quinta-feira, 28 de dezembro de 2006

Desenlace cárcere

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Por favor, quem não for muito chegado, por favor não leia esse texto. Quer um conselho,?! Desencana dele, ele é chato demais.
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Sim, as praias desertas do meu amor continuarão talvez infinitamente esperando por nós dois. Teus olhos nos meus, meus olhos nos teus, os sonhos cultivados, as vontades que minguam dia a dia me fazem esquecer de mim toda vez que me lembro de ti. Mas essas vontades minguadas me fazem um mal tão grande que você nem saberia sentir. Cada vez que me desfaço de um querer pelo nosso bem, me desfaço das minhas coisas que me fazem mais felizes, talvez também por isso fui tão triste e ainda sou um pouco como talvez sempre serei. A tristeza tomou raiz, desfez minha sanidade mais firme e há meses corro atrás dela pelas praias imaginárias que nunca estive mais que recrio e por isso são tão reais. Mas essas praias são longe demais do socialmente bem quisto. Sou escudo, reflexo esquivante dos olhares, esquerdo, escasso, esquisito em mim, na natureza que me recriou em meses atrás e que fez tão bem o mal trabalho que já não consigo mais me querer como antes. Nesse fim de ano, todos os escritos que não vieram à vida desabam sobre meus dedos, pobres dedos que tanto falam por mim, mais uma vez. Sou calado apesar da fala e do canto intenso. Sou menino complicado que criou vidas durante anos a fio na esperança de consertar está que me deram e que tanto me desagrada. Se olho no espelho, meus olhos sentem vergonha dos meus olhos e logo olho pra pia respingada de confusões dos diversos dias corridos em que prefiro não ter tempo pra mim pois isso seria o fim da pequena firmeza que construí através de sessões de cinema, banhos demorados e análise. A música canta leve nos meus ouvidos, uma voz feminina suave canta junto a um cello e um piano. O meu piano que não sou sempre que seria, pois não quero sempre que posso e não posso sempre que quero. Acho que desencontros seria uma palavra boa. Desencontro da inspiração com a coragem de manifestar, desencontro da música com a voz, desencontro de olhares. Ahhh meu Deus os olhares. Como me perturbam esses olhares que me secam e creio, me julgam como eu a todos eles. Como cheguei até esse ponto? Não sei, só sei que aqui estou e não conseguirei sair tão facilmente. Mas de um fato posso me gabar; é impressionante a minha capacidade de crer em Deus e ter esperança, pois mesmo quando me deito na cama depois de um dia inteiro de desencontros, ainda encontro fé pra acreditar que no dia seguinte tudo pode mudar. Geralmente não muda muito, mas isso não me impede de sonhar. Me descobri mais frágil, ansioso, infantil e mais intenso ainda do que já era. Mas a intensidade do presente ultrapassa minha capacidade de digestão e controle de certas ocasiões e por isso me perco tanto entre todos que me rodeiam. Me sinto tão bem quando estou lendo. O livro não me encara, ele não me olha, ele me convida a me olhar, se não quero não faço, se quero faço e pronto. Mas os olhares me fizeram tão minguante que não me entendia mais dentro dos antigos padrões de mim que tanto me orgulhavam. Rapaz que era lúcido, alegre, criativo, engraçado, animado. Sinto dizer que já não sou. Me esforço com todas as forças para voltar a ser, mas os olhares (ahhhh meu Deus do céu, os olhares) esses são o mar da perdição da consciência e tranqüilidade. O mundo me invade e eu não gosto disso. Prefiro que meus pedaços andem por aí, enquanto eu ficaria só com os meus mais internos pertences. Mas como não seria assim como sou, se desde quando tenho referências do meu interior eu era assim, praticamente um amontoado de remédios para ludibriar os defeitos causados por sei lá que razão e assim cresci em meio a mim e todos essas substâncias que encasulavam minha consciência e enfeitavam meu dia a dia de uma tranqüilidade quase engessada. Havia nuvens no meu pensar. Nuvens de tempestade, não eram nuvens brancas, eram brumas densas e frias. Nem sei como era capaz de tantas emoções e pensamentos. Tenho pena de mim dos tempos idos, é isso que sinto, uma pena por ter tido isso, ter sido assim. Mas não gosto de pensar onde estaria hoje caso não fossem esses fatores. Não sei. Todo fim de ano, fim de ciclo, é quando tudo está no ar e é também por essas toneladas de coisas enclausuradas pelos olhares (ahhh os olhares meu Deus) que me descrevo (desfaço, desvelo em negativo) tudo que me faz mais denso, tão denso quanto não gostaria de ser. Mas sou escravo do meu círculo solitário e nele ainda hei de ficar por uns tempos. O fim de ano, um ano ímpar, tão conturbado, tão intenso, intensidade de perdição, o fim dele me desfaz de um pouco de mim, do muito que não quero ser, mas temo que também dos poucos que me orgulham. Não sei. Não sei como tantas vezes mais não saberei e por enquanto assim continuará até o dia em que meus olhos se levantarem e enfim eles olharão longe e enfrentarão as observações mudas dos outros tantos olhares que perambulam pelas ruas e estabelecimentos humanos. Humanos são olhos ambulantes, enquanto os meus lambem o chão da negação em busca de um sermão que liberte de vez a conversão interna eterna que me tornei. Sinto muito, por mim e pelos meus conhecidos, mas não sou mais o que era. Sou desenlace cárcere e por isso agora dormirei de insônia.
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Finjo uma dor que deveras sinto que finjo.
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quinta-feira, 21 de dezembro de 2006

Nosso mar

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Um cafuné na cabeça, malandro, eu quero até de macaco
(Milton Nascimento e Leila Diniz)
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Tom: Cm
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Int.: Cm4/7
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Cm4/7
Brigam Espanha e Holanda
Bb/F Fm5+
Pelos direitos do mar
Cm4/7
O mar é das gaivotas
Bb/F Fm5+
Que nele sabem voar
C#7+ Eb7+ F/C
Brigam Espanha e Holanda
C#7+ Cm4/7
Pelos direitos do mar
C#7+ Eb/G
Brigam Espanha e Holanda
C#7+
Por que não sabem que o mar
C#7+
Por que não sabem que o mar
Bbm Gm5-/7
Por que não sabem que o mar
C#7+ Fm7
É de quem sabe amar
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quarta-feira, 20 de dezembro de 2006

segunda-feira, 18 de dezembro de 2006

sexta-feira, 15 de dezembro de 2006

segunda-feira, 11 de dezembro de 2006

Benção às avessas

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Os papéis ao longo da vida se revezam. A representatividade de uma pessoa muda. Mas a representação não. Quem cuida, quem é cuidado, quem ouve ou quem fale, quem dá conselhos, quem é aconselhado, tudo isso muda, e é bom mesmo que as coisas mudem, porque assim sentimos vento, oscilação, transformação, movimento e vida. As relações humanas mudam, deus muda dentro de nós, coisas passam, outras chegam, vão embora, sonhos viram realidade, outros definham, florescem novamente. Ciclos de ciclos de ciclos num ciclo maior de uma roda gigante num canto pequeno da criação de um criador. Muita coisa muda, e eu achava, por isso, que a única coisa na vida que era constante era a inconstância, mas existem mais coisas constantes. Seus pais são uma delas. Seus pais serão sempre seus pais, e é bom que seja assim, pois assim temos tempo para nos reciclarmos dentro de um elo inquebrantável. Somos eles em carne e osso, a representação uma de dois seres. E o físico permanece, mas o conjugado entre pais e filhos é uma transferência sem fim. Isso poderia ser dito em qualquer dia, mas hoje é o dia de uma pessoa sem igual (rssss), sim, como não, é aniversário da minha mãe. É impressionante a capacidade que meus pais têm de fazer nós na minha garganta.,., rssss.,.,
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Minha mãe, eu te desejo toda a transformação e energia de uma mulher de 50 anos. Yung disse que depois dos 50 a mulher é só prazer, que assim seja. Expanda-se e recicle-se sempre como você sempre fez. Vá sempre adiante, nunca perca essa sede de coisas novas, viagens, desafios e busca de si. Sempre Heleni, é por isso sempre mais.
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Um beijo, Feliz Aniversário e que Deus te abençoe da mesma maneira que você desejou tantas vezes que ele o fizesse comigo.
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Do seu filho, Wagner.,.,.,
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quinta-feira, 7 de dezembro de 2006

DÓ, RÉ, MI, FÁ, SOL, LÁ, SI, DÓ, DÓ, SI, LÁ, SOL, FÁ, MI, RÉ, DÓ

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Dos corpos caídos
Ressona uma esperança
Minguada, porém nossa,
Fácil de se sentir. Por isso,
Soltemos nossos olhos
Lá longe no horizonte. E novamente seremos
Simplesmente nós,
Docemente ternos.
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Do belo horizonte aos pés
Silhuetas de mundo
Lacrimejam-se dis-
Solvendo em vão. Vitimizam-se.
Fazem questão de fazerem falta
Mimam-nos para cativar. Mas
Rejeitemos as regalias restritivas
Doravante.
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Domando-nos poderemos
Recusar os mimos de outrem
Miraremos objetivos conjuntos
Facilitando a caminhada de
Sol a sol
Lá pras bandas do bem.
Sim, pros lados do bem
Dormita nossos laços.
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Do jeito que estamos
Similar a um caranguejo
Labutaremos mesmo de lado
Solavancos levaremos
Frágeis somos, minguados
Minguantes jamais, ou não mais
Ré é impossível de conseguir
Dói as juntas dos caranguejos.
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Dobrando mais um ano (2006)
Resta-nos em nós
Milhões de fiapos
Farrapos de vozes
Solfejos de notas
Lamuriosas sonatas
Sinos de Belém
Docemente ternos.
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Dobrados e trinados
Sinfonias de peixes
Lagostas aquáticas
Soltas palavras
Fabulosas linguagens
Miragens de imagens onde
Ressonam a esperança
Dos corpos caídos.
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quinta-feira, 30 de novembro de 2006

