Esse texto eu escrevi pra Faculdade e ele é sobre o livro “A Grande Arte” de Rubem Fonseca. São quatro personagens que eram as quatro pessoas do grupo e gira em torno do personagem principal, o detetive Mandrake. São três ceninhas numa só. Três partes que se ligam. O cenário era uma sala escura, só um abajur ligado, cigarros, livros, um Mandrake sentado na mesa com 2 putas uma em cada lado, enquanto isso +ou- consciência do Mandrake perambulava pela platéia e intervinha de vez em quando. O texto ta aí em baixo:
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Parte I
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Mandrake (ele mesmo) - Mandrake, muito prazer. Eu. Eu sinceramente, não sou sincero, mas falo abertamente. Não falo de mais, falo. Não sou galã, sou homem. Sou eu. Não sou bom, não sou mau, mas nem por isso sou medíocre. Eu digo isso de mim como tentativa de me construir. Sou zero quando o número é zero, serei 10, 100 ou 1000 na gradação infinita que é normal a qualquer um de nós. Talvez eu seja um pouco arrogante, falo assim, mas não confesso, tenho também um pouco de idolatria própria, advinda da virilidade. Por enquanto isso deve bastar.
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Mandrake (algo como a consciência dele) - Nada que vale a pena contar pra qualquer um. Sou reservado, inconcluso nas entrelinhas. Minhas palavras são um misto de seriedade e filosofia barata. Eu sei de tudo que eu sou, mas não vou abrir a boca, nem meus pensamentos pra te contar. Nem em muitas das páginas seria possível pra você me decifrar como eu te decifraria. O olhar nos pormenores é que constrói o que é realmente grandioso. É por isso que faço poesia de testosterona sem ejacular uma palavra que seja um pouco mais sentimental. Não é de mim. Nem na onisciência do eu-narrador-constante você vai saber se eu te agrado. Mas você, no outro lado da possibilidade de existir, vai ter a certeza de que meu olho cruzaria o teu caminho e ainda iria mais além do que o seu já foi.
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Mandrake (ele mesmo) - Eu não te aconselho e se impressionar com o que digo. Ver de fora é fácil, eu por dentro sou inacessível, mas não confesso.
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Parte II
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Uma puta - Ah? Ele adora minhas cochas fartas, tenras, ahh, é tanta carne em abundância que sobe num volume perfeito, separado por alguma coisa que lhe enfeitiça. Ele ainda lembra daquela vez como se fosse agora. Eu me espreguiçando naquela cama, ele sentado fumando charuto enquanto olhava pra cada brilho anatômico das minhas curvas e eu me mirei costas. Virei e fui abaixando bem devagar enquanto ele observava meu ânus pontual e estreito, todo cercado de uma penugem dourada. Passava-lhe a impressão de ser uma porta ou uma boca rosa e úmida morta de vontade de ser arrombada, vagarosamente invadida, e eu não podia fazer nada contra. E eu gostava, eu sei. E ele?
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Outra puta - Ah, ele adorava estar cada vez mais e mais dentro de mim, sentindo a cada movimento toda a consistência fêmea de tudo aquilo que envolvia seu pênis fundo. Chega de falar sobre ele.
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Mandrake (ele mesmo) - É muito bom sentir o calor das tuas dobras, quebrar as barreiras do teu caminho e cada vez ir mais, sempre mais, enfrentando as resistências daquela cópula animal.
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Uma puta - Meus gemidos sempre mais gemidos.
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Mandrake (ele mesmo) - Teus seios são um pouco maiores que minhas mãos, perfeito pro ato de sentir essa parte tão especial pra mim. Tuas curvas, tua barriga sensível, macia. Teu corpo brilhava, suado, intenso de calor.
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Outra puta - Minhas dores se agarravam no lençol numa fuga sem movimento, numa liberdade frontal que lhe era muito bom observar.
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Mandrake (ele mesmo) - O que eu sinto é sub-entendível, mas não confesso. Teu corpo era desnudo, mas seus olhos não. Os meus não seriam, como não são. Seus olhos eram cada vez um, mas sempre profundos e muito mais fortes que os meus, mas eu não diria. Castanhos, dourados, verdes, azuis, não sei mais do passado desde que a sua cor mudou. Eu te amo e sempre vou te amar, quem quer que você seja. Qual é o seu nome?
