terça-feira, 26 de julho de 2005

Comparações Dúbias........

Tô botando esse escrito aqui porque já tinha feito ele há algumas semanas pra postar. Agora eu não queria falar nada do que está escrito nele, mas como para eu escrever um texto eu vou precisar de algum tempo com um computador e alguns reais no bolso, achei melhor deixar de lado. Tá mais ou menos, mas tá legal. Mas de qualquer maneira é interessante. Aí vai:
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O amor é mais forte do que largo
A dor é mais presente que o primeiro corte
Os olhos gritam mais que a faca que fere
A luz é mais palpável que a lua distante
O livro é maior que o céu
O lixo é mais útil que o mal lavado
O som tem mais peso que o instrumento
A sombra abriga mais que a piedade
A falsidade eleva mais que a ignorância
O dinheiro limpa mais que o papel higiênico
O olfato é mais eterno que a visão
O tamanho é menor que o documento
A vida é tão incerta quanto a morte
Os amores são mais transplantáveis que um coração apaixonado
O choro convence mais que o riso
O homem sucumbe mais que a mulher
O frio faz tremer mais que os nervos
A doença molda mais que a academia
A distância engrandece mais que a o telescópio
O nervosismo rói mais que o rato
A dor de cabeça acaba mais que o Ctrl-Alt-Del
O minuto dura mais que os 18 anos
A cidade é mais vazia que o campo
O dicionário tem mais filhos que o imperador da China
A puta tem mais filhos que Jesus Cristo
A criança é mais bela que a inocência
A careca é mais incomoda que um vizinho cantando às 4 da manhã
A internet sabe mais que nós+eles
A música é tão bonita quanto a paz
O amor é maior que o peito
O xixi é mais humano que o erro
O sofrimento tem mais força que o sonho
O azul é tão bonito quanto o mar
A sutileza é maior que o romantismo
O axé é tão bom quanto o clássico
A folha é menor que a imaginação
A vergonha poda mais que o jardineiro
O vazio aperta mais que o cheio
O pulmão alivia mais que o Dorflex
A verdade é mais bonita que a mentira
Mas
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Há mentiras mais bonitas que verdades
(vide)

quarta-feira, 20 de julho de 2005

Acho uns negócios...

É difícil viver o dia-a-dia. É fácil viver a vida na plenitude de um sorriso sincero. A memória falha sempre. As vontades me fazem de escravo, mas acho que é fácil não querer. Como é difícil viver. Olhar no olho é perigoso. Comer sem fome dá azia. Ter o olho maior que a barriga engorda, mas comer é tão bom. Viajar pelo mundo deve ser muito pra minha cabeça. Como queria não ter lugar fixo. Mas a vida é fácil de se levar, talvez me enganando assim, eu fique mais tranqüilo. Acho que chorar de mais não vale a pena, até com o choro a gente se acostuma e parece que as coisas que viram rotina não são mais as mesmas. O choro constante fica cansativo e sem brilho, a dor faz calos e não é mais a dor na forma mais plena e presente. Já o choro que vem de vez em quando faz um gosto de lágrima na alma que dá até gosto. É bom umedecer um coração duro e já seco. A compaixão trata bem a alma de todos, principalmente a da pessoa que consegue senti-la. Compaixão por tudo é muito bonito. Com paixão tudo é muito bonito. Compaixão com paixão. Acho que eu ainda não tenho isso não. Ainda não parei pra pensar, mas acho que não tenho isso muito presente dentro de mim. A luz é a boa luz que faz a gente enxergar, mas quanta luz chegaria a ofuscar as coisas que a gente vê ou precisa ver? Excesso de esclarecimento barra as etapas pessoais da evolução alheia, mas acho que tudo é válido. Eu consigo escrever mais rápido sobre revoltas que tenho mesmo estando em calmaria comigo. É mais difícil escrever coisas lindas e corriqueiras sobre o passarinho que canta na minha janela, eu acho. Acho que a ironia faz parte de tudo que se diz perfeito. Acho que nunca será possível encontrar um ser livre de críticas válidas e sensatas. Acho que nunca um escrito englobará todas as minhas vontades em relação a qualquer assunto que seja, nem nunca, pelo menos aqui na terra natal dos sentimentos conhecidos e falsamente nossos, uma coisa moldará em algo exterior à própria inexistência o básico de uma simples alegria. Como é difícil igualar o que há muito tempo pertence a coisas tão diferentes. Imagina você chegar e falar, essa estátua é a alegria. Êita coisa sem graça. Acho que eu sou tão mais errado quando mais tento me concertar, não que isso me importe muito. As coisas produzem efeitos colaterais que fogem ao nosso alcance e a própria matéria prima gosta de falar mal dela pra produzir compaixão por si mesmo. A vida é um laboratório, e eu me experimento. A calma de se estar no céu é só pra quem acredita em papai Noel. Eu disse isso mais pela rima que pelo sentido. Eu acredito na existência de tudo aquilo que se pode acreditar, ou pelo menos respeito mesmo sem respeito algum por vezes. Bastou a crença para a coisa existir na crença em si. Eu não consigo medir as crenças, portanto eu não me arrisco a zombar do que com certeza é maior do que eu. O tamanho não é uma medida que se pode medir em palavras nem em conversas. Acho que a ansiedade só existe por sermos fracos e temermos a morte e o tempo. Talvez só o tempo da morte. Acho que não somos fracos, mas disse e assim ficou dito logo aí em cima. Tô viciado em escrever, não quero parar agora, mas a fome já está bem presente no meu estômago e um café com leite nesse quarto vazio/frio/sozinho, sem intenção de pena a não ser que brote por bem e/ou pelo bem am alguém, me faria ficar de boa. Gostaria de achar mais coisas, como acho realmente, mas acho que a fome é maior. Tentando achar, daqui até o infinito, caminhos sem poréns, meu estômago ficará sem coordenação na digestão por amnésia de raquitismo. É melhor ir tomar café. Assinado: o padeiro.

terça-feira, 12 de julho de 2005

Fluxo-Zinho-de-Nada

A tristeza virou coisa chique e eu já não sei de muita coisa não. Eu só sei que amar é difícil, mas é coisa primeira e por isso vital. Coisa que vem, que é automática, mas que a gente pode estimular que brota; e brota mesmo. Faz bem como ouvir uma música que se queria ouvir há tempos e quando se chega em casa e bota o CD pra tocar é um troço, só sei disso e isso não é nada. É coisa pequena, mas que me faz bem. Me faz bem escrever sobre coisas pequenas e escrever de maneira pequena. Frases bonitas e leves, coisas sutis sem barulho. Meus escritos normalmente têm o peso do saco de chumbo da vida. Olha que comparação legal e simples. Muitos deles não me satisfazem por satisfazerem só a mim. A alma da mensagem se encerra na folha e fica viva só dentro de mim. Só eu lembro dela, só eu sei dela. Não me importo que só eu saiba, às vezes é bom, mas às vezes me deixa à parte de mim mesmo e o que de mim pode ir pros outros. Não sei, mas parece solidão. É, é meio esquisito de falar, mas é isso. Tem mensagem minha que morre em mim. É, agora deu vontade de falar sobre tudo que eu vier a falar, deu vontade de só isso e o muito, mesmo pouco, que me cabe agora. Esse agora de agora é um instante qualquer, sem a graça que mereça sorrisos, mas repleto de um encaixe. Parece que eu tô inteiro aqui, não tenho vontade de sair andando, nem de cantar, ou seja lá o que for. Eu só quero ouvir a música que vier e escrever o que me der vontade e também seja inofensivo. Eu estou aqui num embalo, com uma noite inteira pela frente. Não vou sair, mas isso não me faz falta. Tenho muita vida por vir, tenho muita coisa pra fazer, graças a Deus. Eu critico Deus porque eu preciso fazer isso. É um tema que me encanta, é tanta coisa numa palavra só, que eu não tenho como não questionar, criticar mesmo sabendo que eu não concordo com muitas das críticas feitas. É por isso que eu invento personagens pra falar coisas minhas. Minhas por terem saído daqui, mas que não necessariamente me representam, nem pra esse ser aqui que me habita e eu ele. É claro que essa também é uma forma de ficar de lado, mas saciar a vontade de passar pros outros algumas coisas que com certeza estão por aí em todos nós. O todo é muito sábio, já falei isso em algum lugar, nem lembro onde, mas é verdade. Isso me deixa muito mais tranqüilo. É confiança boa que me faz viver melhor. São tantas as coisas que me fazem viver. É bom ter motivos diversos pra levar em frente as coisas das nossas lidas. Saber lidar com a lida é algo que deveria estar presente antes dos sonhos futuros. É claro que os sonhos são de mais e nos levam além, mas os nossos dias que passam por nós o tempo todo do tempo nosso são muito primordiais. Não sei se existem diferentes níveis de classificar uma coisa como primordial, mas aqui eu acho que o que eu escrevi me convenceu. Bom, a lida deve vir em primeiro lugar para que os sonhos não fiquem num eterno primeiro plano. Deve ser ruim ter planos a vida inteira, ver eles sempre se renovando do nada pra virar coisa alguma e no máximo decepção. É claro que a decepção não é o máximo da coisa alguma, ou talvez seja, mas o que sei é que é melhor não ter coisa alguma que ter decepção. Digo isso pensando no momento do sentimento à flor da pele, mas não me arrisco a medir o que se paira como absoluto. Escrever é como vomitar. Não quero questionar a validade dessa comparação, mas até onde pensei, ela é válida. Aliás, a coisa que chega mais perto de se validar por inteira é a própria coisa em si. Por exemplo, um copo é a comparação mais válida que eu posso fazer com um outro copo. Assim mesmo é quase falho, porque definir um copo como sendo um copo só seria pleno se minha cabeça mantivesse intacta as relações que ela faz com a palavra copo. A capacidade de definição de uma palavra varia inversamente em relação ao tempo/pessoa existente entre a primeira e a segunda vez que eu as disse. Mas acho que nunca a mesma palavra dita duas vezes seguidas ou espaçadas conseguirá provocar estímulos iguais na cabeça. O cérebro é a máquina mais exata a produzir coisas inexatas que mudam muito. É louco isso não. O cérebro tem milhões de neurônios ligados e organizados por uma tecnologia de ponta. É algo extremamente complexo por ser tão simples. Essa é a viagem de ida e volta que nós homens ainda estamos na ida. Mas o que eu queria falar é que tamanha exatidão biológica e talvez divina pode produzir coisas tão variantes e humanas (pra poder melhor definir). Eu não entendo como a memória interfere de uma maneira geral no raciocínio. Eu não entendo como a memória de conclusões tidas como verdade há tempos atrás podem barrar ou ajudar a sustentar as novas conclusões que o cérebro produz. Inova mais aquele que é desmemoriado ou aquele que se lembra de tudo ou muito daquilo que um dia já chegou a pensar? Nem eu tô entendendo onde eu quero chegar com esse novo assunto que brotou agora. Cada assunto dito aqui era como uma barreira que eu tinha que transpor, porque da cabeça até o papel o caminho não é fácil não. Quem escreve sabe que dependendo da hora as coisas emperram, mas tem horas que as coisas fluem também. As palavras barram, mas são o canal pra fluir marcando os passos. É um jeito de caminhar sem atropelar as próprias pegadas, pelo menos não as pegadas mais novas. Eu pretendia escrever coisas simples, mas passei pra outras mais complicadas pra não me podar e ver até onde ia. Apesar de não ter visto nada, o segundo objetivo foi alcançado e eu escrevi tudo o que me passava pela cabeça e ela deixava ir pro papel. O papel aceita coitado, ele só se deixa marcar sem reclamar. O papel é um grande amigo de quem escreve, e agora no caso, a tela. Acho que isso fecha o nada de mais que se abriu.

quarta-feira, 6 de julho de 2005

Sabe?!...

