sábado, 31 de março de 2007

Capítulo 1... (enfim continuação)

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Vocês se lembram desse post. Ele foi feito e postado no dia 24 de outubro de 2005. Para refrescar a memória eu to colocando ele aqui de novo. Ele exige um mergulho duplo.
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“- Sim respeitável público, dentro de instantes teremos aqui no palco o nosso querido Zacarias dos Trapalhões. É, vocês podem não acreditar, mas é verdade mesmo. Ele nos disse numa seção espírita que iria baixar em carne e osso aqui neste nosso planeta Terra e que ainda iria aparecer aqui com certeza, sem falta à meia-noite e já são 23 horas e 45 minutos. Vocês podem não acreditar, mas é a pura verdade. Nós aqui do circo Silver & CIA cumprimos o que prometemos. Sou dono deste circo, sou honesto e posso dizer que nenhum palhaço aqui nesta casa de Deus é ladrão de mulher.
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Nisso levanta uma mulher com uma criança em cada braço e diz:
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- Quem disse que nenhum palhaço aqui é ladrão de mulher. Quem você acha que é o pai dessas crianças que eu carrego nos braços. Hein, responde?
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O dono do circo fingia que não estava escutando e ficava olhando pra cara da mulher com uma cara de “fala mais alto” misturada com “quem essa parideira pensa que é”.
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A mulher que era decidida. Pegou as outras sete criancinhas que estavam perto dela e foi adentrando o picadeiro enfrentando alguns funcionários que queriam detê-la e enquanto falava muito alto pra todos ouvirem:
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- Quem disse que nenhum palhaço aqui é ladrão de mulher. Quem você acha que é o pai dessas crianças que eu carrego nos braços. Hein, responde?
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O dono do circo resmungou ao microfone debochando da mulher:
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- Meu Deus, estou tendo um Dejavi de som, ou melhor, eu acho que eu tô tendo um dejaOUvi.
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Mas o povo não achou muita graça não, já que a mulher estava muito brava e via-se na cara dela que ela não estava brincando.
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- Quem disse que nenhum palhaço aqui é ladrão de mulher. Quem você acha que é o pai dessas crianças que eu carrego nos braços. Hein, responde?
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No que a moça repetiu a mesma frase com a mesma entonação, tudo sonoramente idêntico, as pessoas começaram a reparar que havia alguma coisa errada no ar. Parecia que a mulher só sabia falar aquilo. Era como um gravador que se rebobinava automaticamente pra logo em seguida se repetir como se tudo naquele lugar tivesse retornado ao momento que aquela mulher tinha aberto a boca pela primeira vez.
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- Quem disse que nenhum palhaço aqui é ladrão de mulher. Quem você acha que é o pai dessas crianças que eu carrego nos braços. Hein, responde?
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Todos olharam para o dono do circo que já havia parado de fazer piadas e em cada rosto ele enxergou um pedido de resposta. A platéia parecia que apostava na resposta como única maneira de libertar aquele espetáculo de tempo em rodopios. E novamente.
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- Quem disse que nenhum palhaço aqui é ladrão de mulher. Quem você acha que é o pai dessas crianças que eu carrego nos braços. Hein, responde?
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As 7 crianças que não estavam no colo da mulher e que eram justamente as que já sabiam falar disseram:
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- Olá pailhaço...
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Silêncio...
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- Olá pailhaço...
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Silêncio.
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- Quem disse que nenhum palhaço aqui é ladrão de mulher. Quem você acha que é o pai dessas crianças que eu carrego nos braços. Hein, responde?
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A mulher e as crianças começaram a se mover como máquinas. Os bebês de colo caíram do colo e iniciaram um arrasto desesperador pela serragem do chão. Todos tremiam muito e não havia mais o que se fazer. O pânico baixou em toda a platéia e em todos os funcionários daquele circo. Todos tentavam se mover, mas nada saia do lugar. Era como num sonho quando se quer correr, mas não se sai do lugar.
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Os bichos dormiam sossegados após seu trabalho diário de fingir inferioridade.
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As crianças tremendo se espalhavam tremendamente e começavam a se aproximar do público, outras delas se aproximavam dos funcionários que se debatiam contra o ar tentando alcançar algum gancho aéreo pra encaixar os dedos que mais pareciam minhocas tentando entrar em terra seca.
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O Dono do Circo...
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O dono do Circo não sabia o que fazer quando os bebês agarraram seus calcanhares e começaram a babar na sua roupa de linho. Ele não podia mexer seu corpo só sua cabeça o obedecia, como as dos outros presentes. Ele chorou... Os bebês não tinham pupila mas seus olhinhos emanavam uma piedade descomunal.
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Ele chorou.
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O mundo não se movia mais.
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E um segredo seria revelado pela mãe das 9 crianças.”
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Daí depois como complemento eu disse:
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“Ia postar sobre um lugar que eu fui no domingo mas acabei fazendo esse texto. Escrevi ele porque não agüentava mais escrever viagens em primeira pessoa ou coisas mais ou menos pessoais em terceira pessoa ou textos sem compromisso nenhum. Comecei essa história também sem compromisso, mas conforme foi indo eu resolvi levar mais a sério e dar uma unidade pra ela. Só tem esse (entre aspas) capítulo (entre aspas) pronto. Não tenho nem noção do que vai vir, e espero conseguir continuar ou pelo menos lembrar e ter a disciplina de continuar. Escrevi um texto muito nada a ver pra colocar no dia do meu aniversário, mas vou colocar assim mesmo. Falou...”
