quarta-feira, 15 de abril de 2009

Itanhandu das antigas (Lindoooo!!!)

“...
O menino não queria para si o móvel, queria o espaço que este lhe abria. Liberdade era a sua ânsia. O móvel delimitava o seu horizonte, por isso desprezou-o, fugiu.
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Mas a menina nele concentrou suas esperanças. Num batismo de beleza e graça, ela se associou a ele e adquiriu a liberdade de o merecer.
...”
Texto: A Estante, na Sala – Livro: Pipas e Porões – Autora: Dilza Pinho Nilo
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segunda-feira, 13 de abril de 2009

Ovo de páscoa 1 (Quaresma 2009)

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A sensação e os tapinhas (ui!!!)
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Para se escrever uma poesia é necessário, antes de tudo, ter e reconhecer em si ou, até mesmo, saber criar em si, a sensação que antecede a criação. Além disso, é necessário saber como alimentar essa sensação interna com as idéias que surgirem durante a escrita.
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Mais do que o encontro da palavra exata, é antes a sensação etérea a responsável pelo seguir adiante.
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É claro que também se precisa de vocabulário suficiente e um mínimo de sanidade pra não desvairar escrevendo frases sem um nexo aceitável ou simplesmente notável.
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Mas, repito que, antes de tudo, é necessário ter a sensação, a vontade, o ímpeto que vai te impulsionar e te fazer destrinchar palavras.
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Concordo que, às vezes, o ímpeto nasce de uma idéia ou de uma frase. Tem-se a idéia do que se quer falar e essa idéia trás a sensação interna que transborda em vocábulos.
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Mas a idéia nem sempre é a primeira da cadeia e, com certeza, não é o alimento mais presente no processo.
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Algumas vezes pode-se ter somente a vontade de fazer, o que foi chamado aqui de sensação. Tem-se a sensação sem saber ao certo como colocá-la em funcionamento, qual caminho seguir, mas é ela e o como a manteremos que fará nascer o sustento da poesia.
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Aquela ânsia que pelo sei-lá-como-sustento se sustenta é que faz acontecer o poema da carne ao mundo, do santo ao signo, do inexistente ao estabelecido palpável ainda que por vezes virtual.
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E assim vinga!!!
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O acontecer literário unifica em si a criação e a criatura que em instantes se dividirão irremediavelmente tomando cada uma seu trajeto situado, de novo, eternamente no limite dos solitários.
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Aliás, a criação também possibilita a extinção, ainda que ligeira, da solidão. Ela é um esboço profano do estágio Deus.
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Será que talvez só ela seja realmente capaz?
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Não sei!!!
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Sei que, criar é tencionar a barreira do possível, inaugurar possibilidades, lamber o nada trazendo do gosto o gesto e do gesto o resto. E o resto é a arte, a simples conseqüência do gosto, ou, em outras palavras, da sensação, ainda que aqui não mais a sensação da criação, e sim da realização.
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A arte é o acaso, o suposto esquecível e descartável não fosse o que a antecede, a sustenta e a sucede: a sensação!!! Esta sim, a imperatriz dos tempos da carne.
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E depois da sensação?
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Depois são os tapinhas, aqui e ali.
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Vocábulos inócuos, sustentáculos intrínsecos no estábulo próprio.
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A propósito, proparoxítonas soam chique!!!
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Enfim,
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Uns tapinhas...
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Ui!!!!!!!!!!!
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Ovo de páscoa 2 (Quaresma 2009)