Sabe?!... A minha vida continua tão boa e tão ruim como sempre foi: cheia de momentos bons, outro nem tanto, outros uma bosta total e outros fodas de se querer pagar pra ver o que vem além. Tudo continua igual, mas eu tô diferente, e espero que não seja passageiro, ou talvez não espere. O que quero dizer é que eu tô muito bem com tudo de bom e de ruim que acontece comigo, eu ando feliz, sabe, tranqüilo. Eu ando calmo na maioria do tempo e fico meio estressado quando precisa mesmo, como quando esses dias eu tive que falar com uns comandantes da minha faculdade, aí sim o bixo ferveu, mas no mais eu tô como eu devo estar e isso é tudo. O que me deixa meio assim dividido é que a tristeza sempre foi muito boa pra mim, eu saia dela cada vez mais forte sabe. Não é uma coisa pensada, eu apenas vivia a tristeza, e suas companheiras e quando saia eu via meu caderno cheio de poesias novas, intensas (pelo menos pra mim) e legítimas (é muito bom ler seu caderno de poesias e escritos de vez em quando nem se for pra falar “que merda é essa que eu escrevi”, ou “parabéns meu filho, continue assim”), via também meu mundo mais aberto, é verdade, via as coisas mais calmas, uma paz mesmo. É necessário entrar em guerra para valorizar mais a paz, o ser humano, nós todos no geral somos mesmo assim, precisamos perder pra valorizar, que pena, somos falhos mesmo. Então, com essa tal felicidade duradoura eu tenho receio de que eu comece a não valorizá-la, e que eu não botando em cheque coisas minhas eu vá pra frente mais devagar. Eu acho que é necessário um pouco de tristeza como diz a música. É tão bom chorar com calma. Chorar coisas mil que nos pertencem pra depois poder abrir aquele sorriso meio molhado e sem graça. É tão linda a vida pra quem chora e ri plenamente. Sabe, é por isso que minha felicidade me incomoda um pouco. Olha me desculpe os tristes, mas a tristeza também é fundamental (pra usar Vinícius de Morais de novo). É claro que no meu caso a tristeza era passageira, graças a Deus e a mim. Esse post está sendo escrito pra falar do meu caso. Cada caso é um caso e cada pessoa lida com a tristeza da maneira que lhe é possível ou lhe é cômodo. Bom, queria falar mais, mas vou botar outra música aqui, ela fala coisas que me fizeram bem, e que eu queria dizer pra vários colegas e amigos que estão num aperto de vida danado. Aliás queria falar pra todo mundo. Aqui vai a música.
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Redescobrir (Gonzaguinha)
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Como se fora brincadeira de roda, memória
Jogo do trabalho na dança das mãos, macias
O suor dos corpos na canção da vida, história
O suor da vida no calor de irmãos, magia
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Como um animal que sabe da floresta, perigosa
Redescobrir o sal que está na própria pele, macia
Redescobrir o doce no lamber das línguas, macias
Redescobrir o gosto e o sabor da festa, magia
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Vai o bicho homem fruto da semente, memória
Renascer da própria força, própria luz e fé, memória
Entender que tudo é nosso, sempre esteve em nós, história
Somos a semente, ato, mente e voz, magia
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Não tenha medo, meu menino bobo, memória
Tudo principia na própria pessoa, beleza
Vai como a criança que não teme o tempo, mistério
Amor se fazer é tão prazer que é como se fosse dor, magia
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Como se fora brincadeira de roda, memória
Jogo do trabalho na dança das mãos, macias
O suor dos corpos na canção da vida, história
O suor da vida no calor de irmãos, magia
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Não sei a aceitação que esse post vai ter, mas gostei do seu propósito e isso é o que vale. Essa música é muito sábia, pode parecer cliche (mas porque o cliche vira cliche?), pode parecer demagogia ou ignorâcia da minha parte mas que me importa eu tô de boa. Sabe?!...

quarta-feira, 29 de junho de 2005

Um teste.........


Esse é um teste pra ver se eu consigo colocar imagens no Blog. Esse desenho eu fiz no computador. Leiam o texto de baixo. Esse post é só uma tentativa que, se der certo, eu deixo aqui. Falou.

Sentido Nenhum II.................

““Eu gostaria de dizer pra todos que existem, que a forma de viver não me incomoda na formulação das gravidades da vida. Nada me conforta totalmente, nem nada contêm tudo que existe na Terra e no espaço. Dentro do nosso Universo as coisas seguem um rumo quase pré-determinado só não sei bem ao certo por quem, mas dizem que o destino é um senhor, não sei não. Nunca vi a cara dele, nem nunca senti muito sua força, isso não me impede de respeitá-lo. Às vezes me é muito difícil ir pra frente, daí é só dar uma paradinha no lugar que se está, dar umas olhadinhas em volta e seguir pra onde quer que seja. Por que será que as coisas poderão acontecer? Sabe lá, porque eu só vou saber se for e indo eu só saberei das coisas que tem lá. Na verdade a gente é bem limitado em muitos sentidos, só 5 ou 6 deles não bastam pra guiar-nos por aí sem trombões incansáveis ou sorrisos meio desesperados. Talvez seja por isso que a gente é o que a gente é, ou seja, nada de mais, tudo de possível, quase o total das medianas. Acho que no fundo a gente só é a gente. É, acho que isso basta, não por bastar realmente. Isso não me satisfaz de jeito nenhum, mas fazer o que né. Tantas são a vezes que o que escrevo não serve pra nada, apesar de valer muito, pelo menos pra mim. Pode ser um pensamento egoísta, mas eu não me importo. Acho que sempre deve vir a gente em primeiro lugar, mas com o todo unido a nós. É hipocrisia/demagogia concordo, mas o que é que eu posso fazer. Eu não controlo nem meus risos, nem meus tiques, o que é que eu posso fazer com meus devaneios sem razão, sem controle. Eles são eles e só, mas esse só me engloba de tal maneira que dá até raiva. É uma merda ser você, ser quem se é. O Bom mesmo é ter vontades realizáveis que se resumem num breve movimento de despreguiçar. Que bobagem esses devaneios sem sentido e sem sentido, escrever ouvindo sons relaxantes é um perigo para os olhos dos colegas de textos. Não me faz falta a falta das coisas que só servem para isso. É, acho que tem coisas que só servem para faltarem, como por exemplo, o pão dos pobres. Para existirem os pobres de Deus que são as pessoas escolhidas, aquelas que têm a passagem pro infinito incognitário, é preciso que lhes falte alguma coisa, no caso, pensando no básico e clichê, o pão. É, o pão dos pobres só serve para faltar. De que serve os sociólogos. A teoria não é a prática nem aqui nem num mundo qualquer por aí, assim espero porque só assim eu estarei falando alguma coisa certa. Já pensou se as coisas do mundo fossem modeláveis de acordo com os sonhos de uma pessoa qualquer. O absoluto seria mutável, seria uma coisa de aparência eterna até que alguns pequenos neurônios fizessem algumas outras ligações e tudo seria alterado para um outro eterno sem sentido que valesse a pena falar aqui. Há inveja de tudo que é bom, porque a ruindade é muito mais simples e humana. A maldade se fecha no ato da maldade, a consciência não pesa porque as justificativas são infinitas, não duvidem da capacidade da cabeça de se auto-proteger. Pense bem, Deus é perfeito porque é bom, ou vice-versa tanto faz. Deus é o modelo ou a origem do que se pode intitular assim. Se nada que é humano é perfeito, nenhum homem poderia ser chamado de bom. Se nada é bom, tudo tende ao ruim. Muitas das coisas que são ruins desejam ser boas. A bondade é bem aceita, quem não quer ser aceito. Desejamos a bondade. Desejamos ter bondade no coração. Onde é a exata divisão entre o desejo e a inveja? Quem deseja a bondade deseja a Deus, a fonte da bondade. Quem deseja a Deus, invejaria o todo poderoso? E Deus, meu Deus, VOCÊ inveja a ignorância humana? Saber de tudo é desgastante. Como é bom viver entre as casas da mente que não têm pseudópodes que se vão longe de mais. O mundo se resume num quarteirão perfeito com visinhos felizes e mamães que amam eternamente (até que a morte os separe) seus filhinhos e maridos. Já Deus sabe de tudo e sofreu por nós. Morreu já tantas vezes por nós ignorantes que morrem e vão pros seus paraísos pessoais viverem eternamente felizes com tudo o que quiseram e enfim mereceram. Tudo é tão perfeito na finitude humana. Já Deus não. Volta tantas vezes e sempre perdoa e perdoa eternamente como se fosse uma máquina programada para o perdão. Vamos aproveitar a vida enquanto Deus vela por nós. Depois e só falar: Que é que há velhinho? Foi mal ae, desculpe pela burrise... E tudo se resolve. Vamos para o paraíso, dormimos, “comemos”, aproveitamos a eternidade com tudo do bom e do melhor que o que há de melhor nos deu. Enquanto isso Deus voltará tantas vezes pra Terra pra chamar o povão e ele implorará pelo amor de Mim, redimam-se, eu tenho algo muito bom pra vocês. Seria o paraíso o suborno de Deus? Algo como uma moeda pra comprar a humanidade mercenária. Não teria Deus uma vontade tremenda de deitar a cabeça no travesseiro e dormir pra acordar morto e já no paraíso? Deus não desejaria viver eternamente no descanso de um amor perfeito? Será que Deus inveja a tranqüilidade da mortalidade? Pergunta aí pra ele numa noite de preces e orações”... Depoimento colhido numa carta escrita por Jesus na hora que ele estava pra morrer. Inclusive dizem que esse negócio de morrer e voltar no terceiro dia foi um presente do Pai pro Filho por ele ter um Espírito Santo e merecer pelo menos uma vez na vida, quer dizer, na eternidade, morrer e sentir o gostinho do descanso eterno. Coitado, ele voltou. E ainda vai voltar muitas e muitas vezes mais. Nada que valha a pena levar em consideração. As crenças humanas são bem modeladas e se já serviram como padronização de pensamento a tanto tempo, é melhor deixar as coisas assim. Será? Assinado: Pai de Santo Nhô da Gira”. Eu ouvi dizer que ele tem um terreiro de Umbanda em São Tomé e é muito gente boa.
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O que foi feito deverá
(Milton Nascimento/ Fernando Brant)
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“O que foi feito amigo
De tudo que a gente sonhou
O que foi feito da vida
O que foi feito do amor
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Quisera encontrar
Aquele verso menino
Que escrevi há tantos anos atrás”.
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O amor é como uma cascata de estrelas que cai pro infinito
Fazendo brotar a vida em todos os confins do universo.
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“Falo assim sem saudade
Falo assim por saber
Se muito vale o já feito
Mais vale o que será
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E o que foi feito
É preciso conhecer
Para melhor prosseguir
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Falo assim sem tristeza
Falo por acreditar
Que é cobrando o que fomos
Que nós iremos crescer
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Outros outubros virão
Outras manhãs plenas de sol e de luz”.
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A nobreza dos sentimentos espanta o vigor das represálias eternamente existentes. Ai meu Deus, quanta bobeira boa.

terça-feira, 28 de junho de 2005

Vai chegando, foi saindo.........

