domingo, 29 de novembro de 2015

ÁRVORE DE NATAL DA CONSOLAÇÃO

 
EM SÃO PAULO
UM MUNDO
PARA TODOS?
 
 

CaleidosCopo

sexta-feira, 6 de novembro de 2015

32 e algumas

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O que se espera em cada passagem da vida?
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A razão construída pelo pensamento?
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Não, acho que isso é a pequenez de quem idolatra o tempo!
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A emoção intraduzível, ainda que sutilmente controlável?
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Sim, isso me parece agora ser o ponto!
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Acho que sim!
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Ao menos me parece ser assim agora!
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Amanhã pensarei da mesma forma?!
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Isso ele mesmo me dirá!
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Talvez a emoção indizível de agora
me possa
após tantos anos
datar o findar
de minha enormidade

hiper-pensativa
que tanto me perturbou
em silêncio
sem que eu soubesse
o que ela queria de mim.
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Fronteira

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O rebento de um ventre
A fronteira de um número
Ou mais um único lívido segundo
Na realização de uma respiração
Que nunca mais voltará
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Eu não tenho
Mais
Agora
Medo de minha idade
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32 anos e 3 minutos
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Se é mais um dígito
E algo menos que digito
Neste meu descaso literário 
Pouco agora me importa
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Desejo a mim próprio
Um brando respiro
Futuro de cada amanhã
E isso é a verdadeira poesia
Do ano que vira
Sempre em cada manhã
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Se desfaleço
Ou se permaneço
Mais a mim
É que atual pertenço
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Assim penso agora
E assim é melhor
Pois a idade da vida reconstrói
Mais do que as palavras escritas
Aquilo que o esquecimento
Desfez por sabedoria
No ato da recriação
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No momento
Da reencarnação
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E ela exige 
Mais vida
Do que teoria
Mais prática
Do que arte
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Sutil 32

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Talvez a sensação sentida no dia do nascimento não seja simplesmente a euforia de uma data marcada pelo calendário e celebrada pelos tantos inumeráveis, muitos inomináveis e alguns irreconhecíveis amigos das redes sociais.
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Talvez a sensação sentida no dia do nascimento seja a energia emanada para nós, pela alegria de nossos guardiões superiores, ao lembrarem de nossas almas encarnando para uma nova vida que eles tanto acreditaram, ainda que, nós mesmos, por vezes, esqueçamos de tamanha esperança depositada em nossos seres.

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Um ato de relembrança anual!
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sábado, 31 de outubro de 2015

O Beco dos Gatos (24/10/2015)

Às vezes se passa
uma vida inteira na Arte
esperando gerar
um momento como este.
 
Mas aí está!
 
 

sexta-feira, 23 de outubro de 2015

Miragem dos Sons

 
passarinhos
cantando
dentro
do
Media
Player!


Brasil, Coração do Mundo, Pátria do Evangelho (Livro)

Um dentre os mais de 400 livros psicografados por Chico Xavier.
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Tinha interesse em ler este título desde quando conversei com uma colega de faculdade, há quase 10 anos atrás. Conversamos a respeito das revelações nele contidas, colocações que diziam respeito a função espiritual do Brasil como o berço de uma nova civilização, a pátria de um novo povo que daria origem a um novo tempo no planeta Terra.
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O Brasil tem papel vital na formação de uma realidade mais tolerante, uma era onde será possível o convívio pacífico entre as religiões e o nascimento de um povo naturalmente mais espiritualizado, coisas que, em determinada medida, já estamos realizando.
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De autoria do espírito do escritor Humberto de Campos, “Brasil, Coração do Mundo, Pátria do Evangelho” faz, em linguagem bem elaborada e, até mesmo, grandiloquente, uma longa regressão temporal até os primórdios de formação de Portugal em 1139. O livro trata da escolha, por parte do plano espiritual, dessa nação, de coração simples, para ser o berço que daria início à fundação de uma nova civilização.
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O livro também trata do século XV quando, segundo o autor, o avatar Cristo resolveu fazer uma de suas visitas periódicas aos planos mais próximos do planeta Terra. Nessa época, abrandavam-se as cruzadas medievais, colocando fim a uma longa época de escuridão atravessada pela espécie humana. A partir desse ponto, como atesta a própria história, inicia-se um processo de amplificação da Ocidentalidade com a redescoberta das terras do continente americano, além dos subsequentes avanços das ciências e das tecnologias.
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Após esse ponto, a obra deixa registrada uma série de colocações a respeito da formação da raça brasileira: o Brasil como o CORAÇÃO DO MUNDO; as funções dos primeiros navegantes; a colaboração dos escravos como um povo de coração simples e de importância vital para a formação da Pátria do Evangelho; as invasões que puseram em cheque a unidade brasileira, como foi o caso da dominação Holandesa do Recife e o modo como elas foram vencidas; os movimentos de expansão territorial realizado pelos Bandeirantes, ampliando a atuação da Pátria do Evangelho; as ameaças internas que visavam separar partes do país; a importância do Marques de Pombal e dos Jesuítas na intensificação da unidade nacional; a Inconfidência Mineira e seu mártir Joaquim Jose da Silva Xavier que, segundo consta no livro, foi a reencarnação de um inquisidor que aceitou a missão de se tornar um símbolo da independência brasileira como forma de suplantar os desmandos cometidos por ele em outra encarnação; a importância da Revolução Francesa e a vinda da família real para o Brasil; a Independência de Portugal; o fracasso do reinado de Dom Pedro I; as melhorias de Dom Pedro II, uma alma de grande importância e dedicação para com a figura de Cristo; Bezerra de Menezes e o início do movimento espírita nas terras do Novo Mundo; a Abolição da Escravatura; a consequente queda da Monarquia e o jubilo espiritual pela Proclamação da República Brasileira; a fundação da Federação Espírita Brasileira e o fortalecimento do Espiritismo; e, por último, a PÁTRIA DO EVANGELHO. Neste ponto, encerra o livro integrando sutilmente a figura do próprio Chico Xavier, e de outros médiuns vivos na época, na formação de nossa nação.
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Achei a leitura interessante e bastante reveladora. Aspectos intrigantes da jornada de nossa nação recebem aclaramento por meio das palavras trazidas ao mundo pelo nosso maior médium e “Maior Brasileiro de Todos os Tempos”.
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Numa observação mais minuciosa, o livro deixa claro, numa prova de humildade dos espíritos, a falibilidade do Plano Espiritual. Ou seja, não apenas as missões que deram certo são retratadas, mas as erradas também ganham certas citações, sem, no entanto, ter grande destaque.
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Uma leitura fluida que nos chama a atenção constantemente pela linguagem bem colocada e não simplória, assim como pelas intrigantes passagens relatadas que nos ajudam a visualizar melhor a grandeza de nossa nação. E é interessante notar como nosso Brasil ainda continua sendo especial apesar dos grandes atrasos advindos da busca inescrupulosa pelo dinheiro e pelo poder.
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quinta-feira, 22 de outubro de 2015

O Homem dos 40 Escudos (Livro)

