quinta-feira, 31 de dezembro de 2009
segunda-feira, 28 de dezembro de 2009
De tudo isso que foi!!!
De tudo isso que foi 2009, acho que posso dizer que foi um dos anos mais consistentes da minha vida. Parece que nunca eu cheguei ao fim de um trecho tendo marcado na minha memória uma seqüência tão grande de descobertas e conclusões e fatos colocados uns em decorrência de outros. Sinto isso! É como uma peça única que consigo sentir. Pode parecer um erro, mas acredito que não. Não me lembro de ter acontecido isso nos anos anteriores, essa sensação abrangente de um período tão longo. Confesso que não foi um ano fácil, mas isso já era esperado e muitos de nós sentimos desta mesma maneira. Mas foi um ano de esclarecimentos, colocar coisas pra mim mesmo, coisas que não conto nem pras folhas do meu caderno de capa dourada e, somente em momentos raros, chego a escrever em algum arquivo de Word e guardar na pasta secreta do meu computador de São Paulo. Aliás, não estou em São Paulo.
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Estou em Itanhandu agora!!!
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Festas, festas e mais festas. Família festeira, amigos que não via há tempos, um mergulho na cachoeira, uma ida ao dentista praquela vistoria anual, brincar com primos mais novos, dar uma olhada geral nas pessoas que gosto e tirar conclusões sobre como elas estão.
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Acho que posso dizer que sou bom em fazer isto!!!
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E sempre tenho, sob ligeiro controle, um mapa geral do que os parentes e amigos estão fazendo e como estão. Guardo esses dois tipos de informação. Faz parte de mim, simplesmente acontece. E final de ano é um momento de atualizar os cadastros, um termo ordinário para este contexto, mas tudo bem...
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Acho que este será o ultimo post deste ano. Não sei se pararei mais uma vez para escrever alguma coisa. Fico meio sem clima para textos aqui em Itanhandu. Não entendo, mas está meio assim. Se forçar vem mais, mas não é tempo para isso.
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Gostaria de colocar uma lista com duas palavras para cada mês de 2009, uma boa e outra ruim. Ficou assim.
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Janeiro – Reinício & Perda
Fevereiro – Rebeldia & Conseqüência
Março – Prazer & Sacrifício
Abril – Arte & Dor
Maio – Batismo & Cicatriz
Junho – Sonho & Marasmo
Julho – Sociabilidade & Injustiça
Agosto – Independência & Dívidas
Setembro – Calmaria & Retrocesso
Outubro – Estudos & Astral
Novembro – Descanso & Expectativa
Dezembro – Conquista & Brigas
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terça-feira, 22 de dezembro de 2009
Resenha: O engenhoso fidalgo Dom Quixote de la Mancha
Já escrevi algumas coisas aqui sobre este livro que acabei de ler há pouco tempo, mas, como nada do que foi escrito se configurou como uma resenha, achei que deveria produzi-la ainda este ano. Antes gostaria de dizer que é dispensável resenhar um livro desta magnitude. É dispensável falar, elogiar, comentar tramas e qualidade artística, mas, como me propus a colocar, neste blog, comentários sobre todos os romances que lesse, aí vai...
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São, ao todo, nesta edição que comprei, mais de 680 páginas, divididas em duas partes, sendo que: a primeira possui 52 capítulos, sem contar introdução, poemas em exaltação a musas, dedicatórias a reis e duques; e a segunda possui outros 74 capítulos e outras tantas exaltações e rituais de iniciação típicos das obras mais antigas.
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Dom Quixote é, essencialmente, uma paródia do romance de cavalaria, estilo que fizera muito sucesso em épocas anteriores ao seu lançamento, mas que, já estava em declínio no início do século XVII. A primeira parte, lançada em 1605, antecipou em 10 anos a segunda. O conjunto é considerado uma novela realista de tom satírico e recebeu alguns títulos, dentre eles: o romance inaugural ou seminal, pai de todos os romances, ou, a maior obra em língua espanhola, ou ainda, a maior obra de ficção de todos os tempos, que influenciou e influencia um grande número de artistas em diversas áreas da criação.
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Alonso Quijano, que se auto-denomina Dom Quixote ao sair caçando aventuras, é um pobre senhor espanhol que enlouquece após ler diversos romances de cavalaria e os tomar por verdadeiros. Ele remonta um estilo fantasioso e ultrapassado em investidas contra moinhos de ventos, rebanhos de carneiros e pobres camponeses que, sem entender suas sandices, o tomam por desmiolado, chegando alguns até mesmo a enfrentá-lo. Nestes movimentos sua fama cresce e os perigos aumentam, bem como as burlas.
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Ao todo, se me lembro bem, são três as saídas de Dom Quixote. Duas na primeira parte e uma na segunda. Logo na primeira tentativa toda sua parafernália improvisada vai ao chão, o que já nos dá o tom cômico das narrações que virão adiante. Mas Cervantes vai além de uma repetição simples desta fórmula que, para muitos, é o resumo da obra. A trama é bem construída, recheada de diálogos e alusões a obras antigas que demonstram um vastíssimo repertório por parte do autor.
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Especificamente na primeira parte, além das longas conversas, os capítulos se recheiam de digressões e casos contados por outros personagens, o que descentraliza um pouco a figura do cavaleiro da triste figura. Já na segunda parte, a narrativa não se apóia tanto em digressões temporais e circula sempre entre Quixote e Pança, o que nos aproxima mais deles e ainda mais de Sancho que cresce bastante do meio pro fim.
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É interessante dizer que o escritor incorpora a própria repercussão vinda do lançamento da primeira parte da trama no desenrolar da segunda. Nesta última, Quixote já é famoso pelas suas façanhas e muitos se aproveitam da sua fama de louco para lhe pregar peças, o que possui um lado cômico, mas, ao mesmo tempo, confere um pouco de sadismo aos acontecimentos e entristece a diversão.
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O brilho da fala cavalheiresca está em todos os cantos da obra. Mesmo Sancho, apesar de cometer erros gramaticais, consegue dar pompa aos vocábulos, além de possuir uma mania das mais graciosas que é a de se expressar por meio de ditos populares que se encadeiam um atrás do outro, o que irrita muito Dom Quixote.
