quarta-feira, 31 de março de 2010

Post 663 - Mensagem de Fernando Pessoa

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Este foi o único livro de poesias lançado por Fernando Pessoa enquanto vivo. Complexo, são necessárias diversas idas e voltas para prosseguir com segurança seu desenvolvimento. Idas tantos ao glossário de termos e personagens, bem como às partes dos Lusíadas “intertextualizadas” por Pessoa, e voltas às poesias já lidas, mas que continham informações importantes para um outro ponto da obra.
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As poesias também podem ser lidas de forma independente, pois possuem corpo e beleza suficientes em si, porém, quando lidas em seqüência, formam um amplo esquema histórico e, até mesmo profético, de Portugal. Este era a intenção maior de seu autor, homem ligado aos ocultos do espírito e das estrelas, ou o que houvesse da estrela no seu próprio espírito.
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Vale ressaltar que é bastante constante a intertextualidade com Os Lusíadas de Camões, o que faz dessa obra um projeto audacioso. Muitos trechos de Mensagem fazem referência a passagens da maior obra da língua portuguesa e, assim como o grão-poeta lusitano, seu fiel concorrente exalta a nação lusitana, seus feitos e a promessa de um novo futuro promissor, ou, como ele mesmo diz: futuro do passado.
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Os estilos, porém, se diferem. Como de suposição seria natural, soa deveras Pessoa mais atual, menos intrincado, de métrica e rima menos rigorosas, sem, no entanto, desvanecer a beleza da sublime poesia de magnitude primeira que, em ambos os artistas, solo fértil encontrou. Pessoa é sucinto, Camões caudaloso, Pessoa é precisamente infinito, Camões infinitamente preciso. Não há beleza maior, há beleza diferente. O não dito, em Pessoa, faz toda a diferença. Já Camões traduz divinamente suas imagens, ainda que permanecidas ocultas.
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Posso fazer essas comparações porque, na edição comprada, organizada pela Editora Hedra, são trazidos, em parte avulsa, os trechos dos Lusíadas aos quais as poesias de Mensagem se referem. Comparando os trechos, esta foi minha impressão.
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Entrando nos pormenores do livro, este possui 3 grandes partes subdivididas de formas diferentes:
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1) A primeira delas: Brasão.
Traz o brasão de Portugal e estabelece um poema para cada elemento. É possível acompanhar a descrição pela figura anexada neste post.
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São denominados 2 grandes campos: Os Castelos (1.1) contendo 7 poemas, e As Quinas (1.2) contendo 5 poemas. Além desses dois campos, temos: A Coroa (1.3) contendo 1 poema somente, e O Timbre (1.4) contendo 4 poemas.
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(1.1) O dos 7 Castelos: refere-se a 7 personagens da história, ou, por vezes, da mitologia, que ficaram conhecidos por sua valentia nas armas e tiveram alguma ligação, ainda que fabulosa, com Portugal, como é o caso de Ulisses, herói da Ilíada e da Odisséia de Homero e que, segundo reza a lenda, teria fundado a cidade de Olissipo, hoje Lisboa.
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Os sete Castelos, e respectivos títulos das poesias, são:
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1 - Ulisses
2 - Viriato
3 - Conde D. Henrique
4 - D. Tareja
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6 - D. Dinis
7 - D. João, o primeiro, e sua esposa D. Filipa de Lencaster.
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A sétima poesia é divida em duas e Filipa é exaltada como um ventre ditoso, pois dá fruto a 4 grandes personagens da história: D. Henrique, D. Duarte, D. Fernando e D. Pedro.
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(1.2) O das 5 Quinas: refere-se a 5 personagens que se destacaram por sua bravura no enfrentar do sofrimento espiritual, não necessariamente da bravura em armas, mas em alma. A Quina central refere-se ao próprio Jesus Cristo e, cada 1 dos 5 pontos desta Quina, refere-se a uma de suas chagas. Outra dessas 5 Quinas, é bom que se diga, liga-se a Dom Sebastião, rei português desaparecido e figura central do Sebastianismo. Logo mais explico sobre este termo.
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As 5 Quinas, e suas respectivas 5 poesias, são assim intituladas:
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1 - D. Duarte, Rei de Portugal
2 - D. Fernando, Infante de Portugal
3 - D. Pedro, Regente de Portugal
4 - D. João, Infante de Portugal
5 - D. Sebastião, Rei de Portugal
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(1.3) A Coroa: como já dito, possui 1 única poesia que se refere e leva o título de Nun’Álvares Pereira, um grande chefe militar medieval, participante decisivo em batalhas decisivas da nação portuguesa. Ao fim da vida, doou seus bens, foi morar num convento. Também é considerado um beato. Enfim, uma figura forte para embasar as ambições de Pessoa.
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(1.4) O Timbre: refere-se ao animal alado pousado sobre a coroa portuguesa. A cabeça do grifo representa o Infante D. Henrique, uma das asas D. João, o segundo, e a outra asa Afonso de Albuquerque. Esses são respectivamente os 3 títulos das 3 poesias desta quarta parte da primeira parte da obra Mensagem de Fernando Pessoa.
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Outra coisa a se ressaltar é que, esses paralelos entre a história portuguesa e seu brasão são frutos da imaginação de Pessoa e não significados provenientes de registros históricos.
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A Primeira parte, de maneira mais geral, faz referência às figuras do processo de fundação de Portugal, figuras da nobreza, mitológicas, heróis de guerra, heróis nacionais.
