Gosto
cada dia menos de escrever poesias só para eu entender. Faço isso às vezes. São
frases cifradas que servem pra deixar marcada alguma passagem, alguma idéia que
talvez eu precise retomar mais pra frente. E esse é um pouco o caso deste poema. Não que
ele tenha uma idéia (não gosto de escrever ideia sem acento) que eu deva retomar,
mas serve sim pra deixar marcado um ponto paralelo a outro que já se passou há
algum tempo. E assim, caso eu releia, vou saber que me lembrei de demarcá-los paralelamente no tempo correto.
Finda-se Julho
(O Índio De Cara Pintada)
Finda-se
um ciclo...
Término
de curva
Esgarçado
quebranto
Invencível
destino
Incansável
navegante
O
mais revolto dos mares
Vívidos
no peito hóspede
Sete
ciclos calendários
Noites
e dias múltiplos
Dois
mil quinhentos e cinqüenta e sete
Milhões
de respirações
Desde
aquela fatídica noite
Colocados
a beira de tudo
Numa
entrada sem saída
No
fim de todos os caminhos
No
começo do inconseqüente
No
limiar do selvagem
No
início do caminhante
No
derradeiro tempo
De
um outro lugar
De
um outro sorriso
De
uma outra pessoa
De
uma outra esperança
De
uma outra maturidade
Tão
contemplativa e calma
Mas
frágil mas forte
Frágil
pelo futuro
Porém
forte pelo passado
E
em meio à mata
Um
índio se fez a mostra
Sem
dizer expressões
Sem
negar o olhar
Sem
querer amedrontar
Mas
encarou seriamente
Por
consecutivas três vezes
Primeiro
solitário
Segundo
acompanhado de mais seis figuras
E
novamente derradeiro e silencioso
Solene
no verso das cartas encantadas
Versos
da ilha da magia
TODAS
AS CORES DO MUNDO
Confissões
segredáveis de outrem
E
nós no pequeno compacto casulo
Morada
ritualística daqueles distantes
As
últimas horas de uma felicidade aqui
Sentires
tão casuais
Sentires
tão aconchegantes
E
o extermínio necessário
O
índio que mostrava o tão penoso caminho
A
cara pintada
A
guerra vizinha
O
embate da cólera nascida no peito em paz
O
combate do próprio ser sozinho
A
revolta e os mais profundos questionamentos
A
briga para ser novamente feliz
Querer
ter o retorno mais legítimo
O
ansiar mais verdadeiro
A
infância tão bela infância
E
os outros anos além
Também
tão generosos
Benevolentes
com quem pouparam na ignorância
Na
substância embargante da paz
Mas
retiram-te de ti retirando tua tenaz atrofia
O
descampado solitário arredio geral abrindo
Tudo
virou-se inimigo
Tudo
virou-se arriscado
E
o sono o único lugar para o vício de ser feliz
Mas
bem-vinda seja a margem última
Deste
que talvez tenha sido
O
mais penoso de todos os grupos
Pelos
quais poderiam perpassar-me
Um
limiar de morte
A
vizinha anti-poética perdição
O
recôncavo último da consciência
O
leito escorrido apocalíptico
Lânguido
esquecimento vil
O
declínio de qualquer sonho
A
absolvição impiedosa
Ladeira
lancinante acentuada
A
queda das bases inconscientes
O
reconhecimento das fraquezas
A
superação das inconseqüências
Uma
tentativa de acerto desesperada
A
catarse que me catou sem escolha
Para
um novo novo que sempre virá
Pois
o tempo vai adiante e adiante e adiante
E muito muito mais.........
Finda-se
um ciclo?!