Algum conhecido que desconheço por agora me disse:
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"Ser é cultivar nosso vazios com os preenchimentos do lugar de onde viemos."
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Eu tampouco sou
Eu vou
Eu estou sendo
Gerúndio do movimento
Particípio da realidade
Infinitivo sem margens
Sem fim
Finalidade
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A verdade, o tocável, o real
São minhas maiores delícias
Minhas mais legítimas conquistas
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O rente ao domínio humano
Encantou-me pelo teu calar
Por mais estridente que seja
O ambiente é sempre mais quieto
Que meu interior
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Eu não sei se realmente sou
Não sei se quero ser
Ser totalmente ciente cínico
Eu vou
Eu deixo estar
Eu complemento minha inexatidão
Com as poucas partículas mais estáveis
Mais vivíveis
Estas sim
Só estas
Frutos dos resquícios mais verdadeiros
Mais inteiros e profundos
Somentemente elas
Ficam guardadas no terreno do tempo
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As obsessões
Eu guardo
No campo das memórias de não lembrar
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Retorna-me uma frase antiga
De um sonho antigo:
“Leve dos momentos
Apenas a memória da memória”
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Agora entendo-a plenamente!.
Agora entendo a REALmente
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Se recordar é viver
Devo tomar cuidado
Das minhas dores do passado
E das tantas inventadas
Guardadas só dentro do meu peito
Irreais
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Eu que por tantas vezes
Quis deter em mim
A exata configuração voluntária
Da expressão da energia
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Um quase como nada possível!
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Era como um cientista místico
Que saberia induzir ao corpo
Pelo viés mental
Todas as possibilidades de existência
Todas as que fossem necessárias aos meus dias
Que coubessem na minha memória
Na minha réstia de tentativa pagã
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A sabedoria menos provável:
A do controle absoluto!
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Quis saber e exercer
A exatidão da mais perfeita colocação
Colocar-me precisamente clínico
Em todos os segundos da minha vida
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Tornei-me escravo de minha auto-crítica
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Escravidão voluntária
Do capataz Eu-mesmo
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Como fui vil!
Como fui vão!
Desvão em vão!
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Como fui tolo, meu Deus!
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Esta é a época do estar sendo
A variável tempo
Aqui é diferentemente presente prensada
Densa
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O futuro é a época de ser
Agora
Sutilmente deixe-se estar
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E eu...
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Eu não sou realmente
Eu vou
Balanceando
Balançando
A linha tênue
Entre esquecer e lembrar
Entre considerar e despachar
Entre ser ou simplesmente estar
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I
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Suplício profundo de tempos em tempos, era
Arrastando as maravilhas contrárias que nunca pensei ter, tinha
A humildade profunda de nunca resistir, cai
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Cai Caim!
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II
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Seria bom
Fluir feito as águas que sempre vislumbram novos horizontes
Uma cascata qualquer em núcleo cântico urbano
Assim eu seria!
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Assim seria bom demais!
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III
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Acho que a importância da humildade tem a ver
Com o intangível e seus auxílios
A mão que vem de cima e espera no conforto da luz
O sempre necessário pedido de suspensão de si
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O que temos pode ser retirado
Deve-se tomar muito cuidado!
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Independente do quanto intrínsecos a nós
Sempre poderão ser retirados
Nossos maiores sustentáculos
Nossas mais longínquas suspensões
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Sempre poderá ser reavivado
Pelo disperso contexto
Nossos mais carentes vazios preocupadiços
E aquela dor que dormia no peito
E só te fazia lembrar-se dela
No limite da vida
Quando ficamos com medo de esquecer como se respira
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Assim tudo passa
Se dispensarmos a possibilidade
Da mão que vem de cima
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IV
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Aquela que afaga
É a mesma que faz arca pelo peso invisível
Das coisas que se fazem nos desvãos da alma
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Tua alma tem mais vãos intocáveis por ti
Do que julga tua vã filosofia!
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Tua alma é estrutura estabelecida em regras de existência
Se deturpas uma delas
Abre-se teu périplo espinhal energético
Tua coluna intocável
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No fundo
Tudo sempre e sempre é nunca nosso
Tudo sempre poderá não ser mais nosso
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Cabe enfim
Cabisbaixamente em peito pulsante
Arfar a sonolência desperta do mago natural
Vínculo silente que dorme dentro de cada
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Só-em-cada-um
Cabe seu
Cada-em-um-só!
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I
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Há sempre uma resultante exata para toda ação
Ou simples pensamento constante
Uma leve intenção que perpetua
E já escapa das mãos a paz de dois minutos atrás
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Há sempre uma resultante exata
Das possibilidades existentes
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Elas estão chegando a todo tempo
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Basta saber sentir
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II
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Qual é o limiar da justiça?!
Quantos segundos dura a tolerância da luz?!
Qual é a longitude temporal do vácuo de Deus?!
Qual a limitância do esconde-esconde vívido?!
Até onde não serei percepto alheio?!
Por quanto tempo sou substancialmente indivíduo?!
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Esta é
A mínima ilha solitária de um tempo
Em que ninguém poderia me perceber
E eu seria totalmente livre!
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É como se a vida se nos desse a oportunidade de eliminar hipóteses de existência pelo viés da dor ou da beleza!
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É assim que se faz, é assim que se é. É assim que se faz sendo!
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Dentro deste aparente labirinto interminável de tentativas, cabe a cada sensibilidade, de cada ser, sentir (muito mais do que pensar ou ponderar) os caminhos a serem trilhados.
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Mas tenho certeza de que não é bom cair no erro de superestimar a dita eterna misericórdia. Não são tão leves as possibilidades, tão brandas as conseqüências, tão sempre perdoáveis os deslizes!
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Na verdade as possibilidades são assim, duras, pela beleza que a capacidade individual pode extrair de cara dureza. Torcer a pedra e criar calos que te protegerão em quedas futuras, quando será necessário, mais uma vez, usar as mãos contra as pedras!
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Mas, enfim, como se desvencilhar, profundamente, e vislumbrar o caminho não escravo da sensação da alma/corpo? Como ser leve, ainda que as rochas sejam as mais duras que sua alma já teve notícia?!
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Como olhar para o maior profundo tocante do espírito humano e, ainda tão profundo quanto nos toca, ainda sermos capazes de sentirmos, observarmos de fora, e traçarmos a linha que nos desvencilhará de tão primordial e carnal realidade?
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Eu, ainda, não sei totalmente! Mas ando descobrindo e um dia saberei!
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Será que a beleza maior da voz, como o maior dos instrumentos musicais, não está relacionado com a identificação do humano com o humano?
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Muito mais do que nos sentirmos conjuntos com um violino, por exemplo, nos sentimos, naturalmente, mais tocados e reunidos pela voz humana.
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Daí o poder de nos fazer tocar!
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Um relance darwinista! Com certeza!
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