quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Dom Casmurro

.
Depois de Clarice Lispector, Machado de Assis fica fácil.
.
É isso mesmo!!!
.
Enquanto Clarice lota páginas de frases magníficas e complexas, Machado se coloca aqui e lá, vez ou outra, com frases de beleza relativa. Mas, falar mal de Machado sem embasar é perigoso demais e, comparar dois como esses, é desnecessário. Também não posso deixar de dizer que já li mais Clarice que Machado, tenho preferência por ela e isso influencia minha opinião. Posso dizer no máximo que escrevem de maneira diferente.
.
Mas...
.
Ela é melhor.
.
Pronto, falei...
.
Precisava falar.
.
Dom Casmurro é interessante e leve. Ler dez páginas de “A maçã no escuro” é um sacrifício maravilhoso. Ler 20 de Dom casmurro é legal, faz o tempo passar tranqüilo, mas não encanta como a leitura do outro livro.
.
Bom, mas esse post não é pra comparar. Já deixei claro que ela escreve melhor que ele e como não se deve simplesmente falar mal de Machado, vou falar mal, mas com argumentos. A razão também tem seu poder.
.
Dom Casmurro possui alguns aspectos que vão além do livro. A estória faz um paralelo com o Rio de Janeiro daquela época. Escobar e Capitu representam os emergentes, Bentinho a velha aristocracia. A “História dos subúrbios”, que poderia ser considerado o título oculto do livro, se realiza em Dom Casmurro com alegorias, já que faltaram fatos e documentos, como diz o próprio Bento, escritor de sua própria trama.
.
Isso aumenta um pouco a graça da obra, mas ainda assim não é muito. Adoro essas simbologias, mas, esta que li agora a pouco na internet, não bastou pra obra crescer até o ponto que eu esperava que ela estaria quando terminasse de ler, como aconteceu há alguns minutos.
.
O ponto tido como o principal da trama, não é bem trabalhado. Minha expectativa era que a dúvida em Bentinho iria ser negada a aprovada por diversos capítulos e acontecimentos, o que enriqueceria a trama e daria uma beleza maior à leitura. A medição das palavras para a sustentação do enigma, coisa que Guimarães Rosa faz com maestria em torno de Diadorim em Grande Sertão: Veredas, não acontece aqui em Dom Casmurro.
.
Machado de Assis simplesmente divide o livro em duas partes, o que facilita o desenrolar das palavras.
.
Na primeira e longa parte, ele constrói uma Capitu bela, singela, viva e reta. Uma boa mulher.
.
Na segunda, de repente, ele se mete a falar mal dela. Estava protegido pela desculpa de não ser ele mesmo o escritor, mas um personagem criado por ele. Esse distanciamento criou o conforto da parcialidade, um elemento que pode mostrar a covardia e o comodismo do escritor. Vixi!!!
.
Dentro desse conforto de não ser ele mesmo o dono das idéias, ou seja, ele não respondia como Machado de Assis, o bruxo do Cosme Velho se esquivou da responsabilidade levar seus leitores a concordarem com ele. Não era a capacidade de análise dele mesmo que estava em jogo, mas sim a de Bentinho. Isso é um elemento simplificador. Não era a inteligência e a astúcia de Machado de Assis que estava sendo posta a prova naquelas páginas. Não era e não foi.
.
Ou quase?!?!
.
Eu tinha a expectativas de encontrar na obra diversas passagens que me deixassem em dúvida. Um mistério constante que iria me angustiar. Eu queria me angustiar. Queria passagens que confirmassem, outras que negassem.
.
Capitu tinha tudo para ser adequada a essas possíveis cenas. Era por vezes meiga, sincera, sempre trabalhadora e boa dona de casa. Era mais esperta que Bentinho e poderia muito bem se sair coerentemente de diversas situações. Mas isso não ocorreu. As situações foram pouquíssimas e as crises não descritas.
.
Machado constrói por tantas páginas uma boa pessoa e personagem (são coisas diferentes) e depois simplesmente descamba em falar mal dela, tendo como centro a simples e inegável semelhança entre Ezequiel e Escobar.
.
Pô Machado, esperei mais de você!!! Foi um recurso fraco...
.
Cheguei logo à conclusão de que Capitu traiu Bentinho. Ferreira Gular também acha isso. rssss
.
Bento não estava tão mal do juízo a ponto de construir tão forte e falsa impressão em relação ao filho. Ele era parecido com Escobar, sim. Capitu mesmo disse isso. E Bento, apesar de casmurro, tinha sua sanidade e seu olhar para as coisas.
.
No início, esperei por diversas páginas o início da confusão que chegou bem tarde e bem simplória. Achava que Capitu não iria trair Bentinho, pela sua personalidade, mas no final aceitei o fato de que ela traiu sim.
.
Fazer eu mudar de idéia foi uma coisa interessante, mas o problema é que a DÚVIDA, esta dúvida que dura mais de 100 anos no Brasil, não existiu na própria obra em si e, mesmo que persista em outras pessoas, ela não foi bem construída.
.
O centro da dúvida não faz jus ao seu tamanho e repercussão.
.
A obra não trabalha NA dúvida ou COM a dúvida do personagem.
.
O livro não está recheado de fatos oblíquos e dissimulados, como esperei.
.
O autor trabalha com a simples construção e desconstrução de um personagem apoiado na desculpa de que o livro era uma visão parcial. Tudo bem, que seja parcial, mas mesmo este parcial poderia se banhar de mais dúvidas, mais questionamentos. Este encanto não existe.
.
Retirando esse fator da dúvida, que não ouve ou que está no máximo bem mal construída, qual a beleza literária de Dom Casmurro?
.
Aí, que pecado perguntar isso!!!
.
Mas é verdade. Dom Casmurro hoje em dia não causaria rebuliço. A história fez o livro porque a estória não tem nada de mais. Era a época certa para lançá-lo talvez. Hoje em dia não seria a metade do que foi e é.
.
Guimarães Rosa é eterno, sendo lançado quando foi, hoje ou daqui há 100 anos. Aposto. Sua beleza está além do tempo. Clarice Lispector também. Eles são eternos. Isso é literatura de primeira grandeza. Dom Casmurro, na minha opinião, não é. E ainda consideraram ele, juntamente com Grande Sertão, os maiores romances da literatura brasileira. Saiu na Folha Ilustrada de uns meses atrás.
.
O tempo e os críticos fizeram o livro. Que ele tem valor pra literatura brasileira, ninguém discute, mas que ele pode ser bem frustrante, isso também é verdade.
.
Talvez Machado de Assis não tivesse dúvidas sobre a traição e talvez nem pensou nela como o grande motor do livro, pelo menos assim parece ao ler. Mas, um certeza eu tenho: ele não tinha a mínima idéia de como iriam especular em torno desse fato.
.
Queriam fazer barulho e agora o barulho já está muito bem feito. Não se silencia mais.
.
Em resumo...
.
Adoro escrever um parágrafo pra resumir... rsss
.
Em resumo, a dúvida é pequena e, principalmente, mal construída. A trama não é tão elaborada assim. Capitu morreu na praia por ser desperdiçada enquanto personagem. Bento é chifrudo, mas não louco, por isso podemos crer nas suas fortes impressões. E eu, apesar de criticar Machado de Assis, não sei se conseguiria escrever a estória como imaginei que ela seria antes de lê-la.
.
Aquela beleza que só a literatura é capaz de criar e curtir, não houve nesta obra.
.
Frustrou...
.
.
.
.
.

