Vocês se lembram desse post. Ele foi feito e postado no dia 24 de outubro de 2005. Para refrescar a memória eu to colocando ele aqui de novo. Ele exige um mergulho duplo.
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“- Sim respeitável público, dentro de instantes teremos aqui no palco o nosso querido Zacarias dos Trapalhões. É, vocês podem não acreditar, mas é verdade mesmo. Ele nos disse numa seção espírita que iria baixar em carne e osso aqui neste nosso planeta Terra e que ainda iria aparecer aqui com certeza, sem falta à meia-noite e já são 23 horas e 45 minutos. Vocês podem não acreditar, mas é a pura verdade. Nós aqui do circo Silver & CIA cumprimos o que prometemos. Sou dono deste circo, sou honesto e posso dizer que nenhum palhaço aqui nesta casa de Deus é ladrão de mulher.
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Nisso levanta uma mulher com uma criança em cada braço e diz:
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- Quem disse que nenhum palhaço aqui é ladrão de mulher. Quem você acha que é o pai dessas crianças que eu carrego nos braços. Hein, responde?
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O dono do circo fingia que não estava escutando e ficava olhando pra cara da mulher com uma cara de “fala mais alto” misturada com “quem essa parideira pensa que é”.
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A mulher que era decidida. Pegou as outras sete criancinhas que estavam perto dela e foi adentrando o picadeiro enfrentando alguns funcionários que queriam detê-la e enquanto falava muito alto pra todos ouvirem:
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- Quem disse que nenhum palhaço aqui é ladrão de mulher. Quem você acha que é o pai dessas crianças que eu carrego nos braços. Hein, responde?
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O dono do circo resmungou ao microfone debochando da mulher:
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- Meu Deus, estou tendo um Dejavi de som, ou melhor, eu acho que eu tô tendo um dejaOUvi.
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Mas o povo não achou muita graça não, já que a mulher estava muito brava e via-se na cara dela que ela não estava brincando.
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- Quem disse que nenhum palhaço aqui é ladrão de mulher. Quem você acha que é o pai dessas crianças que eu carrego nos braços. Hein, responde?
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No que a moça repetiu a mesma frase com a mesma entonação, tudo sonoramente idêntico, as pessoas começaram a reparar que havia alguma coisa errada no ar. Parecia que a mulher só sabia falar aquilo. Era como um gravador que se rebobinava automaticamente pra logo em seguida se repetir como se tudo naquele lugar tivesse retornado ao momento que aquela mulher tinha aberto a boca pela primeira vez.
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- Quem disse que nenhum palhaço aqui é ladrão de mulher. Quem você acha que é o pai dessas crianças que eu carrego nos braços. Hein, responde?
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Todos olharam para o dono do circo que já havia parado de fazer piadas e em cada rosto ele enxergou um pedido de resposta. A platéia parecia que apostava na resposta como única maneira de libertar aquele espetáculo de tempo em rodopios. E novamente.
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- Quem disse que nenhum palhaço aqui é ladrão de mulher. Quem você acha que é o pai dessas crianças que eu carrego nos braços. Hein, responde?
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As 7 crianças que não estavam no colo da mulher e que eram justamente as que já sabiam falar disseram:
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- Olá pailhaço...
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Silêncio...
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- Olá pailhaço...
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Silêncio.
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- Quem disse que nenhum palhaço aqui é ladrão de mulher. Quem você acha que é o pai dessas crianças que eu carrego nos braços. Hein, responde?
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A mulher e as crianças começaram a se mover como máquinas. Os bebês de colo caíram do colo e iniciaram um arrasto desesperador pela serragem do chão. Todos tremiam muito e não havia mais o que se fazer. O pânico baixou em toda a platéia e em todos os funcionários daquele circo. Todos tentavam se mover, mas nada saia do lugar. Era como num sonho quando se quer correr, mas não se sai do lugar.
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Os bichos dormiam sossegados após seu trabalho diário de fingir inferioridade.
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As crianças tremendo se espalhavam tremendamente e começavam a se aproximar do público, outras delas se aproximavam dos funcionários que se debatiam contra o ar tentando alcançar algum gancho aéreo pra encaixar os dedos que mais pareciam minhocas tentando entrar em terra seca.
