quinta-feira, 31 de março de 2005

Meu Ouro Preto..............

Está chovendo lá fora meu caro amigo tempo!
Está chovendo como nunca se viu antes.
Cada milímetro cúbico de água em mágoa
Despenca intensamente sobre meus telhados
Escorrendo pelas minhas ladeiras mais tortas
E antigas.

Meus olhares se cabisbaixam por dó da realidade
É pena de sei lá do que,
Talvez de um vizinho de viveres
que me bate nas costas
pedindo mais humanidade,
ou talvez aquela música velha
que não quer sair da memória inesquecível.
Memória de dizeres e viveres tão belos e bons
que me fazem escravos
de tudo que um dia me rodeou
e me fez vivo de momento
como nunca eu fui capaz de ser...

Ah, que saudade de tudo que não me pertence
tudo, tudo que já foi um sonho vivível
mas que agora soa como uma miragem velha
real.

O imaginário e o mortal
se misturam tão intensamente agora
que eu não sou mais nada além de palavras
que fluem como as águas das ladeiras mundanas.

Que peso tem meus olhares pro passado,
que peso tem tudo que me faz pensar.
tudo que um dia já me foi e que ainda é
porque eu sei que
pedaços diversos de mim
estão jogados por aí
eu vejo
eu me sinto cada vez menos
por me pensar,
apenas pensar,
cada vez mais seguro dentro de mim.

Mas a ignorância é uma defesa
para os massacres diversos
é capa que protege
e que me faz menos cabisbaixo,
que me leva além
pela infantilidade de se pensar inatingível.

É mentira
basta uma queda pro vazo se despedaçar em milhões
que por outras milhões de vezes terão de ser catados
e recatados
para menos e às vezes mais recatados se tornarem.

Já não sei de nada
apenas sinto uma água nas ladeiras dos anos
a escorrerem para algum lugar entre o céus e a terra,
talvez o horizonte.

No meu horizonte chove
mas que venham as águas.

Às vezes tenho medo da minha coragem instantânea.

(O que me importa é que a legitimidade dos meus escritos só a mim pertence).

quarta-feira, 30 de março de 2005

A Sombra é Matéria......

A sombra nada mais é do que energias bloqueadas pelo seu corpo e que pela presença da não energia delineia o elemento. A sombra nada mais é do que um espaço de continuação delimitado pelo seu corpo, sendo portanto, uma própria continuação (por interação) do seu corpo. É interessante pensar que à partir da aceitação desse princípio, torna-se verdade a frase que diz que através das sombras nos multiplicamos, amenizamos, dividimos, aumentamos assombrosamente ou até deixamos de existir por completo em alguns instantes. A grande maioria das sombras são Impressionistas, pois não se delineia o lugar exato de divisão. É um eterno dégradé de tons normais adicionados da não luz em sua subtração. A sombra tem matéria, é física apesar de não ser possível pesá-la. Ela ocupa lugar no espaço bidimensional; onde ela está, não há nenhuma cor que possa continuar existindo, após sua chegada, em sua integridade anterior . É como se um certo espaço colorante tivesse que ceder lugar ao elemento sombra, transformando assim a aparência do elemento físico dono da cor. A sombra ocupou lugar de partículas coloridas, é a prova da presença da não-coexistência-espacial. É como se o objeto formador daquela sombra fundisse suas ampliações energéticas aos objetos no plano bidimensional. É a própria redução da matéria tridimensional, a diferença é que agora ela está contida num plano composto apenas por largura e altura. Não creio ser muita pretensão, devido ao fato de ser um pensamento de mim para mim, mas pode-se, à partir do descrito à cima, redefinir o conceito de matéria, ampliando-o, não anulando todavia esse utilizado na explicação à cima. Enfim, matéria seria tudo aquilo que ocupa lugar num espaço bidimensional. É um pouco diferenciado falar isso. Neste espaço, que é um espaço como outro qualquer, a cor é matéria, a sombra e o reflexo da luz também. A diferença entra a matéria antiga e essa que eu disse, é que a antiga ocupa vários espaços ou, infinitos espaços bidimensionais, enquanto que a nova matéria seria ocupante de um plano bidimensional apenas. O peso não seria relevante, apenas o fato de ocupar lugar em espaço é que seria de fundamental importância. Na minha visão isso faz sentido e ocupa espaço no campo (palavra referente a espaço) visual.

segunda-feira, 28 de março de 2005

Masquando!!!!! (Macondo – 100 anos de solidão)