quarta-feira, 29 de novembro de 2006

Pasárgada

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Este post não tem esse nome. Tem o seu nome. Mas novamente digo: prefiro a intensidade do não dito, às falhas do explícito. Segue o texto que me refaz.
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Como começar a colocar pra fora algo que ainda não está digerido? Como dizer um até mais ver, sendo que se ver era um instinto, quase um reflexo. Beijar era um reflexo, sorrir era um reflexo, gostar de estar era um reflexo, quase tudo era um reflexo. Reflexo por ser parte das emoções, mas também reflexo por ser conseqüência de uma escolha, um encaminhamento que não queria restrições. Já não podia mais me restringir. Meus olhos tinham perdido demais a inocência pra poder gostar de alguma coisa, aliás, nem de mim eu gostava, que dirá de outros. Mas escolhi a inocência pra poder me permitir a paixão e assim foi, como ainda é. Começou numa conversa, num beijo implorado depois de um tempo de olhares e timidez. Você caiu de cabeça, eu respirei e mergulhei convicto. Apesar da intensidade, eu me sabia ali. Não estou dizendo que você não sabia sobre você, sei apenas que eu escolhi o mergulho. E assim foi. Outubro passou parado numa nuvem de uma noite eterna e enfim, chegou doce novembro pra nos conduzir. E assim fomos entre tantos encontros lindos e despedidas demoradas. Entre tantas horas sem demora, noites de sorrisos e brincadeiras. Me sentia simplesmente ali quando estava aí. 15 dias onde eu consegui, finalmente, viver sem restrições, após meses de eternos poréns "isso" e "aquilo". Após a subida de agosto e setembro, veio enfim um primeiro patamar de cores e luzes estroboscópicas das baladas onde não havia ninguém a não ser nós. Pude respirar melhor, nos ajudávamos a respirar. Uma multidão de pessoas perambulando pra lá e pra cá, e nós em algumas cervejas, 5 para ser exato, muitos cigarros, e multidões de beijos. Os lugares estavam cheios do interior que eu havia criado. Do interior onde você morava. Os lugares estavam cheios de você. A presença continuada apesar da distância. A lembrança do beijo que me encaminhava em busca de outros. As visões do teu sono ao meu lado, que me faziam sonhar de novo. Teus olhos fechados, e a cara em meio ao travesseiro. Depois íamos acordando devagar, com carinhos de aurora, ouvíamos musica, deitávamos no sofá, dormíamos de novo. Passavam sorrisos, piadas, dizeres, ambições, sonhos de crescimento, sonhos de simplicidade, sonhos de paz interna, dizeres que faziam coisas brotarem do estômago e iam subindo até a garganta pra se abrirem num sorriso. A tua declaração e o meu consentimento no não dito que restava em meio à intensidade. 15 dias de doce novembro em que eu fui me embora pra Pasárgada. Tantas pessoas vão pra lá pra ficarem sozinhas e eu encontrei numa companhia o meu caminho pra Pasárgada, a Pasárgada que eu não encontrei nas horas de imensa tristeza. Mas deita aqui no meio peito só mais uma vez pra gente desfazer o nosso nó juntos. Não?! Mas, por que não? Já estás de saída e eu ainda sonho com o momento daquela chegada naquele dia em que alguma coisa me dizia, que se eu fosse lá, algo mudaria. Evitei aquele local por algum tempo, mas aquele dia fui e naquele dia estava lá você. Naquele dia nasceu uma semente de nós, e hoje hiberna o nosso conjuntivo. Tornou-se um aposto explicativo, semi-conclusivo ao telefone. Restou a promessa de companhia, a quinzena em Pasárgada, as músicas de Elis, Bethânia, Adriana, Milton, Chico, Celine Dion. Rssss. Mas restamos nós também acima de tudo. Eu creio no poder das palavras escritas, por isso tento fazer deste escrito o meu aposto conclusivo, para que o seu deixe de ser um semi como eu disse acima. E te conheço, boto fé em você. Eu me conheço e por isso sei onde parar e por onde ir. Mas e essa dor de coisa arrancada que está aqui dentro agora? Vai passar. Tudo passa. Me resta teus olhos, um cabisbaixo de olhares, o sorriso na lembrança daquilo que foi bom. Escolhi a inocência. Sinceramente escolhi para poder de novo me apaixonar. Fui fomos, agora paramos em primeira pessoa do plural com alguma coisa em singular, que é melhor ficar em segredo. (Você sabe...) Tinha pensado em muito mais coisas pra falar aqui. Suas virtudes, as nossas paragens, mas as coisas me fogem da memória. O que resta agora é a dor da coisa arrancada de repente, quando ainda estava germinando sossegada. Uma semente tão bela, tão bem cuidada, tão sensata. Mas passa. Digo e repito, pois sei que me persuado assim. Não vou te persuadir. Sabes do amadurecimento que por vezes acontece em meio à inocência. Novamente a inocência. Logo após nossa conversa, a primeira música que me veio à cabeça, foi justamente uma que marcou uma outra paixão que se foi e ela é mais ou menos assim: “São enfim os ciclos que passam mesmo que em memória parados estejam/ São faces que se festejam/ De forma plena em plena arena de circos vivos/ Passam anos, cores e perigos/ E que de suas histórias gratificantes glórias/ Sobrou marcado no corpo e na memória/ O tão singelo e senil final/ Pois nada que vive tem plena honra de ser imortal”. Insisto em dizer do fim, pois me refiro especificamente a isso que passou. Admiro nossa coragem, tanto no chegar quanto no sair, mas a porta está aberta e que venham as baladas pra gente fluir noite adentro, vida afora. Você marcou um ciclo, ou o começo de um ainda maior. Fez história na minha história. Arranco agora de mim a dor da companhia arrancada. Acredito no convencimento que este escrito me gera. Não acreditaria em outras épocas, mas hoje sim. Obrigado por ter me ajudado na reconquista da minha inocência. Teus olhos foram fundamentais. Mergulhamos reciprocamente num misto de azul-verde-castanho, e isso me basta. Fiquemos bem, pois estaremos em nós. Mas antes do fim, queria deixar outra música que me comove mais ainda que a citada acima e que eu já cantei ela uma vez pra você. Ela é do Milton e diz assim:
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Se um dia a gente se encontrar
e eu confessar
que vi um filme tantas vezes
para desvendar os olhos teus.
E se a gente se falar
contar as coisas que viveu
o que esperamos do amanhã
será que pode acontecer?
Pois, paralelo ao personagem,
eu quis saber mesmo é de ti.
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Queria que fosses feliz
uma água calma a inundar
a sua margem de carinho
um peito aberto a quem chegar.
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Como o teu nome, diferente
Uma paisagem nos induz
Uma paisagem de inocência
Mas que se sabe e que conduz.

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Conduz agora este momento
O pensamento e os olhos meus
brilhando de emoção e grato
alguém que só te conheceu
num filme que viu tantas vezes.
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Este poema aconteceu.
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Quase choro agora, mas essa virtude eu ainda não reconquistei.
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terça-feira, 28 de novembro de 2006

Oração para a reconquista da sanidade

Vira e mexe eu volto nesse tema, mas fazer o que. Cada vez ele se relaciona com alguma coisa, mas o centro é sempre o mesmo.
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Que o senhor esteja contigo
E assim ele estará no meio de nós
Corações ao alto e avante
Cavaleiros sem casa e quase sem cabeça
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Assim se inicia iniciamos nosso rito de sanidade
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Mas como acalmar tudo que me rodeia
Como calar a voz para falar com deus?
Como num mundo de muitos ditos
Poderei eu ficar quieto sem me desesperar?
Ouvir tanto, ter que falar tanto
E sempre saber calar-me para ver as sutilezas?
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Num mundo digital, como poderei eu
Desligar-me das milhões de páginas?
Pedir um indício
E ver uma borboleta pousar do meu lado
Bem no ato do desafio
Como hoje aconteceu?
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E como saber onde mora a verdade na força que me vem
Toda vez que eu penso na companhia do que tudo sabe?
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Como saber sobre algo que mora em energias?
Que se diz sem dizer?
Que se afirma no renegado?
Que se presencia na ausência?
Que se ama e se odeia num misto de humanidades divinas
Num misto de fraquezas que constroem fortalezas
Erguem edifícios, mas preferem morar nas borboletas?
Que são invocadas pelos corais
Mas canta no desafinar humilde do sem jeito?
Que ilumina o mundo
Mas prefere a sombra dos viadutos?
Que tem imagens adoradas por multidões
Mas que chegam de manso nas horas de solidão?
Que jorram sangue por ele
Mas que habita também com tanta intensidade
As travessias de uma criança sem religião?
Que dizem estar nos templos
Mas que só fica sossegado quando está dentro do coração tranqüilo?
DEUS???
Muitas interrogações
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As criações craniais são submersas do mundo
Não chegam aos outros
Inofensivas aos olhos invasores
Mas mortais aos que me olham de dentro pra fora
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Rogo a liberdade do momento em que aquietam-se meus ânimos
Em que aquietam-se nossas ansiedades
Nossos dizeres internos
Nossas razões tão próprias tão verdadeiras e sensatas
Mas tão frágeis e manipuláveis por substâncias humanas
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As percepções são falhas por isso têm a humildade
De aceitarem serem chamadas de percepções
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As percepções não cabem no mundo
Mas um mundo pode ser contido numa percepção
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Por isso rogo a liberdade do esclarecimento da fé
Que fortalece a parte superior do crânio
Que dissipa as anoções de realidade
Que me fizeram tão mal.
Perderam se todas no ato de me perderem dentro de mim
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Fomos ao fundo
Um inebriante túnel de escuridões
Que nem sei onde éramos naquelas eras de dormência
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Perdi a todos, pois perdi-me
Por isso rogo a certeza medida da fé
Que se permite crer sem desavenças
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Rogo a transparência da vida
A longevidade das parcerias
A mansidão do que não acaba amanhã
Rogo pelo esclarecimento
De mim a mim
Que nada é pra agora
São infinitas as possibilidades de caminhos
São tantos os caminhos que abrem em alimento para a alma sã
Como diz uma música minha que mora no meu caderno velho
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Rogo pelos planos bons
Mas rogo antes disso
Pela tranqüilidade que pode me levar certeiro
A qualquer um dos planos construídos
E homeopaticamente conquistados em meio a ela
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A ansiedade mata
A tristeza desespera
A dor escava o corpo
Mas fortalece a alma e pode até libertar
A tristeza não
A tristeza prende-se nela mesma
Não há saídas imediatas
Os desafios pequenos viram impossíveis
Mesmo que sejam os mais fáceis
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Por isso os céus cobrem tudo
Você já olhou pro céu hoje?
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Ele sempre está lá
Mas não olhamos
Não vemos
Não nos vemos
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O manto azul está em redoma sobre os filhos
Por isso realce as felicidades
Desfoque-se do passado obscuro
As lembranças trazem realidades que podem se restaurar malignamente
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Por isso realce
A oração do realce do que é do bem
Ferramentas temos todos
Feitios feitiços benignos
O mágico liberta-nos
Fica no limiar do palco
Ou na casca da aura
O que dá na mesma
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Rogo santa cabeça
Que se expanda em reconquistas
Agora que tegretol não é mais necessário
Saio e prefiro acreditar na certeza inteira
Sem tantos malefícios da sensatez exagerada
Deixe-me inebriar-me de bom grado
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Mais frágil, porém mais firme
Menos novela e mais movimento
Olhos abertos ainda que com alguns graus a mais
Por isso venha o que vier
Faço das palavras um rito de fortalecimento
Faço deste escrito uma profissão de fé
Preciso de mim muito mais do que sempre e acho que enfim posso ter
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Aleluia, amém.