Hoje me deu vontade de escrever um texto sobre o que me viesse na cabeça. É por isso que ele se chama vai chegando foi saindo... Achei loko esse título porque o vai chegando tá no presente e o foi saindo tá no passado... Ou seja, as coisas já tinham saído (mesmo no começo do texto quando eu tava botando o título) e ainda nem acabaram de chegar... É, não era bem assim que eu queria explicar, mas tá de boa... Oh, já tem uns dias que eu tava pensando em escrever um post assim... Já vi tantos blogs que parece que o cara sentou e escreveu na hora o que tá ali naquele post e isso e muito loko, daí eu pensei em fazer uma coisa meio instantânea, aquele troço de pensar escrevendo e não pensar pra depois escrever. Daí eu ficava pensando comigo enquanto eu tomava café ou andava na rua e ia saindo umas coisas muito lokas. Hehehe, acho que o povo até pensava que eu era loko de verdade porque eu não ando ligando muito pra falar sozinho em voz +ou- alta na rua, ou cantar ou fazer caretas de acordo com as coisas que eu estou pensando... É claro que eu ainda dou umas disfarçadas, mas eu tô progredindo e cada dia eu ligo menos... É bom você não ligar porque aí você se desliga de umas travas e vai mais longe. Acho que só de você ficar na cabeça com aquele negócio de “meu deus não pode fazer careta”, ou, “cuidado pra não falar alto o que se está falando por dentro” já barra um pouco e te toma atenção. Esses dias eu cruzei com uma colega na rua e só percebi ela me cumprimentando quando ela falou “oi” rindo do meu lado e só aí eu percebi e falei, oh... Oi fulana... Não vou falar o nome dela, mas eu lembro sim quem era... É muito legal andar, assim, sair andando pela rua sem pressa, o que pra mim não é muito comum, porque eu tô sempre tendo que andar depressa pra chegar a tempo. Mas eu gosto pra caramba de andar de boa. É muito bom, você vai longe. Eu não sei se todo mundo é assim, mas andando a cabeça funciona melhor e quase sem querer... É claro que não é totalmente sem querer, mas é mais fácil, você começa e logo vai... Falando em começa e logo vai, eu ando meio com receio de começar a escrever coisas novas, não que eu não escreva, mas tá foda porque eu escrevo uma coisa e não era bem aquilo, aí eu tento contornar a limitação daquilo que eu escrevi dentro do próprio escrito, mas nesse contorno eu uso outras coisas que também não são totalmente certas. Esses dias eu fui escrever uma poesia que chamava “A medida de todas as coisas” e conforme eu ia falando sobre as coisas que eu pensava, logo tinha que dizer o contrário ou outras coisas a mais. Acabou que a medida de todas as coisas não tinha medida. Tinha hora que eu colocava duas frases completamente opostas pra poder uma ser a negação da outra e as duas juntas darem conta de “medir” aquela coisa sobre a qual elas falavam. Depois dessa poesia eu vi que as palavras são uma merda porque se você quer falar de uma coisa logo essa coisa já tem uma grande chance de não ser completamente expressada, fica falha... Daí é que começou esse meu receio de escrever, porque eu vou escrevendo e vendo que tá ficando errado aquilo. Mas parar eu não paro não porque não dá. O jeito é escrever, ficar falho e escrever mais, e ficar outras coisas falhas e não parar, pelo menos por agora não, talvez quando eu tiver com mais idade daí eu posso ficar mais de boa. Olha que merda, esse troço já tá ficando grande, eu já disse que não me importava, mas dessa vez, como é um post diferente eu não queria que ele ficasse grande. Eu tô escrevendo no Word e vou esperar dar uma folha, enquanto isso eu falo que eu já estou meio de férias e que esse semestre foi muito bom. Foi rápido como tudo na vida anda sendo, mas foi bom. Deu pra fazer bastante coisa. O ano passa muito rápido. Uma vez um médico falou pra mim que já fizeram uns estudos e viram que um dia da nossa ERA corresponde a 16 horas da ERA dos dinossauros, um troço assim. Pelo amor de Deus, a gente inventa um bando de coisas pra agilizar a nossa vida e no fim acaba dando na mesma. A folha já acabou e eu já vou parar. Falou pra todos...

segunda-feira, 20 de junho de 2005

Era uma vez um palhaço.....

Tinha pensado em escrever outras coisas. Pensei num post que seria falando sobre coisas que me vinham na cabeça na hora, como numa conversa, mas eu ainda não me propus de verdade a sentar e escrever, e como eu tinha prometido o texto do palhaço vou colocar agora e mais pra frente eu escrevo esse outro post. Cheguei até a escrever uma outra coisa pra por mas pensei melhor e resolvi não colocar. Fica então esse. Já aviso que é grande, mas promessa é promessa e eu não tô muito ligando se meu post vai ser grande de mais ou não.
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Esse é o texto:
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Era uma vez um palhaço. Esse nosso palhacinho tinha alma de criança levada, cara de menino alegre e sempre levava um sorriso no rosto por onde quer que fosse. Sua cara era vermelha com dois olhos vivos, bem espertos. Parecia que a gente podia nadar neles, eram como aquários azuis. Tinha um mundo dentro da cabeça. Fazia as pessoas rirem com esse mundo. Ele adorava fazer as pessoas rirem. Sentia tanta felicidade em fazer os outros rirem. Parecia que as pessoas riam por ele, e não só pra ele. Era lindo olhar tantas caras novas alegres. Era lindo ver toda noite seu mundo ficar mais iluminado pelas luzes do circo. Cada sorriso era um só. Cada sorriso era como se fosse um doce pra vida dele. Nosso palhacinho vivia no mundo mais legal. Ele não via tristeza. Ele não via ninguém chorando e por isso não via motivos pra chorar. Sua vida era como a vida de toda criança deve ser: simples e feliz.
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Nosso palhacinho morava numa casinha pequena e toda noite ele tirava as tintas da sua cara e ia dormir como menino. Dormia e sonhava com as coisas da sua vida. Sonhava com seus pais, sonhava com seus amigos. Alguns deles estavam no circo e outros não. Ele tinha amigos espalhados por toda a cidade. Adorava lembrar de cada um no sonho pra no dia seguinte contar pra eles como tinha sido bom ver cada um durante a noite fazendo companhia para seu descanso. Ele nunca estava sozinho.
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Nosso palhacinho era um bom menino. Não pensava no futuro porque a vida passava tão devagar e era tão boa que ele só queria saber de brincar e ser palhaço. Toda noite ele botava sua peruca vermelha, pintava a cara com as tintas que seu pai e sua mãe tinham-lhe comprado e saia feliz pro circo, pensando em como ia ser bom reencontrar seus companheiros e fazer mais uma vez as pessoas rirem.
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Foram muitos os tempos que ele assim passou. Todos os dias ia ao circo, todos os dias ouvia risos, todos os dias ouvia o boa noite de sua mãe. Era linda a sua vida. Era linda como a vida deve ser.
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Mas a eternidade ia passando e se acabando. Algumas coisas já não lhe eram tão perfeitas. As pessoas não sorriam mais tanto. Algumas não sorriam mais. Ele nunca tinha visto isso antes. Será que ele estava menos engraçado? Será que não gostavam mais dele? Ou será que agora sim ele estava vendo melhor as coisas?
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Ele não sabia se era o mundo que ficava mais sério ou se era ele que via melhor as coisas? Eu acho que o mundo estava tirando a graça do nosso palhacinho. Ninguém mais ria dele porque ele não ria mais dele mesmo.
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É por isso que era uma vez de novo um novo velho palhaço. Um palhaço como tantos outros que nascem por aí neste mundo de Deus. Ele nasceu, cresceu e foi se desvendando, vislumbrando cada pedacinho dos seres que existiam dentro dele. Ele foi deixando o mundo entrar no seu mundo, pouco a pouco, como se fosse uma infiltração de água podre. Era impossível barrar o avanço deste mundo. Esse palhaço, depois de muito viver, de muito saber; depois que ele tinha muita certeza das coisas que ele sabia na vida, ele já não era mais um homem. Ele não queria mais ser um homem. Ele já tinha vivido muitas coisas boas como palhaço, e o que lhe atrapalhava a vida era o seu lado humano.
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Não lhe interessava a seriedade burra, não lhe fazia sentido algum sair por aí com a cara limpa, sem tintas, mas borrada de lágrimas engolidas em seco. Sem nariz postiço, mas tendo estampada um sorriso falso. Não, ele não queria mais o mundo dos homens. Aquele mundo não era o dele. Ele queria o mundo dos sonhos das crianças. O mundo infinito que ele tinha vivido na sua infância. Ele ainda se lembra do seu dia a dia. Ele se lembra de seus amigos, muitos deles hoje em dia já não o reconhecem mais.
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Às vezes lhe bate uma culpa sem fim é como se ao mesmo tempo em que sua infância lhe trazia boas recordações, essas lembranças só serviam para prender ele num passado distante, quase sem realidade correspondente. Sua infância às vezes parecia um sonho que ele havia sonhado numa noite qualquer. Tudo em sua vida era muito pesado.
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Esse nosso palhaço era fraco, tenho que confessar. Ele sabia disso. Tinha vergonha de mostrar essas suas fraquezas. Vivia se escondendo atrás dos panos do circo pra resmungar coisas pra Deus. Vivia xingando tudo. Ele sabia o que era o amor, mas não tinha aprendido a amar. Ele amava de mais a esperança de viver sem dor. Ele fugia de mais dos olhos do mundo pra não se sentir julgado, mas a infiltração era como uma praga crescente que já não tinha mais retorno. O mundo dos homens só lhe entristecia cada vez mais e cada dia ele pensava mais seriamente em abandonar o papel de ser humano pra se dedicar ao que realmente lhe valia a pena na vida. Ele tinha consciência do quanto o mundo lhe tirava o poder da graça.
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Foi então que ele resolveu abandonar a sanidade regulamentada pra se dedicar ao que realmente lhe traria a sanidade interior. Pensou em se matar, mas o mundo ainda tinha muitas coisas boas para lhe dar. Pensou em fingir se de louco, mas isso já era uma moda mundial. Pensou em se vingar de Deus, mas tomou consciência através de uns sinais, que ele devia seu bem mais precioso a ele, e a dívida só seria paga se ele vivesse esse presente até o fim que um outro qualquer lhe daria. Pensou então em virar palhaço.
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Uma noite qualquer ele tomou coragem, e foi dormir sem tirar a maquiagem. Antes de embalar nos sonhos medíocres de um velho sem esperança, pediu com muita força para que nunca mais aquela tinta lhe saísse da cara. Pediu a Deus e ao Diabo para que a justiça fosse feita como só a osmose dos extremos pode conceber e dormiu confiante.
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No dia seguinte ele levantou e ainda meio sonolento foi tomar banho pra iniciar a rotina de homem, mas a água não saiu não. Ele ficou meio sem saber o que fazer e correu pra pia pra ver se tinha acabado a água e foi aí que lhe ocorreu a sensação mais intrigante que ele já havia sentido em toda a sua vida: sua maquiagem estava nova, seu sono não a havia borrado, pelo contrário, havia deixado mais nítida cada cor. Aquela era a maquiagem que ele fazia quando era mais novo e tinha mais precisão no traçado. Aqueles eram os olhos vivos e alegres que há tanto tempo ele não via. Mas seus olhos estavam diferentes. Não eram olhos apenas alegres, eram olhos profundos. Eram olhos vivos e vividos. Tinham a esperança de um garoto e a saudade gostosa de um ancião. Eram olhos plenos e por isso capazes de encantar platéia inteiras novamente. Ele era um palhaço no sentido mais sereno da palavra. Ele se sabia palhaço, se sabia o bobo da corte que com todos falava, mas pra poucos dizia.
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A maquiagem não lhe saia do rosto mais, era parte integrante da sua alma. Suas cores reluziam pelos quatro cantos do picadeiro e isso lhe fazia total na consciência dos zeros humanos que não são mais, mas nunca serão menos. Seu mundo voltou aos tempos de infância só que a diferença agora era que ele sabia diferenciar os risos sem se incomodar. Ele se sentia pleno em apenas um olhar de magia que brotasse da multidão. Aquele era seu mundo, lá sim ele foi de novo feliz. Lá no picadeiro das estrelas.Moral da estória (história): a ciência do homem arrebata os corações. Maltrata os fracos, infla os fortes e aliena os sonhadores. Que pena!!!

