sexta-feira, 28 de setembro de 2007

Postagem 282 - Saudades de mim

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Acabei de dar uma passada de olho por cima de todos os posts do meu blog. Relendo alguns e lembrando de todos, uma sensação de saudade muito forte foi me batendo no peito, e realmente o peito dói, é impressionante. Daí logo que eu estava acabando, eu fiquei pensando em como eu mudei nesses tempos. Eu mudei pra CARALHO. O Wagner de março de 2005 era outro e isso não é demagogia. Repetindo, eu mudei pra caralho. To impressionado e, ao mesmo tempo, orgulhoso de mim. É legal isso. Mas quem lê esse post pode pensar: “pô, dois anos e meio é chão e é natural que você mude”, mas eu pensando, percebo que esse período de tempo contido no blog foram os 2 anos e meio de maior mudança interna de toda a minha vida e isso não é uma simples impressão, é conclusão pensada. Acho que as pessoas mais próximas e que têm contato mais intenso vão concordar com isso. To impressionado, repito. Estou achando muito legal!!! Também estava pensando, imaginem daqui a 10 anos, eu vou ter um registro fudido da minha vida aqui nesse blog, isso se eu continuar com ele até lá, claro. Não sei, estou muito contente com o meu blog.
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- Parabéns viu, senhor Cavalgadura!!!
- Ahh, não tem de que Wagner, estou sempre às ordens...
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akakaka, eu adoro um diálogo doido.
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Boa noite!!!
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p.s: “Recordar é viver” e ajuda a ampliar a vida, e a vida ampliada traz paz. Amém... Schiiiuuu, silêncio...
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quarta-feira, 26 de setembro de 2007

30 minutos na aula da Marilena Chauí (anotações e etc)

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Eu estava na FFLCH e já fazia algumas segundas-feiras que eu queria entrar na sala da Marilena Chauí só pra poder dizer que eu já vi uma aula dela. Akakaka. Gente famosa e que fez história, né. Rssss.
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Daí essa segunda, eu peguei um papel e uma caneta e fui lá ver. A sala estava lotada, mas tinha uma carteira livre no fundo. Eu me sentei lá e comecei a anotar tudo que eu conseguisse. Quando ela deu a entender que iria entrar em outro assunto, eu me levantei e saí porque as coisas que ele dizia eram muito interessantes e estavam me prendendo lá, mas eu tinha que voltar pra minha aula de Max Weber. Quando eu saí da sala tive a idéia de passar tudo pro Word e publicar no blog, e aqui está. Pura doidera interessantíssima. Eu gostei pra caramba.
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As anotações:
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Exemplos de Modo infinito são as leis da física e as operações cognitivas. Spinozza diz que isso pode ser a idéia de Deus.
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Atributo pensamento leva a todos os outros atributos.
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A partir desse momento, no texto da obra, o autor passa a chamar Deus de idéia.
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Ser formal – é a essência, ou seja, existência real.
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Idéia é um ser, um acontecimento real e não só psíquico. Idéia é causada por Deus, mas um Deus enquanto coisa pensante ou atributo pensamento. Se Deus for explicado por outro atributo, então não será Deus.
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“Explicare” no sentido ontológico (é igual) a desdobrar-se .
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Explicar-se (é igual) desdobrar-se (é igual) expor-se (é igual) desenvolver-se.
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A realidade de uma idéia é o “atributo pensamento”.
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O desdobrar-se de Deus forma o “atributo pensamento”.
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A causa de uma idéia não é o objeto dela, mas sim a potência do pensamento. Nossa potência de pensar, ou seja, o “atributo pensamento”.
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A causa não é o ideado ou a idéia formada, mas sim a força, o ímpeto.
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Uma idéia é um ser e não só uma operação mental.
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A idéia de uma mesa é formada a partir das informações que ela mesma nos fornece e os sentidos capturam e assim se forma a idéia da mesa em nós, mas Spinozza diz que não. A idéia da mesa é formada em nós pelo meu intelecto e não pelo objeto.
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Não há causalidade externa. Nega-se a idéia como representação de uma coisa externa.
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Deus é coisa pensante porque ele forma a sua própria idéia, a sua própria essência. Deus é coisa pensante por ele ser a coisa pensante por excelência.
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Deus não é a idéia que ele faz dele mesmo, mas sim a potência formadora do seu pensamento.
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Aula sobre a obra “Ética I de Espinosa”.
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Deus em Espinosa cria a ilusão de transcendência, uma dica é trocar a palavra Deus pela palavra substância. Espinosa usa a palavra Deus como fotografia da época.
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O mal não existe e o bem é ser livre, é ser a causa interna total do seu todo.
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O atributo que causa idéias é Deus. Deus é o poder de ideação. Deus é coisa pensante por excelência e por essência.
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O atributo extensão é referente ao corpo.
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Os 3 atributos são:
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1 – Pensamento
2 - Extensão
3 - ???
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O conhecimento intuitivo das essências singulares é o terceiro... (talvez atributo)
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Há uma diferença real e uma autonomia causal entre os atributos. Há uma profunda diferença entre eles. Cada um dos atributos é infinito, autárquico, e se um deles sofrer influência de outro, ele se torna finito. Cada atributo possui a potência para formar ele mesmo e só ele mesmo.
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A idéia se exprime através da manifestação do atributo pensamento, e só pode ser causada por ele.
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Exclui-se a idéia como representação, porque ela depende do ideado. Uma idéia não vem de uma sensação nem é uma representação absoluta. Idéia é uma causalidade interna, vem do atributo pensamento.
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Fim das anotações.
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Eu comecei a escrever o nome do filósofo errado (Spinozza – S mudo e 2 Z`s), mas depois eu vi na capa do livro de um aluno que estava do meu lado que não é Spinozza e sim Espinosa. Quando eu vi a capa também descobri que a obra se chamava Ética I. Ta anotado isso aí encima.
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Enfim, filosofia, ao que me pareceu, são pensamentos ou uma tentativa de tradução de sensações já existentes, ao mesmo tempo em que essas mesmas sensações são causadas pelos pensamentos e suas respectivas traduções gerais que fazemos, ou seja, qualquer coisa que fique no limiar da intuição e, por ser circular, isso tende a crescer e fazer a pessoa querer sempre mais e mais. É um exercício de descoberta muito lindo.
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Eu acho que filosofia é um exercício de puxar intuições para o campo das coisas pensáveis e, por labuta, transformá-las em coisas pensadas. Pelo menos nesse caso foi isso que eu achei.
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Foi muito louco.
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sábado, 22 de setembro de 2007

Sábado bom

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Por mais duro que algumas coisas me fazem, às vezes ainda sou capaz de chorar de felicidade.
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quarta-feira, 19 de setembro de 2007

Dito por dizer

Quando eu era pequeno, bati a cabeça com força na parte de trás, mas abriu uma ferida no meio da testa. Desde então, nunca mais me foi dada uma felicidade pura, livre de auxílios. Eu era tão pequeno e aquilo já era o fim do que mal havia começado. Há coisas que se fazem por nós.

terça-feira, 18 de setembro de 2007

Manuelzão e Miguilim, enfim... (No Mutum e na Samarra)

