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Conta a estória de um ator que fez sucesso como o super-herói Birdman, em tempos passados, e que vê este personagem o perseguindo em meio a seu fracasso profissional atual. Seria uma espécie de fantasma do sucesso personificado em um ente fictício que ele mesmo deu vida. Esta paranoia tem início quando o protagonista tenta montar um texto famoso da Broadway e o processo todo o leva a desenvolver certas psicoses. Vozes o atormentam, ele acredita ter poderes que pertenciam a Birdman e coisas do tipo.
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O filme é fabuloso! Talvez um ponto entre o experimentalismo radical e o que seria um filme Hollywoodiano ganhador de um Oscar na década de 90. Há nele algo de uma maturidade experimental que não quis chegar a exageros, que não quis chocar demais, que não quis extrapolar os limites, nem tampouco se conter dentro da zona de conforto habitada por muitas das grandes montagens da indústria cinematográfica americana.
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Aliás, talvez este filme visasse mesmo um Oscar nessa nossa década de 10 do terceiro milênio. Talvez, seus criadores tenham mesmo se direcionado pelo que parece ser a nova forma de avaliar e premiar os filmes, um novo caminho valorizado que vem sendo indicado pelas premiações que a academia de Los Angeles conferiu nos últimos anos.
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Grande parte da trama se passa dentro de um teatro, nas coxias, nos corredores apertados deste espaço artístico. Com isso, todo o filme parece ser feito sem cortes, havendo mesmo longas sequências em que não é possível notar algum ponto de interrupção nas filmagens. É incrível, pois isso se torna um chamariz a mais durante o contato com a obra. Eu, depois que percebi essa característica, fiquei tentando sacar quais momentos poderiam ter sido usados para fazer os cortes e, realmente, em algumas partes, passavam-se longos minutos antes de se perceber algum momento onde pudesse ser feita uma pausa.
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Os atores estão muito bem e as atuações vão muito de encontro às interpretações mais contidas dos filmes europeus. Os personagens estão colocados a margem do sucesso, possuem uma espécie de resignação vinda da maturidade pós-moderna, um olhar desnudo perante a realidade da vida contemporânea. É a própria decadência usada como elo entre o espectador e o ator. Semblantes caídos, propostas pouco efusivas, energia morna, intensidade naquilo que não é dito.
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Achei fabulosas as sequencias de ensaio da peça que se passa dentro do próprio filme. É quando o ator torna um ator atuando numa dupla ficção, um universo paralelo dentro de um universo paralelo. Essas sequencias são muito bem feitas e me chamaram a atenção pela forma como o ator sai do personagem primeiro para, notadamente, entrar no personagem do personagem.
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A trilha sonora minimalista também ajuda a construir o clima experimental da película por meio de um eterno solo jazzístico de bateria. Num determinado ponto, o próprio baterista aparece de passagem em um canto dos corredores do teatro, reforçando o clima mágico, como se ele estivesse ali o tempo inteiro tocando próximo dos locais onde as cenas foram filmadas.
E a tal “Inesperada Virtude da Ignorância” se concretiza na própria cena final, quando, sem nos mostrar diretamente o ocorrido, imaginamos a superação e a magia virtuosa da ignorância pelo semblante da filha do personagem principal, quando esta olha pela janela e...
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FICHA TÉCNICA
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Gênero: Drama
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Direção: Alejandro González Iñárritu
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Roteiro: Alejandro González Iñárritu, Alexander Dinelaris, Armando Bo, Nicolás Giacobone
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Elenco: Akira Ito, Amy Ryan, Andrea Riseborough, Brent Bateman, Clark Middleton, Damian Young, David Fierro, Donna Lynne Champlin, Edward Norton, Emma Stone, Hudson Flynn., Jamahl Garrison-Lowe, Jeremy Shamos, Joel Marsh Garland, Katherine O'Sullivan, Keenan Shimizu, Kenny Chin, Lindsay Duncan, Merritt Wever, Michael Keaton, Michael Siberry, Naomi Watts, Natalie Gold, Paula Pell, Warren Kelly, William Youmans, Zach Galifianakis
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Produção: Alejandro González Iñárritu, Arnon Milchan, James W. Skotchdopole, John Lesher
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Fotografia: Emmanuel Lubezki
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