terça-feira, 28 de agosto de 2007

Entrevista

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Marília Gabriela pergunta – Um grande amor?
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Elis Regina responde – Vou falar de um grande amor. Um amor maior, sabe?! MILTON NASCIMENTO.
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Como não existi-LO, se ele canta...
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domingo, 26 de agosto de 2007

Sim

“Até para sofrer, a gente carece de quietação. Para sofrer com capricho, acondicionado, no campo de se rever”.

João Guimarães Rosa - Manuelzão

quinta-feira, 23 de agosto de 2007

Cláusula emoldurada (casulo na moldura)

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Se os olhos são o espelho da alma,
o rosto é a moldura.
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W

terça-feira, 21 de agosto de 2007

Auguras do pensamento

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Às vezes eu acho que a vida se concentra na memória e não no ato de viver o instante. Penso assim porque o instante é muito fugaz e no ato de se viver não temos constantemente a noção de que aquilo é a vida e de que estamos vivendo coisas naquele momento. Estamos sim tomados pelo entorno, e isso é o natural. Nessas horas, apenas vivemos cada passagem e logo aquilo se vai, e o momento da vivência não se configura ou consolida-se instantaneamente em nossas consciências como a vida em si.
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E é aí que eu volto à memória como a verdadeira consistência ou consolidação da vida. A quantidade de vida que temos impressão de termos vivido, é diretamente proporcional à quantidade de vivências que estão armazenadas na nossa cabeça. Podemos ter vivido as coisas mais impressionantes numa determinada época de nossas existências, mas se não nos lembrarmos daquilo com consistência, nada se configurará como percepção estável de vida.
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Vida é bagagem, e a vida se estrutura na lembrança e não no ato de viver.
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Portanto, se queres ter vida, viva com lucidez mesmo as passagens mais entorpecentes dela. Não viva exclusivamente para preservar a memória, porque aí elas podem se tornar vazias e chochas, mas saiba que cada instante só se torna vida consistente para a vida quando está alojada com firmeza no campo das lembranças.
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Cultivamos dia-a-dia um jardim imenso chamado passado.
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Lembro, logo vivo.
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Ããããã, talvez esse texto possa nos mostrar uma nova forma de pensar aquela frase, que diz que “Recordar é viver”, ou talvez quem fez essa frase já tinha noção desse negócio que eu falei aqui.
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Auguras do pensamento. Só.
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segunda-feira, 20 de agosto de 2007

Sobre todas as coisas

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Edu Lobo - Chico Buarque 1982
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Pelo amor de Deus
Não vê que isso é pecado, desprezar quem lhe quer bem
Não vê que Deus fica até zangado vendo alguém
Abandonado pelo amor de Deus
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Ao Nosso Senhor
Pergunte se Ele produziu nas trevas o esplendor
Se tudo foi criado - o macho, a fêmea, o bicho, a flor
Criado para adorar o Criador
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E se o Criador
Inventou a criatura por favor
Se do barro fez alguém com tanto amor
Para amar Nosso Senhor
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Não, Nosso Senhor
Não há de ter lançado em movimento terra e céu
Estrelas percorrendo o firmamento em carrossel
Pra circular em torno ao Criador
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Ou será que Deus
Que criou nosso desejo é tão cruel
Mostra os vales onde jorra o leite e o mel
E esses vales são de Deus
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Pelo amor de Deus
Não vê que isso é pecado, desprezar quem lhe quer bem
Não vê que Deus até fica zangado vendo alguém
Abandonado pelo amor de Deus
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quinta-feira, 16 de agosto de 2007

