.
A virada cultural do último final de semana foi muito legal. Ver o centro de São Paulo tomado por milhões de pessoas de todos os tipos, andando pra todos os lados, cantando, se expressando das mais diversas formas, enquanto acontecimentos artísticos brotavam em todos os cantos, foi o máximo. Eu adorei.
.
Começamos a noite tentando entrar no show do Sá, Rodrix e Guarabira no Theatro Mvnicipal, mas não conseguimos. Então fomos ver Zé Ramalho no Palco São João à meia-noite, e vimos. Era muita gente. Muita mesmo. Em Admirável Gado Novo a massa cantou com força aquele conhecido refrão. Pois é!!! Depois demos umas voltas, tentamos de novo entrar no Theatro Mvnicipal, mas desistimos rápido. A fila era enorme. Vimos uns palcos de rock, uns de Blues e voltamos pro Palco São João pra ver Mutantes às 3 da manhã. Foi quando eu ouvi uns acordes e era a Technicolor. Emocionou-me pra caramba e, pra mim, aquele foi o primeiro grande momento da noite. Meu único objetivo concreto na Virada Cultural era ouvir aquela música. Depois de ouvida, eu já não tinha mais planos muito certos. Então fomos rodar, cada um pra um canto. Afinal, não é sempre que se pode ver shows de graça e andar com menos medo pelo centro de São Paulo.
.
Rodamos e rodamos cantando marchinhas, sambas, maracatus, fazendo bagunça pelas ruas, bebendo cerveja e estando felizes. Que bom!!! Foi quando, depois de muito andar, cruzamos a Ipiranga com a São João e resolvemos, como é de praxe, cantar aquele música básica do Caetano Veloso, só que, dessa vez, pelo cruzamento estar fechado e tomado de gente, cantamos exatamente no meio dele e esse foi o segundo momento da noite. Emocionei-me novamente e ainda mais, afinal, cantar uma música que tem tantas verdades traduzidas, é algo maravilhoso.
.
Rodamos mais e caímos no Vale do Anhangabaú onde estava acontecendo 24 horas de improvisos num palco onde músicos se revezavam sem parar. Aquilo era jazz e eu ouvi muito do bom jazz das 6 às 8 da manhã. Fenomenal. Nisso todos já haviam ido. Foi quando me dirige a um banheiro e um cara me perguntou se eu queria comprar um CPF. Eu perguntei sem entender: “Um CPF?!?!” Não acreditando que realmente era aquele a sigla que ele tinha falado e o cara, por incrível que pareça, me confirmou: “Sim, um CPF. Você não quer comprar?” Daí eu disse: “Não, eu já tenho o meu, muito obrigado”. E esse foi considerado o terceiro momento da noite, porque, afinal, não é sempre que você ouve Jazz de graça no Vale do Anhangabaú às 8 da manhã e ainda por cima vem um cara e tenta te vender um CPF. Surreal!!! Se contar ninguém acredita, mas, se escrever, a credibilidade aumenta. rsssss. Juro que havia comércio de CPF`s no Vale do Anhangabaú às 8 da manhã de domingo. Eu vi.
.
Bom, sozinho, com a cabeça a mil e sem ninguém pra conversar, fiz aquilo que geralmente faço nessas horas: anotei no celular frases que me passavam pela cabeça.
.
São elas:
.
O ímpeto é um forte caminho pra loucura.
.
O entendimento mais sublime da música não passa pelo racional. Talvez talvez nunca. Mas nunca talvez.
.
O jazz é uma exacerbação da intelectualidade que inibe qualquer pensamento de maldade imediata.
.
Aprendiz de malabares tem o pensamento do “deixa que caia”.
.
Toda filosofia bem explicada é simplesmente humana.
.
.
.
Apêndices
.
.
.
I - Tecnicolor
Composição: (Arnaldo Baptista / Rita Lee / Sérgio Dias)
.
Please don't you ever ask me things I wouldn't like to talk about
It's time to get in touch with things, we always used to dream about
.
I'll take a train in technicolor
Come along be nice to me my girl
.
Through the window,
The nice thing on earth will pass by
Moving slowly
Though the wide screen I'm gonna see me kissing you babe
In tecnicolor
.
Oh ! What a nice film we would be, if only you could come with me
It's time to get in touch with things we only used to care about
.
I'll take a train in technicolor
Come along be nice to me my girl
.