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Carlota Joaquina e Eu
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- Deus é uma catarse criada pelo homem!
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- É mesmo senhora Carlota Joaquina? Não sabia disso. Me confundi pra sempre agora!!! Achei que ele servisse de catarse, mas não que fosse uma catarse em si.
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- Deus é uma catarse de tudo. Ele é meio e fim. Não somente serve de catarse, como é uma.
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- Mas então, se ele é fim, ele não é criado pelo homem. O homem não geraria por si mesmo seu próprio fim já que não gerou seu início e assim a senhora cai em contradição.
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- Mas daí é que mora o perigo, meu caro rapaz. Por usarmos de um meio inventado, permitimos que ele se torne o nosso fim. Caso não usássemos deste meio, o fim seria outro que não Ele mesmo.
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- E qual seria esse outro fim?
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- A loucura!!! Afinal, como diria Machado de Assis: “o inferno é o hospício dos incuráveis.” KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK
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- Entendi bem seu recado!!! Muito prazer, viu, senhora Carlota Joaquina.
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- KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK
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- Minha senhora, tudo bem com a senhora?!
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- KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK
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- Vixi!!!
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Ovo de páscoa 3 (Quaresma 2009)

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Catálogo de sensações
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Comecei hoje a catalogar todas as possibilidades de dentro de mim, todas as invenções do meu lado interno, todos as minúsculas variedades de sintomas que tamborilam ou que já tamborilaram nas veias e vielas do meu reino, carne, sangue, tendões e nervos, todas as configurações do sentir, todas as combinações do pensar, um organograma de forças internas, a hierarquia das relevâncias, das verdades, das mentiras que valem a pena, dos mecanismos de auto-defesa, das encruzilhadas da razão-emoção, das reações ao alheio e aquilo que dentro corresponde a ou, realiza, cada reflexo externo, todas as nuances de desejos e perversões, os medicamentos que acalmam, as caraminholas que até me lisonjeiam, os conselhos que não me fazem mais sentido, aqueles que eu posso falar com propriedade, os assuntos que mais domino, as palavras que ainda soam bonitas quando ouvidas e aquelas que só são bonitas quando vindas de mim, as convicções que escoaram com o tempo, as inovações que nunca pensei até pensá-las de assalto refém de mim, as arenas da memória que não são mais solicitas ao meu lembrar, as análises de pessoas que se foram, e também um repasse das que ainda estão aqui, o esmiuço da cronologia dos momentos, os picos de felicidade, as ladeiras das tristezas e os poços mais fundos onde já dormi pra nunca mais deter-me consciente, os balaços no abismo do sem medo e as covardias mais sinceras e sem motivos, banais, os milhares de sons e suas combinações, o sim e o não que mais de marcaram, as manifestações que se tornaram duráveis e por isso verdadeiras, as introspecções que já foram horríveis e absolutas e incríveis e detestáveis e sufocantes e envolventes e sensuais e vergonhosas, mas que hoje não passam do limite do sem sentido algum, tudo isso e cada um disso tudo e os respectivos alelos paralelos: razão-sensação. Ao término desse catálogo terei eu a mim.
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Ovo de páscoa 4 (Quaresma 2009)