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O Dono do Circo...
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O dono do Circo não sabia o que fazer quando os bebês agarraram seus calcanhares e começaram a babar na sua roupa de linho. Ele não podia mexer seu corpo só sua cabeça o obedecia, como as dos outros presentes. Ele chorou... Os bebês não tinham pupila mas seus olhinhos emanavam uma piedade descomunal.
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Ele chorou.
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O mundo não se movia mais.
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E um segredo seria revelado pela mãe das 9 crianças.”
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Daí depois como complemento eu disse:
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“Ia postar sobre um lugar que eu fui no domingo mas acabei fazendo esse texto. Escrevi ele porque não agüentava mais escrever viagens em primeira pessoa ou coisas mais ou menos pessoais em terceira pessoa ou textos sem compromisso nenhum. Comecei essa história também sem compromisso, mas conforme foi indo eu resolvi levar mais a sério e dar uma unidade pra ela. Só tem esse (entre aspas) capítulo (entre aspas) pronto. Não tenho nem noção do que vai vir, e espero conseguir continuar ou pelo menos lembrar e ter a disciplina de continuar. Escrevi um texto muito nada a ver pra colocar no dia do meu aniversário, mas vou colocar assim mesmo. Falou...”
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O Davi comentou assim nesse post:
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“Wagner, um lembrete pra vc. Naum se ativa a curiosidade de um curioso sem sacia-la depois! Qual é esse bendito segredo?????? Por facor, naum va me deixar a vr navios!!!!
Brincadeira!!!!!!
Legal o txto, mas ve se termina hien!!!!
Falow!
Davi!”
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Daí eu me senti intimidado a terminá-lo. Ele está no meu desktop desde o dia 23 de abril de 2006, e como eu tô querendo esvaziar ele, resolvi escrever esse tal segredo que a mãe ficou de revelar. Segue o texto. Espero não desapontar depois de tanto tempo. rssss
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E a mãe enfim, depois de 522 dias paralisada esperando o momento exato de contar o segredo, resolveu pronunciar as palavras. Os filhos mais novos não engatinhavam mais, e alguns dos mais velhos já iam para detrás da lona do circo para se masturbarem. O mundo estava paralisado há 522 dias. Já era 31 de março de 2007 e desde de 24 de outubro de 2005 que nada passava. Todos os verbos tinham se tornado gerúndio. A terra era uma fotografia em 3D. Uma maquete gigantesca com marionetes extremamente expressivas feitas de carne congelada em temperatura ambiente.
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As pessoas do circo estavam morrendo por atrofia muscular já que não podiam se mover, mas nenhuma delas sentia necessidades biológicas. O pensamento humano só funcionava debaixo daquela lona. Eram pessoas escolhidas para estarem ali.
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Fora daquele espaço, o resto da humanidade nem vivia, pois não havia tempo. O tempo havia parado a matemática, que parou a química, que parou a micro-física, que parou a biologia, que parou a física, que parou as línguas, que parou a psiquiatria avançada, que parou a psicologia, que parou a sexologia, que parou a agronomia, que parou a metalurgia, que parou a engenharia, que parou a administração, que parou o marketing, que parou a economia, que parou a antropologia moderna, que parou a sociologia contemporânea, que parou a filosofia eterna, que parou o direito, que parou a política, que parou as instituições, que parou o poder, que parou a religiosidade, que parou a fé, que parou o mundo enfim.
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A mãe, movendo silenciosamente a boca, fez as pessoas sob a lona despertarem do torpor. Todas a olharam implorantemente assustadas porque sabiam que estavam ali esperando há muito tempo, mas não faziam nem idéia de quanto tempo se constituía essa espera. A mãe olhou em volta. Sentia que a necessidade dela dizer alguma coisa estava quase concreta e começava a ocupar espaço no lugar. Era uma experiência metafísica, e era justamente isso que ela queria.
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A necessidade de palavras pediu licença, e começou a invadir os pedaços daquele circo. O tempo de espera anterior foi capaz de acumular-se com tanta intensidade que ultrapassou a barreira da intenção e se tornou fato. As pessoas não viam, mas sentiam. Começavam a serem esmagadas.