Chorável, chorei

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A reza não esbarrava. Uma hora o Dito chamou Miguilim, queria ficar com Miguilim sozinho. Quase que ele não podia mais falar. – “Miguilim, e você não contou a estória da Cuca Pingo-de-Ouro...” “ – Mas eu não posso, Dito, mesmo não posso! Eu gosto demais dela, estes dias todos...” Como é que podia inventar a estória? Miguilim soluçava. – “Faz mal não, Miguilim, mesmo ceguinha mesmo, ela há de me reconhecer...” “ – No céu, Dito? No céu?!” – e Miguilim desengolia da garganta um desespero. – “Chora não, Miguilim, de quem eu gosto mais, junto com mãe, é de você...” E o Dito não conseguia mais falar direito, os dentes dele teimavam em ficar encostados, a boca mal abria, mas mesmo assim ele forcejou e disse tudo: - “Miguilim, Miguilim, vou ensinar o que agorinha eu sei, demais: é que a gente pode ficar sempre alegre, alegre, mesmo com toda coisa ruim que acontece acontecendo. A gente deve de poder ficar então mais alegre, mais alegre, por dentro!...” E o Dito quis rir para Miguilim. Mas Miguilim chorava aos gritos, sufocava, os outros vieram, puxaram Miguilim de lá.

Miguilim doidava de não chorar mais e de correr por um socorro. Correu para o oratório e teve medo dos que ainda estavam rezando. Correu para o pátio, chorando no meio dos cachorros. Mãitina caminhava ao redor da casa, resmungando coisas na linguagem, ela também sentia pelo estado do Dito. – “Ele vai morrer, Mãitina?!” Ela pegou na mão de dele, levou Miguilim, ele mesmo queria andar mais depressa, entraram no acrescente, lá onde ela dormia estava escuro, mas nunca deixava de ter aquele foguinho de cinzas que ela assoprava. – “Faz um feitiço pra ele não morrer, Mãitina! Faz todos os feitiços, depressa, que você sabe...” Mas aí, no vôo do instante, ele sentiu uma coisinha caindo em seu coração, e adivinhou que era tarde, que nada mais adiantava. Escutou os que choravam e exclamavam, lá dentro de casa. Correu outra vez, nem soluçava mais, só sem querer dava aqueles suspiros fundos. Drelina, branca como pedra de sal, vinha saindo: - “Miguilim, o Ditinho morreu...”
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Manuelzão e Miguilim – João Guimarães Rosa
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Páginas 107, 108 e 109
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quarta-feira, 15 de agosto de 2007

Não somos qualqueres

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Não quero ser normal. Sou às vezes um teste à tolerância alheia. Alheie-se de mim se queres. Afasta-te. Sou aquilo que alguns são, outros tantos nem querem ser e outros não conseguem. Mas sou alguém que pode te tirar da inércia do meio termo. Sou gentil, amo, odeio, penso como só eu penso. Cada um pensa como o “si mesmo” pode pensar. Às vezes faço questão. Às vezes não. Mas meus amigos não são fracos, não são qualqueres. Se dizendo com quem ando, digo quem eu sou, eu sou pequenos reflexos em/ de cada um dos meus amigos. Meus amigos não são qualqueres. Qualqueres não chegam a morar aqui e nem eu neles. Meus amigos são como querem, procuro não os julgar, pois valorizo o bem. Evito a maldade pura. Não me enfrentes, joguemos juntos, pois sou capaz de levar qualquer além. Sou postes de luz e sombra, às vezes incisivo, mas muitas vezes gentil. Procuro ser gentil. Gosto de dizer palavras inéditas. Frases doidas que podem parecer absurdas num começo de linha. Às vezes me explodo, demolo-me, mas me refaço em cantigas e versos intrínsecos que saem daqui sem ter a pretensão de morar em outro lugar. Mas confesso que eles têm a capacidade de invadir e se fazer habitantes. Não gosto de inércia. Inércia é mediocridade, é desrespeito, é triste, é depressão. A inércia na felicidade é inodora. Na tristeza é íngua. No desespero é frustrante. Na inveja é biodegradável. No amor é enjoativo. Na paixão é impossível. No medo é insone. No desejo é dolorosamente latejante. Na arte é oposto. Acho que sou polêmico, mas assim prefiro. Meus amigos não são qualqueres, e por reflexo, quase simples reflexo, eu também não sou.
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segunda-feira, 6 de agosto de 2007

Segundo o calendário Maia (por Manu)

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1983 = 133
06/11 = 104
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133 + 104 = 237
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Selo: Terra (17)
Tom: Elétrico (3)
Selo guia: Dragão (1)
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Frase que forma:
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Eu ativo com o fim de evoluir, vinculando a sincronicidade. Selo a matriz da navegação com o tom elétrico do serviço. Eu sou guiado pelo poder do nascimento.
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as razões e as emoções