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Lógica desléxica
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Não vejo lógica na caridade, não vejo lógica na razão intelectual, na confissão do erro, na admiração da beleza, no aprendizado esforçado, no baixar a cabeça, pois sou mais o convite à risada altiva de ambas as partes do que o sacrilégio de uma delas esboçar o mínimo de infelicidade. Vejo sentido no suprimento imediato de todas as vontades pessoais. No prazer como o fim único da vida, pois estamos no tempo da carne e a carne é a senhora da lógica do agora e seu principal atributo é o prazer. Vejo lógica somente na sensação, no bem estar, na risada, no deboche geral, na felicidade e no gozo incessante e absoluto capaz de sustentar a consciência em estado de graça para que nunca caias em desgraça. Se não conheces nem tens tempo de vislumbrar a desgraça, tu te tornarás um santo ungido de prazer. O que sinto é absoluto, instável, mas busco a estabilidade do prazer que se esvai constantemente. Essa é a minha lógica. Assim dou meus passos. A troca, finalidade última, em mim, é escambo de entrega do prazer mútuo. Dar e receber prazer em formas sempre inéditas, subversivas, inesperadas. Não é necessário sofrimento algum para aprender as coisas da vida. Por que aprender a sofrer se se aprende a sofrer justamente pra não sofrer mais? Basta pular possibilidades descartáveis e ir direto ao resultado. Basta trilhar caminhos da satisfação e da permissão, da auto-expressão eterna e tragar pela ânima robusta e convicta a catarse capaz de levar além sem desvios. Afinal, a felicidade é o fim e, no tempo da carne e suas determinações, o prazer prolongado ao impossível é o caminho direto e sem cortes ao céu e seu fim. E pergunto: que prazer terei em permanecer alguns minutos sem rir, gargalhar? Sorrir não basta. Quero o êxtase incessante. Quero o fôlego arfante das piadas constantes e amontoadas num caos de ligeiras gracinhas que se desenrolam em grupos enormes de amigos e escrachos sombeteiros. Quero o interminável das horas arrojadas que tamborilam noites e dias pelos espaços afora e adentro no encaixe milimétrico da surpresa de sobressalto. Mas por que a lógica do serviço se sobressaiu? A lógica do sobressair-se acima? Bastaria que todos se complementassem doando-se pela lógica da carne no tempo da carne. A única lógica indisponível em mim é o malefício ao outro, incluso na intenção do sujeito atuante, fora isso, seriam façanhas de corpo e alma, no balanço do melhor possível no templo completo do prazer. Nisso se inclui a arte, pois a arte pode trazer isso de forma digna. A arte é o ponto entre a possibilidade e a concretização, ainda que medíocre, do sonhando sonhado no sonho do sonhador. Eu.
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Ovo de páscoa 5 (Quaresma 2009)

