quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Post 798 - Lamartine Babo (Musical dramático)

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No sétimo andar do SESC Consolação fica o CPT (Centro de Pesquisa Teatral). Há muitos meses que está lá em cartaz o musical baseado na figura do compositor e radialista: Lamartine Babo. Comprei o ingresso em dezembro de 2010 e, quinta-feira da semana passada, fui assistir.
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Logo na entrada os atores estão cantando, como se estivessem num ambiente de ensaios de um cabaré antigo, local típico de seus personagens, por sinal, muito bem caracterizados.
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Após todos se sentarem, dá-se início à peça, onde um homem, chamado Silveirinha, interrompe o treino do grupo de cantores e músicos da noite, para falar de Lamartine Babo. Os artistas estranham o fato do velho conhecer um personagem meio esquecido da história. No entanto, Silveirinha, não só conhece a obra de Lamartine, como tem uma ligação ainda mais profunda com a personalidade que empresta seu nome ao musical.
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Empolgando-se, o senhor busca sua enteada para cantar, pois ela sabe todas as músicas de Lalá, como era conhecido entre os mais chegados. Ao ser interpelada pelos residentes a cantar uma música, ela escolhe Serra da Boa Esperança e, então, aquela menina meio boba e de voz fanha, faz acontecer o mais belo momento do espetáculo, cantando com extrema afinação, agudos leves e claros, esta que ela considerava a mais bela música de Lamartine.
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Serra da Boa Esperança tem uma história lindíssima! Lamartine trocou cartas com uma suposta fã por mais de um ano. Depois de determinado período, sua amante em potencial relata que está noiva e assim encerra o romance à distância vivido pelos dois. Lamartine, interessado em pelo menos conhecer a moça, viaja até Boa Esperança, no sul de Minas, para vê-la. Chegando, para sua surpresa, quem trocara palavras com ele era um homem, que constantemente fingia ser outras pessoas, pois gostava de colecionar cartas de personalidade famosas da época. Na volta ele compõe a inspirada canção. É lindíssima!
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Preciso falar de Silveirinha...
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Interpretado absurdamente bem pelo ator Marcos de Andrade, ele rouba a cena constantemente com sua caracterização de velho boêmio. A entrada no personagem é tão profunda que ele, apesar de ser novo, convence-nos de ser velho dos pés à cabeça, e faz nos esquecer que aquilo é um teatro. É um absurdo! É perfeito! Os tiques, a forma de andar, a caracterização das roupas, a voz, tudo é impecável! Foi quase uma incorporação, que, aliás, tem a ver com o pano de fundo da peça.
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As músicas são muito boas. Vozes muito bonitas. Piano e violão incrementam a cena, além dos arranjos vocais feitos para as composições.
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Uma peça rápida e, porque não, despretensiosa, que acaba com o desligar das luzes e o "diretor" gritando: até o ensaio de amanhã!
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Ficha Técnica:
Texto: Antunes Filho
Direção: Emerson Danesi
Direção Musical: Fernanda Maia
Corpo e Voz: Antunes Filho
Figurinos e Adereços: Rosângela Ribeiro
Assistentes de Figurinos e Adereços: Carla Massa, Daniel Maeda, Eliane Pincov e Rober Caligari
Costureira: Noeme Costa
Fotos: Emidio Luisi
Produção Executiva: Emerson Danesi e Geraldo Mario
Assessoria de Imprensa: Ofício das Letras – Adriana Monteiro
Divulgação: Geraldo Mario e Solange Taeko
Secretaria CPT: Lígia Alves de Lima e Rodrigo Audi
Agradecimentos: Centro Experimental de Música – CEM
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- Elenco:
Silveirinha – Marcos de Andrade
Catarina – Sady Medeiros
Bernardo – Adriano Bolshi
Constância – Natalie Pascoal
Dália – Domingas Person
Romualdo – Rodrigo Mercadante (Stand In: Tony Germano)
Rita – Flávia Strongolli
Gerrárd – Ivo Leme
Loretta – Patrícia Rita
Lorival – Leonardo Santiago
Maestro Herve – Ricardo Venturin
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- Faixa Etária: 12 anos
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LAMARTINE de Antunes Filho, direção de Emerson Danesi. Sesc Consolação. Espaço CPT (Centro de Pesquisa Teatral).
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segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Lácrimo