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O Davi comentou assim nesse post:
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“Wagner, um lembrete pra vc. Naum se ativa a curiosidade de um curioso sem sacia-la depois! Qual é esse bendito segredo?????? Por facor, naum va me deixar a vr navios!!!!
Brincadeira!!!!!!
Legal o txto, mas ve se termina hien!!!!
Falow!
Davi!”
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Daí eu me senti intimidado a terminá-lo. Ele está no meu desktop desde o dia 23 de abril de 2006, e como eu tô querendo esvaziar ele, resolvi escrever esse tal segredo que a mãe ficou de revelar. Segue o texto. Espero não desapontar depois de tanto tempo. rssss
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E a mãe enfim, depois de 522 dias paralisada esperando o momento exato de contar o segredo, resolveu pronunciar as palavras. Os filhos mais novos não engatinhavam mais, e alguns dos mais velhos já iam para detrás da lona do circo para se masturbarem. O mundo estava paralisado há 522 dias. Já era 31 de março de 2007 e desde de 24 de outubro de 2005 que nada passava. Todos os verbos tinham se tornado gerúndio. A terra era uma fotografia em 3D. Uma maquete gigantesca com marionetes extremamente expressivas feitas de carne congelada em temperatura ambiente.
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As pessoas do circo estavam morrendo por atrofia muscular já que não podiam se mover, mas nenhuma delas sentia necessidades biológicas. O pensamento humano só funcionava debaixo daquela lona. Eram pessoas escolhidas para estarem ali.
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Fora daquele espaço, o resto da humanidade nem vivia, pois não havia tempo. O tempo havia parado a matemática, que parou a química, que parou a micro-física, que parou a biologia, que parou a física, que parou as línguas, que parou a psiquiatria avançada, que parou a psicologia, que parou a sexologia, que parou a agronomia, que parou a metalurgia, que parou a engenharia, que parou a administração, que parou o marketing, que parou a economia, que parou a antropologia moderna, que parou a sociologia contemporânea, que parou a filosofia eterna, que parou o direito, que parou a política, que parou as instituições, que parou o poder, que parou a religiosidade, que parou a fé, que parou o mundo enfim.
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A mãe, movendo silenciosamente a boca, fez as pessoas sob a lona despertarem do torpor. Todas a olharam implorantemente assustadas porque sabiam que estavam ali esperando há muito tempo, mas não faziam nem idéia de quanto tempo se constituía essa espera. A mãe olhou em volta. Sentia que a necessidade dela dizer alguma coisa estava quase concreta e começava a ocupar espaço no lugar. Era uma experiência metafísica, e era justamente isso que ela queria.
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A necessidade de palavras pediu licença, e começou a invadir os pedaços daquele circo. O tempo de espera anterior foi capaz de acumular-se com tanta intensidade que ultrapassou a barreira da intenção e se tornou fato. As pessoas não viam, mas sentiam. Começavam a serem esmagadas.
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A mãe, por saber disso, cada vez mais dava a entender que iria falar alguma coisa, mas sempre no final se calava. Enchia os pulmões de ar, inclinava o corpo levemente para frente, abria mais os olhos até que murchava um pouco e aquietava-se novamente.
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Fez isso umas 3 vezes e o ar se adensava impressionantemente a cada ciclo de intenção de dizer. As pessoas estavam a ponto de serem implodidas de tanto silêncio. E então ela disse depois de 522 dias:
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- Vocês notam?
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Não houve respostas. As pessoas mal respiravam. Havia só um gemido geral que sonorizava a asfixia por excesso. Ela repetiu com um pouco mais de veemência:
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- Vocês notam? Vocês notam a vontade impregnada no ar? A carência sentada entre vocês? Vocês percebem a força física dos teus desejos? Vocês estão compreendendo que grande parte do que existe no mundo e fruto de seus impulsos internos?
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As pessoas não diziam nada, mas começavam a ter a impressão de que estavam começando a entender. Tudo bem no começo como se pode perceber.
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Houve uma pausa.
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- O mundo é de cada - a primeira frase afirmativa do ano retirou 300 joules de pressão do local – o mundo mora dentro. E nós moramos dentro de um outro mundo de fora. Mas isso não significa que dentro e fora sejam independentes um do outro.
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Conforme a mulher falava mais e mais, uma ventania estonteante começou a sair do centro do circo para fora da lona estufando o tecido. E a mãe começou a bradar alto com os cabelos bailantes dizendo que aquele vento era a presença física da carência de palavras que ela havia gerado nas pessoas e que por isso se tornou realidade ao redor daquele picadeiro.
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- Vocês são criadores de realidades. Eu nunca existi. Vocês me fizeram aqui dentro desse circo. Vocês vieram ao circo na busca de sonhos esclarecedores. Esse é o lugar onde eles se concretizam e por isso eu me fiz aqui. Eu sou um acumulado de vontades e segurei vocês aqui todo esse tempo porque só assim vocês me ouviriam e seriam partes integrantes dessa verdade que se tornaria irrefutável. Eu sabia que assim seria feito.
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O vento nesse momento estava arrebentando as estrutura, mas as pessoas ainda ouviam perfeitamente a mulher falando com eloqüência. Aos poucos alguns músculos de alguns indivíduos começaram a se mover. Os animais estavam se despertando do sono e tranqüilamente olhavam com sabedoria aquele espetáculo aeromodelista.
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- Minhas nove crianças são filhas desse homem sim. Mas este homem não é este homem. Ele é apenas um corpo físico que serviu de veículo. Quem está dentro dele é que vale por milhões.