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Homemúsica
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"Antes de tudo, a música... E todo o resto é literatura"
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ARTE POÉTICA
(Paul-Marie Verlaine)
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(Tradução de Augusto de Campos)
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Antes de tudo, a música preza
portanto, o ímpar. Só cabe usar
o que é mais vago e solúvel no ar
sem nada em si que pousa ou que pesa.
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Escolher palavras é preciso,
mas com certo desdém pela pinça;
nada melhor do que a canção cinza
onde o indeciso se une ao preciso.
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uns belos olhos atrás do véu,
o lusco-fusco no meio-dia
a turba azul de estrelas que estria
o outono agônico pelo céu!
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pois a nuance é que leva a palma,
nada de cor, somente a nuance!
nuance, só, que nos afiance
o sonho ao sonho e a flauta na alma!
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foge do chiste, a farpa mesquinha,
frase de espírito, riso alvar,
que olhe do azul faz lacrimejar,
alho plebeu de baixa cozinha!
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a eloquência? torce-lhe o pescoço!
e convém empregar de uma vez
a rima com certa sensatez
ou vamos todos parar no fosso!
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quem nos dirá dos males da rima!
que surdo absurdo ou que negro louco
forjou em jóia este toco oco
que soa falso e vil sob a lima?
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música ainda e eternamente!
que teu verso seja o vôo alto
que se desprende da alma no salto
para outros céus e para outra mente.
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que teu verso seja a aventura
esparsa ao árdego ar da manhã
que enche de aroma ótimo e a hortelã...
e todo o resto é literatura.
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Depois de ver o espetáculo, quis escrever...
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A tentativa de recapturar um ritmo perdido
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To cansado de falar desses temas, mas fazer o que se são esses os que mais passam na minha cabeça.
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I
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Qual seria o tema que mais me ins-piraria
Enlouqueceria-me dentro
Doido de vontade de descrever
As nuances infinitas de tudo?
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Há tempos não passo do médio...
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Qual objeto passível de entendimento
Desentendimento ou mitologia
Me faria gostar do verbo
E EXECUTAR o verbo
Como já cheguei a fazer
Por tantas outras vezes?
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Qualquer geometria
Temática ou táctil
Possui angulações lógicas
Incontáveis
E deliciosamente misteriosas
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Qualquer algo existente
Pode ser desmembrado
Em múltiplas palavras
Calabouços da mente
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Tudo pode gerar inspiração
E
Se tudo gera
Por que não gera mais?
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Qualquer objeto é mais intrincado
Na utilização humana
Que em sua própria
E sombria
Substância
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É necessário tornar as coisas interessantes
Além do que se aprisiona de cara
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E
Não é necessário ter o céu e a terra
Como margens
Para se vislumbrar
Os tantos muitos
E desconhecidos mistérios
Que a vã filosofia julga cogitar
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Bastam-me duas orelhas
Basta a qualquer um
Para estabelecer as fronteiras
De um mundo encharcado de cogitações
Filosofias, mistérios, coisas vãs e vis
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II
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Toda filosofia é vã
Mas ainda sim filosofia
Condição intrínseca à alma
Que pensa
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E toda alma pensa
Portanto
Toda alma filosofa
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Filosofia
Pouco importa o nível
Vale a execução
E só
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Pois quem saberia dizer
Com propriedade
Ser mais belo
O mundo de Nietzsche (Nietristche)
(Três pratos de trigo para três Nietzsches tristes)
Que o de qualquer um de nós?
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A filosofia é vã
Claro!
Ninguém precisa dela pra sobreviver
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É mais ou menos por isso
Que já disseram ser
Todo pensamento ilógico por princípio
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Mas quem disse que estamos aqui
Só pra fazer o necessário?
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Fazemos também o desnecessário necessário
Nunca somente o vital
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Pois quem disse que estamos aqui
Só pra viver?
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O simples é fim e começo de ciclo
O início é o esboço do fim
Mas deixemo-nos ir e bater cabeça
Depois voltaremos mais apaziguados
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E é nesse ir e voltar
Que acontecem as maravilhas
Que entretêm o criador
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As estruturas físicas
A lógica natural
São barreira e alimento
Para o pensamento humano
Que também não se basta aí
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Elas possuem sua lógica
Seu mundo
Seu diverso
Sua diversão
E criam o sustento
O fomento
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Fomente sua mente
A fome da mente
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Dê fome pra ela
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O inanimado é minimalista
Mas tudo é infinito se assim formos capazes de o fazer
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III
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A criação de Deus
Seria menos infinita não fosse o homem
Menos criativa
Menos bela
Menos profunda
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O homem dá beleza a Deus
(e vice-versa)
Cria novidades impensadas pelo criador
Aprofunda aquilo que
Apesar de dito tudo
Ainda nunca será tudo
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A liberdade é criadora
Ainda que enganosa
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O livre-arbítrio
É a forma que Deus
Encontrou pra se divertir
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Saber de tudo deve ser muito chato
Cansativo
Então criou-se seres que se crêem independentes
Criou-se o mal para dar colorido aos fatos
Tempero ao tempo
E o livre-arbítrio
Para enganar os homens por mais tempo
Com a falsa idéia de liberdade
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Prever a eternidade sem margem de erro
Traçar planos
E depois não se preocupar com a sua execução
Deve ser monótono por demais
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Se saber de tudo é chato demais
Criar a possibilidade
De perder irreversivelmente o controle
Também não seria do feitio de Deus
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O livre-arbítrio não é liberdade
Aquilo de poder escolher tudo
É uma enganação
Simplesmente porque
Há regras que não se quebram
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Toda alma tem uma missão
E missão é prisão
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Toda alma carrega ignorâncias
E ignorância É PRISÃO
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Deixemos de lado a ilusão da liberdade
Estamos aqui a serviço
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Todos estamos aqui a serviço
Não estamos a passeio
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Você não pode fugir da existência
Mas você pode fazer ela mais agradável
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Isso é livre-arbítrio
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Livre-arbítrio é poder se decidir
Entre caminhos pré-estabelecidos
Mas nunca será
A criação de uma própria alternativa infinita
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IV
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Deus se diverte compenetradamente com os homens
Leva a sério essa grande guerra de brincadeira
Que ele já venceu desde sempre
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Mas se sem dificuldade não há interesse
Como se divertir sem esforço?
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A diversão está no inusitado
De um processo com um fim determinado
E irretocável
Afinal Deus não criaria sua própria derrota
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A diversão está no entre
A travessiaEstá em ver brotar a arte
A ciência
A sabedoria
De nós pequeninos
Peregrinos
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A diversão está em esperar ansiosamente
Que algum cientista descubra
A cura para um mal
Milimetricamente criado pela engrenagem
Na instantaneidade do sem tempo
E que,
Se veio,
Fundamento tem
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Deus observa os homens
Na esperança de caçar novidades
Como um telespectador
E assim acabar um pouco
Com seu tédio maniqueísta
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Ele gosta bastante da gente
A gente o faz dar boas risadas
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Nós somos encantadores
Miniaturas perdidas e ignorantes
Dignas de dó
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Mas somos capazes de surpreender
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A beleza está em ver brotar
Das mentes, cérebros, corações
Almas e espíritos
O novo
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Por vezes aquilo que Deus nunca pensou
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Quem diria o contrário?
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Se se diz isso, assim posso
Pois quando criando sem penúria
As regras se estipulam
Na mínima lógica despretensiosa
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Se o poema leva alguma inquietude
Inquietude nenhuma faz mal
O que faz mal é lamentar a adrenalina
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Adrenalina que jorra é gozo
Adrenalina contida são dores
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Eu tenho dores dentro de mim
E a arte é meu analgésico
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O amor também
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V
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E eu nisso tudo?
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Eu cogito mentiras na busca de uma realidade maior!!!
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E continuo afirmando que seremos um
Afinal,
Como acabar com as injustiças
Senão oferecendo um prêmio único a todos?
E como acabar com a profunda solidão
Senão permitindo a integração absoluta com tudo?
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VI
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Por que aquele que cria é mal visto no mundo de hoje?
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Seria mais respeitável
A disciplina
E
O talento
Do executivo
Que o do artista?
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É uma pena que todos nós tenhamos feito chegar neste ponto!!!
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p.s: Não deu muito bem pra reconquistar o ritmo!!!
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p.s 2: tenho críticas sobre o Homemúsica. Me pareceu um rearranjo mal feito de textos já existentes que estavam guardados na gaveta.
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p.s 3: as músicas do espetáculo, em geral, eram muito parecidas. É sempre a mesma levadinha na guitarra e a verborragia característica do autor, diretor e ator que, no fundo, é somente um bom poeta inquieto: Michel Melamed .
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Ovo de páscoa 6 (Quaresma 2009)