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2) Já a Segunda grande parte desta obra, faz referência às grandes navegações e chama-se: Mar português. É aqui que se encontra aquele famoso poema: “Ó mar salgado, quanto do teu sal são lágrimas de Portugal”. Esta contem 12 poemas. São eles:
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1 – O Infante
2 – Horizonte
3 - Padrão
4 – O mostrengo
5 – Epitáfio de Bartolomeu Dias
6 – Os colombos
7 - Ocidente
8 – Fernão de Magalhães
9 – Ascensão de Vasco da Gama
10 – Mar português
11 – A última nau
12 - Prece
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Aqui vê-se os nomes de alguns navegadores, faz-se referência a monstros do marinhos, o horizonte que esconde terras. A palavra colombos, no livro, está sem acento.
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Só adiantando um atrasado assunto prometido - o Sebastianismo é a crença de que o rei D. Sebastião, tímido, por alguns tratado como louco, e que foi dado por desaparecido em batalhas contra os mouros, voltará e estabelecerá em Portugal o Quinto Império, no renascimento de um passado de glórias.
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O mito do Quinto Império é baseado num sonho de Nabucodonosor que viu ruir 4 parte de uma estátua. Interpretado por Daniel (não há citação do sobrenome), a cabeça de ouro desta estátua seria a Babilônia, o peito de prata, o ventre de bronze e os pés numa mistura de ferro e barro seriam os impérios sucessores. Ao desmoronar, a estátua se mistura e forma uma montanha que aponta para a chegada de um Quinto e único império universal e infinito. Para o Padre Antônio Vieira, maior influenciador de Fernando Pessoa nesta obra, os impérios seriam: o Persa, o Assírio, o Egípcio e o Chinês. Já o Quinto, seria Portugal, que teria em D. João IV a volta velada de D. Sebastião, figura central do dito Sebastianismo. Também por isso D. Sebastião é conhecido como “O Encoberto”, por outras como “O Desejado” já que promoveria a glória.
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Numa atualização do ideal do Quinto Império, Pessoa substitui os 4 já listados, cogitados por Vieira, e propõe uma nova lista por considerar o ocidente europeu como seu foco. Assim temos: o império Grego, o Romano, o da Europa Cristã e o da Europa Iluminista. Já o Quinto, desta estruturação, seria o império dos poetas, iniciado em Portugal, teria no Padre Antônio Vieira sua grande figura, e se caracterizaria por ser etéreo, sublime, eterno e não baseado nas armas, mas nas artes, nas ciências e assim conseguiria, por disseminar uma cultura universal, a paz para todos os povos.
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Só mais uma coisa... Tive a leve impressão, lendo a introdução de Caio Gagliardi, de que Fernando Pessoa via nele mesmo o fundador deste novo império universal dos poetas, e Mensagem seria seu texto fundador.
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Bom, enfim, vamos à terceira e última parte:
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3) O Encoberto
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Esta parte fala do futuro, do Quinto império e subdivide-se em 3 partes: “Os símbolos”, “Os avisos”, “Os tempos”.
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3.1) Os símbolos, contem 5 poesias. São elas:
1 – D. Sebastião
2 – O Quinto Império
3 – O Desejado
4 – As ilhas afortunadas
5 – O Encoberto
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Note que D. Sebastião, O Desejado e O Encoberto giram em torno de uma mesma figura. As ilhas afortunadas falam da característica etérea deste novo império que não teria lugar, seria uma existência sublime, quintessencial.
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3.2) Os avisos, contem 3 poesias. São elas:
1 – O Bandarra
2 – Antônio Vieira
3 – “’Screvo meu livro à beira-mágoa...”
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Bandarra foi um aldeão lusitano que fazia quadras populares e assim disseminou profecias numa Portugal antiga. Antônio Vieira é o conhecido padre escritor de sermões e é considerado o maior orador sacro em língua portuguesa. A terceira é a única em todo livro que não contem título porque deve (deverá) ser intitulada justamente com o nome do prosador que fundará o Quinto Império.
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3.3) Os tempos, contem 5 poesias. São elas:
1 – Noite
2 - Tormenta
3 - Calma
4 – Antemanhã
5 - Nevoeiro
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Nevoeiro faz referência também ao mito Sebastianista que dizia que D. Sebastião chegaria em meio a um nevoeiro. Na verdade essa poesia vai além disso. Ela critica o marasmo português e incita a nação a um novo futuro, pois, como dito no fim, se é num nevoeiro que a glória virá:
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“Ó Portugal, hoje és nevoeiro...
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É a hora!”
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Mais uma coisa...
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Como já dito, esta é uma obra poética que trás a mensagem de que será a poesia a responsável pela realização do Quinto império eterno: o império dos poetas. Desta maneira, anunciando uma profecia, este livro já realiza o que profere, pois se torna eterno enquanto arte e, para Fernando Pessoa, a arte é o único império eterno.
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Para finalizar, segue a poesia Nevoeiro, última do livro. Logo em seguida está a parte dos Lusíadas à qual ela faz intertextualidade.
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Nevoeiro
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Nem rei nem lei, nem paz nem guerra,
Define com perfil e ser
Este fulgor baço da terra
Que é Portugal a entristecer -
Brilho sem luz e sem arder,
Como o que o fogo-fátuo encerra.

