quinta-feira, 28 de maio de 2020

Em Romaria de 7 Mil Milhões

PARTE 1
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Ainda que a manhã demorasse a vingar
Naquele vasto horizonte de escuridão
Nós, suplicantes clarividentes
Pressentíamos gotas de esperança
Decaindo das altivas trevas
Como uma leve chuva noturna
Feita de lágrimas abstratas
Mas que ainda assim
Eram capazes de nos trazer algum alívio
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 - Estávamos em ato contínuo de transformação!
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Ainda que o mar dos dias
Balançasse seus restos de vida
Entre as insistentes marés 
Que teimavam em nunca se concluir
Nós, mínimos vertebrados animalescos 
Tentávamos alcançar a praia derradeira
Onde poderíamos afinal repousar
E deixaríamos nossos corpos
Secarem lentamente
Ao embalo da suave brisa 
Que nos faria enfim adormecer 
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 - Estávamos em nado instável de arribação!
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Mas ainda éramos um povo apartado
Fazíamo-nos feito feras arredias
Um grupo imenso de almas 
Que se excluíam dolorosamente
Vagando umas distantes das outras
Feito imãs iguais que se repelem
Justamente pela semelhança
Ou pela incapacidade
De se virarem em reajuste
Atraindo-se solidariamente
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 - Pois que nos viremos, então!
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Nas mais distantes terras e mares
Homens, mulheres e crianças
Vermes, pedras e bichos
Deixavam suas faces voltadas aos céus
Tremulantes de um raquitismo medíocre
Suplicantes de uma nova coisa qualquer
Famintos por um maná incólume 
Sedentos pela emanação das águas
Um despejo divino que saciaria nossas sedes
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 - Pois que nos encharquemos, então!
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Nas mais silenciosas casas
Podia-se presenciar 
A suplica de todos nós
Transbordando o ambiente privado
Enovelando a aldeia global
Costurando um futuro comum
Por meio de ritos e mantras mentais
Que sabíamos todos décor
Mas que não mais ousávamos profanar
Por medo da mudança inevitável
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 - Pois que nos mudemos, então!
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PARTE 2
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Em cada gesto 
Estava o pulsar de muitos
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Em cada átomo
Dormitavam os ancestrais das estrelas
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Em cada canto
Flutuava a voz de um povo
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Em cada lamentação
Todos os homens se manifestavam
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Em cada transpiração
Saltava a vida de um planeta
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Em cada suspiro
Dilatava-se o pulmão do mundo
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Em cada afago
Todos os sentidos se encaixavam
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Em cada palavra
Cabia o significado do ulterior silêncio
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Em cada emoção
Uma veia unida saltava em tantos
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Em cada horizonte
A esperança nos acenava amigável 
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Em cada cântico
Ressoava uma reação em cadeia
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Em cada sorriso
Estava a luminescência do futuro
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Em cada músculo
Pulsava a força de uma espécie
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Em cada olhar
Vislumbrava-se o semblante da humanidade inteira
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Em peregrinação perpétua 
Caminhávamos os homens
Passo a passo
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Gesto a gesto
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Braço a braço
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Vida a vida
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Ombro a ombro
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Lado a lado
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Jeito a jeito
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Fome a fome
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Dor a dor
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Mente a mente
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Olho a olho
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Dente a dente
Em nossas exaustivas jornadas 
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PARTE 3
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A massa mutante
Transpirava a esperança e a dor
O egoísmo e a carência
O materialismo e o vazio
Paradoxal semente do amanhã
Que em tenra terna terra 
Esperava ser depositava
No ato instante de nos permitirmos cair
Desvaindo-nos em solo sagrado
Arado pelos nossos próprios passos passados
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Mas a semente homem
Precisa de humildade
Para que se deixe derrubar no chão
Precisa de paciência 
Para que se faça fixar em germinação
Precisa de esperança
Para que se permita banhar pelo tempo
E precisa de Deus
Para que se molde e cresça com alento 
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E é assim que vejo o instável instante atual
Uma enorme dificuldade açabarcante
Que nos fará acreditar novamente
Que nos fará exercitar um sorriso mais forte
Que nos fará tentar um novo gesto
Que nos dará ao planeta um novo norte
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Um novo norte, uma nova direção
Feito uma pétrea resultante quase póstuma
Semeadura universal vindoura
A ser profundamente depositada 
Em todos os corações
A ser mundialmente festejada
Em Romaria de 7 Mil Milhões
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quarta-feira, 27 de maio de 2020