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Outra puta - Mulher
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Uma puta - Somente tudo isso.
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Mandrake (ele mesmo) - Te amo, mas não me abro, eu minto, mas só se for pra se falar a verdade.
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Mandrake (algo como a consciência dele) - Ele mente, eu não. Ele não, mas eu... não confesso. Talvez a segurança do verbo na terceira pessoa me faça bem, mas nunca diria um pesadelo sequer.
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Mandrake (ele mesmo) - Esse não sou eu. Ele sou eu. Narrando. Minha segurança é fruto de olhar oblíquo, estatura mediana, esperteza vivida, silêncios oportunos, imaginação sexual digna de inteligência introspectiva. Mas ele não confessa
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Mandrake (algo como a consciência dele) - Muito menos eu.
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Parte III
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Mandrake (ele mesmo) virando-se cada hora para um da platéia, mas sem aportar nenhum em específico - É, eu sei que sua corcunda é timidez misturada com alguma coisa de pinto pequeno.
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Mandrake (ele mesmo) para outra pessoa - Já a sua é excesso de auto-estima mais alguma coisa de incompreensão alheia com falta de humildade sincera, é uma espécie de esforço físico em tentativa inútil de acalmar os egos.
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Mandrake (algo como a consciência dele) - Minhas palavras são mais fáceis quando o assunto não sou eu, nem ele ou qualquer jogada entre as relações que possam se sonorizar ou materializar na confissão sempre inoportuna, porque não confesso.
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Mandrake (ele mesmo) para outra pessoa - O seu lábio superior contraído é deficiência vinda da fase bucal. Sua mãe era e ainda é muito vaidosa e tinha medo dos peitos murcharem. Seu leite secou, teu lábio também.
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Mandrake (ele mesmo) para outra - Seus olhos são caídos por descaso, descompromisso, um pouco de arrogância, drogas, falta de resistência neuronial que no fundo é a sua genética que não resistiu aos anos de excessos.
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Mandrake (ele mesmo) para outra - Suas sobrancelhas são retratos da prisão de ventre, que vêem da sua repulsa pelas fezes e falta de liberação corporal.
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Mandrake (ele mesmo) outra - O seu intenso cuidado com o cabelo é a demonstração do excesso de auto-estima que não se sustenta nas suas habilidades sexuais.
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Mandrake (ele mesmo) outra - O sua utilização constante de drogas é a forma de acalmar seus medos de ser percebido e de perceber, o que acarreta necessariamente, no seu caso, a demonstração imediata daquilo que te passou pela cabeça. Não te agrada, nem agrada aos outros. Sua cabeça baixa é uma tentativa de aumentar sua socialização.
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Mandrake (ele mesmo) outra - Sua bunda grande é acúmulo de gordura que tenta suprir a carência de colo na infância que, na sua opinião, você teve.
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Mandrake (ele mesmo) outra - A sua mão na garganta é necessidade de ser ouvido e, mais do que isso, é dificuldade de ser ouvido e excesso de idéias.
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Mandrake (algo como a consciência dele) - Cada uma dessas observações, falam mais de mim que de cada um de vocês mesmos e minha aparente segurança reside no esconderijo do próximo. Sou viril, inteligente, macho, esperto e etc até certo ponto, mas no fundo sou personagem que permeia as medianas da ficção e da realidade habitando o externo interior que vem por osmose do subentendido. Mas de minha boca só saem a onisciência doada e a reserva incessante e cansativa de quem mantêm aparências e sustenta enganos durante centenas de páginas e encontros mentais. No fundo sou normal. Sou vocês. Mandrake (algo como a consciência dele) - Já esse texto é representação inútil de pseudo-habilidades na escrita, que no fundo talvez seja incompreensão, carência de ouvidos dispostos, auto-estima sustentável, mas um pouco volátil. Pode ser necessidade visceral, às vezes biológica, por outras pode ser excesso de teses na escassez de trocas e provas. Pode ser, mas se perguntarem não confesso, nunca.
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Mandrake (ele mesmo) saindo da sala com uma puta em cada braço - Nem eu, nem ele, nem qualquer um de nós.
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Fim... Hoje recebi elogios dos sobre meus textos de uma pessoa entendida do assunto. Fiquei feliz mesmo. Falou...