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

Post 456 - I'll take you there


.

Aaaaah, haaa
I know a place
Ain't nobody cryin'
Ain't nobody worried
Ain't no smilin' faces
Mmm-mmm, no, no
Lyin' to the races
Help me, come on, come on
Somebody, help me, now
(I'll take you there)
Help me, y'all
(I'll take you there)
Help me now
(I'll take you there)
Oh, mmm-mmm (I'll take you there)
Oh, oh, mercy
(I'll take you there)
Oh, let me take you there
(I'll take you there)
.
Oh-oh-hoooo, let me take you there
(I'll take you there)
.
Play it Mary, play your
Play your piano now
All right
Aaaaaah, do it, do it
Come on now
Play on it, play on it
Big Daddy, now
Daddy, Daddy, Daddy
Play your, ummmmm
.
Ooh, Lord
All right now
Baby, little lady, easy now
Help me now
Come on, little lady
All right
Dum-dum-dum-dum
Doin' sockin' soul
.
Aaaaaaah, oooh, aaaaah
I know a place, y'all
(I'll take you there)
Ain't nobody cryin' there
(I'll take you there)
Ain't nobody worried, y'all
(I'll take you there)
No smilin' faces
(I'll take you there)
Uh-uh
(Lyin' to the races)
(I'll take you there)
Oh, oh, no
Oh
(I'll take you there)
Oh, oh,
(I'll take you there)
Mercy now
(I'll take you there)
I'm callin' callin' callin' for mercy
(I'll take you there)
Mercy, mercy
(I'll take you there)
You gotta, gotta, gotta let me
Let me take you, take you
Take you over there

.

.
HOW???

terça-feira, 9 de setembro de 2008

A ilha a centenas de milhas daqui

.
Há músicas que têm gosto de noite, sabor de madrugada, som de escuro, aconchego de silêncio. Há músicas que tocam sem fazer barulho, que desenrolam sem se perceber, que não se importam em passar longe dos ouvidos. Há músicas que saem dormindo no ar e logo se desmancham no chão. Limpam o quarto e o momento. Não chegam à consciência, mas acariciam a alma. Nos fazem chorar pensando que choramos por nós. Mas deixe que seja assim. Vêm sutis, sem impactos, percorrem o vazio como o mais tímido dos acordes e se esquecem de nos lembrar de sua beleza. Isso não faz falta, pois sabemos, quase sem querer, que elas se fazem do todo e do máximo e, como todo máximo, é intocável da carne, para melhor ser.
.

.
A ilha (Djavan)
Intérprete: Chico Buarque
.
Um facho de luz
Que a tudo seduz por aqui
Estrela cadente reluzentemente
Sem fim
E um cheiro de amor
Empestado no ar a me entorpecer
Quisera viesse do mar e não de você
Um raio que inunda de brilho
Uma noite perdida
Um estado de coisas tão puras
Que movem uma vida
E um verde profundo no olhar
A me endoidecer
Quisera estivesse no mar e não em você
.
Porque seu coração é uma ilha
A centenas de milhas daqui
.

Cinismo

.
O cinismo também pode ser usado como uma ferramenta desesperada de auto-correção.
.

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

A maçã no escuro I (desta leva)

.
“: via-se a fome na sua cara mas ele, numa capacidade de crueldade feliz, sorria. Não ter carinho por si mesmo era o começo de uma crueldade para com tudo.”
.

A maçã no escuro II

.
“Cabelos que cresciam sempre tão depressa tornavam-na tão pensativa.”
.

A maçã no escuro III

.
“... e eles se amaram como casados se amam quando perderam um filho.”
.