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Teste sua coragem para com o mundo
Vendo gotas de garoa.
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Enfrente-as de olhos abertos
E sinta sua capacidade de manter
A visão desperta para os céus,
Enquanto, homeopaticamente,
O choro das alturas
Tenta te impedir de prosseguir,
Numa espécie de carinho demagogo,
Ainda que sinceramente lácrimo.
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Resta pouco a dizer

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Há alguns dias atrás fui ver a peça “Resta pouco a dizer” no teatro Anchieta do SESC Consolação, aqui perto de casa. Trata-se de um projeto dos irmãos Adriano e Fernando Guimarães que reúne montagens do dramaturgo Samuel Beckett. As peças são: Catástrofe, Ato Sem Palavras 2 e Jogo. Intercalado a elas, tem-se algumas performances: Respiração Mais, Respiração 1 e 2 e Respiração Embolada. A tradução é de Bárbara Heliodora e o conjunto foi indicado a diversos prêmios, dentre eles, o Shell de 2008.
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Beckett foi um dos criadores do teatro do absurdo que propunha trazer para o palco os desencontros e a falta de nexo do dia-a-dia, daí surgiram infinitas possibilidades de montagens e propostas de cenas dentro desta ampla temática da arte que buscava ser absurdamente real.
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Logo de início, na cena “Respiração Mais”, que acontece do lado de fora do teatro, dois homens de terno e grava colocam-se dentro de dois tanques com água e começam a falar sem parar sobre os perigos de ficar sem ar. O entra e sai de cada um, submergindo e emergindo, não depende deles, mas sim de um terceiro elemento que conta os segundos no relógio e, arbitrariamente, vai dando toques na campainha para indicar as trocas de fala que vão se tornando mais longas até que um dos atores não agüenta e salta fora antes da hora, iniciando uma falação simultânea alucinada que novamente é cortada pela campainha e assim por diante, sempre com intervalos cada vez maiores.
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A respiração é bastante trabalhada nas performances, tendo a água como elemento constante, seja em tanques ou em baldes.
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Catástrofe, a primeira das três peças já listadas, mostra uma diretora manipulando um ator estático sobre um pedestal. Para isso, são utilizados os mais estranhos argumentos e a mulher mantém-se completamente inflexível aos palpites de sua ajudante.
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No Ato sem palavras 2, dois atores, que moram em dois sacos de pano, devem realizar as mesmas tarefas, que fazem alusão ao nosso dia-a-dia, num mesmo período de tempo. A diferença é que um é todo atrapalhado e o outro é organizado. Nenhuma palavra é dita. É impressionante como, no silêncio, a mínima reação do ator cria grande impacto. Depois de cenas onde as palavras jorram, esta silenciosa gera um contrate muito tocante.
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A terceira cena, Jogo, é a mais absurda de todas, se é que é possível afirmar isso. Um homem e duas mulheres estão colocados em caixas, o foco de luz é que indica a intensidade e a vez de cada um. Toda a fala é muito rápida, dita sem pausa, e numa tonalidade constante. Eles contam o caso de um adultério. O texto é dito duas vezes. É impressionante a capacidade que esta cena tem de envolver. As palavras ditas velozmente, as luzes acendendo e apagando, aquelas cabeças se acabando de falar no meio de um palco vazio, é muito engraçado. Eu ri muito!
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O teatro do absurdo também é para isso. Ele tem o intuito de gerar o riso, perante situações que nos fazem refletir sobre nosso ridículo pessoal.
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A performance final, Respiração embolada, mistura o elemento água ao elemento da fala rápida. Todos os atores de todas as cenas anteriores entram no palco e colocam suas cabeças nos baldes. É tocado um ritmo nordestino, meio forró ligeiro, e eles devem manter a cadência constante do canto sem perder o fôlego, voltando constantemente as cabeças para dentro da água. Realmente é uma cena de muita energia. A frase repetida, que eu acabei gravando é: sem som, sem som, só a velha respiração... Esta, além de outras, vai num ritmo crescente até a explosão final, e a peça tem seu fim, depois 1:30 hrs de espetáculo.
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A platéia bateu muita palma. Realmente foi marcante!
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A sensação de estranheza, de desencaixe, aquele olhar meio enviesado para tudo aquilo, era constante.
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Pairava uma questão do porquê de tudo aquilo, um ambiente artificial, contrastado pela veemência com que os atores realizavam seus papéis.
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Era meio estéreo, um sanatório geral estampado na sua frente, num ritmo alucinante, avolumando pedaços de propostas malucas que procuravam esculpir o indizível risível velado de nossas vidas.
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Era o tele-transporte do mundo mais escarrado de terno e gravata para a Ágora teatral numa volúpia irônica que todos os atuantes levavam a sério demais.
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Um ar-condicionado empurrando sua nuca e você numa sala branca sendo acusado por um feto, morto na Revolução Francesa, de ser Napoleão Bonaparte. Você está acuado entre o ar que te lança e o quase humano que te acusa de assassinato, enquanto sua consciência começa a suspeitar da irrealidade como proposta reinante de toda sua vida.
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Uma encenação de Kafka! Seria correto afirmar?!
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Genial!
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Mostrou-me uma velha nova possibilidade de teatralização. Com certeza está entre as melhores peças que já vi na minha vida, junto com Hamlet com Wagner Moura e “Sonho de um homem ridículo” com Celso Frateschi.
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Ingenuidade

