sexta-feira, 28 de maio de 2010

20 minutos e uns retoques

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Num bendito dia eu saí de casa correndo. Disse pra mim mesmo que iria até a esquina para testar minhas pernas. Meu joelho já doía há alguns meses. Precisava saber se elas ainda agüentariam minhas vontades. Chegando na tão conquistada esquina, passei direto. Simples como quisera, quis novamente por querer. Quis, apenas quis ir mais longe. Comecei dobrando a terceira esquina depois do jardim. Perto de casa há um jardim cheio de moças andarilhas que chegam pra repensar seus caminhos. Os moços esperam do lado de fora, ansiando poderem gastar seus trocados por um pouco de amor. Mas, ali, mais longe de casa, parecia que meu corpo poderia continuar com menos esforço. Não haveria mais o jardim das velhas conhecidas, nem a esfinge de minha exigência severa pelo retorno. Um elástico rebentado. Fui. Cada vez mais a frente, mais comum se torna o prosseguir, mas, nunca, por isto, um prosseguir medíocre. É prosseguir renovado. Os primeiros passos deveriam se chamar, na verdade, principais. Continuei. Subi uma longa rua na consolação de não saber bem ao certo porque a havia escolhido. Comprei umas flores para dar aos meus pés. Eles que tanto me merecem. Um mendigo dissera-me uma vez que sua vã filosofia, com um pouco mais de tempo, era capaz de vislumbrar todo o mistério entre o céu e a terra. Disse isso sorrindo, deu-me uma flor, e reiterou que, a única coisa que lhe faltava, era o tempo. Para qualquer imaginação, falta tempo. Lembrei-me, então, de um rio que passava malcheirosamente do outro lado da cidade e continuei. Minhas solas já gastas, meus ânimos dotados de serotonina deliciosa, meus olhos buscando algum jardim de contrários, uma torre que pudesse me servir de luneta. Vi tudo, mas não escolhi. Resignei-me às flores dadas aos meus pés. Olhei-as carregadas à minha frente. Segui o cheiro que me sentia. O vento antecipava o invisível, o odor mais sincero. Uma flor nunca mente. Ela sempre está para quem a quiser. É o que chamamos de: generosidade do bem-me-querer. Corria pensando, pensei corrido, passei correndo, pressenti o corpo, predestinei a posse. Apropriei o passo. Entrei numa espécie de pulsação cíclica. Cantava músicas que me agradavam, no ritmo do pulso. Não sentia mais meus pés. Comecei a descer. E então, apenas via ao longe, naquele mundo externo que, enfim, eu dominava no clamor da cavalgada, o solo dançando e me enfrentando, segundos em segundos, ricocheteando preguiçosamente contra meus calcanhares. Nós nos amávamos. Nós nos gladiávamos, eu e a terra. Era eu no carrossel a céu aberto, a plenas avenidas, num trajeto sem volta. Os carros contrários passavam estreitos. Não me importei. Eu corria largo. Brincava de imaginar cálculos nas placas dos veículos, sorrir para treinar simpatia. Eu olhava pro alto, tentava encontrar algum cruzeiro que me indicasse. Cairia nas correntezas, não queria mais apenas aquele rio. Eu navegaria até o mar. Levaria aquelas flores para meu amado mar. Fingi desprezo por mim, consegui gargalhar escandalosamente. Era o começo do mar. Era o fim. Era a liberdade da boa colocação. O desprezo será sempre bem-vindo, se bem-vindo for. Saí ainda mais de mim. Flamejante esparso. Prolixo esgarçado. Garga-gorjeando o líquido que não me contenho. Reergui quatro castelos corriqueiros com as razões que não me serviriam, estilinguei-me pelo elástico da paz. Cambaio estive por vontade, mas a rosa-dos-ventos propusera-me um novo fim. Suguei minhas cascatas o máximo que pude e jorrei convicto aquilo tudo que me inundava. A sensação me comanda neste instante e eu a ela. Revoltei pela catarse correta, a profunda erudição de estar concreto. Assim é. Voei chorando, inexistentemente chorando no detalhe mais infinito. Só, e sete vezes só. Só, e três vezes mais só. Só, pela última vez: só. Só e só. Só. Sozinho, amanheci preguiçosamentemente sorrindo. Eram os braços das ondas. Era o fim do meu trajeto. Ao meu lado direito: as flores. Joguei naquela quase onda que me pareceu mais minha. Dei meia volta. Pensei em voltar. Mas logo senti um sopro leve me atravessando. Parecia vindo do meu pulmão. E ele, por mim, me disse: tu não precisas mais voltar.
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Eu já havia voltado!
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quarta-feira, 19 de maio de 2010

A Frase da Virada Cultural 2010

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Todo louco tem uma força!
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Autor:
Fernando Neiffe Khattar
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segunda-feira, 17 de maio de 2010