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A mãe, por saber disso, cada vez mais dava a entender que iria falar alguma coisa, mas sempre no final se calava. Enchia os pulmões de ar, inclinava o corpo levemente para frente, abria mais os olhos até que murchava um pouco e aquietava-se novamente.
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Fez isso umas 3 vezes e o ar se adensava impressionantemente a cada ciclo de intenção de dizer. As pessoas estavam a ponto de serem implodidas de tanto silêncio. E então ela disse depois de 522 dias:
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- Vocês notam?
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Não houve respostas. As pessoas mal respiravam. Havia só um gemido geral que sonorizava a asfixia por excesso. Ela repetiu com um pouco mais de veemência:
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- Vocês notam? Vocês notam a vontade impregnada no ar? A carência sentada entre vocês? Vocês percebem a força física dos teus desejos? Vocês estão compreendendo que grande parte do que existe no mundo e fruto de seus impulsos internos?
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As pessoas não diziam nada, mas começavam a ter a impressão de que estavam começando a entender. Tudo bem no começo como se pode perceber.
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Houve uma pausa.
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- O mundo é de cada - a primeira frase afirmativa do ano retirou 300 joules de pressão do local – o mundo mora dentro. E nós moramos dentro de um outro mundo de fora. Mas isso não significa que dentro e fora sejam independentes um do outro.
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Conforme a mulher falava mais e mais, uma ventania estonteante começou a sair do centro do circo para fora da lona estufando o tecido. E a mãe começou a bradar alto com os cabelos bailantes dizendo que aquele vento era a presença física da carência de palavras que ela havia gerado nas pessoas e que por isso se tornou realidade ao redor daquele picadeiro.
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- Vocês são criadores de realidades. Eu nunca existi. Vocês me fizeram aqui dentro desse circo. Vocês vieram ao circo na busca de sonhos esclarecedores. Esse é o lugar onde eles se concretizam e por isso eu me fiz aqui. Eu sou um acumulado de vontades e segurei vocês aqui todo esse tempo porque só assim vocês me ouviriam e seriam partes integrantes dessa verdade que se tornaria irrefutável. Eu sabia que assim seria feito.
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O vento nesse momento estava arrebentando as estrutura, mas as pessoas ainda ouviam perfeitamente a mulher falando com eloqüência. Aos poucos alguns músculos de alguns indivíduos começaram a se mover. Os animais estavam se despertando do sono e tranqüilamente olhavam com sabedoria aquele espetáculo aeromodelista.
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- Minhas nove crianças são filhas desse homem sim. Mas este homem não é este homem. Ele é apenas um corpo físico que serviu de veículo. Quem está dentro dele é que vale por milhões.
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Neste momento o homem desmaiou no chão como se seus ouvidos tivessem acabado de ouvir um chamado de forças e a musculatura simplesmente se desmontou depois de perder seu tônus primitivo.
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- Minhas nove crianças se dissiparão pelo 8 pontos caldeais e colaterais da terra e a nona estará plantada no centro do planeta esperando a hora da ruptura. Assim será feito. Assim já é.
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Com este derradeiro verbo a mulher fez as crianças saírem voando pelos ares enquanto a menorzinha, e única menina, penetrou violentamente a terra como um prato grosso de ferro caindo num caldeirão de feijão.
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As pessoas se mexiam em suas cadeiras admiradas, mas em momento algum sentiam medo. Um instintivo entendimento começou a tomar conta dos ouvintes.
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- Não há o que ser feito. Tudo será veicular. Não há erro, pois tudo será indutivo de outrem.
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Após estas palavras a mulher começou a desaparecer enquanto repetia e repetia.
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- Não há o que ser feito. Tudo será veicular. Não há erro, pois tudo será indutivo de outrem. Não há o que ser feito. Tudo será veicular. Não há erro, pois tudo será indutivo de outrem. Não há o que ser feito. Tudo será veicular. Não há erro, pois tudo será indutivo de outrem.
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E sua voz foi se esvaindo longe e longe como se estivesse sendo levada pelos ventos que começavam a se enfraquecer.