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Será que conseguiremos? Me pergunto agora pois não sei como se farão de mim essas palavras já vívidas em algum lugar.
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Bom, Manuelzão e Miguilim, ou seria melhor dizer, Miguilim e Manuelzão. Todo começo começa no início, nem que esse início já seja formado no eterno. É assim que se mostram as primeiras páginas dessa uma das maravilhas narradas por Guimarães.
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Guimarães é início e fim com propriedade. Transpõe-se para o interior tão conhecido de todos que se sejam capital e de lá começa uma semente meio gente, inteiro menino, no calado do parto depois do parto primeiro, ou seria o derradeiro, já que foi o primeiro e único a ser realmente escolhido. Não sei e assim nos fazemos corretos.
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E assim é menino bom, menino comum. Miguilim aos poucos chega e te olha com inocência. Não pede permissão, por ser tímido, mas ainda assim intimida pelo não olhar. Miguilim piquininim, choroso, pensativo. Menino bom, repito. Tem no irmão menor uma alma de se admirar. Sábio Dito que se foi antes do nosso amigo e deixou dias de dores em cama. Saudade que só se é expressável no português tropical do Mutum.
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Lá tem Mãitina, negra de saberes e embriagez de porão. Sua fogueira do calor vindo do não-quero-saber balbucia o que não se contradiz.
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Também tem Pai e mãe, pessoas respeitáveis. Amor de mãe, respeito de pai. Natural vivível.
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Lá há irmãos de renca, soltos no terreiro, no alpendre humilde. Pequenos, ligeiros, fracos, mas inteiros na mínima infância que tem o pé e a cabeça rente ao chão. Tombos servem de renascença cíclica e cada vez mais.
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Lá vive passarada, cantoria, pássaros que declamam o oculto da mesa do café. Meã avoada que se canaliza no bom humor do que não se deve levar em conta.
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Lá tem tio da traição. Tio de amor no peito. O que é feitível contra o amor? Carta sincera nas mãos e mães do menino. Sim, Miguilim cresce no pedido pedido por ele.
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Mas valha-me pai respeitável, como dito e como o Dito. Vem trabalho no roçado. Lida de família, homem humano, nunca demasiado humano.
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Vem acontecimentos ligeiros, acontecimentos no nem-se-sabem. Chegam e soltam verdades por via das dúvidas. E assim menino vai, no meio do meio, permeando permeado por tudo que por cima proclamou, mas confesso ainda sim que “Chorável, chorei”.
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E um dia muito muda, noutro trabalha sem esbarrar, noutro cresce sempre como em todos, noutro outros se vão, noutros tio volve por conseqüência do amor que contra tudo se faz e nada se há de fazer.
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E, um dia, no fim da cantoria literária, Miguilim se expande para além dos olhos meus, mas resta-se em memória, porto seguro e frágil da vida volátil.
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Então, vira-se página e depara-se com senhor de meia idade. Seria Miguilim no desgaste da dureza da vida. No fim, inicia-se novamente um senhor e sua muito respeitável história. Não acredito que seja digno do quase sinônimo sem h.
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O Manuelzão de fato houve. Personagem visto nas andanças de João, anotado e eternizado nessa uma das tantas estórias - histórias do corpo em bailado ou Corpo de baile, como dizem oficialmente.
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Na Samarra Manuelzão apresenta-se desconfiado, luxuoso de seu pequeno mundo de grandes conquistas. Altivo no cavalo amigo e de lá ele é focado pelas palavras do também grande homem. Iniciam-se as peculiaridades muitas do único acontecimento. Único naquela vida de retidão e boiadas feito corpos maciços na destreza do bem pensar.
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Nele poucas palavras e muitos olhares. Felicidade madura e, por pena, felicidade ceifada. Homem na ferrugem do sentir e por isso cada minimalidade é linda.
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Preparou uma festa de inauguração de uma capela. Capela perto da ida mãe. Promessa dita em pensamento, posta em vista no decorrer dos anos.
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As pessoas chegam de todas as paragens. Um listado enorme de nomes inéditos. João Urugem, Seu Camilo, José-José e muitos vistos, tantos não vistos. O interior se agita na chegança pra festança e o interior dentro do interior também.
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Senhor pensa nos outros, pensa em si. Pensa seu filho também de poucas palavras, mas maldades que podem não poupar. Sua mulher, boa mulher. Admira o conquistado pela geração vinda. Netos esguios de não se conversar.
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Velho Camilo sua insignificância bem-vinda. Sentado nas soleiras, bebida de água ruim. Mas em revoltoses se transforma no bem dizente contador da fantástica história do boi falante que reluzia indomação. Eterno velho de um amor cristal que se estancava no “dizquedizque”, como diz o autor.
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Cristal de Joana Xaviel, mulher de não se achegar. Natural e arredia liderança.
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E assim, com todos esses permeios, rolam-se 3 dias de festanças. Pessoas cantáveis, sanfonas, violas, repentes, versos, rimas rápidas, churrascos, estórias, causos, gente faceira, gente pequena, gente que passa, dormência de gentes, missa de padre, batismo, casório, crismáveis, cânticos, ladainhas, procissão, morro acima, morro abaixo, cachaça, homem bambo, comilança, graúdos, os menos, os mesmos, pensamentos aqui e acolá, ansiedade, conversa em pé de fogueira, ouvidos atentos, roda noite, roda dia, roda vida, chora povo, raia horas, vence medo, fala o filho, vem boiada, “passa galho - de ingazeira - debruçado - no riacho”, nasce ninho, corre monte, soa sino, sua corpo, sente mente, pensa resto, fim de festa, chora gente e em rabeira “ – A boiada vai sair!” Êêêê João, como sempre infinito. Travessia...
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Últimas estórias

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No princípio do mundo, acendia um tempo em que o homem teve de brigar com todos os outros bichos, para merecer de receber, primeiro, o que era – o espírito primeiro.
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Manuelzão - página 255 - João Guimarães Rosa
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segunda-feira, 17 de setembro de 2007

Háááááááááááááááááá

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Hum! Deus fará absurdos contanto que a vida seja assim.

Sim, um altar onde a gente celebre tudo o que ele consentir.

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quarta-feira, 12 de setembro de 2007

Semente de construção dramática

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Por anos havia inventado estórias. Era um ser só e só um ser, por isso inventava. Lia contos e catalogava personagens, depois, com todos os corpos estirados sobre a escrivaninha numa cartolina vermelha, compunha seu círculo familiar ideal tentando pensar na maior possibilidade de variáveis possíveis dentro do humano de cada um e em como essas variáveis melhor se encaixariam. Era um ser só e só um ser, por isso inventava. Dava sempre o melhor de si, mas sempre acontecia dele estar andando na rua e um dos seus laços imaginados o repreendia de súbito. - Puta merda, isso não vai dar certo. Diadorim não vai amar Joana - e então seu conflito era intenso como os de outras Veredas e Corações Selvagens.
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Faça você mesmo a sua continuação, a semente está aqui.

quarta-feira, 5 de setembro de 2007

Uma folha de Word contando com o título (TNR 12, espaçamento simples)