Cantos de Cantares



Ficha Técnica da Música:
Letra e Melodia: Wagner Passos
Arranjos: Edê Tecladista e Wagner Passos
Gravação, Edição, Mixagem e Masterização: Edê Tecladista
Pianos, Teclados e Baixo: Wagner Passos
Programação de Bateria: Edê Tecladista
Solo de Guitarra: Ruan Guedes
Cantores: Lisi Andrade e Wagner Passos

Ficha Técnica do Espetáculo
Texto: William Shakespeare
Direção: Juliano Barone
Direção Musical: Wagner Passos
Figurinos: Thais Boneville 
Treinamento Corporal: Bruna Longo
Atores: Adriana Coppi, Marcus Veríssimo, Júlia Sonati Nobre, Lisi Andrade, Gabriel Ferrara, Rodrigo Holanda, Vitória Maia, Lucas Quelle, Suzana Araujo, Leandro Tavares e Clara Boucher

terça-feira, 26 de maio de 2020

BOAS NOTÍCIAS!!!

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Ganhei uma MENÇÃO HONROSA num concurso de contos sobre a Quarentena promovido pela Editora Noveland. 
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Mais pra frente, posto ele aqui no blog!
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VERDADE!

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Não
se
tem
outra
escolha
neste
mundo
a
não
ser
entre
a
solidão
e
a
vulgaridade!
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Arthur
Schopenhauer
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Exato e Transcendente

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Os homens inventaram a Música para falarem com os Deuses,
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Inventaram a Dança para se deixarem possuir pelos Deuses
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E o Teatro para brincarem de serem Deuses, dominando os próprios destinos!
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Peter Brook
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P.s: Eu não achei essa frases em sites de falam sobre o Peter Brook mas, segundo a Zizi Possi, na abertura do DVD Per Amore, essa frase é dele. Como não achei mais nenhum nome que estivesse relacionado a ela, mantive a autoria mencionada pela cantora. De qualquer maneira, acho que Brook não se incomodaria em ser o autor de tamanha beleza!
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terça-feira, 19 de maio de 2020