segunda-feira, 27 de novembro de 2006

O mundo

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Achei esse escrito perdido numa pasta do meu computador, e como estava muito a fim de postar, peguei ele mesmo e botei aqui. Sinceramente eu não acho essa poesia muito boa não, mas é interessante algumas brincadeiras que eu fiz com as palavras. Outra coisa, eu não fiz esse troço pra postar num blog, resolvi postar ele só agora que eu achei por acaso. Por isso vocês podem ter certeza de que ele é 100% sincero já que eu tinha escrito ele só pra mim. É claro que ele passou por uma análise agora (rsssss) antes de eu postar, mas não mudei nada. Segue aqui:
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I
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O mundo é imagético
Todos somos muito mais voz que ouvido
Mais lágrimas que abraços
Mais laços que nós
E isso é muito mais que nós (escritor – leitor)
É gênero – geral – genético – genital
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Animal máquina que expele
Pela pele que não é mais (ex-pele)
São poros abertos de enjôo zôo
Zoológico dos infernos
Jaulas impostas e outras tantas escolhidas
Já não mais colhidas (ex-colhidas)
São recolhidas, recatadas, recatantes em:
Inércia... re – cativa.
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II
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Mira miragens de meus irmãos - eus
Mira miragem o umbigo que sou
Mira viagens dos sonhos inconclusos
Que saem felizes
Mas caem em deslizes
Do ser que não interage - excluso.
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Mira viagens as voltas sem rumo
Mira coragens o covarde senhor
Vira viragens infecto – contagiosas
As bactérias mimosas, mamam nos seios
Aceios, receios, re – seios recíprocos
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Te passo alimento, me passas rancor
Te passo rebento, não sabes quem sou
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O alimento elemento doativo donativo
Adoecente adolescente minguante
Cantante menor de melodias lunares
A Terra mundo muda muda (voz – não)
Cansativa da persistência
Desistente da veemência
Freios estridentes ex – tridente de deuses
Gastos ainda que pedra dura.
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III
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Renascer do que resta, restolhos, retratos, fiapos
De forças das morças noturnas
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O mundo dormente mente fortaleza
Respira neblinas, soletra poemas do silêncio
Amâncio amado, amado alado
A aurora te enamora, e devagar vigora
Agora rogando recados celestiais
Rasgando o Netuno noturno fundo
Da morte à vida recíproca da morte.
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Corte de horizonte deitável delirante
Abre o sorriso luminoso numa glória
Que sorri e sorri cada vez
Engole de luzes o mundo mudo
Pois o escaldante ri – ris
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Mas sua e re – soa os sonhos
Encharcam os olhares
E se derrete – me em pó de esperança.
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Wagner Passos de Sousa Pinto
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Não sei a data (primeiro semestre de 2006 – na faculdade)

sexta-feira, 24 de novembro de 2006

POSTAGEM 186

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Como o post de ontem já teve 4 comentários, e eu admito que eu gosto muito de comentário no meu blog (rssss), resolvi postar esse troço aqui que pensei ontem na hora que eu estava vindo pro serviço:
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Exercício de sua subliminarização das coisas
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1 + 2 + 87 + 49 + rjbd = 1.349.852
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W p k s 135 x (2423)² = §
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(légios) – nov = 000,001
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Calendário Escárnio & CIA
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23 $ @ yahoo.com.br
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Macro bióticos desfeitos
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Sentidos% se e somente se V£ diferente de 2,5
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123456789 / 987654321 = XXXXXXXX
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123456789 / 123456789 = 987654321
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Escrevi isso quase que sem passar um sentido bem feito pra cada uma das linhas na minha cabeça. Quando começava a fazer muito sentido pra mim, eu escrevia alguma coisa que não tinha nada a ver pra deixar o sentido mais nebuloso. O exercício de subliminarização das coisas foi tão bom que até de mim mesmo eu subliminarizei. Nem eu explico, mas Freud eu tenho certeza que sim. rsssss. Talvez eu também.,.,,. rsss. As verdades internas são fodas...
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quinta-feira, 23 de novembro de 2006

Que tal arriscar um poema agora? Quase 6 da tarde!!!

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Acho que vou escrever sobre o sol que brilha lá fora.
Talvez não.
Melhor escrever sobre o que passa aqui dentro
Muito mais intenso
Ou..
Muito mais horrendo
Se morrendo em morte menor.
Muito mais ascendente
Se crescente em escala maior.
Muito mais sentido
Se ouvido em tom diminuto.
Porém menos diminutivo
Se constitutivo de cada minuto.
Muito mais que morrendo
Se muito mais que assim seja.
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Pois é,
Morrer por atrofia de banalidades
Morrer por ser sufocado pela força própria
Morrer porque só assim havemos e principalmente
Haverei de viver disse alguém.
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Também:
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Um dia Santo Agostinho disse que só sabe dizer não
Aquele que se constitui de permissivas humanidades.
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Outro dia um mendigo disse que só sabe comer
Aquele que se dá ao luxo de não enojar a própria merda.
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Mais outro dia aí disse um avô qualquer que só reclina as costas
Aqueles que têm olhos frágeis.
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Mês passado uma girafa disse que do pó do céu
Nascerá um algodão automático que será capaz de coçar além do seu rabinho.
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Um dia desses a flor disse que as vitrines
São bebedouros às avessas.
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Em algum lugar do passado o futuro do pretérito disse
Que não se deixaria rebaixar a presente. Virou condição eterna sem existir.
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No futuro certeiro a possibilidade brincou e bradou dizendo
Que vinde a mim as criancinhas.
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E mais um etc de dizeres.
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Faça o seu você também. Tire palavras da boca dos outros. E jure que não foi você que disse.

quinta-feira, 16 de novembro de 2006

Poema cíclico-finito

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Havia...
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Um piano
ali
parado
calado
no canto da sala
no canto da casa
no canto da vida
no canto do mundo
no resto do sonho
no mudo do pranto
na hora da morte
no leito da vida
nos braços do céu
nas preces de deus
no alvo do amar.
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E então...
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Umas notas
ali
plácidas
cantantes
no canto da voz
no eco do ventre
no som do sonar
na valsa da noite
no espaço do mar
no fundo do abismo
na casca do olhar
no suspiro da mágoa
no choro do parto
que ecoa do quarto
da criança do lar.
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O convite e...
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Agora o piano
ali
parado
cantante
na hora do treino
no som do luar
na tarde faceira
nas horas ligeiras
da dama a cantar
no poema mineiro
em montanha azulada
de aura amada
tão perto do céu
reluzente em véu
mas tão longe do mar
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Vem a brisa...
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E as notas
ali
plácidas
caladas
no mudo da sala
no mudo da casa
no mudo da vida
no mudo do mundo
no resto do sonho
no grito do pranto
no leito da morte
no ventre da vida
nos braços de outro
nas preces dos teus
no barco além mar.
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Não houve...
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E o piano,
Que pede teus sons
Que chora no canto
Que nega teus toques
Nas teclas vibrantes
Que seca os olhos
Que queima mais um
Que sai pra balada
Que volta amanhã
Que corre na chuva
Que peca no beijo
Que vive em duplas
Que dorme aí
Que bebe e sorri
Que tantas as coisas
Que tantas nos somos
Que tantos nos eram
Que pouco propomos
Que muito sonhamos
Que nada nos fomos
Que mais poderíamos
Que outros quiseram
Que outros já não
Que eu vou me embora
Que está em boa hora
De curtir solidão...
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Mas e o piano???
Onde está o piano???
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ali
parado
calado
no canto da sala
no canto da casa
no canto da vida
no canto do mundo
no resto do sonho
no mudo do pranto
na hora da morte
no leito da vida
nos braços do céu
nas preces de deus
no alvo do amar.
.
Mas e então...
O que vem???
.
Umas notas
ali
plácidas
cantantes
no canto
no eco
no som
na valsa
no espaço
no fundo
na casca
no suspiro
no choro
que ecoa
da criança
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Sei, sei... Mas???
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Mas agora o piano
ali
parado
cantante
na hora
no som
na tarde
nas horas
da dama
no poema
em montanha
de aura
tão perto
reluzente
mas tão...
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Vem a brisa...
Eu sei, eu sei, e daí??? As notas, cadê???
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E as notas
ali
plácidas
caladas
no mudo
no mudo
no mudo
no mudo
no resto
no grito
no leito
no ventre
nos braços
nas preces
no barco
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Não houve... Que pena!!!
Fiquei triste por você!!!
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E o piano,
Que pede
Que chora
Que nega
Nas teclas
Que seca
Que queima
Que sai
Que volta
Que corre
Que peca
Que vive
Que dorme
Que bebe
Que tantas
Que tantas
Que tantos
Que pouco
Que muito
Que nada
Que mais
Que outros
Que outros
Que eu vou
Que está
De curtir
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Mas e o piano???
Onde está o piano???
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Responde...
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Responde...
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Hummmm!!!!
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Fim...
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sexta-feira, 10 de novembro de 2006

Uma postagem importante...

Já fazia um tempo que eu queria mudar a descrição do meu blog porque aquele troço de “esse é um blog do blogspot que serve só para escrever algumas coisas. Até parece que isso é verdade” tava uma BOSTA completa né, fala sério!!! Então pensei nessa frase que tá aí encima e essa postagem serve para demonstrar a amplitude de significados dela, que não é tão vasta assim, mas tem a sacada da palavra canto “de voz” e “de lugar”, e também tem o esquema dela ter duas interpretações que dizem coisas diferentes, mas as duas cabem bem para o blog e o que eu penso dele. Então, para ilustrar, eu fiz esse dialoguinho aqui debaixo, adoro fazer diálogos. Espero que ele mostre esses significados, mas é coisa tranquila, nada de mais. Falou...
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- Olá, você sabia que "ESSE É O CANTO EM QUE A HORA E A VEZ DO CANTO SE FEZ"?
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- É você quem está dizendo. E se está dizendo é porque deve ser, afinal, você é o dono do blog.

- Até aí, dono por dono, você também é dono desse blog, esqueceu?

- Não, não esqueci. Mas eu só queria entender uma coisa...

- Ahhh, pode dizer.