A maçã no escuro IV

.
“... e eles se amaram como casados se amam quando perderam um filho.”
.
Clarice Lispector
.
.
.
A maçã no escuro
.
Senti ele em mim e concordei por compaixão e desejo
Seguimos loucos, dotados de dor e desespero
Como se aquele ato nos fizesse novamente aquele dia
Como se aquilo nos trouxesse de volta o que foi
Como se pudéssemos estancar a morte que ainda esvaia
E resguardar o que restasse daquele ah-rebento
Dentro de mim
.
Nos amamos em fuga, num escape de nós
Nos amamos por medo da calma e do silêncio
Procurando a menor distância
Aquela que possibilitasse a extinção eterna
Da solidão humana
.
Haveríamos de nunca mais estar só
Haveríamos de sucumbir às multidões
E nunca mais deparar com o que nos persegue
Até mesmo em sonho
.
Tragamos pelo corpo o prazer que degola a consciência
Gozamos por raiva do mundo
Invejávamos o consentimento
E por isso provocamos a inveja das almas
Que não poderiam sentir, como nós, este nosso sufrágio mútuo
.
Rebentamos o ridículo e definhamos convictos
Satisfeitos da vingança
De poder sorrir ao menos
Quando o mundo nos obrigou a chorar
.
Posto isso, nossas lágrimas rolaram unas
Naquele tempo que resistiu o olhar
.

terça-feira, 2 de setembro de 2008

Assura/Macara

.
O amor é a razão mais sublime.
.

sábado, 30 de agosto de 2008

A maçã no escuro.

.
Nem sei direito o que dizer sobre este livro. Um livro profundo, louco, com páginas e mais páginas de pensamentos e devaneios que por vezes se contradizem, cortados por pequenas ações físicas às vezes banais e, se jogadas soltas, não fariam sentido. Como é o caso de frases ditas em voz alta numa situação que, depois de muitas páginas, se repetem num contexto que já estaria além. Os que ouvissem pensariam que o dono da voz estaria louco, mas, o que leu, e se deixou levar, também entendeu que o mais fútil era a ação de dizer, já que o pensar se fazia absoluto e maravilhoso por toneladas de palavras magistrais. Por isso falar era o de menos. É um livro metafísico, mas não pela beleza e inexatidão desta palavra. É um livro metafísico por desconstruir o tempo da ação em meio à própria ação. O tempo não é relevante na trama e, se caso ele se passasse no tempo que o tempo tem, o livro se tornaria impossível. E, como a possibilidade existe, ao contrário da realidade, quando apenas se vislumbra, este livro inventa um mundo com diferentes leis físicas e por isso é metafísico. Não é exagero comparar a literatura de Clarice a uma espécie de feitiço. Porque o feitiço literário pode-se fazer pela beleza sufocante, pelo sentir-se transcrito, pelo temor constante de ler ali um segredo guardado, em si mesmo, de si mesmo. Temor por saber ser possível se pensar como se pensava nos momentos de perdição. O temor e a maravilha de se ver não inédito. Ainda nunca inédito e, talvez, jamais. Clarice registra, nunca inaugura, mas registra uma gama imensa de possibilidades e, dentro desse pensamento, podemos dizer que ela faz bem aos homens. Ela deixa marcado um pouco da grande amplidão que é ser humano e, caso alguém algum dia se esqueça ou duvide, basta ler que um pouco muito lá estará. A amplidão no livro também se mostra como perdição, afinal, autora e, conseguintemente (ou não), personagens se distorcem e se deformam nesse mundo de tempo elástico. O mundo do tempo do pensamento. Mas não vamos ser injustos dizendo simplesmente que a autora se perdeu dentro da própria criação. Ela se perdeu sim, mas sabia-se neste estado e, portanto, menos nele. Por isso avisa que entender não é fundamental, já que o viver vai além disso. E, complementando, o criar, dependendo da beleza, se basta pela que contem. Talvez apenas um sobre-humano criasse criaturas tão complexas, sem se perder no meio delas. Para criar como foi criado o criado, é necessário, antes de tudo, doação, despudor de si e, obviamente, coragem e disciplina na procura de se indisciplinar para encontrar o novo. E ela teve. Os diálogos, aqueles que acontecem muito pouco, quando acontecem, são impressionantes. Bem cortados por observações do narrador, eles mostram uma riqueza exageradamente humana. É de se ler e pensar: Meu Deus, é assim mesmo que os ricos diálogos acontecem!!! O livro tido como mais louco da autora mais louca do Brasil não desapontou, pois, multiplicando todos esses elogios e considerações, estão as 321 páginas da obra. Ou seja, se, por um acaso, pareceu, por esse pequeno texto, que a coisa é das ferrenhas, imagine isso multiplicado e habitando constantemente os muitos papéis que se vira. É loucura... Cada nova frase é um novo e bom susto, um convite para reiniciar a sensação de surpresa e, às vezes, até mesmo, de êxtase. Outra coisa que me passou pela cabeça, é que, depois de ler o que li, eu não duvido que um bom autor, como Clarice, possa inverter tramas, alterar a lógica e se utilizar maquiavelicamente do perigosíssimo poder da dialética. Por sorte ou sadismo, esse poder tende a ter como sua principal vítima a própria pessoa, pois, a quem muito é dado muito será cobrado. Clarice Lispector que o diga, afinal, ela morreu cansada de si, triste e, talvez, temendo a loucura. Talvez por isso duvidasse tanto das conclusões, se limitava ao pouco e deixava os devaneios para a arte, o lugar permitido e reservado para tanto. Talvez, talvez e talvez nada mais definitivo que um talvez. Assim como nada é mais presente que a certeza de que se sente fome quando se sente fome. E nada é mais irredutível que “esse modo instável de pegar no escuro uma maçã – sem que ela caia.” O refúgio no que é simples, pois nele está o átomo da sanidade.
.

