terça-feira, 26 de julho de 2005

Comparações Dúbias........

Tô botando esse escrito aqui porque já tinha feito ele há algumas semanas pra postar. Agora eu não queria falar nada do que está escrito nele, mas como para eu escrever um texto eu vou precisar de algum tempo com um computador e alguns reais no bolso, achei melhor deixar de lado. Tá mais ou menos, mas tá legal. Mas de qualquer maneira é interessante. Aí vai:
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O amor é mais forte do que largo
A dor é mais presente que o primeiro corte
Os olhos gritam mais que a faca que fere
A luz é mais palpável que a lua distante
O livro é maior que o céu
O lixo é mais útil que o mal lavado
O som tem mais peso que o instrumento
A sombra abriga mais que a piedade
A falsidade eleva mais que a ignorância
O dinheiro limpa mais que o papel higiênico
O olfato é mais eterno que a visão
O tamanho é menor que o documento
A vida é tão incerta quanto a morte
Os amores são mais transplantáveis que um coração apaixonado
O choro convence mais que o riso
O homem sucumbe mais que a mulher
O frio faz tremer mais que os nervos
A doença molda mais que a academia
A distância engrandece mais que a o telescópio
O nervosismo rói mais que o rato
A dor de cabeça acaba mais que o Ctrl-Alt-Del
O minuto dura mais que os 18 anos
A cidade é mais vazia que o campo
O dicionário tem mais filhos que o imperador da China
A puta tem mais filhos que Jesus Cristo
A criança é mais bela que a inocência
A careca é mais incomoda que um vizinho cantando às 4 da manhã
A internet sabe mais que nós+eles
A música é tão bonita quanto a paz
O amor é maior que o peito
O xixi é mais humano que o erro
O sofrimento tem mais força que o sonho
O azul é tão bonito quanto o mar
A sutileza é maior que o romantismo
O axé é tão bom quanto o clássico
A folha é menor que a imaginação
A vergonha poda mais que o jardineiro
O vazio aperta mais que o cheio
O pulmão alivia mais que o Dorflex
A verdade é mais bonita que a mentira
Mas
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Há mentiras mais bonitas que verdades
(vide)

quarta-feira, 20 de julho de 2005

Acho uns negócios...

