sábado, 28 de março de 2015
quinta-feira, 19 de março de 2015
A CRIANÇA MAIS DOCE DO MUNDO
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Foi vindo como uma espécie de dor muito funda, uma coisa extremamente intensa que parecia ser capaz de me esgarçar de dentro para fora.
.
Mas era só um pequeno menino.
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A pureza daquele meu aluno era tão grande que ele foi, sem saber, me sufocando, me apertando, me comovendo, me aprimorando, me transformando, arrancando de mim qualquer vestígio de maldade e julgamento.
.
Naquele momento, aquela criança e seus modos, suas brincadeiras, seu sorriso, sua inocência, foi marcando profundamente minha energia.
.
Tudo naquele pequenino foi me puxando, foi me fazendo chorar, foi me tragando alguma dor boa de se limpar, algum pranto interior que se levantava, de dentro do meu coração, me empurrando pro banheiro porque eu precisava chorar aquilo que ali estava vivendo.
.
O menino era a coisa mais linda que eu já tinha visto em toda minha vida e, naquele instante, eu queria que tudo aquilo fosse eterno, infinito, intocável.
.
Sua voz, seu olhar, suas formas, a maneira como ele imitava um cachorro com asas, seu jeito de fazer bichinhos com as mãos, sua orelha caída por causa dos óculos que usa, o canto do olho inclinado para baixo que dá a ele uma doçura ainda maior junto daquilo tudo que é.
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Sua felicidade de voltar a aula de piano pela segunda vez, o fato de não ir tomar água porque queria ensaiar de novo as novas músicas, sua imaginação, seu desprendimento, sua leveza, o jeito de olhar para qualquer canto, seu empenho em fazer os exercícios, sua ansiedade.
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Sua ansiedade.
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Sua ansiedade, seu possível futuro desencaixe e uma pequena certeza minha de que ele ainda iria sofrer por ser como é.
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Ao mesmo tempo, brotava dentro de mim uma gigantesca vontade de protegê-lo de tudo, de levá-lo comigo, de poder mostrar os passos da vida, de dizer as coisas que ele deveria fazer, o que deveria evitar, poder estar por perto, acompanhar seu universo em desencanto, cuidar da abertura de seu coração frente as desventuras da vida e ir podendo confortá-lo no desenrolar do mínimo infinito.
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Amá-lo sem fim.
.
Nada poderia machucá-lo. Aquela criança não poderia ser subvertida pela lógica horrorosa do mundo. As coisas não teriam o direito de arranhar seus sonhos, suas bochechas, seus óculos, seu sorriso, seu encanto, suas brincadeiras. O mundo não poderia esmagá-lo, subjugá-lo, determinar seu sofrimento, corroer seu aconchego, corroer sua alma.
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O menino pequeno brincando de imitar bichos na aula, o menino pequeno que se escondia debaixo das cadeiras e batia suas asas imaginárias e empinava feito um cavalo e mexia os dedos e falava coisas diversas e ficava ali ficando sorrindo sem saber de nada, sabendo de tudo que importa!
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E eu apenas estava ali, naquele canto, sentado no chão.
.
Talvez um pouco da minha emoção viesse da certeza de que, se eu tivesse um filho, ele teria aquele biótipo, aquela forma. Não sei bem ao certo, mas isso fez sentido pra mim.
.
Fiquei ali dando aula cansado, olhando uma partícula de Deus e pensando como um ser tão pequenino era capaz de, sem saber, me fazer chorar compulsivamente por sua pureza.
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Acho que, no fundo, aquela criança era um pouco eu mesmo.
.
Mas seu nome é outro.
.
Seu nome é Tiago, cinco anos, usa óculos, gordinho, brincalhão e extremamente doce.
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A CRIANÇA MAIS DOCE QUE EU JÁ PRESENCIEI EM TODA MINHA VIDA!!!
.
E eu nem sequer tive coragem de lhe pedir um abraço...
.