A Metrópole e Eu

Ruas de ninguém
Lugares soltos 
Encharcados pelo vento imaterial
Uma não substância 
Uma matéria escura
Que abarrota o vazio
Instâncias de um nada amórfico
Que perpassam a vacuidade
Deixando soar 
Um silêncio ensurdecedor
Vazio e solidão 
Que fazem transbordar
Vozes irrequietas 
Dentro de um qualquer
Dentro de tantos ninguéns 
Dentro de todos nós
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Os caminhos 
Clamam por acontecimentos
As esquinas 
Requerem seus transeuntes
Os espaços 
Suplicam seus pertencentes
As avenidas
Desfilam o que não passa
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O mundo almeja 
Numa súplica de passado
Num resmungo de dor
A reedição 
De sua anormal rotina 
De seu erro menos errado
De sua condição medíocre
De seu trâmite humanoide 
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O planeta 
Pulsa um tortuoso novo tempo
Uma insípida outra atmosfera
Um receio único
Unido e apartado 
Munido de muitos
Mudo em comunhão
Egoísta em multidão
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Os quartos 
Tornam-se redomas
De permanência perpétua
As salas desdobram-se
Num itinerário gigantesco 
De vais e vens 
De idas e vindas
De visitas a si
De vistas repetidas
De interioridades repelidas
De feridas em cutucares
De fendas abissais
De tesouros estranhos e irrequietos
Que teimam em se fazer descobrir
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Os banheiros são tropicais
Estufas de microrganismos 
Uma nova espécie a cada instante
Novos seres em potencial
A floresta respira úmida
Nas bromélias e libélulas de concreto
E os rios caudalosos escorrem pelo ralo
Indo aonde não nos é permitido chegar
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Os corredores
São espaços de eternidade
A quintessência da miragem
Que vai sempre adiante
Quanto mais perto chegamos
Peregrinação e resiliência
Procrastinação e angústia
Mas custa-me crer 
Que seguimos passo a passo
Rumo a tardes menos piores
Se assim conseguirmos
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As mãos 
Transformam-se em companheiras
Ferramentas microscópicas
De inúmeros detalhamentos
Que descobrimos 
Por entre os fantasmas mais íntimos  
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Os cabelos 
Seguem libertando-se
Para além das cabeças
Esvaindo-se aos milhares
Céu acima
Chão abaixo
Amontoando-se nos cantos
Escondendo-se em mínimos recantos
Feito manadas medrosas
Que pastoreamos 
E libertamos ao nos limpar
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As unhas insistem 
Em desbravar o além-corpo
Pobres prisioneiras 
Nascidas dos rincões corpóreos
Podadas periodicamente
Ou desgastadas constantemente 
Feito garras que diminuem 
No contato com o ecossistema caseiro
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A barriga 
É campo de quimeras insalubres
Morada do plexo
Que na ansiedade pré mortem 
Faz saltar perplexos olhares  
E mantém-se elástica 
Cíclica
Gelatinosa
Anfíbia lacustre
Um espaço que infla e diminui
Num constante movimento
De vida e morte
De ar e vácuo
De tentar e desistir
De coragem e covardia
O respiro de mais um dia
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As pernas são estradas
Vias de líquidos
Que sobem e descem
A ladeira das veias
Pilastras de seres
Que se transfiguram
Em estátuas vitais
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As genitálias 
São pulsões animalescas
Que habitam 
Nossos genes mais primitivos
Dormem
Acordam
Vivificam-se
Relaxam-se
Expelem o que não nos cabe
Expulsam o que nos transborda
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Sinto 
Sinto sim
Sim sinto
Sinto muito
Sinto assim
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Sinto a dormência da cidade
Em mim, em mil enfim
Como um animal gigantesco
Em plena hibernação
Em máxima contrição
Tentando encontrar seus escapes
Retorcendo-se nas extremidades
Petrificando-se em outros pontos
Ruminando o inverno fora de época
A gélida morbidez dos ciclos ensolarados
Que desperdiçam luz por sobre o chão
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A claridade destes dias
Soa-me 
Em verdade
Como uma espécie de celeste ironia!
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Persisto sentindo a metrópole
Sublimando sua condição
Arrastando-se em tantos desvãos
E que agora é prisioneira 
Pseudo-voluntária
Desta sua clausura imposta
Um monstro feito de humanos
Que espera o desfazer de suas correntes
O quebrar de sua imensa jaula
Um ecossistema paralisado
Em interioridade amargurada
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Mas vejo
Um semblante mais lânguido
Que nos olha dos céus
De olhos azuis
Com relances anuviados 
Peregrinos algodões celestes
Que se despedem de seus inferiores
Eternamente indo
Partindo para um lugar 
Onde não tocamos
Um sonho além 
Num amanhã que guarda a cura
Que não podemos ainda alcançar 
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Nesta imensa coisa estática
As mínimas deformidades
Tudo aquilo que se movimenta
Chama-nos a atenção
Nos coloca em querência de ir
Nos põe em modo de fluxo
Aliviando um pouco
Este senso de invalidez
Que aqui se impõe
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Nunca em tanto tempo
As nuvens foram tão protagonistas
No mundo dos homens
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E como as nuvens que no céu peregrinam
Caminhamos também nós vagarosamente
Sem perceber nossas transformações
Espúrias deformações 
Incorrigíveis cognições
Mutantes opiniões 
Renovados sermões
Que escorrem em líquido airoso
Cambiando nossas formas
Homeopaticamente
Metamorfoseando 
Nosso entorno
E nosso centro
Nossa margem
E nosso dentro
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Vejo um estrangeiro amanhã
Feito de muitos
Que se aproxima 
Dotado de um semblante
Que ainda não conseguimos decifrar
Mas que será formado 
Daquilo que conseguirmos nos tornar
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Pergunto-me onde estará a capacidade
Que nossos ancestrais
Depositaram por sobres nossos berços
Por sobre nossas inocências 
Por sobre nosso imenso futuro
Que foi ficando esquecido
Em épocas deformadas pela amnésia?
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Pergunto-me onde estará nossa imunidade
Que vencerá a barreira do amanhã
E nos fará adentrar a beleza
De uma sanidade mais profunda?
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Eu não sei!
Eu não sei!
Eu não sei!
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EU NÃO SEI...
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Eu e a metrópole
A metrópole e eu
Nesses dias tão estranhos
Nos fazemos companhia
Ela sedenta 
Eu cedendo 
Ela sedenta insana
Eu cedendo desumano 
Os dias indo
Os meses acabando
2020 flutuando sem se assentar
Sem se fazer viver
Sem nos permitir chegar
E mesmo com os braços esgarçados
Na máxima envergadura que me cabe
Meus dedos não tocam
Nenhuma formulação
Nenhuma beleza conclusiva 
Que me faça crer
Que seremos capazes
De realmente melhorar...
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Por isso
Eu não sei!
Eu não sei!
Eu não sei!
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EU NÃO SEI...
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quinta-feira, 7 de maio de 2020