- Afinal, esse é o canto em que se fez a hora e a vez do canto, ou será que esse é o canto em que o canto fez a hora e a vez?
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- Pra ser sincero nem eu sei. Só sei que "ESSE É O CANTO EM QUE A HORA E A VEZ DO CANTO SE FEZ".
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- Tá cerrrto!!! Deixemos assim... Até mais ver, rapaz.
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- Até mais!!!
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E essa foi mais uma vez em que "ESSE FOI O CANTO EM QUE A HORA E A VEZ DO CANTO SE FEZ".
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(As frases podem-se integrar de maneira a tornarem-se quase substantivos...)
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"ESSE É O CANTO EM QUE A HORA E A VEZ DO CANTO SE FEZ"

Diário de Bugrinha (Excertos)

Mais uma do Manoel de Barros (1925)
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22.1
O nome de um passarinho que vive no cisco é joão¬ninguém. Ele parece com Bernardo.
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23.2
Lagartixas têm odor verde.
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2.3
Formiga é um ser tão pequeno que não agüenta nem neblina. Bernardo me ensinou: Para infantilizar formigas é só pingar um pouquinho de água no coração delas. Achei fácil.
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23.2
Quem ama exerce Deus — a mãe disse. Uma açucena me ama. Uma açucena exerce Deus?
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2.3
Eu queria crescer pra passarinho...
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5.3
A voz de meu avô arfa. Estava com um livro debaixo dos olhos. Vô! o livro está de cabeça pra baixo. Estou deslendo.
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5.6
O frio se encolheu nos passarinhos. Ó noite congelada de jacintos! Eu estou transida de pétalas.
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7.8
O pai trouxe do campo um filhote de urubu. Ele é branco e já fede.
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12.8
As garças descem nos brejos que nem brisas. Todas as manhãs.
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10.9
Um sapo feneceu 3 borboletas de uma vez atrás de casa. Ele fazia uma estultícia?
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13.9
A mãe bateu no Mano Preto. Falou que eu não apanhava porque não dei motivo. Subi no pico do telhado para dar motivo. Aqui de cima do telhado a lua prateava. A mãe disse que aquilo não era motivo.
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19.9
Uma égua iniciava meu irmão. O pai ralhou com ele. Meu irmão foi entrando para inseto até desaparecer. Ficou dentro do mato até amanhã.
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1.1
O Bernardo fala com pedra, fala com nada, fala com árvore. As plantas querem o corpo dele para crescer por sobre. Passarinho já faz poleiro na sua cabeça.
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2.2
A mãe disse que Bernardo é bocó. Uma pessoa sem pensa.
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5.2
Sem chuvas, já reparei, as andorinhas perdem o poder de voar livres.
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29.2
Hoje o Lara morreu picado de cobra. Fizeram seu caixão de costaneiras. Meu avô encostou no caixão. Ué, eu que morri e quem está no caixão é o Lara! Meu avô enxergava mal.
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2.1.1926
Catre-Velho é um ser confortável para moscas. Ele nem espanta algumas.
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12.1
Choveu de noite até encostar em mim. O rio deve estar mais gordo. Escutei um perfume de sol nas águas.
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1.3
As árvores me começam.
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1.4
Uma violeta me pensou. Me encostei no azul de sua tarde.
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10.4
Os patos prolongam meu olhar... Quando passam levando a tarde para longe eu acompanho...
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21.4
Pensar que a gente cessa é íngreme. Minha alegria ficou sem voz.
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22.4
Hoje completei 10 anos. Fabriquei um brinquedo com palavras. Minha mãe gostou. É assim:
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De noite o silêncio estica os lírios.
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Extraído do "Livro Sobre Nada" (Arte de Infantilizar Formigas), Editora Record - Rio de Janeiro, 1996, pág. 29.
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quinta-feira, 9 de novembro de 2006

O Livro sobre Nada - Manoel de Barros

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• Com pedaços de mim eu monto um ser atônito.
• Tudo que não invento é falso.
• Há muitas maneiras sérias de não dizer nada, mas só a poesia é verdadeira.
• Não pode haver ausência de boca nas palavras: nenhuma fique desamparada do ser que a revelou.
• É mais fácil fazer da tolice um regalo do que da sensatez.
• Sempre que desejo contar alguma coisa, não faço nada; mas se não desejo contar nada, faço poesia.
• Melhor jeito que achei para me conhecer foi fazendo o contrário.
• A inércia é o meu ato principal.
• Há histórias tão verdadeiras que às vezes parece que são inventadas.
• O artista é um erro da natureza. Beethoven foi um erro perfeito.
• A terapia literária consiste em desarrumar a linguagem a ponto que ela expresse nossos mais fundos desejos.
• Quero a palavra que sirva na boca dos passarinhos.
• Por pudor sou impuro.
• Não preciso do fim para chegar.
• De tudo haveria de ficar para nós um sentimento longínquo de coisa esquecida na terra - Como um lápis numa península.
• Do lugar onde estou já fui embora.
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terça-feira, 7 de novembro de 2006

Seis de novembro

Nesta data querida, além de “muitas felicidades e muitos anos de vida” digo também essa frase: “A saudade era tanta que até o céu chorava”. Realmente “quando chove, tudo faz tanto tempo” que o céu não consegue de novo se conter e despenca manso, sem pressa, molhando a gente devagar, enquanto caminhamos pelas ruas. Há um coelho logo ali, uns discos acolá, umas músicas dos dias que se passaram. Há lá também um olhar demorado cheio de sorrisos, guardado dentro de cômodos, e eu me pergunto porquê? Por que essa beleza tão certeira e digna ainda se reclina tímida pra passar despercebida pelos cruzamentos da vida? Naquele canto lá onde só a gente está, tudo parece mais brando e bom que a presença continua apesar da distância. Nesse dia que se encerra, eu me encerro com um pedaço a menos de mim, porque não estou em ti. O dia se encerra, e eu aqui ouvindo Elis emanando Milton e pensando na beleza da amizade, na pureza da paixão. Quem diria, eu dessa maneira, hein. Wagner meu filho, como você é corajoso. Avante cavaleiro, sempre. Um beijo.

sexta-feira, 3 de novembro de 2006

PaRa CoLo-RiR

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O que é uma sexta-feira sem muito serviço, não é verdade minha gente!!! - rssss
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terça-feira, 31 de outubro de 2006

leiam se puderem...

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Fiz esse texto pra contar umas coisas, e gostaria de fazer umas mudanças no blog, ele já se chamou viajantes do infinito (ar), cavalgadura aos montes (terra), e agora estava pensando em trazer ele pra água... Acho que ele pode se chamar “Ice Berg – somente aquilo que pode emergir”. Gosto da idéia. Se alguém quiser pode palpitar sobre o novo nome. O texto está aqui embaixo, eu fiz ele há uns dias, hoje eu terminei e resolvi postar. Espero que gostem e leiam, se puderem...
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Cada dia que passa eu fico mais descrente de várias coisas, descrente de mim, descrente dos outros, desconfiado de coisas que merecem uma ponta de confiança, me tornei difícil, me tornei mais duro, talvez por necessidade, talvez por não encontrar outra maneira pra resistir, talvez por não ter encontrado outra maneira de REAGIR. Endureci e perdi um pouco ou muito da ternura. As 2 únicas coisas que realmente me amolecem são crianças e cachorros, essas sim são as coisas mais lindas e puras, isso eu realmente amo. De resto, fico na defensiva. Tenho medo de ter desaprendido como amar. Chamam essa dureza de maturidade, chamam de insegurança, chamam de fase, chamam de casca, chamam de idade, de peso da faculdade e seus desdobramentos, chamam de coisas, sei lá. Nós sempre damos nomes e conseqüentes (ou antecedentes) julgamentos para as coisas. Pensamos através da linguagem e julgamos por natureza, ou melhor, pensamos por natureza, julgamos pela linguagem, nomeamos nossos pensamentos. Naturalmente julgamos. E esses julgamentos/ pensamentos me fizeram ver coisas que teriam sido melhores se elas tivessem ficado invisíveis. De acordo com os Arcanos da Humanidade Madura, o mundo se mostra através da idéia que fazemos dele, e isso me torna duplamente desconfiado. Desconfiado dos outros e dos próprios julgamentos feitos em relação aos outros. Como saber se são verdadeiros e certeiros meus julgamentos? Não sei, mas sei como reagir. Não quero esperar um carinho que me amanse. Quero aprender a doar sem esperar receber, sem temer me desapontar, sem compromisso assinado com o certo ou com o retorno. Expandir. Me encolhi demais, me fiz pequeno pra poder passar despercebido, pra não fazerem questão, pra não me julgarem como eu os julgava. Temia a intolerância do mundo, ou melhor, do mundo que eu via, e por isso, o meu mundo. Meu mundo tornou-se intolerante, tornou-se fechado, tornou-se pouco, denso demais, determinista, carrancudo, intrínseco, frágil, quase que um túnel espiralado descendente que se contraiu até não agüentar a própria gravidade e então armou-se ainda mais para poder se abrir numa contra-ofensiva contra um inimigo não declarado, não detectado. O inimigo era tudo aquilo que não era eu. Uma contra-ofensiva contra o envolto, o circulante. E fui desabrochando como um ferro que vai se rachando, que vai se negando contra toda afirmativa própria que durasse mais que uns segundos de felicidade. Fui viciado em me negar. Neguei o direito de ser feliz, neguei o direito de sorrir, julguei meus instintos, julguei minhas convicções mais singelas e, por isso, as mais certeiras e válidas, julguei Deus, neguei Deus totalmente, me neguei como nunca havia feito igual, afastei-me das coisas que me faziam bem a ponto de não saber mais o caminho de volta, não conseguia voltar, não podia olhar, não lembrava como olhar com tranqüilidade o caminho. Segui como um automático. E assim fui. E fui vindo até chegar onde estou, com os olhos mais altos, com horizontes mais amplos, com luzes mais amigas, com sorrisos mais sinceros, com tranqüilidades reconquistadas, frágeis, mas minhas, um contínuo de andanças, bem mais lentas, bem mais duras, mas mais lúcidas, mas centradas, como o avesso do avesso que não é mais aquele de tempos atrás, pois passou por dentro, passou por invernos tão bravos que talvez nem tenham sido uma estação de vida. Agora sim, posso lembrar do passado, posso olhar para ele e ver o que por acaso vivi, mas no momento da friagem não havia eu em mim. Não havia questão, nem escolhas, não havia hoje, manhã, tarde, noite, havia um arrastado, uma penúria de tudo que existe, meses (fevereiro, março, abril, maio, junho e um pouco de julho) num arrastado, uma merda, como se existisse um sem tempo nesses meses, um corte fora de tudo nessa época, uma falta de vontade de estar, nem bem nem mal, apenas uma falta de vontade de estar, nem a tristeza não era tristeza, a alegria também não era ela, não era nada, acho que nem fui... Era uma coisa horrível que nem sei explicar, não desejo pra ninguém, ninguém mesmo... E voltando ao começo, digo que minhas descrenças ainda são muitas e crescem em alguns pontos, mas os mais essenciais eu estou procurando abrandar. No fim deste texto, o que posso dizer é já desconfio até mesmo de suas afirmativas tão certeiras. No fim desse texto, o que sobra não me vale, tornou-se descartável. Esse texto também não chegou a ser. Já era ele, como agora já era também esse post. Acabo agora e vou postá-lo mesmo... Não me importo... O que me importa é a espiral está em ascendência... E avante cavaleiro, desvende-se, desvele-se, tome menos cuidado para poder vivenciar seus instintos, se o mundo se mostra de acordo com a imagem que temos dele, descuidarei para que os moinhos sejam movidos por sonhos e não por tempestades. Se a cavalgada é desfile, descuidarei para que desfilem descompromissos meio dançantes e não cavalos marchadores ensinados e pintados à mão. Deixo apenas aquilo que me seja, procura-se o Wagner, urgentemente... Ôpa, acho que ele está por aqui.,., rsssss.,.,., Uma música pra engrandecer o imaginário. A recontrução da esperança está nos olhos de outros.
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O Cavaleiro e os Moinhos
Composição: João Bosco & Aldir Blanc
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Acreditar
Ná existência dourada do sol
Mesmo que em plena boca
Nos bata o açoite contínuo da noite.
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Arrebentar
A corrente que envolve o amanhã,
Despertar as espadas,
Varrer as esfinges das encruzilhadas.
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Todo esse tempo
Foi igual a dormir num navio:
Sem fazer movimento,
Mas tecendo o fio da água e do vento.
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Eu, baderneiro,
Me tornei cavaleiro,
Malandramente,
Pelos caminhos.
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Meu companheiro
Tá armado até os dentes:
Já não há mais moinhos
Como os de antigamente.
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segunda-feira, 30 de outubro de 2006

um presente...