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“Não quero falar de uma falta de ingenuidade; pois, afinal de contas, a ingenuidade constitui a base do ser, de todo ser, até mesmo do mais consciente e do mais complexo.” Doutor Fausto – Thomas Mann
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Afinal de contas, aquilo que esquecemos e ignoramos é, constantemente, o que nos cede espaço para o que sabemos, sentimos e pensamos.
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Caso tenhamos em nosso consciente, que é nossa parte menos ingênua por princípio, todos os elementos passíveis de se tomar contato, todas as possibilidades de interpretação, todos os caminhos e desenvolvimentos, o simples agora tornar-se-ia uma intragável avalanche de malícias, belezas, teorias e comicidades que atropelaria o ser vivente.
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Daí a ingenuidade como a base de todos nós, até dos mais esclarecidos humanos.
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Não controlamos, no calor das horas, todos os relances que se nos passam pela mente, os sentires do corpo, não temos o pleno domínio de todos os sentidos concomitantemente. Seria como um corredor de luzes baixas que escondem nas brumas um mar de feras e docilidades constantemente latentes a nos roçar a nuca num eterno calafrio em potencial.
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“Viver é muito perigoso” como já dizia Guimarães Rosa!
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domingo, 23 de janeiro de 2011

Mais Fausto

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“Música e fala – insistia – deveriam andar unidas, eram, no fundo, uma e a mesma coisa, a fala era música, a música um modo de falar; e, quando separadas, uma sempre evocava a outra, imitava a outra, servia-se dos recursos da outra, queria ser entendida como substituta da outra.”
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Doutor Fausto – Thomas Mann
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quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Ontem

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12111 – 1 = 11111
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quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Livro: Quatro contos

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Com quatro mestres na arte das narrativas curtas, este livro é bem gostoso de ler.
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O. Henry – Presentes de reis magos
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História comovente de uma troca mal comunicada de presentes de Natal que, apesar do fracasso, soa lindíssima, pela entrega de ambos os personagens na busca de um presente que seja digno de seu amor.
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Edgar Allan Poe – A carta roubada
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Narração sobre como o Senhor Dupin resolve o caso da carta roubada, demonstrando como é importante procurar pensar com a cabeça do farsante. A carta, tantas vezes procurada pela polícia, não estava escondida, estava às claras.
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Arthur Conan Doyle – A sociedade dos ruivos
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Um conto sobre o detetive Sherlock Holmes, a quem é proposto solucionar um caso estranho, sobre uma suposta sociedade que só contratava ruivos, mas que, se dissolve instantaneamente de um dia para o outro. O fator da cor dos cabelos era apenas um pré-testo para organizar um assalto. Pra mim esse é o melhor dos quatro contos.
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Washington Irving – Rip Van Winkle
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História tradicional dos Estados Unidos que foi registrada por esse autor, nascido nas Américas, mas morador, por um período de tempo, da Europa. Foi responsável por criar um elo importante entre a cultura já consagrada do velho continente, e aquela que nascia do outro lado do Atlântico. O conto conta um conto, por muitos contados, da história do pacato Rip Van Winkle que, após tomar contato com homens estranhos nas montanhas, bebe, adormece e acorda após um longo período de tempo. Coisa simples!
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É gostoso de ler! Bem leve!
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terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Manifesto do Partido Comunista – Marx e Engels