segunda-feira, 6 de junho de 2005

Parentescos

Essa é mais uma do Viajantes. Meu Deus, eu pirei muito pra escrever esse texto. Umas colegas me pediram algum escrito sobre um livro lá que eu não lembro, daí eu pensei em escrever um diálogo entre a SOCIEDADE e a CONCIÊNCIA como se elas fossem duas pessoas. Mas durante a escrita elas foram tomando outras formas, e de vez em quando eu me via perdido dentro daquelas duas personagens que eu tinha criado. Puta merda foi muito loko escrever esse texto. No dia seguinte eu fui na aula ver elas interpretando e ficou bom. É claro que tem uma distância entre o que a gente imagina e o que sai de verdade, mas ficou legal e o professor elogiou e viajou mais do que eu. Fez umas iterpretações que eu nem tinha pensado e no final todo mundo saiu satisfeito. Ah, eu lembrei, o nome do livro é "Os sete gatinhos" do Nelson Rodrigues. É meio grande o texto, mas tenham paciência aí. Façam comentários, qualquer um é bem vindo.
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Apresentação das Personagens
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CONSCIÊNCIA – não no sentido da consciência que fica pesada, mas no sentido da consciência responsável pelo estado de estar consciente. (FILHA)
SOCIEDADE – sociedade humana, quase a humanidade. Não só a sociedade no sentido dessa que tem valores e faz julgamentos. (MÃE)
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Texto
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CONSCIÊNCIA – (Nervosa, voz desesperada) Eu já não sei o que é que eu faço com você. Pelo amor de Deus, todo dia a mesma coisa. Você é um peso que me engorda (olhar de nojo). Você parece um olhar, sabe, uma (gagueja) coisa que tá sempre aqui (aponta a nuca), muito perto. Uma coisa que sufoca a gente. Sempre ali de butuca, espiando, julgando até as coisas que passam pela minha cabeça.
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SOCIEDADE – Eu... Que isso minha filha? Quem mora na sua cabeça é você, eu não. Eu só quero o seu bem. Não vou te julgar por nada, pode fazer o que você quiser. Eu só quero que você seja feliz, tenha filhos, ganhe dinheiro, se case com uma pessoa branca. Aliás, eu te desejo que você seja uma pessoa branca,porque a negros não são muito bem vistos. Eu te desejo filhos normais, que não mexam com drogas, que sejam bonitos. Eu te desejo um companheiro fiel. Eu te desejo, na verdade, muito dinheiro. Faz bem pra felicidade. É verdade que dinheiro não traz felicidade...
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CONSCIÊNCIA (cortando) – Manda buscar, né!!! Ou pelo menos ajuda a conseguir...
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SOCIEDADE – Não... (indignada e chateada) não. Não fale isso minha filha. Eu não te desejo esses pensamentos sujos. Eu só quero o seu bem. Eu só te desejo uma casa bonita com piscina, amigos pra poder nadar com você, que gostem de você, E DA SUA PISCINA (FALAR ISSO NATURALMENTE). Eu te desejo inteligência, um parceiro do sexo oposto. Porque pelo amor do nosso santo Deus lá de Roma (fala olhando pro céu), essas coisas de mesmo sexo não dá minha filha, não dá. Que coisa feia. Eu te desejo tudo normal.
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CONSCIÊNCIA – Normal, normal. Mas o que é que é normal, pelo amor de Deus????
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SOCIEDADE – Não tomai seu santo nome em vão. Mas, o normal é o que é bom, é tudo que é correto. O normal é perfeito, o que mais eu poderia te desejar a não ser isso. Eu tô te dizendo. Eu só quero o seu bem. Eu só quero que você seja assim e nada mais. Eu quero muito que você seja feliz. Eu só quero que você fale bem, que seja extrovertida. Eu espero que você não fique nem muito alta, nem muito baixa. Nem gorda, nem magra. Se possível olhos azuis, são tão bonito os olhos azuis. Desejo que você fale inglês. Não, inglês só não, muitas línguas. Te desejo beleza, muita beleza mesmo. Aliás minha filha, a beleza é muito importante. Ter um corpo bonito, cabelos brilhantes. Ai como eu queria ter cabelos bonitos, ser jovem....
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CONSCIÊNCIA – Isso é inveja, você me deseja tudo isso, mas na verdade, você quer isso pra você. Você me deseja coisas que acha que caberiam bem pra você também, mas nem pergunta se eu quero tudo isso. Quem disse, quem disse que eu quero ser tudo isso.
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SOCIEDADE – Mas você quer, não me negue isso. Eu posso ler seu pensamento, eu sei de tudo sobre você.
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CONSCIÊNCIA – Mas você disse que só eu moro no meu pensamento, só eu sozinha. Só eu tô aqui na minha cabeça. Ninguém, pelo menos aqui, ninguém pode entrar. Aqui (bate na cabeça) ninguém entra, eu tô livre aqui.
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SOCIEDADE – Não, não está...
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CONSCIÊNCIA – Mas então você mentiu, isso você não vai negar. Você é hipócrita, suja, mesquinha. Eu te odeio, odeio com todas as forças, com toda minha alma. Eu tenho que disfarçar esse meu ódio porque eu sei que eu sou fraca. Eu não vou conseguir me separar de você. Eu preciso me sentir parte de alguma coisa que não me agrada, eu preciso de você pra me aceitar. Mas você mente, eu não tenho paz na mentira.
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SOCIEDADE – Eu não minto. As coisas é que são assim. Eu não gero as coisas, eu sou fruto do meio. Existe uma música que se chama “Aos nossos filhos” e que diz assim: “Perdoem a falta de folhas, Perdoem a falta de ar, Perdoem a falta de escolhas Os dias eram assim”. Você é minha filha, me perdoe, mas os dias eram e são assim. Você tá me entendendo. Sua avó é a própria existência. Eu não sou aquela que determina. Eu sou determinada. Eu existo antes de tudo, mas você é que me dá forma.
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CONSCIÊNCIA – Mas como eu posso determinar a minha própria mãe. Eu não acredito.
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SOCIEDADE – Não, você não me determina, você só tem pensamentos de certo e errado, e isso basta. A soma de todas as consciências me detém. Você minha filha, não é apenas a consciência que pesa, aquela que se chateia por coisas erradas, ou sei lá mais o que. Você é um balanço do ato humano de se saber ciente. Eu sou um vírus que embernava quase inofensivo nas cabeças. Mas foi da reunião de todas vocês que eu me transformou. Mas eu já existia. Me entenda uma coisa. Eu já existia, porque o homem julga. Isso é uma questão de existir escolhas, existir liberdade e o pensamento é livre. É por isso que eu nasci com a existência, essa é a minha mãe. Pensar é uma escolha e a escolha é a primeira falha. Pensar é o erro maior. Pensar em viver junto já é um erro por si só, apenas pelo fato de ser um pensamento. Eu não sou culpada. Eu sou vítima.
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CONSCIÊNCIA – Não, não é possível. Você está se dando uma de coitadinha. Coitadinha não. Você julga tudo, deseja o bem, mas nem sabe o que é o bem. Pra você o bem é o normal. O que é normal?
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SOCIEDADE – Você sabe o que é normal. Você é que o define, e redefine constantemente. Muito vagarosamente, mas o normal está em constante mudança. O normal é vago, mas você sabe muito bem o que normal e o que não é. Eu sou mãe das consciências, mas são minhas filhas que me criam, no sentido mais divino da palavra. Eu sou criação das minhas próprias filhas. Eu, sociedade mãe, sou sua criação. Mas eu existo antes porque para a formação das consciências foi necessário o ato de pensar, e pensar é julgar, e julgar é me criar. Eu existo no ato de julgar, mas você só existe a partir do momento que esses julgamentos começam a formar um todo capaz de saber da própria existência. Eu sei o que é bom pra você, apesar da gente ter quase a mesma idade, a gente sabe que eu sou mais ponderada, correta, boa...
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CONSCIÊNCIA – Ponderada, correta, boa e mais quantos adjetivos você vai se dar, hein? Você é arrogante. Quantos adjetivos vão conseguir te definir pra você. Mas a verdade é minha, o que eu digo é verdade. Eu sou a própria essência que forma a verdade. Eu sou a consciência, me entende. A verdade e a mentira se formam em mim. Eu sou o campo do discernimento.
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SOCIEDADE - Não, o que eu digo vira verdade, como aconteceu agora há pouco.
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CONSCIÊNCIA – Sim, é verdade. Mas... (pensa e muda de opinião) Você não tem noção da sua força. Você tirou todos os meus argumentos de que você estava mentindo. Você me convenceu. Você me manipula, eu não acredito nisso. Eu sou livre, eu tenho que ser livre.
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SOCIEDADE - Que isso minha filha, eu não tenho força alguma. Eu só tenho a força que você me dá.
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CONSCIÊNCIA – Mas você é mais forte do que eu. Você entra na minha cabeça. Você me influencia, me manipula em várias horas. Você manipula meus atos principalmente. Você manipula a minha existência, você me forma, eu não tenho outras maneiras de olhar o mundo. Mãe, você é minha mãe, me entende. Você é MINHA MÃE.
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SOCIEDADE – Sim, eu te entendo, porque eu sou criada por você. Não há nada em mim que não seja fruto seu. Não há novidades. Mas agora me entenda você minha filha: Eu não sou, não sou (pausa – pensa – gagueja) Eu não sou, preste atenção. Eu não sou culpada de nada. Eu sou fruto do meio, você é fruto do meio. A existência, o pensamento, você e eu somos uma família sem alternativas. Nós somos filhas do pensar, que é filho da existência. Eu sou filha da minha mãe com meu irmão. Você é filha da sua mãe com o seu tio. Eu sou mulher do meu pai. Eu sou vítima dele. Me entenda. O erro é pensar. Nosso pai nos condena a morte. Nos condena a nos condenar pra sempre. Nos condena a nos odiar. Minha filha, por favor, me ame. O nosso amor mudaria o mundo se não fosse a presença do nosso pai. O pensamento é o vilão da existência. Ele condena minha mãe, sua avó, a ser muitas vezes odiada, a ser interrompida. O pensamento condena a existência a ser podada na sua forma plena. Ela se poda, e acaba com partes de você. O erro está no pensamento. É preciso inventar uma nova forma de elaboração que não seja o pensamento. È preciso reinventar o mundo. (Vira pra classe) É preciso reinventar o mundo porque eu não agüento ser quem eu sou. Eu, sociedade, sou vítima de vocês. Eu sou fruto do mundo, sou mãe manipulada de cada um de vocês. Nós estamos todos condenados ao fracasso, porque o homem não tem a capacidade de controlar seus pensamentos. O pensamento é filho da situação e a situação apenas há. Eu acho que ela há porque Deus quis e Deus quer porque... (pensa e diz) Não sei, Deus quer porque quer. Ele é o culpado, eu sei que é. Não, na verdade eu não sei de mais nada.
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Fim
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Realmente eu não sabia de mais nada. Eu já tinha pirado na batata. Quando a personagem falou que não sabia de mais nada, quem tava dizendo aquilo era eu. Pra quem chegou até aqui, muito obrigado por ter lido, e espero que o texto tenha fussado na cabeça de alguém.

terça-feira, 31 de maio de 2005

Na falta de tu vai tu........

Bom, já tem uma semana que eu não escrevo nada aqui. Ninguém me cobrou nada, mas eu tava querendo botar coisa nova, então resolvi postar uma poesia que eu fiz pro trabalho de um colega. Agora eu tô assim, faço poesia por encomenda, quem quiser é só pedir. Me fala o tema e como quer que eu faço o resto. Rsssssssssssssssss. Meu Deus, cada uma. Esse texto é sobre um livro que eu esqueci o nome agora, mas que fala desse negócio da ciência estar acabando com a fantasia. Só que no texto eu fui contra a idéia. Não que eu concorde com o que eu escrevi, mas é que eu achei que seria melhor pro trabalho do cara negar toda a idéia do livro, que é meio parte da opinião geral, e apresentar a poesia como sendo uma pessoa que vê na ciência um estímulo pra ir além, ou seja, se a ciência desvenda coisas que me eram um mistério intrigante e que me faziam VIAJAR NO INFINITO, agora com esses mistérios desvendados, eu preciso ir mais além de onde a ciência já foi pra poder criar novas fantasias porque essas fantasias me fazem bem. Eu gostei do resultado.
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O engraçado é que várias e várias vezes eu tô na rua andando, ou sei lá mais em quantas ocasiões isso aconteceu, e eu tenho uma idéia e penso em escrever no blog, mas acabo desistindo ou esquecendo do que eu tinha pensado. Eu fiz outro texto prum outro trabalho de outras colegas que mais depois eu ponho aqui no blog. E fiquem sabendo que eu cobro por página: são 3 reais uma página em Times New Roman 12, 7 duas, 12 três e assim vai. Tem promoção e descontos se pagar à vista. hahahahahaha. Bom, o texto tá aqui embaixo.
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MANIAS DO(E) PENSAR
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Navegando imerso no aquário por cima dos ombros
Vem e vai eu
E vem e vai tudo aquilo que me há.
Me há muitas formas de me haVER
Me VEJO muitas formas de enxERGAR
E ERGO várias formas de estabelecer.
...
Cada tijolo imaterial aqui visto
Foi por mim posto ou imposto
Foi por outros dado ou arrendado
Arre...
Muitos me foram por outros impostos sim,
Na forma de impostos, dívidas ou enganação
Erguido a ferro e fogo em minha construção.
...
Construída as Cidades de Miragens
Erguidas as Manias do(e) Pensar
Turbilham as Cascatas de Ilusão.
...
Ah, as ilusões.
Todas minhas num egoísmo inofensivo.
Todas são.
São alusões a visões de versões,
Que agora repousam em versos pagões.
Sim, pagões
Pois não devem nada a alguma gramática divina.
São minhas as leis de um reino medíocre
Aqui só moram os meus e eus.
...
Eco-co-co-co-co-co-co-co-co-co-co-co-co-co-co-co-co-co-co-co-co-co-co-co-co...