Through the window,
The nice thing on earth will pass by
Moving slowly
Though the wide screen I'm gonna see me kissing you babe
.
In tecnicolor
In tecnicolor
.
.
.
II - Sampa
Composição: Caetano Veloso
.
Alguma coisa acontece
No meu coração
Que só quando cruza a Ipiranga
E a Avenida São João
É que quando eu cheguei por aqui
Eu nada entendi
Da dura poesia concreta
De tuas esquinas
Da deselegância discreta
De tuas meninas...
.
Ainda não havia
Para mim Rita Lee
A tua mais completa tradução
Alguma coisa acontece
No meu coração
Que só quando cruza a Ipiranga
E a Avenida São João...
.
Quando eu te encarei
Frente a frente
Não vi o meu rosto
Chamei de mau gosto o que vi
De mau gosto, mau gosto
É que Narciso acha feio
O que não é espelho
E a mente apavora o que ainda
Não é mesmo velho
Nada do que não era antes
Quando não somos mutantes...
.
E foste um difícil começo
Afasto o que não conheço
E quem vende outro sonho
Feliz de cidade
Aprende depressa
A chamar-te de realidade
Porque és o avesso do avesso
Do avesso do avesso...
.
Do povo oprimido nas filas
Nas vilas, favelas
Da força da grana que ergue
E destrói coisas belas
Da feia fumaça que sobe
Apagando as estrelas
Eu vejo surgir teus poetas
De campos e espaços
Tuas oficinas de florestas
Teus deuses da chuva...
.
Panaméricas
De Áfricas utópicas
Túmulo do samba
Mais possível novo
Quilombo de Zumbi
E os novos baianos passeiam
Na tua garoa
E novos baianos te podem
Curtir numa boa...
.
.
.
III – CPF(p)
Cadastro das Pessoas Físicas presentes
.
Caetano
Joyce
Edinho
Diego
Japonesa da pinga
Brandão
Daniela
Nara
Menina da ESPM
Pessoas de Passa 4
Desconhecido careca
Desconhecido japonês
Desconhecida baixinha
E muito outros que não me lembro direito, mas que passaram pela nossa roda.
.
E enfim, fim da Virada Cultural...
.
Masssss,
.
Ano que vem tem mais e quero que mais pessoas estejam presentes.
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A virada cultural do último final de semana foi muito legal. Ver o centro de São Paulo tomado por milhões de pessoas de todos os tipos, andando pra todos os lados, cantando, se expressando das mais diversas formas, enquanto acontecimentos artísticos brotavam em todos os cantos, foi o máximo. Eu adorei.
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Começamos a noite tentando entrar no show do Sá, Rodrix e Guarabira no Theatro Mvnicipal, mas não conseguimos. Então fomos ver Zé Ramalho no Palco São João à meia-noite, e vimos. Era muita gente. Muita mesmo. Em Admirável Gado Novo a massa cantou com força aquele conhecido refrão. Pois é!!! Depois demos umas voltas, tentamos de novo entrar no Theatro Mvnicipal, mas desistimos rápido. A fila era enorme. Vimos uns palcos de rock, uns de Blues e voltamos pro Palco São João pra ver Mutantes às 3 da manhã. Foi quando eu ouvi uns acordes e era a Technicolor. Emocionou-me pra caramba e, pra mim, aquele foi o primeiro grande momento da noite. Meu único objetivo concreto na Virada Cultural era ouvir aquela música. Depois de ouvida, eu já não tinha mais planos muito certos. Então fomos rodar, cada um pra um canto. Afinal, não é sempre que se pode ver shows de graça e andar com menos medo pelo centro de São Paulo.
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Rodamos e rodamos cantando marchinhas, sambas, maracatus, fazendo bagunça pelas ruas, bebendo cerveja e estando felizes. Que bom!!! Foi quando, depois de muito andar, cruzamos a Ipiranga com a São João e resolvemos, como é de praxe, cantar aquele música básica do Caetano Veloso, só que, dessa vez, pelo cruzamento estar fechado e tomado de gente, cantamos exatamente no meio dele e esse foi o segundo momento da noite. Emocionei-me novamente e ainda mais, afinal, cantar uma música que tem tantas verdades traduzidas, é algo maravilhoso.