Ninguém sabe que coisa quer.
Ninguém conhece que alma tem,
Nem o que é mal nem o que é bem.
(Que ânsia distante perto chora?)
Tudo é incerto e derradeiro.
Tudo é disperso, nada é inteiro.
Ó Portugal, hoje és nevoeiro...
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É a Hora!
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Último poema de Mensagem - Fernando Pessoa
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Intertexto desta parte:
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No mais, Musa, no mais, que a lira tenho
Destemperada e a voz enrouquecida,
E não do canto, mas de ver que venho
Cantar a gente surda e endurecida.
O favor com que mais se acende o engenho
Não no dá a pátria, não, que está metida
No gosto da cobiça e na rudeza
De uma austera, apagada e vil tristeza.
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(Canto X, 145, 1137-1144)
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Os Lusíadas - Luís Vaz de Camões
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O Brasão de Portugal
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terça-feira, 30 de março de 2010

Post 662 - O cemitério dos vivos

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“Sou, eu hoje posso afirmar sem temor, sujeito a certas impressões duradouras, tenazes, que me acodem todos os dias à lembrança, por estas ou aquelas circunstâncias aparentemente sem relação com o fundo delas. Não sei nunca porque me ficaram e, as mais das vezes, não posso verificar o instante em que elas me ficaram.”