Foi vindo como uma espécie de dor muito funda, uma coisa extremamente intensa que parecia ser capaz de me esgarçar de dentro para fora.
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Mas era só um pequeno menino.
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A pureza daquele meu aluno era tão grande que ele foi, sem saber, me sufocando, me apertando, me comovendo, me aprimorando, me transformando, arrancando de mim qualquer vestígio de maldade e julgamento.
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Naquele momento, aquela criança e seus modos, suas brincadeiras, seu sorriso, sua inocência, foi marcando profundamente minha energia.
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Tudo naquele pequenino foi me puxando, foi me fazendo chorar, foi me tragando alguma dor boa de se limpar, algum pranto interior que se levantava, de dentro do meu coração, me empurrando pro banheiro porque eu precisava chorar aquilo que ali estava vivendo.
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O menino era a coisa mais linda que eu já tinha visto em toda minha vida e, naquele instante, eu queria que tudo aquilo fosse eterno, infinito, intocável.
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Sua voz, seu olhar, suas formas, a maneira como ele imitava um cachorro com asas, seu jeito de fazer bichinhos com as mãos, sua orelha caída por causa dos óculos que usa, o canto do olho inclinado para baixo que dá a ele uma doçura ainda maior junto daquilo tudo que é.
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Sua felicidade de voltar a aula de piano pela segunda vez, o fato de não ir tomar água porque queria ensaiar de novo as novas músicas, sua imaginação, seu desprendimento, sua leveza, o jeito de olhar para qualquer canto, seu empenho em fazer os exercícios, sua ansiedade.
.
Sua ansiedade.
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Sua ansiedade, seu possível futuro desencaixe e uma pequena certeza minha de que ele ainda iria sofrer por ser como é.
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Ao mesmo tempo, brotava dentro de mim uma gigantesca vontade de protegê-lo de tudo, de levá-lo comigo, de poder mostrar os passos da vida, de dizer as coisas que ele deveria fazer, o que deveria evitar, poder estar por perto, acompanhar seu universo em desencanto, cuidar da abertura de seu coração frente as desventuras da vida e ir podendo confortá-lo no desenrolar do mínimo infinito.
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Amá-lo sem fim.
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Nada poderia machucá-lo. Aquela criança não poderia ser subvertida pela lógica horrorosa do mundo. As coisas não teriam o direito de arranhar seus sonhos, suas bochechas, seus óculos, seu sorriso, seu encanto, suas brincadeiras. O mundo não poderia esmagá-lo, subjugá-lo, determinar seu sofrimento, corroer seu aconchego, corroer sua alma.
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O menino pequeno brincando de imitar bichos na aula, o menino pequeno que se escondia debaixo das cadeiras e batia suas asas imaginárias e empinava feito um cavalo e mexia os dedos e falava coisas diversas e ficava ali ficando sorrindo sem saber de nada, sabendo de tudo que importa!
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E eu apenas estava ali, naquele canto, sentado no chão.
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Talvez um pouco da minha emoção viesse da certeza de que, se eu tivesse um filho, ele teria aquele biótipo, aquela forma. Não sei bem ao certo, mas isso fez sentido pra mim.
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Fiquei ali dando aula cansado, olhando uma partícula de Deus e pensando como um ser tão pequenino era capaz de, sem saber, me fazer chorar compulsivamente por sua pureza.
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Acho que, no fundo, aquela criança era um pouco eu mesmo.
.
Mas seu nome é outro.
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Seu nome é Tiago, cinco anos, usa óculos, gordinho, brincalhão e extremamente doce.
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A CRIANÇA MAIS DOCE QUE EU JÁ PRESENCIEI EM TODA MINHA VIDA!!!
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E eu nem sequer tive coragem de lhe pedir um abraço...
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P.s: Acontecido hoje.
quarta-feira, 18 de março de 2015
sábado, 14 de março de 2015
Ifigênia em Tauris – Resenhas 2014
Mais uma das belas óperas montadas no Theatro São Pedro.
