terça-feira, 21 de agosto de 2012

Pra eu parar de me doer...


Documentário sobre o Clube da Esquina

"Sobre Amigos e Canções"

Lindo demais, como tudo que vem do Clube!!!





quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Finda-se Julho (O Índio De Cara Pintada)



Gosto cada dia menos de escrever poesias só para eu entender. Faço isso às vezes. São frases cifradas que servem pra deixar marcada alguma passagem, alguma idéia que talvez eu precise retomar mais pra frente. E esse é um pouco o caso deste poema. Não que ele tenha uma idéia (não gosto de escrever ideia sem acento) que eu deva retomar, mas serve sim pra deixar marcado um ponto paralelo a outro que já se passou há algum tempo. E assim, caso eu releia, vou saber que me lembrei de demarcá-los paralelamente no tempo correto.


Finda-se Julho 
(O Índio De Cara Pintada)


Finda-se um ciclo...


Término de curva
Esgarçado quebranto
Invencível destino
Incansável navegante
O mais revolto dos mares
Vívidos no peito hóspede
Sete ciclos calendários
Noites e dias múltiplos
Dois mil quinhentos e cinqüenta e sete
Milhões de respirações
Desde aquela fatídica noite
Colocados a beira de tudo
Numa entrada sem saída
No fim de todos os caminhos
No começo do inconseqüente
No limiar do selvagem
No início do caminhante
No derradeiro tempo
De um outro lugar
De um outro sorriso
De uma outra pessoa
De uma outra esperança
De uma outra maturidade
Tão contemplativa e calma
Mas frágil mas forte
Frágil pelo futuro
Porém forte pelo passado
E em meio à mata
Um índio se fez a mostra
Sem dizer expressões
Sem negar o olhar
Sem querer amedrontar
Mas encarou seriamente
Por consecutivas três vezes
Primeiro solitário
Segundo acompanhado de mais seis figuras
E novamente derradeiro e silencioso
Solene no verso das cartas encantadas
Versos da ilha da magia
TODAS AS CORES DO MUNDO
Confissões segredáveis de outrem
E nós no pequeno compacto casulo
Morada ritualística daqueles distantes
As últimas horas de uma felicidade aqui
Sentires tão casuais
Sentires tão aconchegantes
E o extermínio necessário
O índio que mostrava o tão penoso caminho
A cara pintada
A guerra vizinha
O embate da cólera nascida no peito em paz
O combate do próprio ser sozinho
A revolta e os mais profundos questionamentos
A briga para ser novamente feliz
Querer ter o retorno mais legítimo
O ansiar mais verdadeiro
A infância tão bela infância
E os outros anos além
Também tão generosos
Benevolentes com quem pouparam na ignorância
Na substância embargante da paz
Mas retiram-te de ti retirando tua tenaz atrofia
O descampado solitário arredio geral abrindo
Tudo virou-se inimigo
Tudo virou-se arriscado
E o sono o único lugar para o vício de ser feliz
Mas bem-vinda seja a margem última
Deste que talvez tenha sido
O mais penoso de todos os grupos
Pelos quais poderiam perpassar-me
Um limiar de morte
A vizinha anti-poética perdição
O recôncavo último da consciência
O leito escorrido apocalíptico
Lânguido esquecimento vil
O declínio de qualquer sonho
A absolvição impiedosa
Ladeira lancinante acentuada
A queda das bases inconscientes
O reconhecimento das fraquezas
A superação das inconseqüências
Uma tentativa de acerto desesperada
A catarse que me catou sem escolha
Para um novo novo que sempre virá
Pois o tempo vai adiante e adiante e adiante 
E muito muito mais.........


Finda-se um ciclo?!