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João disse que sairia de casa naquele dia. Sairia por sair. Há semanas que estava guardado no fundo de seu sonho, dormindo, embernando, comendo, sonhando, inventando coisas para si. Era deus do perímetro João. Faça-se a luz. No seu início não era o verbo, mas o não verbo, seu verbo era João. Coisas das mais diversas possíveis. Coisas avulsas nascentes em João. Gostava de sair ao quintal e ver estrelas caindo, imaginava ruídos, caia-se em si, estrelas queimavam sua nuca no repente, sustos. Soltava gritos de dor e gargalhadas avulsas que ecoavam na sua cabeça, não por ser vazia, mas por ser em demasia. João de Nada se chama. Ninguém o chamava. Ele era seu próprio substantivo. Não era cordial, resquícios, não era vulgar, não era nada, João de Nada. Não pensava nas definições de si, nem no seu sobrenome desfeito. Pairava plano pelos cômodos, dormitava de olhos vesgos e estalados, estalava dedos, ouvia batuques. Ficou assim por dias e dias, à toa, vivendo seu total. Tomava banho, saia de si, rodava por fora, rodava por dentro, entorpecia-se de variáveis químicas só pelo gozo da falsidade dolorida e assim ligava-se no ato do sorriso sem razão. Depois de saber-se em folha, fora embora pra fora. Vestiu vestimentas não escolhidas, calçou proteções porque necessitava delas. Quando tempo o tempo tem quando não se está no tempo que o tempo tem? Quanto muda a mudança nas vezes que mudamos longe dela? Só se muda a mudança de si no tempo que lhe é apropriação. Mas não sabia do limítrofe, por isso o carapuçar de sua ligeireza. Não se sabe a velocidade exata do instável daqui até que atrite qualquer. Não se sabe o aquém ou porém até o defronte de uma barreira de multidão. Mas foi-se. Fechou a casa no receio da chuva, passou rápido o portão no receio da fuga da fuga da fuga da fuga, um pendulário dotado no afogo de si. Ganhou os traços do social. Tudo foi-se naquele sem relance de ir sem volta. Veio o foi-se, e veio-se delineando o entorno da paranóia estampada incrustada na sapiência inventada. Antes assim, que perdida sem caminhos de retorno. Fez-se seu caminho em cada homeopática destreza e hesitação. Ganhou a avenida e seus rastros. Velocidade medíocre aquela que passava por todos os ângulos, não?! Mas sentia-se ali. Não explicava-se, mas o contínuo prosperou na vaguidão da geometria concreta. Andou ladeira acima, um descampado de sensação, ladeira abaixo, um baixio sem adjetivação. Continuou reacendendo-se a cada ato de invólucro, e assim fez-se fermata. Tuim num canto alegre. O quintal da meninice. Chorara naquela vez, lembrava-se disso. Chorara ao ler o som do triste canto do tuim. Nunca soube bem porquê, mas naquele triste canto do choro da palavra bonita, brotou-no algo da letrário. Não sabia nunca até que de repente sabia e estava conciso, formado, digerível e saltava dentro de si. Por fora estava encapuzado. Não sabia nunca quase, mas estava firme na desavença de outrem e por isso inteiro no aconchego notívago. Era noite num querer, e num instante estava no mesmo si. Prosperou agitado naquilo que amadurecia. Era bem estar assim de si. Restava o felicidade feito homem nele. Personificação é o artigo da troca. Sentia-se âmplido e teve a certeza, enfim certeza de gente, que ele restaria no conforto do estatuto. Não teve mais medo, concluiu-se o finalmente para o felizmente vigorar no concluo do pensares. Aquilo era a instância do corpo, fenômeno sagaz que trazia de si desde sempre. Era o privativo não localizado, uma paragem sem pontos. Era pixel do sorriso aos céus naquele instante que ameaçava enveredar fixo na garra do sólido. Formatava-se no cercado azul vagante. Um ponto eqüidistante entre a inocência e o rugoso, mas nem por isso mediano sem extremidades. Era extremo de contentação. Contentemente de seus brilhos. Navegou baixo ainda tentando experimentar o salto súbito da tristeza, mas o silêncio gargalhoso lotou sua inexatidão. Olhou pras suas mãos, chorou de amor pela conquista, sim
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P.s: Detalhe, não pude colocar o ponto final depois do "sim" porque senão o final do texto pularia para a segunda folha. akakaka. Façam o teste. Pelo menos aqui no meu Word foi assim que aconteceu.
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terça-feira, 4 de setembro de 2007

_-_-_-_-_-_-_-_-_-_-_-_-_-_-_-_-_

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Quando produzires arte, não se esqueça que a arte maior é o amor sincero. Não se alimente somente de arte, ela é capaz de florear a vida como o amor ou a companhia verdadeira, mas o ser humano não nasceu para viver só. Há instâncias ainda mais internas a serem alimentadas.








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segunda-feira, 3 de setembro de 2007

Não sei

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Estava a fim de escrever hoje. Não sei, me passam muitas coisas na cabeça, mas eu até agora (3 da manhã) não tive o ímpeto de começar qualquer texto. Não sei de novo, mas agora me passou pela cabeça que eu poderia falar sobre um jardim. Uma poesia sobre um jardim. Lá vai:
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Título: O jardim
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Comecei um jardim hoje.
Olhei pra terra, pobre.
Olhei pro céu, seco.
Olhei pra flor, murcha.
Mas vi a esperança nos 3 em desencontro.
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Comecei um poema agora.
Olhei pra folha, pálida.
Olhei pra tinta, cínica.
Olhei pra mim, trêmulo.
Mas vivi a beleza dos 3 em desavença.
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Por isso,
Salta o jardim florido do meu olhar
E trepida o poema apoiado no meu dedilhar.
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Da beleza inventada, o poema sorriu,
Da vontade forjada, a palavra se abriu.
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Um jardim em declamância ligeira.
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terça-feira, 28 de agosto de 2007

Entrevista

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Marília Gabriela pergunta – Um grande amor?
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Elis Regina responde – Vou falar de um grande amor. Um amor maior, sabe?! MILTON NASCIMENTO.
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Como não existi-LO, se ele canta...
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domingo, 26 de agosto de 2007

Sim

“Até para sofrer, a gente carece de quietação. Para sofrer com capricho, acondicionado, no campo de se rever”.

João Guimarães Rosa - Manuelzão

quinta-feira, 23 de agosto de 2007

Cláusula emoldurada (casulo na moldura)

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Se os olhos são o espelho da alma,
o rosto é a moldura.
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W

terça-feira, 21 de agosto de 2007

Auguras do pensamento

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Às vezes eu acho que a vida se concentra na memória e não no ato de viver o instante. Penso assim porque o instante é muito fugaz e no ato de se viver não temos constantemente a noção de que aquilo é a vida e de que estamos vivendo coisas naquele momento. Estamos sim tomados pelo entorno, e isso é o natural. Nessas horas, apenas vivemos cada passagem e logo aquilo se vai, e o momento da vivência não se configura ou consolida-se instantaneamente em nossas consciências como a vida em si.
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E é aí que eu volto à memória como a verdadeira consistência ou consolidação da vida. A quantidade de vida que temos impressão de termos vivido, é diretamente proporcional à quantidade de vivências que estão armazenadas na nossa cabeça. Podemos ter vivido as coisas mais impressionantes numa determinada época de nossas existências, mas se não nos lembrarmos daquilo com consistência, nada se configurará como percepção estável de vida.
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Vida é bagagem, e a vida se estrutura na lembrança e não no ato de viver.
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Portanto, se queres ter vida, viva com lucidez mesmo as passagens mais entorpecentes dela. Não viva exclusivamente para preservar a memória, porque aí elas podem se tornar vazias e chochas, mas saiba que cada instante só se torna vida consistente para a vida quando está alojada com firmeza no campo das lembranças.
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Cultivamos dia-a-dia um jardim imenso chamado passado.
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Lembro, logo vivo.
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Ããããã, talvez esse texto possa nos mostrar uma nova forma de pensar aquela frase, que diz que “Recordar é viver”, ou talvez quem fez essa frase já tinha noção desse negócio que eu falei aqui.
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Auguras do pensamento. Só.
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segunda-feira, 20 de agosto de 2007

