Silêncio sinestésico que filtro
Na madrugada de sentido infinito
Pois pressinto o descarrego unânime
De todos os pontos mundanos
Que circunscreveram minha alma.
Estancada a cidade, vencida a rotina
Tombo embalado no vácuo permissivo
Regalando minhas carências
Com toda a instância de pulsão
Que o rodeio humano me fez castrar
É a forma primitiva do eu-feto
Que, transmutando as podridões,
Distancia-se do mangue claustrofóbico
De lamas, latrinas e suores urbanos
Que nos inebriaram de pseudo-vitória social.
Mas agora, desatados os sobressaltos cotidianos,
Eu, versificando minhas incógnitas,
Despejo felizes desejos inanimados
Por sobre as intocáveis folhas virtuais
Deste campo tão outroramente conhecido.
São os desatinos homúnculos comuns
Que minimamente se me descamam
Quando lembro de me despertar
Resgatando, assim, as cápsulas poético-pueris
Que minhas mãos já brotar fizeram
Eternas amofinações expressivo-germinais...
A metamorfoseante sílica do espírito
Que, na labuta hiperbólica da incandescência,
Suplanta a prisão corpóreo-agônica
Em versificações vítreo-translúcidas.