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É interessante notar como, por mais que se trate de um livro que se pretendia científico, um livro que procurava traçar com força as bases lógicas para o desenvolvimento de uma teoria da revolução prática, ainda assim, o Manifesto soa, após tanto tempo (foi escrito em 1848), como um documento ingênuo, utópico, poético, agradável às lágrimas e aos nós que nos formam na garganta ao depararmos como uma espécie de “Manual para construção do Eldorado”.
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É a poética da revolução que, infelizmente, não chegou a se concretizar além das bocas, pois, ao sair, deve ter-se enroscado em algum fio de barba esquerdóide!
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É apenas, novamente, a força da poesia, desta vez com disfarces realistas, tomando as mentes e corações daqueles que entraram em contato com as prosas dos cientistas sociais de outrora.
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Estes cientistas são os grandes responsáveis por suas auto-ilusões adocicadas pela esperança de ciência, as chamadas: soft science, as ciências humanas ou, mais precisamente, as ciências sociais. São estes os condenados às chamas da auto-culpa por terem desmedido as teorias na busca de legiões que almejassem uma pseudo-verdade, em verdade, forjada por eles.
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São eles os culpados por tentarem a gênese de um novo querer. Um novo querer que, na verdade, é tão antigo quando qualquer outra forma de egoísmo, pois foi, em prática, nada além disso. O comunismo tornou-se uma nova forma de egoísmo, porém, desta vez, um pouco mais maquilado por uma casca de boa intenção e disfarçado com uma espécie de peruca científica. Deve ser culpa de Newton!
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Os cientistas sociais quiseram querer por outros, mas esqueceram que cada um somente pode querer por si, sendo impossível inventar a querência na alma alheia. Desta forma, estes cientistas fizeram exatamente aquilo que tanto condenavam: traçaram, de cima para baixo, uma nova catequização das massas, só que, desta vez, revestida de “Revolução do proletariado”.
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Era mais uma vez, a boa e velha lógica do fluxo de idéias que sempre esteve condenado à educação e que, por sua vez, sempre esteve condenada ao CAPITAL, em menor ou maior intensidade, nacionalmente ou internacionalmente. É interessante pensar que teorias sociológicas nascem no bojo dos conflitos, mas, surpreendentemente, a África não possui uma forte tradição de cientistas sociais de renome internacional ainda que, hoje, seja ela um dos epicentros da miséria humana.
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Era simplesmente a boa e velha Europa, o bom e velho Estados Unidos da América produzindo aquele material do qual sua Social Democracia tão bem iria se nutrir para reforçar a legitimidade do futuro egoísmo nacionalista, amenizado, como nunca, por gotas de filantropia comunal.
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Como devemos, enfim, considerar o valor de uma teoria? No indivíduo criador, ou no indivíduo criador presente de um meio formador?!
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A dialética que por tantos e tantos anos inebriou os corações e insuflou, como ainda insufla, os egos em ditames perniciosos, sublimes vociferadores de suas posições políticas, no fundo, tocante somente a si; é a mesma dialética que tornou possível as tantas e tantas décadas de utopias que, ainda hoje, sustentam-se nos becos e guetos herméticos onde esquerdistas divagadores embatem-se com aqueles iguais em pensamento e em atitude, ou melhor, em não atitude. Isso ainda se dá porque é extremamente confortável a verborragia socialista quando esta possui olhos e ouvidos receptivos e concordantes. É sobre este conforto, no fundo extremamente pessoal e individualista, que ainda descansa o discurso das esquerdas radicais.
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É uma pena!
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O comunismo falhou e falha simplesmente pelo fato do ser-humano tender a pensar primeiro em si, para depois pensar no próximo. Há uma lei biológica de sobrevivência e competitividade anterior à consciência propriamente humana. É a seleção natural! O que preferes fazer com a comida que te sobra, guardar para enfrentar com mais facilidade possíveis desavenças futuras, ou dividir com teu próximo, desconfiando de que, talvez ele não faria o mesmo por você, caso estivesse no seu lugar?!
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O ser-humano é interno, é uno, sua voz interior tende a ressoar mais alto para si, do que o discurso do alheio. “E sabe do que mais, eu sou como um tambor que ressoa mais dentro dele, que da pessoa”. A outra pessoa nunca é a primeira, talvez por isso a chamemos de próximo, ou seja, aquele que não é o primeiro. O pensamento vinga em qualquer silêncio constante, e a fala, passível de julgamento social, sempre vem depois, sempre é posterior e nem sempre é tão presente.
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Além de todas essas características inalienáveis do indivíduo, o regime estatal está submetido ao mesmo egoísmo intrínseco, e por vezes velado, que reside em todo homem, por ele ser regido, em suma, por homens. Seria muita ignorância acreditar que estes senhores do estado seriam impolutos, donos de uma galhardia fidalguesta redundante e incorruptível para com aqueles que, em verdade, detêm menos poder.
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Ainda que o poder seja inalienável das massas, o tempo é o senhor da verdade, dos movimentos físicos e, sendo assim, dos sociais, estando, portanto, sub-julgada a ele, a organização de uma revolução que deveria vir de seres excluídos da máquina política. Estes precisariam construir, no seio de uma máquina maior, aquela engrenagem que tentaria derrubá-la.
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Mas todo movimento humano, como já dito, está sob a lógica do tempo, e o tempo corre em igualdade. É como se, povo e governo tivessem que correr por 30 segundos aé um objetivo em comum, só que um está treinado, saí na frente e, muitas vezes, está melhor alimentado e descansado que o outro.
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Um velho político sabe dançar ao som do batuque dos panelaços!
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É uma questão de evolução de almas! Simplesmente, neste estágio não estamos, em nossa maioria, preparados para tão grandes gestos de altruísmo.
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Esvaziando o celular I