 
Neste livro, Voltaire, revoltado com as novas decisões tomadas pelos ministros parisienses de taxar ainda mais os produtores rurais em benefício da burguesia industrial urbana, resolve criar um personagem que representaria o francês de classe média, utilizando-o como metáfora da própria sociedade francesa da época.
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Este homem dos 40 escudos, a meu ver, seria uma peça humana a ser moldada, este foi o conceito criativo por detrás da obra. E esse homem deveria ser reconstruído de forma a ampliar sua visão de mundo, fornecendo a ele o conhecimento, a sabedoria, além de novas ideias que pudessem torná-lo alguém melhor, alguém com opiniões mais fortes, alguém que pudesse se defender das armadilhas da política econômica praticada na época.
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Pelo menos é assim que me lembro desse livro: uma espécie de manual de formação humana.
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A meu ver, foi um trabalho um tanto presunçoso de seu autor que, por meio de algumas situações hipotéticas, pretendeu recriar uma alma. Senti que Voltaire teve levemente essa pretensão, ainda que ela estivesse circunscrita no universo literário. A meu ver, o escritor julgou que, nesta obra, estaria sintetizada uma maneira capaz de formar seres humanos melhores!
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Como ponto inicial da narrativa, o autor, hipoteticamente, divide todo o dinheiro da nação francesa pela quantidade de habitantes daquele país e chega a uma suposta quantia de 40 escudos.
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A partir daí, o autor vai redesenhando as linhas do destino de seu personagem, colocando-o defronte a outros personagens hipotéticos da época, como é o caso do Geômetra. É mesmo uma espécie de manual de reformulação do homem mediano por meio da educação e das ideias iluministas defendidas na França de 1700.
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No entanto, Voltaire vai além disso.
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O tal “Homem dos 40 escudos” também serviu a seu autor como ponto de partida para se discutir a política de seu tempo, o excesso de impostos pagos pela população, o gritante acúmulo de riqueza, além de outros assuntos concernentes ao século XVIII europeu. Um passeio filosófico dotado de fina ironia, como é característico de François Marie Arouet.
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Além desses dois aspectos já pontuados, o livro possui também passagens mais diretas nas quais são atacadas autoridades da época, médicos e integrantes da Igreja Católica. Dessa maneira, o autor espalha sua crítica sobre os vários aspectos que influenciariam este espaço no qual seu personagem estaria inserido.
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Um texto ágil, simples, direto, inventivo e dotado de um engajamento literário de fácil entendimento. Prova disso foram as 10 edições da obra que saíram somente em seu ano de lançamento.
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Voltaire, como poucos, soube trabalhar com o espírito de seu tempo e de seu espaço!
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A Teoria de Tudo (Filme)

A narrativa de uma história real e extraordinária, feita de maneira sensível, posicionando a procura científica de Stephen Hawking em paralelo com sua figura humana. As trivialidades do cotidiano, os sonhos do jovem gênio, os sorrisos trocados em segredo, coisas comuns a tantos e tantos seres-humanos. Em grande parte, trata-se de um filme sobre o amor e sobre aquele velho ditado que diz que: atrás de um grande homem, sempre há uma grande mulher.
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É comovente a luta do casal na construção de uma história tão linda, de tantas superações, de tantos desafios, de tantos obstáculos aparecidos ao longo do tempo. Dificuldades que foram surgindo em tarefas que, por vezes, podem ser banais para tantos por aí e que muitos de nós nunca teremos que enfrentar.
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Dificuldade para subir e descer escada, dificuldade ao tentar comer e mastigar, dificuldade de articular as palavras de maneira correta. Em paralelo, aparece a dificuldade de ter, ao seu lado, um homem inábil ao trabalho físico, a dificuldade de criar filhos sem a presença da força masculina.
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É especialmente lindo observar a força nascente na companheira de um homem progressivamente debilitado, bem como é lindo pensar que este mesmo homem estava predestinado a revolucionar a visão de todas as coisas físicas do Universo; um homem responsável por um novo salto qualitativo na história das ciências vislumbradas por esta humanidade que, agora, aqui está.
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Fiquei extasiado e emocionado grande parte do filme.
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As partes em que ele tem as inspirações sobre as teorias que iriam ser elaboradas, a luta contra as crescentes limitações físicas que dificultavam ainda mais a já árdua tarefa de construção do conhecimento científico. O desespero do desbravador que poderia não conseguir realizar tudo aquilo sua cabeça estava intuindo, ou pior, o desespero de uma alma que poderia vir a se tornar incomunicável sem, no entanto, ter dito tudo o que ele sabia ser verdade.
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A angústia pessoal de poder se tornar um poço de conhecimento estagnado, um acúmulo de novidades fadadas ao túmulo. Descobertas caladas que poderiam se definhar no poço silencioso de uma mente aprisionada num corpo físico inválido e fadado a uma morte rápida, segundo previsões médicas retratadas na obra. 
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Imagino quantas vezes esses pensamentos podem ter passado na cabeça fértil do gênio e o quanto isso pode ter servido de estímulo para que ele criasse ainda mais, lutasse ainda mais, descobrisse ainda mais, ampliasse ainda mais as fronteiras do conhecimento já produzido na face da Terra.
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Seres como Stephen Hawking não aparecem todo dia, nem todo ano, nem toda década e, quiçá, apareça um ou outro a cada século, quando muito!
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E é interessante pensar que este cientista nasceu no mesmo dia em que se completava o aniversário de 300 anos de morte de Galileu Galilei e que, além disso, ele ocupa, em Cambridge, a cadeira que foi de Isaac Newton.
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Alguns chamariam isso de simples coincidência. Eu prefiro acreditar em alguma espécie de planejamento sutil que vai nos guiando ao longo desta enorme jornada.
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A vida de Stephen Hawking já é fenomenal, por si só!
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A moldura artística, a poética visual, as interpretações dos atores só ajudaram a realçar aquilo que já está repleto de magia e luminosidade!
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FICHA TÉCNICA
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Gênero: Drama
Direção: James Marsh
Roteiro: Anthony McCarten
Elenco: Adam Godley, Charlie Cox, Charlotte Hope, David Thewlis, Eddie Redmayne, Emily Watson, Enzo Cilenti, Felicity Jones, Harry Lloyd, John Neville, Maxine Peake, Richard Cunningham, Tom Prior
Produção: Anthony McCarten, Eric Fellner, Tim Bevan
Fotografia: Benoît Delhomme
Montador: Jinx Godfrey
Trilha Sonora: Jóhann Jóhannsson
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segunda-feira, 19 de outubro de 2015

sábado, 17 de outubro de 2015

Velocímetro

Muito do controle do Ser está no descontrole cuidado do Ser.
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A intensa vigilância pode se tornar uma máquina de somatizações e autocorreções que pode nos aprisionar.
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E não há prisão maior que aquela que nós mesmos nos colocamos.
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Saber se conter e saber se soltar são faces complementares e necessárias de uma mesma sabedoria!
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Novos tempos. Velhos corações afetados