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Ganhei esse presente de uma poeta lá da minha cidade. Xik demais, né!!! Eu fiz um arranjo de 4 vozes para a música que ela tinha feito e daí ela me deu uma cópia dessa poesia porque eu tinha lido e gostado pra caramba. Muito obrigado!!! Agora é só aguardar a apresentação de fim de ano do Coral Serrazul e torcer pra tudo dar certo. Tomara que o arranjo tenha ficado bonito. A poesia segue abaixo.
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ÚLTIMO ENCONTRO
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No ar
ficou a frase.
No espaço,
a palavra se perdeu.
Na imaginaçao,
uma idéia desarticulada
formulou um quase nada
e desapareceu.
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Ficou o silêncio
vazio de vozes,
tentando revelar alguma coisa
no segredo da intençao.
Um gesto passou e se afogou
no mar das emoçoes sentidas.
Ninguém falou o que pensou
na despedida.
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Benita Carneiro

sexta-feira, 27 de outubro de 2006

Sou ateu, graças a deus!!! - rssss

Deus é a maior invenção humana... Ou seria o contrário?

sexta-feira, 20 de outubro de 2006

...!!!!!!! Alguém ainda sonhamos ?????...

Recebi esse e-mail e já repassei, mas pra aumentar a divulgação estou colocando no meu blog também... Leiam... A fome é feio...
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“O retrato de Itanhandu”
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O Brasil que passa fome é aqui...
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O Nordeste é aqui...
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A África é aqui...
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O Timor Leste é aqui...
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O “Feio” é aqui.
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O Itanhandu que passa fome é ali...no banco da “tal” rua 7.
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Passando por Itanhandu presenciei uma cena incômoda e banal, uma moça dando comida para o “tal Feio”, e ele só não comeu o papel porque a “tal moça” não deixou.
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Numa cidade tão pequena a fome é ali.
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Passe adiante esse e-mail até que o povo e as autoridades tomem a “tal” iniciativa para que o “tal Feio” não morra de fome...porque no resto ele já morreu.
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Será o “tal Feio” o retrato de Itanhandu? Será ele o retrato de nós mesmos?...
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...Será o “tal Feio” a imagem de nossa hipocrisia e conformismo velados?
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Esse retrato agora te incomoda? Ou continua sendo banal?
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Só vamos transformá-lo se conseguirmos mudar o “Feio” que há dentro de cada um de nós... aí sim cenas como a da “tal moça” deixarão de ser incômodas...
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... Pois assim nossa hipocrisia, que custa a cicatrizar, não será mais uma ferida exposta na “tal rua 7”... nem em lugar nenhum...

segunda-feira, 16 de outubro de 2006

2 páginas em times new roman – 12 ///// 90 linhas... + ou – 45 pra cada

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Esse texto foi feito para ser colocado no jornal da faculdade.. O senhor Laranja... Ainda não saiu lá, mas já está aqui... Ele foi escrito a 4 mãos (as cores indicam) e também teve a ajuda do word que finalizou pra gente. O word é realmente muito prestativo... Um belezinha de programa.
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Na assinatura, o W sou eu, a Clini é a Mariana Clini (rsssss) e o Word é o filho do Bill Gates que adora escrever, e daí a gente resolveu dar uma chance pra ele... rsss... O propósito nosso em fazer esse texto era inaugurar o estilo de contos ou crônicas no jornal organizado por ESSA gestão do CA. Acho que ninguém publicou um texto nesses padrões no Senhor Laranja, pelo menos não NESSA gestão, digo NESSA com veemência porque não sei nada das outras... Esperamos que gostem... O título que foi pra organização do jornal é igualzinho ao título desse post... que doidera... rssss
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Texto:
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Talvez nem era uma vez porque já nem ser precisava talvez nem haja um talvez porque não é essa a questão como já disse um grande senhor de outras épocas não é esse o ponto assim como não serão esse os lugares dos pontos já que liberto será a interpretação de quem quiser que seja para assim enfim voltarmos novamente a ser o que tanto negamos em voltas passadas e agora chega de tantos uma vez pontos e desse grande senhor porque o que se irá falar é de um grande senhor mas não esse que acabou de se tratar trata-se do senhor ruivo de barba crespa que tinha uma filha e uma mãe loucas e insistiam em cantarolar sem parar pelo vilarejo de pessoas sãs e de flores bonitas que cresciam por entre as casas de madeira e janelas grandes esse senhor que não por acaso chamava-se Barba Ruiva sentia uma vergonha danada por ter uma mãe e uma filha assim umas verdadeiras piradas mas na verdade eu nem sentiria tanta vergonha se eu estivesse no lugar dele porque elas eram muito afinadas e sei lá como elas conseguiam cantar em duas vozes perfeitamente e perambulavam por harmonias absurdas de maneira magistral sua cantoria adentrava as janelas grandes e fazia as flores bailarem mimosamente os vizinhos meu deus do céu nem sei como não se esperneavam de tanta cantoria adestrada mas na verdade até que eles gostavam e as crianças sempre pediam pras duas caducas cantarem de noitinha pra nenhum mostro assustar as pobrezinhas os velhinhos também grande simpatia sentiam já que as vozes agudas espantavam as baratas e os pernilongos que insistiam em perturbar todos os dorminhocos e foi desta maneira que as duas mulheres loucas começaram a ser reconhecidas como as salvadoras do além já que onde havia um indício de peste bubônica ou peste aquela cor de pele politicamente correta elas eram chamadas e com sua cantoria esporádica e descompromissada acabavam por espantar ratos e etc e isso inclui muitas muitas coisas como unicórnios fraudulentos cujo nome científico era eleitoreirus domusmalis e outros bichos sugérrimos que dá até nojo mas o sr Barba Ruiva mesmo assim não gostava de ser tratado como o filho ou o pai de alguma louca cantora e desde muito tempo já estava tramando algum plano diabólico para acabar com as salvadoras que os insetos asquerosos odiavam foi assim que resolveu enganar as doidas e levá-las para o trem que desembocava direto num hospício mas isso era apenas um plano que ele deveria de fazer mas também tinha que ser muito bem pensado pois todo vilarejo iria se voltar contra sua pessoa após horas de matutâncias o nosso personagem principal chegou à conclusão de que o melhor seria contar pra todos os habitantes da vila que elas precisavam entrar no trem do hospício para espantar as baratas que lá haviam além de espantar também os ratos ratânicos que existiam pelo caminho até o tal mani-cômio Mãos Cômicas e assim levou-as facilmente para o trem só que quando a família Mamãe Ruiva, Mulher Ruiva e Barba Ruiva entraram no trem algo estranho aconteceu havia lá o que não se diz que é propriamente um maquinista era sim o pai de Barba Ruiva o Sr Ruivão disfarçado que sabendo de tamanha malvadeza perante as duas senhoras veio de outras bandas muito distantes para impedir tal atrocidade as duas não entenderam nada aliás nem tenho certeza se reconheceram o familiar mas seu filho bem que viu e ficou mais branco do que era realmente pois desde muito menino ele tinha muito medo de seu progenitor que insistia em dar-lhe muitas broncas e surras mas continuando com o momento do encontro entre pai e filho cada um olhou para a barba ruiva do outro mas um com uns fios brancos e os dois na hora se abraçaram pois tinham muitas saudades nos plurais incontáveis mas logo Sr Ruivão disse ao filho que sabia de suas intenções de levar as senhoras Ruivetes para o hospício e que não poderia permitir tamanha barbaridade com ares de atrocidade pitadas de insensibilidade e punhados de sadismo e que por isso teria ele que lutar uma luta feroz e inimaginável com seu primogênito se preciso fosse já que o que estava em jogo era o canto das figuras femininas e também seu papel de patriarca que por tantos anos fora irresponsável mas que agora estava de volta para se redimir aleluia porém ninguém sabia o que estava por vir as duas coitadinhas vendo aquela cena de pai e filho se abraçando única e impossível de acontecer endoidaram de vez e saíram correndo neste momento de emoção e distração de ambos os ruivos machos e além da loucura a falta de memória também afligia as coitadinhas que foram para a direção contrária do vilarejo que era de costume e foram parar nada mais nada menos que nos fundos do/a Incógnita Sexualis um pântano bárbaro onde viviam criaturas afórmicas feitas de fórmicas e restos de húmus e diz a Boca Pequena uma grande amiga das horas vagas que as Raves foram inventadas lá e as duas senhoras sem-horas nem-relógio adentraram alucinogenamente aqueles espaços e se perderam bem perdidas quando os ruivos deram por si eles viram que as duas haviam fugido e então pularam do trem já em movimento e se separaram correndo cada um prum lado enquanto o outro corria pro oposto do outro que corria dum lado de lá coibindo o senso são da estória mas na verdade esse tal senso já se perdera há muito tempo desde que foram inseridos na verdade não duas mas quatro loucos pois quem é filho de louco louco será e assim sucessivamente pois os dois correndo um pra cada lado não perceberam que estavam um pra cada lado já que só olhavam para os próprios umbigos porém isso teve seu fim quando por falta de preparos físicos já não possuíam mais fôlegos e assim se deixaram deitar na terra mesmo a beira do trilho que dava rumo ao trem de Mãos Cômicas e enquanto dormiam de tanta estafa as duas se divertiam perdidamente no lamaçal a la Woodstock 3001 e depois de muito dormirem os dois barbas ruivas acordaram quando eles ouviram umas risadas compassadas se avolumando e ambos despertaram e saíram correndo loucamente em alguma direção mas as risadas eram loucas e mais rápidas e elas foram chegando e elas foram ficando mais altas e elas foram ficando mais amedrontadoras e elas foram e oshvsd ljsdr crlbekjg crlkh oaeaf os trens risadores se chocaram e os ruivas de barba se reencontraram no meio de um grito avassalador enquanto peças de vagões cintilavam pelos ares numa explosão atômica a sorte foi que os ruivas saíram rolando montanha abaixo e nesse montanha abaixo foram cair na isso mesmo sítio Estoque de Madeira onde neta e vó estavam e depois dessa confusão toda Barba ruiva até já havia se esquecido de seu plano infalível de se livrar de suas familiares coisa compreensível depois de tanta confusão e como num filme clichesento encontra as duas repentinamente no meio de todos aqueles locos que se balançavam sem parar ao som daquela música hipnotizante e muito estranho elas resolveram não fugir mais daquele homem sem coração porém também não pense que se abraçaram não mesmo o que aconteceu foi os dois homens ruivos irem pegar uma cerveja aparentemente pouco gelada mas na verdade muitíssimo gelada para comemorarem o achamento das duas figuras cantarolantes da família Ruiva foi uma maravilha muita cerveja conversas sendo colocadas em dias música muito alta e dessa maneira as senhoras cantarolaram livremente durante 40 dias e 40 noites sem parar sob o efeito de muitas coisas inclusive da tal da cerveja loks que desce redondo e fecha o zoínho mas não há a demagogia da moderação após os 40 dias/ noites as senhoras que já estavam roucas tiveram um relapso e decidiram voltar pro vilarejo de flores bonitas com casas de janelas grandes e mais alguns insetos que gostavam de picar pessoas sãs que já nem lembravam mais se por ali morava um senhor ruivo bravo com uma mãe e uma filha locas que não paravam de cantarolar e agora foi-se uma vez que talvez precisava mesmo ser e assim no calor do pântano a cura para os disparates das damas foi a lou-cura dobrada dos lisérgicos intravenosos o que não fez nada bem para seus comparsas que passaram a procurar agulhas misteriosas em imensidões de palheiros imaginários que soavam como Shineonyourcrazy. (Por W, Clini e Word)
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sexta-feira, 13 de outubro de 2006

