sábado, 18 de março de 2017

Folhas avulsas 15 (Escrito em 2008) - 12 anos de Blog

Eu sou uma alma vazia e sozinha. Não sinto a companhia de Deus, nem de ninguém. Sou solitário... No fundo, somos solitários. Devemos estabelecer laços para amenizar a solidão. Devemos tentar acreditar na comunhão das almas para nos enganar e esquecer um pouco este estado lastimável de solidão.

No fundo, estamos sós. Ninguém nos segue sempre. Mesmo Deus não está humanamente presente. Deus se esgueira pela fragilidade das palavras e não está inteiro. Está na hipótese e a hipótese se caracteriza pela negação da certeza e, se não há certeza, não há fato.

E se não há fato, não me basta.

Tenho um aperto no coração. Não posso me matar, não posso sentir com intensidade.

Devo estar: comedido, esguio, pequeno, cerzido, podado, retraído, controlado. Não posso pensar o que penso, nem sentir o que sinto, pois não me faz bem. Devo me vigiar, punir minhas naturalidades que se exacerbam.

Fico pensando quando vai encerrar tudo isso. Nunca. Ainda vai demorar até que eu deixe desistir.

E por que passar por tudo isso? Deus não precisava ter me criado e eu, sinceramente, agora, não me sinto lisonjeado por isso.

Penso, dispenso, cogito, não acredito... Sou sempre assim!

As palavras são caminhos para o erro, mas eu gosto delas. O que hei de fazer? Gosto do pensamento e isso é natural em mim. Não há certezas e tudo é questão de se enganar.


Comentário atual: Provavelmente esse texto foi escrito para não ser publicado na época, mas agora tudo bem! Já é passado!

Folhas avulsas 16 (Escrito em 03/09/2008) - 12 anos de Blog

Raciocinar sobre o indizível.

A voz interna oscila do berro ensurdecido ao murmúrio inaudível do descaso ou da paz.

Apesar de não haver ouvido de som que os ouça, mas há o ouvido da alma.

E mesmo esse, às vezes, não sabe se ouve o que escuta ou se escuta o que ouve.

PLANEJAMENTO DE LIVRO

Título: Os ouvidos da alma

Vozes internas.
Diferentes discursos.
Incursões ao profundo.
Fluxo do pensamento.
Verdades internas que não serão explicitadas como internas e assim parecerão vividas.
A verdade pode ser mostrada como falsa no repetir de situações parecidas (Déjà vu) ou na negação de expectativas.
Crescente incongruência.
Não se sabe se morreu. Qual das vidas está?
A alma é uma só e ela leva consigo os seus ouvidos que não se distinguem entre as vidas.

Talvez colocar as datas: 10/11/1536 ou 12 de agosto de 2039, por exemplo.

Como tornar interessante?
Incessantes sacadas.
Frases fortes que exprimam boas ideias de maneira clara.
Não alongar muito.
Agilidade.
Foco.
Ser direto.


03/09/2008 - 4:28 da manhã

Folhas avulsas 17 (Escrito em 2009) - 12 anos de Blog

Nicho musical: 
Cadeia da realização independente em São Paulo

Com a influência da ESPM, eu passei a gostar menos de discursos muito teóricos. Perdi a crença de que eles conseguem resumir uma realidade. A ESPM é voltada para a prática, lá se ensina a fazer e não a pensar o método, e isso me influenciou. Eu quero muito ser professor porque acho bonito, tenho vocação para ensinar, gosto das palavras.

Não gostaria de fazer meus pais pagarem pelo meu mestrado, por isso quero prestar USP. Além disso, eu gosto de lá. Acho um centro de excelência e pesa no currículo ter um diploma da USP. A ESPM não pensa a comunicação cientificamente e não nos ensinou a pensar. Nem mesmo estimulou a pensar.

Já a mestrado da USP é, por excelência, um local onde se pensa cientificamente a comunicação e, talvez por falta de preparo, eu não sei por onde começar meu caminho, minha dissertação. Não consigo vislumbrar um tema.

Queria algo que eu gostasse, mas que também não fosse banal. Queria explicar, pela dissertação, algo que eu sentisse, que eu estivesse inserido e tivesse vontade de entender e, produzir uma forma de entendê-lo, por uma pesquisa e dissertação, seria ótimo.

Gosto de música e literatura, mas estou mais inserido no contexto musical.