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Neste momento o homem desmaiou no chão como se seus ouvidos tivessem acabado de ouvir um chamado de forças e a musculatura simplesmente se desmontou depois de perder seu tônus primitivo.
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- Minhas nove crianças se dissiparão pelo 8 pontos caldeais e colaterais da terra e a nona estará plantada no centro do planeta esperando a hora da ruptura. Assim será feito. Assim já é.
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Com este derradeiro verbo a mulher fez as crianças saírem voando pelos ares enquanto a menorzinha, e única menina, penetrou violentamente a terra como um prato grosso de ferro caindo num caldeirão de feijão.
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As pessoas se mexiam em suas cadeiras admiradas, mas em momento algum sentiam medo. Um instintivo entendimento começou a tomar conta dos ouvintes.
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- Não há o que ser feito. Tudo será veicular. Não há erro, pois tudo será indutivo de outrem.
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Após estas palavras a mulher começou a desaparecer enquanto repetia e repetia.
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- Não há o que ser feito. Tudo será veicular. Não há erro, pois tudo será indutivo de outrem. Não há o que ser feito. Tudo será veicular. Não há erro, pois tudo será indutivo de outrem. Não há o que ser feito. Tudo será veicular. Não há erro, pois tudo será indutivo de outrem.
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E sua voz foi se esvaindo longe e longe como se estivesse sendo levada pelos ventos que começavam a se enfraquecer.
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Nesse momento o circo virou um rodamoinho que foi se intensificando enquanto as pessoas foram ejetadas para longínquas partes do globo. E o local simplesmente não é mais um local. Enfim, fim.
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Lembro me dessa história que acabei de contar como estivesse acabado de vivê-la. Estou com uma dor no corpo como se estivesse caído do alto. Um misto de ficções.
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Juro por deus que me sopraram o começo dessa história no dia 23 de outubro de 2005 e me lembro de uma voz me dizendo para escrevê-la aqui no meu blog. Fiz isso sem entender. Me lembro bem desse dia como se fosse antes de ontem. Hoje, 31 de março de 2007, sinto como se estivesse voltado ao meu lugar.
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Em minha memória resta apenas esse acontecimento da mulher no circo que acabei de contar. Me parece uma espécie de sonho e eu, não sei porquê, senti que a minha missão era escrevê-la aqui nesse blog até o fim. Não sei direito, mas ela está na minha cabeça como uma espécie de sonho real. Apenas sentei e a escrevi
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Agora que voltei, vi que meu blog está cheio de posts novos. Do nada me veio à memória a notícia que o Lula se reelegeu, que o Brasil não ganhou a copa do mundo e que o BBB6 teve a participação de um cara de Passa Quatro. Que coisa estranha. Tenho fotos que não tirei e poesias que não escrevi. Registros meus em lugares que não estive. Sinto como se eu tivesse passado 522 dias fora vivendo nesse mundo, só que ele estava parado e havia um pedaço de mim em outro lugar. Minha consciência talvez estivesse sei lá aonde.
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Realmente me parecia que esse mundo estava parado, mas ele não estava, afinal hoje é dia 31 de março de 2007. Meu deus, o que que aconteceu comigo? Uma estória que começou sem pretensões, tomou conta da minha realidade, alterou meu destino e agora me vejo de volta a uma nova realidade de um mundo que eu julgava estar parado, quando na verdade ele se modificou em seu ritmo usual.
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Não sei o que dizer. Meu quarto tem uns enfeites que não coloquei. Meu pé tem um inchado que não sei porquê. Que mundo é esse que vivo hoje? Já ouvi dizer de histórias que ultrapassam a realidade, mas essa foi demais.
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Enfim, acho que vou terminar por aqui. Comecei a fazer esse texto para me promover e acabei me envolvendo demais com ele e parece que nem vivo mais. E desculpe por não ter aparecido no circo como prometeu meu o personagem criado por mim mesmo. Estava na platéia o tempo inteiro pronto para aparecer, mas fiquei com vergonha de me apresentar, afinal eu sou tímido, né gente!!!
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Assinado: Zacarias.
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akakaka, espero que assim eu tenha fechado de maneira inusitada todos os tópicos levantados pelo texto feito há 522 dias atrás. Afinal, num circo onde o Zacarias promete aparecer, podem acontecer coisas das mais diversas, inclusive mulheres mágicas, crianças mensageiras e ventanias que se desfazem em lugar algum para depois se mostrarem que em verdade foram todas inventadas pelo próprio Zacarias que foi abduzido pela própria história e se sentiu assustado e agora diz estar morto, mas depois se desculpa por não ter cumprido a promessa que seu próprio personagem fez dentro da história que ele mesmo criou, ou seja, ele se sentiu intimidado por um objeto hipotético fruto de sua própria imaginação.
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Por essas e outras que eu disse que essa história exigia um mergulho duplo. E se a gente ir mais além, pode-se dizer que em 24 de outubro de 2005 eu fui o próprio Zacarias quando iniciei essa história, já que naquele dia eu era o criador-narrador direto da trama que depois de 522 dias se tornou criatura envolvida na criação.
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Enfim, uma doideira feia como há muito tempo eu não fazia.
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Escrever assim cansa, viu. Dá pra fazer um paralelo entre a história, esses 522 dias da minha vida e os ditos da mulher personagem que eu não escrevi por acaso, mas vai ficar quadrado e chato demais se eu ficar explicitando o significado, e eu não quero isso. Prefiro parar por aqui.
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Falou.
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quinta-feira, 29 de março de 2007