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Alguns ritmos mais intensos de pensamento não seriam uma espécie de mediunidade?!
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Esvaziando o celular II

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Teste sua coragem para com o mundo vendo gotas de orvalho. Enfrente-as de olhos abertos e sinta sua capacidade de manter a visão desperta para os céus, enquanto, homeopaticamente, o choro das alturas tenta te impedir de prosseguir, numa espécie de carinho demagogo, ainda que sinceramente lácrimo.
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Esvaziando o celular III

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Humildade também é um apelo quando o erro se faz presente e o final pressentido.
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Esvaziando o celular IV

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Dai-me sempre a palavra e o inefável sentimento, pois eles serão sempre meu alimento e companhia, serão o complemento do dizível e daquilo que apenas se cala; o tangível e a profundeza que não cabe sob meu controle.
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segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Viajantes do Infinito – Flávia Muniz



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Melhor livro juvenil de 1991 pela Associação Paulista dos Críticos de Arte.
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Li em 1993, acho. Conta sobre um menino que descobre uma criatura no espaço mais escuro de seu quarto. A coisa o seduz, ganha sua confiança e o leva para outra dimensão. Seu melhor amigo nota sua ausência e busca ajuda, alegando que o colega sumiu sem deixar pistas.
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Por meio de uma projeção guiada, ele vai até o encontro do abduzido e os dois travam uma batalha contra essa criatura que se alimenta dos medos dos jovens.
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Lembro que lia de noite, antes de dormir e ficava com um pouco de receio, mas, ao mesmo tempo os fatos em encantavam e davam vontade de continuar.
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Estava passando o olho nuns trechos, de novo e, realmente, é muito bem escrito. Linguagem simples, mas que não soa infantil. Uma narrativa direta, fluida, com descrições bem colocadas, uma temática muito cativante. Livro de superação de medos e amizade.
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Fantástico!
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Me marcou tanto que, quando fui achar um endereço pra este meu blog, acabei escolhendo o nome dele...
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Um livro pra qualquer idade!
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O Menino de Olho D'Água - José Paulo Paes e Rubens Matuck