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Outra característica da linguagem são os palavrões que aparecem sem rodeios. Não são propriamente abundantes, mas, quando chegam, se apresentam por inteiro. Além disso, todas as musas são as mais exaltadas e as mais belas, todos os cavaleiros são os mais honrados homens do mundo, todas as estrebarias são castelos formosos, todas as mínimas coisas são colossais aos olhos de Quixote. Pança, apesar de um pouco mais centrado, caí aos poucos na graça dos disparates de seu amo e assim a dupla se fecha em sua própria lógica.
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O autor dominava muito bem a proposta e soube levar com maestria esta empreitada grandiosa, ou melhor, corajosa se levarmos em conta o contexto e a conseqüente novidade que esta trazia para a época. É claro que não é um livro que espanta pela inovação inquieta de suas páginas, nem por impressionantes sacadas poéticas, mas, se for levado em conta o fato de ter mais de quatrocentos anos e possuir uma fluidez perfeitamente contemporânea, além do fato de ter usado a própria figura do cavaleiro para parodiar a cavalaria andante, torna-se algo genial por ainda ser simplesmente atual. Não que sua linguagem soe atual, mas, enquanto sátira, seu conjunto está bem longe de se tornar ultrapassado. A sátira, na sátira, continua irretocável.
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É um livro que deixa saudades!!!
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Realmente a figura de Quixote e Pança são muito simpáticas e encantam pela simplicidade, pela inocência e pelo sonho sempre sonhado. Não é à toa que continuam fortes no imaginário artístico e popular.
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Adorei!!!
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Incógnito
Eu recorro ao espelho, para saber, pelos meus próprios olhos mentirosos, o fim de desconexas auto-obsessões estéticas. Eu sei que olhos mentem, mas prefiro as mentiras visíveis às mentiras obscuras e misteriosas do silêncio doloroso, silêncio cego. Eu não cogito a volta do tempo. Da feiúra, do descaso físico, sou eu longínquo excluso. Nunca mais quero, por promessa própria, requerer a visão repetitiva da memória primitiva. Isto tenho firme em mim. Mas firme naquela destreza que precisa de promessas constantes para sobreviver ao dia-a-dia. Pobre criatura. Circunscrito aos meus olhos está o que de mais real posso salientar neste momento. Fora o que está embalado por miniaturas de prazer, nada considero relevante. Vejo o que quero, vejo o que os olhos mentem, vejo o que é hedonismo incongruente. Nos momentos de maior concentração, o hedonismo pungente que não se crê, me detém hesitante. Nem lascivo, nem centrado. Nada que não seja prazer me vale. Mas o prazer me vale pouco. Arrependo-me pequenino e nunca lamento. Aprisiono-me voluntário deste universo ambivalente de dores e seus opostos para passar ileso pelas horas mais obsessivas obscenas desta minha coloquial existência. Sou cantos nos cantos. Cantos mudos, cantos nefastos. Cantos roucos, cantos sujos. Sou madrugada inteiriça nos cantos passados. Parapeitos, corrimãos, corredores e luzes para não se ver. Muitos deles se esgueiraram pelos becos motrizes de rasteiros. Ali no ângulo entre dois horizontes pude ver o que não queria mais reconhecer: eu... Encruzilhado de escapes quiméricos e covardes, eu achei-me enfim naquela rasteira banal. Caí pequeno. Nutri cerzido. Ergui castanho. Fugi ferido. O outro que ali restou, fingi não ver. Afinal, de que são feitas tais luzes, senão de luzes para não se ver. Mas não se ver por muito tempo, me recobra obsessões estéticas. Então apelo ao espelho incógnito e uma novidade aparente se mostra indefesa. Luzes de se ver me atestam os males destes instantes passageiros. Foram-se. Mas trago o trago fatal que podou a consciência, na consciência presente que trago do corpo podado. Se no ângulo entre dois horizontes pude ver o que não queria mais reconhecer; é extremamente deste recôndito rincão urbano-depravado que destituo os dias vindouros de saliência benévola, para mirar convicto a pupila reluzente do espelho descrente e saciar a obsessão estética daquele que se apartou voluntário de si. Sou fruto deste fruto que não plantei.
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sábado, 19 de dezembro de 2009
Já pensou?!
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- Alguém já pensou que a Wikipédia ou mesmo a Internet pode ser o início mais possível da Biblioteca de Babel?!
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- Acho que já pensaram nisso, sim!!!
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- Ahh, tá...
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sexta-feira, 18 de dezembro de 2009
O vazio
Eu desconhecia sua existência. Foi após diversas perguntas complexas, lamentos covardes e às vezes justos que um amigo me trouxe esta novidade: O VAZIO.
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Ele sempre está dentro de nós e nos influencia de forma silenciosa. Ele não fala, mas se manifesta constantemente pelo não verbal, pelo não pensamento, pela desrazão que possui seus argumentos obscuros. Ele está sempre no sentir e assim está em tudo.
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Acredito que nosso vazio habita nosso coração!!!
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Sempre relutei à idéia de coração como fonte de sentimentos. Para mim, os sentimentos se tornavam existentes, conscientes, relevantes, quando chegavam à cabeça, quando estavam no estágio de latência verbal, quando se podia lhes atribuir nomes como: amor, angústia, amizade, ódio, gratidão, medo, indiferença, daí sim existiam.
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Mas não é bem assim!!!
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O verbal em potencial é presente nos instantâneos, nos relances e também nos relutantes contínuos. Por mais que poetas de todos os tempos me alertassem sobre este ponto do sentir, não quis lhe dar o devido valor.
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Paguei!!!
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Muitas perguntas estavam sem respostas, muitas dores sem causa, sem fundamento, muito de mim estava incompleto, e outro tanto ainda permanece, mas menor. E foi, sabendo da existência dele, deste silêncio estridente que mora dentro, que cheguei ao coração e à sua independência perante a mente.
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Na verdade meu coração sempre foi presente!!!
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Sinto muito carinho por muitas pessoas, por lugares, por almas, por animais, por lembranças, mas sempre esta idéia do “sentir é pensar que sentimos”, como já escrevi aqui neste blog, era suficiente para abarcar os sentimentos que me habitavam.
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O vazio veio repleto de novidades!!!
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Depois de algumas tentativas, encontrei um caminho e, sempre que posso, visito-o. É necessário quietude para ouvi-lo, coragem para adentrá-lo, mas, as respostas, muitas delas, estão lá.