Um espaço menos suntuoso que o Municipal, mas que sempre preza pela qualidade do elenco, dos cenários, dos músicos.
Aliás, é mais gostoso ver ópera no São Pedro do que no Municipal.
O clima é menos formal, as cadeiras são mais largas, o povo bate palma no meio do espetáculo, o salão é menor, nunca se está realmente longe do palco.
A ópera foi montada em homenagem aos 300 anos de nascimento do compositor alemão Christoph Willibald Gluck (1714-1787).
Gluck foi responsável pela renovação da ópera no século XVIII.
A ópera havia se tornado, nessa época, uma forma vulgar de entreter o público, com os cantores interpretando as partituras cada qual a sua maneira, transformando as apresentações em grandes circos de exibicionismo vocal.
Gluck é responsável por fazer a ópera voltar as suas origens e valorizar novamente a figura do autor e do espetáculo como um conjunto de elementos previamente concebidos e ensaiados para funcionarem juntos.
O libreto é do francês Nicolas François Guillard.
Ifigênia em Tauris, que foi uma tragédia escrita pelo autor grego da antiguidade, Eurípedes, levou Gluck ao estrelato definitivo na capital francesa, sendo que a primeira montagem permaneceu em cartaz por mais de cinquenta anos.
La Mamma – Resenhas 2014
Peça divertida que ficou um longo período em cartaz no teatro Nair Belo do Shopping Frei Caneca.
A personagem principal, que dá nome a peça, interpretada por Rosi Campos, possui dois filhos com comportamentos totalmente diferentes: os gêmeos interpretados por Leonardo Miggiorin.
O gêmeo de comportamento mais correto é casado (noivo ou namorado) de uma boa moça de família (Débora Gomes), mas não consegue ter uma noite de sexo com ela que, pelo que me lembro, permanece virgem.
Planejando desencantar o rapaz, La Mama resolve pedir que seu outro filho, o vagabundo, faça as vezes de seu irmão a fim de que, pelos elogios da moça, ele ganhe mais confiança e consiga deslanchar em sua vida amorosa.
Ao final a trama tem algumas reviravoltas.
Achei o espetáculo muito divertido! Super bem humorado, tranquilo de se assistir, com boas piadas (como quando um dos gêmeos chama a Rosi Campos de “Mamusca” em referência ao personagem dela em “Da cor do pecado”) e um elenco vigoroso, se desdobrando em diversos personagens, do início ao fim!
Texto: André Roussin
Adaptação e Direção: Carlos Artur Thiré.
Elenco: Rosi Campos, Leonardo Miggiorin, Carlo Briani e Débora Gomez.
Permaneceu em cartaz de 02/08/2013 até 16/3/2014.
Adaptação e Direção: Carlos Artur Thiré.
Elenco: Rosi Campos, Leonardo Miggiorin, Carlo Briani e Débora Gomez.
Permaneceu em cartaz de 02/08/2013 até 16/3/2014.
Mesmo se nada der certo – Resenhas 2014
Um filme delicioso, muito bem escrito e concebido, soando até mesmo um pouco despretensiosa, se é que uma obra cinematográfica, em toda sua complexidade de realização, pode realmente conter alguma intenção, ou não intenção, nesse sentido.
E é assim, por um dos acasos da vida que um homem e uma mulher se encontram num pequeno bar de Nova York.
Ela frustrada com seu namorado que, após alcançar sucesso musical, se vendeu a indústria fonográfica, caindo nas tentações carnais da fama.
Ele, antigo produtor de sucesso, busca algo novo e acredita que pode conseguir ganhar dinheiro novamente com algo de qualidade.
E é quando ambos estão no fundo de suas fossas individuais que o encontro inusitado acontece.
Ela canta uma de suas composições no pequeno bar do encontro e ele se sente comovido e impelido a convencê-la de que suas composições deveriam ser gravadas.
E daí eles partem para uma série de experimentos musicais que os levam a viver confusas e belas estórias por lugares diferentes da maior metrópole estadunidense.