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

PECADO

.
Acho que John Lennon estava certo e por isso morreu... Deus não admitiu a verdade...
.
Os Beatles são mais conhecidos do que Deus e não sou eu, nem ele quem estamos dizendo.
.
Quem afirma isso é a vossa santidade: THE GOOGLE - The God of the new world!!!
.
Resultados para Deus: 71.400.000
.
Resultados para Beatles: 88.000.000
.
Viu?!?!
.
Espero que ninguém morra "acidentalmente" assassinado por essa constatação!!!
.
.
.
.
p.s: há um erro horrível na lógica deste post ridículo mas, se eu contar, ele perde a graça nenhuma que tem.
.

terça-feira, 26 de agosto de 2008

Hamlet

.
Atual como tudo que é universal emocionante lancinante sufocante gigantesco lágrimas rolaram lá e cá diálogos fortes monólogos magistrais questionamentos loucura mortes iluminações perversões maldade traições energia velocidade contemporaneidade gritos altíssimos rodopios suicídios palavras bem colocadas idéias expostas identificação humano divino 5 atos duas etapas mais de 3 horas euforia verdade ego ânima id genialidade ser ou não ser esta é a questão há mais mistérios entre o céu e a terra do que sonha nossa filosofia adaptação essência sublime nudez velada representação afogamento filmagem fantasma ronda alturas quedas cenário vilão final trágico alegria ironia fingimento atuação mais de quatrocentos anos pai mãe tio sobrinho filho veneno luta espadas xamã viagens fugas navio coroa crítica deus homem feitos piratas enterros crânios bobo da corte lembranças travessuras amor ódio peso roupas suor lágrimas saliva exacerbação grandiloqüência fantasia papéis múltiplos trono coberto castelo rei rainha príncipe dinheiro ambição caráter patrocínio teatro.
.
Fui ver Hamlet no dia 15 de agosto. Como gosto de colocar aqui algumas coisas que me tocam, precisava escrever sobre essa peça. Não estava conseguindo, mas confesso que foi só uma questão de tentar com um pouco mais de força.
.
Obviamente que minhas expectativas eram altas, afinal, o elenco era bom, o texto bem traduzido, segundo li na internet e, a obra em si, dispensa comentários.
.
Entrei de sola na sala às oito horas da noite num teatro chique demais.
.
Logo de início, em sua primeira grande fala, o Wagner Moura já deixou brotar algumas lágrimas que, como TODA lágrima, ajudam a dar uma força incrível à verdade transmitida. Depois disso, começou um ciclo de diálogos lindos e monólogos eternos que constantemente levaram os atores e o público ao êxtase.
.
Mas, pra mim, a cena que mais marcou foi uma que não aconteceu em cena, mas no canto do palco. Depois de falar uma das grandes divagações solitárias de Hamlet, o Wagner Moura foi pro canto do palco, chorando sem parar e ele ficou tentando estancar a emoção pra poder voltar pra uma nova cena. Aquela pequena não-cena ali no canto foi o máximo. Aquilo não era mais o personagem. O foco da cena não estava mais nele. Ele já havia desmontado e, portanto, tudo aquilo que restou, escapou, superou, era puramente verdade.
.
A verdade que pertence àquelas pessoas que amam a palavra oral.
.
As atuações em geral foram muito boas. O irmão da amada de Hamlet, que se suicida, foi muito bem interpretado por um outro ator que eu não sei o nome. A própria amada estava bem no papel. Por sinal, cantou muito bem em cena. Tonico Pereira estava natural, verdadeiro e o mesmo de sempre, o que, no caso dos velhos medalhões, a gente deixa passar.
.
Mas a noite foi mesmo do meu chará. Rsss. Impressionante!!! Verdades atrás de verdades, verdadeiramente construídas para um momento de arte sublime. Suor absurdo, lágrimas que vinham de repente, belo domínio da palavra em forma de som, pausas bem colocadas, tons mais baixos e variáveis, ritmos naturalmente moldados que ajudaram no processo. Esses instantâneos ajudam no processo de encenação. Mas é um risco, porque quando mal executados podem piorar aquilo que, no automático bem treinado, funciona perfeitamente. Mas enfim, não foi caso da apresentação que eu vi.
.
Confesso que no fim da peça eu já queria que ela acabasse, mas de boa... Ela é a peça mais longa de Shakespeare, mas Shakespeare pooooodeeee. rsss
.
Sobre Hamlet, li o seguinte :
.
“Quando Shakespeare escreveu a primeira versão de Hamlet, Hamnet – seu filho – estava com três ou quatro anos. Entre a primeira e a segunda versão, em 1596, Hamnet morre, e próximo à segunda versão morre o pai do autor – John Shakespeare. O autor era ao mesmo tempo o filho órfão e o pai que perdeu o filho. Este duplo vínculo do autor – como filho e como pai – com as questões em torno da morte, durante os anos em que escreve e revisa a peça, parece ter efeito direto na montagem dos personagens, tornando vigorosa a afirmativa freudiana de que “o inconsciente de Shakespeare compreendeu o inconsciente de seu herói”.”
.
Pelo jeito o autor estava realmente embebido em mortes de figuras masculinas ligadas a si.
.
Era o homem certo, no lugar certo, envolto de situações ruins, porém as mais frutíferas para tal tipo de criação. Há males que vem pra bem e, nesse caso, pro bem da humanidade.
.
Não é exagero dizer que a peça fez bem pra humanidade.
.
Ela foi responsável pelo resgate do teatro como forma de pensar o teatro (esse é seu grande pano de fundo), o teatro como objeto de transformação social, coisa que na antiguidade clássica existia, mas que, na idade média, foi perdida.
.
O teatro é a arte que procura expor o homem ao homem e assim conseguir uma mudança profunda. As peças deveriam funcionar como uma catarse. Os antigos apelavam para os deuses (Dionísio/ Baco) transformando a encenação num ritual religioso e energético. Já Shakespeare questionou incisivamente Deus, fazendo da razão o elemento provocador da transformação. Uma adaptação da arte aos novos moldes do mundo e da ciência que instaura a dita VANGUARDA.
.
Acho que nem ele mesmo sabia como seria desbravadora e indispensável essa sua criação. Talvez soubesse que algo muito grande e único estava sendo feito, mas, a noção exata da repercussão, acredito que não passou pela cabeça dele. Shakespeare poooodeeee. Rssss
.
Enfim, foi bom tomar contato com algo tão universal. Me senti mais vivo e relevante. Contemporâneo de hoje e compatível com os homens de ontem
.
.
“... um homem, seja qual a época em que viva ou tenha vivido, é mentalmente contemporâneo doutro homem duma outra época qualquer.” O evangelho segundo Jesus Cristo – José Saramago.
.
.
.