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O vazio habita o coração, como já disse!!!
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A cabeça se cala, a respiração se estabiliza e toda sua consciência navega vagarosamente para baixo, até instalar-se no peito. Daí se arrisca uma pergunta e, às vezes, é surpreendente como dúvidas profundas, ali, encontram suas respostas.
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O vazio me surpreende!!!
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Ele é mais cheio do que podia supor. Tomou lugar e me mostrou algumas incompletudes da mente.
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Incompletudes de mim!!!
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Às vezes tendo a chamá-lo de silêncio por achar mais adequado que vazio, mas, como o conheci com este nome, assim o chamarei.
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A frase que ouvi e que o revelou foi mais ou menos esta:
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“Visite sempre o seu vazio, pois é lá que encontraremos as preces, os sorrisos e as lágrimas daqueles que zelam por nós”.
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Sou eternamente grato por este conselho!!!
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Muito obrigado!!!
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quinta-feira, 17 de dezembro de 2009
Reforma geral do blog (Post 622 – com certeza)
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Algumas (pouquíssimas) pessoas que entram aqui neste “canto em que a hora e a vez do canto se fez” devem ter percebido, ou não, que fiz mudanças neste blog. Coloquei marcações nas postagens, adicionei outras ferramentas do Blogspot, mudei o nome de algumas ferramentas, mudei a descrição do perfil, mudei a foto, um bando de coisas!!!
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Quanto às marcações das postagens, foi bem difícil determinar divisões. Primeiro porque não queria fazer muitas, segundo que já são mais de 600 postagens, e terceiro que eu não queria fazer marcações duplas nos arquivos, pois achei melhor a contagem dos marcadores coincidir com o total.
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Então tive que achar formas que englobassem tudo que já foi colocado aqui, sendo que, muitos, ou melhor, quase todos os textos, até hoje, entraram sem se preocupar com alguma espécie de padronização.
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O processo foi assim:
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Dividi primeiro em coisas minhas e dos outros. E tudo que era dos outros seria colocado junto, numa marcação criativamente denominada: “de outros”. rsss
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Dentro das coisas minhas, dividi por formato, já que, separar por tema seria IMPOSSÍVEL. Então vieram: “frases soltas”, “poesias” e “textos livres”. Não bastando isso, tive que criar a marcação: além do mais, pra colocar algumas postagens doidas, ou fotos, ou montagens, ou aquelas coisas que a gente posta sem pensar muito.
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A única divisão por conteúdo é a “resenhas ou quase”, que achei importante, afinal, já escrevi bastantes opiniões sobre livros e alguns filmes. Sendo assim, o módulo resenha mereceu um link à parte.
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Por último, achei que deveria existir uma marcação praquilo que não fosse absolutamente nada. Um espaço de postagem absolutamente desprovida de conteúdo. Daí nasceu a marcação: “nunca nada”. E, por incrível que pareça, este era o melhor lugar pra entrar um post que fiz em dezembro de 2005. É um post sem título, sem frase, sem imagem, contendo somentemente o NADA, mas “nunca nada”. Na verdade também forcei um pouco pra interar o número 7. Mas não foi só isso. Achei interessante ter também o nada como possibilidade de postagem.
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Com tudo isso, as 7 divisões, em ordem, são:
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- além do mais
- de outros
- frases soltas
- nunca nada
- poesias
- resenhas ou quase
- textos livres
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Mas não parou por aí. Não foi só achar caminhos e depois tudo se encaixaria.
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Exemplos de dúvidas:
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Qual a relevância de uma frase pra sair do “além do mais” e cair na marcação de “frases soltas”? Qual é o tamanho da sinergia interna de um post pra ele deixar de ser “frases soltas” e passar a ser “textos livres”? São pontos muitos sutis e tenho a impressão de que alguns arquivos devem ser revistos.
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Também houve dúvidas a respeito dos limites do que seria uma resenha, mas isso foi resolvido colocando o “quase” depois da palavra “resenhas”.
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Outros problemas...
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Há mais poesias do que está marcado. Acontece que algumas delas estavam junto com textos. Houve uma época que eu tinha mania de começar com um texto e terminar fazendo uma poesia pra arrematar. Então resolvi marcar esses casos como “textos livres” já que uma poesia é um texto livre, mas um texto livre não necessariamente é uma poesia. Também ponderei o peso do texto e da poesia no post. Se o texto era pouco e a poesia mais, deixei marcado como "poesia".
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Indo além das marcações, apareceu ainda outro problema nesta reforma, só que agora relacionado às numerações:
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As numerações das postagens estão TODAS erradas. A postagem 600 não é a 600, a 190 não é a 190 e assim por diante. Percebi quando mexi nos arquivos antigos. Isso acontece porque, caso se salve um rascunho, ele passa a valer na contagem geral que aparece quando estamos logados, mas não aparece na página do blog, afinal, é só um rascunho. Existiam rascunhos salvos sem querer desde muito tempo. Não tinha percebido até que comecei a repassar tudo. Eles me fizeram colocar números errados. Enfim, deletei os rascunho e, a partir de hoje, todo texto estará numerado corretamente, tendo a página visível do blog como referência, o que deveria ser óbvio. Ainda sim isso pode desandar porque o Blogspot às vezes confunde os números, como o Orkut com os Scraps e Comunidades.
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Eram 624 postagens arquivadas e 621 postadas. Enfim, havia 3 rascunhos que deletei. Fora outros que eu já tinha deletado sem saber que isso acontecia.
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Os rascunhos eram:
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Fluxo-zinho-de-nada do dia 12/07/05. Há um post com o mesmo nome e conteúdo nesta data. Não entendi de onde veio este rascunho.
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Fernando: muito obrigado pelo desejo de feliz natal... Que é um pedaço da “2009 - Respostas de Feliz Natal” colocada no dia 14/01/2009.
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E
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Poema MCCCLXIV do dia 05/03/2007. Sobre esta, também há um post com o mesmo nome e conteúdo.
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Enfim, agora está ajeitado!!!
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Confesso que tive preguiça de começar as marcações, mas, se eu não fizesse agora, mais pra frente seria pior. Então fiz...
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Também queria dizer que este blog está numa fase azul (em homenagem a Picasso – to brincando). Deste de “Com todo respeito: SAGARANA” que não coloco outra cor de letra que não variações do azul. Com este, são 40 posts contendo somente caracteres em azul. Não sei o porquê disto, mas tudo bem. Segue o azul!!!