Viu,
Posso ouvir suas respostas
Milhares de milhões
Milhares de milhares
Mil ares pra voar
Voar nesse circo
Círculo de trapézios eqüiláteros
De palhaços mudos
De belas bailarinas mancas
E infinitas estrelas presas na lona azul.
...
Tudo isso é o globo da morte dos neurônios
São as teias e mais teias dos axônios.
Se há o mundo da minha ciência
Esse é.
...
Mas o exato constrói desconstruções,
E esse meu mundo também desaba.
Desaba por ilusões em pejorativo,
Desaba por fórmulas sem porém
Ou por poréns sem razão
Sem senão.
Meu mundo se desatomiza sim,
Porém se refaz com razões de amor e ódio
Se refaz em vôo da ave das cinzas.
Ave cinzas
Ave Fênix.
...
Não vejo o fim deste vôo que me leva.
A verdade incontestável só me leva a gerar.
O espaço das possibilidades é multidimensional.
Cada cerca científica delimita 3 ou 4 dimensões da existência
Me restam infinitas outras.
...
Me restam caminhos inimagináveis até o ato do imaginar.
Me resta a crença
Me resta a tolerância
A autopreservação.
Me resta a vontade
A anciã por alegrias novas.
O céu, os salmos e os santos do sei lá sem sentido.
Me resta o que há depois da esquina
Me resta o que há depois de manhã
Me resta eu e o insuportável mim.
Me resta a cura e o desafio.
Me resta o próprio muro
Bio – químico – físico – matemático – científico – intrigântico – mistérico – Etc – e – tal.
Me resta muito enfim
Me resta muito até chegar meu fim.
...
Em fim, só me resta...
...
Hajam ciências sim
Hajam comprovações sim,
Mas haja acima de tudo, aquilo que não há.
Haja a magia e a vontade de negar
Haja a magia da negação
Da natação no aquário cranial.
...
Só aqui é possível ecoar vozes nas águas
Será só aqui?!
...
O interessante é pensar que a cabeça é fechada
Pra poder se abrir melhor-lhor-lhor-lhor-lhor-lhor-lhor-lhor-lhor-lhor-lhor...
...
Assinado: a ignorância, irmã gêmea da sapiência.

domingo, 22 de maio de 2005

Aos meus pais..............

Hoje eu não quero escrever muito não, só queria botar a letra dessa música que eu ouvi direto nesse fim-de-semana. Um fim-de-semana meio chuvoso, bom pra ficar sozinho de boa, vendo TV, e botando ordem nos papeis e nas coisas que habitam as nossas cabeças. Voltando na música, ela fala da relação entre pai e filho pelos olhos dos pais. O mais interessante é perceber que é tudo tão igual. É legal pensar que nossos pais já foram como a gente, se indignaram com as atitudes dos nossos avós, mas na vez deles fizeram e fazem várias coisas que tinham se prometido que não fariam. É por acreditar no discernimento e/ou na FALTA DE ESCOLHA DELES que tenho certeza que nós todos também faremos o mesmo, se Deus quiser. Eu tô ouvindo a Elis cantar essa música, e não tô conseguindo escrever direito porque minha cabeça tá lá no som. Ouçam essa música, ela ajuda a botar ordem nos papéis da vida e da família. Eu amo de mais meus pais..........Ih, chorei............. A Elis tá acabando de cantar a música agora, e eu vou dizer o gosto dos frutos, sempre que isso não fizer mal a eles............. Um abraço a todos................
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Aos nossos filhos
( Ivan Lins / Vítor Martins )
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Perdoem a cara amarrada
Perdoem a falta de abraço
Perdoem a falta de espaço
Os dias eram assim
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Perdoem por tantos perigos
Perdoem a falta de abrigo
Perdoem a falta de amigos
Os dias eram assim
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Perdoem a falta de folhas
Perdoem a falta de ar
Perdoem a falta de escolha
Os dias eram assim
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E quando passarem a limpo
E quando cortarem os laços
E quando soltarem os cintos
Façam a festa por mim
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Quando largarem a mágoa
Quando lavarem a alma
Quando lavarem a água
Lavem os olhos por mim
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Quando brotarem as flores
Quando crescerem as matas
Quando colherem os frutos
Digam o gosto pra mim
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Digam o gosto pra mim
...

segunda-feira, 16 de maio de 2005

Viagem ao Infinito

Hoje me vi diferente, meio outro. É verdade, eu tava andando pela rua e foi quando olhei eu andando e olhando distraidamente pra mim que era eu. Foi uma sensação esquisita, parecia que eu tinha ficado indefeso por completo porque aquela era a única pessoa que sabia tudo de mim que eu sabia, ou seja: eu. Eu não podia nem pensar que aquele cara sabia tanto dele mesmo, quer dizer, de mim mesmo que ele era capaz de apontar todos os defeitos e virtudes que “eu” já fui capaz de decifrar. Ele andava, apesar de distraído, um pouco bravo e meio rápido até que ele me viu e sem precisar falar nada a gente já sabia que o que o outro queria falar era que a gente já se conhecia de algum lugar, e já fazia muito tempo que a gente precisava se encontrar de novo. “Eu” me convidou pra ir tomar um suco de acerola com laranja e “ele” aceitei. Fomos numa padaria perto da minha casa, lá “eu” pediu dois sucos e “comeceimos” a conversar sobre algum assunto qualquer até que chegamos no assunto “Nós”. É, esse assunto não é fácil de se tratar, ainda mais quando tem-se que verbalizar as entranhas pra uma pessoa que você sabe exatamente como irá te julgar, o engraçado é que “eu” sabia que pra ele era tão difícil quanto estava sendo pra “ele”:
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- Sabe, às vezes acho que você é uma pessoa meio confusa, que não sabe tomar decisões e que fica adiando várias coisas na sua vida e acaba perdendo tempo por causa disso?
- Mas eu também acho que você soube por vezes tomar várias decisões nas horas certas, e soube passar por situações inesperadas ou mesmo meio planejadas que hoje em dia eu olho pra traz e penso que se talvez você tivesse que viver tudo aquilo de novo eu não desse conta.
- Em todo caso é inconstante a sua constância, mas pelo menos o sangue frio “eu” teve.
- Teve nada, você é um cara super ansioso e várias vezes perdeu a cabeça por coisas que não eram tão dramáticas assim. Você é um fraco que não sabe de nada, perde o controle em situações que qualquer um, menos nós, perderia.
- Ah fraco, fraco sim. Você não sabe quanta coisa “você” agüento. Alias, sabe sim, mas não leva a sério.
- Mas são tantas coisas né, que nem vale a pena dizer aqui.
- É melhor você não falar muita coisa porque eu tava pensando em botar essa nossa conversa num blog.
- Ah, o viajantes do infinito. Eu criei ele há uns tempos atrás porque...
- Não precisa falar o motivo porque você já sabe que “você” sei.
- É verdade.
- Nossa, é tão legal conversar com outros de você mesmo, ou sei lá.
- É, talvez com você mesmo só que em outros corpos que não são seus, mas são você.
- Não cara, são seus, mas não é você. Porque pensa bem, eu não sou você, mas esse corpo é o seu.
- De jeito nenhum cara. Você é eu, eu sou você, mas esse corpo não tem nada de meu, eu não tenho ele.
- Tem ele sim, ou você acha que eu tô vagando pelo ar. Apesar de eu não ser você, esse corpo é o seu. Olha, é igualzinho.
- Acho que você não entendeu. Alias você nunca entende nada do que eu digo não é.
- Hâm, olha quem fala. Quanta coisa eu sou obrigado a explicar de novo pra você pra você poder pegar o espírito da coisa. Pelo amor de Deus né caboco.
- Caboco, acho que só eu chamo os outros de caboco e agora vem uma pessoa e me chama assim, tá certo que sou eu mesmo, mas é esquisito.
- Oh, chama eu de caboco pra mim.
- Ta certo. E aí caboco!...
- Hahahahaha, é engraçado mesmo sabe. Você vive falando pros outros e quando falam pra você parece que foi você mesmo quem falou, como se fosse um eco.
- Êhhhrrrrrrr, mas foi você...
- Ê bosta, já não entendo mais nada.
- Hâ, imagina eu então.
- Puta merda, tem tanta coisa que a gente poderia falar.
- É verdade, mas como é que...
- Oh, a gente poderia fazer uma poesia.
- Olha, eu tava pensando em te perguntar como é que a gente poderia falar de mais coisas?
- Hummmmmmmmmmmm, e não é que eu pensei que isso tava passando pela sua cabeça.
- A gente poderia fazer ela e botar no blog.
- Só que a gente faz um Post falando de toda a conversa e bota a poesia no fim.
- É, um Post como esse que as pessoas estão lendo agora.
- Eis a minha poesia...
- Sua é???!!!
- É, o que é meu é seu..
- Nossa senhora da cacunda brava.........Essa poesia poderia ser uma declaração final sobre nossa conversa.
- Concordo.........
- É, até que enfim você concorda comigo. Ou seria eu que concordei com você?????
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Cada vez que o espelho me assalta
Jogando um alguém de encontro aos meus olhos
O reflexo ao reflexo é de fuga.
É extremamente difícil encarar meus dizeres
Os olhos nos olhos rasgam as nossas carcaças.
O toque mental é capaz de gritar uma verdade atrás da outra
É capaz de despencar alguns defeitos e vivências esquecidas
Que abalam nossas estruturas.
Nenhum dos meus me conhece
Nem o mais eu de todos.
Verbalizar e sentir as cavernas
É uma dádiva questionável
De validade duvidosa.
As fugas em disparada
São loucas tentativas de preservar a integridade
De preservar a sanidade superficial e primeira
Sanidade social, vamos dizer assim.
“Vamos” mais do que nunca ou sempre (se Deus quiser).
Vamos negar o esclarecimento excessivo
A cegueira da luz superesCLARECEDORA
Mas que só nos leva ao desespero
Vide Saramago.
Vamos brindar a ignorância parcial
Essencial a nós humanos
Essencial ao mundo em todos os aspectos.
Viva os meus eus que nos aceitam.
Eu preciso dessa aceitação.
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Hoje me vi diferente, meio outro como dissemos no começo
Mas graças a Deus não era eu de verdade
Era apenas um outro de mim
Que me aceitava
Que me completava
E que teve paciência para conversar comigo.
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É por isso que eu (nós)digo:
Viva os que se felicitam com o capitalismo
Com o Brasil
Com suas rotinas diárias de trabalho e vida.
Viva os sorrisos do geral
Os meus amigos
A amizade que eu tenho por eles
A mensalidade das escolas
Os preços nos supermercados
As juras de amor eterno
Tudo o que eu vejo
Tudo o que eu julgo ser absoluto.
Viva os teus sorrisos momentâneos
A inquestionabilidade de Deus
Minhas poesias
Meu dia-a-dia
Os dizeres de coletividade
Vários apertos de mão
Vários dizeres de bondade
Vários ensinamentos de Dalai Lama.
Viva a bíblia e afins
A história
A nossa sanidade.
Viva a dita verdade
A superioridade da filosofia
A unidade das famílias
A necessidade da verdade
A perfeição das artes
A beleza da lágrima
Os casamentos infinitos e os que se acabam
Viva a felicidade
O amor
A compaixão
As crenças
Os valores
O sentimento que vem do coração
E etc no plural.
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Enfim, viva tudo aquilo que se baseia em mentiras
Buscando transparecer verdades
Buscando transparecer sanidades
Pra poder levar em frente
Coisas que valham a pena
Fazendo da demagogia
O refúgio para um mundo possível.
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Mas viva acima de tudo
A capacidade de se alegrar com as meias verdades
Já que o ser humano é um bixo complicado
Mas viciante.
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Assinado: eu e mais eu, ou seja, os VIAJANTES. Esse é o motivo de eu assinar como viajantes no plural. Ou seja, todos nós somos vários, formados de verdades, mentiras e partes desconhecidas que se alteram no desenrolar da vida.
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(BASEADO EM FATOS REAIS.)

terça-feira, 10 de maio de 2005

Quer mais um golinho?!...........