.......LENDALÉMDALENDALÉMDALENDA.......

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quarta-feira, 6 de maio de 2020

Coisas do Celular (2019) - 13/01/2019

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O cerne da arte é essencialmente masculino.
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Hoje, 13 de janeiro, 5 horas da manhã, tomando meu café de dormir, visitou-me o Núcleo da Arte.
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E ele era MASCULINO!
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Coisas do Celular (2019) - 16/01/2019

Eu me sinto nos anos 80!
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Meu quarto cheira a antiguidade.
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Todos os contornos de meus móveis retrocederam a um tempo em que eu ainda tinha consciência de suas formas, de suas funções. Todas as coisas do meu quarto e da minha mente estão momentaneamente restituídas de sua razão de ser.
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Agora, ao contrário de meu reles cotidiano, posso sentir com calma o lugar dos objetos, a lógica dos espaços, o aconchego dos pensamentos conclusivos e das lágrimas dignas de si.    
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Minha vida tornou-se um imenso caos de dúvidas e de labirintos argumentativos que não consigo solucionar. Meu mundo envelheceu e perdeu suas esperanças leves, suas possibilidades.
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Eu perdi meus sonhos, perdi minhas mais lindas ilusões.
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Acreditei que poderia tanta coisa. Acreditei que poderia mudar aspectos da minha vida. Achei que a arte teria sua relevância garantida num futuro evoluído de uma humanidade mais bela!
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Qual o que?!
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O homem parece andar em círculos e o amanhã, tão sonhado, nunca chega e se torna cada vez mais distante.
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Quando me retirar deste agora ideal, me sentirei novamente denso, barbado e enclausurado num sistema antigo, monocromático, desbotado e esgotado.
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Um sistema que deu errado e que eu não pude fazer nada para mudar.
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Eu sofro pela mediocridade contemporânea.
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Mas... E daí, né?!
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Coisas do Celular (2019) - 23/02/2019


Aos poucos o consumo da humanidade vai se equiparando a capacidade do planeta e, então, é chegada a hora de admitirmos o real lugar que habitamos, nossa verdadeira grandeza e responsabilidade.
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A cada tempo que passa, sobra-se menos espaço para os descuidos, para as irresponsabilidades, para a falta de consciência sobre si e sobre os seus.
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O homem se agiganta e, dentro de sua imutável redoma biológica, sua dimensão torna-se variável crucial para um salto definitivo em direção ao futuro ou ao abismo!
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Coisas do Celular (2019) - 23/02/2019


E nesta falta de ídolos concretos, 
levamos o Brasil 
numa espécie de Banho-Maria 
de mediocridades 
coletivamente consentidas: 
um 
Carnaval 
Eterno!
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Coisas do Celular (2019) - 23/02/2019


Não é somente sofrer, 
mas ter, 
em si, 
uma moral 
supraconsciente 
que te permita 
sofrer 
com 
alguma espécie 
de paz!
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p.s: enquanto postava, percebi que tinha uma joaninha pousada na minha mão!