Um filme muito leve, repleto de músicas gostosas, cenas bem humoradas, sutis, amalgamadas de uma felicidade simples, corriqueira, das coisas do dia-a-dia de todos ou cada um de nós.
Os dois atores principais estão muito bem nos papéis.
A simpaticíssima e supersensível Keira Knightley mais uma vez nos encanta com uma interpretação a flor-da-pele, com sutilezas que muito dizem sem usar uma única palavra!
Muito muito muito legal!!!
Como é gostoso quando alguns filmes e coisas levemente belas desse tipo nos encontram no meio do imerso cotidiano de coisas que nos desgastam!!!
Noite de Reis – Unidos do Carnaval – Resenhas 2014
Uma peça muito interessante que esteve em cartaz no MUBE Nova Cultural no mês de Julho de 2014.
Recriam o famoso texto de William Shakespeare trazendo pro universo brasileiro atual, misturando o escracho do carnaval, as modernidades da internet e do celular, e mais alguns elementos mais tradicionais.
Um espetáculo que fez a plateia rir demais! Boas atuações e recursos de projeção completam a obra!
Nova Antologia do Conto Russo – Resenhas 2014
Uma obra enorme, com quase 650 páginas, lançada pela Editora 34 e que reúne contos da literatura russa de 1792 a 1998. São pequenas estórias que retratam diversos aspectos daquele país ao longo de alguns séculos, englobando assuntos dos mais diversos como: denuncia social, terror psicológico, narrativas de viagens ao longo do vasto território do maior país do mundo. O inverno está como personagem bastante presente, e não poderia deixar de ser. A miséria de alguns e a luta por vencer a dureza da natureza daquela parte do mundo está nesta antologia. Obras maravilhosas de escritores conhecidos no mundo todo. Grandes contistas em suas melhores formas, grandes romancistas exercendo um tipo de escrita menos usual a sua pessoa. Nikolai Gógol, Fiódor Dostoiévski, Lev Tolstói, Anton Tchekhov, Vladimir Nabókov e tantos outros estão presentes. São quarenta contos organizados em ordem cronológica, comentados inicialmente por algum especialista no assunto. Iniciando com alguns em forma bastante tradicional, linguagem mais antiga, passando por inovações literárias e assuntos marcantes de cada época, até os contemporâneos que constroem um retrato mais atual desse país que me encanta tanto! Seria indigno tecer qualquer crítica negativa a tamanho painel literário!
O Passado – Resenhas 2014
Um iraniano, separado de sua esposa francesa, resolve voltar a França quando esta pede o divórcio. Ao chegar, nota que ela já tem outro homem e ele se sente em um ambiente diferente daquele que deixou pra trás há quatro anos.
Gostei do filme, mas não tanto quanto já gostei de outros franceses!
Possui a forma diferente de fazer filmes que tanto caracteriza as obras feitas na França. As intrincadas situações, nas quais os personagens são colocados durante a condução da trama, podem causar incômodo e, o conflito de culturas, até um certo machismo (se bem me lembro) e o dia-a-dia da família surgem sutilmente na tela.
Gênero: Drama
Direção: Asghar Farhadi
Roteiro: Asghar Farhadi, Massoumeh Lahidji
Elenco: Aleksandra Klebanska, Ali Mosaffa, Babak Karimi, Bérénice Bejo, Elyes Aguis, Jean-Michel Simonet, Jeanne Jestin, Pauline Burlet, Pierre Guerder, Sabrina Ouazani, Tahar Rahim, Valeria Cavalli
Produção: Alexandre Mallet-Guy
Fotografia: Mahmoud Kalari
Montador: Juliette Welfling
Trilha Sonora: Evgueni Galperine, Youli Galperine
Gostei do filme, mas não tanto quanto já gostei de outros franceses!
Possui a forma diferente de fazer filmes que tanto caracteriza as obras feitas na França. As intrincadas situações, nas quais os personagens são colocados durante a condução da trama, podem causar incômodo e, o conflito de culturas, até um certo machismo (se bem me lembro) e o dia-a-dia da família surgem sutilmente na tela.