A "conclusão" mais sã de hoje e sem etc

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Pra fazer um paralelo com o post do dia das mulheres (8 de março), batizei esse assim. E a conclusão de hoje foi:
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A classe média é o amalgama da sociedade. Ela é o resíduo, ou melhor, o resultado prático do modelo de sociedade teorizado por Marx. Nós somos o "pano quente" da situação.
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Bonito isso, não... Merece até umas exclamações.
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A classe média é o amalgama da sociedade. Ela é o resíduo, ou melhor, o resultado prático do modelo de sociedade teorizado por Marx. Nós somos o "pano quente" da situação!!!!!!!!!!!!!!
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Rssssss
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Como não tem ETC hoje, paro por aqui.
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Mas antes é necessário reforçar: A classe média é o amalgama da sociedade.
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Como é bonito isso, não... Merece até umas exclamações.
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A classe média é o amalgama da sociedade!!!!!!!!!!!!!!
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Rssssss
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Como não tem ETC hoje, paro por aqui. Estou um pouco mais amalgamado pela expressão do pensado de outrora.
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Bonito isso, não... Merece até umas exclamações.
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Estou um pouco mais amalgamado pela expressão do pensado de outrora!!!!!!!!!!!!!!
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Rssssss
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Como não tem ETC hoje, paro por aqui.
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- Então pára, PORRA.
- Tá certo, já vou parar. Mas antes só uma coisa...
- Hummm, diga...
- Sua frase foi tão brava, não... Merece até umas exclamações.
- Já disse pra parar, PORRA!!!!!!!!!!!!!!
- Aí estão elas. Parabéns, você as colocou por sua conta.
- Ahhh, seu filho da PPPPP!!!!!!!!!!!!!! (14 exclamações)
- akakakaka, de novo.
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14 exclamações amalgamantes para vocês. E boa noite!!!!!!!!!!!!!!
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p.s: O que que a classe média é mesmo??????????????
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14 interrogações inquietantes para vocês. E bom dia. (4:30 a.m)
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segunda-feira, 26 de março de 2007