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Bom...
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Blog reformado para 2010, um ano regido por Oxalá e Iemanjá na vibração de Odé, guardião das matas de Oxossi. Um ano próspero e mais leve que este penoso 2009 regido por Iansã, a santa guerreira.
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Vida longa a este blog!!!!!!!!
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Para esvaziar pastas - I
Livre-arbítrio?!
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O livre-arbítrio é (quase) uma farsa
Que habita somente
Esta finíssima lâmina
Do instante presente.
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Nada mais...
Nada aquém...
Nada menos...
Nada além...
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É só realidade (quase) inexistente
Pois preferimos manter
Do pecado independente
Seu orgulho de assim ser.
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Grande bobagem!!!
Grande recurso!!!
Grande roupagem!!!
Grande discurso!!!
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Posto; digo:
Pobre daquele que o super-valoriza!!!
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Dito; repito:
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O livre-arbítrio é (quase) uma farsa
Que habita somente
Esta finíssima lâmina
Do instante presente.
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Para esvaziar pastas - II
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Humildade vai além do simples esclarecimento sobre o real valor. Esta idéia já me é ultrapassada. Ela é, sim, ou agora pra mim, um movimento de concentração naquilo que é nuclear, essencial e vital. É uma auto-colocação sutil num campo interno anterior à razão. Não se trabalha racionalmente a própria imagem e valor porque não se quer. É um calar voluntário promovendo um trabalho de simplificação, um trabalho de insatisfação produtiva e aconchegante. Repito: humildade é aconchego!!!
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Para esvaziar pastas - III
Comecei esta poesia no dia 2/7/2006 em São Paulo. Desde então ficou numa pasta esperando ser terminada. Agora foi!!!
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Só silêncio de gaveta II
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Um poema vagaroso
Pode se libertar nesses instantes.
Seriam as palavras errantes
Não fossem os poemas da vida?
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Ferida vinda, bem vinda
Sempre em tantas formas que nem sei,
Como ceguei das formas do vento
Que num suspiro errante, errei!!!
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Muitos são meus pequenos gestos de dia-a-dia,
Tantos dias aos dias de alegrias
Que nunca seria demais chorar
De rir, de amar, de olhos pestanejar
Num inconseqüente
E eternamente carente
Esquivo de olhar.
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Olhar é falso brilhante que em azul me traz
Um apaixonante desejo de sempre mais
Ainda divino se menos for
Como menos é,
E que soa triste até
Mesmo em dó maior de amor.
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Mas
Ainda que menos, tentamos nós o mais,
Insistimos mais
De teimosia de latência demais,
Teimando em meninice
Que tantas vezes me disse
Das crendices,
Das belezas,
Das tristezas
Cheias de esperança
Que nos olhos dança
Mas que insistem em minguar
Sem ao menos eu a mim me explicar
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Mas
Renasço sempre em versos,
Mais em mais vezes de mim
Mas
Eu sempre despeço disperso
Hesito nas formas do sim.
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Mas
E novamente mais uma vez
Mas
Ainda que menos capaz.
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O que posso eu agora senão responder aos montes?
Montes e motes de cantorias desafinadas roucas
Pedintes, pedantes e loucas
Das vozes que emanam das bocas
Sofrendo o descaso fugaz.
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Sou pobre na escassez que me resta
No sem volta, nem vez que se tornou este chão,
Chapeados de encantos esquecidos
Dos cantos que vão e vêm convencidos
Que o melhor é calar:
O pulmão, a oração, o coração.
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II
Estou chapeado de encantos esquecidos
De vai e vem ocioso
Oscilante de fertilidade
Que desespera-se no aconchego excessivo dos regaços pífios.
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Variadas vezes fiz-me menos por escolha,
Mas, sempre, mais no fundo que se abria do menos,
Fiz-me vigorar no retorno ao mais
Ainda que pequeno, mas ainda sim, pequeno máximo.
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Meu máximo me arredia pela distância gigante
Pela multidão errante de instantes - calabouço.
Pelo bolso calo a boca, calo o bolso
Pelo bolso calo a bica d`água de vida.
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Agora ida indo, inda que pulsante,
Mas em menos demais pra retorno do mais
Que feriu-se numa sentimentalização leiloada
Porém, oficialmente arrependido
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Tarde demais!!!
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Vícios impossibilitados de senso.
Sem sons, nem sonhos,
Sem olhos, nem punhos,
Nem cantos, nem nada.
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Só silêncio de gaveta
E é exatamente lá que tu deverias morar
Meus versos mais primitivos
Ainda que não mais os primeiros.
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Para esvaziar pastas - IV
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Comecei essa poesia no dia 24/08/2005 e desde então ela ficou numa pasta esperando ser terminada. Ela é um pedaço tirado de uma outra que se chama: Quando não se pode mais contar quantos olhos cabem entre os mundos. Às vezes é bem difícil conseguir entrar no clima que se criou há mais de 4 anos atrás. O clima da poesia não me agrada hoje em dia, mas, como não gosto de deixar nada pela metade, terminei assim mesmo.
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Aquários
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Mas é necessário um novo espaço pro sentido que quer se mudar
Pro viver não passível de um qualquer.
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Nossas correntes se esfumaçaram na presença do vento que nos permeava
E os farelos sentimentais alimentaram os pássaros e os peixes amigos.
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Então nos refizemos na nova proposta bruta do contrário complementar
Para permitir que as novidades de ambos se deixassem entreter.
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Interesses mútuos nasceram do encaixe assimétrico
Destes que por tanto tempo petrificaram-se num antiqüíssimo sermão.
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Catedrais invisíveis aportaram nos continentes mais distantes
E uma nova alternativa comum ao conjunto se cristalizou.
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Então:
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Os amores novamente se dignificaram e encarnaram novas formas
Para os olhos que não medem os tantos velhos mundos.
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O impulso desmascarado e inconseqüente empurrou o que houve de antigo
Ultrapassou o inferno e o céu por vontade em si.
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Viu-se o pulsar do sentimento e o que quis que fosse, foi
Já que não existiram obrigações, nem terceiros.
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Houve a colocação singela e centrada no homem
Recebendo a supremacia que sempre nele esteve.
