.
I
.
Ouro
Preto
Vir
aqui foi passeio
Há
alguns anos sonhado
Em
noite de imaginário alado
.
Ouro
Preto
Andar
por tuas ladeiras
Foi
presente dourado
Um
gritante regalo calado
Vindo
de um remoto passado
.
Ouro
Preto
Caminhar
por teus traçados
Foi
fazer vivo em nossos corações
O
que já há tanto tempo aqui existe
Mas
que, às vezes, nos esquecemos
.
Fomos
singelos passageiros
De
tua calma eternidade
E
sei que nós morreremos
Mas
nunca o significado desta cidade
.
II
.
Nesses
cinco dias
Pudemos
sentir
O
retorno dos teus contornos
Vivemos
teus entornos
E
sentimos cada encanto
Dos
teus delicados recantos
.
Sentamos
em tuas praças
Suamos
em tuas ladeiras
Rezamos
em tuas igrejas
Pecamos
em teus barrocos
Escravizamo-nos
ao revés
Em
libertação
Sentindo
as raças que aqui sofreram
E
que fizeram
Neste
local
O
início de um futuro possível Brasil
.
No
entanto, agora
É
triste sentir
Que
ainda tentamos ser
A
nação que aqui sonharam
E
ainda tentamos ter
A
dignidade e a coragem
De
alguns dos seres
Que
aqui nos antepassaram
.
III
.
Ouro
Preto
Tu és
Tiradentes que acreditou
Num
Brasil que queria existir
E
que talvez seja
Um
Brasil que ainda não é
.
Ouro
Preto
Tu és
Tiradentes que
Ao ter
seu corpo despedaçado
Fundou
o início de nossa junção
.
Ouro
Preto
Tu és
Tiradentes que
Ao
ser desmantelado
Fez
soar os sinos invisíveis
Conclamando
silenciosamente um povo
Nos
primórdios da nossa união
.
Ouro
Preto
Tu és
Tiradentes que
Ao esquartejarem
seus membros
Ao
espalharem a morada de sua alma
Criou
a fértil semente de um conjunto
Personificou
a figura de um mártir
E fez
delinear os traçados
De
um herói unificador
.
IV
.
Ouro
Preto
Também
és milagre do chão
Milagre
do subsolo rincão
Foste
formada pelos homens que perseveraram
Pelas
mulheres que resistiram e rezaram
Tu és
a pátria-solo arrancado que
Por
exploração
Nos
pariu
.
Ouro
Preto
Também
és desenho humano
Escorrendo
ladeiras
Elevando
mundos
Efervescendo
profundo
Resistindo
enquanto eterna colônia
Acreditando
ser possível nação
.
Ouro
Preto
Foste
labirinto humano
Se
fazendo realidade
Um
Brasil se desenhando
Descendo
e subindo
No
lombo de labutadores
Que
pelos pés fincados no chão
Fizeram
física
A
proposta primeira de um país que
Ainda
hoje
Se
faz meio eterna promessa
.
V
.
Mas
Acima
de tudo
Como
dizem:
“O
Brasil nasceu aqui”
.
O
Brasil começou aqui
Pelos
dedos carcomidos
Do
exaurido Aleijadinho
Médium
autodidata
Filho
de arquiteto e escrava
Nascido
na periferia humana
Mas
que depois se moldou
Escola
escultural do mundo
.
Aleijadinho
Teus
dedos se enrijeciam
E
tuas extremidades se esvaiam
Enquanto
fazias existir
O
maior conjunto
Do Barroco
arquitetônico mundial
.
É
como se
Um
pouco da vitalidade de teus dedos
Tivesse
transpassado
Para
o inanimado de tuas obras
E nelas
habita até hoje
No
formato pétreo de uma vida sempiterna
.
Teu
corpo sumia
Enquanto
fazias nascer
Tua
obra para a eternidade
.
E eu
Chorei
em teu túmulo!!!
.
VI
.
Também
digo que
O
Brasil começou aqui
Pelos
traçados coloridos de Mestre Ataíde
Homem
de dedos leves
Artista
milagre da barbárie escravocrata
.
O
Brasil foi parido aqui
Pelo
metal dourado
Arrancado
do coração mineiro
Metal
que fez a glória da colônia medíocre
E
que serviu de sustento indireto
Para
a Revolução Industrial
Do
"Unido Reino" explorador
.
VII
.
Mas nada
disso importa
Pois,
Ouro Preto
Nós
te amamos
E em
tuas ladeiras fomos felizes!
.
Teu
traço que escorre
Desde
a praça aconchegante
Nos
elevou o coração
Nos
amalgamou a alma
Nos
convidou a contemplação
Nos
fez movimento de dentro-fora
.
Ouro
Preto
Teu
céu tão próximo
Quase
ao alcance das mãos
Nos arrebatou
em redenção
E
nos fez bem
.
Saímos
daqui alimentados
Saímos
daqui banhados de Brasil
.
Sentiremos
saudades
E retornaremos
Pois
sabemos
Que
nossa nação em brasa
Ainda
faz sentido
Quando
sentida AQUI
.
MUITO
OBRIGADO E ATÉ BREVE...
.
.
.






