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O cemitério dos vivos - Lima Barreto

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terça-feira, 23 de março de 2010

Post 661 - A metamorfose – Kafka

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É um livro pequeno, com três capítulos, setenta e oito páginas, linguagem fácil, direta, palavras simples, narrador em terceira pessoa, um pouco confuso, mas onisciente, poucos diálogos introduzidos por aspas ao invés de travessão, parágrafos e períodos de tamanho médio. É uma obra rápida de se ler, mas não tão confortável quanto pode parecer, se levadas em consideração somente as descrições feitas acima.
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O incômodo, característico das obras de Kafka, existe, mas não chega a dificultar ou impedir o prosseguimento da leitura. É um incômodo sutil, profundo, silencioso que não reside diretamente no raso da narração. As situações não chegam a ser fantasiosamente narradas, mas o desenrolar da trama vai plantando pequenos desencaixes que são, na verdade, ou talvez, a jogada de mestre do autor.
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Muito mais que a bizarrice do acontecimento de um homem acordar como um inseto, são as pequenas cenas, em que se apresenta o comportamento dos personagens, as responsáveis pela construção e sustentação do ambiente kafkiano. Personagens que mudam de conduta, reações esperadas que não acontecem, a irmã que está forte, de repente chora, cuida do irmão, de repente está contra ele, o pai fraco que por anos esteve encostado e em poucos dias se fortalece, trabalha, exige mimos das mulheres, encoraja-se e avança sobre a criatura, pessoas da família que às vezes são simples, às vezes submissas com os hóspedes, depois, num instante, pensam de forma burguesa e intolerante.
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Não há previsibilidade e, seria difícil dizer se isso estava na intenção do escritor ou se simplesmente escapou ao controle dele e assim aconteceu, foi narrada. A sutileza e a naturalidade com que essas incongruências são colocadas, não torna possível afirmar se foram intencionais ou por acaso, se é loucura ou genialidade, desvario ou precisão, sorte ou domínio total da técnica. Não é possível porque às vezes o próprio narrador tenta explicar as reações estranhas mais suas justificativas soam fracas, incapazes de convencer o leitor.
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E daí surgem as dúvidas:
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Mesmo isto foi planejado?!
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Mesmo a medíocre tentativa de amarrar a história foi milimetricamente tecida pelo escritor para que soasse de forma fraca, não convincente e assim ajudasse a fortalecer a sutil não-lógica kafkiana?!
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Será que Kafka tinha noção desta linha tênue que ele construía ou esta pseudo-desconstrução estava tão dentro dele e escapava involuntariamente em suas palavras e enredos imaginados?!
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O estranhamento era sua intenção, isto está claro, mas era controlado o trato fino deste estranhamento a ponto de colocar em cheque a própria “sanidade” do narrador ou, em segunda instância, do próprio autor?!
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Não sei!!!
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Enfim, estas são as questões principais. Fora isso, tenho mais algumas coisas dizer.
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O livro, na verdade, possui um nome equivalente a “A transformação”, pois, no original se chama: Verwandlung. Mas, como suas primeiras traduções para o português foram batizadas de “A metamorfose”, o tradutor, Celso Donizete Cruz, resolveu seguir a tradição e manter. Aliás, Celso Donizete Cruz, não é o professor de português da ESPM que se chama: Celso ALVEZ Cruz. Fui averiguar isso na internet.
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Última coisa... Já li “O Processo” e agora “A Metamorfose”, ambos de Kafka. Gostei mais do Processo. É um livro mais longo, envolve mais, tem mais tramas, maior variedade de cenários bizarros. Metamorfose é quase um conto ou, mais precisamente, uma novela. Quase gostei muito, gostei mais ou menos, a verdade. Mas, em casos de livros ícones como este, não importa se gostamos ou não, o que importa é tomar contato.
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sábado, 20 de março de 2010