polemizando covardemente

Você se dá o trabalho de construir um questionário com 30 questões pra mostrar pras pessoas e tentar esclarecê-las do quão controladas elas são enquanto você se julga não ser? Você se dá o trabalho de responder essas mesmas 30 questões pra saber se você é realmente controlado, mesmo sabendo das intenções finais do questionário e por isso ele se tornou talvez menos válido? Você faz questão de fazer um comentário para mostrar às pessoas que mostraram que você é controlado, o quanto todos (você e elas) somos controlados? Você faz questão de fazer perguntas longas pra mostrar o quão bem você consegue se expressar e articular as palavras? Você faz questão de se criticar na ilusão de fechar todas as possibilidades de críticas possíveis, a fim de que nenhuma outra pessoa possa te criticar, pois você não aturaria essas críticas? Vocês não acham que essas perguntas na verdade exprimem formas de controle que nós mesmos temos ou sofremos ou tentamos escapar, mas buscamos com esse questionário transmitir para outras pessoas a fim de espalhar angústias internas e assim aliviá-las? Todo ato ou reação é uma forma de controle, não há liberdade completa e por isso devemos nos permitir ser controlados, lutando para achar o equilíbrio do controle e assim evitar o descontrole/ controle total que uma busca de algo impossível pode nós trazer, apesar de que o próprio evitar já é uma forma de controle. Tudo tem o princípio e o fim no ego, esse mesmo ego que tentamos esquecer e o culpamos quando na verdade não há como evitá-lo. Muito obrigado pelo questionário, ele me fez questionar. Assinado: alguém que vos convida para o festival de música de Itanhandu que acontecerá nos dias 7 e 8 de julho de 2006. p.s: de qualquer maneira, pensar de mais deixa a gente chato, mas é muito legal. p.s2: se vocês descobrirem quem eu sou ficarei lisonjeado e isso é uma forma de controle. p.s3: se vocês descobrirem como tornar o ego realmente dispensável, nos contem. p.s4: vai pra Itanhandu, esse papo de que faça o que tu queres pois será o máximo da lei não está com nada. Precisamos, não de um controle, mas de um alento.

segunda-feira, 9 de outubro de 2006

Olha, Maria (Jobim, Moraes e Buarque)

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Olha, Maria
Eu bem te queria
Fazer uma presa
Da minha poesia
Mas hoje, Maria
Pra minha surpresa
Pra minha tristeza
Precisas partir
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Parte, Maria
Que estás tão bonita
Que estás tão aflita
Pra me abandonar
Sinto, Maria
Que estás de visita
Teu corpo se agita
Querendo dançar
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Parte, Maria
Que estás toda nua
Que a lua te chama
Que estás tão mulher
Arde, Maria
Na chama da lua
Maria cigana
Maria maré
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Parte cantando
Maria fugindo
Contra a ventania
Brincando, dormindo
Num colo de serra
Num campo vazio
Num leito de rio
Nos braços do mar
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Vai, alegria
Que a vida, Maria
Não passa de um dia
Não vou te prender
Corre, Maria
Que a vida não espera
É uma primavera
Não podes perder
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Anda, Maria
Pois eu só teria
A minha agonia
Pra te oferecer
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quarta-feira, 4 de outubro de 2006

Boas palavras

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Senhor,
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Fazei-me instrumento de vossa paz.

Onde houver ódio que eu leve amor,
Onde houver ofensa, que eu leve o perdão,
Onde houver discórdia, que eu leve a união,
Onde houver dúvida, que eu leve a fé,
Onde houver erro, que eu leve a verdade,
Onde houver desespero, que eu leve a esperança,
Onde houver tristeza, que eu leve a alegria,
Onde houver trevas, que eu leve a luz.
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Ó Mestre,
Fazei que eu procure mais consolar que ser consolado,
Compreender que ser compreendido,
Amar que ser amado.
Pois é dando que se recebe,
É perdoando que se é perdoado, e é morrendo que se vive
Para a Vida Eterna.
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sexta-feira, 29 de setembro de 2006

República Federativa do Brasil

O Lula ponderou e fugiu porque achou que perderia menos voto não indo no debate que indo lá. É claro que o atual governante sempre leva desvantagens, já que ele tem o cargo tão almejado e também é o que está mais à mostra, teve tempo para colocar em prática as promessas e por isso também pode ser mais cobrado. Mas mesmo assim, o cara não ir num debate que ele teria tantas coisas a declarar pro Brasil é covardia e desrespeito. Acho que ele ficou com vergonha de repetir o mesmo e esquivante discurso de que não sabia de nada. Se ele sabia eu não sei, mas está errado sabendo ou não. De qualquer maneira o Brasil merece um segundo turno. Votem em quem quiserem, mas por favor, não votem no Lula, pelo menos agora não. Precisamos de mais tempo, nem se for pra votar nele no segundo turno, que também não está tão longe assim, mas pelo menos já vamos ter tido mais tempo para pensar e as conjunturas podem estar mais esclarecidas...
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Logo a baixo, uma piadinha séria e muito boa... Falou
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segunda-feira, 25 de setembro de 2006

Palíndromos meus...

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Palíndromos são frases que lidas de frente pra trás ou de trás pra frente dá na mesma. A explicação do sentido está em baixo.
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(Ivo analisa-me em amora e aroma-me em asila, não vi.)
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É tipo um cara (o ivo) que observa a beleza natural de uma moça que é o eu lírico (Ivo analisa-me em amora), uma coisa singela. e aroma-me em asila, não vi.... o ivo deu presentes e perfumes pra moça que fica deslumbrada e esse presentes acabaram aprisionando sua beleza natural.,.,., e isso faz com que a moça deslumbrada não veja sua transformação e quando vê já foi seduzida pelos presentes de ivo
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E outro:
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(Óculos ara rápido salas e revive “Anima-mundi”. Ué, medo é ode meu? Id numa mina é viver, é salas. Odi pára rã soluço.)
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(Óculos ara rápido salas e revive “Anima-mundi”.) – Isso fala do prazer de voltar a ver e descobrir coisas novas pela visão.
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(Ué, medo é ode meu?) - Isso é o cara perguntando se ele já teve medo por não ver o mundo animado (anima mundi) que é o mundo real, e ele se indigna, por já ter tido medo. Ele não acredita que o medo já foi o ode dele.
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E daí ele pega coragem e diz que o Id (manifestações instintivas do ser humano, quase que o sexo, nessa frase) que fica numa mina (menina) é realmente a melhor forma de viver e a palavra salas significa espaço, moradia, aconchego. (Id numa mina é viver, é salas.)
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E por fim:
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(Odi pára rã soluço.) – O nosso eu lírico agora é um homem e ele se chama Odi, e através dessas mudanças ocorridas e descritas através da frase, como: Novas formas de ver; coragem para enfrentar o medo; e a descoberta de uma boa forma pra se viver (Id numa mina é viver – e tal)... faz com que o nosso personagem Odi não chore mais e não soluce mais também, e daí ele pára a rã soluço, como se o soluçar do nosso querido amigo Odi se assemelhasse ao coaxar de uma rã.
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Nooooossssssaaaa, que doidera!!!!!!!!!!!

domingo, 17 de setembro de 2006

DO CONCURSO QUE NÃO GANHEI - VI

A esperança era algo tão intenso que quando foi embora deixou saudade.
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A apesar de eu não ter ganhado nada no concurso de poesia da minha faculdade, uma coisa (ou talvez uma fruto de outras duas relacionadas) que me deixou feliz foi a minha certeza de que eu não iria ganhar. Tá certo que a esperança só morreu totalmente quando o cara falou que o primeiro lugar era uma menina, mas isso não significa que no fundo minha intuição já me dizia devagarzinho que eu não iria ganhar, e outra coisa, eu vi a proposta do concurso, e era a de integrar a poesia dentro da publicidade e a PUBLICIDADE DENTRO DA POESIA, e os poemas que ganharam eram curtos, muito bonitos com certeza, mas eram coisas rápidas de se ler, coisas ágeis como a publicidade é, mensagens eficientes e de fácil absorção e isso realmente as poesias que eu mandei não tinham. Guardei essas 5 poesias que estão aqui embaixo pra postar depois que o resultado saísse, independente de como ele fosse. E aí estão elas:
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Outra coisa que me deixou melhor, foi que eu cheguei a pensar que eu escrevia só porque eu acreditava que as minhas coisas eram boas e que as pessoas iriam me elogiar pelo que eu escrevi, e logo depois da notícia do concurso, eu estava em casa, meio pra baixo, me achando um merda, e a primeira coisa que eu fiz foi escrever uma poesia no meu caderno. Ou seja, no momento em que eu achei que o que eu escrevia era uma merda, eu só queria escrever pra registrar, isso me mostrou (de novo) que eu escrevo porque eu gosto e grande parte as coisas é pra mim, já que eu não tenho pretensão nenhuma de passar ela para o blog.
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Se alguém tiver paciência, sinta-se a vontade para ler os próximos 5 posts daqui debaixo.
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Falou.

