quarta-feira, 16 de setembro de 2026

Dilúvio em mim

 .
A chuva intensa e constante
Que inundou as semanas 
Desde o já longínquo Agosto
Colocou-me em intensa melancolia
Um marasmo cansado e ondulante
Que me condenou a um tumulto lacrimoso
Uma redoma de inquietude
Uma interioridade de desesperança
Que se arrastou e se arrasta entre estes dias
Feito uma carruagem enferrujada
Cheia de penduricalhos ruidosos
Que teimosamente 
Se mantém enroscada ao meu corpo
.
Passei dias e dias na esperança da luz
Ansiando pelo mínimo sol possível
Aguardando silenciosamente
O momento em que as nuvens iriam se despedir
E um novo tempo ressurgiria 
Dos confins atmosféricos
.
Feito um Noé Millenial e alquebrado
Tentei gerar nas minhas entranhas
Uma esperança que não sucumbisse 
E não permitisse germinar
A semente do desespero
Tentei podar em sua raiz
A erva daninha que teimava em aflorar
No contato com a humidade que escorria
Por todas as paredes e vidros 
Destes modestos cômodos que habito
.
Mas confesso que não consegui…
.
Fui fundo em meus abismos
Mantive uma mínima respiração
Enquanto perambulava
Pelas cavernas submersas
Do meu desânimo
Pelas correntezas incansáveis
De meu tédio revoltoso
Pelas inquietudes desumanas
Do homem que em mim sobrevive
.
Uma dor negativa
Uma descrença desolada
Questionamentos sufocantes
O pessimismo que se esconde dentro aqui
E que toma vida nos relapsos momentos
Em que minhas forças se dissolvem
.
O que será do futuro?
O que será de tanta coisa?
O que será de mim e dos meus?
Para onde iremos nos próximos anos?
Será que tudo isso vale a pena?
Será que ainda iremos vencer?
.
Eu não sei…
.
Aguardo o fim deste dilúvio cosmopolita
De barbaridades e tempestades
Como um marujo de certa idade
Que olha o mar cansado de estar encharcado
E que tem suas mãos doloridas e rugosas
De tanto remar rumo ao Éden impossível
Onde um Adão sem escrúpulos
Mas já inocentado 
Descansa saciado sob o sol 
De uma antiga e inocente humanidade
Que não sabia que seus pecados
Seriam apenas fetos indefesos
Diante dos monstros amadurecidos
Que habitam este mundo futuro
Que agora nos deteriora
Enlameados em seu pântano de desrazão
.

sábado, 12 de setembro de 2026

domingo, 30 de agosto de 2026

quarta-feira, 12 de agosto de 2026

domingo, 19 de julho de 2026

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