2 mineiros (um pelo outro)

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"Um chamado João"
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"João era fabulista?
fabuloso?
fábula?
Sertão místico disparando
no exílio da linguagem comum?
Projetava na gravatinha
a quinta face das coisas,
inenarrável narrada?
Um estranho chamado João
para disfarçar, para farçar
o que não ousamos compreender?
Tinha pastos, buritis plantados
no apartamento?
no peito?
Vegetal ele era ou passarinho
sob a robusta ossatura com pinta
de boi risonho?
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Era um teatro
e todos os artistas
no mesmo papel,
ciranda multívoca?
João era tudo?
tudo escondido, florindo
como flor é flor, mesmo não semeada?
Mapa com acidentes
deslizando para fora, falando?
Guardava rios no bolso,
cada qual com a cor de suas águas?
sem misturar, sem conflitar?
E de cada gota redigia nome,
curva, fim,
e no destinado geral
seu fado era saber
para contar sem desnudar
o que não deve ser desnudado
e por isso se veste de véus novos?
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Mágico sem apetrechos,
civilmente mágico, apelador
e precipites prodígios acudindo
o chamado geral?
Embaixador do reino
que há por trás dos reinos,
dos poderes, das
supostas fórmulas
de abracadabra, sésamo?
Reino cercado
não de muros, chaves, códigos,
mas o reino-reino?
Por que João sorria
se lhe perguntavam
que mistério é esse?
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E propondo desenhos figurava
menos a resposta que
outra questão ao perguntante?
Tinha parte com...
(não sei o nome)
ou ele mesmo era
a parte de gente
servindo de ponte
entre o sub e o sobre
que se arcabuzeiam
de antes do princípio,
que se entrelaçam
para melhor guerra,
para maior festa?
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Ficamos sem saber o que era João
e se João existiu
de se pegar."
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Carlos Drummond de Andrade - 22/11/1967 - Versiprosa
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domingo, 18 de março de 2007

20. ATENÇÃO, NÃO PONHA-SE MAIS DE PONTA CABEÇA


19. ATENÇÃO, NÃO PONHA-SE MAIS DE PONTA CABEÇA


18. ATENÇÃO, SE QUISER, PONHA-SE DE PONTA CABEÇA


17. ATENÇÃO, PONHA-SE DE PONTA CABEÇA


16. ATENÇÃO, PONHA-SE DE PONTA CABEÇA


15. ATENÇÃO, PONHA-SE DE PONTA CABEÇA


14. ATENÇÃO, PONHA-SE DE PONTA CABEÇA


13. ATENÇÃO, PONHA-SE DE PONTA CABEÇA


12. ATENÇÃO, PONHA-SE DE PONTA CABEÇA


11. ATENÇÃO, PONHA-SE DE PONTA CABEÇA


10. ATENÇÃO, PONHA-SE DE PONTA CABEÇA


9. ATENÇÃO, PONHA-SE DE PONTA CABEÇA


8. ATENÇÃO, PONHA-SE DE PONTA CABEÇA


7. ATENÇÃO, PONHA-SE DE PONTA CABEÇA


6. ATENÇÃO, PONHA-SE DE PONTA CABEÇA


5. ATENÇÃO, PONHA-SE DE PONTA CABEÇA


4. ATENÇÃO, PONHA-SE DE PONTA CABEÇA


3. ATENÇÃO, PONHA-SE DE PONTA CABEÇA


2. ATENÇÃO, PONHA-SE DE PONTA CABEÇA


1. ATENÇÃO, PONHA-SE DE PONTA CABEÇA


sexta-feira, 16 de março de 2007

Dossiê MTV (vale a pena ler)

