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No sétimo andar do SESC Consolação fica o CPT (Centro de Pesquisa Teatral). Há muitos meses que está lá em cartaz o musical baseado na figura do compositor e radialista: Lamartine Babo. Comprei o ingresso em dezembro de 2010 e, quinta-feira da semana passada, fui assistir.
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Logo na entrada os atores estão cantando, como se estivessem num ambiente de ensaios de um cabaré antigo, local típico de seus personagens, por sinal, muito bem caracterizados.
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Após todos se sentarem, dá-se início à peça, onde um homem, chamado Silveirinha, interrompe o treino do grupo de cantores e músicos da noite, para falar de Lamartine Babo. Os artistas estranham o fato do velho conhecer um personagem meio esquecido da história. No entanto, Silveirinha, não só conhece a obra de Lamartine, como tem uma ligação ainda mais profunda com a personalidade que empresta seu nome ao musical.
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Empolgando-se, o senhor busca sua enteada para cantar, pois ela sabe todas as músicas de Lalá, como era conhecido entre os mais chegados. Ao ser interpelada pelos residentes a cantar uma música, ela escolhe Serra da Boa Esperança e, então, aquela menina meio boba e de voz fanha, faz acontecer o mais belo momento do espetáculo, cantando com extrema afinação, agudos leves e claros, esta que ela considerava a mais bela música de Lamartine.
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Serra da Boa Esperança tem uma história lindíssima! Lamartine trocou cartas com uma suposta fã por mais de um ano. Depois de determinado período, sua amante em potencial relata que está noiva e assim encerra o romance à distância vivido pelos dois. Lamartine, interessado em pelo menos conhecer a moça, viaja até Boa Esperança, no sul de Minas, para vê-la. Chegando, para sua surpresa, quem trocara palavras com ele era um homem, que constantemente fingia ser outras pessoas, pois gostava de colecionar cartas de personalidade famosas da época. Na volta ele compõe a inspirada canção. É lindíssima!
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Preciso falar de Silveirinha...
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Interpretado absurdamente bem pelo ator Marcos de Andrade, ele rouba a cena constantemente com sua caracterização de velho boêmio. A entrada no personagem é tão profunda que ele, apesar de ser novo, convence-nos de ser velho dos pés à cabeça, e faz nos esquecer que aquilo é um teatro. É um absurdo! É perfeito! Os tiques, a forma de andar, a caracterização das roupas, a voz, tudo é impecável! Foi quase uma incorporação, que, aliás, tem a ver com o pano de fundo da peça.
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As músicas são muito boas. Vozes muito bonitas. Piano e violão incrementam a cena, além dos arranjos vocais feitos para as composições.
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Uma peça rápida e, porque não, despretensiosa, que acaba com o desligar das luzes e o "diretor" gritando: até o ensaio de amanhã!
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Ficha Técnica:
Texto: Antunes Filho
Direção: Emerson Danesi
Direção Musical: Fernanda Maia
Corpo e Voz: Antunes Filho
Figurinos e Adereços: Rosângela Ribeiro
Assistentes de Figurinos e Adereços: Carla Massa, Daniel Maeda, Eliane Pincov e Rober Caligari
Costureira: Noeme Costa
Fotos: Emidio Luisi
Produção Executiva: Emerson Danesi e Geraldo Mario
Assessoria de Imprensa: Ofício das Letras – Adriana Monteiro
Divulgação: Geraldo Mario e Solange Taeko
Secretaria CPT: Lígia Alves de Lima e Rodrigo Audi
Agradecimentos: Centro Experimental de Música – CEM
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- Elenco:
Silveirinha – Marcos de Andrade
Catarina – Sady Medeiros
Bernardo – Adriano Bolshi
Constância – Natalie Pascoal
Dália – Domingas Person
Romualdo – Rodrigo Mercadante (Stand In: Tony Germano)
Rita – Flávia Strongolli
Gerrárd – Ivo Leme
Loretta – Patrícia Rita
Lorival – Leonardo Santiago
Maestro Herve – Ricardo Venturin
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- Faixa Etária: 12 anos
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LAMARTINE de Antunes Filho, direção de Emerson Danesi. Sesc Consolação. Espaço CPT (Centro de Pesquisa Teatral).
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