Sobre todas as coisas

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Edu Lobo - Chico Buarque 1982
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Pelo amor de Deus
Não vê que isso é pecado, desprezar quem lhe quer bem
Não vê que Deus fica até zangado vendo alguém
Abandonado pelo amor de Deus
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Ao Nosso Senhor
Pergunte se Ele produziu nas trevas o esplendor
Se tudo foi criado - o macho, a fêmea, o bicho, a flor
Criado para adorar o Criador
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E se o Criador
Inventou a criatura por favor
Se do barro fez alguém com tanto amor
Para amar Nosso Senhor
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Não, Nosso Senhor
Não há de ter lançado em movimento terra e céu
Estrelas percorrendo o firmamento em carrossel
Pra circular em torno ao Criador
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Ou será que Deus
Que criou nosso desejo é tão cruel
Mostra os vales onde jorra o leite e o mel
E esses vales são de Deus
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Pelo amor de Deus
Não vê que isso é pecado, desprezar quem lhe quer bem
Não vê que Deus até fica zangado vendo alguém
Abandonado pelo amor de Deus
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quinta-feira, 16 de agosto de 2007

Chorável, chorei

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A reza não esbarrava. Uma hora o Dito chamou Miguilim, queria ficar com Miguilim sozinho. Quase que ele não podia mais falar. – “Miguilim, e você não contou a estória da Cuca Pingo-de-Ouro...” “ – Mas eu não posso, Dito, mesmo não posso! Eu gosto demais dela, estes dias todos...” Como é que podia inventar a estória? Miguilim soluçava. – “Faz mal não, Miguilim, mesmo ceguinha mesmo, ela há de me reconhecer...” “ – No céu, Dito? No céu?!” – e Miguilim desengolia da garganta um desespero. – “Chora não, Miguilim, de quem eu gosto mais, junto com mãe, é de você...” E o Dito não conseguia mais falar direito, os dentes dele teimavam em ficar encostados, a boca mal abria, mas mesmo assim ele forcejou e disse tudo: - “Miguilim, Miguilim, vou ensinar o que agorinha eu sei, demais: é que a gente pode ficar sempre alegre, alegre, mesmo com toda coisa ruim que acontece acontecendo. A gente deve de poder ficar então mais alegre, mais alegre, por dentro!...” E o Dito quis rir para Miguilim. Mas Miguilim chorava aos gritos, sufocava, os outros vieram, puxaram Miguilim de lá.

Miguilim doidava de não chorar mais e de correr por um socorro. Correu para o oratório e teve medo dos que ainda estavam rezando. Correu para o pátio, chorando no meio dos cachorros. Mãitina caminhava ao redor da casa, resmungando coisas na linguagem, ela também sentia pelo estado do Dito. – “Ele vai morrer, Mãitina?!” Ela pegou na mão de dele, levou Miguilim, ele mesmo queria andar mais depressa, entraram no acrescente, lá onde ela dormia estava escuro, mas nunca deixava de ter aquele foguinho de cinzas que ela assoprava. – “Faz um feitiço pra ele não morrer, Mãitina! Faz todos os feitiços, depressa, que você sabe...” Mas aí, no vôo do instante, ele sentiu uma coisinha caindo em seu coração, e adivinhou que era tarde, que nada mais adiantava. Escutou os que choravam e exclamavam, lá dentro de casa. Correu outra vez, nem soluçava mais, só sem querer dava aqueles suspiros fundos. Drelina, branca como pedra de sal, vinha saindo: - “Miguilim, o Ditinho morreu...”
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Manuelzão e Miguilim – João Guimarães Rosa
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Páginas 107, 108 e 109
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quarta-feira, 15 de agosto de 2007

Não somos qualqueres

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Não quero ser normal. Sou às vezes um teste à tolerância alheia. Alheie-se de mim se queres. Afasta-te. Sou aquilo que alguns são, outros tantos nem querem ser e outros não conseguem. Mas sou alguém que pode te tirar da inércia do meio termo. Sou gentil, amo, odeio, penso como só eu penso. Cada um pensa como o “si mesmo” pode pensar. Às vezes faço questão. Às vezes não. Mas meus amigos não são fracos, não são qualqueres. Se dizendo com quem ando, digo quem eu sou, eu sou pequenos reflexos em/ de cada um dos meus amigos. Meus amigos não são qualqueres. Qualqueres não chegam a morar aqui e nem eu neles. Meus amigos são como querem, procuro não os julgar, pois valorizo o bem. Evito a maldade pura. Não me enfrentes, joguemos juntos, pois sou capaz de levar qualquer além. Sou postes de luz e sombra, às vezes incisivo, mas muitas vezes gentil. Procuro ser gentil. Gosto de dizer palavras inéditas. Frases doidas que podem parecer absurdas num começo de linha. Às vezes me explodo, demolo-me, mas me refaço em cantigas e versos intrínsecos que saem daqui sem ter a pretensão de morar em outro lugar. Mas confesso que eles têm a capacidade de invadir e se fazer habitantes. Não gosto de inércia. Inércia é mediocridade, é desrespeito, é triste, é depressão. A inércia na felicidade é inodora. Na tristeza é íngua. No desespero é frustrante. Na inveja é biodegradável. No amor é enjoativo. Na paixão é impossível. No medo é insone. No desejo é dolorosamente latejante. Na arte é oposto. Acho que sou polêmico, mas assim prefiro. Meus amigos não são qualqueres, e por reflexo, quase simples reflexo, eu também não sou.
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segunda-feira, 6 de agosto de 2007

Segundo o calendário Maia (por Manu)

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1983 = 133
06/11 = 104
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133 + 104 = 237
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Selo: Terra (17)
Tom: Elétrico (3)
Selo guia: Dragão (1)
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Frase que forma:
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Eu ativo com o fim de evoluir, vinculando a sincronicidade. Selo a matriz da navegação com o tom elétrico do serviço. Eu sou guiado pelo poder do nascimento.
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as razões e as emoções