DO CONCURSO QUE NÃO GANHEI - V

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Cicatriz
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A luz reflete nas marcas de minha mão lacrimejada
Mãos trêmulas, eternamente oscilantes
Que hesitam, que apenas se debatem
Como energéticas figuras deformadas
Formadas por milhões de átomos atômicos
Partículas ínfimas, fontes de vida e dú-vida
Que em um simples toque, pode romper em explosões
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Desconfio que a fragilidade dos momentos seja definível pelas mãos
Cada instante é modelável por simples dedos
Por fálicas falhas que em toda sua complexidade
Não são capazes de sequer riscar simples retas
Retas determinantes dos tempos
Caóticos são/somos suas memórias
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Se o tempo é uma linha, a mão que o determina é um instrumento
Se a faca tem o corte, o dedo também fere
Fere como febre aguda, corrosiva como fervura em lágrimas
Água borbulhante que cai sobre os pés
O dedo é lâmina, bisturi
Fatias de um canibalismo suculento
O dedo rasga carnes e almas
Almas desfeitas nos toques das teclas e dedos
Dedilhados infinitos, energéticos
Dedos e palmas nos ritmos
Compassos quaternários compostos
Circulares de 5 por 8, 10 por 1 mim derivado
Mão instrumento de junção, mão divina criação, mão criatura de precisão
É criança livre e solta, brinca, arranha, arranja
Aranha de 5 patas, saltita, transfigura-se, pinta, borda, articula, expressa
Sonha
Ainda que eternamente oscilante
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Quantos cortes existem nesses versos?
Quantos portes de suculência carnívora sou capaz de adentrar?
Quão afiados são os escritos redimidos à vida pelas mãos?
Quantos são meus anseios que se expressam apressados
Por esses toques que se avolumam cada vez mais
Num batuque canibal de horas noturnas?
Um ritual de machucados literários que dançam em volta da fogueira
Vociferando líquidos internos de desejos belos e minguantes
Em mim: guantes, em fim: antes
Indivíduo canhoto afável dos olhos cálidos num calado
Do corte gritante de multidões reprimidas num interior capital
Capitalista de negação, comunista de egoísmo
Todos somos assim
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Instrumento de voz muda
São 10 os seres que falam neste instante de rouquidão vocal
Perplexo demais pra transparecer orgulho ou depressão
Feliz da inveja alheia, ainda que pouco poética
Mais ainda patética, digna de exclusão
A mão é instrumento de exorcização de males de mares de males demais
Maré de azar refletido eu nas mãos lacrimejadas
Mimadas por catarolantes serem em teclado e teclas sonoras
De batuque ou melodia efêmera
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É fêmera fêmea a mão do corte da linha perdida da vida
Quiroalgumacoisa que duvido, mas não nego por temor
Ceticismo tamanho de dar dó, mas ainda assim inteiriço
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A mão lacrimejada lacrimosa e clássica serve de espelho refletor
Ainda que a palma não seja mirada
Apenas apóia-se em pequenino instantes
Desajeitada – hesitante na superfície escaldante
De um teclado de possibilidades
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Seus cortes minam a seiva do arrependimento
Vermelhidão incisiva que se impera perante olhares da dor indignante
Esses seus cortes oh mão
Não sabem de suas maravilhas cicatrizantes do que não sangra realmente
Mas é capaz de encharcar de escracho e descrença redentora
Meu cotidiano de mundos em desavenças
Seus cortes tiram proveito do deleito incestuoso de mins em guerrilha exterminante
Minha família de propriedades sente saudades do bucolismo que aqui cochilava
Entre os leitos lindos de exteriorização regenerativa
Pelos meios de 10 vias públicas ao meu privado
Que privado, privada já, como ainda mais será
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Instrumento metido em tudo que existe por aqui
Cantarola a hesitante voz num coral desafinado, mas satisfatório
O que de mim restou sae por esses restolhos de arrependimento disfarçados de poema
A exatidão tornada inexata se corrompe ainda mais perto do fim
Desafina a harmonia num dissonante catastrófico aos ouvidos singelos
Meu instrumento mão transforma-se em derradeiro não
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A quiro–cientologia humana já não se sabe nem de mais nem de menos
Pois o excesso de linhas-palmatória aberta em exposição analítico–ocular
Traz a ida de meus andores e amores pelas trilhas da/na carne
O tempo escorre pelos vãos numa ida a-inda indo, mas finda de possibilidades
A que resta está aqui nestes versos e em tantos outros
Minhas mãos não se sabem por si, mas se acabam por mim
Nestas câimbras de desespero feroz que debulham teclas num escrever descompassado
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Sem passado, sem memória, nem esperanças
Estas minhas companheiras são fortalezas de conquistas de além mar
Porém aquém, e muito aquém de meus anseios meninos de maravilhas em bondade
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Sem passado, sem memória, nem esperanças
Restamos nós aqui jogados nesta cadeira, calados por horas a fio
De navalha na carne do pulso sustentáculo das aranhas de vida minha-própria–mente exaurida
Exaustão de ardores
Aleijado de andanças
Descrente de mudanças
Sem passado, sem memória, nem esperanças
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Fico - ficamos nós aqui
Vazios famintos de não falar
Empanturrados enjoados de tanto falhar
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DO CONCURSO QUE NÃO GANHEI - IV

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Evangelho segundo Maria Madalena (Paixão ahhh-pagável)
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Plana planície petrolífera posicionada pelas pastagens pestilentas pinicantes e poluídas
possuía pastores piedosos pronunciantes pelas palavras pacíficas
por precisarem pilotar pitorescas pobrezas pessoais.
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Plantações de planos pseudo-platônicos
principiados pelas petições pronunciadas pela parte primeira do poder
prostravam pendências perante pactário.
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Porém proliferam pelos planos planificados perigosos petrechos petulantes picantes
e principalmente pífios.
Pelos plan-altos passam pensamentos pagãos/puros.
Por planilhas pluri-plastificadas praticamente possuídas e protegidas
por pertencer parte para pagãos, parte para Papai piedoso,
pendulavam pedintes pulsantes por prazeres.
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Porém... pois... portanto, Pai poderoso principia paixões paternas
por portar-se puro perante pessoas pequenas.
Pessoas pálidas, porém,
pendiam prostradas por possuírem pedantes pasmaceiras pela perfeição.
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Pecados picados pirados pensados perambulavam profanados por pacíficas pessoas puras.
Pessoas puras porque pecados pairam paralíticos e pequenos perante piedade primordial.
Pecados populares passíveis passionais e paralelos
podem parecer pacatos por prestarem pontos positivos
para preces purificadoras.
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Portanto pecados purificáveis proliferavam praticamente praticados principalmente pelos próprios:
plantadores, pecadores, praticantes, pagãos, pirados, puros, pamonhas,
pescadores, pedintes, putas, padrinhos, padres, pastores, professores,
possuídos, passivos, pifados, pensadores, pagantes, parlamentares, pedestres,
pasmados, pessimistas, princesas, partidários, passageiros, patriotas, patroas,
patrocinadores, patriarcas, pederastas, piedosos, pilotos, pais-de-santo, pomposos
possíveis pensadores, psicopatas, porém povo profundamente pacífico.
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Populações passavam por passagens porretas
porque passaram pensando passivamente
pelas primeiras-penúltimas passagens
e perrengues paranóicos pessoais/públicos.
Parte pescadores puros por profissão pastor,
parte pecadores perdidos
porque parados por pétalas preciosas
e painas pagãs proferidas
pelas palavras polidoras
palestradas pela paz pastoreira,
pensaram pecaminosos por pocilga pamonha:
- Por que palpitamos por pessoas pecadoras/puras/putas?
- Podemos puní-las.
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Porém Pai primogênito
poderosamente pediu pela prostituta
em popular parlamento
promovendo petição
por possíveis palpites protetores pensados.
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Perversos puderam parir piedade
principalmente por partilharem pensamentos paspalhos pedintes.
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Pasmos por possuírem pilhas poluídas passadas pelas pseudo-purificações paroquiais,
passaram a possuir pena pela protegida primeira
por perceberem problemas pessoais de proletariados pífios.
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Protegida a puta,
pronunciou Papai permissão para partir para possíveis palácios
por paragens pertencentes a passagens-paraíso.
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Paraíso por prensarem a própria pureza paradoxal
possuída pelos paradigmas para-normais,
pós-primordiais para pessoas pífias.
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Passou para pátria de pavilhões pavorosamente piedosos,
pastosos e parafínicos.
Plantou passarelas de pandarecos,
passagens para próximas porradas pessoais proferidas pela população passada,
provavelmente presente,
primordialmente passadas por paixão por pessoas,
personagens pagãos.
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Partiu para prisão perpétua
por possuir piedade pomposa,
punidora própria.
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Punição pessoal por praticar pecados
passados por pobre pessoa puta pequena
possivelmente parida
para paralisar perversas paixões
por purezas particulares e protetoras.
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Pensou e passou passageiramente
pelas passagens por possuir perigo.
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Pincelou a própria pintura e partitura partida em paragem.
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Puniu-se pedindo piedade por povos,
pulsando pingentes perversos pinicados por punhos
pregados pilantramente pelos pobres pecadores pensadores.
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Partiu para Pai poderoso
pressionado por possuir paixão proibida:
pela puta,
própria poetiza prolixa por poema prescrito perante.