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Quantos novos e diferentes heróis e vilões das novelas retratam nossa própria visão mais ampla de uma realidade atual cada vez mais complexa?
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Vilões que são mocinhos para aqueles que lhe são próximos. Mocinhos com faces de vilania quando observados mais de perto.
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Ou mesmo vilões traumatizados, vilões injustiçados, vilões humanizados pelos autores, vilões que trazem alguma justificativa para amenizar seus comportamentos, um motivo para não serem tão bons assim.
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Seria esse o reflexo de um processo de atualização e ampliação da moral humana?
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Um processo de transmutação da consciência em relação a natural falibilidade do homem encarnado? Um processo que levaria à construção de uma nova tolerância calcada no entendimento de que cada alma é um universo a ser antes interpretado do que julgado sem conhecimento de causa.
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Isso tudo seria a reinterpretação do bem e do mal, a proposição de um ser largamente mais complexo, com mais nuances a serem observadas e sentidas, com mais verdades internas dignas de serem ouvidas, dignas de ganharem voz e vez na consciência dos outros.
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A verdade que, ainda que não impoluta, ainda que não ilesa de erros e equívocos, possui sua lógica própria, sua razão individual que a vida cuidou de construir, ainda que por meio da destruição.
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Tudo isso estaria muito bem se fosse a verdade profunda por detrás deste fenômeno observado nas novelas, séries e minisséries atuais. Mas...
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Seria esse processo fruto de um neo altruísmo pós-moderno?
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Ou seria esse sentimento coletivo de revalorização apenas uma outra forma de egoísmo velado que estaria gritando de uma nova maneira, por todos os lados, em todos os cantos?
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O egoísmo que agora é defendido por todas as bocas, o mesmo egoísmo que valida os vandalismos arruaceiros camuflados de protestos democráticos que tomam as ruas das cidades. O egoísmo que quer reinterpretar e subverter os valores a seu bel prazer.
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Seria isso?
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Seria está mudança interpretativa apenas o egoísmo que está querendo se fazer ouvir mas que, no entanto, não tem a mínima vontade de escutar aquilo que o próximo tem a dizer? A soberba que quer errar ou acertar sem compromisso com seus atos.
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Ou mesmo o pedantismo que se acha no direito de estar errado!
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A egolatria que gera afeição pelo vilão!
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Seria isso que está por detrás desse fenômeno de remoldagem dos papéis icônicos de bem e mal?
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Seria tudo isso apenas a prepotência que não quer mudar de ideia e nem ser julgada e que, por isso, prefere deturpar a noção de certo e errado, afeiçoando-se pela vilania por outros motivos que não sejam a tolerância supracitada?
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A presunção afeiçoando-se pelo obscuro numa tentativa de enviesar a própria consciência, tentando deturpar a moral e assim se permitir também estar errada, como os vilões que se safam, os vilões que têm motivos para serem como são.
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Seria um processo de ampliação da capacidade interpretativa do ser-humano tolerante, ou apenas uma nova leitura coletiva que visa permitir a prepotência e a vaidade, permitir o erro em conjunto para que ninguém possa apontar a falha alheia?
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A subversão da ética, a perversão da moral!
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Um processo que traz uma nova permissão para o erro, justificativas para a inveja, amalgamas para a culpa, uma recente admiração da canalhice, a subvalorização dos acertos alheios ou a hipertrofia das próprias glórias de pouco valor.
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Esta reinterpretação tende a moldar o mundo a sua própria vontade, minimizando o autoesforço de melhoria, diminuindo a dor ao máximo, construindo milhares de ilhas solitárias de prazer, milhões de vácuos hedonistas que vegetam em movimento pelas baladas, pelas empresas, pelas casas, pelas redes sociais.
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Vácuos personais vagando pelo tão valorizado liberalismo, cambeteando pela tão esperada e deturpada Nova Era.
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Mas...
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Questionando um pouco mais profundamente, seria este um fenômeno realmente novo? Ou seria tudo isso fruto das novas mídias que conseguiram dar vazão a uma voz e a uma lógica que por séculos ficaram aprisionadas na periferia do Capitalismo, do Cristianismo e do Eurocentrismo?
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Seria o egoísmo e o narcisismo contemporâneos que estão redesenhando funções longamente estabelecidas ao longo da história ou é simplesmente o mundo que está começando a se conhecer mais amplamente?
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Acho que é um pouco de tudo isso e mais um pouco!
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quarta-feira, 14 de outubro de 2015

Provocações

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O frio é ótimo para a literatura burguesa que retrata os pobres, mas péssimo para os verdadeiros flagelados da esfera real.
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É apenas a pompa literária se beneficiando do apelo inescrutável das figuras que sofrem, a verborragia que se apoia nas almas que pouco desafiam a soberania dos egos vencedores.
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É certo que o frio já estimulou a introspecção criativa redigida, mas, muito mais ele deve ter dado vida às caóticas obsessões, aos pensamentos atordoantes que se silenciavam no limiar da boca daqueles tantos que, não tendo como reagir, varavam as noites tentando significar o caos inalienável que os abarcava.
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Me pego pensando, por vezes, nos tantos livros tão mais intensos que foram escritos apenas dentro das cabeças e corações que procuravam se resguardar por sob algumas cobertas esparsas.
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E sim, a maioria da literatura romanesca ou socialesca não passa de uma versificação distante de uma realidade que, na verdade, só pertence profundamente aos seres humanos que pouco têm espaço e vez, ainda que reunidos em grupos amórficos, receptáculo de milhões.
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Grupos milhões que, mesmo próximos, parecem estar tão distantes, impertencíveis a determinados círculos sociais nos quais eles se tornam, na verdade, muito mais fonte gerativa de insossa compaixão, do que foco atrativo de movimentação resolutiva.
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Assim, fazem-se somente figuras atrativas para os olhares analíticos e as estéticas verbais estéreis. Nada mais.
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O homem e uma de suas tantas formas de pecar!
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Compassiva Dolor

A dor que se dói pelo outro é sempre uma dor mais clara, mais ampla, menos solitária, pois ela traz em si um sentido de compaixão, e isso, por si só, já ajuda a abrandá-la.

terça-feira, 6 de outubro de 2015

Birdman ou A Inesperada Virtude da Ignorância (Filme) (Resenha 300)