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Mas ainda há o pai de tudo e de todos que sempre alimenta
E assim se deixa levar na adaptabilidade gigantesca do que é nuclear.
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Os átomos dificilmente tocam o núcleo
Enquanto este sempre será a firmeza do inevitável.
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Há o primeiro e o só
O singular que deseja e é plural.
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É a aura do novo que nos excita
É a onda dos apelos próprios que se nos intensifica.
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Não se explica, nem replica
Só se percebe; vive posto que é lei e nada mais.
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A proposta do inédito futuro nos cobre de novidades douradas
E o amor se refaz insistentemente em simples alimento de alma.
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Mas a carne ainda suportará pecados pela crença de que se está do lado supremo
E os deslizes seviciantes se avolumarão ao som primitivo de preces manipuladas.
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Não me importo!!!
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Pois é a fé indelével que ainda me leva a crer na indolência das curvas presentes na terra (dos homens)
Mesmo quando não se pode mais contar quantos olhos cabem entre os mundos.
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terça-feira, 15 de dezembro de 2009
Medo
Ah meu medo, eu não tenho mais medo de ti. Ainda que te escondas no fundo falso do baú obscuro onde habita meu vazio, eu te visitarei, te regurgitarei e te lançarei nas palmas de minhas mãos, meu mais intrínseco altar. E, nele, tu não tens chance. Neste altar, meu domínio é maior. Ainda que resistas bravamente, eu, migalha-a-migalhamente te descaracterizarei, te desconstruirei com o poder da palavra e do som que, pelos meus dedos, vêm à vida. Tu te verás transformado em beleza!
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domingo, 13 de dezembro de 2009
Cartinha do Papai Noel
Olá minhas amigas Marciele e Marcela,
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Recebi suas cartinhas e gostei muito dos desenhos. Realmente estavam muito bonitos. Fiquei contente quando li, logo no início, que vocês me consideram um amigo. Realmente sou amigo de todas as crianças do mundo e gosto muito de ler os pedidos de presentes para o Natal.
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Também gostei de vocês terem dito que são bonitas, espertas e inteligentes. Eu sei disso porque as conheço muito bem e concordo com suas palavras. Gostaria que nunca perdessem esta maneira de pensar positivamente.
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Junto com esta cartinha, vão os presentes que me pediram: a boneca e a mochila. Mas, como foram meninas estudiosas e comportadas, resolvi mandar em dose dupla. Ou seja, cada uma está recebendo uma mochila e uma boneca. Assim vocês podem estudar juntas e também brincar, afinal: criança foi feita para brincar.
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Ahhhhh, estava me esquecendo!!!
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Também estou enviando 2 livros. São de um grande amigo meu, o Ziraldo. Ele adora escrever e sempre me pede conselhos sobre o que as crianças estão querendo saber. Contei que iria lhes dar “O ABZ do ZIRALDO” volume 1 e 2, ele ficou super contente e disse: “Elas vão adorar”!!! Aliás, ele mandou um beijo...
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Peço que o leiam com muito amor e atenção. Gostaria também que vocês, Marcela e Marciele, me prometessem que nunca perderão o hábito da leitura. A leitura sempre trará novas descobertas interessantíssimas. Eu adoro ler e por isso sou um velhinho muito sábio.
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O livro é um amigo para a vida toda!!!
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Despeço-me pedindo que obedeçam a seus pais e que me tenham no coração. Quero sempre morar aí dentro!!!
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Um grande beijo, deste bom velhinho que gosta muito de vocês e de toda sua família,
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Papai Noel...
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Ângulo reto
Voltando a isto...
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Observei a terceira face do ângulo e recomecei.
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- Me permitir um pouco de solidão e segredo nessa grande vitrine chamada vida. Eu gosto disso. Apago as luzes, ligo o som, sento em silêncio num canto para ficar à toa e passar despercebido. Ali fico. Aqui fico bem, me escondendo de mim, dos barulhos de mim, dos vitupérios e, no canto encantado, me sinto pequeno e sossegado. Recostado e acabado, sem exigir demais. Assim pequeno, assim fico. Criança? Não posso mais. Chegou-se sem licença algumas verdades doloridas e, esquecer, nem por uma boa cachaça.
- E você sempre volta a isto, não?!
- Escrevi isso no trabalho. O almoço estava ruim e voltei pra mesa mais cedo.
- Imaginei. Continue...
- Pequeno desprovido, singular vivido. Há uma continuação...
- Chega. Não quero ouvir mais.
- Por que?
- Acho você muito ruim com as palavras.
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Saí. Logo caí na realidade da multidão. Falei pra alguém:
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- Noutro dia, olhei a torre do meu prédio. Era ligeiramente familiar. Saí do foco, voltei outra hora naquele terraço. Era como se nunca saísse de verdade. Resguardava a entrada com os olhos. Saí. Nunca saí. Olhava ligeira para a torre, voltava à porta. Não era bem o que eu imaginei na minha infância.
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- Por que você está me dizendo isso?
- Por que você está aqui...
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Saí...
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Observei a terceira face do ângulo e recomecei.
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- Cada um sabe muito de si, ainda que não seja o suficiente. Cada um tem seu caminho e deve sempre ser respeitado. Condenar não nos cabe com facilidade. O passo ninguém pode dar pelo outro. Se resguardares o passado com muito afinco, seu futuro pode torturar. A tortura constante do futuro mutante, que, sempre, sou eu. Nenhuma dor dói realmente como no peito do dono da dor. Somos profundamente sós e barbaramente exaurido de divisões. Divisões físicas, limites da carne. Divisões internas, limites da razão, da alma, conjunto dos argumentos, do modo de pensar que se faz a cada pequena novidade do velho pensar assim, desta velha maneira, naquele fato, naquela hora que sempre permanecerá inédita.
- Não gostei!
- A vida é um conjunto inalcançável de desvalidos semblantes em potencial.
- Hum...
- O que acha dessa?!
- Não acho nada. Talvez um pouco melhor.
- Vou reunir essas partes numa colagem.
- Acho que não deve fazer isso.
- Por que?
- Porque tenho medo da solidão.
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Saí. Encarei a realidade social. Há um peso qualquer nela que sempre é constante. A realidade é uma fotografia congelada pelo meu estágio de ver.
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Observei a terceira face do ângulo e recomecei.
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- Posso continuar?!
- Não!