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Essas são as considerações finais de uma pesquisa que a MTV fez em 2005. Há outras duas versões de 1999 e 2000, e essas considerações que estão aqui embaixo fazem uma comparação de alguns pontos pra mostrar tendências. É impressionante como muitas coisas batem e fazem muito sentido de serem como estão sendo. Estou publicando isso aqui porque achei interessante e seria legal que nós conhecêssemos como anda nosso mundo jovem. Adoro esses levantamentos de tendências. É um exercício que mistura matemática com sensibilidade, e olha que isso é possível. akakakaka Bem vindos a um pedaço do Dossiê MTV 2005. Que fique claro que eu não estou usando ele para fins comerciais. Isso pode dar cadeia.,., akakaka. Leiam, é grande, mas é muito foda...
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Em 1999, apontamos o encontro de duas ondas de gerações (pais & filhos) que estavam numericamente “crescidas” e iniciavam uma “competição” por aparência jovem, por mercado de trabalho, por guarda-roupas parecidos.
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Essa tendência acentuou-se fortemente e as duas gerações ficaram ainda mais próximas. Temos fatos novos e importantes: a questão da idealização da juventude, a mudança de identidade do mundo adulto, os movimentos nostálgicos em relação à infância e, na relação familiar, a transformação dos pais em amigos.
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A juventude virou valor máximo, obsessivamente preservado por quem naturalmente a tem e arduamente perseguido por quem está biologicamente distanciando-se dela.
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E o movimento que acentuou esse encontro vem das duas direções. Tanto adultos como adolescentes praticam comportamentos que não são considerados típicos do “seu” momento
de vida: “quarentões, cinqüentões…” vão a shows e baladas, ficam, planejam seus primeiros filhos, enquanto jovens fazem cirurgia plástica e têm experiências sexuais cada vez mais cedo.
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Paralelamente, os reflexos de extrema valorização da juventude mesclam e antecipam as clássicas “passagens” do crescimento:
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- Crianças em torno de 10 anos começam a comemorar aniversários em salões de beleza.
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- Meninas de 17 anos comentam: “eu tive mais infância que as crianças de hoje” ou “já me
sinto velha para as baladas”.
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A identidade do mundo adulto está mudando, está perdendo contornos diante dos olhos de jovens que vêem pais e mães, estressados pelo trabalho, serem mais felizes quando se comportam como jovens.
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É difícil desejar crescer quando o crescimento significa apenas enfrentar barreiras, porque prevalece a sensação de que a parte boa do mundo adulto, os jovens já conquistaram: liberdade, vida sexual, os de maior poder aquisitivo estão protegidos pela família etc.
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Os pais estão tão mais próximos, tão pertencentes ao universo jovem, que passaram a conduzir a relação com os filhos pela dimensão da amizade.
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As relações familiares que já não apontavam conflitos em 1999, caminharam na intensificação desse estreitamento da relação, e agora pais chegam a partilhar confidências sobre sexo, drogas, freqüentam as mesmas festas, ou dividem os mesmos amigos.
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E os papéis de pai e mãe são, muitas vezes, desprezados, em favor da figura do amigo jovem que contracena exatamente no mesmo palco.
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Os filhos já evidenciam certo desconforto com a ausência da porção pai e o excesso do lado amigo.
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Do indivíduo valorizado, da individualidade respeitada, evoluiu-se para o individualismo, que já estava presente em 1999 e que hoje está significativamente mais expressivo.
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Ele foi crescendo no ambiente doméstico, com a consolidação dos espaços privados dentro de casa e com o desencontro de horários e interesses entre familiares ocupados com suas próprias vidas.
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A tecnologia, claro, é também a grande contribuinte dos mundos cada vez mais particulares. A TV, o rádio, os equipamentos de som, o telefone, evoluíram do uso compartilhado para o individual, mas, como lembra Denise Schittine em seu livro “Blog: comunicação e escrita íntima na internet”, o computador já foi concebido para uso individual.
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A internet de alta velocidade aumentou a oferta de serviços de entretenimento voltados para o indivíduo.
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O individualismo manifestou-se também nos relacionamentos afetivos, onde o jovem procura proteger seu espaço como indivíduo: melhor ficar que namorar. E o próprio ficar já está derivando seu sentido para algo ainda mais superficial, onde sentimentos, ainda que momentâneos, já chegam a estar totalmente ausentes. As relações com algum tipo de responsabilidade emocional ou compromisso - ainda que reduzido - são postergadas.
