Por favor, quem não for muito chegado, por favor não leia esse texto. Quer um conselho,?! Desencana dele, ele é chato demais.
.
Sim, as praias desertas do meu amor continuarão talvez infinitamente esperando por nós dois. Teus olhos nos meus, meus olhos nos teus, os sonhos cultivados, as vontades que minguam dia a dia me fazem esquecer de mim toda vez que me lembro de ti. Mas essas vontades minguadas me fazem um mal tão grande que você nem saberia sentir. Cada vez que me desfaço de um querer pelo nosso bem, me desfaço das minhas coisas que me fazem mais felizes, talvez também por isso fui tão triste e ainda sou um pouco como talvez sempre serei. A tristeza tomou raiz, desfez minha sanidade mais firme e há meses corro atrás dela pelas praias imaginárias que nunca estive mais que recrio e por isso são tão reais. Mas essas praias são longe demais do socialmente bem quisto. Sou escudo, reflexo esquivante dos olhares, esquerdo, escasso, esquisito em mim, na natureza que me recriou em meses atrás e que fez tão bem o mal trabalho que já não consigo mais me querer como antes. Nesse fim de ano, todos os escritos que não vieram à vida desabam sobre meus dedos, pobres dedos que tanto falam por mim, mais uma vez. Sou calado apesar da fala e do canto intenso. Sou menino complicado que criou vidas durante anos a fio na esperança de consertar está que me deram e que tanto me desagrada. Se olho no espelho, meus olhos sentem vergonha dos meus olhos e logo olho pra pia respingada de confusões dos diversos dias corridos em que prefiro não ter tempo pra mim pois isso seria o fim da pequena firmeza que construí através de sessões de cinema, banhos demorados e análise. A música canta leve nos meus ouvidos, uma voz feminina suave canta junto a um cello e um piano. O meu piano que não sou sempre que seria, pois não quero sempre que posso e não posso sempre que quero. Acho que desencontros seria uma palavra boa. Desencontro da inspiração com a coragem de manifestar, desencontro da música com a voz, desencontro de olhares. Ahhh meu Deus os olhares. Como me perturbam esses olhares que me secam e creio, me julgam como eu a todos eles. Como cheguei até esse ponto? Não sei, só sei que aqui estou e não conseguirei sair tão facilmente. Mas de um fato posso me gabar; é impressionante a minha capacidade de crer em Deus e ter esperança, pois mesmo quando me deito na cama depois de um dia inteiro de desencontros, ainda encontro fé pra acreditar que no dia seguinte tudo pode mudar. Geralmente não muda muito, mas isso não me impede de sonhar. Me descobri mais frágil, ansioso, infantil e mais intenso ainda do que já era. Mas a intensidade do presente ultrapassa minha capacidade de digestão e controle de certas ocasiões e por isso me perco tanto entre todos que me rodeiam. Me sinto tão bem quando estou lendo. O livro não me encara, ele não me olha, ele me convida a me olhar, se não quero não faço, se quero faço e pronto. Mas os olhares me fizeram tão minguante que não me entendia mais dentro dos antigos padrões de mim que tanto me orgulhavam. Rapaz que era lúcido, alegre, criativo, engraçado, animado. Sinto dizer que já não sou. Me esforço com todas as forças para voltar a ser, mas os olhares (ahhhh meu Deus do céu, os olhares) esses são o mar da perdição da consciência e tranqüilidade. O mundo me invade e eu não gosto disso. Prefiro que meus pedaços andem por aí, enquanto eu ficaria só com os meus mais internos pertences. Mas como não seria assim como sou, se desde quando tenho referências do meu interior eu era assim, praticamente um amontoado de remédios para ludibriar os defeitos causados por sei lá que razão e assim cresci em meio a mim e todos essas substâncias que encasulavam minha consciência e enfeitavam meu dia a dia de uma tranqüilidade quase engessada. Havia nuvens no meu pensar. Nuvens de tempestade, não eram nuvens brancas, eram brumas densas e frias. Nem sei como era capaz de tantas emoções e pensamentos. Tenho pena de mim dos tempos idos, é isso que sinto, uma pena por ter tido isso, ter sido assim. Mas não gosto de pensar onde estaria hoje caso não fossem esses fatores. Não sei. Todo fim de ano, fim de ciclo, é quando tudo está no ar e é também por essas toneladas de coisas enclausuradas pelos olhares (ahhh os olhares meu Deus) que me descrevo (desfaço, desvelo em negativo) tudo que me faz mais denso, tão denso quanto não gostaria de ser. Mas sou escravo do meu círculo solitário e nele ainda hei de ficar por uns tempos. O fim de ano, um ano ímpar, tão conturbado, tão intenso, intensidade de perdição, o fim dele me desfaz de um pouco de mim, do muito que não quero ser, mas temo que também dos poucos que me orgulham. Não sei. Não sei como tantas vezes mais não saberei e por enquanto assim continuará até o dia em que meus olhos se levantarem e enfim eles olharão longe e enfrentarão as observações mudas dos outros tantos olhares que perambulam pelas ruas e estabelecimentos humanos. Humanos são olhos ambulantes, enquanto os meus lambem o chão da negação em busca de um sermão que liberte de vez a conversão interna eterna que me tornei. Sinto muito, por mim e pelos meus conhecidos, mas não sou mais o que era. Sou desenlace cárcere e por isso agora dormirei de insônia.
.
Finjo uma dor que deveras sinto que finjo.