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Conta a estória de um ator que fez sucesso como o super-herói Birdman, em tempos passados, e que vê este personagem o perseguindo em meio a seu fracasso profissional atual. Seria uma espécie de fantasma do sucesso personificado em um ente fictício que ele mesmo deu vida. Esta paranoia tem início quando o protagonista tenta montar um texto famoso da Broadway e o processo todo o leva a desenvolver certas psicoses. Vozes o atormentam, ele acredita ter poderes que pertenciam a Birdman e coisas do tipo.
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O filme é fabuloso! Talvez um ponto entre o experimentalismo radical e o que seria um filme Hollywoodiano ganhador de um Oscar na década de 90. Há nele algo de uma maturidade experimental que não quis chegar a exageros, que não quis chocar demais, que não quis extrapolar os limites, nem tampouco se conter dentro da zona de conforto habitada por muitas das grandes montagens da indústria cinematográfica americana.
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Aliás, talvez este filme visasse mesmo um Oscar nessa nossa década de 10 do terceiro milênio. Talvez, seus criadores tenham mesmo se direcionado pelo que parece ser a nova forma de avaliar e premiar os filmes, um novo caminho valorizado que vem sendo indicado pelas premiações que a academia de Los Angeles conferiu nos últimos anos.
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Grande parte da trama se passa dentro de um teatro, nas coxias, nos corredores apertados deste espaço artístico. Com isso, todo o filme parece ser feito sem cortes, havendo mesmo longas sequências em que não é possível notar algum ponto de interrupção nas filmagens. É incrível, pois isso se torna um chamariz a mais durante o contato com a obra. Eu, depois que percebi essa característica, fiquei tentando sacar quais momentos poderiam ter sido usados para fazer os cortes e, realmente, em algumas partes, passavam-se longos minutos antes de se perceber algum momento onde pudesse ser feita uma pausa. 
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Os atores estão muito bem e as atuações vão muito de encontro às interpretações mais contidas dos filmes europeus. Os personagens estão colocados a margem do sucesso, possuem uma espécie de resignação vinda da maturidade pós-moderna, um olhar desnudo perante a realidade da vida contemporânea. É a própria decadência usada como elo entre o espectador e o ator. Semblantes caídos, propostas pouco efusivas, energia morna, intensidade naquilo que não é dito.
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Achei fabulosas as sequencias de ensaio da peça que se passa dentro do próprio filme. É quando o ator torna um ator atuando numa dupla ficção, um universo paralelo dentro de um universo paralelo. Essas sequencias são muito bem feitas e me chamaram a atenção pela forma como o ator sai do personagem primeiro para, notadamente, entrar no personagem do personagem.
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A trilha sonora minimalista também ajuda a construir o clima experimental da película por meio de um eterno solo jazzístico de bateria. Num determinado ponto, o próprio baterista aparece de passagem em um canto dos corredores do teatro, reforçando o clima mágico, como se ele estivesse ali o tempo inteiro tocando próximo dos locais onde as cenas foram filmadas.
E a tal “Inesperada Virtude da Ignorância” se concretiza na própria cena final, quando, sem nos mostrar diretamente o ocorrido, imaginamos a superação e a magia virtuosa da ignorância pelo semblante da filha do personagem principal, quando esta olha pela janela e...
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FICHA TÉCNICA
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Gênero: Drama
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Direção: Alejandro González Iñárritu
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Roteiro: Alejandro González Iñárritu, Alexander Dinelaris, Armando Bo, Nicolás Giacobone
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Elenco: Akira Ito, Amy Ryan, Andrea Riseborough, Brent Bateman, Clark Middleton, Damian Young, David Fierro, Donna Lynne Champlin, Edward Norton, Emma Stone, Hudson Flynn., Jamahl Garrison-Lowe, Jeremy Shamos, Joel Marsh Garland, Katherine O'Sullivan, Keenan Shimizu, Kenny Chin, Lindsay Duncan, Merritt Wever, Michael Keaton, Michael Siberry, Naomi Watts, Natalie Gold, Paula Pell, Warren Kelly, William Youmans, Zach Galifianakis
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Produção: Alejandro González Iñárritu, Arnon Milchan, James W. Skotchdopole, John Lesher
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Fotografia: Emmanuel Lubezki
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terça-feira, 29 de setembro de 2015

Bisturi Bucal (Os Olhos da Boca)

Para a carne, a acuidade da boca é maior que a dos olhos.
 
É interessante notar a capacidade inata que a boca tem de separar a carne da cartilagem, por exemplo.
 
E isso, por vezes, é tão mais exato que os próprios olhos tentando identificar a cartilagem em meio a um frango desfiado no prato.

Geometria Divina

Era
impressionante
notar
quantas
formas
perfeitas
nasciam
do
simples
acaso.
 
 
 

O Verbo Amor

AMOR é um verbo da segunda conjugação ou, mais detalhadamente, AMOR é a forma infinitiva de um verbo da segunda conjugação.
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AMOR define, em si, um processo em construção.
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AMOR indica ação, estado e fenômeno da natureza numa só forma verbal invariável.
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Talvez AMOR seja o mais completo verbo dentre todos os verbos, pois contém, nele mesmo, a clássica trindade que define o que vem a ser esta classe de palavras.
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AMOR é movimento, pois AMOR não conjugado não deve ser assim chamado. Será apenas uma espécie de frustração elevada, um simples apego ou até mesmo paixão.
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Pois AMOR é verbo que se conjuga sentindo-se e se sentindo com o próximo, perpassando-perpassado pelo próximo.
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Palavra-verbo que pressupõe o movimento dentro de sua definição mais profunda. A definição real que vai além do dicionário!
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Enfim, assim como existe o verbo andar, correr, sentir e transpor. Desta maneira, e por que não, também existe o verbo AMOR.
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Eu amor
Tu amor
Ele amor
Nós amor
Vós amor
Eles amor
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quarta-feira, 23 de setembro de 2015

Rancho das Goiabeiras (Passa Quatro - MG)

Vitrola Mineira (09/08/2015)

 
Meu primeiro canto musical ficava perto dessa vitrola.
 
Foi nela que ouvi as primeiras músicas por vontade própria.
 
Foi perto dela que fingia tocar Piano no cercado de madeira quando tinha cinco ou seis anos.
 
E, depois de 25 anos, fiz o aparelho funcionar de novo, no Dia dos Pais desse ano.
 
Ouvir as músicas depois de duas décadas e meia e ainda poder apreciar, em vinil, outras tantas que agora fazem parte do meu repertório, foi muito bom!

Véu da Alvorada (6 a.m)

Asfalto SP

sabedoria das ruas (praça Monteiro Lobato)




sábado, 19 de setembro de 2015

Aos amigos de fé!

Mas,
Por que continuamos
Senão pelo indizível?
Senão pelo não racional?
Senão pela fé?
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Nunca continuamos,
Profundamente engajados na vida,
Senão pela fé em algo.
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A fé é um etéreo ponto sem local,
Mas ela não se encontra fora do ser.
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A fé flutua por sobre os poréns cotidianos,
Mas ela não é irracional.
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No entanto,
Também não se pode dizer
Que seja simplesmente emocional.
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Não!
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Ela não é nem uma coisa e nem outra.
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A fé é SENSÍVEL!
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A fé é algo entre a razão e a emoção,
Algo entre o mental e o corporal.
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Ela nos pega nas ideias,
Mas também na pele.
Ela nos lança ao ar,
Mas também nos firma no solo.
Por ela abrimos o sorriso,
Mas também a lágrima.
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A verdadeira fé madura e testada
Se adapta às muitas sensações vitais
Do cosmo que habita dentro de cada um.
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A fé é o vazio menos desvairado a clamar,
A fé é o nada, o zênite negativo que,
Em nós mesmos,
Faz transcender.
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A verdadeira fé não se quebra,
Não se desfaz,
Não se abala, porque,
Por mais difícil que seja,
Ela é o nome que se dá
À própria possibilidade mais inabalável.
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Ela é a proposta que suplanta o ordinário.
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A fé é o próprio caminho ao incomensurável.
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A fé é o início da consumação transcendente
Dentro do próprio ser
Que caminha na face da Terra densa.
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O ser que levanta em toda manhã,
O ser que refaz seus trajetos,
O ser que vai e vem,
O ser que sente e ressente.
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A fé também está no ser
Que ressente seus vazios,
Mas que, por meio dela,
Também pressente
A possibilidade concreta de ser,
Em si,
Algum dia,
Simplesmente infinito.
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E fim!
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 . 
P.S: talvez essa tenha sido a única coisa bonita que consegui escrever na minha vida depois de ter tomado umas. Tudo bem que eu ajeitei depois, mas, a grande maioria das frases e ideias foram escritas numa madrugada, depois de umas cervejas. Ao contrário de outras tentativas que simplesmente são descartadas, essa me animou bastante a terminar. Não acho uma baita poesia, mas também não achei algo descartável.
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Milton Nascimento (Show)