- Aquele não visto, o percebido em demasia, no de menos, no do outro, no mesmo em mim, no descaso, no acaso, no platônico. O platônico defasado, mas incessante. Sempre platônico, sempre defasado, sempre eu. Eu platônico, numa caverna de ossos craniais. Os olhos não são suficientes. Os lábios pendentes de vontade. O silêncio pequenino no primeiro instante da alvorada, até que me lembro que eu sou eu. Então resgato minha forma de ser, de ver, de pensar, de sentir. Uma memória onde se aloja um ser-humano na sua natural esfericidade.
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- Das 8 as 8.
- É mesmo?!
- Sim.
- Mas isso é abuso!
- Não posso abusar. Comprei um novo exemplar daquilo.
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- A vida é um conjunto inalcançável de desvalidos semblantes em potencial.
- Nossa, que bonito isso!
- A terceira face não gostou.
- Que terceira face?
- Ela – gaguejou pela primeira vez em toda sua vida – ela é... Ela fica lá em casa.
- Acho que ela não te faz muito bem.
- Ela gosta de mim.
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Saí. Voltei resgatado para dentro. Hoje não estava bem para seres-humanos.
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Então, observei a terceira face do ângulo e recomecei.
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- Rodando pelos sinais, pelos avulsos muros pixados de uma metrópole estanque: a mesma metrópole interna e vazia. Apática. Mal cheirosa. Calada a metrópole, noto o pequeno murmúrio que de mim sai, como que ressonando um lamento. Não me lembro bem o porquê dele estar assim. Estou calado, caminhando, e este pequeno aviso vindo sem demora, faz companhia pelos diversos cruzamentos que enfrento. O cruzamento é quando se deve ter forças para levantar a cabeça. O cruzamento exige demais do meu mimado ressoar. Prendo a respiração e nunca ele pára. Não vem de mim. Não pertence, não controlo. Não nada nunca novamente.
- Observo descompasso.
- Onde?
- Já não te disse para parar de escrever esse texto?
- Não.
- Eu gosto do azul que você me pintou.
- Eu gosto de você
- Hum...
- Vou falar sobre você na continuação.
- Não quero.
- Mas vou.
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Observei a terceira face do ângulo e recomecei.
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- Vou falar de ti.
- Não quero. Já disse. Quero uma tinta amarela
- Gosto da noite.
- Gosto de você.
- Então, fico aqui observando a terceira face do ângulo desta parede, e reparo que ela é compatível a mim. Uma amiga sem permissão. Como se estivesse tendendo à inexistência, querendo vir me visitar, um monólogo sentimental se inicia. Ouço ligeiro. Desato a correr para a lavanderia. A terceira face também está lá. Um pouco menor, mas seu discurso é extenso. Seria sem fim, senão eu mesmo.
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Saí
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Voltei.
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- Não faço monólogos.
- Na minha história sim.
- Você mente.
- Você também.
- Eu gosto de você.
- Eu também.
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Saí. Dessa vez não voltei nunca mais. Senti sufocante proximidade. Passei 7 anos sem voltar àquele canto. Mas um...
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- Voltei.
- Já faz mais de 7 anos que você não vem aqui.
- Mas eu voltei. Não gostei do seu abraço.
- Eu gosto de você.
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Quase saí correndo.
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Esperei.
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Saí...
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Mas, continuei...
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Observei a terceira face do ângulo e recomecei.
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- Impeço impetuoso e reinicio as palavras que deixei sem fim na noite passada. A terceira face se cala e balbucia concordância, sem muito saber se compreende o que digo. Ela ressona agora. Disse que não gostaria de deixar de lado meu emprego. Minhas dívidas não são abduzidas com facilidade. Disse que era necessário uma boa dose de quebranto e arrependimento posterior para conseguir algumas horas sem dívidas.
- Minhas dívidas são como você, inexistente!
- Eu gosto de você e meu gostar existe.
- Você gosta dele porque ele te faz existir.
- Eu gosto de existir.
- Você me mata de medo.
- Eu gosto de você.
- Vou sair e não volto nunca mais.
- Daqui a sete anos voltarás.
- Não fale como profeta.
- Sou inexistente. Você mesmo disse.
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Com essa fase saí. Caí na realidade do ser social e experimentei alguns passos como que olhando pro chão.
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- Por que você olha tanto pro chão?
- Não gosto de pisar em merdas.
- Também teme que eu pise?
- Não...
...
- Então por que olha pro meus pés?
- Eu olho.
- Eu sei.
- Fiz um texto. Posso ler?
- Claro!
- Cruzou a 23 correndo. Gostava daquela buzina que variava conforme o carro vinha e ia. Procurava melodias naquele vai e vem. Procurava uma música nova. Incitava a morte em tom de sorrisos e correrias. Ele e os seus. Depois de alcançadas algumas idéias, subiam na árvore da esquina e observavam a terceira face da esquina. Juntavam pedaços no abstrato da música que se faz por entre ruídos e perseverança, e discriminavam uma letra. Não era nada digno, mas, pelo menos, beirar o ridículo, ali, fazia o ridículo do despertador matutino menos doloroso.
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- Por que você sempre sai de casa de preto?
- Eu não saio de preto.
- Sai sim.
- Eu não estou de preto.
- Seus olhos estão.
- Hum.
- E você sempre temendo que eu pise numa merda de um cachorro.
- Há cachorros muito pequenos.
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Observei a terceira face do ângulo e recomecei.
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- Fui na 23 hoje. Fiz uma canção!
- Eu sei... Sempre sei!
- Eu voltei.
- Eu disse que voltaria. Eu sempre sei. Exatos 7 anos depois.
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Saí. Gostaria de ter provocado seu primeiro erro. Mas não tive essa capacidade mínima.
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Observei a terceira face do ângulo e recomecei.
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- Nesta ânsia de atribuir significado e entendimentos às coisas, às vezes caímos em desmandos cabais que nos colocam sensações bruscas em todos os pequenos pormenores do dia-a-dia. Este é o modo de funcionamento das mentes. Elas mentem, talvez por isso assim a chamam. Tocar papéis esbeltos e sentir o áspero aspergir de dor a imaginação, ouvir sons e derramar dor por dentro. Dor. As coisas, muitas delas, não trazem sentidos e entendimentos intrínsecos a elas. Nós é que, no descomando natural, tratamos de concluir, de sentir, de nos trazer aquilo que distante está, que independente é. É o modo de pensar construído ao longo do tempo. Há formas comuns entre diversos de nós, travados no combate social diário ou vindos de estruturas biológicas anteriores aos nossos pais e pais dos nossos pais e pais e mais.
