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Há quanto tempo atrás nossos iguais iniciaram seus passos por sobre a capa orgânica deste planeta? Há quantas eras astrológicas os homens humanos fixaram neste planeta a consciência de suas almas em combustão de esperança?
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Quando a roda da carruagem do agora começou a ser girada? Quando nossos antepassados começaram a ter suas caras próprias, suas construções de milhões, sua identidade cultural, seus cânticos, seus cantos de estar e permanecer? Há quantas voltas atrás começamos este ISTO que hoje estamos inseridos?
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Quando vibrou a primeira alma nos corpos tão similares a estes que agora ocupamos?
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Isso eu não saberia dizer, mas muitos já disseram coisas sobre as possíveis origens deste profundo caldeirão de almas que agora, neste momento, habita os mais diversos recantos desta grande massa vital!
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No entanto, apesar de não conseguir dizer quando tudo isso começou, sinto que toda beleza já estava manifestada nos primórdios momentos de iniciação desta grande jornada. Tudo o que há de mais perfeito, todas as respostas, as conclusões finais de tudo que ainda estava por vir e se manifestar, tudo isso já estava latente nas belezas basilares reveladas pelas diversas religiões milenarmente fundamentadas, ou mesmo nos mistérios sabedores que se escondem pelo temporário despreparo de nós que aqui estamos.
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E, em minha opinião, elementos deste tipo se multiplicam mais amplamente na construção do Hinduísmo, em sua belíssima teogonia, na figura do sublime Krishna e nas milhões de representações coloridas e multifacetadas que habitam o gigantesco panteão da mais antiga das religiões ainda amplamente em exercício neste planeta.
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Krishna e os princípios por ele aqui vivificados foram capazes de trazer e fundamentar, com extraordinário encanto, alegria e simplicidade, tudo o que nos guia nas várias faces do divino. A beleza da música, da dança totalmente desprovida de parâmetros enclausurados, a manifestação da constante mudança colocada no ato de simplesmente fazer mover o corpo em toda sua possibilidade. A leveza da felicidade como ponto final e inescapável de todo ser, a solução para os sofrimentos como o caminho único a que todos nós podemos chegar se tivermos paciência, resignação e humildade.
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E como é ainda mais lindo, perfeito e simples a magia do movimento corporal por meio da dança quando desprovida de intenções mentais!
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A dança pela dança, o movimento pelo movimento e a não intenção pela intenção de tudo que for mais perfeito que nós. A extinção de qualquer movimento previamente significado verbalmente pelo pensamento. A sabedoria silenciosa do corpo que nos arrebata se soubermos deixar só ela nos dizer.
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É o encanto da perfeição que vibra pequenina e absoluta na combinação dos sons diversos e dos movimentos múltiplos. Sons que ecoam no ar e dentro das almas que se deixam tocar e o movimento que vem de dentro e se alimenta de sua própria continuação.
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É a música servindo de base e estímulo ao corpo que quer se fazer vivo, transpassando em si um fluxo qualquer de ir adiante, uma vibração que se deixa realizar. Um tanto de intenção artística que faz as formas corpóreas se metamorfosearem, livres dentro de nossas prisões temporárias, num lampejo de divindade.
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E nessas horas, não há tempo e nem espaço. O não lugar de qualquer lugar nos abraça, o transpassar do lugar, do espaço e do tempo se faz dentro de nós. Qualquer lugar pode ser usado, qualquer canto se amplia no ato da dança. A dança sem amarras, sem controles, mas sapiente de sua própria beleza em si, fazendo do movimento uma grande possibilidade de superação de todo sofrimento, de todo mal, de toda dor. O sentir primeiro da perfeição final.
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Este é um exemplo do bem que dá prazer, do bem que faz sentido, do Hedonismo do bem e que nos envolve de felicidade e resiliência, não dando margens ao acaso descuidoso do mal. Coisas boas que fazem bem, coisas sensíveis que nos fazem transbordar e deixar a sensação vibrar deliciosamente em nossos corpos, como adrenalina, como êxtase, como consciência corporal, como possibilidade de vida, como sensação de existência, como forma de exercício primeiro de nossa condição física.
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E a dança pode ser tudo isso: o mínimo humano que se faz experimentar em suas formas, ou mesmo a múltipla manifestação metafórica e metamórfica dos inúmeros seres divinos que transcendem a formatação humanóide que tanto impera e reduz as possibilidades de expressão da energia que nos rege vinda do mundo dos espíritos.
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Todo bom homem, quando dança, é meio Deus!
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