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Um show do Milton que, para mim, foi diferente. O show, em si, foi apenas o pano de fundo para momentos gostosos!
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Não me lembro exatamente a data que aconteceu, mas foi no parque de exposições de Pedralva, num festival chamado de “Espetacular” em homenagem a uma galera daquela cidade que, sempre quando estavam nos shows dele, gritavam esta palavra e isso foi se tornando uma marca.
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Assim, Milton, um dia, ouvindo novamente o grito, cobrou o grupo perguntando quando eles iriam levá-lo para sua cidade.
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Todo esse processo deu neste show que, após ter sido adiado por motivos de saúde, acabou acontecendo, mesmo com o Milton um tanto debilitado.
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Num dia em que a previsão avisou que teria chuva, o céu se abriu e o entardecer foi muito bonito, como algumas fotos desse blog atestam.
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E que clima delicioso!
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Levamos meu primo Bruno junto e o show foi apenas um ponto de encontro para fazer festa, beber, conversar, cantar e rever pessoas que há tempos eu não encontrava.
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Mais uma vez Milton Nascimento realizando sua missão agregadora de pessoas.
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O magnetismo transcendente de um artista que, sem esforço, e sem muito alarde, arrasta um público fiel por onde quer que vá!
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Um dia delicioso, uma noite ótima e uma madrugada de muita cantoria, já de volta, nas ruas de Itanhandu.
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Cássia (Documentário)

Cássia Rejane Eller foi e ainda é uma das figuras de maior carisma do rock nacional.
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Uma mulher extremamente bonita, sensual e dotada de um brilho único. Ela é daqueles artistas que nasceram com a estrela e que estavam predestinados ao sucesso, a serem reconhecidos e aclamados pelo público.
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E assim aconteceu, cumprindo o objetivo para o qual ela estava predestinada.
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Se Rita Lee é a rainha do rock nacional, Cássia é a segunda mulher da corte.
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Tímida, até mesmo um pouco arredia, mas também dotada de doçuras, Cássia foi uma rajada musical que iniciou pequena, foi crescendo, crescendo, estourou em todo país, continuou num crescente de sucesso e intensidade subversiva, até que, no seu auge, quando todo o país estava cantando com ela, desde sambas até rock`s pesados, ela parte, provavelmente por uma estafa física tremenda que implodiu sua força e capacidade de superação e reinvenção.
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O documentário é organizado de forma cronológica.
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Inicia-se contando sobre os primeiros anos de vida, sua relação com os pais que, não por acaso, formam a combinação clássica da vida de muitas lésbicas: uma mãe adorável e um pai escroto; as primeiras descobertas musicais, a personalidade forte e a postura retraída.
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Assim vai sendo dito sobre sua trajetória itinerante, os anos em que morou em muitas cidades pelo país, sua ida para Brasília e o encontro com o meio musical daquela cidade onde estavam Zélia Duncan e, principalmente, Osvaldo Montenegro que já realizava bonitas montagens de teatro musical nos palcos da capital federal.
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Assim Cássia foi se descobrindo, meio como atriz, meio como cantora.
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A estética do documentário é muito bem desenhada e lindamente casada com a parte musical, composta, obviamente, pelas músicas que a própria artista gravou.
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Seus anos iniciais de rebeldia, a ansiedade das gravações, a mudança súbita na formação de sua banda, a quebra total na sua vida com a chegada de seu filho Francisco, a intensa agenda de shows, a verdade por detrás do famoso show do Rock in Rio; a preparação, os bastidores e o estouro do acústico MTV, sua morte, a briga na justiça pela guarda do filho e a decisão inédita da justiça de manter o garoto com sua parceira, um fato que veio mesmo para coroar a trajetória de beleza subversiva que ela tanto personificou.
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Fiquei emocionado!
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FICHA TÉCNICA:
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Gênero: Documentário
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Direção: Paulo Henrique Fontenelle
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Roteiro: Paulo Henrique Fontenelle
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Produção: Iafa Britz
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Fotografia: Vinícius Brum
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Montador: Paulo Henrique Fontenelle
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Trilha Sonora: Cássia Eller
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Duração: 120 min.
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Ano: 2014
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Dois dias, uma noite (Filme)

Uma extraordinária atuação da francesa Marion Cotillard, colocando um personagem de maneira crua, limpa, direta, numa interpretação honesta, clara e, por isso, muito comovente!
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O filme conta a estória de uma mulher que é demitida após uma votação em que seus colegas de trabalho devem decidir entre ela e um bônus individual para cada um dos funcionários da empresa. Assim, como seria de se esperar, ela acaba sendo colocada para fora.
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Há, então, a possibilidade de uma nova votação após o final de semana. Dessa maneira, lutando contra sua recém superada depressão, ela parte numa jornada de dois dias e uma noite a fim de convencer seus colegas a mudarem de ideia, voltarem atrás e abrirem mão do benefício para que ela possa voltar ao serviço.
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Uma série de aspectos humanos são retratados ao longo das tentativas e isso vai formando um painel muito contundente de como realmente situações assim se desenrolam na vida real.
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Esta sagacidade dos roteiristas e diretores Jean-Pierre Dardenne e Luc Dardenne de colocar no papel, e posteriormente na tela, as diferentes reações humanas, ou melhor, as múltiplas formas que o acaso é capaz de tomar quando se pede a pessoas que abram mão de algum benefício próprio para, numa atitude altruísta, ajudarem alguém que está com depressão, é extremamente interessante.
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Uma mulher fragilizada que parte numa peregrinação com resultados que independem dela mesma, indo ao encontro daqueles que já se decidiram contra ela. Ou seja, é como se ela tivesse que modificar a mentalidade daqueles seus colegas que, em certa medida, a traíram pois, sabiam de seu problema, mas, mesmo assim, jogaram contra, para estarem a favor dos próprios interesses.
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Um grande filme e, a protagonista, merecidamente, ganhou prêmios na Europa, além de ter sido indicada ao Oscar de melhor atriz, o que, em se tratando de um filme belga, é um feito ainda maior do que o de uma atriz que, tendo atuado numa película americana, fosse indicada ao mesmo prêmio.
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FICHA TÉCNICA:
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Gênero: Drama
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Direção: Jean-Pierre Dardenne, Luc Dardenne
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Roteiro: Jean-Pierre Dardenne, Luc Dardenne
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Elenco: Alain Eloy, Anette Niro, Batiste Sornin, Catherine Salée, Christelle Delbrouck, Fabienne Sciascia, Fabrizio Rongione, Hassaba Halibi, Hicham Slaoui, Lara Persain, Marion Cotillard, Myriem Akeddiou, Philippe Jeusette, Pili Groyne, Rania Mellouli, Safia Gollas, Simon Caudry, Soufiane Jilal, Timur Magomedgadzhiev, Yohan Zimmer
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Produção: Denis Freyd, Jean-Pierre Dardenne, Luc Dardenne
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Fotografia: Alain Marcoen
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Montador: Marie-Hélène Dozo
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Ópera do Malandro (Teatro)