Como eu poderia pensar cientificamente a música na comunicação? Como encontrar um tema relevante que englobe música e comunicação e que se encaixe nas linhas de pesquisa pré-estabelecidas pela ECA USP?

Que tema seria esse?

Como me colocar satisfatoriamente lá dentro? Como andar por um caminho que eu não sei qual é?


Comentário atual: Comecei com um título para pensar minha futura dissertação de mestrado, mas acabei entrando em pensamentos ainda anteriores sobre a ESPM e sobre como eu me sentia em relação ao processo que estava vivendo!

Folhas avulsas 18 (Escrito em 2009) - 12 anos de Blog

A intenção é um proto-pensamento!

Será o espírito, no fundo, escravo da carne?

O corpo, com seus ritmos e carências é, em primeira instância, o dono da palavra final?

Não que ele seja intolerante, mas é que as margens de nós podem estar, física e intrinsecamente, atadas a ele.

Seus movimentos são absolutos, enquanto que os da alma são relativos quando se vive.

Porto Seguro do espírito que necessita de âncora.


Arraste tua âncora pelas ruas e marque teu caminho com as mais profundas escolhas do itinerante fantasma: você.

Folhas avulsas 19 (Escrito em 2009) - 12 anos de Blog

Cada nova palavra posta na folha delimita o mais inédito limite do inexistente no testemunho em criação. Daí a dificuldade mais pontual da escrita: empurrar este limite rumo ao apenas vislumbrado e que, por vezes, nem mesmo vislumbrado está. Grande é a resistência apresentada pelo que ainda estava para se tornar realidade!


Comentário atual: Achei bonita a imagem da mão empurrando o limite da existência, fazendo vir à vida o que antes era apenas possibilidade artística. 

Folhas avulsas 20 (Escrito em 2009) - 12 anos de Blog

Deturpando frases célebres

“A imaginação é mais importante que o conhecimento”.

Daí se deturpa em um texto onde o sujeito imagina tudo errado por não conhecer direito as coisas e ficar imaginando tudo, enquanto outro adquire mais conhecimento e lê o mundo perfeitamente. Ao final, um termina louco (o imaginativo) e o outro terminar sábio (o que buscou conhecimento). 

Esse texto deve ter uma lógica profunda de criação, a fim de fazer frente suficiente à força da ideia contida na frase alvo.

Folhas avulsas 21 (Escrito em 2009) - 12 anos de Blog

Talvez as discussões das ciências humanas (unidade x diferença) se aquiete quando encontrarem paralelos irrefutáveis com as manobras do plano espiritual que perpassa a tudo e possui mais unidade de pensamento e estratégias mais alinhadas, apoiadas pelo absolutismo incontestável de Deus.


Comentário atual: Não me lembro exatamente o que me levou a escrever essa frase, mas estava numa fase de repensar os fatos históricos, tentando encontrar uma lógica que encaixasse melhor os erros e acertos da humanidade. Hoje em dia, ainda não cheguei a conclusões sobre tudo o que gostaria, mas a busca me levou a lugares mais interessantes! 

Folhas avulsas 22 (Escrito provavelmente em 2010) - 12 anos de Blog

Reconheça, sinta em si quais as suas possibilidades de ser. Sinta qual é a que mais lhe agrada. Qual é a que te fará mais pleno, aquela que te possibilitará ser o melhor de si, a que trará mais felicidade, firmeza, humildade, compaixão, plenitude, prazer de viver, estabelecimento em vida, prazer, capacidade de troca.

Escolhida, vislumbrada esta maneira de ser, aja conforme ela.

Firme-a no seu interior, no seu todo, no corpo, na mente e passe a testá-la nas diversas situações da vida. Comece devagar, seja centrado, tenha paciência, permita-se errar, mas não desista.

Tente ao máximo, sempre!

E conforme esse processo se firma, você passará a ter, automaticamente, em si, esta nova forma de ser. E então, uma nova naturalidade e espontaneidade se fará de você para o mundo.

Minha maneira vislumbrada é firme, forte, intensa, justa, direta, sincera, de olhar firme e complacente, humilde, com muita sinceridade na entrega, mas também reservada nos pontos mais íntimos.

Minha dúvida é: como incluir meu humor neste todo que vislumbrei?

Não quero acabar sendo um sujeito sisudo e pesado. Mas acho que uma firmeza inteira permite uma boa pitada de bom humor.