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As razões são capazes de enviesar as realidades, criar algumas, inventar rituais inexistentes, olhares que não foram. A razão é uma química inebriante e perigosa. Ela pode fazer ligações avulsas parecerem as mais óbvias, dizeres despretensiosos avolumarem-se e se tornarem gigantes indigeríveis, inatingíveis e perversos. (Viva a eloqüência do narrador – akaka)
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Já a emoção sente por sentir, às vezes sem a razão. Sente porque sente e assim já é, e quando é assim, e só assim, ela pode-se fazer certa e incorrigível. Incorrigível por ser certa e certa por ser incorrigível. Só a emoção tem a intensidade que apreende clinicamente o objeto, o entorno ou seja o que for. Depende da pessoa, obviamente, mas essas pessoas que são da emoção, ao sentirem a emoção, sabem, também novamente pela emoção, que essa emoção está certa. (Intuição)
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A razão não. A razão também pode ser certeira, mas precisa ser leve para poder trilhar caminhos de maneira a apreendê-los. Quando ela se intensifica a ponto de tornar-se inebriada de uma emoção criada por ela mesma, pode ser fatal, muito asfixiante e isolante. Mas numa trilha bem galgada, a razão pode ir a lugares inexplorados pela emoção, pode fazer ligações quase inexistentes, mas certeiras, sim. (Filosofia)
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A razão deve-se balizar de si mesma para ser certa, assim como a emoção se baliza de emoção para ter certeza de que o que se sente está certo.
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A divisão é sutil, pois o ser humano pensa/ sente o tempo todo, e emoções podem levar a pensamentos assim como razões podem trazer sentimentos. Não há como viver com apenas um deles, mas cada uma separadamente e inteira em si, cuidadosa, sabe-se como se guiar.
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No fundo é um todo indissociável, armadilhas da cabeça, dona do corpo.
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Talvez seja exatamente a maior proximidade que a emoção tem com o corpo (que é sábio por natureza) que a leve a ser mais instantânea e certeira que a razão.
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No paralelo oposto do dito acima, talvez seja a proximidade razão/ cabeça (que é um labirinto por natureza) que leve a primeira a ser mais facilmente mirabolante.
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Talvez esses dois parágrafos de cima sejam apenas mais um exemplo de como a razão pode mirabolar pecaminosamente, no sentido menos cristão da palavra, claro. (mas não exclusivo - akakaka)
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Enfim é isso. Razão e emoção em perfeito equilíbrio podem dominar o mundo. Isso, é claro, em estados exponenciados.
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Outra coisa, acho que para a pior das razões a melhor emoção é o humor, vide esse post. akakaka
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Rio, mas digo mais uma vez amém a mais essa oração da madrugada.
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Boa noite!!!
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p.s: gostei - rsssss
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quinta-feira, 2 de agosto de 2007

Uma bosta

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Sabe o que mais me agoniza agora??? Não é o buraco na camada de ozônio, não são as brigas causadas há dias atrás, as mágoas injuriadas e plantadas no peito de quem eu mais amo na vida, não é a eminência de mudanças descontroladas que se avizinham de mim e de minha vida, não é o fim do mundo, a morte, a felicidade desesperadamente procurada e que está por vir, não são os amores machucados, tantos nessa vida, não é o derretimento das calotas polares. Nada, nada, nada disso me agoniza agora. Não são meus pensamentos que facilmente me sufocam, nem a rouquidão silenciosa das notas que eu não alcanço mais. Repito, nada, nada, nada disso me agoniza agora. Nem sei, sabe?!?! O que mais me agoniza agora são as palavras que estão aqui dentro. Há quanto tempo não escrevo como antigamente. Não sei nem se a qualidade caiu, mas pelo menos há muitos meses que não escrevo com um entusiasmo alucinante como tantas vezes já fiz. Sinto que o fluxo que sai pelos dedos não é mais o mesmo, posso estar enganado, mas acho que não. Isso não é nada confortante. Talvez seja a hora de pensar mais pra escrever, fazer disso uma labuta maior do que o que foi até hoje. Não sei. Vamos ver no que se tornará essa sensação de prisão.
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quarta-feira, 25 de julho de 2007

Outro exercício: Cansativo

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Eu era o santo do negado pai
Era o candelabro que iluminava por querer
Eu era o montante do verso menino
Que descascava a desinocência com sermões límpidos
Ludibriados e proclamantes de multidões
Sermões por ser mãos com ir-mãos
E indo sim pelos pés, descalços sem ruído
Céus e terras numa pilastra pilantrável
Andante desmoronável, mas imensa e plena
Dos solstícios e dos equinócios das estações
Fluxo do oblíquo complexo
Obtusângulo giratório compulsório
Infinito perplexo na carne instância
Morada vibrante, modulante casulo
Cláusulo libertário itinerante
Que de tudo se fez nada
Num remoendo de ossos doridos
Estrutura corrosível (osteoporose astral)
Poros de hóstia, hóstia porosa
Teia de fé
Ódio natural
Viral do medo bélico
Em paz se estado em condições
Nação do cíclico
Intenso enrustido
Levemente viajante
Faça-se teia dos coágulos descontínuos
Consangüíneo perplexo
Permeável muralha
Desconstrução contemporânea
Simbiose de opostos
Germe repetitivo
Cansativo.
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terça-feira, 24 de julho de 2007

Um exercício: Incongruzência em lista

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1 - Do corpo que clama
2 - Da chama que nega
3 - Dos olhos que sugam
4 - Da alma que fluxa
5 - Do rácio que cina
6 - Que sina, que sina, meu Deus!!!
7 - Do dedo que toca
8 - Da pele que sosticia
9 - Do sonido que sonha
10 - Da mancha que expande
11 - Do sangue que verma
12 - Da lente que testa
13 - Da cabeça que impõe
14 - Do gelo que altza
15 - Da nuvem que nubla
16 - Do alto que esconde
17 - Do baixo que esquia
18 - Da cruza que encarna
19 - Do peito que rodópis
20 - Do flanco que flangula
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domingo, 22 de julho de 2007

Boa noite

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Tenham um ótimo restinho de domingo...

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Tenham um ótimo restinho de domingo...

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terça-feira, 17 de julho de 2007

ÚLTIMO ENCONTRO

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No ar
ficou a frase,
No espaço,
a palavra se perdeu.
Na imaginação,
uma idéia desarticulada
formulou um quase nada
e desapareceu.
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Ficou o silêncio (e o piano)
vazio de vozes,
tentando revelar alguma coisa
no segredo da intenção.
Um gesto passou e se afogou
no mar das emoções sentidas.
Ninguém falou o que pensou
na despedida.
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Benita Carneiro
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terça-feira, 10 de julho de 2007

Poeminha instantâneo

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Algo.
Sim.
Algo, centrípeto, carnal, conciso,
Certeiro.
Do fraseado que não fala nada, mas diz.
Do parafraseado do que vem.
Todo ano, vem.
Esse ano não seria outrem, senão eu.
Parafraseados avulsos dos que vêm.
Distantes, porém há.
E vêm em prolixo
Mas não me importo.
Com melodia de fundo
Percepções são,
Mas tê-las é gratificante.
Resigno-me no sentido
Distanciado pela consciência
Que se aloja na cavidade superior.
Ela meio que foge.
Não ela realmente,
Mas a percepção dela.
Percepções nos fazem, basta sabermos como...
Se o mundo se mostra a imagem que temos dele,
(Vide arcanos da humanidade madura)
E “Torna-te aquilo que és”,
Serei o que sou,
Na medida do que quero,
No exato do que posso,
No percalço que me impõem.
Assim seja.
Cavalgaremos aos montes
Ainda que mancos dos 7 cascos dourados.
Tão lindos há dois anos atrás.
Ainda pergunto porquê,
Mas já aceito melhor o silêncio de sempre.
Contratos feito por ambos os lados.
Pena nos faltar leitura e memorização das cláusulas.
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akakakaka
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quarta-feira, 4 de julho de 2007