Gênero: Drama
Direção: Asghar Farhadi
Roteiro: Asghar Farhadi, Massoumeh Lahidji
Elenco: Aleksandra Klebanska, Ali Mosaffa, Babak Karimi, Bérénice Bejo, Elyes Aguis, Jean-Michel Simonet, Jeanne Jestin, Pauline Burlet, Pierre Guerder, Sabrina Ouazani, Tahar Rahim, Valeria Cavalli
Produção: Alexandre Mallet-Guy
Fotografia: Mahmoud Kalari
Montador: Juliette Welfling
Trilha Sonora: Evgueni Galperine, Youli Galperine
Odisséia – Resenhas 2014
Um Homero enlouquecido, pós-moderno, chega correndo
de algum lugar, espantando a plateia que aguarda na parte de fora do teatro.
Este Homero, adentra o teatro desesperado por esta
para perder o início de uma viagem e assim todos somos chamados a embarcar com
ele.
Este ensandecido escritor passa então a imaginar,
comandar e aos poucos passa a ver suas criaturas tomando vida própria, partindo
para seus próprios destinos, guiados por suas próprias vontades e é assim que
Homero vai se sentindo invadido pelos próprios personagens daquela que talvez
seja sua obra mais conhecida: a Odisséia.
Trata-se de uma recriação corajosa e por vezes hilária
desta que é uma das obras mais importantes da humanidade, obra fundacional do
universo literário humano, fonte de inspiração para tantos e tantos outros escritores
que por suas linhas navegaram.
Esta Odisséia tropicalista é o primeiro trabalho do
núcleo experimental “Estúdio da Cena”, grupo formado pelos alunos formados na
escola Célia Helena de teatro.
Os atores encontram suas verdades e diversas formas
legítimas de atuação se espalham pelo palco, variando dos mais entusiasmados
aos mais contidos, elementos diversos de uma companhia que me pareceu bastante
legítima no traçado desta obra.
Formar e perpetuar uma companhia de teatro numerosa
nos tempos de hoje, já seria motivo para muitos elogios. Manter a companhia e
ter fôlego para montagens audaciosas é digno, então, de um aplauso duplo.
quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015
Primeira Morada
"O filho de José e de Maria nasceu como todos os filhos dos homens, sujo de sangue de sua mãe, viscoso das suas mucosidades e sofrendo em silêncio. Chorou porque o fizeram chorar, e chorará por esse mesmo e único motivo."
O Evangelho segundo Jesus Cristo - José Saramago
terça-feira, 10 de fevereiro de 2015
quinta-feira, 29 de janeiro de 2015
Ópera Salomé (Ópera) – Resenhas 2014
Esta ópera trágica de Strauss é
baseada nos escritos de Oscar Wilde, que por sua vez se baseiam nos Evangelhos de
Mateus e Marcos. Basicamente, a ópera é a dramatização da decapitação de São
João Batista, e os acorridos antes e depois desta tragédia.
Salomé se sente atraída pelo
profeta prisioneiro Lokanaan (São João Batista) e se insinua para ele. Este,
por sua vez, não demonstra interesse algum pela mulher que se sente ofendida. Numa
festa, após uma dança em que a protagonista seduz o Rei Herodes, Salomé consegue
que este lhe prometa dar absolutamente qualquer coisa que ela quiser, então,
ela pede a cabeça do profeta, numa clara atitude de vingança.
O rei tenta dissuadi-la desta
escolha oferecendo uma série de outras possibilidades, mas ela se mantém
irredutível. Então o combinado se concretiza. São cenas pesadíssimas, de uma
densidade extrema. A música é muito forte, marcante, e as vozes são trabalhadas
de maneira a realçar os gritos, o sofrimento, as intenções sórdidas dos
personagens. Grandes crescentes e discussões acirradas, com extensas
argumentações, num clima meio apocalíptico e depravado.