Sou um laboratório de mim!


Comentário atual: Gostei desse texto! Acho um pouco difícil uma alma se fazer racionalmente apenas por vislumbrar uma maneira ideal de ser mas, a procura disso é um ótimo ponto de partida e que, por isso, deve sempre existir!

Folhas avulsas 23 (Escrito provavelmente em 2011) - 12 anos de Blog (Post 1700)

Quantas histórias têm o tempo?

Quantas camadas tem a alma?

Quantos desvãos a história não retrata?

Quantos homens viveram em vão, nestes desvãos?


Comentário atual: Falo aqui sobre a imperfeição da memória coletiva, sobre as injustiças que invariavelmente cometemos com tantas figuras belíssimas que nasceram e morreram no esquecimento! 

Folhas avulsas 24 (Escrito provavelmente em 2011) - 12 anos de Blog

Deixem o povo secar seus prantos
Deixem as velas queimarem
Deixem o povo minguar os quebrantos
Deixem a festa calar as injúrias
Deixem o povo cultivar seus encantos

Deixem o povo queimar suas velas
Rezar seus encontros
Clamar seus sonhos
Traçar seus punhos
Firmar seus olhos

Deixem o povo queimar suas velas
Cantar a saudade de suas pátrias
Deixem o povo bater seus tambores
O Eterno retorno eterno


Comentário atual: Falei aqui sobre a Umbanda!

Folhas avulsas 25 (Escrito provavelmente em 2012) - 12 anos de Blog

3 MOTIVOS PARA A GRANDEZA DO UNIVERSO

PRIMEIRO MOTIVO

Demonstrar a grandeza de Deus, a miudeza do homem e o real valor de nossos egos e conhecimentos perante a criação. O Universo seria uma espécie de metáfora de Deus, uma representação física do criador, uma maquete real, e nós, pequenos habitantes deste todo temporalmente incognoscível.

SEGUNDO MOTIVO

Exigir que seja necessário um alto grau de desenvolvimento científico e tecnológico de uma civilização para que ela consiga entrar em contato com outra. Seria como uma barreira físico-temporal que, ao ser superada por uma civilização, espera-se que este povo esteja também num alto grau de desenvolvimento espiritual e, sendo assim, estes desbravadores interestelares chegariam com o respeito necessário até os outros planetas habitados.

É interessante este ponto pois, se entramos em conflito com nossos semelhantes nascidos numa mesma raça, num mesmo planeta, seres feitos de um mesmo material genético, imaginem os conflitos que podem surgir quando entrarmos em contato com raças diferentes, de histórias diferentes, com construções divinas diferentes e outras tantas diferentes possibilidades de elaboração das coisas. Uma maior facilidade ou uma menor dificuldade de encontro entre as civilizações poderia mesmo gerar atritos irreconciliáveis, causar o extermínio em massa da população de um planeta, guerras intermináveis e etc.

TERCEIRO MOTIVO

Toda civilização é complexa e rica o suficiente para se desenvolver por si só. Não que não posam haver contatos intrigantes ou intercâmbios espirituais diversos, mas toda “morada física” possibilitada pelas grandes almas deve ser rica o bastante para girar em torno de si mesma.

ENFIM:

A lógica física dos encarnados está sob esta condição:

Civilizações distantes o suficiente para se desenvolverem sozinhas, evitando assim conflitos catastróficos e desnecessários, imersas nos mistérios de uma grande metáfora física que instiga e demonstra o quão grande é o Criador!

Desta maneira, o Universo deixa de ser um desperdício de espaço e energia. Sua vastidão ganha sentido.

Acho que isso me convence!

Comentário atual: Guardo esta conclusão na minha memória desde quando escrevi esse texto! Talvez haja algo de inédito nela!

Folhas avulsas 26 (Escrito provavelmente em 2012) - 12 anos de Blog

A palavra é o princípio da construção do homem, sua principal ferramenta que engendra sua diferenciação do animal.

É o princípio da auto-firmação, mas não o fim desta auto-firmação.

O homem deve ir além da palavra! Há interioridades que transcendem o verbal e fluem mesmo num ritmo ainda mais ligeiro que o mais rápido dos pensamentos verbalizados.

Além disso, a palavra é falha e exige um constante esforço de especificação.

Ela é temporária. Já o sentir é eterno!