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É o individualismo, alimentado em casa, preservado nas relações pessoais, manifesto na moda cada vez mais customizada, cada vez mais superposta por uma infinidade de leituras.
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O mundo da rua não é, decididamente, foco de interesse do jovem. O índice de entrevistados que participam ou participaram de algum tipo de movimento social caiu expressivamente em relação a 1999.
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A sucessão de fatos novos e mudanças está causando um fenômeno incontestável: a sensação de que o futuro se torna presente, na mesma velocidade - absurda - com que o presente se torna passado.
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As ferramentas e possibilidades trazidas pela tecnologia, assim como o consentimento familiar e social para novos comportamentos em relação ao outro e a si mesmo, trouxeram novas formas de viver, de comunicar-se e um novo tempo para vivê-las.
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O “right now” do mundo jovem globalizado é o mesmo imediatismo que circunda e caracteriza o comportamento do jovem brasileiro, que se reconhece como geração impaciente, com pressa.
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A comunicação intensificou-se, ganhou nova roupagem. A internet, que em 1999 era ainda uma promessa de alterações no comportamento, realmente mudou muita coisa. Já é acessada pela maioria da amostra, e tornou cotidiana a comunicação através da rede.
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A internet superou os questionamentos sobre ser responsável pelo isolamento dos jovens, passando a ser um dos seus meios de comunicação preferidos e passando também a intensificar essa comunicação.
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A internet conectou diferenças, possibilitou aproximações improváveis, criou alternativas de comunicação mais seguras e mais rápidas. Abrigou novos códigos de linguagem. Os celulares já são absolutamente expressivos e também criaram um novo universo de comunicação em torno deles.
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As mulheres passaram a usufruir de comportamentos que antes eram exclusividade dos homens, abrindo assim mais espaço para a experimentação.
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No campo da sexualidade, enquanto alguns já lamentam os excessos, outros ponderam que o processo de experimentação é natural e vital para a felicidade em escolhas mais definitivas, outros simplesmente comemoram a possibilidade real e consolidada de viver intensamente a liberdade de experiências sem compromisso.
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É tempo de experimentações maximizadas para a sexualidade sem fronteiras de sexo, sem juízos de valor, sem culpas.
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Assim como é tempo, também, de ficar e sonhar com o namoro, ou declarar que, no fundo, é um pouco chato quando tudo sempre resulta em nada.
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A vaidade, que já vinha correndo em paralelo crescente com a tendência de valorização da juventude, atinge hoje uma expressividade muito maior.
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E, aqui, se as mulheres mantêm-se fortemente engajadas em moldar e conquistar o ideal de beleza, malhando em academias ou fazendo lipoaspirações, mantendo a pele imaculada ou tatuando-se etc., o fato realmente novo é o comportamento dos homens que, definitivamente, nunca mais serão os mesmos.
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A vaidade masculina assumida e valorizada está trazendo não apenas novos comportamentos, mas novos valores.
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Além de homens que fazem limpeza de pele, tingem os cabelos, cuidam das unhas, temos a iminência do espaço para um homem de perfil mais sensível, mais cuidado.
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A vida privada virou pública, é partilhada na rede, chegou à TV, às revistas; a mídia tornou desconhecidos, ilustres, assim como fez de ilustres, desconhecidos.
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Celebridades muitas vezes se perdem rapidamente, porque o conceito de celebridade se perdeu. As celebridades de essência estão ficando mais distantes. As referências são outras.
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As drogas estão mais próximas.
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Configuraram-se como um universo complexo, que, justamente pela proximidade, não permite mais um raciocínio simplista ou unilateral para sua avaliação e julgamento.
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É mais fácil reconhecer as drogas por seu poder de status ou moda, do que mapeá-las por similaridade nos efeitos colaterais.
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De 1999 para cá ocorreram mudanças fundamentais no universo jovem.
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Temos o retrato de uma geração que está em obras, vivendo em um momento no qual o mundo está em obras.