O Youtube táááááá beem loko!!!!!!!!!

Olha o jeito que ele baixou essa música...
.

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

Agora sim

.
Acabei de postar a poesia de baixo e me veio essa idéia na cabeça.
.
Agora sim escrevi uma poesia que eu me agradou...
.
.
Divindade
.
Se o perigo representado por toda mulher
Fosse apenas o de ser facilmente amável,
Acreditaria eu enfim no céu
Posto que o viver se tornaria ainda mais insuportável.
.

Não te querias assim

.
Não gostei dessa poesia, mas, como queria postar algo novo no blog e estava com preguiça de escrever, resolvi colocá-la aqui.
.
O título do post faz referência à poesia que eu gostaria que tivesse saído bonita. Já o título da poesia faz referência às frases ditas pelo eu-lírico feminino.
.
Enfim, ao contrário de mim, espero que gostem...
.

.
.
Não te querias assim
.
Não te querias assim,
Mas de que adianta examinar teus atos
Se tua falha está no consentimento
E na manifestação sincera de se reprimir inexato.
.
Não te querias mutante
Nem tampouco latente
Não deverias ser tão minguante
Como para disfarçar teu estado pungente.
.
Não te querias tão avulso
Tão perplexo a se arrastar
Não te querias intimidado ou pequeno
Sem saber onde podes repousar.
.
Não te querias corcunda
Para assim esconder teus incômodos
Não te querias tão único
Desse teu formato mais anômalo.
.
Não te querias assim
Mas também não iria querer de outro jeito
Já que estando desligado de mim
Sabes bem, onde e como, (de)terminar-se (im)perfeito.
.

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

Ao que foi

.
A luz da aurora envergonhava o quarto, mas nenhum de seus contornos se deixou abater. Todos os ângulos continuaram imóveis, valentes, afinal a alma que ali repousava acordaria ao menor sinal de temor. Os cantos se entreolharam calados. Cantavam o silêncio para impedir que o ruído fizesse seu reino naquele novo dia. Dois sons não ocupam a mesma atenção do esparso. E esparso estava aquele. Plano e desfeito de consciência.
.
Perambulava com preguiça no labirinto venoso uma resistente que restara da noite anterior. Cinco copos de bebida, três xícaras de chá de farinha, misturado ao descaso por si. Nunca falhava. Sentia-se menos vulgar, mas nunca se lembrava de que ao término do aquecimento, toda a receita desandava e assim era feito seu mais novo bolo.
.
Sempre era e não sabia mais como se deter. Deixava estar, por reflexo. Era como andar. O itinerário, os pés sabiam por si. Simples, medíocre, mas pelo menos tinha o direito e a saudade de sempre voltar àquele ponto. Como quando se ouve uma música e uma das partes traz êxtase. Assim era o escuro e esquivo de seu já resignado sentir.
.

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

Diga!!!

.
Há duas maneiras da literatura, ainda a ser feita, se tornar relevante.
.
Primeira: por brilhantes sacadas expressas em palavras bem escritas e/ou tramas magníficas.
.
Segunda: por obras que mostrem o esforço de criação do escritor.
.
Caso haja confluência, melhor.
.
Fora isso, não vejo outras alternativas para fazer os que se arriscam sair da mediocridade.
.
p.s: Notem que mediocridade e relevância não têm nada a ver com sucesso e reconhecimento...
.

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

Sem poesia.

.
Não há mais músicas
Que definam
Nem as que eu mesmo faço
Não há mais palavras que bastem
Que me pareçam bonitas, feias
Não tenho mais vontade
De poetizar os momentos
Não há mais nada
Além das milhões de histórias
Não sinto vontade
De pedir pelo retorno
Nem pelo afastamento
Nada
Fico na minha
Na medida exata
Que há alguns meses estou
Quem vai e volta
E mexe e vira
E fala e acha ruim
E inicia a reclamação
E implora
E tenciona novamente cativar
E tem esperança
E diz-que-diz
E tenta de diversas maneiras
Não sou eu
É você
Eu estou aqui
Na minha
Andando no meu caminho
Independentemente
Indo bem
Muito bem
Obrigado
Sem deixar me afetar por nada
Nada que tanto me afetava
Me causa algo agora
Apenas reajo
Pontualmente
A cada relance e disparidade
Que sai aos montes
Do alheio tão próximo
Mas logo passa
E já vai longe
Quem está sem nada
No meio disso tudo
Sou eu
E não você
Você tenta estar sem nada
Mas não consegue
Porque o que sente
Desde sempre
Foi mais forte
Eu me afetava
Por signo, talvez
Mas agora nem por isso
Sei do que vem
Do que vai
Do que volta
De tudo
Não há mais novidades
Esgotamos as possibilidades
Todas as socializações
Sentimentos
Reações
Causas
Opiniões
E conseqüências possíveis
Já se esgotaram
Por isso me resta o meio
O medíocre
O insípido
A apatia frente às revelias
Elas me vem
As sinto com preguiça
Depois logo passam
E morrem sem deixar rastros
Cicatrizes
Não crio expectativas
Pelo menos nesses nossos pontos
Sem nada estou eu
E só eu
Você não
Por isso um poema
Tão assim
Sem nada
.
Sem poesia
.

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

No escuro, a maçã

.
Todas as cores se concordam no escuro.
.
Fracis Bacon
.

A maçã no escuro II

.
Por Deus, se não criássemos um mundo, este mundo apenas divino não nos receberia.
.
Clarice Lispector
.

domingo, 3 de agosto de 2008

Um poema que basta

.
O céu se repleta de nuvens
Que povoam o ar com o reflexo das luzes.
.
Por sobre as senhoras
Uma ou outra estrela se encanta
No ar derradeiro da chuva
Que acalma aqueles que se deixam perceber.
.
Entre os altos, anoitece tranqüila a cidade
Uma grande e fervorosa disparidade
Esculpida de relevos concretos
E pequenos senhores de si
Engarrafados de informações
.
Somos nós... Muito prazer!!!
.