Um dia superaremos todos os alfabetos, todos os vocábulos, todos os dialetos, todas as línguas, todas as gramáticas.


Toda palavra será superada!

Folhas avulsas 27 (Escrito provavelmente em 2012) - 12 anos de Blog

Devemos tomar cuidado com nossos incômodos. As dores biológicas são mais vagarosas, porém mais perenes. Já as dores do espírito são mais imediatas. Dores que chegam de repente, dores de estômago repentinas, dores de cabeça sem explicação da ciência, falta de ar que chega sem porquê, dores no peito que, na verdade, não são das veias, mas da angústia, da mágoa da alma.

As dores do espírito são mais de se aflorar para nos alertar, já as dores da biologia nos chegam com mais tempo e o desgaste da matéria e, muitas vezes, são reflexos destas mesmas dores do espírito que não soubemos dar sentido.


Comentário atual: Já senti muitas dores inexplicáveis!

Folhas avulsas 28 (Escrito provavelmente em 2012) - 12 ano de Blog

Será que em algum momento da história humana recente, chegamos, em algum lugar, em alguma família, em algum qualquer, em alguma interioridade, será que chegamos àquilo que deveríamos ser daqui para frente?

Já existiu em algum homem comum um sentimento duradouro de perfeição eterna?

Um sentimento ideal, uma energia resoluta do futuro, um sentido de comunidade, um sentir de humanidade total localizado em qualquer canto do mundo?

Uma paz perene e madura que sabia de seus percalços e de seus sofrimentos, mas que também sabia como seguir adiante, pois sabia de seu papel dentro de um ecossistema social que conduz e que nos inclui a todos nós?

Um canto de roça, um momento de viola, um chorado de cachoeiras sentido no peito, um murmúrio de mar noturno, um lamento profundo da natureza vibrado com maturidade e plenitude por algum coração de algum homem ou mulher qualquer num canto desta Terra?


Comentário atual: Bonito questionamento e bonita a maneira como o texto sai do universal para cair no pontual de paisagens bucólicas tocadas pela interioridade deste ser tão ideal e, ao mesmo tempo, tão natural!

Folhas avulsas 29 (Escrito provavelmente em 2012) - 12 anos de Blog

Fazer canção é quando a vontade de dizer alguma coisa vem de maneira diferente, não nos bastando simplesmente falar, e é deste ponto que se vai além, necessitando cantar palavras para que elas ganhem a expressão que nos parecem merecer!


Comentário atual: Eu acho que me lembro do momento em que escrevi esse texto! Já deve fazer uns 5 anos levando em conta o ponto em que este escrito estava dentro da pilha de papéis.

Folhas avulsas 30 (Escrito provavelmente em 2013) - 12 anos de Blog

“Alguma coisa estremeceu na alma do valoroso herói, algo pôs-se a falar e palpitar entre as folhas de carvalho talhadas em sua alma”.

Página 358 da Antologia do Conto Russo

Metáfora interessante sobre a paixão que aqui é expressada como sendo uma fala e um trepidar de folhas vegetais que balançaram dentro de um ser. O inusitado da comparação causa um ligeiro espanto agradável, pois não se espera tratar a paixão desta maneira.


Uma imagem simples e extremamente rica! Um salto criativo de grande valor!

Folhas avulsas 31 (Escrito provavelmente em 2013) - 12 anos de Blog

Será que o bem e o mal que habitam dentro de nós estariam entrando noutro estágio de amadurecimento?

Será que o bem e o mal estariam mais sapientes de suas diretrizes, menos inocentes, mais convictos do que estão fazendo e que, por isso, continuam a fazer porque querem fazer conscientemente desta maneira?

Como disse Estamira:

 - “Não existe mais inocente”!!!

Será que dentro desta nova lógica, o bem se tornaria menos brando, convertendo-se numa energia mais quente, de uma bravura mais espalhada nos corações de muitos e não mais localizada em líderes e mártires que se sacrificavam por nós, mostrando-nos o caminho por onde muitos outros deveriam segui-los?

Será que o amor insiste pela teimosia?

“O amor sob vontade”!


Comentário atual: Uma nova fronteira para a batalha mais antiga da história universal: a batalha do bem contra o mal, ou melhor, do mal contra o bem!