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Rodamos mais e caímos no Vale do Anhangabaú onde estava acontecendo 24 horas de improvisos num palco onde músicos se revezavam sem parar. Aquilo era jazz e eu ouvi muito do bom jazz das 6 às 8 da manhã. Fenomenal. Nisso todos já haviam ido. Foi quando me dirige a um banheiro e um cara me perguntou se eu queria comprar um CPF. Eu perguntei sem entender: “Um CPF?!?!” Não acreditando que realmente era aquele a sigla que ele tinha falado e o cara, por incrível que pareça, me confirmou: “Sim, um CPF. Você não quer comprar?” Daí eu disse: “Não, eu já tenho o meu, muito obrigado”. E esse foi considerado o terceiro momento da noite, porque, afinal, não é sempre que você ouve Jazz de graça no Vale do Anhangabaú às 8 da manhã e ainda por cima vem um cara e tenta te vender um CPF. Surreal!!! Se contar ninguém acredita, mas, se escrever, a credibilidade aumenta. rsssss. Juro que havia comércio de CPF`s no Vale do Anhangabaú às 8 da manhã de domingo. Eu vi.
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Bom, sozinho, com a cabeça a mil e sem ninguém pra conversar, fiz aquilo que geralmente faço nessas horas: anotei no celular frases que me passavam pela cabeça.
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São elas:
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O ímpeto é um forte caminho pra loucura.
.
O entendimento mais sublime da música não passa pelo racional. Talvez talvez nunca. Mas nunca talvez.
.
O jazz é uma exacerbação da intelectualidade que inibe qualquer pensamento de maldade imediata.
.
Aprendiz de malabares tem o pensamento do “deixa que caia”.
.
Toda filosofia bem explicada é simplesmente humana.
.
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Apêndices
.
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I - Tecnicolor
Composição: (Arnaldo Baptista / Rita Lee / Sérgio Dias)
.
Please don't you ever ask me things I wouldn't like to talk about
It's time to get in touch with things, we always used to dream about
.
I'll take a train in technicolor
Come along be nice to me my girl
.
Through the window,
The nice thing on earth will pass by
Moving slowly
Though the wide screen I'm gonna see me kissing you babe
In tecnicolor
.
Oh ! What a nice film we would be, if only you could come with me
It's time to get in touch with things we only used to care about
.
I'll take a train in technicolor
Come along be nice to me my girl
.
Through the window,
The nice thing on earth will pass by
Moving slowly
Though the wide screen I'm gonna see me kissing you babe
.
In tecnicolor
In tecnicolor
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II - Sampa
Composição: Caetano Veloso
.
Alguma coisa acontece
No meu coração
Que só quando cruza a Ipiranga
E a Avenida São João
É que quando eu cheguei por aqui
Eu nada entendi
Da dura poesia concreta
De tuas esquinas
Da deselegância discreta
De tuas meninas...
.
Ainda não havia
Para mim Rita Lee
A tua mais completa tradução
Alguma coisa acontece
No meu coração
Que só quando cruza a Ipiranga
E a Avenida São João...
.
Quando eu te encarei
Frente a frente
Não vi o meu rosto
Chamei de mau gosto o que vi
De mau gosto, mau gosto
É que Narciso acha feio
O que não é espelho
E a mente apavora o que ainda
Não é mesmo velho
Nada do que não era antes
Quando não somos mutantes...
.
E foste um difícil começo
Afasto o que não conheço
E quem vende outro sonho
Feliz de cidade
Aprende depressa
A chamar-te de realidade
Porque és o avesso do avesso
Do avesso do avesso...
.
Do povo oprimido nas filas
Nas vilas, favelas
Da força da grana que ergue
E destrói coisas belas
Da feia fumaça que sobe
Apagando as estrelas
Eu vejo surgir teus poetas
De campos e espaços
Tuas oficinas de florestas
Teus deuses da chuva...
.
Panaméricas
De Áfricas utópicas
Túmulo do samba
Mais possível novo
Quilombo de Zumbi
E os novos baianos passeiam
Na tua garoa
E novos baianos te podem
Curtir numa boa...
.
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III – CPF(p)
Cadastro das Pessoas Físicas presentes
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Caetano
Joyce
Edinho
Diego
Japonesa da pinga
Brandão
Daniela
Nara
Menina da ESPM
Pessoas de Passa 4
Desconhecido careca
Desconhecido japonês
Desconhecida baixinha
E muito outros que não me lembro direito, mas que passaram pela nossa roda.
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E enfim, fim da Virada Cultural...
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Masssss,
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Ano que vem tem mais e quero que mais pessoas estejam presentes.
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