Todas as coisas são espirais quando se fala em tempo. Em todo caminho, em toda evolução, a energia tende a construir algo que se baseie no oposto, e por canalizações metafísicas, espelhamentos e dualidades, a mudança do mudado ver a ser extremamente posicionada em lugares próximos ao começo que não necessariamente é o começo.
Não seria exagero falar que tudo que evolui movimenta-se em espirais se não fossem levadas em consideração as evoluções de natureza biológica ou genética. Com exceção destas citadas, todo o resto faz-se em espirais.
As evoluções e revoluções humanas tendem retornar a situações descritas como sendo pertencentes aos seus avós por assim dizer, ou seja, os pais dos pais da revolução nas distam muito dos seus netos. Negar aquele que negou é afirmar o que foi negado primeiro.
Esse pensamento apesar de lógico estaria errado e não se aplicaria a ao cotidiano humano, não fosse a figura da espiral.
A história humana caminha em espiral. O homem tem uma eterna necessidade de se negar, de achar que o que vive agora está errado, vide eu. (seria moralismo se não o dissesse)
O homem mistura a ansiedade pelo novo com a ância pelo agora e não se contenta até coseguir entortar e redirecionar o seu caminho.
Uma curva eterna tende a voltar ao local de origem.
O tempo não é plano, é espacial.
As curvas que mexem com as 3 ou 4 dimensões (altura, largura, profundidade e tempo) são eleváveis. A história nunca retorna ao exato ponto de origem, pois toda vivência e contato leva a um crescimento. É grande a alma do todo. (Fernando Pessoa)
Só não se sabe até que ponto a espiral sobe, ou melhor, até que ponto ela se sustenta em pé, ou se ela já se inclinou unindo o ápice aos básicos inícios; e se isso já aconteceu, quantas vezes os tempos já não fizeram o chamado AGORA caminhar por cada volta da estrutura da eternidade?
Estamos enclausurados gozando da falsa idéia de poder traçar o nosso próprio destino.

O Nome da Rosa............

Já não sei mais se fui claro como deveria ter sido. Já não sei se deveria ter sido claro nas horas que são qualquer uma por aí. Não sei se deveria ter ido ou ficado, chutado ou defendido, gritado ou seja lá quais outros opostos pertinentes. Talvez todos existentes. Às vezes por não ter tido tempo de pensar ou pelo excesso dos pensamentos as coisas se fizeram todas do jeito que são, umas boas, outras ruins, outras ainda digo que sei lá porque ainda não sei se tive tempo de concluir a conclusão. É inconcluso pra facilitar. Tudo me vem pra divisão que matematicamente me difunde pelos quatro cantos de mim numa enxurada de pedaços conflitantes à beira de escapar pra fora, como se a minha vontade (que não é) fosse a de ocupar tudo que me pertence, cada volta de dedos, cada atalho meio intrínseco que me disseca em coisas que não me espelham num todo, mas em fragmentos de dois. Dois+Dois-Dois+Dois-Dois+Dois=Um sem unidade. É água-viva falante. É altos-e-baixos. Cada vez mais se é menos pois cada vez menos se é mais. Já não deu em nada, cada vez pior, com os olhos numa faixa meio-termo. Assim somos todos os pronomes (eu, tu elea, nós, vós, eleas), todo mundo vai virando e confundido tudo ou quase, na confunsão de achar que concluiu. Que nada, pára de tetar achar alguma coisa... Todo mundo vai minando, vai tentando esquecer pra ir mais além. Tenta tirar conclusões apresadas (mesmo que durem a eternidade para se chegar nelas) pra poder dar mais uma "adadinha". É necessario esquecer por vezes, cair por vezes, ralar, experimentar, achar que chegou onde queria e ter a ilusão de concluir mais uma etapa ou o que for (que não me interessa) pra abrir sorrisos e comemorar com quem se deseja ou com quem deve ser. É necessário dar nomes de: Rosa, Maria, Amor, Café, Cadeira, Tabuleiro de Palavras Sulvenirs (como diria um cara louco aí). É necessário fazer coleções de palavras em bandos de manadas pra tirar as escolhas e se pensar consigo mesmo. Mas nada de definitivo, só definições verbais, pelo amor de Deus. Deus só é Deus porque falaram assim, senão você seria capaz de culturar outros aí e achar que é o certo. Mesmo o bem geral, o conceito de BEM, só é o bem porque todos falaram que esse é o bem, senão a morte poderia ser o bem que te leva à verdade sem fronteiras carnais e os matadores seriam santificados. Imagina uma ladainha com nomes de psicopatas ou (Oh Napoleão que estais nos céus, obrigado por ter levado tantas almas a conhecer a verdadeira vida). Nada é absoluto, mas também não vou dizer que tudo é relativo, porque isso seria uma frase absoluta. Talvez se pensarmos assim, a dúvida seja absoluta, mas não sei (olha a prova do dito). De nomes em nomes a gente vai levando o que é apenas levável, não condenável, mas sim questionável como o excesso de questionamentos que aqui eu fiz. É assim que terminamos COM o nome da Rosa, ou melhor, terminamos SEM o nome dela. É zero, é fim, é o nosso nada que é de todos os pronomes que circulam os sujeitos. Zero a Zero no término do jogo infinito. Não temos confiança nas conclusões, nas definições e nos nossos instrumentos de consegui-las. Agora nem os nomes temos. Adeus Rosa, adeus Amor................

quarta-feira, 23 de março de 2005

Terezinha deu um peido e quebrou a lâmpada...