É difícil viver o dia-a-dia. É fácil viver a vida na plenitude de um sorriso sincero. A memória falha sempre. As vontades me fazem de escravo, mas acho que é fácil não querer. Como é difícil viver. Olhar no olho é perigoso. Comer sem fome dá azia. Ter o olho maior que a barriga engorda, mas comer é tão bom. Viajar pelo mundo deve ser muito pra minha cabeça. Como queria não ter lugar fixo. Mas a vida é fácil de se levar, talvez me enganando assim, eu fique mais tranqüilo. Acho que chorar de mais não vale a pena, até com o choro a gente se acostuma e parece que as coisas que viram rotina não são mais as mesmas. O choro constante fica cansativo e sem brilho, a dor faz calos e não é mais a dor na forma mais plena e presente. Já o choro que vem de vez em quando faz um gosto de lágrima na alma que dá até gosto. É bom umedecer um coração duro e já seco. A compaixão trata bem a alma de todos, principalmente a da pessoa que consegue senti-la. Compaixão por tudo é muito bonito. Com paixão tudo é muito bonito. Compaixão com paixão. Acho que eu ainda não tenho isso não. Ainda não parei pra pensar, mas acho que não tenho isso muito presente dentro de mim. A luz é a boa luz que faz a gente enxergar, mas quanta luz chegaria a ofuscar as coisas que a gente vê ou precisa ver? Excesso de esclarecimento barra as etapas pessoais da evolução alheia, mas acho que tudo é válido. Eu consigo escrever mais rápido sobre revoltas que tenho mesmo estando em calmaria comigo. É mais difícil escrever coisas lindas e corriqueiras sobre o passarinho que canta na minha janela, eu acho. Acho que a ironia faz parte de tudo que se diz perfeito. Acho que nunca será possível encontrar um ser livre de críticas válidas e sensatas. Acho que nunca um escrito englobará todas as minhas vontades em relação a qualquer assunto que seja, nem nunca, pelo menos aqui na terra natal dos sentimentos conhecidos e falsamente nossos, uma coisa moldará em algo exterior à própria inexistência o básico de uma simples alegria. Como é difícil igualar o que há muito tempo pertence a coisas tão diferentes. Imagina você chegar e falar, essa estátua é a alegria. Êita coisa sem graça. Acho que eu sou tão mais errado quando mais tento me concertar, não que isso me importe muito. As coisas produzem efeitos colaterais que fogem ao nosso alcance e a própria matéria prima gosta de falar mal dela pra produzir compaixão por si mesmo. A vida é um laboratório, e eu me experimento. A calma de se estar no céu é só pra quem acredita em papai Noel. Eu disse isso mais pela rima que pelo sentido. Eu acredito na existência de tudo aquilo que se pode acreditar, ou pelo menos respeito mesmo sem respeito algum por vezes. Bastou a crença para a coisa existir na crença em si. Eu não consigo medir as crenças, portanto eu não me arrisco a zombar do que com certeza é maior do que eu. O tamanho não é uma medida que se pode medir em palavras nem em conversas. Acho que a ansiedade só existe por sermos fracos e temermos a morte e o tempo. Talvez só o tempo da morte. Acho que não somos fracos, mas disse e assim ficou dito logo aí em cima. Tô viciado em escrever, não quero parar agora, mas a fome já está bem presente no meu estômago e um café com leite nesse quarto vazio/frio/sozinho, sem intenção de pena a não ser que brote por bem e/ou pelo bem am alguém, me faria ficar de boa. Gostaria de achar mais coisas, como acho realmente, mas acho que a fome é maior. Tentando achar, daqui até o infinito, caminhos sem poréns, meu estômago ficará sem coordenação na digestão por amnésia de raquitismo. É melhor ir tomar café. Assinado: o padeiro.