Folhas avulsas 32 (Escrito provavelmente em 2013) - 12 anos de Blog

Eu dividi minha voz interna pela metade, assim, enquanto elas se digladiam, invariavelmente, sempre tenho só meia culpa.


Em compensação, nunca estou totalmente certo!

Folhas avulsas 33 (Escrito provavelmente em 2013) - 12 anos de Blog

A EUFORIA é aquela sensação intensa que sentimos quando vamos fazer algo radical pela primeira vez.

A ALEGRIA é aquilo mais ou menos perene, ou cíclico, que pousa na gente quando conseguimos uma conquista esperada, por exemplo.

Já FELICIDADE é um espaço dourado, às vezes conquistado a duras penas, e que fica em algum não-lugar bem dentro do peito. E esta sim, é mais independente em relação àquilo que nos cerca e pode ser eterna, mesmo estando em Terra.



Comentário atual: Na época estava precisando fazer essa diferenciação! Gosto especialmente da definição de Felicidade quando fala do “espaço dourado” e depois o coloca como um “não-lugar”, mas ainda assim localizado no peito. O encontro dessas ideias, aparentemente conflitantes, traz alguns parâmetros sutis para este sentimento que me agrada.

Folhas avulsas 34 (Escrito provavelmente em 2013) - 12 anos de Blog

O errado do princípio cristão não é o que foi colocado pelo sofrimento, mas o que fizeram de interpretação e excessiva valoração deste sofrimento.

Exaltar o sofrimento não é iluminação!

O sofrimento não é o foco. O foco é a beleza e o conhecimento que podem, ou não, nascer do sofrer.

O sofrimento vazio, para a alma, é ainda pior do que o prazer vazio!



Comentário Atual: O texto é bastante claro e gosto da provocação contida na última frase, apesar de saber que os sofrimentos cotidianos tendem a fazer decantar mais sabedorias dentro da alma do que os prazeres cotidianos! Infelizmente somos muito assim! 

Folhas avulsas 35 (Escrito em 01/01/2015) - 12 anos de Blog

Lâmina de Madeira

Cortaram o dedo do meu “Boneco de Pano”.

Deferiram o golpe certeiro no momento da paz, e a segurança da realidade física, num centésimo de segundo, se decepou junto com ele.

Todos nós tombamos de costas e cegos no vaco anárquico das possibilidades.

Toda lógica se abalou, todo o meu cosmos entrou em questionamento porque cortaram o dedo do meu “Boneco de Pano”.

Foi deferido o golpe certeiro da navalha de madeira no dia da Paz Universal e o sorriso foi vencido pelo terror do caos.

Seu dedo integrado a lâmina feito um corpo estranho que ainda outro dia me acariciava o rosto.

Um corpo instantaneamente estranho que ainda outro dia eu beijei com amor e senti a sutileza da energia que por ele fluía: a sutileza da energia que se doa...

Meu boneco sem mim, em sua dor solitária, em seu desespero mudo e eu não podia retirar isso dele.


Esse dia eu redescobrir que, ao contrário do que pensava, nós podemos, sim, sentir a dor que o outro está sentindo.

quinta-feira, 16 de março de 2017

Contracultural 2! (Quaresmeira 2017-2)

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Mas,
às
vezes,
para
poder
melhor
ESTAR,
é
muito
necessário
SER!
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quinta-feira, 9 de março de 2017

"Um Gosto de Sol"

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Talvez devamos ser
Como homens que caminham
Com o peso da arcada do mundo
Pousada com o toque exato
Que nos beija os ombros com precisa dureza
Definindo-nos o tamanho que somos...
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Um terreno de inconclusões
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Venha minha vida 
Com o gosto de sol que espero
Com o gosto do homem que viremos
Com o gosto do amanhecer teimoso
Com o gosto do espírito sem fim
Com o gosto de poder ser feliz...
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Mas agora todos somos tão finitos
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quarta-feira, 8 de março de 2017

domingo, 5 de março de 2017

sexta-feira, 3 de março de 2017

Quaresmeira 2017

Dependendo do que penso/sinto, fazem se dois calores sutilmente diferentes nas minhas costas.
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Mas sabe-se que é justamente pelas sutilezas que se plantam as grandes construções temporariamente absolutas.
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O calor da doçura e o calor da amargura são toques profundamente diferentes, ligeiramente parecidos para quem não sabe diferenciar.
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Acredito cada vez mais saber distingui-los!
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