 
Espetáculo que ficou em cartaz, por um longo período aqui em São Paulo, perto do metrô Marechal Deodoro.
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A obra, de autoria de Chico Buarque, foi encenada pela Cia da Revista, com direção de Kleber Montanheiro.
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Alguns integrantes do elenco:
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 - Gerson Steves como Duran, o cafetão que gerencia uma equipe de prostitutas que trabalham na Lapa carioca do início do século passado.
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 - Heloísa Maria que faz sua esposa, e ex-prostituta, Vitória.
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 - Erica Montanheiro como Terezinha, a filha do casal que vive uma vida completamente diferente da realidade que a cerca, mas que vai se apaixonar, por ironia do destino, justamente por um homem fora da lei.
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 - Bruna Longo como Fichinha, uma mulher interiorana e sem estudo que vem para a cidade tentar a vida e acaba se tornando prostituta, enganada pelo falso glamour da profissão.
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 - Kleber Montanheiro como a que talvez seja a travesti mais famosa do teatro brasileiro, Geni.
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 - Adriano Merlini e Mateus Monteiro respectivamente como Chaves e Phillip Morris, capangas que integram o bando do Max.
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 - O protagonista, o próprio malandro, Max Overseas foi interpretado pelos atores Bruno Perillo (sextas e sábados) e Flavio Tolezani (domingos e segundas) que se revezavam na interpretação.
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Mais detalhes sobre a obra são desnecessários já que se trata de um dos musicais brasileiros de maior sucesso da história.
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16 canções foram encenadas de maneira muito bem ensaiada e muito bem coreografada por esta que talvez seja a maior equipe de teatro da cidade de São Paulo a fazer espetáculos musicais com baixo orçamento.
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O cuidado com os detalhes e a ocupação dos múltiplos espaços do teatro vão fazendo o espectador se sentir imergido no universo ficcional criado por Chico Buarque. A movimentação dos atores, a utilização de espaços no alto do teatro, atrás da plateia, as soluções cênicas com objetos que se modificam de função ampliam as possibilidades espaciais.
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Gostei muito da construção que cada ator fez de seu personagem, bem como da forma como alguns de fora da companhia foram escolhidos para ocupar papéis específicos. Certos atores me fizeram esquecer da pessoa por detrás da encenação e estacionar totalmente no real universo fictício que ali se mostrava. Isso é fantástico!
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Particularmente eu acho o espetáculo meio longo, não pela montagem, mas pela quantidade de texto e excesso de idas e vindas da trama que poderia ter sido encurtada. Depois, lendo a respeito, fiquei sabendo que o Chico foi escrevendo a obra enquanto ela ia sendo ensaiada. Talvez isso tenha feito o conjunto da obra ficar originalmente tão extenso.
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Enfim, trata-se de um grande espetáculo, de uma montagem muito profissional. A parte musical ficou muito bem ensaiada, com uma regulagem de volume bem organizada.
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Os atores se colocaram por inteiro no palco, com densidade e seriedade, mostrando que, mesmo espaços pequenos e independentes podem se tornar centros de excelência.
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Gostei demais! Mas, como já falei para alguns integrantes da companhia, o espetáculo é maior que o espaço em que ele foi encenado, o que deixa uma sensação de transbordamento. E esta crítica, no fundo, é um grande elogio!
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quinta-feira, 27 de agosto de 2015

Infinito Finito

 
A sabedoria tem fim.
A ignorância não.

