Longa viagem literária que não
chega nem aos pés da beleza e da magia presentes em “100 anos de solidão”.
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Gabriel Garcia Marques não foi
feliz na escolha dos caminhos a serem seguido nesta obra.
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O livro demorou muitos anos para
ser escrito, o que não se justifica pelo seu tamanho relativamente reduzído.
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E, acredito que o clima pouco
inspirado decorrente deste longo processo está impregnado nas palavras, nas
frases e nas páginas do conjunto.
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Os capítulos são muito extensos, os
parágrafos são longos demais, a poética é exageradamente dispersiva, a linha
narrativa é vaga e as 260 páginas se tornam algo penoso de se acompanhar.
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Gabriel soou como um escritor
perdido na figura criada em torno dele.
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Me parece que o colombiano insistiu
em procurar um lugar de ludicidade tão grande em sua literatura que nem ele
mesmo sabia onde estava, nem ele mesmo sabia como chegaria até lá e que, por
isso, não nos levou até o provável ponto querido.
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Parece-me uma frustrada busca por uma
sensação descritiva que pertenceria a uma supra realidade fantástica sem tempo,
sem espaço, sem ação, numa trama que nunca se desata, banhada de uma atmosfera permanente.
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Tudo bem que isso está dentro da
proposta defendida e difundida pelo convicto comunista, mas, a experimentação
foi tão exagerada que não me senti convencido de que o próprio Garcia Marques
estivesse seguro do que estava fazendo.
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Concretizar numa posterior obra, a
aura pertencente a “100 anos de solidão”, a meu ver, é perda de tempo.
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“100 anos” tem a magia latina em
suas páginas. O livro é capaz de me pegar cada vez que abro e passo os olhos
por suas primeiras linhas e, esta força, por vezes, escapa ao controle do
autor.
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O autor a registra, mas não a
detém!
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Acho, sim, que Gabo tentou reencontrar
o lugar mitológico-literário que a massa dos leitores conferiu a sua obra prima.
Impossível!
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Indo de encontro à pessoa por
detrás da obra, movimento que constantemente procuro realizar, parece-me que esta
foi a jornada empreendida por Gabriel, mas que, já de início, senti-a frustrada
e, ao autor, deve ela ter se mostrado mesmo frustrante, o que justificaria o
longuíssimo processo de criação.
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Como seria de se esperar, não li toda
a obra, mas acredito que este livro poderia, a contragosto do escritor, servir como
uma metáfora crítica a Cuba e, sendo assim, o patriarca não poderia ser outra
pessoa senão Fidel Castro.
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Enfim, posso ter me equivocado ao
lançar tal possibilidade, mas, buscando na memória a impressão que partes dela
me causaram, ocorreu-me esta possibilidade.
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