Eu tô aqui e é só. Sentado, olhando você me olhando, enquanto eu te olho me olhar. Depois de tantos tragos e goles de raiva, eu quero apenas adentrar teu mundo mais impuro, teus segredos mais carnais que tanto me inebriam. Eu quero me sentir dentro, tão fundo como nunca estive. Eu quero estar em lugares do teu corpo onde um dedo mais fundo nunca esteve. Tuas curvas me geram raiva intensa, teus olhares me deixam puto, sua biscate. Sua piranha vadia, fonte de desejo, fonte que gera segredos em mim que nem eu mesmo quero saber. Você me desperta o pior, o mais essencial. Você me gera ódios diversos, como eu te odeio sua... Eu te amo... Eu amo te odiar. Talvez eu odeie te amar, mas não sei. Só sei que meus gritos rebatem tapas de inveja. Eu te invejo só por você existir, eu te amo, mas te fodo. É um gozo eterno que dura segundos, meu prazer é saber-me superior, é saber me macho. Você é minha fêmea, massa feminina que foi feita só pra me pertencer. Pertencer a mim e a todas as coisas que me afligem. Eu desabo meu mundo no teu cu. Eu descarrego todas as minhas aflições no vão das suas pernas. É carne sedenta de me ter, eu sei... Eu sei o que eu sou pra você, você sabe o tudo ou o nada que você me é. Eu gosto desse nada que você me é, e isso é tudo. Não, não pode ser. Eu não permito que você seja isso pra mim. Eu não quero que você seja isso pra mim. Você não é nada, você só pode ser nada e é deste engano que nasce meu Ego... A gente se sabe, o mundo é que não nos entende. Esse mundo que é nosso no momento do gozo. O mundo dos outros não é nada no momento do esporro. Esporro, porra... Esporro, ordinária. Eu te quero e vou te fuder meu amor de uma vida, uma vida que tanto odeio. O meu copo de cólera são as lágrimas do teu choro, choro reprimido pelo prazer de se saber mulher.

Esse texto foi feito encima de algumas idéias do livro “Um copo de cólera”. Umas colegas me pediram pra eu escrever porque elas precisavam ler um texto para a apresentação que iriam fazer sobre esse livro. Fiquei pensando por uns dias em passar ele para o Blog. Dei umas titubeadas (ôlôcô, que palavreado!!!!) mas resolvi botar ele aqui. Se alguém quiser falar alguma coisa a respeito, é só deixar o recado.

domingo, 1 de maio de 2005

Uns escritos...........

Quando eu criei esse blog, pensei em colocar só escritos meus e nada de coisas dos outros, mas com o passar do pouco tempo que ele existe vi que eu não vou conseguir deixar de por algumas coisas aqui. Esse texto é muito bonito, simples e eu não sei, mas acho que é bem completo. E viva os feriados que caem nos fins de semana...........
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Desejo primeiro (Vitor Hugo)
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Desejo primeiro que você ame,
E que amando, também seja amado.
E que se não for, seja breve em esquecer.
E que esquecendo, não guarde mágoa.
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Desejo, pois, que não seja assim,
Mas se for, saiba ser sem desesperar.
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Desejo também que tenha amigos,
Que mesmo maus e inconseqüentes,
Sejam corajosos e fiéis,
E que pelo menos num deles
Você possa confiar sem duvidar.
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E porque a vida é assim,
Desejo ainda que você tenha inimigos.
Nem muitos, nem poucos,
Mas na medida exata para que, algumas vezes,
Você se interpele a respeito
De suas próprias certezas.
E que entre eles, haja pelo menos um que seja justo,
Para que você não se sinta demasiado seguro.
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Desejo depois que você seja útil,
Mas não insubstituível.
E que nos maus momentos,
Quando não restar mais nada,
Essa utilidade seja suficiente para manter você de pé.
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Desejo ainda que você seja tolerante,
Não com os que erram pouco, porque isso é fácil,
Mas com os que erram muito e irremediavelmente,
E que fazendo bom uso dessa tolerância,
Você sirva de exemplo aos outros.
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Desejo que você, sendo jovem,
Não amadureça depressa demais,
E que sendo maduro, não insista em rejuvenescer
E que sendo velho, não se dedique ao desespero.
Porque cada idade tem o seu prazer e a sua dor e
É preciso deixar que eles escorram por entre nós.
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Desejo por sinal que você seja triste,
Não o ano todo, mas apenas um dia.
Mas que nesse dia descubra
Que o riso diário é bom,
O riso habitual é insosso e o riso constante é insano.
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Desejo que você descubra ,
Com o máximo de urgência,
Acima e a respeito de tudo, que existem oprimidos,
Injustiçados e infelizes, e que estão à sua volta.
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Desejo ainda que você afague um gato,
Alimente um cuco e ouça o joão-de-barro
Erguer triunfante o seu canto matinal
Porque, assim, você se sentirá bem por nada.
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Desejo também que você plante uma semente,
Por mais minúscula que seja,
E acompanhe o seu crescimento,
Para que você saiba de quantas
Muitas vidas é feita uma árvore.
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Desejo, outrossim, que você tenha dinheiro,
Porque é preciso ser prático.
E que pelo menos uma vez por ano
Coloque um pouco dele
Na sua frente e diga “Isso é meu”,
Só para que fique bem claro quem é o dono de quem.
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Desejo também que nenhum de seus afetos morra,
Por ele e por você,
Mas que se morrer, você possa chorar
Sem se lamentar e sofrer sem se culpar.
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Desejo por fim que você sendo homem,
Tenha uma boa mulher,
E que sendo mulher,
Tenha um bom homem
E que se amem hoje, amanhã e nos dias seguintes,
E quando estiverem exaustos e sorridentes,
Ainda haja amor para recomeçar.
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E se tudo isso acontecer,
Não tenho mais nada a te desejar.
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E aproveitando o embalo:
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LIVRO DOS ERROS (GUTO LACAZO)
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O caminho para o sucesso é dobrar a taxa de erros.
(Thomas Watson)
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Se pelo menos pudéssemos viver duas vezes:
a primeira vez para cometer todos os inevitáveis erros,
a segunda, para lucrar com eles.
(D.H. Lawrence)
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"Em que está trabalhando?" perguntaram ao sr. K.
Ele respondeu:
"Tenho muito o que fazer, preparo meu próximo erro".
(histórias do sr. Keuner - Bertolt Brecht)
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Erro logo existo.
(Hudinilson Lima)
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"Como Ser Feliz Sem Dar Certo",
livro de Carlos Moraes.
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Faça qualquer besteira, desde que com entusiasmo.
(Colette)
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Erre bem.
(Arnaldo Antunes)
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Para que repetir os erros antigos quando há tantos erros novos a cometer?
(Bertrand Russel)
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Só errei uma vezes.
(graffiti)
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erra uma vez
nunca cometo o mesmo erro duas vezes
já cometo duas três quatro cinco seis
até esse erro aprender que só o erro tem vez.
(Paulo Leminsky)
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Conheci o perdão, passei a errar mais.
(Nildão)
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Há certos defeitos que, bem arranjados, brilham mais que a própria virtude.
(La Rochefoucauld)
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O espelho reflete certo; não erra porque não pensa.
Pensar é essencialmente errar.
(Alberto Caeiro)
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Quando todos erram, todos têm razão.
(Nivelle de la Chaussée)
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Em terra de olho quem tem cego errei.
(graffiti)

sexta-feira, 29 de abril de 2005

Tudo e Todos............

Todo espaço é formado de vários espaços. Nada realmente ocupa um espaço que não possa ser ocupado por outras tantas coisas, tanto ao mesmo tempo quanto em tempos diferentes, tanto no mesmo plano quanto em planos diversos, tanto numa mesma forma de manifestação da existência, quanto em formas distintas.
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O espaço não é plano nem curvo, ele possui tantas dimensões que não há dimensão. A grande quantidade, a anarquia e a fusão das diversas dimensões forma uma e, portanto nenhuma, pois a noção de dimensão não é mais aplicável à restante.
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Cada um de nós pertence ou influencia de alguma maneira em todas “elas”. Podemos por tempos passar a estar mais presente em uma que em outra em razão de redirecionamentos energéticos causados por múltiplos elementos possíveis, como a saudade, o desejo, as lembranças, ou seja, pensamentos em geral.
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Quem pode garantir que quando estamos sonhando, nossas almas não estão representando teatros relativos às nossas vidas e que essas representações não estão sendo feitas em outras dimensões onde há outras formas de existir. E quem pode negar que essas almas não estão em lugares que ocupam os mesmos espaços relativos aos nossos quartos. Ou seja, o teatro das almas é o nosso quarto e a primeira poltrona da platéia é a nossa cama.
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Às vezes nos sentimos pequenos dentro de nosso corpo ou asfixiados dentro das nossas carcaças, são exemplos de situações onde sentimos a nossa existência em outros estágios (não necessariamente superiores ou inferiores), são apenas momentos que não perdemos a percepção de um estágio, mas mesmo assim a redividimos entre os outros demais.
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O todo nada mais é do que pedacinhos de tudo e de todos que se intercomunicam.

Os fantasmas me vêm atordoar.
Perambulando pelos cômodos da casa
Carentes de energia.
São erros passados, de gerações passadas
Ou futuras
Talvez?!
Sinto a presença e o movimento de alguns.
Alguns são explosões energéticas
Que ainda não se aquietaram.
Outros são desbaratinados
E carentes desejos de seres diversos
Tudo é...
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Temos tanta ligação com Deus quanto ele conosco!!!!!!!

terça-feira, 26 de abril de 2005

Sentido Nenhum!?...........

Atenção, não houve nenhuma grande intenção ao escrever isso.
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“Ontem mesmo eu já não precisava mais de nada. Então deitei à toa no vazio pra murmurar por entre as horas alguns segredos que me gritaram no passar dos anos, mas que naquele momento não me eram mais relevantes. Era estranho ir revendo as secretas confissões coletivas sendo derramadas escada à baixo parecendo uma calda que se pensava calada, mas na verdade fazia um barulho ensurdecedor. Era irônico pra mim perceber o desperdício de vidas ali morrendo no meio fio do mais baixo da rua de baixo, aquela que pertencia a Terra. Aqueles dizeres tão universais se desfazendo, entrando no esgoto sem dó. Eu falava: “Não, segura os olhos dos homens, a gente merece ter tudo isso de volta”. Mas que nada. Tudo se ia. Na verdade não havia como barrar todo aquele mundo que se suicidava. Fazer o que, né. Não sei se realmente eu queria tudo aquilo de volta. Parecia mais leve a rua quando a calda já tinha morrido e aí eu podia ficar a toa ali no vazio como no princípio.
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Fiquei um tempo olhando uns restos que havia sobrado entre os paralelepípedos. Meu Deus que coisa estranha. Parecia que aquelas sobras ainda vigiavam o ar. Nem sei explicar, mas não me era estranho que pouco a pouco me vinha uma impressão de proximidade. Uma impressão que nada tinha sido definitivo e que por mais determinista que a gravidade seja, ainda restavam umas exceções muito fortes que tinham a coragem de peitar as leis do mundo e vir rastejando em direção ao nada. O nada era o topo da ladeira. Aqui e mais à cima tudo é cabível, porque no nada tudo é pertencente, ou melhor, tudo pode pertencer. Acho que é por isso que eu estou aqui. Eu me sinto pertencido. Me sinto parte de algo que não é nada, mas que é o nada. Bom, eu acho que eu estou aqui porque me sinto espaçoso pra ver as caldas do que já me foi, aquelas que eu vi rolando ladeira à baixo. Graças a Deus eu parti dessa pra outra”.
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Esse é um depoimento do Papa João Paulo II gravado logo após sua morte quando ainda se podia ver rolando nas escadarias da Catedral de São Pedro no Vaticano uma gosma de responsabilidade.