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Nesse momento o circo virou um rodamoinho que foi se intensificando enquanto as pessoas foram ejetadas para longínquas partes do globo. E o local simplesmente não é mais um local. Enfim, fim.
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Lembro me dessa história que acabei de contar como estivesse acabado de vivê-la. Estou com uma dor no corpo como se estivesse caído do alto. Um misto de ficções.
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Juro por deus que me sopraram o começo dessa história no dia 23 de outubro de 2005 e me lembro de uma voz me dizendo para escrevê-la aqui no meu blog. Fiz isso sem entender. Me lembro bem desse dia como se fosse antes de ontem. Hoje, 31 de março de 2007, sinto como se estivesse voltado ao meu lugar.
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Em minha memória resta apenas esse acontecimento da mulher no circo que acabei de contar. Me parece uma espécie de sonho e eu, não sei porquê, senti que a minha missão era escrevê-la aqui nesse blog até o fim. Não sei direito, mas ela está na minha cabeça como uma espécie de sonho real. Apenas sentei e a escrevi
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Agora que voltei, vi que meu blog está cheio de posts novos. Do nada me veio à memória a notícia que o Lula se reelegeu, que o Brasil não ganhou a copa do mundo e que o BBB6 teve a participação de um cara de Passa Quatro. Que coisa estranha. Tenho fotos que não tirei e poesias que não escrevi. Registros meus em lugares que não estive. Sinto como se eu tivesse passado 522 dias fora vivendo nesse mundo, só que ele estava parado e havia um pedaço de mim em outro lugar. Minha consciência talvez estivesse sei lá aonde.
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Realmente me parecia que esse mundo estava parado, mas ele não estava, afinal hoje é dia 31 de março de 2007. Meu deus, o que que aconteceu comigo? Uma estória que começou sem pretensões, tomou conta da minha realidade, alterou meu destino e agora me vejo de volta a uma nova realidade de um mundo que eu julgava estar parado, quando na verdade ele se modificou em seu ritmo usual.
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Não sei o que dizer. Meu quarto tem uns enfeites que não coloquei. Meu pé tem um inchado que não sei porquê. Que mundo é esse que vivo hoje? Já ouvi dizer de histórias que ultrapassam a realidade, mas essa foi demais.
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Enfim, acho que vou terminar por aqui. Comecei a fazer esse texto para me promover e acabei me envolvendo demais com ele e parece que nem vivo mais. E desculpe por não ter aparecido no circo como prometeu meu o personagem criado por mim mesmo. Estava na platéia o tempo inteiro pronto para aparecer, mas fiquei com vergonha de me apresentar, afinal eu sou tímido, né gente!!!
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Assinado: Zacarias.
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akakaka, espero que assim eu tenha fechado de maneira inusitada todos os tópicos levantados pelo texto feito há 522 dias atrás. Afinal, num circo onde o Zacarias promete aparecer, podem acontecer coisas das mais diversas, inclusive mulheres mágicas, crianças mensageiras e ventanias que se desfazem em lugar algum para depois se mostrarem que em verdade foram todas inventadas pelo próprio Zacarias que foi abduzido pela própria história e se sentiu assustado e agora diz estar morto, mas depois se desculpa por não ter cumprido a promessa que seu próprio personagem fez dentro da história que ele mesmo criou, ou seja, ele se sentiu intimidado por um objeto hipotético fruto de sua própria imaginação.
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Por essas e outras que eu disse que essa história exigia um mergulho duplo. E se a gente ir mais além, pode-se dizer que em 24 de outubro de 2005 eu fui o próprio Zacarias quando iniciei essa história, já que naquele dia eu era o criador-narrador direto da trama que depois de 522 dias se tornou criatura envolvida na criação.
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Enfim, uma doideira feia como há muito tempo eu não fazia.
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Escrever assim cansa, viu. Dá pra fazer um paralelo entre a história, esses 522 dias da minha vida e os ditos da mulher personagem que eu não escrevi por acaso, mas vai ficar quadrado e chato demais se eu ficar explicitando o significado, e eu não quero isso. Prefiro parar por aqui.
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Falou.
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