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Esforço
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Não são teus tropeços e sofrimentos, nem tuas belezas, teus talentos, teus feitos, defeitos, teus diplomas, sucessos, fracassos, pensamentos, espiritualidade, luz, amor ao próximo que será levado em conta como valor maior. O valor não está no resultado, mas no processo. É teu esforço que te dignifica e é nele que cairá teu sentido. Não é bem o que vem com a pessoa, mas o que ela consegue retirar de si. E isso é tudo...
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Ovo de páscoa 7 (Quaresma 2009)

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Se resistes, persiste
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E o mais duro da vida são as dores incompletas
Aquelas que não doeram até o fim
A lágrima que você não viu chorarem
E também a que não foi além de ti
O pensamento que parou no meio
A viagem que ficou só em sonhos
A paixão que se considerou irrelevante
A intenção não permitida
O amor que não alcançou ponte e por isso ruiu
A revolta que se desmanchou sem virar verdade
A amizade que minguou sem brigas definitivas
A música criada que faltou o refrão
A poesia que não valeu mais a pena
O caminho que não se realizou
O caminhante que só partiu em sonho
O sonho que partiu sem o caminhante
O lugar que ainda espera
O beijo que ambos somente desejaram
O telefonema que não esperou atender
O limiar da força que não se testou
O desconhecimento do limite
Os temperos da pena
A ignorância da mediocridade
A manutenção do mediano
A cicatriz invejada
O barranco visto apenas de baixo
A montanha que não se quis ver
A aposta que poderia ter sido ganha
O além que
Por tua resistência
Tornou-se hipótese
E assim
Persistirá eternamente
Na memória inodora das tuas covardias invejosas.
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Ovo de páscoa 8 (Quaresma 2009)