Relatividade (quase) Geral

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Em Março desse ano tive que limpar as frases do Celular para reinstalar alguns programas. E, para não perder as ideias que nele estavam, passei todas as anotações para um Word que, desde então, me encara diariamente do Desktop do meu computador.
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O texto a seguir se originou da última frase registrada antes da reinstalação.
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Eu não me lembro mais da frase original, mas falava sobre a ignorância que habita em todos nós encarnados.
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Trata-se de um assunto complexo com desdobramentos delicados e até mesmo perigosos. Mas mesmo assim eu tentei desdobrar.
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Partindo do princípio que todos nós ignoramos elementos da criação divina, e detemos somente partes que, de alguma forma, nos competem, teriam tido, Jesus e seu oposto, ignorâncias complementares em suas almas?!
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No momento das tentações, Jesus ignoraria, por exemplo, o futuro de suas pregações. Já seu oposto ignoraria o enorme peso consequente de suas posturas.
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Este era o ponto de investigação.
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Partindo da certeza da ignorância, eu procurei aplicar esta ignorância num dos momentos mais importantes da história, para daí tentar extrair uma possível leitura diferente.
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Nada do que está escrito é colocado como verdade. São apenas possibilidades levantadas que surgiram nos momentos em que me pus a pensar sobre isso. 
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Segue o texto:
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Todo médium tem um ponto necessário e suficiente de profundidade para realizar sua missão, um limite que não pode ser ultrapassado. Toda sabedoria de seres encarnados é limitada.
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Os detentores do infinito conhecimento não mais encarnam e nem tampouco vivenciam conflitos profundos.
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As histórias dos seres encarnados, por mais sublimes que tenham sido, foram sempre escritas sobre papéis invisíveis.
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Tenho certeza que nunca esgotamos a profundidade de uma alma neste plano carnal que vivemos. Sempre há alguma estrutura mais profunda sobre a qual nos apoiamos e não a controlamos totalmente. Algum campo desconhecido sempre existirá, alguma lógica estruturante que nos escapa sempre restará em nossas energias.
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Desconhecemos tantas coisas que nos moldam, tantas forças que por nós perpassam, tantas camadas subconscientes que em nós habita sem que saibamos disso.
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Toda alma encarnada é limitada e não detém o controle absoluto de tudo que a caracteriza. Nosso poder é limitado e, em compensação, nossa culpa também.
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(Mas, toda glória de bondade é capaz de subir muito além nas esferas encantadoras!)
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Um ser encarnado, ainda que se aprofunde no conhecimento e na sabedoria, sempre terá visão parcial. Acredito que não seria possível a um corpo conter em si tamanha concentração energética que o possibilitasse deter a consciência de todas as coisas. A matéria não suportaria tamanho esplendor radiante. Toda alma que habita um corpo físico é limitada por princípio.
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Mesmo as palavras mais sábias dos mais sábios líderes religiosos são apenas belíssimas partículas resumidas de um fundamento mais amplo, mais extenso, menos traduzível em palavras, um fundamento ulterior a todas as possibilidades imagináveis de formulação.
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Mas, não é necessário que saibamos de tudo para escrever nossas histórias. Não é necessário que detenhamos conscientemente toda sabedoria, todo poder de transformação que a energia é capaz de proporcionar. Basta que saibamos o suficiente para desenhar nossas tintas sobre os tais papéis invisíveis.
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Basta que detenhamos o ponto necessário e suficiente de profundidade para realizar nossas missões, como foi defendido no início deste texto enfadonho que escolho levar adiante.
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Estendendo um pouco mais este raciocínio sobre a relatividade do conhecimento dos seres encarnados, acredito que mesmo o duelo entre Jesus e seu oposto, que possivelmente tenha sido o mais significativo embate da humanidade nos últimos dois milênios, só pôde ser interessante, verdadeiro e construtivo de uma significação profunda, pois ambos estavam em níveis compatíveis de conhecimento e ignorância, ou seja, em graus migratórios de evolução.
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Repito que os detentores do infinito conhecimento não mais vivenciam conflitos profundos como este citado. Todo conflito se esgota após determinada luz. Não haveria mais o Libertador e o tentador já que não existiria a profunda oposição.
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Jesus e seu oposto estavam imersos no conflito. Suas intenções de Construção e de destruição foram intensamente vibradas em seus conhecimentos e ignorâncias. As tentações de Cristo tocaram fundo em sua alma! Não havia a certeza de que tudo se desenrolaria em direção a vitória.
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Jesus ignorava o futuro. E seu oposto ignorava a força daquilo que estava se fazendo naquele presente.
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Não digo que Jesus e seu oposto estivessem no mesmo degrau de ascensão, mas suponho que ambos estivessem em momentos paralelos para a execução e fundação de um princípio que, em verdade, vai além do Bem e do Mal cristãos: O Princípio Fundacional de uma Nova Era que, por aqueles tempos, se iniciava.
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Se ambos soubessem de tudo, e não somente o suficiente para o duelo, o embate não teria acontecido, pois ambos caminhariam na mesma direção: a direção em que todas as coisas invariavelmente vão. Acredito que o Bem e o Mal são, ainda que duradouros, apenas colocações passageiras a serem superadas após certas fases da evolução de uma alma.
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Repito que todo médium encarnado tem seu limite de profundidade para realizar sua missão.
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Cristo e o oposto, em seus conhecimentos relativos, foram responsáveis pela renovação e pelo fortalecimento da Justiça, a ampliação do livre-arbítrio, a subida a um novo degrau na maturação da humanidade, esgarçando possibilidades e estabelecendo um novo leque de forças opostas dentro do qual os humanos, principalmente do Ocidente, pudessem se estabelecer e encaminhar suas histórias, conforme suas capacidades e escolhas.
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Talvez estes dois citados tenham vivificado, em dupla, uma tensão de opostos que gerou uma maior individuação de Deus pela maior individuação da consciência! E esta tensão não poderia ter sido estabelecida por somente um dos lados.
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Um jogo vívido de opostos complementares!
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Afinal, do que mais são feitas as grandes histórias inebriantes do que de forças que se debatem de forma equilibrada. E, como bem sabemos, um vilão fraco não faria um grande herói!
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A energia, mais ampla que o Bem e o Mal, é capaz de se transformar a ponto de formar criaturas tão complementarmente opostas e emblemáticas. E tudo isso está inserido dentro da mesma criação.
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Talvez este ponto, sim, esteja mais próximo do que possa vir a ser o ABSOLUTO.
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Tudo isso pode não passar de apenas uma tentativa fracassada de reinterpretar o que já está mais que interpretado. Um conjunto de bobagens com falsos ares de verdade. Ou não!
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No entanto, lembro-me quando, ainda pequeno, me peguei pensando: não saberia, depois de tanto tempo, o ser tentador, que seu caminho estava errado?!
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Acho que sim, mas, assim como acontece com todos que existem, uma alma nunca pode se apartar facilmente daquilo que nela está construído.
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A energia não tem caráter líquido. Tem caráter plasmático!
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em alguma parte alguma (Livro)

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Livro de Ferreira Gullar, tido por alguns como o maior poeta brasileiro vivo, “em alguma parte alguma” foi lançado em 2010 e venceu como "O Livro do Ano" a edição de 2011 do Prêmio Jabuti.
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Ele é composto de 58 poemas divididos em quatro partes de tamanhos desiguais.
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Os versos são, em sua maioria, brancos e o tamanho é bastante variável, indo desde pequenos escritos de poucas linhas até grandes poemas que se estendem por várias páginas.
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O autor fala sobre elementos da natureza, plantas e animais, coisas cotidianas, a morte, redige homenagens a conhecidos seus, trabalha com imagens subjetivas, outras mais concretas.
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Gostei da leveza e fluidez da poesia! Assuntos bem inspirados, palavreado amigável!
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Ferreira Gullar, ao menos nessa obra, parece escrever para ser falado, ser contato para alguém próximo, dito sem pretensão mas, ainda assim, dotado de extrema inspiração e poética brilhante.
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Um livro faceiro de se ler!
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Simpática companhia literária de extrema grandeza!
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Regressão

Não saberia dizer se vejo
Ou se sinestésico intuo
Passados que relembro
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Às vezes estanco relapso
Noutro tempo me dilato
E em seu ventre dormito
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Instantâneo sou extenso
Vasta margem mais navego
Recordando meu retorno
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E do tanto que flutuo
A certeza muito trago
Que já fui o que me sofro
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quarta-feira, 26 de agosto de 2015

Os Protocolos dos Sábios de Sião (Livro)