Noutro canto da minha janela
Uma senhora grita sem pena da voz
E vem arrastando cobertores
Que secam o asfalto
.
Quanto ódio, pergunto eu...
.
Não entendo por mim
Mas sinto por ela
Pois seus gritos enchem Maria Antônia de verdade
A verdade de cada, mas que poderia ser de todos
Bastaria meia dúzia de coragens contemporâneas.
.
Bastou meia dúzia de gotas
Para o céu respirar em seus filhos humanos.
Basta uma dúzia de grãos
Para fazer meu jardim sair de seu sono.
Bastaria três anos a menos
Para eu me corrigir por completo.
.
Mas agora já é tarde demais...
.
E o que me resta são os mesmos antigos poemas
Saídos de uma mente que procura sua continuidade
Sem poder achar-se por si.
.
Um poema que basta.
.

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

Do contra (para inaugurar agosto)

.
Como falar bem é muito fácil, vou falar mal. rsss
.
O filme possui incoerências. Aliás, uma grande incoerência que é base para muitas partes da trama.
.
Vamos lá.
.
Um personagem tão central e tão racional que toma atitudes que levam a bons resultados, mesmo não sendo as mais corretas, não teria uma má reputação tão instaurada como as cenas mostram. Mesmo que uma parte da mídia o denegrisse, isso não seria uma regra, afinal, a mídia adora polemizar e se todos falassem contra ele, fatalmente algum veículo se levantaria contra a impossível unanimidade e construiria uma idéia oposta, ou seja, uma boa idéia, uma boa imagem. Além disso, os resultados falam por si e eles são positivos.
.
Outra forma de incoerência que envolve essa idéia sobre o personagem principal diz respeito à nossa relação com o filme. O filme procurar mostrar um personagem humano, não simplesmente heróico (e sabemos que isso é uma jogadinha que ocorre com certa freqüência nos dias de hoje), mas mesmo assim ele não toma atitudes que desagradam realmente os milhões de espectadores (os roteiristas não chegariam a esse ponto). Então me pergunto, se eles constroem um personagem que agrada as enormes bilheterias do filme, por que esse mesmo personagem não agradaria aqueles que vivem no seu mundo? O fator mídia (o quarto poder) já está descartado pelos 2 argumentos do parágrafo de cima.
.
O próprio filme é uma mídia e ele se nega, afinal ele nos fez gostar do personagem. Ele gera o embrião da sua incoerência.
.
Com isso temos que a cidade não precisaria de outro herói como o Promotor e muito do filme gira em torno disso. O personagem principal torna-se uma espécie de retaguarda não necessariamente heróica, pois o povo que “precisa de um herói com cara”, já tem o seu. Isso dá uma espécie de aval para ele ser menos ético, mas esse aval se baseia indiretamente num fato que não existiria caso as coisas fossem friamente analisadas.
.
Um filme que se propõe a ser tão inteligente e até mesmo filosófico, se baseia numa falácia que só faz sentido num mundo supostamente avulso (nenhuma cidade da Terra tem 30 milhões de habitantes), mas que deveria ser igual ao nosso, pelo menos num ponto tão importante que é a lógica da mídia e do próprio ser - humano em primeira instância.
.
Todas essas idéias me vieram a partir de uma sensação / pergunta que o filme me trouxe, e é: Por que Batman, o cavaleiro das trevas, não seria um herói?

Fiquei com essa sensação.

Ele é um herói, sim, pois apesar de tomar atitudes supostamente (não totalmente, já que os roteiristas não são loucos de denegri-lo, afinal o salário deles depende da sua moral. rsss) criticáveis, essas atitudes não são condenáveis, já que em casos especiais “os fins justificam os meios”. Claro que depende dos fins e dos meios, mas bons fins podem se justificar por meios pontualmente usados. Isso é delicado, mas da maneira como foi colocado no filme, acho que ninguém se oporia, afinal os roteiristas não são doidos, como já disse.
.
Fora tudo isso, o vilão ser chinês não me agradou. Por que não colocaram um suíço, um italiano? Afinal, há mais banqueiros e mafiosos nesses países que na China, o ameaçador e populoso dragão comunista e emergente do oriente.
.
São argumentos bem amarrados, mas que não me convencem, afinal eu achei o filme FUDIDO. Aconselho a ver e também aconselho ligar os botões reservas da atenção porque é preciso. Primeiro porque o filme tem quase 3 horas de duração e não é simples ter uma noção geral de tudo que já aconteceu e suas diversas implicações, e segundo que ele está recheado de bons diálogos e falas com frases marcantes e bem colocadas e / ou repetidas como: “às vezes a fé precisa de recompensas” (bonita e bem colocada), “a noite sempre é mais escura antes do amanhecer” (essa é velha, mas é bonita e bem colocada) e “ou você morre como herói, ou vive o bastante para se tornar um vilão” (bem colocada e bem repetida).
.
Enfim, gostei.
.
Continuando, pois estou com vontade de escrever hoje.
.
Achei irônico o fato de o principal vilão ter sobrevivido no filme ou sobrevivido AO filme, e o ator ter morrido na vida real. O vilão sobreviveu ao filme, mas o ator não. Na maioria das vezes acontece o contrário. Talvez o ator tivesse que tomar umas aulas de força ou loucura com seu personagem. Talvez se tivesse aprendido a rir desvairadamente com o Curinga, ele estaria vivo. Tirar proveito da insanidade é uma arte das mais difíceis. Equilibrar os benefícios que o desequilíbrio traz, não é para qualquer um.
.
E como estou do contra, vou elogiar o vilão.
.
O Curinga se mostrou inteligente, explorou as fraquezas do sistema coercitivo fazendo ele se virar contra ele mesmo. Enfraqueceu as bases do oposto de si usando o que havia de comum entre o bem e o mal, que é o fator humano. Mostrou o poder da simplicidade (“sabe o que há em comum entre eles. Eles são baratos“ – disse isso enquanto queimava uma pilha gigantesca de dinheiro que ele não precisaria, pois pólvora e gasolina não custam caro); a força da loucura, que o colocava em vantagem em relação a seus oponentes, afinal ele não temia a morte; mostrou também verdades que os próprios heróis não viam, serviu de substância reveladora de índoles e, pensando por esse lado, até trouxe benefícios para a polícia que sofreu uma espécie de filtração.
.
Ponto para os roteiristas que não são nada bobos e sabem que vilões comuns não convencem mais como há décadas atrás. Como já dito, o salário deles depende disso. rssss
.
Tem muito pra se falar bem do bem, mas não quero. Estou do contra.
.
Resumindo:
.
O filme prova, por ele mesmo, que a obra se baseia num argumento incoerente. Ele se torna seu próprio contra argumento. Possui um herói bizarro com orelhinhas toscas e que finge ter uma voz igualmente tosca só pra não descobrirem sua identidade. O vilão se mostra mais são que o próprio ator que o interpretou (sacanagem, isso – rssss). A atriz que faz a suposta musa é feia. Batman cai do qüinquagésimo andar e não sofre nada, nem ele e nem a mulher que estava com ele. Coringa não tem dinheiro, mas acaba com todos (a simplicidade tem seus limites). O Duas caras é horrível, e nenhuma moeda se queima e fica marcada com cinzas que não possam ser limpadas com um esfregar de mãos. E ele esfrega as mãos nela.
.
Enfim, com tudo isso, só posso continuar com uma opinião em relação ao filme, afinal, ser do contra permite certas incoerências:
.
ELE É FUDIDO...
.
E fim de papo..........................................
.