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As razões são capazes de enviesar as realidades, criar algumas, inventar rituais inexistentes, olhares que não foram. A razão é uma química inebriante e perigosa. Ela pode fazer ligações avulsas parecerem as mais óbvias, dizeres despretensiosos avolumarem-se e se tornarem gigantes indigeríveis, inatingíveis e perversos. (Viva a eloqüência do narrador – akaka)
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Já a emoção sente por sentir, às vezes sem a razão. Sente porque sente e assim já é, e quando é assim, e só assim, ela pode-se fazer certa e incorrigível. Incorrigível por ser certa e certa por ser incorrigível. Só a emoção tem a intensidade que apreende clinicamente o objeto, o entorno ou seja o que for. Depende da pessoa, obviamente, mas essas pessoas que são da emoção, ao sentirem a emoção, sabem, também novamente pela emoção, que essa emoção está certa. (Intuição)
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A razão não. A razão também pode ser certeira, mas precisa ser leve para poder trilhar caminhos de maneira a apreendê-los. Quando ela se intensifica a ponto de tornar-se inebriada de uma emoção criada por ela mesma, pode ser fatal, muito asfixiante e isolante. Mas numa trilha bem galgada, a razão pode ir a lugares inexplorados pela emoção, pode fazer ligações quase inexistentes, mas certeiras, sim. (Filosofia)
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A razão deve-se balizar de si mesma para ser certa, assim como a emoção se baliza de emoção para ter certeza de que o que se sente está certo.
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A divisão é sutil, pois o ser humano pensa/ sente o tempo todo, e emoções podem levar a pensamentos assim como razões podem trazer sentimentos. Não há como viver com apenas um deles, mas cada uma separadamente e inteira em si, cuidadosa, sabe-se como se guiar.
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No fundo é um todo indissociável, armadilhas da cabeça, dona do corpo.
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Talvez seja exatamente a maior proximidade que a emoção tem com o corpo (que é sábio por natureza) que a leve a ser mais instantânea e certeira que a razão.
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No paralelo oposto do dito acima, talvez seja a proximidade razão/ cabeça (que é um labirinto por natureza) que leve a primeira a ser mais facilmente mirabolante.
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Talvez esses dois parágrafos de cima sejam apenas mais um exemplo de como a razão pode mirabolar pecaminosamente, no sentido menos cristão da palavra, claro. (mas não exclusivo - akakaka)
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Enfim é isso. Razão e emoção em perfeito equilíbrio podem dominar o mundo. Isso, é claro, em estados exponenciados.
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Outra coisa, acho que para a pior das razões a melhor emoção é o humor, vide esse post. akakaka
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Rio, mas digo mais uma vez amém a mais essa oração da madrugada.
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Boa noite!!!
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p.s: gostei - rsssss
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quinta-feira, 2 de agosto de 2007

Uma bosta

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Sabe o que mais me agoniza agora??? Não é o buraco na camada de ozônio, não são as brigas causadas há dias atrás, as mágoas injuriadas e plantadas no peito de quem eu mais amo na vida, não é a eminência de mudanças descontroladas que se avizinham de mim e de minha vida, não é o fim do mundo, a morte, a felicidade desesperadamente procurada e que está por vir, não são os amores machucados, tantos nessa vida, não é o derretimento das calotas polares. Nada, nada, nada disso me agoniza agora. Não são meus pensamentos que facilmente me sufocam, nem a rouquidão silenciosa das notas que eu não alcanço mais. Repito, nada, nada, nada disso me agoniza agora. Nem sei, sabe?!?! O que mais me agoniza agora são as palavras que estão aqui dentro. Há quanto tempo não escrevo como antigamente. Não sei nem se a qualidade caiu, mas pelo menos há muitos meses que não escrevo com um entusiasmo alucinante como tantas vezes já fiz. Sinto que o fluxo que sai pelos dedos não é mais o mesmo, posso estar enganado, mas acho que não. Isso não é nada confortante. Talvez seja a hora de pensar mais pra escrever, fazer disso uma labuta maior do que o que foi até hoje. Não sei. Vamos ver no que se tornará essa sensação de prisão.
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