terça-feira, 12 de julho de 2005

Fluxo-Zinho-de-Nada

A tristeza virou coisa chique e eu já não sei de muita coisa não. Eu só sei que amar é difícil, mas é coisa primeira e por isso vital. Coisa que vem, que é automática, mas que a gente pode estimular que brota; e brota mesmo. Faz bem como ouvir uma música que se queria ouvir há tempos e quando se chega em casa e bota o CD pra tocar é um troço, só sei disso e isso não é nada. É coisa pequena, mas que me faz bem. Me faz bem escrever sobre coisas pequenas e escrever de maneira pequena. Frases bonitas e leves, coisas sutis sem barulho. Meus escritos normalmente têm o peso do saco de chumbo da vida. Olha que comparação legal e simples. Muitos deles não me satisfazem por satisfazerem só a mim. A alma da mensagem se encerra na folha e fica viva só dentro de mim. Só eu lembro dela, só eu sei dela. Não me importo que só eu saiba, às vezes é bom, mas às vezes me deixa à parte de mim mesmo e o que de mim pode ir pros outros. Não sei, mas parece solidão. É, é meio esquisito de falar, mas é isso. Tem mensagem minha que morre em mim. É, agora deu vontade de falar sobre tudo que eu vier a falar, deu vontade de só isso e o muito, mesmo pouco, que me cabe agora. Esse agora de agora é um instante qualquer, sem a graça que mereça sorrisos, mas repleto de um encaixe. Parece que eu tô inteiro aqui, não tenho vontade de sair andando, nem de cantar, ou seja lá o que for. Eu só quero ouvir a música que vier e escrever o que me der vontade e também seja inofensivo. Eu estou aqui num embalo, com uma noite inteira pela frente. Não vou sair, mas isso não me faz falta. Tenho muita vida por vir, tenho muita coisa pra fazer, graças a Deus. Eu critico Deus porque eu preciso fazer isso. É um tema que me encanta, é tanta coisa numa palavra só, que eu não tenho como não questionar, criticar mesmo sabendo que eu não concordo com muitas das críticas feitas. É por isso que eu invento personagens pra falar coisas minhas. Minhas por terem saído daqui, mas que não necessariamente me representam, nem pra esse ser aqui que me habita e eu ele. É claro que essa também é uma forma de ficar de lado, mas saciar a vontade de passar pros outros algumas coisas que com certeza estão por aí em todos nós. O todo é muito sábio, já falei isso em algum lugar, nem lembro onde, mas é verdade. Isso me deixa muito mais tranqüilo. É confiança boa que me faz viver melhor. São tantas as coisas que me fazem viver. É bom ter motivos diversos pra levar em frente as coisas das nossas lidas. Saber lidar com a lida é algo que deveria estar presente antes dos sonhos futuros. É claro que os sonhos são de mais e nos levam além, mas os nossos dias que passam por nós o tempo todo do tempo nosso são muito primordiais. Não sei se existem diferentes níveis de classificar uma coisa como primordial, mas aqui eu acho que o que eu escrevi me convenceu. Bom, a lida deve vir em primeiro lugar para que os sonhos não fiquem num eterno primeiro plano. Deve ser ruim ter planos a vida inteira, ver eles sempre se renovando do nada pra virar coisa alguma e no máximo decepção. É claro que a decepção não é o máximo da coisa alguma, ou talvez seja, mas o que sei é que é melhor não ter coisa alguma que ter decepção. Digo isso pensando no momento do sentimento à flor da pele, mas não me arrisco a medir o que se paira como absoluto. Escrever é como vomitar. Não quero questionar a validade dessa comparação, mas até onde pensei, ela é válida. Aliás, a coisa que chega mais perto de se validar por inteira é a própria coisa em si. Por exemplo, um copo é a comparação mais válida que eu posso fazer com um outro copo. Assim mesmo é quase falho, porque definir um copo como sendo um copo só seria pleno se minha cabeça mantivesse intacta as relações que ela faz com a palavra copo. A capacidade de definição de uma palavra varia inversamente em relação ao tempo/pessoa existente entre a primeira e a segunda vez que eu as disse. Mas acho que nunca a mesma palavra dita duas vezes seguidas ou espaçadas conseguirá provocar estímulos iguais na cabeça. O cérebro é a máquina mais exata a produzir coisas inexatas que mudam muito. É louco isso não. O cérebro tem milhões de neurônios ligados e organizados por uma tecnologia de ponta. É algo extremamente complexo por ser tão simples. Essa é a viagem de ida e volta que nós homens ainda estamos na ida. Mas o que eu queria falar é que tamanha exatidão biológica e talvez divina pode produzir coisas tão variantes e humanas (pra poder melhor definir). Eu não entendo como a memória interfere de uma maneira geral no raciocínio. Eu não entendo como a memória de conclusões tidas como verdade há tempos atrás podem barrar ou ajudar a sustentar as novas conclusões que o cérebro produz. Inova mais aquele que é desmemoriado ou aquele que se lembra de tudo ou muito daquilo que um dia já chegou a pensar? Nem eu tô entendendo onde eu quero chegar com esse novo assunto que brotou agora. Cada assunto dito aqui era como uma barreira que eu tinha que transpor, porque da cabeça até o papel o caminho não é fácil não. Quem escreve sabe que dependendo da hora as coisas emperram, mas tem horas que as coisas fluem também. As palavras barram, mas são o canal pra fluir marcando os passos. É um jeito de caminhar sem atropelar as próprias pegadas, pelo menos não as pegadas mais novas. Eu pretendia escrever coisas simples, mas passei pra outras mais complicadas pra não me podar e ver até onde ia. Apesar de não ter visto nada, o segundo objetivo foi alcançado e eu escrevi tudo o que me passava pela cabeça e ela deixava ir pro papel. O papel aceita coitado, ele só se deixa marcar sem reclamar. O papel é um grande amigo de quem escreve, e agora no caso, a tela. Acho que isso fecha o nada de mais que se abriu.

quarta-feira, 6 de julho de 2005

Sabe?!...