Cegos do Castelo...........

Esse poema foi inspirado no livro “Ensaio sobre a Cegueira” de José Saramago. Ele não significa que eu não seja cego, não é isso, sou tanto quanto ou mais que muita gente. Mas é que não é preciso ser perfeito pra falar das imperfeições que batem na nossa cara. Isso nem é revolta nada, foi só uma vontade de escrever alguma coisa legal, o que não significa que não seja legítimo. Vale a pena ler Saramago. E esses pontos significam que há uma divisão entre as estrofes. Eu não sei que merda que deu no Blogspot que ele não pula mais linha.

Esgoto à Céu Aberto

No meio de tanta gente
Não sinto nada que sente
Nem vejo algo do ventre
Que plante uma flor ou semente
No meio da terra ardente
.
Concreta casca insana
Que barra da lágrima humana
A força que transpira e emana
A nova vivência mundana
Que em nada nos é transparente
.
Não sei por que os espelhos
Me negam meu próprio reflexo
Talvez eu seja um anexo
Auxente a este grande complexo
Que em nada me é contundente
.
No vazio do meu apartamento
Me afogo num mar de tormento
São olhos que visam meu dentro
E invadem o todo que centro
Mas nunca me cessam em mente
.
Sim caríssimos irmãos.
Qual seria o valor dos olhos
Na terra dos cegos?
De um dente na terra da fome?
Do amor na terra do ódio?
É sufocante transpirar piedade
Por pobres maldosos humanos
Que secam os rios da graça
Por inveja de Deus.
Oh! Pai e Filho sem espírito
A trindade defeituosa
Não é capaz de ver
Nem com toda sua tolerância
Uma brecha reluzente
Por onde possa perpetuar um amém.
Não, não queremos amém
Não, não diremos amém
Até que o final nos seja perfeito
Não rogaremos a nenhum Deus
De pureza duvidosa
Qualquer perdão.
Não cremos em nada
Não queremos nada
Que não seja imediato
Prático.
Queremos algo de volta
Queremos o que não temos
E temos somente aflição.
Apalpamos o ar
Buscamos o ar
A saída do hospício
Que carregamos fechado
Falsamente lacrado
Por cima dos ombros.
Não queremos mais luz
Já basta a internaIntensa
Já basta a própria
Que teimamos
Quase inconscientemente
Em cultivar
Rios que fazem bem ao Ego
Maldito Ego hipertrofiado
Que nos ofusca.
Teimosia é burrice
E burrice teimosa é caráter
Caráter?!
Não...
Seja o que for
Desde que seja o que queremos que seja.
Não queremos estar cegos
Nem queremos apenas ver.
O espelho é objeto amigo
Se o reflexo perplexo
Te conta segredos
Indulgências religiosas
Que tu te escondes de ti mesmo
Do contrário é pura escória
Que faço questão de levar comigo.
Moralismo falsificado
Faz parte do meu serviço
Pois missa rezada
É grana embolsada
Graças a Deus!
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Revolução de neurônios tresloucados inertes mas instáveis e imersos num mundo aquático de desvairadas palavras lotadas de desânimos disfarçados de sorriso
.
Sorrisos desanimados lotados de brilho opaco que passam serenamente exaustos e estranhos a todo o externo que teima em não enxergar
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Olhos esbranquiçados ofuscados de idéias frustradas que escorrem ladeira a baixo perambulando perdidamente modernos por camaratas de impessoalidade humanitária
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O homem nos sara-esmagando Josés Joãos Mulheres de Médicos Marias num espaço de um ônibus qualquer que perambula feito minhocas
.
Sim
Somos
Minhocas
Sem cara
Sem rosto
Sem visão
Que rastejam
Perdidas
Piradas
Tonteadas
Errantes
Sem destino
Que caem
Rolantes
Em escadas
Por lojas
Que alojam
Os sonhos
De punhos
Que apóiam
Cabeças
Sem peças
Pensantes
Mas pesam
Passados
Presentes
Calçadas
Passeios
Simplórias
Andanças
Procuras
Profundas
De seres
Em série
Que sofrem
A luta
De olhos
Tremidos
Molhados
Piedosos
Por falta
Do pão
.
Não vejo
No olho
De outrem
Visão
Deste ser
Que agora
Vos fala
.
Nem quero
Saber
Que a voz
Violada
Vacila
Perante
A vitória
.
Se na terra do cego o olho é do rei
Majestade tristonha não vence a massa.
.
Se na terra do cego o olho é do rei
Majestade tristonha não vence a massa.
.
Nem vê
A desgraça
Que aterra
O clarão
Sem noção
Da demência
Passiva
Que aterra
A escória
Que escorre
No esgoto
A céu aberto
De almas
Imundas
Desmundas
Mudadas
Moldadas
Por forças
Sem pena
Dos filhos
Carentes
Carecas
Sem dente
Sem pêlo
Nem pente
Sem vez
Sem hora
Que fora
Do ninho
Não passa
Nem rinho
Nem piam
Piedade
Pois cegos
Caídos
Não voam
Nem vêem
Só vivem
E morrem
Perdidos
Banhados
De luz.
.
Se na terra do cego o olho é do rei
Majestade tristonha não vence a massa.

segunda-feira, 18 de abril de 2005

Bom dia Dia................

Eu quero dormir. Mas quem disse que a cabeça pára. Quem disse que meu relógio biológico me obedece. Me falta força de vontade, me falta disciplina, me falta sono, me sobra vontade de fazer coisas, de inventar, de ficar à toa escrevendo, lendo, ou pensando sem compromisso. Não tem jeito, eu sou da noite, me sinto bem à noite, me sinto vivo, mais desperto, bem disposto e não ligo de ficar sozinho comigo mesmo. Não me sinto sozinho, me sinto apenas comigo mesmo e por horas isso me basta, ou melhor, isso é o que eu quero. Eu gosto de ficar sozinho, não de viver sozinho. Há horas que o que mais quero é ficar uma tarde e, se eu me permitir sem peso na consciência como agora, uma noite inteira tranqüilo, sem abrir a boca pra nada, principalmente pra ninguém. Me basta estar conversando sem som, sem ruído, como diz meu avô: “quieto, quieto, quieto”. Me basta passar horas silenciosas e noites proveitosas só fazendo coisas de voz interna. È meio novo pra mim escrever isso e também sentir isso, mas eu me sinto tão espaçoso dentro de mim. Me sinto livre pra ir e vir por entre pensamentos e vontades, livre pra pensar comigo sem restrições, sem assuntos meus que me sejam estranhos ou que me sejam difíceis de tratar dentro das minhas formas de pensar. Eu estou achando tão estranho falar isso pra mim mesmo, que minhas feições enquanto eu escrevo esse texto são interessantes. Se uma pessoa me visse com essa cara de incredulidade, acharia que eu estava lendo uma mentira, mas eu não estou. O que eu escrevo, eu penso e concordo. É muito engraçado essas coisas nossas, essa relação de nós pra nós mesmos. Se eu lesse esse texto me julgaria louco, no bom sentido é claro, mas como eu conheço quase muito bem meus pensamentos isso faz pleno sentido pra mim, ainda bem. É muito louco pensar como muitas vezes a gente também não faz sentido algum pra nós mesmos. Se tudo que a gente fizesse tivesse uma explicação oral pelo menos, tudo seria um pouco mais aceitável. Mas o ser humano é um bicho complicado. Todos nós somos complicados. Como é difícil nos explicarmos ou simplesmente estarmos satisfeitos e em paz com tudo que rodeia nossas vidas. Por que é tão difícil aquietar os desejos e as reclamações para apenas desejar com intensidade o que se tem? Um dia um professor disse numa aula que a diferença do oriental pro ocidental é que enquanto os ocidentais (nós) frente a um desejo buscamos saciá-lo; os orientais (nosso irmãos que ficam acordados nas mesmas horas que eu) buscam não desejar. Não consigo julgar qual é a maneira mais certa de se viver, até porque eu só conheço muito bem um lado da moeda, já o outro me foi muito válido em algumas horas. Na verdade esse postado foi só pra passar o tempo e esperar dar a hora de começar o dia, mas me foi muito proveitoso pelo começo, quando senti aquele conforto em poder passar por vários assuntos que fazem parte da minha bagagem, que por vezes me foi tão pesada. São 6:30 da manhã e acho que agora posso me engrenar nos afazeres das horas iluminadas pelo sol. Bom dia, Dia.....

sexta-feira, 15 de abril de 2005

A Riqueza de quem pensa...

Urubu? Um lugar, um baiano lugar, com as ruas e as igrejas, antiqüíssimo – para morarem famílias de gente. Serve meus pensamentos. Serve, para o que digo: eu queria ter remorso; por isso, não tenho. Mas o demônio não existe real. Deus é que deixa se afinar à vontade o instrumento, até que chegue a hora de dançar. Travessia, Deus no meio. Quando foi que eu tive minha culpa? Aqui é Minas; lá já é Bahia?Estive nessas vilas, velhas, altas cidades... Sertão é sozinho. Compadre meu Quelemém diz: que eu sou muito do sertão? Sertão: é dentro da gente. O senhor me acusa? Defini o alvará do Hermógenes, referi minha má cedência. Mas minha padroeira é a Virgem, por orvalho. Minha vida teve meio-do-caminho? Os morcegos não escolheram de ser tão feios tão frios – bastou só que tivessem escolhido de avoaçar na sombra da noite e chupar sangue. Deus nunca desmente. O diabo é sem parar. Saí, vim, destes meus Gerais: voltei com Diadorim. Não voltei? Travessias... Diadorim, os rios verdes. A lua, o luar: vejo esses vaqueiros que viajam a boiada, mediante o madrugar, com lua no céu, dia depois de dia. Pergunto coisas ao buriti; e o que ele responde é: a coragem minha. Buriti quer todo azul e não se parta de sua água – carece de espelho. Mestre não é quem sempre ensina, mas quem de repente aprende. Por que é que todos não se reúnem, para sofrer e vencer juntos, de uma vez? Eu queria formar uma cidade da religião. Lá, nos confins do Chapadão, nas pontas da Urucúia. O meu Urucúia vem, claro, entre escuros. Vem cair no São Francisco, rio capital. O São Francisco partiu minha vida em duas partes. A Bigrí, minha mãe, fez uma promessa; meu padrinho Selorico Mendes tivesse de ir comprar arroz, nalgum lugar, por morte de minha mãe? Medeiro Vaz reinou, depois de queimar sua casa de fazenda. Medeiro Vaz morreu em pedra, como o touro sozinho berra feio; conforme já comparei, uma vez: touro preto todo urrando no meio da tempestade. Zé Bebelo me alumiou. Zé Bebelo ia e voltava, como um vivo demais de fogo e vento, zás de raio veloz como o pensamento da idéia – mas a água e o chão não queriam saber dele. Compadre meu Quelemém outrotanto é homem sem parentes, provindo de distante terra - da Serra do Urubu do Indaiá. Assim era Joça Ramiro, tão diverso e reinante, que, mesmo em quando ainda parava vivo, era como se já estivesse constando de falecido”.
Esse é um trecho tirado do livro Grande Sertão: Veredas do Guimarães Rosa. Eu acho que todas as pessoas que falam português deveriam lê-lo pra poder ter noção do quão mais ampla e mais rica uma língua pode-se tornar quando usada com maestria. O autor passa por vários assuntos complexos ou não, e tem a capacidade de botar tudo isso na boca de um jagunço de nome Riobaldo que conta a história de grande parte da sua vida para um ouvinte que eu ainda não descobri quem é porque ainda tô na metade. Esse livro é um milagre e acho que é o melhor que eu já li na vida, não o que eu mais me envolvi, mas tenho quase certeza que é o melhor. É um milagre...

quinta-feira, 14 de abril de 2005

Um Post qualquer...