5 anos de blog

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No dia 18 de março este blog fez 5 anos. Pela primeira vez não postei nada referente a esta data, mas quis comentar sobre, ainda que 2 dias depois. Esta é a postagem 660. A maioria do que está escrito aqui foi criado por mim. Não sei se a maioria dos posts, em número, mas com certeza a maioria do volume, sendo que os textos de temas livres são a divisão mais numerosa. São 185 até agora e com esta será 186. As poesias já estão chegando a 100, são 93 atualmente, mas com certeza tem mais delas por aqui, é que, como já dito, alguns posts, que tinham poema e texto, caíram em outra marcação. Além disso, são 103 frases soltas, 130 posts de coisas feitas por outras pessoas. A divisão “Além do mais” é a mais doida, qualquer tipo de combinação cabe lá. Haikais não vai muito bem. Não tenho costume, mas gosto muito de escrever no formato. Essa divisão ainda tende a crescer bastante. “Nunca nada” é um disparate qualquer de postar sem escrever absolutamente nada, mas não necessariamente querendo dizer nada. No fundo ela quase não conta. E as resenhas é uma parte que eu tenho uma afeição especial, junto com a das poesias, é claro. Gosto das resenhas porque é uma parte de textos mais colocados, que não podem sair divagando pelos caminhos que quiser. Acho um ótimo exercício. Enfim, 5 anos e 660 postagens. Logo mais chegará a postagem 666. Vixi!!! Vou colocar alguma coisa meio que no tema, algo meio cabuloso.
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Está assim atualmente:
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além do mais (121)
de outros (130)
frases soltas (103)
haikais (4)
nunca nada (2)
poesias (93)
resenhas ou quase (21)
textos livres (186)
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Aqui encerro mais um ano do blog.
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A gota

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Com muito esforço
destravei minha autocrítica severa.
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Agora,
brindo a vida e a morte como que iguais.
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Tanto faz!
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quarta-feira, 17 de março de 2010