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É a história de um menino e um velho que moram num lugar muito seco. O lugar era tão seco que o prefeito tinha, em sua casa, uma fonte sem água e, não por acaso, ele se chamava: Fonseca.
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Um belo dia, porém, o garoto, que se chamava Genésio, descobre umas gotas de água escorrendo de um muro ou coisa assim. Ele vai perguntar pro morador mais velho e mais sábio da cidade o que poderia ser aquilo.
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O velho diz que, há muito tempo, a cidade era um ponto de parada de andarilhos que ali iam matar sua cede. Ou seja, o menino redescobriu a razão da cidade se chamar Olho D’água. Depois disso, o velho e o menino, o começo e o fim da vida, se juntam para salvar a fonte esquecida. A comunidade compra uma árvore, planta no local, e as coisas começam a melhorar.
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O livro ganhou 2 prêmios Jabutis em 1991: de melhor livro infantil e melhor ilustração.
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Realmente é muito agradável de ler e as imagens são lindas demais!
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Primeiro o escritor conta um fato em versos, depois o ilustrador comenta sobre o que foi narrado, numa espécie de diálogo. É gostoso de acompanhar...
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Li quando tinha 8 anos, acho. E me lembro bem do ocorrido nas páginas. Na época quase desmontamos o livro pra fazer quadros dos desenhos de dentro dele.
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Acho que foi o primeiro livro que me marcou! Li diversas vezes... Um resgate da natureza, tema bem atual, após 20 anos.
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Essa é a melhor imagem da capa que eu consegui na internet:
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Do fundo do poço se vê a lua – Joca Reiners Terron



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O livro ganhou o primeiro lugar na categoria romance do Prêmio FBN (Fundação Biblioteca Nacional).
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Possui uma narrativa descontinuada, por vezes alternando o foco e o tempo da história a cada novo parágrafo, flutuando assim entre passado e presente, divagações de infância e acontecimentos contemporâneos. A obra é dividida em 3 partes que englobam, desigualmente, 10 capítulos, 280 páginas, mais ou menos. O narrador é em primeira pessoa, onisciente, ainda que participante direto da trama.
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É contado o caso de dois irmãos univitelinos, Wiliam e Wilson, condenados a similaridade, bem como a brutais diferenças. Nascem em São Paulo na época da ditadura, filhos de uma perseguida dos militares e de um ator do submundo teatral. Crescem isolados e estréiam para o mundo quando seu pai resolve dar vazão a sua maior obsessão: as histórias sobre gêmeos, dando início às peças encenadas, por eles, no Monumental Teatro Massachusetts.
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Uma tragédia, ocorrida neste local, separa seus destinos para sempre, levando um perder a memória, trocar de sexo e partir em busca de seu eu-ideal: Cleópatra VIII, ou melhor, a Cleópatra encenada por Elisabeth Taylor, no filme de 1963; e outro a vagar sem destino, tornando-se um alcoólatra.
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Algumas citações e passagens são recobradas em diferentes pontos do livro, o que ajuda a dar veracidade e cor à narrativa. Frases e recordações de infância, trejeitos de personagens e outros elementos pontuais, como esses citados, são resgatados de tempos em tempos.
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A forte presença do conceito do duplo, a repetição de um semblante num outro corpo ressaltando conflitos vindos desta proximidade externa em desavença com as identidades internas, bem como o paralelo com outras histórias conhecidas, como: Caim e Abel, o Doppelgänger (e outras que não me lembro) possuem bastante peso e apelo dramático. Isso faz o livro ultrapassar a classe dos romances, tendendo ao patamar dos clássicos. Foi esta a impressão que tive, sendo que, esses paralelos com elementos interessantes da cultura geral são, a meu ver, os principais responsáveis por isso.

Gostei bastante! Algumas partes aconteceram em ruas perto da minha casa em São Paulo, apresentando personagens que são típicos de alguns locais que já passei.
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Recomendo! Um romance contemporâneo, de qualidade, ágil e inteligente!
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Abaixo, uma foto do autor.
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domingo, 2 de janeiro de 2011

2011 - Duas frases do livro

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Do fundo do poço se vê a lua – Joca Reiners Terron.
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"Estar morta é rever sua própria vida oscilando entre a terceira e a primeira pessoa, como se a alma, na iminência de ir embora em definitivo e que a todos os fatos de uma existência observa, vê tudo simultaneamente do lado de dentro e do lado de fora."
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“... o mundo visível é um traço do mundo invisível e o primeiro segue a este último como a uma sombra.”
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