Puxo com a ponta decepada dos dedos
O véu que encobre minhas inspirações
E respiro arfante a sutil brisa sôfrega
Que deste dormente recanto emana
.
Feito um estranho ruído mínimo uterino
De longínquos rincões mui quiméricos
Intuo o ruminar luminoso das criaturas
Que pulsam imaculadas por si mesmas
.
São seres amórficos, insanos e imortais
Que vivem para o instante de nascer
Por meio de qualquer vil verve pífia
Que as dignifique diante de seu criador
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Um emoldurado energético inominável
De vermitações primitivas perfeitas
A nascente fértil do encanto artístico
Em sua forma mais magmática e germinal
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E saindo deste óvulo múltiplo-fecundo
O vento leve do futuro enovela e embala
Passos vários vindouros do novo caminho
Que suplanta as barbáries de outrora
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Covardes complacências tão morteiras
Que sulcos doridos no peito instauraram
De modo a degolarem a sépala primaveril
Antes mesmo da potencial florada noturna
.
Um assassinato preventivo do suspiro
Que perigava comover rincões e cercanias
Lançando em singelezas coloquiais
Aqueles que por ventura se iluminassem
.
Mas puxo com a ponta decepada dos dedos
E reinvento o perdão por ordem vívida
Ainda que não saiba a possível paisagem
Que transcenderá desta extrema gelosia
.
É por sonhos e mensagens de espaços outros
Que prefiro a infecção que tudo instabiliza
A morrer gentilmente no tímido santo sufoco
Da inepta assepsia dos homúnculos sem luz
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