo ficcional criado por Chico Buarque. A movimentação dos atores, a utilização de espaços no alto do teatro, atrás da plateia, as soluções cênicas com objetos que se modificam de função ampliam as possibilidades espaciais.
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Gostei muito da construção que cada ator fez de seu personagem, bem como da forma como alguns de fora da companhia foram escolhidos para ocupar papéis específicos. Certos atores me fizeram esquecer da pessoa por detrás da encenação e estacionar totalmente no real universo fictício que ali se mostrava. Isso é fantástico!
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Particularmente eu acho o espetáculo meio longo, não pela montagem, mas pela quantidade de texto e excesso de idas e vindas da trama que poderia ter sido encurtada. Depois, lendo a respeito, fiquei sabendo que o Chico foi escrevendo a obra enquanto ela ia sendo ensaiada. Talvez isso tenha feito o conjunto da obra ficar originalmente tão extenso.
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Enfim, trata-se de um grande espetáculo, de uma montagem muito profissional. A parte musical ficou muito bem ensaiada, com uma regulagem de volume bem organizada.
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Os atores se colocaram por inteiro no palco, com densidade e seriedade, mostrando que, mesmo espaços pequenos e independentes podem se tornar centros de excelência.
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Gostei demais! Mas, como já falei para alguns integrantes da companhia, o espetáculo é maior que o espaço em que ele foi encenado, o que deixa uma sensação de transbordamento. E esta crítica, no fundo, é um grande elogio!
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