Hoje não estou a fim de escrever nada de muito sério, só quero escrever pela necessidade de se desenhar palavras livres num papel (ou nesse caso num blog)........Isso não importa, o que me importa é deixar rolar o que vem na cabeça e conceder a vinda de algumas palavras e fluxos de pensamentos para o mundo visível, tudo na mais santa paz do agora exato. Não sei quanto tempo durará, mas está uma delícia ficar aqui no quarto sentado em frente à tela do computador escrevendo umas coisas soltas sem ordem e sem vontade de ter ordem, ou melhor, sem vontade de ter propósito de existir ou de se localizar em algum lugar qualquer da internet.
É tão legal isso, eu nunca tinha escrito falando do ato de se escrever pra por na internet. É esquisito juntar certos termos na mesma frase como quando eu disse que só queria escrever pra por na internet, é tão não-poético escrever isso. Se eu tivesse pelo menos escrito que eu estava escrevendo pra por num caderno ou que eu estava escrevendo simplesmente pra vida teria sido mais melódico (acho que esse adjetivo tá legal). Bom, de qualquer maneira é algo novo pra mim.
Eu tô com a minha mesa cheia de escritos antigos que eu estava passando a limpo e conforme eu ia escrevendo, parecia que eu ia relembrando as coisas que eu pensei quando estava escrevendo tudo aquilo. È tão louco, parece que o eu daquela época, o rapaz de 14, 15, 16 e 17 descia e era ele quem escrevia pra mim. Era quase algo como uma reencarnação, só que fora do sentido mais carregado da palavra; o rapaizinho vinha, me pedia licença e vagarosamente me induzia a uma volta ao lugar onde aquele escrito se originou. Foi muito legal.
Essas viagens assim são muito doidas e o interessante é que essas coisas nos levam horas do dia que a gente não tem nada pra fazer e às vezes não quer conversar, não quer nada nada nada, são horas que só ficar quieto e pensar à vontade é o que nos satisfaz. É claro que há momentos em que essas viagens vem em horas sérias como uma reunião ou um trabalho e isso não é muito proveitoso. Mas não quero saber disso agora.

A liberdade de soltar as rédeas dos neurônios
Pra ficar a toa olhando
Só observando suas reações e ligações
É algo intrigante
Quase um passa-tempo.

Nada é bloqueado,
Nada é premeditado ou censurado.
A censura só leva ao círculo permitido pelos valores próprios.

Meus valores não me fazem falta nessas horas,
Só mediocrizam minhas loucuras
E isso não me agrada em nada.

Cada volta nos rodopios do além
São Fronteiras diversas que se alaceiam
É a corda gigante que quase arrebenta
Pra fortalecer mais meus limites.

É bom explorar limites sem perigo de vida.

Aí oh, eu escrevi de boa esse pseudo-poema falando de viagens. Quero um pouco mais desse descompromisso pro meu dia-a-dia, queria poder amaciar as horas com esses pensamentos que me rondam a cabeça agora, mas não sou capaz disso, essa merda que me comanda e que obedece mais as suas vontades que as minhas é teimosa e apesar de já ter melhorado bastante ainda me dá muito trabalho pra sossegar. Se alguém se sente dono da própria cabeça, essa pessoa ou está num estágio de evolução muito alto ou está bem iludida, o que mostra que não é dona da sua cabeça. Sendo uma ou sendo outra essa pessoa não iria me entender, mas acho que nós os semi-esclarecidos nos entendemos.
É impressionante como somos medíocres até nas horas em que não queremos nada, ou melhor, somos medíocres até para sermos o que somos.
Bom, Boa Noite, acho que vou ler um pouquinho pra controlar um pouco a minha cabeça.

quinta-feira, 7 de abril de 2005

(Eu)Biose.........

Sou ignorante perante certos assuntos, mas acho que isso me deixa mais à vontade pra dizer coisas que penso e que sou capaz de julgar dentro dos meus critérios meio inferiores, mas que concordo não porque alguém me disse ou porque eu li em alguma carta contendo ensinamento de um homem muito sábio representante de divindades aqui na terra (JHC-pra resumir não só o nome como também sua representação), mas porque me são próprios. Bom, vamos parar de escrever nas quase-entre-linhas e passar a dizer mais abertamente coisas que penso e que acredito porque fazem parte de situações ou fatos que vivi e absorvi.
A crença nas coisas divinas que se fazem humanas deveriam ser olhadas, analisadas, pensadas e sentidas antes de serem tomadas como verdade e mais, antes que você deixe que essas coisas interfiram na sua vida. Não vamos confundir amor com admiração cultivada em relação a possíveis papéis que achamos que pessoas exercem neste mundo de meu Deus. Não vamos declarar nem olhar algo aqui na Terra como destino irreversível só porque sonhamos ou falaram pra nós que seria assim. Não vamos prender energia, agüentar sofrimentos sonhando fechar um ciclo que já vem de outras gerações de nós mesmos.
Também não vamos brigar por segredos preciosos que no fundo não passam de belos ensinamentos de um ser que é especial acima de tudo por ser pensador, contemporâneo em seu tempo e extremamente sensível (balanço das inclinações). O conhecimento só vai gerar crescimento quando chegar aos ouvidos de todos, preparados ou não, que filtrarão esses dizeres e absorVERÃO (verão, olharão, enxergarão, sentirão) aqueles que lhes fizerem sentido e que lhes tocarem de forma diferente, ou melhor, aqueles que lhes completarem como seres-humanos e que os prepararem melhor para alcançar as formas diversas de paraíso que existem em cada imaginação e crença e que, por isso, se tornam alcançáveis.
É claro que uns se tocariam mais, outros menos, mas as sementes teriam sido plantadas e germinariam vários pequenos frutos que valem muito mais que grandes árvores que se acham frondosas. Além do mais, a peneira das multidões é perfeita, o povo é sábio, a soma dessas sapiências tem muito mais a acrescentar pra gente do que a gente pensa. É egoísmo guardar conhecimento.
As crenças são necessárias para nos dar segurança, e não o contrário. As crenças são para nos fazer mais fortes, confiantes, para exercitar nossa fé, nossos sentidos, apoiar nossos sentimentos, nos fazer querer viver mais para acreditar mais, para buscar mais essas crenças em mais detalhes de nossas vidas e de nós próprios, e não nos impedir de caminhar. As crenças foram feitas para nos aproximar mais do bem estar divino, mas não de uma divindade imposta ou sugerida como sendo a correta, ou pior, uma divindade dita a mais verdadeira, ou a divindade que realmente merece nossas crenças e nossas energias por ter sido indicadas por pessoas bem esclarecidas ou "algumacoisa-videntes".
Um Deus qualquer deve ser formado aos poucos, não vem pronto. Você deve ir até ele por vontade própria, descobri-lo, vivenciá-lo como um todo bom de se crer. Eu acredito que seja necessário experimentar formatos de divindades porque na minha opinião é autoritarismo impor divindades prontas que não cumpram seu papel principal que é o de lapidar as fraquezas de nós humanos, fortalecendo-nos, aperfeiçoando-nos como um todo pra podermos alcançar o prometido Céu.
Eu acho que uma divindade é capaz de se modelar á partir das crenças de um qualquer, porque se Deus é tudo e tudo pode, não seria correto pensar que ele teria a forma que faria melhor para o ser que crê nele? Será que quem crê em outras formas de divindades está errado, ou talvez esteja crendo em formatos e definições de divindades que não seria A VERDADEIRA? Qual é a verdadeira? Mesmo quem vê ou sente algum tipo de imagem, como poderia afirmar que aquela é a imagem definitiva de um ser que pode tudo? Quem pode dizer que Deus é um, ou que são vários espalhados em ordens, ou mundos diversos? Eu acredito que a melhor forma é crer em algo que te faça bem, que te faça sentido dentro da lógica de suas crenças mais internas e básicas que não necessariamente precisam ter a lógica formal, ou talvez crer em algo que você sinta que seja aquilo(e) o seu Deus; mas não imponha esse Deus como verdade nem para seu cachorro. Eu queria perguntar como, depois dessa indagações, podemos classificar ou dizer que um Deus é melhor de que outro? Se Deus é a nossa imagem e semelhança, Deus se parece com "Fulano" ou com "Um outro aí específico e convencionado" ou nós seríamos cópias reais de nossos Deuses?
Deus tem que fazer bem e eu acredito que seja necessário ponderar muito com sentimentos e pensamentos antes de deixar alguma crença divina interferir em nossas vidas mundanas. Cuidado para não confundir as intuições e as crenças divinas com o que há de mais essencial, imediato e menos questionável na vida (pelo menos é menos que esses assuntos que eu disse): as coisas mundanas...
Não sou nada de mais, mas acho que o mundo não estaria preparado para grandes mudanças no âmbito religioso. Estão ocorrendo mudanças vagarosas, captadas em percepções humanas e sentidas por sentidos ainda sub-desenvolvidos. Essas mudanças se percebem conversando com gente na rua, com parentes ateus ou com quem quer que seja. O mundo está mais espiritual, o tempo está gerando desenvolvimentos diversos em vários níveis, e pessoas estão se ligando de diversas formas a um Deus sabe lá qual seria o de cada um ou como ele seria?!. Quem diria que essas pessoas estão erradas ou equivocadas? Será que elas merecem uma doutrinação feita por outros que se dizem mais esclarecidos e privilegiados? Eu repito, reter conhecimento é egoísmo, mas impor informações também.
Eu também acho que é necessário tomar cuidado com o deslumbramento. Eu acredito que o conhecimento adquirido por nós mesmo é o mais legítimo. È claro que conhecimento se adquire de diversas formas: sentindo, vendo, meditando, lendo, extravasando, pensando, observando sutilezas e outros tantas formas por aí que seriam necessárias estar para ser.
Bom, por fim, é por tudo isso que tenho minhas opiniões, e é por essa falta de preparo geral que acredito na sutileza das demonstrações. É claro que há contatos mais intensos e que eu não ousaria questionar para o ser que o vivenciou, exatamente pelo respeito que eu acho que deve se ter com cada Deus de cada ser e a convivência entre essas duas formas de existência. Mas as sutilezas, para mim, existem. Acredito nas mensagens pequeninas, nas coincidências sem razão de ser, nos sentimentos inesperados e inexplicáveis por vezes, nas mensagens. Eu acredito na formação de núcleos leves e mais compatíveis com a realidade do mundo. Uma divindade só tem razão de ser se sua essência for comunicável com seus filhos que habitam sua criação.
É por isso que acredito muito mais na validade do pronto socorro espiritual das igrejas evangélicas que são completamente atuais e condizentes com a realidade de quem vive a dificuldade de ser o fruto da criação, que em seitas e credos isolados que não servem a quem realmente deve ser servido, ou seja, QUALQUER um de nós.
A Eubiose seria melhor se se parecesse mais com a Igreja Universal do Reino de Deus (é claro que temos nossas críticas) e menos com um saco inútil que só serve para guardar em mistério grandes conhecimentos válidos para a humanidade. Não esperem que um Deus venha aqui na Terra para iniciar o cultivo da divindade que existe dentro de cada um dos seres-humanos. CADA UM DE TODOS NÓS.
Isso é o que eu acredito. Não vou me impor a ninguém e penso que apenas pelo fato de eu crer nisso tudo, esses elementos já se tornam realidade em algum ponto da existência.