quarta-feira, 30 de julho de 2008

10 caricaturas (Alfred)


10 caricaturas (Gerald)


10 caricaturas (Sting)


10 caricaturas (Arnold)


10 caricaturas (Regina)


10 caricaturas (Miles)


10 caricaturas (Sophia)


10 caricaturas (Tina)


10 caricaturas (Sylvester)


10 caricaturas (Dean)


É assim que eu sinto...

.
Julho se vai e com isso meu mês de mudança se acaba. Foi bom!!! Não sei se a mudança veio de mim ou de outros cantos, mas ela aconteceu. Sutil, pequena e pra melhor. Julho é sempre uma parada, um suspenso. É assim que eu sinto. Um descanso mais leve. O frio me agrada, mas não é tudo. Julho é uma virada. Uma caída pro início do fim do ano. Uma divisão. É assim que eu sinto. Agora se inicia o fim de mais um ciclo. O caminho do fim, mas nem por isso é mau. O verão irá se iniciar, pelo menos no caso de países com duas estações ou quase uma e meia, como o nosso Brasil. Rssss. O verão vem, o inverno vai embora e com isso minha estação preferida. Mas não lamento. Que venha o calor, que venha o fim. É assim que eu sinto...
.

segunda-feira, 28 de julho de 2008

Palavras de Deus...

.
Prece de Cáritas
.
Deus, nosso Pai, que sois todo Poder e Bondade, dai a força àquele que passa pela provação, dai a luz àquele que procura a verdade; ponde no coração do homem a compaixão e a caridade!
.
Deus, Dai ao viajor a estrela guia, ao aflito a consolação, ao doente o repouso.
.
Pai, Dai ao culpado o arrependimento, ao espírito a verdade, à criança o guia, e ao órfão o pai!
.
Senhor, que a Vossa Bondade se estenda sobre tudo o que criastes. Piedade, Senhor, para aquele que vos não conhece, esperança para aquele que sofre. Que a Vossa Bondade permita aos espíritos consoladores derramarem por toda a parte, a paz, a esperança, a fé.
.
Deus! Um raio, uma faísca do Vosso Amor pode abrasar a Terra; deixai-nos beber nas fontes dessa bondade fecunda e infinita, e todas as lágrimas secarão, todas as dores se acalmarão.
.
E um só coração, um só pensamento subirá até Vós, como um grito de reconhecimento e de amor.
.
Como Moisés sobre a montanha, nós Vos esperamos com os braços abertos, oh Poder!, oh Bondade!, oh Beleza!, oh Perfeição!, e queremos de alguma sorte merecer a Vossa Divina Misericórdia.
.
Deus, dai-nos a força para ajudar o progresso, afim de subirmos até Vós; dai-nos a caridade pura, dai-nos a fé e a razão;
dai-nos a simplicidade que fará de nossas almas o espelho onde se refletirá a Vossa Divina e Santa Imagem.
.
Assim Seja!!!!!!!!!!!!!
.

quinta-feira, 24 de julho de 2008

Roseando


.
Dentro do fundo do poço vige o segredo
Aquele casmurro sorumbático taciturno
Moribundo lúgubre funesto lutuoso lôbrego
Ataúde esquife féretro celerado
Sitibundo trapaceiro sequioso
Que nem se sabe de quando
Lá estivesse em modo de arrocho
.
Mas resigna em eiro miúdo ali
Apertura de bem feitoria desgramada
Pro modo de algibeira rente
.
Melhor que assim estivera
Pra com menos ali situar-se
.
Prascóvio, carantonha carranca
Que só mirando de paciência
Se pudesse, com veemência,
Assim seria soslaiado de leve
.
Pra que?
Que querência queria querer
De no focinho do destampo
Rente a rente ficar amirando?
.
Mais sisudo fosse seria deixasse
Costumbrado de corriqueira
E não viesse do reclamo nunca
Já que o diáfano agorveia retidão
E não há discímulo que vingasse
Causa de ter porvorosidade absolutamente
Pra contivês o das muitas peles
.
Mas esse manso de bondade é coisa pra mais de formosa!!!
.
Sem nem haver reforçansa
Ali o miudinho se canhestra
Por rente o debaixo de ser-se
E aí de quem o sobrasse
Num ia restar via de escapação
Pra nem torto nem destorto
.
Uma belezura
Uns o chamam de Deus
Outros somentemente de tudo...
.
.
Tentei escrever um poema que parecesse com o estilo de Guimarães Rosa. Acho que dá pra enganar...