Preciosa – Uma história de esperança

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Diretor: Lee Daniels
Elenco: Gabourey Sidibe, Mo'Nique, Paula Patton, Mariah Carey, Lenny Kravitz.
Produção: Lisa Cortes, Tom Heller, Lee Daniels
Roteiro: Geoffrey Fletcher
Fotografia: Andrew Dunn
Trilha Sonora: Mario Grigorov
Duração: 110 min.
Ano: 2009
País: EUA
Gênero: Drama
Cor: Colorido
Distribuidora: PlayArte
Estúdio: Lee Daniels Entertainment
Classificação: 12 anos
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CURIOSIDADES
- Indicado às estatuetas de Melhor Diretor (Lee Daniels), Melhor Atriz (Gabourey Sidibe), Melhor Filme, Melhor Montagem (Joe Klotz)
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PRÊMIOS
- Venceu o Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante (Mo'Nique) e Melhor Roteiro Adaptado (Geoffrey Fletcher), .
- Vencedor de cinco prêmios no Independ Spirit Awards 2010
- Prêmio do Grande Júri, Júri Especial e Público no Festival de Sundance.
- Toronto International Film Festival - People's Choice Award.
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O que eu achei:
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Assisti no domingo, na sessão das 22 horas. Adoro a última sessão e depois voltar pra casa com as ruas vazias!!!
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É um filme bem triste, bem pesado, um filme que às vezes quase me levou a achar algumas cenas ridiculamente perversas, desnecessariamente cruéis, mas eu estava, enfim, diante de uma obra realista.
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É também um filme que possui, em sua personagem principal, um herói possível e tocante.
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As grandes qualidades de Preciosa (Gabourey Sidibe) vão singelamente sendo realçadas pelo contraste entre o que ela passou e o contexto em que vive. Assim, a força calada, e até mesmo amargamente bondosa, que ela guarda dentro de si, vai crescendo e tomando conta do espectador. Não que ela tenha um comportamento exemplar, mas, o que a envolve é construído de maneira tão brutal (principalmente na figura da mãe e do histórico com o pai), que a garota vai ganhando luz, mesmo às vezes roubando, batendo, não sorrindo, se arrastando.
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O roteiro é fantástico.
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A ascensão de Preciosa é lenta e consistente, pontuada por personagens diversos, normais, pessoas comuns, nada Hollywoodianas. Um fato diferente é a inclusão de cenas cômicas entre cenas pesadíssimas. Isto, a princípio, causa um certo estranhamento, parece um disparate desnecessário, pois às vezes não se consegue quebrar com tanta velocidade aquilo que se estava sentindo anteriormente.
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Mas essas quebras são repetidas algumas vezes, cenas de desvarios em que Preciosa se vê num mundo de glamour, e é por meio desta repetição que se vai construindo um envolvimento diferente com o filme e com seu ritmo. Parece que as cenas cômicas vão também trazendo alívio para quem assiste, o alívio da fuga que experimentamos juntos da personagem principal. No final chega-se a rir tanto pelo conteúdo da cena, quanto pela bizarrice da proposta utilizada pelo roteirista. Pelo menos comigo aconteceu assim.
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Aliás, o roteirista deve ser parente da Leila Fletcher, uma mulher que fez livros para estudo de piano. ;-)
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Que mais?!?!
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A atriz que faz a professora é lindíssima. E o personagem é apaixonante! Mariah Carey estaria até bem, não fosse o fato dela ser Mariah Carey o que, no contexto de tantos atores desconhecidos, acaba gerando um ruído. Lenny Kravitz, que aparece depois de Mariah, me pareceu que não estava trabalhando tão bem. A mãe da Preciosa está estupendamente brilhante, o que gera uma raiva enorme daquele monstro que a atriz Mo'Nique conseguiu incorporar com precisão.
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O final não é feliz. Está longe de ser feliz. Mas deixa no ar uma esperança com o esboço de um novo patamar de vida para Preciosa. Um patamar que trás dificuldades como: filhos para criar sozinha, uma doença descoberta à pouco tempo, mas também um patamar com amizades verdadeiras, retorno aos estudos regulares e a separação da mãe.
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Bonito até!!!
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Enfim, não saí do cinema leve, mas gostei muito da obra.
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segunda-feira, 15 de março de 2010

Eu fico pensando?!

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Se outras gerações passadas que aspiraram, com mais força do que nós, a mudança-renovação-melhoria do mundo em diversos aspectos como: familiar, moral, ético, sexual e etc, foram os responsáveis pelo estágio que chegamos, o que faremos nós, que nem aspirar aspiramos?! É fato que os jovens de hoje não discutem seus valores e rebeliões tanto quanto outros discutiram há algumas décadas atrás. Se pessoas formadas dentro daquele outro sonho, deixaram elas mesmas caírem em descaso, desuso, descrença, o que faremos nós que nem mesmo esta reestruturação-secundária-brilhante (a juventude/maturidade) estamos tendo?! Será que seremos mais práticos e por isso mais efetivos?! Ou melhor, menos sonhadores e por isso mais realizadores?! Menos amplos e por isso mais exatos, pontuais e eficientes?! Não sei, mas sei que não ligarei o foda-se geral!!! Não posso, não consigo!!!
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O que é, o que é o viver?!

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O que é viver senão uma tentativa de significação profunda da existência?! Aqui, naturalmente, possui uma tendência a que as coisas sejam colocadas, digeridas. Noutro plano, não! Lá há um movimento maior de superação dos incômodos, das metades, além da permanência e aprimoramento das belezas já conquistadas. E tudo isto está um pouco além do nosso controle!!!
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sábado, 13 de março de 2010

Gostei!!!