Houve e sempre haverá a minha terra
Tereza Brasil vive nela, sabe lá por quanto tempo?
Aliás, deixemos de papo, pois ele enterra
Terráqueas memórias medidas já idas.
Mas não é possível que fortúnios de eras
Coisas passadas já sem princípios presentes
Se ponham em frente querendo mais guerra.
Já disse à Tereza: Reza-te aos crentes
Mal grado é divino, em prece não erra!
Qual o que, teimou e queimou-se
Queimou-se as feras...
Ferrenha devota um dia se foi
Já ida, não feita, nada mais gera!

Minha terra é serra de loucos
Louros lampejos, bocejos noturnos.
Por detrás da montanha
Tamanha aranha fitava as horas.
Honrosas comidas descidas, crescidas
Caminhavam, falavam: cadê o bicho?!
Em nicho nefasto nada movia
Apenas se ouvia: A aranha existia!
O verbo imperfeito passado passava paz
Problemática pois estática estava
Esperava em esperança pois com as andanças
Chegavam as crianças criadas pra perto.
.....Piscou-se os olhos......
Virou um molho.

No jantar:
Lagarto frito com molho de João, Maria e
Tereza (Lembra dela?!)
Feito em Carrancas no dia 22/02/2004 às 0:51

Gramática dos Dias nossos...

Verbo transitivo direto e indireto é complemento verbo-nominal do sujeito dos meus-seus-nossos atos.

Já não há mais necessidade de mentir pra si mesmo. Dissimular ter máscaras e alegorias orgânicas que ajudam na modelagem de um qualquer. É um qualquer que fôra e que se vai dia-a-dia sem rumo, mirando só o contorno da própria sombra, buscando apenas não esticar membros pra não sair fora do contorno que o sol quer e impôs.

É mediocridade? Não... É sobrevivência, mas em hipótese alguma é contradição, já que um pensamento não gera uma ação, e reações diversas não são filhas de uma primeira postura ativa. Não vejo muitas saídas legais que nos convençam, nem a dos fundos. Não somos fáceis de se convencer, teimosia é um direito de quem nasce pro não e as voltas são arrego para os ninguém, que sempre olhou sabe eles pra onde.

Só sei que a teimosia salva, é sopro de vida na pele das máscaras. Santas-malditas máscaras que são de uso público, isso sim de uso público até no privado das cacholas, ou nas privadas moldadas cobertas por cachos (lãs) talvez. É cabeça pensante de um mundo em geral. Não miro ninguém. Mas sim, miro quem quiser ser mirado, alguém, pois entra no privado, abala o moldado em mascarados dizeres para disfarçados seres que se são como seres cercados de senãos.

Isso não agrada ninguém, isso não é bom pra ninguém, pois alguém não ouve, nem chega a alguéns, só a ninguéns porque quem ouve tem medo. Esconde-esconde individual. No fundo é isso, alguém não quer se-ver-se-a-si-mesmo. Encarar o espelho não quer dizer nada, encarar alguém que sabe dos reflexos mais primários dos mascarados é que atordoa, desconserta o que leva-se vida(s) pra reconstruir e de novo novamente re-algumacoisa fazer. Não tem fim o ciclo, é humano dos alguéns viverem ninguéns para manterem alguma coisa com algo ou alguém que também não se é.

Não adianta, a gente mente pra sobreviver.

sexta-feira, 18 de março de 2005

Início do Fim..............

Pode parecer que o título é meio pra baixo astral, mas é fato que quase tudo que começa um dia chega ao fim, até o infinito do Viajantes que também é de outros "viajantesses" em geral, só por isso esse postado começa assim. Fazer um Blog era uma coisa que eu queria a muito tempo, porque pra mim é uma maneira de se expressar e de receber um retorno sobre essas viagens e não-viagens; é diferente de se escrever em um caderno ou numa folha qualquer, porque a folha é só aquela que está no lugar que ela está, e no caso das minhas, elas estão dormindo na mesa do meu quarto entre umas capas duras, num lugar onde pouca gente sabe. O Blog não é igual a uma folha, botou aqui, tá pro mundo, e qualquer um que quiser e souber onde e como entrar, vai poder ver tudo que voce escreveu. Esse fato me encanta, mas também me inibe, sei lá quem vai ler, ou talvez, sei lá se alguém vai ler, mas de qualquer maneira eu estou aqui, e depois de muito ensaiar, o Blog foi criado, e já é navegável pelos viajantes que quiserem fazer parte de um infinito com fim. O nome vem de um livro que eu li na minha infância e me marcou, tanto é que me veio a idéia de pôr o nome desse Blog assim. Também tem a ver com viagens no sentido de movimento que em si não dá uma idéia bem exata, mas acho que as idéias que essa palavra passa se encaixam bem com as que eu tenho na minha cabeça. Agora, quanto à palavra infinito, esse é o lugar onde tudo cabe, qualquer grande ou pequena merda que exista ou se escreva, qualquer grande ou pequena coisa que ocupe lugar ou que se pense, ou seja, infinito é tanto que não é nada que se defina. Não que meu Blog seja isso, mas que tudo isso me dá liberdade pra compor as coisas do jeito que eu quiser, sem restrições. Bem vindos a um pedaço do que penso................