.

terça-feira, 22 de julho de 2008

A maçã no escuro

.

"Era uma madrugada muito bonita. Quando ainda não há luz e a luz é apenas o ar, e a pessoa não sabe se está respirando ou vendo."

.

Clarice Lispector

.

Consideração

.
A clarividência pode ser uma simples imaginação, sobre aquela superfície que se vê, baseada na lembrança daquilo que se julgou certo, um dia, dentro de si.
.

segunda-feira, 21 de julho de 2008

Atendendo a pedidos, novidades!!!

Prisioneiro de mim

I

De que adiantam planos
Se eu não me detenho
De que adianta querer
Se por vezes não me é dado,
Pelo corpo,
O mínimo poder de escolha

Fico por momentos,
Imerso no meu emocional corporal.
Um exagero

Ainda acredito na perfeição do corpo
Mas sei dos teus exageros
E sinceramente
Não sei como encerrar
Essa inconsistência de crenças

Só sei que acredito na perfeição e no exagero conjuntos

Talvez o exagero faça parte da perfeição
Um desafio para nós em vida.
Há de se ter na alma e na mente
O controle gigantesco para poder conter o corpo

É uma imposição que não podemos mais escolher
Estás aqui nessa vida desde nem sei quando
E agora só te resta continuar
E aprender profundamente como lidar
Com esta tua perfeita ferramenta
Que tanto de ti exige

Antes fosses mais etéreo
Mais sutil
Mas não és e terás que assim ser

“Sem amarras, barco embriagado ao mar”

Assim algumas vezes me sinto
Um amontoado de firulas sentimentais e de pensamentos.
Sempre instantâneos,
Os pensamentos me vêm de supetão
E só me resta esquivar
Negar, pedir, por favor, para pararem
Mas eles, muitas vezes não obedecem
E assim fico eu preso em mim
Preso naquilo que crio

E no calor da situação
Me retraio
Me encasulo, indo contra meus instintos de comunicação

Adoro conversar, fazer graças
Sorrir alto, imitar pessoas
Dançar a toa
Mas logo após o ato
Meu julgamento cai intolerante sobre mim
Sobre toda a adrenalina
Que tão facilmente eu derramo em minhas veias

Conter-me não me é natural
Gosto do espaço, da luz
Do palco, da palavra
Do canto, da intensidade
Do bom exagero
Mas não tenho firmeza para tanto
E assim vivo insatisfeito comigo

O canto, o quieto não sou eu
Mas como sair de lá se só solitário nele
Posso ter esclarecimento e equilíbrio
Para um pouco melhor viver?

Talvez tornar-me forte
A ponto de enfrentar meu duro julgamento
Seja a única solução
A melhor delas
Posto que no esquivo eterno
Não vou conseguir viver
Ou se viver, viverei sem razão profundamente
Razão daquelas boas que te fazem parar de pensar
E acreditar na conclusão que se chegou

Viver plenamente
Viver de corpo, mente, alma e espírito

II

Não acredito com facilidade nas coisas que acredito
Nas conclusões que chego
Penso-me simplesmente cego
Para tantas outras coisas
Que envolvem os assuntos pensados

Daí vem aquela minha frase:
“Tomar decisões é uma questão de escolher ignorâncias”

Gosto de procurar a verdade
Investigar o fim
Mas não acredito na perfeição do processo
Mesmo que esse tenha me parecido bom e reto

III

Sou assim,
E ainda acredito que,
Mesmo após todos esses lamentos,
Felizmente, sou assim...

quarta-feira, 16 de julho de 2008

Festival 2008

.
Lembra?! (18/2/2008) Wagner Passos
.
Cm7/9, Gm7/9, Cm7/9, Gm7/9
.
Cm7/9 F#6
Lembra de um tempo em que foras feliz?
Cm7/9 Abm7/9
Agora dizes que tudo aquilo fora em vão.
.
F#m7/9
Não vê que o sonho
G7+/9
Se vale por sonhar,
Em7
Feliz ou tristonho
Dm
Não deves renegar.
.
C7+
Tão linda é a vida
F7+
Daquele que viveu
C7+
O riso e a ferida
F7+
Que em nós nos pertenceu,
Fm7
Mas a ti não mais valeu.
Cm7/9
Por que?
.
Cm7/9, Gm7/9, Cm7/9, Gm7/9
.
Cm7/9 Fm7/9
Lembra de um tempo em que foras embora
Cm7/9 Fm7/9 Fm7/9/11 Cm7/9
Triste e descrente dos meus braços que outrora foram teus?
Fm7/9/11/13 Cm7/9 Fm7/9
Teu mais risonho e lindo leito calmo de venturas e histórias
Cm7/9 C#6/7+
Só vividas por aqueles que conosco numa tarde...
Cm7/9
Se esqueceu?!?!
.
SOLO:
.
Gm, Cm
Gm, Cm
Gm, Dm
Gm, D
.
D7+/9/11/13
Não vê que o sonho
Em7/9/11
Se vale por sonhar.
D7+/9/11/13
Feliz ou tristonho
Em7/9/11
Não deves renegar.
.
D7+/9/11/13
A volta de um tempo
Em7/9/11
Não nos cabe procurar.
D7+/9/11/13
Deixe que os olhos
Em7/9/11
Nos busque um novo olhar.
.
C7+
Pois tão linda é a vida
F7+
Daquele que viveu
C7+
O riso e a ferida
F7+
Que em nós nos pertenceu,
Fm7
Mas a ti não mais valeu.
Cm7/9
Por que?
.
Cm, Abm
Cm, Abm
Cm7/9/11/13..................

.
FIM