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Sorte de hoje: A melhor maneira de prever o futuro é inventar
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terça-feira, 9 de março de 2010

Chorei


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O brinquedo mais bonito
É de quem sabe inventar
Num sentido mais profundo
O que gosta de criar
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Benita Carneiro
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segunda-feira, 8 de março de 2010

OS 120 DIAS DE SODOMA


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Sinopse: Inspirado no romance do Marquês de Sade, a montagem, que contou com críticas favoráveis da imprensa e grande adesão do público, está em cartaz desde maio de 2006. O espetáculo trata de questões filosóficas e políticas colocadas pela obra sadeana, em um contexto brasileiro de corrupção e decadência das instituições sociais.
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Texto: Rodolfo García Vázquez, a partir da obra homônima do Marquês de Sade.
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Direção: Rodolfo García Vázquez.
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Elenco: Angrey Fiel, Antônio Campos, Danilo Amaral, Diogo Moura, Eduardo Chagas, Erika Forlim, Gabriela Cerqueira, Heitor Saraiva, Juliana Morelli, Luiza Valente, Marcelo Jacob, Marcelo Tomás, Marta Baião, Mauro Persil, Patrícia Santos, Rafael Mendes, Robson Catalunha, Rodrigo Souza, Samira Lochter, Tiago Martelli e Tony Sasaki.
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Quando: Domingo, 2Oh30.
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Onde: Espaço dos Satyros Dois, Praça. Roosevelt, 134.
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Quanto: R$ 30,00; R$15,00 (Estudantes, Classe Artística e Terceira Idade); R$ 5,00 (Oficineiros dos Satyros e moradores da Praça Roosevelt)
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Lotação: 90 lugares.
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Duração: 120 minutos.
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Classificação: 18 anos.
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Temporada: 31 de Janeiro até 28 de Março
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O que eu achei?!
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Deveria ter menos putaria e mais reflexão. Havia, sim, imagens fortes que nos levavam a refletir, mas achei que o texto poderia ter mais peso, passar mais idéias, ser mais profundo e incomodar mais. O incômodo ficou excessivamente por conta da parte visual dos atores nus, das cenas de defecação onde fingiam se alimentar de fezes, cenas de orgias, estupros, atores com pênis postiço, coisas do tipo.
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A ligação do contexto sadeano ao contexto do Brasil atual também é bem legal, mas, pouco explorado. Daí, caio novamente na questão do texto que explora pouco também este aspecto.
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Outra coisa, estou pensando em escrever resenhas pequenas como esta porque às vezes vejo algum filme, peça ou qualquer coisa artística e não coloco nenhum registro aqui porque fico com preguiça de escrever algo grande e cheio das palavras e análises que esgotem minha visão da obra.
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Enfim, mais uma resenha, só que, desta vez, uma mini-resenha.
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terça-feira, 2 de março de 2010

Anúncie?!

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Vi escrito assim numa propaganda da Catho que aparece dentro da área privada do Yahoo:
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Anúncie seu CV
7 dias Grátis!
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Está errado esse acento na palavra anuncie, pensei comigo!!!
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Então fui testar a palavra com acento no Word e ele rejeitou. Ok, até aí, nada de novidades.
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Não satisfeito, fui pro Google e, quando digitei a palavra com acento, a pesquisa me trouxe diversos resultados desta palavra acentuada. Achei muito estranho, pois acreditei que não seriam tantos.
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Tá certo que os sites que trazem a palavra sem acento são mais confiáveis, maiores e mais estabelecidos. Mas, mesmo assim, a quantidade de sites trazendo o Anúncie ao invés do Anuncie me deixou palmado.
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Os números estão assim:
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Anúncie: aproximadamente 49.100.000
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Anuncie: aproximadamente 50.400.000
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Isso não quer dizer muita coisa, afinal, depois das tantas, o Google começa a trazer resultados misturados, mas, mesmo assim, são muitas páginas com a palavra acentuada.
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segunda-feira, 1 de março de 2010

Legal!!!

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“Hemingway comparava a estrutura dos textos literários à dos icebergs: “A dignidade de movimento de um iceberg deve-se ao fato de apenas a sua oitava parte estar acima da água”. A maior parte do que importa em um texto estaria oculta e, contudo, constituiria seu corpo e o sustentaria”.
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Revista Bravo! 100 contos essenciais da literatura mundial.
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Postagem 650: Utopia fatalista?!