quinta-feira, 8 de março de 2007

A "conclusão" mais loka de hoje e etc

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A energia mística humana será, ou melhor, já é responsável pela criação da inteligência artificial.
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E feliz dia das mulheres!!! Vocês são mais fodas que nós, não há dúvida...
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Uma música das boas sobre vocês e para vocês, cantada por Elis.
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Parabéns!!!!!!!!
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Essa Mulher (Elis Regina)

Composição: Joyce/A.Terra

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De manhã cedo essa senhora se conforma

Bota a mesa, tira o pó, Lava a roupa, seca os olhos

Ah, como essa santa não se esquece

De pedir pelas mulheresPelos filhos, pelo pão

Depois sorri, meio sem graça

E abraça aquele homem, aquele mundo

Que a faz assim, feliz!!!

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De tardezinha essas menina se namora

Se enfeita se decora, Sabe tudo, não faz mal

Ah, como essa coisa é tão bonita

Ser cantora, ser artista

Isso tudo é muito bom

E chora tanto de prazer e de agonia

De algum dia qualquer dia

Entender de ser feliz!!!

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De madrugada essa mulher faz tanto estrago

Tira a roupa, faz a cama, Vira a mesa, seca o bar

Ah, como essa louca se esquece

Quanto os homens enlouquece

Nessa boca, nesse chão

Depois parece que acha graça

E agradece ao destino aquilo tudo

Que a faz tão infeliz!!!

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Essa menina, essa mulher, essa senhora

Em que esbarro toda hora

No espelho casual

É feita de sombra e tanta luz

De tanta lama e tanta cruz

Que acha tudo natural...

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segunda-feira, 5 de março de 2007

Poema MCCCLXIV

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Se me envolves com teus encantos
Sinto-me perdido em tamanho frescor de adultério.
Se me ofereces a face
Te desejo um tapa de carícia individual,
Pois é dando que se recebe
E é perdoando que se é perdoado.
És culpada por ser facilmente amável,
Mas te perdôo do fundo do meu coração,
Por isso testo tua tolerância
Te causando ânsia em me detestar
Quando só te resta querer.
Faço isso pelo teu bem.
Cativo teu ódio na prisão da dependência
Para que eleves teu espírito
No perdão compulsivo.
Sou teu santo e martírio.
Teu purgatório enfim.
Local de preparação,
Uma chance derradeira,
Sou teu companheiro terreno
Uma cruz cicatrizante,
Mentecapta de equilíbrio.
Deves o bem e o mal a mim,
Deves amor, romance exclusivo
Enquanto deleito-me de multidões.
Repito que faço isso pelo teu bem.
Irás para o paraíso,
Já eu,
Dormirei nos braços do fogo.
Dou minha vida,
Pelo teu eterno bem viver.
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sábado, 3 de março de 2007

dI-gestão-Id (i de identificação)

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Digestão de acontecimentos, de fatos, de palavras ditas e calados que disseram mais. Digestão de moradias, de planos, de vícios e olhares. Digestão de comportamentos, de ensinamentos, de padrões, ressentimentos, cagadas. Digestão da memória, remoer para relembrar o que a ansiedade levou embora. Digestão de mim ou do que restou dos tempos de extrema contração. Movimentos compensatórios de tudo que existe. A expansão despende energia e modifica o entorno, a contração suga o entorno e aprimora o interno. Mas nós somos os maiores geradores. Digestão do paralelepípedo, dos trilhos do metrô, da correria 24 horas por minuto. Digestão da má digestão, da comida rápida, da fila que não andava, das celebridades suspirando nas costas, do queijo ralado de gosto perpétuo. Digestão da falta das montanhas, digestão das reuniões capitalosas. Digestão de tudo que foi visto, dos egos amontoados e refrescados pelo ar-condicionado. Digestão da pressão de chefes, da lentidão do que é público. Digestão das baladas no meio da semana, da ressaca no horário de bater cartão. Digestão das olheiras, das marcas que brotavam insinuando o desgaste. Digestão do tempo que não houve, dos cambaleios pelas ruas, dos muquifos escudos, do gelo seco constante. Digestão dos renegados, dos revoltosos mudinhos de conformismo. Digestão dos valores não valorizados e da cantoria dos vizinhos poderosos. Digestão do que não foi visto, do que passou por mim sem que eu estivesse lá. Digestão da consciência, do adulto de repente, do lago Ness e seu monstro, muito prazer!!! Digestão da firmeza que surpreendeu, da nicotina incessante. Digestão do não compreendido, do não correspondido, da gentileza despercebida. Digestão da desculpa negada, e da que foi dita sem sentir. Digestão do sono sem cama e da cama sem sono. Digestão da lágrima rara, da viagem despropositada, do ego morto, da arte esquecida, da música descartada. Digestão dos erros e dos acertos incoerentes. Digerir de gerir o que me pertence.
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Digestão,
digressão,
regressão,
regresso,
resgate,
progresso,
processo,
combate,
embate,
me bate,
restinga,
restolhos,
piolhos,
fiapos,
farrapos,
trapos,
calados,
colantes,
colágeno,
gentio,
gentil,
gentileza,
beleza,
bondade,
bonança,
aliança,
aliado,
vidrado,
viagem,
vantagem,
vida,
ida,
id,
I (eu).
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dI-gest(aç)ão
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1 x (-365) = 1/2 - dI-vIsão (são será)
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