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I
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Achar a frase capaz de rasgar
O invólucro da cotidiana mediocridade
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Achar o beco por meio do qual
Possa passar aquilo que
Como num milagre
Advindo de mim
Me pareça belamente estranho
Ou, ao menos,
Minimamente
Digno de ir além
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Mas
Na bem da verdade
O começo da inspiração
Não é bem a frase
Mas o sentimento que da frase emana
E que me faz sentir para ainda além
Do instantâneo medíocre
Que ronda tudo o que é vivo
Algo que valha a pena!
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Não!
Ainda não é isso!
Aquieta-te
Introspectisa-te mais, Wagner
Pois este ainda não é o ponto
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Pensa-te mais
Esmiúça-te mais
Recorta mais e melhor
Aquilo que sentistes
Há alguns instantes atrás...
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II
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Não é achar a frase
Não é o vislumbrar o beco
Não é o pulsar o sentimento
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Antes de qualquer poema
Antes de tudo
Está a VONTADE DE PALAVRA
A vontade de palavrear
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E
Se esta vontade conseguir
Achar a frase
Vislumbrar o beco
E pulsar o sentimento
Daí o intrínseco será capaz
De quebra o teto comunesco
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E
Ao quebrar o teto costumeiro
Poderei eu encontrar
O novo céu que acima dele resiste
E que me espera
Para sempre!
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Daí sim
Poderei eu vicejar
Um grão de vocábulo
Um caminho que vigora
Ou um mexido interno
Que valha a pena
O trepidar dos dedos
Rasgando o silêncio
Do teclado noturno
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Daí sim
Sentirei uma pulsão diferente
Que me fará
Superar a incansável autocrítica
Pois
Eu me canso...
Mas
Minha autoanálise
Ou melhor,
Minha preguiça...
NUNCA!
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III
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Estava eu deitado em meu sofá
Quando me ocorreu a vontade de escrever
Não sabia bem o que dizer
Como começar
Sobre o que falar
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Então ocorreu-me a frase
Que estampa
A primeira estrofe deste poema
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E dela
Me fiz pensante em retrógrado
Para poder saber
O que existia
No anterior a algo tão imediato
No ulterior de minh`alma
Que há tanto tempo não me renascia
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E
No ulterior de meu espírito
No átomo de minha ressalva
Ainda reside
E resiste
A VONTADE DE PALAVRA!
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