Festival de música de Itanhandu 2007

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Gosto de expressar minha felicidade, mas tenho medo de que não a queiram para mim...
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Piano e silêncio
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Intro: G7+/D – C° - sol – C#m7/13 – C° - sol – C7/9- - Bm7 – B7/9- - Am7 – Bb° - Em7/B – C#° - C6/9 – D7/C D7 – G – A meio diminuto 6- - G7+ - F#°9
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G7+/D - C° - C#m7/13
Só, neste calado, só
C° - Bm7 - B7/9-
Neste espaço dói
Am7
As minhas canções
Bb°
Caladas no pó
Em7/D
Minguantes sem dó
C#° - C6/9 - D7/C - D7
Perdura o nó calado
G - A meio diminuto 6- - G7+ - F#°9
Do meu viver
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G7+ - C7+ - A7+/9/C#
Dói, neste calado, dói
F7+/9
Nesse espaço
Bm7 - C#°
Vem um claro traço
Bm7 - C#°
Tem milhões de aços
Am7
Pacatos assim
Bb°
Dormentes em mim
Em7/D
Quietos confins
C#°
Ferrugem em fim
C6/9 - D7/C - D7 - G7+ - A meio diminuto 6-
E doem sem você
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G7+ - C6
Quando você me tocava
G7+ - Am7
Mas quando você me tocava
G7+ - C6
Pois quando você me tocava
Am7
Eu era feliz
Bb°
Sincero aprendiz
Em7/D
Do toque que diz
C#°
Em força motriz
C6/9 - D7/C - D7 - G7+ - A meio diminuto
Cante, meu bem querer
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G7+ - C6
O dedo no gesto brincava
Em7/9 - F7+
A voz da garganta soava
G7+ - Eb7+/9/11
A corda do encanto vibrava
G7+ - Eb7+/9 - G7+
Ali, o som e magia minguou
Eb7+/9 - G7+
O verso já não mais rimou
Eb7+/9 - G7+
Piano e silêncio restou
Eb7+/9 - G7+
Piano e silêncio restou
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G7+/9/11/13 - G7+
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4:30” de música
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14/5/2007 – São Paulo – 2:54 a.m
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Piano e silêncio restará
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domingo, 24 de junho de 2007

domingo bom domingo

:-)
O domingo tem gosto de som. Melodias fáceis que nos fazem bem. O domingo é leve porque leve eu o fiz. Sou criador daquilo que sinto. Meu domingo é criatura própria deste que se expressa. Tem gosto de som essa tarde sem pretensões. Inebriante melodia que se auto-qualquercoisa. Palavras que me salvam. Amém.
:-)

quarta-feira, 20 de junho de 2007

{ando sucinto [se sinto (ando)]}

A loucura pode se) nada mais que uma tentativa desesperada de sanar a própria loucura.

terça-feira, 19 de junho de 2007

Confinamento na madrugada

as

pessoas

mais

perceptivas

tendem

a

gostar

mais

das

outras



que

elas

são

capazes

de

notarem

os

gestos

por

detrás

das

intenções

por

mais

carregados

de

intenções

que

estes

gestos

estejam

domingo, 17 de junho de 2007

Sabe lá, né!!!

:-/
Há tantas razões entre o céu e a terra que apenas alguns pouquíssimos corações são capazes de sentir todas em sua plenitude ou parte dela. Faz parte do confinamento carnal. Somos hora limitados, hora limítrofes, mas quase nunca além. Às vezes eu acho que as razões são superiores às emoções, pois cada emoção é a resposta física a uma razão superior, mas, por sermos humanos limítrofes-limitados, as emoções ainda são o que nos resta de mais sublime e certeiro. A emoção aconchega, a razão inebria. São perigos por demais.
:-/

quarta-feira, 13 de junho de 2007

Postagem 250 - A evolução das espécies

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Estágios são feitos para existirem.
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Assinado: meu amigo imaginário.

segunda-feira, 11 de junho de 2007

Gama de naipes de pensamento

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Duas frases de hoje:
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Seu pensamento na prosa vai tirar conclusões incríveis e vai fazer textos muito inteligentes que ajudam a fortalecer eles mesmos. Já na poesia você vai aprender a revestir de força verbal as suas idéias.
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Tubérculos são matérias orgânicas no limiar da decomposição. São pseudo-bostas.
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Olha procê vê a diferença entre elas. Uma é super analítica e comportada, a outra é completamente doida e me ocorreu quando eu tava andando na rua e senti cheiro de batata frita, mas o cheiro parecia que tinha uma coisinha de merda, daí eu pensei nos tubérculos e tive essa impressão. akakakak. E ela ainda permanece. rsss. Qualquer dia eu explico o porquê.
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terça-feira, 5 de junho de 2007

"""O caso de Pedro e Maria"""

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Press–release de “O caso de Pedro e Maria”
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Esta obra é um opereta composta de 9 atos organizados em seqüência cronológica. As músicas, todas feitas por André de Aguirre Furlan, aluno do oitavo semestre da ESPM, contam a saga de um casal de jovens que saem de um interior imaginário do Brasil em direção à capital São Paulo, fugindo da perseguição liderada pelo pai da garota, Seo Ronaldo. Os atos são intercalados por falas pontuais dos personagens que ajudam a ilustrar melhor a trama.
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Este projeto teve início quando o compositor apresentou sua primeira criação para as pessoas de seu círculo social, uma música batizada futuramente de “O caso de Pedro e Maria”. A música contava a situação dos protagonistas até o momento da fuga, isso gerou interesse nos ouvintes em saber como terminaria a saga do casal perseguido. A partir daí outros temas foram se formando e a opereta de ritmos populares tomou corpo.
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A evolução da qualidade das composições pode ser percebida ao longo da apresentação já que a peça inteira foi composta em 4 anos e, à medida que o tempo passava, novas técnicas musicais foram sendo incorporadas à criação. Isso conferiu uma ampla variedade de estilos vindos também das influências do criador que vão de Ramones a Chico Buarque.
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No início do mês de março de 2007 o compositor, a convite de Gabriel Barone, percussionista e ex-aluno da ESPM, iniciou os preparativos para a formulação final da obra. Para isso foram chamados outros músicos e ao longo de 12 ensaios o grupo criou os arranjos atuais.
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Os estilos variam entre o rock, a salsa, o jazz, sambas com diferentes roupagens e um baião que encerra a trama. Os personagens esféricos se modificam durante a estória e nem todos são o que parecem ser.
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Temas como: a inconseqüência juvenil, o poder dos coronéis do interior e o narcotráfico encontram-se inseridos no contexto.
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A peça musical tem duração de 45 minutos e duas apresentações foram feitas no dia 28 de maio de 2007 no auditório Castelo Branco da ESPM às 13:30 e às 19:30 horas. O objetivo maior dessa apresentação foi o registro áudio visual, para que dessa maneira a banda tenha um portifólio para vender o show em outras praças.
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Para maiores esclarecimentos: André Furlan cel: 81011108; residencial: 50833756; e também por mensagens deixadas neste blog. akakaka
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Wagner Passos – CSOS8C
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domingo, 3 de junho de 2007

Ganhei um presente lindo

:-)
Eu não quero interferir na sensação que sinto agora. Por isso aquieto-me no canto do não movimento e do não pensamento. Um lugar aqui. Não quero mover-me, não quero escrever. Não preciso. Quero apenas sentir. Talvez depois eu escreva mais sobre isso, mas não agora. Agora quero ficar assim: bem.
:-)

quinta-feira, 24 de maio de 2007

Texto pro Jornal do C.A...