- Mas o que se há de fazer se estruturas nos estruturam sem que possamos realmente rearranjá-las?!
- Você está fora do limite, não pode questionar o que me pertence!
- Devemos vivê-las sem medo.
- Eu tenho medo da perdição da razão mal feita, do sentimento escuso, escuro, aquele que não se quer.
- Eu sei.
- Vou acrescentar isso.
- Não acho uma boa... Eu gosto de você.
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Saí
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Observei a terceira face do ângulo e recomecei.
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- Vim trazer seu desfecho.
- Eu gosto de você.
- Eu preciso dormir, já está tarde e meus pais estão dormindo na sala.
- Eu sei. Eu gosto de você.
- Pára de falar isso. Não posso prolongar esse diálogo. Ainda tenho que tomar café. Já passam das 5 da manhã.
- Amanhã você volta?
- Não prometo. Mas, acho que não vou sentir saudade.
- Eu sei. Eu gosto de você.
- Não quero saber. Vou continuar.
- Você não é tão mal assim.
- Talvez se eu gostasse mais da simplicidade poderia passar a me doer menos. Mas não é bem assim que funciono. Tenciono o limite, aquela procura sufocante que enterra entendimentos passados, trocando-os por qualquer coisa que pareça mais completa, sem que, às vezes, realmente seja.
- Eu não gostei disso.
- Eu sei. Você nunca gosta do que eu escrevo.
- Eu sei. Mas eu gosto de você.
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Saí e nunca mais voltei. Precisava dormir e não havia mais espaço pra si naquela madrugada que se encerrava.
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- O dia sempre vem...
- Eu sei. Eu sempre sei.
- Eu te odeio por isso.
- Eu sei, eu gosto de você.
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sexta-feira, 11 de dezembro de 2009
Gostei disso!!!
"Defensor da idéia de que a poesia é irredutível à palavra, (Octavio) Paz apresenta esse gênero literário sob um prisma que o diferencia radicalmente dos demais ensaístas, enfatizando que, apesar de haver muitas maneiras de se dizer uma determinada coisa em prosa, só existe uma em poesia. Segundo ele, os vocábulos se tornam insubstituíveis e irreparáveis no texto poético. E eis que o poema transcende a linguagem".
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quarta-feira, 9 de dezembro de 2009
Comentário!!!
terça-feira, 8 de dezembro de 2009
Um início de despedida (à moda)
Oh obra de grande valor
Que por tantos anos passastes aos cantos
Esperando o momento certo de seres lida
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Ficastes em gavetas
Demorando sôfrega de pertencer
Resguardando ávida de desflorar
O cancioneiro imprescindível
Da criatividade artística
Da labuta solitária
De outrem ido
Mas por a cá
Vindoura
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És vencedora
Do todo poderoso
Chronos
Senhor da verdade
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Há de se transpassar
A exígua mediocridade
Para de tão poderoso Deus
Serdes dominante
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E assim fostes e estás
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Uma capa cândida
De vermelho e dourado discretos
De peso ínfimo
E massa descomunal
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Fonte de linguagem brilhante
Que engrandece e diz com exatidão
As mais formosas companhias
Do engenho humano
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Estás no cume
Da fidalguia literária
Estás no epicentro
Da cavalaria quimérica
Conténs o sem igual
Cavaleiro da Triste Figura
Cavaleiro dos Leões
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DOM QUIXOTE DE LA MANCHA
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Destes vida e chão
Ao sonho do homem franzino
De poucas carnes
De grandes sonhos
De nobre coração
De doiradas sandices
E cômicas burlas
Contra moinhos
Contra rebanhos
E nigromantes incólumes
Posto que inexistentes
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Oh, obra intrínseca à humanidade
Como outras grandes
Que de ti tão filhas são
E netas
E bisnetas
E mães
E avós
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Fazes jus a grandes Ilíadas e Odisséias
De Shakespeares, Homeros e Dantes
Grécias e Romas
Édipos Reis de Sófocles
Teogonias de Hesíodos
Medéias de Eurípides
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Embasas Kafkas, Victors
Virgínias e Edgars
Flauberts, Ovídios e Dostoiévskis
Joyces e seus Ulísses
Pousts e suas buscas por tempos perdidos
Balzacs, Dickens, Becketts
Assis, Rosas, Drummonds
Lispectors, Calvinos
E Kerouacs
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És colocada no cerne do romance
O conjunto inaugural
Do romanceiro humano
Que transcende séculos e séculos
Num tempo aprisionado libertário
Do imaginário desvario
A que convidas os que de ti se aconchegam
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Assim fiz
Assim foi
Assim fui
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E
Agora
Que perto estás de restringires
Ao passado dos olhos
Digo-te que caminharás convicta
Na morada dos meses
Que de ti me recostei
E por teus versos reversos em prosas singulares
Maestrinas da flor primeira da cavalaria
Caminhei
Levado pelos disparates
De tão nobre personagem
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Oh obra criadora
Tenaz abdutora
Sorumbática reversa
Macambúzia dispersa
Esguia serpente de prazer romanesco
Devaneadora de multidões
Impelidas ao ócio deleitoso
Das travessuras estáticas
De uma mente furtiva
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Despeço-me aos poucos
Dos longínquos
E desditosos Tebosos
De Ricote e Quixote
De Sancho
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Oh incrível e nobre Sancho
De ti guardarei grande admiração
Pela simplicidade
Que por vezes exercia crivos
Por vezes disparates ortográficos
Sem nunca cair no desmando
Do homem sem chão
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Peso eu, sim, a falta
De Pança e andanças
Onde vislumbrei tanta areia e andei
Assim, da lua cheia, eu sei
Sentirei uma saudade imensa
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Dos versos encantados que li
Das passagens sem igual onde ri
Olhando a lua mansa a se derramar
Vindo de longes léguas
Para em meu peito cantar
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Também sinto por
Sanchica e Tereza singelas
Camila, Anselmo, Clóris
Clara de Viedma
O cônego, o barbeiro
A venda feito palácio
O cavalo feito sagitário
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MIGUEL DE CERVANTES SAAVEDRA
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Faltam pouco mais de 40 páginas
Justo
As restingas de Quixote
Começam a esvaírem-se pelos cantos
Recolherem-se frondosas
No campo iniciático
A fim de dormirem novamente
Num melancólico espaço confiscado
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Porém
Por ti
Será recanto prateado
Honroso rincão
Daquele que ousou-se lançar
Ao sonho cristal
Na grandeza
De um tempo esvaído
Para nunca mais
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Quixote é tão eterno
Quanto o sonho humano!!!