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A revista Leituras de História, em edição especial sobre as Utopias e suas influências ao longo da história da humanidade, concluía-se com a seguinte colocação:
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“Utopia, no século XXI, continua sendo esta profunda inspiração, que torna plena a reflexão que equaciona a incontornável experiência do passado, no tempo presente, para construir o tempo futuro, sempre mais além e melhor. É, pois, uma história que não tem fim.”
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Daí, fiquei pensando!!!
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Será que ainda vai continuar sendo mesmo esta profunda inspiração, como coloca a frase? Será que teremos tempo para Utopias inspiradoras num mundo que se preocupa cada dia mais com o mínimo ato de SOBREVIVER?!?!
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A Ecologia vai aos poucos se tornando o único núcleo atrativo das atenções, restringindo processos e homens dentro de sua dura temática e realidade. A Utopia, por outro lado, nasce da idealização possibilitada por uma mínima gama de trajetos a serem seguidos pela humanidade. Se o caminho deixa, cada dia mais, o amplo campo do viver, migrando para a estreiteza do sobreviver, conseguiria, a Utopia, forças criativas neste novo e apocalíptico meio-ambiente?! E mais, ainda que existam Utopias, elas conseguiriam trazer brilho à vida? Afinal, é completamente diferente o engajamento causado pela Utopia Marxista, por exemplo, deste novo e crescente engajamento/engessamento ecológico que impõe novas condutas ao homem do século XXI. O primeiro trazia paixão, o segundo traz temor. Apesar de ambos trazerem o movimento, a mudança, as motivações internas são muito diferentes.
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Qual é a graça deste processo que estamos entrando neste ano de 2010, considerado por muitos como o marco zero da sustentabilidade?
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Toda Utopia carrega marcas do momento em que foi criada. Isto é lei. As influências do meio, no qual vivemos, escapam ao nosso controle e fluem nas obras produzidas dentro do chamado Zeitgeist, o Espírito do Tempo. As ficções científicas e a modernidade do século XX; o Socialismo Científico e as guerras sociais do século XIX; as idealizações de Voltaire, bem como o engajamento teórico de Montesquieu e o Iluminismo do século XVIII, século campeão na criação de Utopias; a obra de Thomas Morus (fundador do termo) que criou a ilha ideal da Utopia e as crises sociais na Europa do século XVI – todos esses são exemplos de Utopias e suas respectivas influências.
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Sendo assim, é possível afirmar que, as Utopias do século XXI, muito provavelmente, trarão as marcas da Ecologia, bem como um retorno ao ideal do bom selvagem. Não seria esta a tendência que o filme Avatar já está demonstrando?! A ficção científica, no século XXI, já fecha seu foco na aclamada sustentabilidade como única possibilidade de Eutopia. Bem como as Distopias que, apesar de trazerem o contrário, ou seja, catástrofes naturais, como é o caso do filme 2012, no fundo, estão apenas se apoiando sobre a mesma temática. Esses filmes não fazem sucesso por acaso. É a latência do assunto que os faz serem vistos, comentados, difundidos e participantes da Agenda Setting.
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A natureza se torna centro das especulações, mas ela é estreita, pois não estamos mais falando tanto de livre idealização do mundo. O foco cai, como já dito, na sobrevivência e isso tende a ser mínimo demais, sufocante demais.
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Utopias nos alimentam. Utopias tornam o cotidiano mais leve. As gerações vindas depois dos anos 80 não viveram grandes movimentos baseados em Utopias, ao contrário daqueles que nasceram anteriormente. Seria necessária a criação de uma nova Utopia possível, como defendeu Fernando Henrique Cardoso, entre outros?! Seria possível esta Utopia num mundo tomado pela tenção de um humano que deve, cada vez mais, se conter?! Acho que não!!!
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Seria então a questão de encarar a vida como um ato profissional?! A humanidade madura?!