“Joana diria: eu me sinto tão dentro do mundo que me parece não estar pensando, mas usando de uma nova modalidade de respirar”.
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Bem vindos pra “Perto do coração selvagem Clarice Lispector”
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Um título indissociável de seu autor. Não de todo seu autor, mas só daquela parte dele que se escreve. Clarice quando escreve respira com dificuldade no sufoco intenso das criações, porém desabrocha através das linhas com tamanha propriedade que parece ter passado dias intermináveis no equilíbrio perfeito entre razão e emoção. Clarice labuta com perseverança tentando encontrar aquela maneira simples e inusitada de dizer as coisas que mesmo após 63 anos ainda é capaz de sufocar. Não tinha mais que 17 vezes 4 estações quando expandiu sua criação aos olhos de um país que parou. Através de simples agrupamentos de palavras em frases, parágrafos e capítulos, uma menina menor de idade chocou a crítica e fez muitos a compararem aos grandes nomes da literatura mundial. Não tinha como. 17 anos. Clarice não deu escolhas. Com toda sua juventude, tinha a certeza de que só um livro como esse a deixaria livre pra colocar pra fora toda a gama de pensamentos que ela sabia serem nela ainda mais exclusivos e magníficos. O tema escolhido era simplesmente um funil em abertura que poderia deixar escapar através dele todo e qualquer pensamento que contivesse uma sinestesia, uma figura de linguagem amórfica, uma metáfora apavorante. Mas pena de quem pensa que é só isso. Clarice foi além do simples impulso. Ela trabalhou como gente grande por pouco mais de 200 páginas e canalizou seus desvarios juvenis para colocá-los em estrutura legível. Pensamentos raramente fazem sentido aos outros quando recém nascidos, e repensá-los para exprimi-los sem diminuí-los é trabalho penoso. Mas a menina conseguiu. Criou um personagem lindo, Joana, a dona imaginária do coração transplantado de Clarice. Joana é Clarice ao quadrado, ao cubo provavelmente já seria exagero, não por Joana ser pouco, mas por Clarice poder muito. Neste livro, mesmo os personagens menores ainda seriam muito mais intensos que muitos de nós. Joana gera medo. Joana é má. Clarice tinha medo de seu poder destrutivo. Joana gera coisas que Clarice provavelmente não efetivasse porque não poderia fazer em sua vida real. Por isso criou uma realidade, transplantou seu coração num outro ser que morava nela e viveu um tempo embebida daqueles acontecimentos profundamente humanos, porém não muito cristãos. Clarice não propõe diretamente uma revolução, mas a faz dentro de cada um que nós que a lê. Faz sentirmos uma empatia qualquer por uma mulher que se diz má. Intensa, talvez de escorpião. Testa as pessoas, sabe mais delas que elas mesmas. Escolhe o que dizer e sempre tem a possibilidade de lançar a pior frase que pode tocar o pior ponto onde a pessoa não quer chegar. Pode fazer chorar. Sente-se capaz de tudo e ainda sentimos gratos por podermos chegar um pouco mais perto que seja desse coração selvagem. Assim como Joana, Clarice certa vez disse que tinha todas as sensações e realidades dentro dela. Disse que seria capaz de criar tudo, e por incrível que pareça, é melhor não duvidar. Judia mulher! Viajou o mundo atrás de seu marido diplomata. Não sorria pras fotos. Escrevia em papéis velhos jogados pelos cantos da casa. Disse que escrever é duro como quebrar rochas, mas nesse trabalho “voam faíscas como aços espelhados”. Me alertaram sobre os perigos de entrar em contato com sua obra. Estava lendo esses dias que um cara leu tanto Clarice Lispector que não conseguia mais ler ninguém e que fizera teses de mestrado e doutorado sobre a autora tentando digeri-la e diminuí-la em sua vida, mas que infelizmente não estava conseguindo grandes êxitos além dos títulos de mestre e doutor. Ela sufoca, ela faz raiva dentro da gente. Fui devagar. Sabia dos perigos e passei quase ileso. Venci. Mas 17 anos meu deus, como pode uma coisa dessas? Como pode tamanho repertório de sensações? Sapiências do oculto. Como pode trabalhar palavras de uma maneira tão certeira? Experimentar jeitos novos de dizer coisas cotidianas e assim as revelar nuas. Descrever passagens que todos vivemos, mas que nunca sequer exprimimos a nós mesmos. Não fomos capazes de torná-los conscientes no campo dos entendimentos de mundo. E, de repente, num livro, exposto sem importância, está aquela lembrança de uma sensação perdida. E, de repente, numa linha simples, no meio de um aglomerado de iluminações literárias, está lá transcrito aquele detalhe de um ruído na noite, de uma chuva de infância, de criações faceiras e desprovidas de amarras. Clarice escreve sem aprisionar. Eterniza detalhes que já passaram percebidos por nós de outras épocas, mas que agora estão naquele campo das lembranças que só são lembradas se pescadas por outros elementos atuais. Talvez aquele era o momento de transcrever o coração selvagem. Um ponto eqüidistante entre o saber-se criança dos 10 e os arredores do planalto dos 24. Talvez os despertares do olhar menos infantil e da consciência da noção do que é puramente maldade coexistissem com a memória dos detalhes daquela manhã com trilha de panela de pressão e frio instantâneo do que não é coberta. Pensando bem, nas entrelinhas está impresso muito da menina Clarice. Mas nunca seria uma menina qualquer. Às vezes no fluxo achamos que estamos lidando com um enigma indecifrável por detrás das palavras e quando lembramos dos 17 anos as coisas pioram. Talvez também seja necessário a nós achar um ponto eqüidistante entre o envolvimento e a prontidão para poder seguir até o fim. É necessário o envolvimento para a vivência da obra e a prontidão para saber o ponto de saída desses arredores que circundam o tal do coração selvagem. O título talvez possa soar como um aviso: “Esteja apenas perto do coração selvagem, mas, por favor, não o toque”. Talvez ela diria isso. Ela Joana ou ela Clarice, tanto faz. O coração selvagem não pensa o mundo, mas o respira. Inspira, sente, entende e liberta-o. Não é necessário pensamento. Como disse a personagem, ela nunca sabe se sabe alguma coisa, até o momento em que ela sabe. O interior de Joana é uma máquina instantânea processadora de realidades e de pessoas. Uma percepção aguda do entorno que não passa pelo raciocínio, pois esse é lento em todos nós. A sensação do entendimento descarta a utilidade do próprio pensamento. Intuição eterna, clarividência. Uma clara evidência de tudo em tudo e por isso não é necessário à ela pensar as coisas. As coisas vêm prontas, abertas aos olhos que só necessitam saberem-se olhando e nada mais. Esse ponto é interessantíssimo. Mas mais intrigante ainda é pensar que, anterior à essa capacidade extraordinária da personagem, (que ela muito mais do que promete, demonstra) está a capacidade da autora em passar pro papel percepções e opiniões de um ser que não pensa nas coisas porque simplesmente as sente. Ou seja, a autora criou uma personagem que não entende a vida por pensamentos, mas ela Clarice, sim, precisava pensar para demonstrar ortograficamente como era a pessoa que apenas respirava os momentos e assim era-os. Não pensava o que a circulava, apenas sabia de si e de seu entorno. Pensar a fim de anular seus pensamentos para poder colocá-los nos olhos e olhares de uma personagem selvagem e extremamente perceptiva não é para qualquer um, e muito menos para qualquer menina de 17 anos de idade. Acho que no fundo é isso. Acho que a ação pessoal da autora contida neste livro e por isso a instância primeira dele, toscamente se resume em: anular-se para escancarar-se através da intensidade do detalhe que cabe, e só cabe, ao coração selvagem saber e dizer por ele apenas saber ser. Leiam Clarice, mas tenham cuidado. (Wagner Passos - CSOS-8C)