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DO CONCURSO QUE NÃO GANHEI - III

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contos de escárnio e mal viver de um alguém
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por entre os becos sem vez nem voz, onde só ruídos ruminantes ecoam sós,
nasce e cresce o que há de mais biológico no ser dito humano,
nasce e cresce meus desejos de podridão e picuinha,
nasce e cresce eu em tudo que renego e suplico,
nasce o suplício sadista de te ver em tão pouco
quando tanto poderias ser e ainda sim,
És.
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te invejo pois carregas na essência biológica
o tesouro maior que não conquistastes
nem nunca irá perder, pois está intrínseco
ainda que seco e sufocado,
e mesmo que cotidianamente podado em descuidos,
sempre consegue me transcender.
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não valorizas, por quê?
mas não, por favor, não valorizes,
pois me terás sempre aos teus pés e punhos.
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finja com verdade inteiriça o desvalor do meu implorar
e assim terás o gosto de me ver arrastando gozante,
perdendo em teus rastros a tamanha burguesia desprovida de genes,
dotada de calos, de contas de faz de conta,
de rotinas latejantes por não te ser.
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verás meus cabelos esticados, tingidos, bem tratados.
terás teus sebos engruvinhados, despontados e insistentes,
esvaindo sem direção às inspirações
que nego até o fim de todo toque primeiro,
então,
entrego-me minguante entre suas cracas e cascas-de-banana-banquete
de ratos amigos e caçados na solidão da fome
da corpulência modelada pela dureza dos esconderijos sujos.
a natureza em sua energia demente.
escória podre volumosa que lambuzo de desejos carnívoros,
que abuso,
mas,
recuo-me com medo na segurança longilínea da cobertura rica e carente
que se esconde pedinte e insone,
desesperadamente lamentante de gozo e dor.
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volto.
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volte pra mim, te imploro que aceites meus trocados,
bocados e boquetes inválidos de uma boca vazia, murcha.
teus lábios me preenchem inteiramente com tuas carnes,
me perdem sem volta em sua maciez.
teus membros me adentram num impulso de vômito e pavor.
me agarro nas grades.
te grito que pares pela palma que estancas meus sons,
que me impede de tudo,
que me roças em pelos-se,
que me seguras em pacificando-me,
que me controlas em ativando-te.
um desbaratino ondulatório e repetitivo
dos membros gigantes,
dos rostos sulcados,
da pele escura de lama,
dos olhos vermelhos de insanidade
o entorpecente pacificador
do corpo lustroso, e dinâmico de formas.
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formas meu desespero mais esperado.
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por dias e noites escorro-me de nojo pelo ralo do banheiro.
por dias e noites alucino-me de encontro à tua escassez sólida,
rígida de fome numa consistência noturna
que enxergo de longe
e me trai e atrai ao teu encontro.
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És o que não existe em mim.
És o escuro úmido e sádico do beco que me contem inteiramente
numa dominação sem piedade e sem medidas.
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na escuridão negra sofres e goza sem voz
num mudo de segurança insana.
teus espasmos de não prazer e de raiva me enchem de inveja e orgulho,
me enchem de vazios do término doloroso
que já nem olho mais
por temor da recaída
pela fome de ti em mim.
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não existe nós
pois te sou.
não existe eu
pois não sei se sou.
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viva o descontínuo do mundo,
pois vivo a compra do sonho.
seja sempre todo esse escuro,
todo esse escasso,
todo esse esquivo da sorte,
vizinho da morte,
escravo da beleza,
senhor de mim.
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DO CONCURSO QUE NÃO GANHEI - II

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Há morte e vida sem ferida?

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Na casa dos espelhos
Reflexos contínuos das possibilidades do meu ser
Que se permite ser o não sendo de tantos
Em tantos outros mundos dos poucos
Numa mudança desvairada e liberta
Das cópias claras do descontínuo poeta.
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Na casa dos reflexos
Convexos me monumentam por piedade
Por saberem-se frágeis e dependentes da forma
Que passiva se transforma
Em cada re-forma e arranjo novo
Que se possibilita sem controle.
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Na casa destes seres
A multidão grita o mudo do então choque
Que se eterniza nas paredes laminadas
Responsáveis pela displicência da aura
Que na aurora ou noturna
Onipresencia-se.
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Na casa das tantas próprias
Um repetitivo de gestos se estende
Em tudo que a mim transcende
Tomando-se de vontades próprias
Que se-me-desapropriam de mim
Numa correnteza de inovações.
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Na casa minha em meus
Vãos de invalidade se aglomeram no relento
Iniciados do momento que não me sustento
E despenco em desespero sem esperança
Em forma de sono num feto afetado
Demolido pelos cantos num passar de dias.
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Na casa-eu os olhares se encaram
Nos tantos outros ares que me afagam
Em tantos outros cômodos que acomodo
Os tantos outros elementos do que há de vir
Deste eterno oposto indeciso que redijo-me
Vendo as cópias aos montes
De sorrisos que se re-flexionam
Numa ciranda humana de bondades
Que sei serem verdadeiras
No ato em extinção primeira
Pois o mundo interno meu
Já se basta de em vão almejar.
Mas teimoso um reflexo longínquo
Guardou o sorriso ultimato
E me matando como só eu em outro me mato
Impôs o retorno reflexivo
Num ondular de alegramento
Pelos corredores infinitos
Num amansar de tristezas
Que se aproximou incisivo
Me fazendo sorrir,
Me fazendo rendido e redimido
Perdido e rodeado de imagens vivas
Vivendo-se em cada novo mundo
Que se expandia
Dos outros lados das películas
Onde não me permitido ir.
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Sou reflexo eu enfim dessas carcaças
Que se sentem e se sabem libertadas
Que querem e estão dispostas a pedir
Que choram e encharcam o assoalho da morada
Que se movem e ventam em refrescagem.
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Sou carcaça eu enfim destes meus iguais que tanto em tudo por mim se fazem num pânico desvairado de coincidências num suspirar prolongado em reticências que se esvoaça pelos planos verticais de uma eterna redundância gerundiando um contínuo som anasalável ondulando pendulando ricocheteando em cantos e melodramas constipados adoecendo-se constantemente em ênes numa infinidade de mantras sentimentais que estando no crescente das latências terminam acabando se tornando abundâncias em petulâncias estridentes nas reentrâncias acabando inconcluindo em intolerância da paciência que em demência em estância se fazendo explodindo indo indo vindo e findo sublimando engrandecendo consumindo apodrecendo desfazendo acabando refazendo anasalando acorrentando implorando enlouquecendo avolumando não podendo se rendendo sangrando cortando chupando esfomeando esvaziando discutindo gritando berrando chorando morrendo...

para em silêncio poder descansar.
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Na ex-casa dos espelhos
A carnificina ainda sangra em carnes fedidas
Mas quando bem vindas não fedem as feridas
Pois o massacre destes tantos heróis suicidas
De volta trouxe as minhas tantas outras vidas
Que banhadas nas loucuras, encontravam-se todas perdidas.
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Na ex-casa dos reflexos
A visão derradeira desta nebulosa miragem
Que mirabolante se multiplicou em real viagem
Que agora derradeira-se em senil aterrissagem
Num aéreo porto santo de dourada carruagem
Que já galopa a segurança da pacífica estalagem.
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Na ex-casa daqueles seres
Meus fantasmas se arrependem da morte
E berram a raiva da arrogante sorte
Que condena-se humilhada ao suicídio do corte
Pois a força enganada desvelou-se em nada forte
E a cópia rejeitada extingui-se num sem porte.
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Na ex-casa das tantas in-próprias
Um vazio se engrandece
E faminto ao porão desce
Pra pedir ao diabo em prece
Que o fim dele se aprece
Para que espaço em fim tivesse.
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Na ex-casa dele em seus
Se é que ela existiu,
O chão em pó ruiu,
O telhado já caiu,
Ninguém viu
Mas o louco apenas dormiu.
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(- Boa noite-se longamente, por favor!)

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DO CONCURSO QUE NÃO GANHEI

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Casa
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I
Onde moro eu enfim?
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Onde poderei eu morar um aconchego sem resquício?
Sem terço de quinto andar do vazio precipício?
Sem começo de todo sonho mudo vociferado interno em comício?
Sem término que cada punho que se soca emana em corte de cilício?
Ou sem tristeza torta vinda do penar altivo do edifício?
Onde posso eu morar enfim?
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Uma gruta num lugar?
Uma sala de espera, consultório-compulsório, doutorada em me des-esperar?
Um quarto sem lar?
Ou um quarto de tempo sem espaço nenhum?
Um átomo de horas sem vértices de algum?
Retas e traços desléxicos de mim?
Curvas de côncavos regaços convexos por mim?
Onde moro eu enfim?
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Não sei ainda dos lugares que me detêm
Nem mesmo dos momentos que de dentro vêm,
Tantos são os grotões de minhas vielas
Que em velas se iluminam em parafinas escorridas
Espalhadas apagadas ex-paralelas,
Mas que ainda enfeitam as cerâmicas frágeis,
Embalando de luz-lembrança o leito de cetim
Onde durmo pensando nas cascas d`alma
Que se encasulam e repousam em mim.
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II
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Lá há
Panelas de alumínio feito espelhos refletores,
Lustrosos de feijão e seus sabores,
Sazon de temperos de amores,
Sazonalidades de cortes e cores,
Vermelho-sangue-vivo-pomarolas,
Amarelo-doença-crença-virgem-que-me-enrolo-enrola,
Verde-vivo-vasto-vício-de-olho,
Florestas de ervas, tempero de molho
Num molho cosido cosendo o restolho
Que me resta das ervas loucas de uma infância não-fui-pimpolho.
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De molho cerzido o terno triste resiste em remendo,
Cortinas aladas dançam a música do fraco ao fortíssimo crescendo,
Frangalhos de colchas sábias retalhadas adotam-se de sereno,
Camisas dormitam no tanque alvejado do me redimo vivendo,
Sapatos dançam livres pela trilha que abri ainda pequeno
Entre altares que repartem espaços com memórias eternas do sendo.
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Lavrada lavanda lapida lavando os lençóis das bênçãos alvejantes
Que re-esfregam e secam refrescantes nos ventos zunidos cantantes
Que por entre frestas de madeira velha sapientizam corredores
Num mantra azulado de sóis e clamores
Que por nós lamentam-se sadista de dores
Num prazer fantasma clarividente em pavores.
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Cada canto sem espaço ecoa em coro meu coral primário
Num harmônico de vozes criadas por um companheiro ausente e solidário.
O misticismo do nunca conversa fiada com xale-escapulário,
E as horas arrastam-se temerosas em silêncio solitário
Por saberem da fraqueza das mobílias e armário
Que resistem não sei como aos avanços dos templários.
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III
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Peço perdão aos companheiros enrustidos neste lar,
Mas preciso dizer das maravilhas deste mim no sem lugar.
Um espaço feito estantes escaldantes de figuras
Que errantes embelezam os meus erros de auguras
Que habito em multidão intensa de poemas transbordantes,
Pois a lua vem sorrir misteriosa na janela exorbitante.
As florestas se estendem pelas salas das lembranças,
As escadas se suspendem pelas buscas das andanças
Minha infância é menina e dorme quieta sob o sol,
As janelas bailam soltas pelos ventos de arrebol
E se batem de alegria na folia destes dias
Que se expandem em cantorias cintilando harmonias.
Os meus sonhos brincam leves pelo ar em raro efeito
Num enfeite feito nuvem que se deita em peito leito.
Tantas artes se eternizam neste lar que habito eu,
Tantos olhos choram soltos por um tombo que doeu.
Os moleques criam asas na esperança de um sonho,
As bonecas saem livres pra dançar o som que ponho,
As estrelas me visitam na cadência do piano
E me falam da beleza que existe em outro plano,
Os meus dias são eternos neste tempo que habito,
Minha pressa foi-se embora, pois fundiu-se no sem grito,
Meus fantasmas foram loucos habitar outras paragens,
Os meus medos moram longe num lugar que é só miragem.
Minha dúvida finda certa na resposta dita assim:
Sei que moro entre morros nos cercados dos sem fim,
Sei que hoje moro manso nesta casa feita em mim.
Sei que agora posso dizer onde moro eu enfim.
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