Letra da música: Pai Guiné

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Fiz uma música para uma entidade. A letra conta sua história. Segue abaixo:
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Um negro nasceu
Nas terras de além mar
No continente mãe
Da natureza humana
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Quando pequeno
Do seu ventre foi tirado
E no porão
De um navio negreiro ele chorou
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Mas acreditando no futuro
Relembrando do passado
Sua mãe o consolou
E lançando um olhar de esperança
Aquela pequena criança
Enfim, no Brasil desembarcou
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Na Bahia,
Terra de todos os santos
De gente que quebra quebranto
Seu pé firmou o solo
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E foi descendo,
No caminho do São Francisco
Em mata de bicho arisco
Para o sul de Minas gerais
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Nas margens,
Do Rio Grande fez morada
Reinventou sua estrada
De escravo sabedor
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E seguindo,
O caminho de sua mão
Num desmaio de emoção
Parteiro ele se tornou
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E foi dando
A vida a tantos pequenos
Branco, negro ou moreno
Que uma grande raça se formou
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Brasileiros,
Filhos do sangue e do canto
E nesta terra mistura de tantos
Sua história ele traçou
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Pai Guiné
Salve os teus filhos de alma
Que pedem a calma
Sentado ao teu pé
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Pai Guiné
Palavras do preto mais velho
Desfazem mistérios
Reforçam a fé
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Pai Guiné
Vencedor de uma vida sofrida
Desfez a ferida
E agora sorri
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Pai Guiné
Cantando a morena mandinga
Nós te queremos aqui
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Virada Cultural 2010

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Nem sempre uma poesia
É um princípio de nada
Há um querer
Uma vontade de dizer
Aquilo que o som é incapaz
Às vezes o silêncio
É a propriedade mais profunda
Um poeta sempre tem
O que dizer
O que escrever
Não basta o momento
Basta o dizer
Basta o silêncio
Mas nem sempre nos silenciamos
Vamos sempre achar o momento
Da comunicação
Com o silêncio
Ou com as palavras
Que nos permitem
Uma coisa única
E dizer sentimentos tão importantes
Ainda não estamos
No tempo do silêncio
Devemos dizer
Se nos achamos válidos
E o que nós pensamos
Sempre será válido
Simplesmente
Porque é nosso
Porque é de cada
E cada tem o peso
Em si
Daquilo que diz
E se somos matéria
Registro seremos!
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Virada cultural 2010
2:51 A.M
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Bar na Rua Bento Freitas, 131, centro de SP.
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Fernando Khattar, Gisele Lamin e Wagner Passos
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sexta-feira, 14 de maio de 2010

Li num elevador

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Comunicado
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Senhores condôminos, gostaríamos de lembrá-los quanto à utilização da piscina por visitantes, na qual somente é permitida para crianças até 12 anos.
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Atenciosamente, Corpo Diretivo
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NA qual somente é permitida PARA”?!
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segunda-feira, 10 de maio de 2010

A sabedoria é um núcleo

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Que não se pensa
Que se condensa
No interior nenhum do ser
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É uma esfera alada
Que pousa pesada
No coração total
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É um sólido lapidado
Que se ingere aos bocados
Como grãos contidos dos momentos
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É o você do tempo
Um senhor do centro
Do contigo estar
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A sabedoria é mancha velha
Um desenho orgânico
Um formato tirânico
Um lugar comum
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Uma obviedade na neblina
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A sabedoria é menina
Moça, anciã
Tarde, noite, manhã
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Uma aurora que dura e cresce
Uma frase que persiste e aparece
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Um inoxidável sorriso
Uma sinceridade castigante
O estável de um ser errante
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É o erro e o “portanto”
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A sabedoria é o tanto mais que um canto
É o próprio improviso regrado
Ou uma noite de desatinos
Na lágrima mais plena do arrependimento
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É poder dizer os meandros
A auto-tradução do próprio encanto
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É também um grito por espalhafato
Um tombo de mãos livres
Uma correria se me desato
Um retrocesso ao sentido
A cicatriz sobre o olho ferido
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Uma glicose na veia!
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A sabedoria é um joelho que insiste em doer
É a certeza para de novo viver
É a humildade do carinho mais afável
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A sabedoria é um silêncio que se consegue inquebrantável!
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9/5/10 3:10 A.M
Na cozinha da minha casa em Itanhandu
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segunda-feira, 3 de maio de 2010

Palavras são erros

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Delicio-me da vagueza das palavras para perguntar:
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Será que toda ciência humana não é um rebuscamento de uma ordem simples, toda ciência biológica uma visão de uma verdade parcial e por isso mentirosa, e toda ciência exata uma parcial explanação da profunda estruturação das coisas?!
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Acho que sim!
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Helena Blavatsky, por inspiração alheia, disse que: “Não há religião superior à verdade”, assim, por indução, permite-se dizer que também: Não há CIÊNCIA superior à verdade!
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