Mosqueteiros

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O que fariam 3 personagens no meio de um palco azul?
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Não, sei, mas quem são eles?
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Não sei.
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Eu também não.
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Muito menos eu.
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Nem te digo.
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Mas diga que será bom saber.
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Temos dúvidas.
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Muitas, mesmo.
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É mesmo.
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Pois eu digo que eles estão no meio do nada, sem fazer quase coisa alguma.
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Mas isso é um absurdo?
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Pois não é?
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Mas é sim, como não?
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Eu acho que não é.
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Eu não sei, não posso dizer.
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E eu acho que eles estão no meio de um palco azul, fazendo uma reunião para decidir qual será o continente digno da mudança.
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Isso já é alguma coisa.
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Qual seria o continente digno da mudança? Isso é uma boa pergunta?
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É, mais ela não foi feita a você. Pode ficar tranqüilo.
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Bom, só me indaguei porque gostei da pergunta.
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É, é uma pergunta interessante.
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3 personagens no meio de um palco azul, se perguntando qual seria o continente digno da mudança.
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Sabe que a África já teve suas glórias.
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Ahh sim, Egito muitos mil antes de Cristo.
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4000 mil.
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Nossa, se minha última glória tivesse acontecido há 6000 anos atrás, eu já acharia que está na hora de ter mais. Preciso de refil.
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Com certeza.
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Refil de glórias. Esse é boa.
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Personagens no azul falando sobre continentes.
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Sim, as glórias devem ser distribuídas.
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Seria injusto um só ter glórias.
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Mas às vezes a palavra não é glória.
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Talvez posicionamento.
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Papel, é melhor.
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Qual seria o papel de cada continente?
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É ué. Como cada continente deu de presente pra humanidade um regalo e como eles estão opostamente localizados no globo.
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Mas é por isso que eu falei a palavra posicionamento. Já que isso mostra oposições espaciais e também oposições de atributo aos quais estão ligados.
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Nossa, mas agora você falou muito bonito.
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É verdade.
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Mais bonito que isso pensar no teatro azul.
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Hum, no teatro azul.
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Um teria 277 anos de idade.
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O outro seria um feto falante boiando num vidro de armazenagem de fetos que bóiam em vidros de armazenagem de fetos que bóiam em vidros de armazenagem de fetos que bóiam em vidros de armazenagem de fetos que bóiam em vidros de armazenagem de fetos.
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Ahhh pára.
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Parece que engoliu água e está soluçando.
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Água de vidro.
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Isso, isso.
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O terceiro seria um siamês que arrasta seu irmão grudado por todos os lados, pois ele está morto.
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Meu deus, que coisa horrível.
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Dois deles serão cegos. Um pela quantidade absurda de idade e outro por não ter a visão formada.
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Obviamente. Eles não se conhece, e só o que está arrastando o irmão pode ver a situação.
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O feto ouve muito bem e tem uma capacidade de aprender incrível.
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Com certeza. Ouve bem por causa da água e aprende por ser uma cabeça nova.
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Ele é um bebê de proveta. Sua mãe é um vidro.
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Mas é confortável. Eu acho.
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Deixa pra lá. Não iria querer isso pra mim. Ser gerado por uma barriga de vidro.
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Lá da época dos egípcio.
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akaka. Sim, claro. Daquela época mesmo.
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O outro é muito sábio.
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Pela idade obviamente.
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Sim ele sabe tudo. Mas não pode mais saber nada porque sua cabeça chegou no limite.
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Então ele não pode nem saber que está encima de um palco? Ele não pode saber de seu presente, pois o presente sempre é algo, senão ele seria simplesmente um dejavu.
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Exatamente. Não iria querer isso pra mim.
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Nossa, mas você não iria querer nada pra você, hein.
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Não posso com o novo. Vivo um dejavu.
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Quantas pessoas têm nesse diálogo e quem são eles?
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domingo, 20 de maio de 2007

Intenção

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A intenção basta pela vontade. Nenhuma intenção é inteira. Todo amor vem ressabiado, mas vale a intenção do amor. Às vezes acho que o mundo é feito de intenções que não perduram até o ato de tornarem-se reais. O mundo nunca mais é o que foi em nossos corações. A mudança é tanta que nunca vivemos a realidade. Sempre vivemos a intenção. E toda intenção está fadada à morte. Todo nosso mundo está fadado à morte. O que existe, já não existe mais em nós. São conseqüência de nós geradores. O que vem, já se foi apenas no tempo de se escrever. Vivemos o passado e nunca o presente, e o presente só se faz através das sensações. Só a sensação existe verdadeiramente em nós. Os pensamentos são ligeiros e não marcam a ponto de saberem-se aqui. O pensamento é a analise em si, e por ser análise, ele não possui tempo para se saber presente no mundo, já que está tomado de si mesmo. Já a sensação impera na realidade e é a existência por conseqüência boa ou ruim. A sensação permite o gozo e cria a conseqüência que perdura. A única coisa que existe e vale no mundo é a intenção. A intenção é a unicidade presente. O resto já é passado, assim como as frases deste texto.
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domingo, 13 de maio de 2007

Segundo Domingo de Maio

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Estava querendo escrever uma poesia linda sobre minha mãe. Tentei, mas não consegui. Tentei um texto, mas não consegui. Escolhi poesias na Internet, ilustrei elas com fotos. Tentei a virgem Maria, Fernando Pessoa, Mario Quintana, “Seus filhos não são seus filhos”, acróstico com a palavra mãe, mas nada me satisfazia. E foi nuns versinhos simples visto num site, juntamente com o frio dessa manhã aqui em São Paulo e mais a minha distância da minha mãe, que encontrei o que queria dizer.
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Esses são os versos:
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“Manhã de frio -
Com o agasalho, visto
Saudades de minha mãe.”
Autor: Paulo Franchetti
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Essa frase, simples assim, pegou de um jeito aqui dentro que vocês não têm nem noção. rsss
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Parabéns minha mãe pelo seu dia. Preferiria estar aí em Itanhandu, mas não foi possível. Parabéns minha avó e tias também.
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Depois de dito o que queria dizer, posso consentir colocar um outro texto aqui.
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Por mais que doa, ela sabe que esse próximo texto é verdade. E fico tranqüilo pela sua busca em efetivá-lo através de suas ações e não ações.
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A intenção embebida de bondade basta para o coração aberto.
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Esse é o texto:
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Seus filhos não são seus filhos
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Seus filhos não são seus filhos.
São filhos e filhas do anseio da Vida por si mesma.
Eles nascem através de você, mas não de você.
E embora estejam com você,
não pertencem a você.
Você pode dar a eles seu amor,
mas não seus pensamentos.
Porque eles têm seus próprios pensamentos.
Você pode abrigar seus corpos,
mas não suas almas.
Pois suas almas moram na casa do amanhã,
que você não pode visitar,
nem mesmo em sonhos.
Você deve procurar ser igual a eles,
mas não busque torná-los iguais a você.
Pois a vida não caminha para o passado
nem espera pelo amanhã.
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Kahlil Gibran, "O Profeta"
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Estou satisfeito, posso começar meu dia de domingo.
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Um bom dia das mães!!!
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