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Umbanda
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Vejo a Umbanda como uma proto-vida. Proto-vida do plano material e também proto-vida do plano espiritual. Um esboço de ambas, unidas como, em verdade, são. Um ninho onde nos preparam pro dia-a-dia e também praquilo que nos espera depois de nossas muitas reencarnações. É um ponto de intersecção e assim podemos viver e sentir, dentro e fora das giras, um pouco das duas realidades. Uma intensificação do que já é.
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Ovo de páscoa 9 (Quaresma 2009)

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Ovo?
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Não houve!!!
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Mas bobaaaagem!!!
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Ovo de páscoa 10 (Quaresma 2009)

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Balanço geral específico
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Fiz o possível para ela não começar, fui espremendo e choramingando até acabar o caldinho final da terça-feira de carnaval, prolonguei, prolonguei, mas não teve jeito, o tempo não foi tão elástico assim e assim acordei no meio da tarde numa casa desconhecida na temida quarta-feira de cinzas deste ano tão singular, mingüei de espanto pelo estado incrustado, calei-me por saber-me merecedor de tanto tão pouco e vim pra capital procurando calar e calar e calar e colocar base nas coisas, pois começavam alguns dias danados e ainda mais outros que vão além, calado, calado, calado e aos poucos fui vendo que poderia dizer algumas outras coisas, senti que deveria, e fiz, e fui, a cada dia, um dia a menos, um dia a mais, calado, calado, falando, falando, e hoje, um grupo de estudo numa grande universidade, textos em inglês, anotações aos montes, teatro em cartaz, 40 aulas já dadas, muitas outras planejadas, a quarta-feira de cinzas bem longe daqui e eu aqui. Valeu!!!
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quinta-feira, 2 de abril de 2009

( ) x ( )

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Fico imaginando se, em algum dia, meus pensamentos não durarem nem o tempo de se concluírem em som completo. Imaginei uma condição onde todas as frases que me passassem pela cabeça não perdurariam em intenção ou convicção até o final de sua expressão ao mundo. Assim cairia eu num eterno cinismo, numa prisão de demagogia involuntária, instintiva quase. Qualquer vontade de dizer não duraria, seria quebrada ao meio da frase e seu fim seria insosso, fraquejado, incompleto. E assim, o outro notaria, e eu me condenaria perversamente acima de qualquer possibilidade de repreensão alheia.
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Seria eu, então, sem piedade, prisioneiro de minhas obsessões instantâneas, traquinagens inocentes da minha criatividade risonha e dolorida.
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- Não, Wagner, isso é brincadeira, não ligue para o que você está pensando?
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- Mas... Mas, eu já liguei. Mas... Mas também não é mais aquilo!!!
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- E não ligue para isso que se inicia. Não, Wagner, não ligue pra isso... Ai, já era!
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- Já era mesmo!
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Apenas minhas idealizações mais profundas seriam verdadeiras. Também meus textos mais racionais e doloridamente redigidos perdurariam pelo tempo necessário para concluir inteiro sua criação. Um por ser muito rápido e outro por estar sendo registrado e ter o tempo forte e presente da palavra escrita.
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Mas nada verbal seria inteiro, pois a boca seria lenta demais para minhas convicções vislumbrantes. Poucas seriam minhas orações dotadas de léxico e firmeza do início ao fim. Tornaria-me um mudo dotado de alucinações ariscas e textos condicionantes da sanidade.
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- Serias disléxico ou poeta, mas nunca humano!!!
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- Tenho medo disso!
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- Não, não temas. Ainda sim terias teu corpo, tuas satisfações físicas e tua solidão!!!
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- Isso já não me basta mais!!!
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