Sabe?!... A minha vida continua tão boa e tão ruim como sempre foi: cheia de momentos bons, outro nem tanto, outros uma bosta total e outros fodas de se querer pagar pra ver o que vem além. Tudo continua igual, mas eu tô diferente, e espero que não seja passageiro, ou talvez não espere. O que quero dizer é que eu tô muito bem com tudo de bom e de ruim que acontece comigo, eu ando feliz, sabe, tranqüilo. Eu ando calmo na maioria do tempo e fico meio estressado quando precisa mesmo, como quando esses dias eu tive que falar com uns comandantes da minha faculdade, aí sim o bixo ferveu, mas no mais eu tô como eu devo estar e isso é tudo. O que me deixa meio assim dividido é que a tristeza sempre foi muito boa pra mim, eu saia dela cada vez mais forte sabe. Não é uma coisa pensada, eu apenas vivia a tristeza, e suas companheiras e quando saia eu via meu caderno cheio de poesias novas, intensas (pelo menos pra mim) e legítimas (é muito bom ler seu caderno de poesias e escritos de vez em quando nem se for pra falar “que merda é essa que eu escrevi”, ou “parabéns meu filho, continue assim”), via também meu mundo mais aberto, é verdade, via as coisas mais calmas, uma paz mesmo. É necessário entrar em guerra para valorizar mais a paz, o ser humano, nós todos no geral somos mesmo assim, precisamos perder pra valorizar, que pena, somos falhos mesmo. Então, com essa tal felicidade duradoura eu tenho receio de que eu comece a não valorizá-la, e que eu não botando em cheque coisas minhas eu vá pra frente mais devagar. Eu acho que é necessário um pouco de tristeza como diz a música. É tão bom chorar com calma. Chorar coisas mil que nos pertencem pra depois poder abrir aquele sorriso meio molhado e sem graça. É tão linda a vida pra quem chora e ri plenamente. Sabe, é por isso que minha felicidade me incomoda um pouco. Olha me desculpe os tristes, mas a tristeza também é fundamental (pra usar Vinícius de Morais de novo). É claro que no meu caso a tristeza era passageira, graças a Deus e a mim. Esse post está sendo escrito pra falar do meu caso. Cada caso é um caso e cada pessoa lida com a tristeza da maneira que lhe é possível ou lhe é cômodo. Bom, queria falar mais, mas vou botar outra música aqui, ela fala coisas que me fizeram bem, e que eu queria dizer pra vários colegas e amigos que estão num aperto de vida danado. Aliás queria falar pra todo mundo. Aqui vai a música.
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Redescobrir (Gonzaguinha)
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Como se fora brincadeira de roda, memória
Jogo do trabalho na dança das mãos, macias
O suor dos corpos na canção da vida, história
O suor da vida no calor de irmãos, magia
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Como um animal que sabe da floresta, perigosa
Redescobrir o sal que está na própria pele, macia
Redescobrir o doce no lamber das línguas, macias
Redescobrir o gosto e o sabor da festa, magia
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Vai o bicho homem fruto da semente, memória
Renascer da própria força, própria luz e fé, memória
Entender que tudo é nosso, sempre esteve em nós, história
Somos a semente, ato, mente e voz, magia
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Não tenha medo, meu menino bobo, memória
Tudo principia na própria pessoa, beleza
Vai como a criança que não teme o tempo, mistério
Amor se fazer é tão prazer que é como se fosse dor, magia
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Como se fora brincadeira de roda, memória
Jogo do trabalho na dança das mãos, macias
O suor dos corpos na canção da vida, história
O suor da vida no calor de irmãos, magia
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Não sei a aceitação que esse post vai ter, mas gostei do seu propósito e isso é o que vale. Essa música é muito sábia, pode parecer cliche (mas porque o cliche vira cliche?), pode parecer demagogia ou ignorâcia da minha parte mas que me importa eu tô de boa. Sabe?!...