Quanto o próprio homem!!!
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Enquanto houver sonho
Haverá
DOM QUIXOTE DE LA MANCHA................
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E tenho dito!!!
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quarta-feira, 2 de dezembro de 2009
Peregrino
Por que medo, se a beleza sempre vence? E ela vence porque é mais bela e o belo trás prazer, trás êxtase. O belo faz mais sentido e comove profundamente, muda profundamente. O que é belo será vitorioso. Já é vitorioso. A beleza trás transformação e é capaz de nascer de qualquer espaço, quando se tem abertura, quando se tem ajuda, quando se é grato, quando se permite, quando se deixa estar; quando o que é sutil e profundo permanece indestrutível. Um ponto minúsculo de beleza absoluta não se deixa levar por um oceano de injúrias pedantes. A beleza nem sempre é firme, mas tende a ser mais firme que o horror. Eis uma lógica profunda. A lógica é intrínseca às coisas. Mesmo nas coisas não lógicas, a lógica da desconstrução é reinante. As coisas têm seu sentido ainda que dentro do terreno do disparate. O disparate possui sua lógica: a lógica do disparate. E o que é belo possui lógica bela e esta se sobrepõe aos desvios. É uma questão de tempo, talvez de espaço e lugar também, mas, principalmente de tempo. O tempo é senhor da lógica e da beleza por ser senhor da verdade, e a verdade é bela, dolorida ou não. A beleza é a verdade e a verdade é a beleza. Seriam sinônimos profundos? Acho que sim. Acho que sei que sim. Sei que sim! Por que medo, se a beleza sempre vence? Por que medo?! Por que mesmo?! Porque a beleza conquistada tem mais valor. Não é necessário passar pelas dores para sentir o descanso do aconchego, mas, o mar se torna mais belo aos olhos embotados de aridez. Os olhos sempre vibram ao ver o mar, mas é maior o prazer daquele que lava o corpo cansado e colérico, do que aquele que lava o simples enfado insipiente. Eis uma lógica, eis uma verdade, eis uma beleza!!!
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O cavaleiro da Triste Figura
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Dom Quixote da la Mancha, Segunda Parte, Capítulo LVIII, Página 611. Editora Nova Cultural, 2002.
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terça-feira, 1 de dezembro de 2009
Galerias
Dentro da perdição que faço o desfavor de me colocar sem querer ou por querer demais ou por possuir um vazio destrutivo, não sei, só sei que, dentro dela, tudo é miúdo, tudo é circunscrito pequenino. Sufocante anaeróbico. Os olhos se esquecem como se vê, a boca se esquece como se fala. Tudo é desencaixe. Tudo é uma dor em contração no peito, na nuca, uma vontade de implosão. Um potencial de loucura. Perco a noção de minhas belezas, caio no desfiladeiro silencioso daquele lugar eqüidistante das coisas que contêm luz. Caio deitado após a última tragada no grau zero da evolução. Todas as mais podres passagens retornam à minha memória. Lembro, logo, vivo! Procuro então esquecer das dores, relembrar as maravilhas tão certeiras que fiz firmar no solo conjunto do tempo cristalizado em parceria com pessoas que amo, mas não sou capaz. Nessas horas, não mais. Sou pouco capaz em mim mesmo. Sou escravo eterno da sensação que brota sem explicação e vai se avolumando no peito, na nuca, na cabeça e prejudica a consciência do meu espaço, do meu corpo. Assim, o que me resta é largar a satírica fuga pelos atalhos respiráveis de minha mente mentirosa de si, e desterrar convicto o vértice minúsculo colocado no epicentro desta minha geologia obsessiva. Usufruo da minha capacidade sarcástica e infernizo o meu tumor histérico, aquele saliente no momento, até exaurir a pulsação que este suicida me trás. Tão mal colocado este infeliz obséquio avesso que, eu, pusilânime por natureza, destrincho o silêncio do mais profundo mimo de infância que fui, que sou e, assim, desta fraqueza, gero a fórceps, uma podridão seca e maldosa que existe dentro deste caipira, para poder berrar, em altas profecias, a minha mais mortal virilidade, a fim de calar os fantasmas anárquicos que vivem nas minhas mais profundas galerias do silêncio oco do vazio mudo que, em algum lugar, aqui dentro, está e temo que seja para sempre!!!
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Casa precária
Às vezes fico pensando... Se eu distribuísse pelos cômodos de uma grande casa localizada no centro de um vasto campo de fantasias, os momentos mais felizes da minha vida, e pudesse perambular por eles, transformando-me na medida exata do que fui em cada um dos melhores instantes dos prezados presentes passados, isso seria a felicidade? Essa possibilidade de perambular pelas mais doces e brilhantes passagens da minha vida, recobrando o exato modelo de ser que fui em cada um, isso me bastaria?
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Logo a resposta me veio à mente no silêncio do ônibus que começava a descer a serra rumo ao vale do Paraíba:
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- Não! Isso não seria a felicidade. Isso não me bastaria.
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E no silêncio daquelas curvas incontroladas, sob o velar despretensioso dos que lá dormiam, persegui com facilidade o desenrolar desta obviedade, há instantes, submersa.
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O processo de perseguir o infinito é mais brilhante que capturar eternamente a perfeição do vivido, em cápsulas, em cômodos. A exatidão do passado estava no inusitado dele vir a acontecer, sem controle, como que feito sob medida. O brilho do prazer não está na reprodutibilidade manipulável dos formatos alcançados.
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A felicidade não é um processo, mas um estágio ligeiramente independente, parcialmente desconexo daquilo que nos contem.
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Uma grande casa mágica repleta de sorrisos dourados, música, poesia, não seria nada além de um paraíso descomunal dentro do qual eu não caberia por mais que algumas semanas.
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Sendo assim, desisti de capturar meu ideal distante já vivido em outras épocas.
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