Aos que me acham privilegiado,
gostaria de deixar registrado aqui no blog que, neste Agosto de 2014, pela
primeira vez depois de ONZE ANOS vivendo em SP, eu tive minha carteira de
trabalho assinada.
Foram muitos anos com pouquíssimo
dinheiro, muitos anos sem saber o que fazer, muitos anos levantando dia-a-dia
sem ter a mínima noção do que eu poderia inventar para conseguir preencher meu
dia e não ficar totalmente ocioso. Muitos anos me perguntando porquês infinitos
que me escavavam o peito ainda mais fundo, aumentando meu vazio impalpável que eu
nem mesmo sabia que habitava dentro de mim.
E nisso tudo, surgia uma enorme
frustração diante do fracasso do que poderia ter sido, mas, ainda assim, eu
frisava, disfarçando de mim mesmo, uma eterna maquiagem de interesses para
conseguir calar aqueles que mais esperavam do meu futuro prometido.
Eu não tinha o que entregar, mas tive
que dar ainda mais do que jamais pensei ser possível não existir dentro de minha
alma!
Era a escuridão vazia saturada de
coisas que não se tocam, o terror de ser obrigado a sentir um Niilismo profundo,
não querendo vivenciar aquilo que me batia na cara.
Eu fui obrigado a engolir o caos
e vomitar poesias e melodias!
Deslocalização total,
deslocamento contraditório, arraste de pesos alheios e medidas terceiras pelas
ruas e pelas noites, e pelos dias dos dias dos dias dos dias das horas sem o silencio
do alívio distante que me parecia eterno em seu nunca chegar. Tudo era ruído
sem margens.
Restou-me querer um sono perpétuo
numa tentativa de esquecer da vida, vivendo o mínimo até poder morrer e
liquidar o pesadelo, não dando alma ao corpo, segurando o alma no esquecimento
do sonos sem sonhos para poder afastar a dolorida Síndrome do Pânico que me
atacava todas as intermináveis vezes que eu tentava levantar.
Artimanhas para esquecer das
brigas e do absurdo que um dia lhe espancou no chão da rua por aquilo que você
não fez, ou por aquilo que você nem se lembrava de ter feito.
Rotinas horríveis, momentos de
total desesperança e descrença, minha fé abalada e uma indignação dolorida diante
de coisas profundas que me pareceram totalmente desprovidas de significado.
E mesmo hoje em dia, ainda muitos
pontos permaneceram sem explicação concreta.
Enfim...
A vida não é exata e nem justa, mas
não é por isso que temos o direito de desistir de tentar!
“Meu reino não é daqui” já disse
o homem mais influente de todos os tempos!
Estamos no vértice máximo da
densidade da energia. No vértice oposto de Deus! Não há nada mais distante do Centro
de todas as coisas do que a vida de um encarnado.
O que nos resta é continuar e
continuar, prosseguir e prosseguir, tentar e tentar e quando seu olhar não
conseguir levantar, um pouco que seja, além do micro-cosmos pisoteado que te
envolve no meio da multidão, ainda assim, ao menos mais um respiro você
conseguirá dar, mesmo que ele seja mais difícil e dolorido, aprisionador e
amedrontador do que qualquer pior realidade já imaginada por você baseado nas
promessas que lhe disseram antes de você encarnar!
Mas valeu! Teve que valer, e eu
fiz para que assim fosse!
P.s: Estou com muito sono, mas
precisava escrever esse texto. Ele não ficou dos melhores. Vejo pontos que
poderiam ser mudados, mas quero deixá-lo exatamente assim.
E com este texto mudo ligeiramente
o nome do blog para simplesmente:
Aquilo que pode emergir.
O “Iceberg” está cancelado!