Após esta passagem, inicia-se uma
série de cenas onde a insanidade de Salomé fica evidente, crescente, atingindo
níveis vergonhosos, como a passagem em que ela se enrosca com a cabeça decapitada
do profeta, desejando aquele mero objeto, beijando, se roçando, consumindo-se
no ato obsessivo de consumo de algo que não lhe pertenceu.
O libreto é de Hedwig Lachmann e a
montagem original estreou em Dresden na Alemanha, no ano de 1905.
A montagem que fui ver ficou em
cartaz no Theatro Municipal de São Paulo de 06 a 20 de Setembro de 2014.
Pelo que me lembro, o palco possuía
o chão inclinado, havia colunas em ruínas, indicando que ali aconteceu alguma
guerra e que o império estava em decadência. Neste cenário único, havia duas
passagens: uma que levava para fora do palco e uma entrada subterrânea onde
ficava enclausurado o profeta.
O cantor que interpretou Lokanaan possuía
um peso cênico e um timbre de voz forte marcante, conseguindo realmente dar a força
necessária para um personagem tão denso quanto o de um profeta que é considerado
o precursor de Jesus Cristo, o responsável pelo seu batismo e conversão, além
de ser peça fundamental de algumas renovações ocorridas no Judaísmo e que
posteriormente influenciaram os rituais cristãos que se espalharam por todo
mundo.
Ficha:
Temporada: Terça, quinta e sábado
20h | domingo 18h
06 a 20 de Setembro de 2014
SALOMÉ - RICHARD STRAUSS
Orquestra Sinfônica Municipal de
São Paulo
John Neschling – Regência
Livia Sabag – Direção Cênica
Nicolás Boni – Cenografia
Veridiana Piovezan – Figurinos
Wagner Pinto – Desenho de Luz
André Mesquita – Coreografia
Salomé
Nadja Michael (dias 06, 09, 11 e 14/09)
Annemarie Kremer (dias 16, 18 e
20/09)
Herodes
Peter Bronder (dias 06, 09, 11, 16
e 20/09)
Jürgen Sacher (dias 14 e 18/09)
Herodias
Iris Vermillion (dias 06, 09, 11,
16 e 20/09)
Alejandra Malvino (dias 14 e 18/09)
Jochanaan
Mark Steven Doss (dias 06, 09, 11,
16 e 20/09)
Michael Kupfer (dias 14 e 18/09)
Narraboth
Stanislas De Barbeyrac (dias 06,
09, 11, 16 e 18/09)
István Horváth (dias 14 e 20/09)
1º Judeu
Paulo Chamié–Queiroz
2º Judeu
Rubens Medina
3º Judeu
Eduardo Trindade
4º Judeu
Miguel Geraldi
5º Judeu
Sérgio Righini
1º Nazareno
Carlos Eduardo Marcos
2º Nazareno
Sérgio Weintraub
1º Soldado
Saulo Javan
2º Soldado
Paulo Menegon
Capadócio
Jessé Vieira
Pajem de Herodias
Lídia Schäffer
Escravo
Elisabeth Ratzersdorf
Philomena (Filme) - Resenhas 2014
O filme é baseado em fatos reais. A
freira Philomena, interpretada lindamente por Judi Dench, tem seu filho
colocado para adoção sem seu consentimento, um procedimento comum adotado pela
Igreja Católica na Europa dos anos 50. Após meio século, e muita vontade de
descobrir o paradeiro da criança, Philomena decide sair a procura do rebento,
conseguindo apoio de um jornalista, interpretado por Steve Coogan. O duo inusitado
passa por diversas situações interessantes e profundas, que faz nascer entre
eles uma simpática cumplicidade.
Apesar do tema triste e denso, a
maneira como foi conduzida a trama, juntamente com a interpretação sutil e até inocente
de Judi Dench, dão ao filme um ar aprazível, em alguns momentos menos duro, em outros mais profundos sem, no entanto, cair num tom apelativo que poderia surgir de uma super exploração do tema central.