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Um livro enfadonho, estranho, pesado, escuro, mal-intencionado, com frases que soam prepotentes e discursos que pretendiam deixar obscurecidas as verdadeiras intenções de seus redatores.
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Este é mais um daqueles livros misteriosos que servem realmente apenas para alimentar a criatividade de alguns, instigar a curiosidade de outros e dar diversão para alguns sádicos que preferem alimentar o rumor de que algo muito ruim está acontecendo, o tempo todo, debaixo de nossos narizes.
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Os Protocolos dos Sábios de Sião é uma farsa que visava criar a crença de que Judeus e Maçons teriam interesses sórdidos de dominação do mundo e que, para conseguir isso, eles planejavam destruir instituições governamentais e corromper a ordem do mundo ocidental subjugando a população às vontades dos dois grupos supracitados.
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Mas, o verdadeiro plano que motivou a redação desse extenso documento de frases de efeito era justamente criar a ilusão de que Maçons e Judeus eram inimigos a serem combatidos e, pelo estabelecimento da força maléfica a ser vencida, fortalecer o lado que se colocava como libertador.
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Segundo o que li na Internet, historiadores defendem que o Czar Nicolau II da Rússia foi um dos responsáveis por mandar redigir essa obra, já que seria benéfico para o governante que alguns de seus inimigos fossem temidos e odiados. Dessa maneira, o Czar almejava fortalecer sua imagem como o libertador de uma possível organização secreta que iria dominar todo o mundo.
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Supostamente, o texto foi redigido durante uma reunião de senhores Judeus e Maçons que teria acontecido na Basiléia em 1898. Dessa reunião teriam saído as ideias que seriam postas em prática através de tortuosos caminhos, criando na população o medo e este medo levaria o próprio o povo a querer o estabelecimento desse governo supranacional. Ou seja, os próprios cidadãos comuns sentiriam a necessidade de que uma organização maior e mais controladora tomasse o poder, a fim de dar cabo aos processos caóticos que estariam acontecendo nesse fictício cenário supostamente desejado pelo fictício grupo denominado: Sábios de Sião.
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Após alguns anos, investigações mostraram que os protocolos não passavam de uma farsa, um plágio de outros textos anteriores, como por exemplo: "O diálogo no Inferno entre Maquiavel e Montesquieu" de Maurice Joly. De qualquer maneira, é enorme a capacidade do autor de concatenar suposições através da lógica, engendrando um cenário que, mesmo feito de suposições, se torna algo, no mínimo, intrigante.
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Realmente o texto tem um conteúdo bastante maquiavélico. A secura nas análises dos movimentos políticos é bastante interessante, pois escancara uma sordidez possível nas altas esferas da política de qualquer nação do mundo. Apesar de possuir um conteúdo de fundo irreal, acredito que a realidade possa mesmo não passar mais distante dele do que de alguns textos filosóficos.
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Pensado dessa maneira, este livro talvez não seja de todo descartável. Ele serve menos para suas primordiais intenções do que como um alerta sobre a quais pontos os seres humanos são capazes de chegar. É verdade que se trata de um alerta dotado de um pessimismo extremo, mas, a má intenção verdadeira dos que o escreveram, somada a falsa intenção sustentada pelo texto, esboçam um painel atemporal de como pode funcionar a mente política do homem.
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terça-feira, 11 de agosto de 2015

Precisão ou Prisão

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Estou cansado de simplesmente pegar ideias antigas para terminar e colocar aqui no blog. Também estou cansado de apenas escrever resenhas sobre o que vi, ou ainda de colocar fotos que tirei dos lugares que fui.
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Há muito tempo que não escrevo como já escrevi há alguns anos atrás. E sei que isso acontece por uma displicência de minha parte. Ou eu não escrevo por preguiça, ou eu escrevo, mas não termino e deixo para um outro dia. Ou eu simplesmente não acho importante aquilo que me passou pela cabeça e resolvo não investir.
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Os motivos são muitos, mas ainda me lembro que, o melhor caminho para começar a escrever é iniciar o processo. Para escrever é necessário não ter medo, se permitir errar e começar sem a ansiedade de terminar rápido, ou a ilusão de que tudo ficará pronto sem a menor dificuldade.
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Diante desse cenário todo, agora, simplesmente pensei num tema e o desenvolvi até chegar num ponto que me agradasse minimamente para poder publicar. Eu não iria me permitir guardá-lo para transformar em algo melhor, quem sabe, em algum dia, num futuro perto ou distante.
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Aliás, ando fazendo isso com tantas e tantas sementes de ideias que me ocorreram ao longo de uns anos para cá. Tantos são os embriões que dormitam esquecidos nas pastas dessa máquina que, a cada vez que abro as listas, não sei por onde começar.
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Mas, hoje quis fazer diferente. A missão era: escrever, do início ao fim, alguma opinião sobre um assunto que me ocorreu no sofá de casa.
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E assim eu tentei!
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Não ficou dos melhores textos, mas valeu o exercício.
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E, além do mais, um blog de 10 anos e mais de 1400 postagens não merece ser levado dessa maneira. Não vou me permitir fazer menos do que eu já fiz por tanto tempo.
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Mas confesso que a dificuldade foi grande, afinal, faz muito tempo que não inicio um texto do zero. Tenho a impressão que já faz mais de ano que sempre uso alguma ideia antiga como base para escrever.
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Eis o texto:
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A tendência à fabulação ou, em outras palavras, o ímpeto criativo é uma característica individual que leva a pessoa a criar construções mentais dotadas de significância própria que podem estar corretas ou erradas, adequadas ou desvairadas.
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Este hábito de criar, de viajar, de fantasiar se manifesta nas mais diferentes pessoas e pode servir de porta de entrada para um amplo campo de desatinos e/ou maravilhas.
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Seus produtos podem ser simples incógnitas banais que não passam de erráticas imagens da mente, até complexas construções que contém, em si, ideias capazes de iluminar a verdade do humano enquanto ser; arranjos maravilhosos que ajudam a mover as engrenagens da beleza artística de nossa raça.
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E elementos diversos podem fazer parte destas obras criativas.
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Estas espécies de “universos paralelos” podem estar banhadas, por exemplo, por personagens, ou conclusões a respeito dos mais diversos campos de conhecimento do ser-humano; interpretações sobre o mundo e o supra mundo que está além. Sensações vívidas dentro da alma que cria, desatinos, perversões ou outras belezas mais sublimes.
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Para o campo das artes, estas criações são bem-vindas, mas é necessário que consigam chegar a uma organização de elementos criativos que se balanceiem, se embelezem e que tenham a capacidade de transmitir a maravilha ou o horror que nasceu dentro do indivíduo solitário.
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Mas, nem sempre, toda tendência de fabulação abre caminho a favor daquele que a detém. Isso acontece porque, em geral, a pulsão criativa não é facilmente controlável. A pulsão criativa é uma semente que pode crescer por caminhos corretos ou não, fazendo gerar lindos frutos ou o contrário, fantasmas e obsessões que desgastam a mente e o corpo do ser criador.
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A pulsão criativa não se manifesta exclusivamente em momentos escolhidos por nós. Ela pode nos habitar, por exemplo, enquanto andamos pelas ruas, ou antes de dormir, nos retirando o sono, ou ainda, a pulsão criativa pode gerar elementos que não lutam a favor de nossas obras, como são os casos de pessoas que pensaram em destruir suas criações.
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A pulsão criativa pode, em muitos casos, extrapolar o espaço/tempo do momento de criar. Quantos casos relatados encontramos, na história, de seres que se desgastam embebidos em seu próprio universo que, aos olhos dos de fora, parecem apenas conter maravilhas, mas, para o ser que se encontra no centro de sua mente em revolução, a pressão criativa daquilo que surge, pode mesmo chegar a se tornar insuportável.
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A energia da criação é uma centelha extremamente vibrante, sutil e poderosa, capaz de esgarçar as escuridões dos seres de dentro para fora, elevando o homem simplesmente por aquilo que nasce de dentro dele mesmo. Ou, em outros casos, esta centelha pode mesmo inundar a mente criativa com tantas armadilhas inconclusas que o ser não conseguirá encontrar alívio no breu das neuroses e psicoses que se estabeleceram em seu centro consciente.
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