Por muito mais que um calado acalanto,
Este meu peito quer se deleitar do encanto
De velhos versos que no passado ficou,
Mas que agora voltaram e ao peito pulsou.
Em novas rimas me quero encontrar
Sentindo sutil o recanto e o lugar
Cedendo aconchego aos muitos sabores,
Vivíveis sentidos dos versos em cores.
Não quero a reles convicta arrogância
Desta imprópria e tão baixia ignorância
Que os meus olhos manchados cegaram
Num tempo impróprio que longe ficaram.
No silêncio perpétuo da noite eu lanço
O medíocre sentido que agora alcanço,
Pois o erro profundo da pouca valia
Não pode ser dado a tão fina harmonia.
Não pode ser dado à arte dos versos
Pequena valia que a faça parar,
Reles poeta me fiz, eu confesso,
Pois pouca vontade me veio alcançar.
Mas vontade nenhuma possui o direito
De arrancar o embate das letras ao peito,
Poeta nenhum é senhor das palavras
Que a ele o lapidam se posto às lavras.
E poeta algum é soberano do ato
Que flui interno de outros nascido;
Descendo dos céus o vento que acato
Me faço mais gente, mais homem cumprido.
Destino de verso é ser bem composto
De modo diverso, falado, bem posto,
Empostado galhardo, rimado ou branco,
Nenhum dos mim se me faz se entanco.
Contínuo menino é necessário que se seja,
Voltando ao início que tanto se fez por peleja:
Em noites dos treze pequeno em meu quarto,
Ou em anos dezoito que ao verso foi farto.
Mas bloqueio mui doloso me fez mais duvidar
Se ainda hoje, ao verso, me podia eu ancorar,
E o poema prostrado se fez assim necessário
Como prova de calma ao meu ser ordinário.
Por muito mais que um calado acalanto,
Este meu peito quer se deleitar do encanto
De velhos versos que no passado ficou,
Mas que agora voltaram e assim me falou.