Na verdade, existiriam muitos caminhos possíveis de adensamento do tema sem que necessariamente a obra soasse exageradamente dramática. O caminho adotado é mais uma escolha de condução e criação do roteirista e do diretor.
Senti-me convencido pelo caminho adotado.
E, achei até muito divertido! Philomena
possuía, a despeito dos acontecimentos vividos, uma maneira diferente e leve de ver as coisas. É bastante lúcida e
despachada, enfrentando as passagens com maturidade e resignação.
Muito gostoso
de assistir!
Ficha técnica (bem bolada):
Título: Philomena (Original)
Ano produção: 2013 Dirigido por: Stephen Frears
Estreia: 14 de Fevereiro de 2014 (Brasil)
Duração: 98 minutos
Gênero: Drama
Países de Origem: EUA, França, Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda do Norte.
Roteiro: Jeff Pope, Martin Sixsmith, Steve Coogan
Elenco: Amber Batty, Amy
McAllister, Anna Maxwell Martin, Barbara Jefford, Cathy Belton, Charissa
Shearer, Charles Edwards, Charlie Murphy, D.J. McGrath, Elliot Levey, Florence
Keith-Roach, Frankie McCafferty, Gary Lilburn, George Fisher, George Michael Rados,
Harrison D'Ampney, Jordan King, Judi Dench, Kate Fleetwood, Mare Winningham,
Marie Jones, Martin Glyn Murray, Michelle Fairley, Nicholas Jones, Nika
McGuigan, Paris Arrowsmith, Peter Hermann, Rachel Wilcock, Rita Hamill, Ruth
McCabe, Saoirse Bowen, Sara Stewart, Sean Mahon, Simone Lahbib, Sophie Kennedy
Clark, Steve Coogan, Tadhg Bowen, Vaughn Johseph, Wunmi Mosaku
sexta-feira, 23 de janeiro de 2015
Dolor
Como me machucam,
O Corpo
A Mente
A Alma
E o Espírito,
Minhas criações
Que se me minguam
Dentro
E fora
De mim!
quarta-feira, 14 de janeiro de 2015
Praia do Futuro (Filme) - Resenhas 2014
Fui esperando uma coisa e acabei
encontrando outra que não me agradou tanto!
Pensei num filme mais vivo do que o
que presenciei. Achei que encontraria atores brasileiros mais atuantes,
realizando um trabalho de alcance internacional, mas a estética fria, a trama
meio parada me decepcionaram.
Achei que seria um filme com
elementos mais diversos, mais vida, mais expressividade, com qualidades maiores,
algo mais elaborado, fazendo jus ao trabalho multicultural.
Não senti nem o espírito brasileiro,
nem o espírito alemão, que também conheço! E além do mais, o entrosamento entre os dois protagonistas estava longe de transmitir alguma verdade!
Senti falta de peso, falta de
acontecimentos, falta de profundidade, falta de fala, falta de atuação, falta
de qualidade, falta de montagem, falta de ritmo, falta de um porquê para fazer este filme.
Não gostei do que vi!
FICHA TÉCNICA (Bem Bolada!)
Gênero: Drama
Direção: Karim Ainouz
Roteiro: Felipe Bragança, Karim
Ainouz
Elenco: Christoph Zrenner, Clemens
Schick, Demick Lopes, Emily Cox, Fred Lima, Ingo Naujoks, Jean Philippe Kodjo
Adabra, Jesuíta Barbosa, Maj. Barreto, Marcus Davis Andrade Braga, Natascha
Paulick, Sabine Timoteo, Savio Ygor Ramos, Sophie Charlotte, Thomas Aquino,
Wagner Moura, Yannik Burwiek
Produção: Geórgia Costa Araújo,
Hank Levine
Fotografia: Ali Olay Gözkaya
Montador: Isabela Monteiro de Castro
Título Original: Praia do Futuro
Duração: 1h 30min
Ano de lançamento: 2014
Classificação etária: 14 Anos
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