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Sou sôfrego principiante em cada passo
Infante transeunte do acaso infinito
Sou ofegante espectador da maior surpresa
Lampejo humano em luminoso grito
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Sou constante instável no perigo necessário
Cláusula pétrea da mais singela emoção
Sou vibrante corpo a embalar o silêncio
Melodia escarrada invadindo a imensidão
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Quero tanto gritar o meu mui vital respiro
Pressentir a superfície nunca dantes tocada
Cantar o significado do supremo onisciente
E ser cambaleante num horizonte em disparada
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Por isso, sou lampejo que se arrebata de vida
Eis a forma que, aqui dentro, mais procuro
São desenhos leves que, inebriado, traço
Feito doce carta aos ternos seres do futuro
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Este é o ditado que esculpo em minhas pedras
Esta é a lavra que me areja o rincão profundo
Este é o espírito que me sobrevoa as vontades
O eu-companheiro que, comigo, desbrava o mundo
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Esta é a lei que das entranhas despejo
Como um manancial de implacável vontade
Tentando embebedar de paixão as cercanias
Tentando cultivar nos corações a verdade
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Não vejo outra forma de afrontar o caos
Não há outro meio de suplantar o erro de Adão
Não há outra coisa melhor a se fazer em vida
Não há outro modo de transpor a escuridão
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É urgente a necessidade do amor guerreiro
Ele é a ordem que nos impele à nobre resiliência
Pois com os pés fincados no coração fecundo
Posso fluir, em mim, a mais sublime sapiência!
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